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Questões de Linguagens do ENEM
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- LinguagensPara responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:— Mãe, venha ouvir: está a bater!A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.— Agora não sonha, filha?— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.— Morta, a minha menina? Mas, assim...?— Esta é a sua maneira de estar morta.A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.— Então, minha querida não escutou nada?Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)O narrador recorre a um enunciado aparentemente paradoxal no seguinte trecho:
- Linguagens
Inglês
- Interpretação de texto | Reading comprehension
- Prova de 2018
- IF-PE
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBB3B8ED-83
Read TEXT 8 and answer to the question.
TEXT 8

Available at: <https://www.kulzy.com/work/147877/religare-health-insurance/direct-responsemailers/weight-loss/>. Accessed: May 09th 2018 (adapted).
In TEXT 8, the statement SOMETIMES IT’S GOOD TO BE A LOSER IN LIFE plays with the word loser. Considering this, what’s the purpose of TEXT 8? - Linguagens
Português
- Conjunções: Relação de causa e consequência
- Prova de 2012
- UNIFESP
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBB49375-FE

Considere as seguintes passagens do texto:
– [...] é levado a sentir entre elas uma relação sintática, mesmo que estejam fora de um contexto mais esclarecedor.
– Como todos rissem, o autor da frase emendou [...].
As conjunções destacadas expressam, respectivamente, relação de - Linguagens
Literatura
Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:— Mãe, venha ouvir: está a bater!A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.— Agora não sonha, filha?— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.— Morta, a minha menina? Mas, assim...?— Esta é a sua maneira de estar morta.A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.— Então, minha querida não escutou nada?Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)A linguagem poética, o emprego de neologismos e as marcas de oralidade, que podem ser identificados no texto de Mia Couto, caracterizam também a prosa do seguinte escritor brasileiro: - Linguagens
Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBB53FC9-BB

COUTINHO, Laerte. Tira. Disponível em: . Acesso em: 5 nov. 2014.
A leitura dos quadrinhos permite inferir que
- Linguagens
Inglês
- Interpretação de texto | Reading comprehension
- Prova de 2018
- IF-PE
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBB6E6B6-83
Read TEXT 9 and answer to the question.
TEXT 9

WATTERSON, Bill. Available at: <https://br.pinterest.com/pin/300685712614333926/>. Accessed: May 09th 2018 (adapted).TEXT 9 suggests that
- Linguagens
Português
- Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
- Prova de 2022
- UNESP
- Código da questão: DBB76D00-8B
Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:— Mãe, venha ouvir: está a bater!A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.— Agora não sonha, filha?— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.— Morta, a minha menina? Mas, assim...?— Esta é a sua maneira de estar morta.A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.— Então, minha querida não escutou nada?Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)Constitui exemplo de neologismo formado pelo processo de sufixação a palavra - Linguagens
Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Fácil
- Com imagem
- Código da questão: DBB9E854-BB

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade. Disponível em:. Acesso em: 9 nov. 2014.
Sobre o texto, é correto afirmar: - Linguagens
Português
Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:— Mãe, venha ouvir: está a bater!A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:— Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.— Agora não sonha, filha?— Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:— Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:— Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.— Morta, a minha menina? Mas, assim...?— Esta é a sua maneira de estar morta.A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:— Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.— Então, minha querida não escutou nada?Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.(Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)Ocorre o pronome apassivador “se” no seguinte trecho: - Linguagens
Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBBD91D8-BB

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade. Disponível em:. Acesso em: 9 nov. 2014.
Entre as ideias desenvolvidas no último parágrafo do texto, ocorre o que está devidamente identificado em - Linguagens
Literatura
Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)1Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.O soneto de Gregório de Matos constitui um exemplo da sua poesia de teor - Linguagens
Português
- Denotação e Conotação
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Difícil
- Com imagem
- Código da questão: DBC13564-BB

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade. Disponível em:. Acesso em: 9 nov. 2014.
É exemplo de linguagem conotativa o fragmento apresentado na alternativa - Linguagens
Literatura
- Escolas Literárias
- Prova de 2021
- Universidade de Pernambuco
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBC2F95D-6E

