Questões do ENEM 2017

Questões aplicadas na prova de 2017, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

5.454 questões encontradas. Mostrando a página 34 de 273.

  • 119C1ECA-FD

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    UNICENTRO · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Sobre as regras gramaticais de concordância, assinale o que estiver incorreto.
    Escolha uma alternativa para a questão 119c1eca-fd
  • 11990E24-FD

    Português

    Adjetivos
    UNICENTRO · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 11990e24-fd
  • 1190E2D1-FD

    Português

    Análise sintática
    UNICENTRO · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Assinale a alternativa que estiver em desacordo com as relações morfossintáticas presentes neste fragmento: “Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando…”
    Escolha uma alternativa para a questão 1190e2d1-fd
  • 118B7FB4-FD

    Português

    Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
    UNICENTRO · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Sobre os processos de formação de palavras que compõem o texto 01, assinale a única alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 118b7fb4-fd
  • 1187F40F-FD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICENTRO · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Assinale a única alternativa incorreta sobre os aspectos formais do texto e sua interpretação:
    Escolha uma alternativa para a questão 1187f40f-fd
  • 118505EF-FD

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICENTRO · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    O animal satisfeito dorme,
    Mário Sérgio Cortella

    O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “o animal satisfeito dorme”. Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
    A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece. Por isso, quando alguém diz “fiquei muito satisfeito com você” ou “estou muito satisfeita com teu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é quando alguém diz: “teu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc.) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.
    Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
    Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento. 
    Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
    Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
    Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando… 
    Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado e não no presente. 
    Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”… 

    Excerto do livro “Não nascemos prontos! – provocações filosóficas”. De Mário Sérgio Cortella.
    Disponível em:<http://www.contioutra.com/o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella/> 
    Assinale a única alternativa incorreta em relação à leitura e à interpretação do texto 01.
    Escolha uma alternativa para a questão 118505ef-fd
  • 3032B6EC-FC

    Português

    Coesão e coerência
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base nos textos 8 e 9.



    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017
    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Supondo-se que fosse possível uma conversa entre Carlos Drummond de Andrade e João Gilberto Noll, tendo em vista o conteúdo dos textos 8 e 9, qual das alternativas a seguir NÃO seria coerente com o ponto de vista dos autores nos segmentos apresentados?
    Escolha uma alternativa para a questão 3032b6ec-fc
  • 302FBC6C-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017


    Sobre este trecho da obra de Noll, Adelaide Calhman de Miranda comenta:


    “Normalmente a reação das pessoas à diferença é hostil; o melhor que se pode esperar é a tolerância. Uma crítica a este fenômeno pode ser encontrada no deboche do narrador de Bandoleiros à sociedade utópica teorizada por Ada e suas colegas, a “Sociedade Minimal”, “um núcleo comunitário mínimo, onde só circulassem suas próprias mercadorias”. Os princípios absurdos da Sociedade Minimal e a ironia com que o narrador se refere a ela podem ser considerados uma crítica à estética minimalista, que extingue o supérfluo e elimina as diferenças.”

    Adaptado de: MIRANDA, Adelaide Calhman de. Abscesso na cidade desencontro, violência e esquecimento em Bandoleiros, de João Gilberto Noll. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, v. 14, p. 01-20, 2001. Disponível em: http:// periodicos.unb.br/index.php/estudos/article/view/2230/1788


    Considerando os excertos de Noll e de Miranda, analise as afirmativas abaixo, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).


    ( ) O trecho de Noll bem representa o estilo prosa poética associado a sua escrita.

    ( ) Em ambos os textos há dados consistentes sobre a forma particular de circulação de mercadorias nas Sociedades Minimais.

    ( ) A expressão “princípios absurdos” e a referência à ironia do narrador utilizadas pela crítica literária podem ser identificadas no excerto de Bandoleiros de forma sutil.

    ( ) Miranda associa a ironia de Noll à ideia de falta de tolerância das pessoas em relação à diferença. O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 302fbc6c-fc
  • 302C9A47-FC

    Português

    Morfologia
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder às questão com base no texto.




    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Dos 19 substantivos que seguem a expressão “e sob”, entre as linhas 26 e 35, apenas cinco estão caracterizados. Essa estratégia do poeta demonstra a presença, no poema, do viés
    Escolha uma alternativa para a questão 302c9a47-fc
  • 3028A396-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder às questão com base no texto.




    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Em Resíduo, Drummond “penetra surdamente no reino das palavras”, ora dando “a chave” para interpretá-las, ora não. Das que estão a seguir, por exemplo, qual poderia ter, no poema, uma conotação tanto positiva quanto negativa?
    Escolha uma alternativa para a questão 3028a396-fc
  • 3022B9CD-FC

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2017

    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2017

    Sabe-se que Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores brasileiros. Ele criou seu próprio Realismo. Um dos motivos que distinguem sua prosa é a forma como constrói personagens de marcada complexidade psicológica e existencial. Analise a correspondência entre personagem e obra, preenchendo os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).

    ( ) Bentinho e Dom Casmurro

    ( ) Sofia e Memórias póstumas de Brás Cubas

    ( ) Dr. Simão Bacamarte e O alienista

    ( ) Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas


    O correto preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

    Escolha uma alternativa para a questão 3022b9cd-fc
  • 301D9354-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Para normatizar o comportamento adequado das pessoas no bonde, Machado de Assis opta pela estrutura de uma lei, com seus respectivos artigos. Essa escolha
    Escolha uma alternativa para a questão 301d9354-fc
  • 3018757F-FC

    Português

    Pontuação
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Assinale a alternativa correta em relação ao emprego dos sinais de pontuação no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 3018757f-fc
  • 3011E23B-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Olavo Bilac foi _________ de _________, também considerado _________.
    Escolha uma alternativa para a questão 3011e23b-fc
  • 300E1E8E-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    No poema em questão, é possível identificar uma das caraterísticas que particularizam a poesia de Olavo Bilac:
    Escolha uma alternativa para a questão 300e1e8e-fc
  • 30098591-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Sobre o poema de Olavo Bilac, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 30098591-fc
  • 30059BB7-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Adaptado de: SILVA, Gislene. O imaginário rural do leitor urbano: o sonho mítico da casa no campo. UFSC, Brasil. Disponível em: https://bjr.sbpjor.org.br/bjr/article/view/200.

    Assinale a alternativa correta sobre a composição e o conteúdo do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 30059bb7-fc
  • 30022D91-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Adaptado de: DALCASTAGNÈ, Regina. Sombras da cidade: o espaço na narrativa brasileira contemporânea. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, v. 21, p. 33-53, 2003. Disponível em:<http://seer.bce.unb.br/index.php/estudos/article/viewfile/2200/1757>.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Imagem da questão de Português, da prova de 2017


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Disponível em: https://goo.gl/z11GoA. Acesso em 19 set. 2017.

    Assinale a alternativa correta acerca da relação que se pode estabelecer entre os textos 1, 2, 3 e 4.
    Escolha uma alternativa para a questão 30022d91-fc
  • 2FFE451A-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder à questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Disponível em: https://goo.gl/z11GoA. Acesso em 19 set. 2017.


    As conversas entre os dois meninos – personagens de Edgar Vasques – permitem inferir que

    Escolha uma alternativa para a questão 2ffe451a-fc
  • 2FFA85BD-FC

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC - RS · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Responder às questão com base no texto.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2017

    Os sentidos sugeridos pelo poema se fundamentam em torno do campo semântico relacionado ao verbo “ver” – “vista”, “olhar”, “olhos” –, que
    Escolha uma alternativa para a questão 2ffa85bd-fc