Questões do ENEM 2024

Questões aplicadas na prova de 2024, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

690 questões encontradas. Mostrando a página 23 de 35.

  • 9B420D59-31

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado há exatos 100 anos, em 1924.


         A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

        O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. [...]

        A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas1 da saudade universitária. [...]

        A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. [...]

       A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de ideias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido.


    (Gilberto Mendonça Teles (org.).
    Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, 1992.)

    1 liana: cipó.
    “A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” (4o parágrafo)

    Atende particularmente a esse princípio estético do manifesto (podendo até mesmo ser visto como um desdobramento dele) o seguinte poema de Oswald de Andrade (publicado em 1925): 
    Escolha uma alternativa para a questão 9b420d59-31
  • 9B3F8734-31

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Examine o meme publicado pelo perfil @classicaldamn no Instagram em 16.04.2024.



    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2024



    O conteúdo explorado pelo meme relaciona-se diretamente com aquele explorado pela seguinte fábula de Esopo:

    Escolha uma alternativa para a questão 9b3f8734-31
  • 9B3CF3F3-31

    Português

    Morfologia - Verbos
    UNESP · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    “— Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.” (13o parágrafo)

    Ao se transpor esse trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem as seguintes formas:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b3cf3f3-31
  • 9B3A2DE6-31

    Português

    Morfologia
    UNESP · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    Observa-se o emprego de palavra formada com prefixo que exprime ideia de negação no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b3a2de6-31
  • 9B378FE7-31

    Português

    Morfologia - Verbos
    UNESP · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.

    “Fui sonhado por ti” (4o parágrafo)


    Transposto para a voz ativa, o trecho assume a seguinte redação:

    Escolha uma alternativa para a questão 9b378fe7-31
  • 9B34F460-31

    Português

    Morfologia - Verbos
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    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    Emprega-se verbo no presente do indicativo com valor de futuro no trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b34f460-31
  • 9B32793D-31

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    No conto, os discursos do pássaro são caracterizados, sobretudo, como
    Escolha uma alternativa para a questão 9b32793d-31
  • 9B2FC9F5-31

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    Depreende-se do conto que o narrador se encontrou com Justo Santana
    Escolha uma alternativa para a questão 9b2fc9f5-31
  • 9B29E4C5-31

    Literatura

    Gêneros Literários
    UNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).


    1   Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.

          — Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.

          A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.

         — Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.

    5   O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.

          — Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.

         Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:

           — Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.

          Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:

    10  — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.

        Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]

       Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:

         — Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.

         Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.

    15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:

          — Foi a melhor época da minha vida.

          Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.

         A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.

         Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:

    20   — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.

    (Rita Chaves (org.).
    Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)


    1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.

    2 Luanda: capital de Angola.

    3Angola tornou-se um país independente em 1975.

    4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.

    5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.
    Na construção de seu conto, Agualusa conjuga história e ficção, isto é, conjuga, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 9b29e4c5-31
  • C2BCD003-30

    Português

    Conjunções: Relação de causa e consequência
    Centro Universitário FAESA · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Captura_de tela 2025-05-16 092954.png (445×137)

    https://crb6.org.br/materias/charge-armandinho-4/


    "Às vezes são caros, mas e daí?!"


    O termo sublinhado é, morfologicamente, classificado como conjunção.

    Nesse fragmento, a conjunção em destaque apresenta valor semântico que:
    Escolha uma alternativa para a questão c2bcd003-30
  • C2A3E1F8-30

    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário FAESA · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    No que isso vai dar?

    Uma velha amiga jornalista, hoje professora da graduação, estava me contando: "É uma luta para fazer com que os alunos leiam um livro inteiro. Eles vivem grudados no TikTok ou no Instagram e não têm concentração. Outro dia, ao ver que todos estavam no celular, parei a aula. Perguntei a alguns o que estavam vendo —e muitos não se lembravam. Não se lembravam do que tinham acabado de ver 15 segundos atrás! Um deles disse que estava comprando uma calça comprida. Para usar a palavra que eles mais dizem, não têm 'foco'."

    "Não é só a facilidade das mídias digitais", ela continuou. "A falta de gosto pela leitura é culpa também da pandemia, da preguiça e, agora, entrando firme, da inteligência artificial. Na pós-graduação, não tem jeito, os alunos são obrigados a ler. Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros na internet, às lives, às gravações. Claro que não são todos assim. Alguns são inteligentes e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo, como editar áudios e vídeos. Sabem falar e, até certo ponto, escrever. Mas, ler??? No que isso vai dar?"

    Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital. Os filmes têm ritmo cada vez mais acelerado, com takes de menos de um segundo. As músicas estão cada vez mais curtas. O vocabulário encolheu, o que significa que, em breve, só poderão expressar ideias muito simples. Não toleram nada que passe de dois minutos e meio.

    Minha amiga tem razão: no que isso vai dar? Esses garotos serão os médicos, cientistas, engenheiros e juristas do futuro? Ou só chegarão a isso os excepcionalmente bem dotados, que, cada vez em menor número, ainda existem?

    Ao ouvir que o aluno estava comprando uma calça durante a aula, minha amiga disse: "Oba! Vou aproveitar e fazer minhas compras da semana!".


    Folha de São Paulo,
    13/07/2024-https://www.academia.org.br/artigos/no-que-isso-vai-dar-Ru y Castro
    De acordo com o texto, a função da comunicação predominante é a:
    Escolha uma alternativa para a questão c2a3e1f8-30
  • C297EA52-30

    Português

    Orações subordinadas reduzidas
    Centro Universitário FAESA · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    No que isso vai dar?

    Uma velha amiga jornalista, hoje professora da graduação, estava me contando: "É uma luta para fazer com que os alunos leiam um livro inteiro. Eles vivem grudados no TikTok ou no Instagram e não têm concentração. Outro dia, ao ver que todos estavam no celular, parei a aula. Perguntei a alguns o que estavam vendo —e muitos não se lembravam. Não se lembravam do que tinham acabado de ver 15 segundos atrás! Um deles disse que estava comprando uma calça comprida. Para usar a palavra que eles mais dizem, não têm 'foco'."

    "Não é só a facilidade das mídias digitais", ela continuou. "A falta de gosto pela leitura é culpa também da pandemia, da preguiça e, agora, entrando firme, da inteligência artificial. Na pós-graduação, não tem jeito, os alunos são obrigados a ler. Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros na internet, às lives, às gravações. Claro que não são todos assim. Alguns são inteligentes e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo, como editar áudios e vídeos. Sabem falar e, até certo ponto, escrever. Mas, ler??? No que isso vai dar?"

    Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital. Os filmes têm ritmo cada vez mais acelerado, com takes de menos de um segundo. As músicas estão cada vez mais curtas. O vocabulário encolheu, o que significa que, em breve, só poderão expressar ideias muito simples. Não toleram nada que passe de dois minutos e meio.

    Minha amiga tem razão: no que isso vai dar? Esses garotos serão os médicos, cientistas, engenheiros e juristas do futuro? Ou só chegarão a isso os excepcionalmente bem dotados, que, cada vez em menor número, ainda existem?

    Ao ouvir que o aluno estava comprando uma calça durante a aula, minha amiga disse: "Oba! Vou aproveitar e fazer minhas compras da semana!".


    Folha de São Paulo,
    13/07/2024-https://www.academia.org.br/artigos/no-que-isso-vai-dar-Ru y Castro
    "Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital."


    O período em destaque foi reescrito de acordo com a gramática da língua portuguesa e sem prejuízo de sentido em:
    Escolha uma alternativa para a questão c297ea52-30
  • C28C84E0-30

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    Centro Universitário FAESA · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    No que isso vai dar?

    Uma velha amiga jornalista, hoje professora da graduação, estava me contando: "É uma luta para fazer com que os alunos leiam um livro inteiro. Eles vivem grudados no TikTok ou no Instagram e não têm concentração. Outro dia, ao ver que todos estavam no celular, parei a aula. Perguntei a alguns o que estavam vendo —e muitos não se lembravam. Não se lembravam do que tinham acabado de ver 15 segundos atrás! Um deles disse que estava comprando uma calça comprida. Para usar a palavra que eles mais dizem, não têm 'foco'."

    "Não é só a facilidade das mídias digitais", ela continuou. "A falta de gosto pela leitura é culpa também da pandemia, da preguiça e, agora, entrando firme, da inteligência artificial. Na pós-graduação, não tem jeito, os alunos são obrigados a ler. Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros na internet, às lives, às gravações. Claro que não são todos assim. Alguns são inteligentes e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo, como editar áudios e vídeos. Sabem falar e, até certo ponto, escrever. Mas, ler??? No que isso vai dar?"

    Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital. Os filmes têm ritmo cada vez mais acelerado, com takes de menos de um segundo. As músicas estão cada vez mais curtas. O vocabulário encolheu, o que significa que, em breve, só poderão expressar ideias muito simples. Não toleram nada que passe de dois minutos e meio.

    Minha amiga tem razão: no que isso vai dar? Esses garotos serão os médicos, cientistas, engenheiros e juristas do futuro? Ou só chegarão a isso os excepcionalmente bem dotados, que, cada vez em menor número, ainda existem?

    Ao ouvir que o aluno estava comprando uma calça durante a aula, minha amiga disse: "Oba! Vou aproveitar e fazer minhas compras da semana!".


    Folha de São Paulo,
    13/07/2024-https://www.academia.org.br/artigos/no-que-isso-vai-dar-Ru y Castro
    "... e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo..."


    Os pronomes relativos, além de terem função de substituir um termo anterior, podem unir as orações dentro de um período.


    Nos fragmentos a seguir, o termo "que" como pronome relativo está sublinhado em: 
    Escolha uma alternativa para a questão c28c84e0-30
  • C2804D98-30

    Português

    Sintaxe
    Centro Universitário FAESA · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    No que isso vai dar?

    Uma velha amiga jornalista, hoje professora da graduação, estava me contando: "É uma luta para fazer com que os alunos leiam um livro inteiro. Eles vivem grudados no TikTok ou no Instagram e não têm concentração. Outro dia, ao ver que todos estavam no celular, parei a aula. Perguntei a alguns o que estavam vendo —e muitos não se lembravam. Não se lembravam do que tinham acabado de ver 15 segundos atrás! Um deles disse que estava comprando uma calça comprida. Para usar a palavra que eles mais dizem, não têm 'foco'."

    "Não é só a facilidade das mídias digitais", ela continuou. "A falta de gosto pela leitura é culpa também da pandemia, da preguiça e, agora, entrando firme, da inteligência artificial. Na pós-graduação, não tem jeito, os alunos são obrigados a ler. Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros na internet, às lives, às gravações. Claro que não são todos assim. Alguns são inteligentes e fazem coisas que não aprendemos no nosso tempo, como editar áudios e vídeos. Sabem falar e, até certo ponto, escrever. Mas, ler??? No que isso vai dar?"

    Nos EUA, uma organização denunciou o declínio dos estudantes americanos em leitura, matemática e ciência, pela falta de atenção provocada pela distração digital. Os filmes têm ritmo cada vez mais acelerado, com takes de menos de um segundo. As músicas estão cada vez mais curtas. O vocabulário encolheu, o que significa que, em breve, só poderão expressar ideias muito simples. Não toleram nada que passe de dois minutos e meio.

    Minha amiga tem razão: no que isso vai dar? Esses garotos serão os médicos, cientistas, engenheiros e juristas do futuro? Ou só chegarão a isso os excepcionalmente bem dotados, que, cada vez em menor número, ainda existem?

    Ao ouvir que o aluno estava comprando uma calça durante a aula, minha amiga disse: "Oba! Vou aproveitar e fazer minhas compras da semana!".


    Folha de São Paulo,
    13/07/2024-https://www.academia.org.br/artigos/no-que-isso-vai-dar-Ru y Castro
    A expressão sublinhada no fragmento "Mas, na graduação, recorrem aos resumos de livros..." apresenta igual função sintática daquela sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão c2804d98-30
  • F49C0C10-30

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
        Mapear é se reconhecer, identificar o lugar onde se vive e trabalha, lugar que guarda memórias, histórias e conflitos. Porém, os mapeamentos oficiais, em grande parte dos casos, têm invisibilizado os modos de vidas tradicionais. É nesse contexto que surgiu o projeto “Mapeamento no Complexo Suape em Cabo de Santo Agostinho — Pernambuco, Brasil”, que buscou, por meio da cartografia social, reconstituir esse território, a partir da perspectiva das comunidades impactadas pela construção do Complexo Industrial Portuário de Suape, identificando áreas que foram desapropriadas, propondo as legendas necessárias para a compreensão dos processos sociais que ali se deram e destacando os lugares de pertencimento e conflitos.

    (https://actionaid.org.br, 01.07.2021.)


    De acordo com o excerto, a cartografia social contribui para 
    Escolha uma alternativa para a questão f49c0c10-30
  • F422CAC7-30

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Read the following letter to the editor.


    To the Editor:

        Defective airplanes, tobacco products, cars without seatbelts and social media posts: One of these things is not like the others.

        The surgeon general Dr. Vivek Murthy proposes applying warning labels to social media platforms as if they are surely dangerous, like cigarettes and airplanes whose doors fall off during a flight. But there’s another way social media is different: It’s a tool we use to express ourselves. As such, its use is protected by the First Amendment1 .

        This isn’t the first time the government has tried to regulate expression in the name of protecting kids. It tried to do so in the 1950s with comics, the 1980s with rock music and the 1990s with video games. We now look back on these efforts as misguided and unconstitutional.


    Nico Perrino

    Washington

    The writer is the executive vice president of FIRE, the Foundation for Individual Rights and Expression.

    (www.nytimes.com, 24.06.2024. Adapted.)

    1First Amendment: an item in the American Constitution that guarantees the people freedom concerning religion and expression, among other rights.


    It is the letter writer’s explicit position on protection protocols:
    Escolha uma alternativa para a questão f422cac7-30
  • F42003C0-30

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Read the text to answer question.

        When United States (US) Surgeon General Dr. Vivek Murthy pushed for a tobacco-style warning on social media, he called the mental health crisis in young people an emergency that demanded action without waiting for “perfect information.”
        Even among experts, questions remain about the exact role that social media plays in the mental health of children and teens. Authors of a comprehensive new review of research on the topic say there’s still key information missing to know whether prevention programs and interventions will work.
        In the study, published recently in the medical journal JAMA Pediatrics, researchers found an overall link between anxiety and depression in adolescents and the time spent on social media platforms, as well as a link between the types of activities and content they were interacting with. However, the level of impact varied enough to suggest that the findings shouldn’t be generalized to the population as a whole. “In a world increasingly saturated by digital technology, we cannot afford to design prevention programs, interventions, and regulations without knowing that they work for everyone, especially those who are most vulnerable,” wrote the study authors.
         The National Academies committee specifically recommend against a social media ban. Despite potential harms — such as unhealthy social comparisons and distracting from other important healthy behaviors such as sleep, exercise and studying — social media can also benefit young people by helping to foster connection with friends and family, and with online support communities.

    (Deidre McPhillips. https://edition.cnn.com, 24.06.2024. Adapted.)
    According to the fourth paragraph, social media use can, potentially, 
    Escolha uma alternativa para a questão f42003c0-30
  • F414D129-30

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Read the text to answer question.

        When United States (US) Surgeon General Dr. Vivek Murthy pushed for a tobacco-style warning on social media, he called the mental health crisis in young people an emergency that demanded action without waiting for “perfect information.”
        Even among experts, questions remain about the exact role that social media plays in the mental health of children and teens. Authors of a comprehensive new review of research on the topic say there’s still key information missing to know whether prevention programs and interventions will work.
        In the study, published recently in the medical journal JAMA Pediatrics, researchers found an overall link between anxiety and depression in adolescents and the time spent on social media platforms, as well as a link between the types of activities and content they were interacting with. However, the level of impact varied enough to suggest that the findings shouldn’t be generalized to the population as a whole. “In a world increasingly saturated by digital technology, we cannot afford to design prevention programs, interventions, and regulations without knowing that they work for everyone, especially those who are most vulnerable,” wrote the study authors.
         The National Academies committee specifically recommend against a social media ban. Despite potential harms — such as unhealthy social comparisons and distracting from other important healthy behaviors such as sleep, exercise and studying — social media can also benefit young people by helping to foster connection with friends and family, and with online support communities.

    (Deidre McPhillips. https://edition.cnn.com, 24.06.2024. Adapted.)
    The study described in the third paragraph
    Escolha uma alternativa para a questão f414d129-30
  • F4095A82-30

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Read the text to answer question.

        When United States (US) Surgeon General Dr. Vivek Murthy pushed for a tobacco-style warning on social media, he called the mental health crisis in young people an emergency that demanded action without waiting for “perfect information.”
        Even among experts, questions remain about the exact role that social media plays in the mental health of children and teens. Authors of a comprehensive new review of research on the topic say there’s still key information missing to know whether prevention programs and interventions will work.
        In the study, published recently in the medical journal JAMA Pediatrics, researchers found an overall link between anxiety and depression in adolescents and the time spent on social media platforms, as well as a link between the types of activities and content they were interacting with. However, the level of impact varied enough to suggest that the findings shouldn’t be generalized to the population as a whole. “In a world increasingly saturated by digital technology, we cannot afford to design prevention programs, interventions, and regulations without knowing that they work for everyone, especially those who are most vulnerable,” wrote the study authors.
         The National Academies committee specifically recommend against a social media ban. Despite potential harms — such as unhealthy social comparisons and distracting from other important healthy behaviors such as sleep, exercise and studying — social media can also benefit young people by helping to foster connection with friends and family, and with online support communities.

    (Deidre McPhillips. https://edition.cnn.com, 24.06.2024. Adapted.)
    The expression “‘perfect information’”, from the first paragraph, refers to
    Escolha uma alternativa para a questão f4095a82-30
  • F3F5D9E7-30

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Read the text to answer question.

        When United States (US) Surgeon General Dr. Vivek Murthy pushed for a tobacco-style warning on social media, he called the mental health crisis in young people an emergency that demanded action without waiting for “perfect information.”
        Even among experts, questions remain about the exact role that social media plays in the mental health of children and teens. Authors of a comprehensive new review of research on the topic say there’s still key information missing to know whether prevention programs and interventions will work.
        In the study, published recently in the medical journal JAMA Pediatrics, researchers found an overall link between anxiety and depression in adolescents and the time spent on social media platforms, as well as a link between the types of activities and content they were interacting with. However, the level of impact varied enough to suggest that the findings shouldn’t be generalized to the population as a whole. “In a world increasingly saturated by digital technology, we cannot afford to design prevention programs, interventions, and regulations without knowing that they work for everyone, especially those who are most vulnerable,” wrote the study authors.
         The National Academies committee specifically recommend against a social media ban. Despite potential harms — such as unhealthy social comparisons and distracting from other important healthy behaviors such as sleep, exercise and studying — social media can also benefit young people by helping to foster connection with friends and family, and with online support communities.

    (Deidre McPhillips. https://edition.cnn.com, 24.06.2024. Adapted.)
    The text mainly discusses the
    Escolha uma alternativa para a questão f3f5d9e7-30