Texto 5POÉTICAManuel BandeiraEstou farto do lirismo comedidodo lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e [manifestações de apreço ao Sr. DiretorEstou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho[vernáculo de um vocábulo.Abaixo os puristasTodas as palavras sobretudo os barbarismos universaisTodas as construções sobretudo as sintaxes de exceçãoTodos os ritmos sobretudo os inumeráveisEstou farto do lirismo namoradorPolíticoRaquíticoSifilíticoDe todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.De resto não é lirismoSerá contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar[com cem modelos de cartas e as diferentes[maneiras de agradar às mulheres, etc.Quero antes o lirismo dos loucosO lirismo dos bêbadosO lirismo difícil e pungente dos bêbedosO lirismo dos clowns de Shakespeare– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.(Adaptado)A primeira fase do Modernismo brasileiro contemplou artistas diversos que exploraram diferentes tendências e estilos. A Semana de Arte Moderna foi um marco nessa fase e teve a participação de artistas que defendiam uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora, inspirada nas vanguardas europeias. Com base nas leituras dos Textos 1, 2, 3, 4 e 5, e considerando as características da primeira fase do Modernismo no Brasil, assinale a alternativa CORRETA. - Linguagens
Português
Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)1Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.No soneto, o pronome “o” refere-se a - Linguagens
Português
- Coesão e coerência
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBC59564-BB

BLACH, Mateus. Patrimônio Cultural, parte II: a contemporaneidade. Disponível em:. Acesso em: 9 nov. 2014.
No que se refere aos aspectos linguísticos do texto, é correto afirmar: - Linguagens
Literatura
Leia o soneto “Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia”, do poeta Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.
(Gregório de Matos. Poemas escolhidos, 2010.)1Trazidos sob os pés os homens nobres: na visão de Gregório de Matos, os mulatos em ascensão subjugam com esperteza os verdadeiros “homens nobres”.No soneto, verifica-se rima entre palavras de classes gramaticais diferentes - Linguagens
Português
Examine a tirinha da cartunista Laerte, publicada em sua conta do Instagram em 28.03.2022.

A se acreditar na narrativa do sapo,
- Linguagens
Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2014
- Universidade do Estado da Bahia
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: DBC9AAAE-BB
Mamãe, quando ela disse a seus pais que ia se casar comigo, eles se revoltaram:Todo baiano é negro.Todo baiano é pobre.Todo baiano é veado.Todo baiano acaba largando a mulher e os filhos para voltar para a Bahia.Mas nós nos casamos mesmo assim. Tivemos dois filhos (um dia ainda lhe mando um retrato de seus netos). Depois ela fugiu com Zé do Pistom e levou os meus filhos.Zé está me matando. Eles estão me matando. Devem ser uma dúzia de homens, fardados e armados. Aqui, no meio da rua. Na grande capital.Dinheiro, dinheiro, dinheiro.Cresce logo, menino, para você ir para São Paulo.Aqui vivi e morri um pouco todos os dias.No meio da fumaça, no meio do dinheiro.Não sei se fico ou se volto.Não sei se estou em São Paulo ou no Junco.— Levanta, corno.Eles me mandam dançar um xaxado. Não posso, não aguento, não suporto. Voltaram a me bater.O homem na janela deve ter saído da janela. Apagou a luz, desapareceu, foi dormir.São Paulo é uma cidade deserta.Outra pancada e esqueci de tudo.TORRES, Antônio. Essa Terra. 21. ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. p. 62-63.Considerando-se a leitura global da obra “Essa Terra”, o fragmento em destaque evidencia - Linguagens
Português
- Interpretação de Textos
- Prova de 2021
- Universidade de Pernambuco
- Dificuldade: Médio
- Com imagem
- Código da questão: DBC9BA8C-6E

Texto 5POÉTICAManuel BandeiraEstou farto do lirismo comedidodo lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e [manifestações de apreço ao Sr. DiretorEstou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho[vernáculo de um vocábulo.Abaixo os puristasTodas as palavras sobretudo os barbarismos universaisTodas as construções sobretudo as sintaxes de exceçãoTodos os ritmos sobretudo os inumeráveisEstou farto do lirismo namoradorPolíticoRaquíticoSifilíticoDe todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.De resto não é lirismoSerá contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar[com cem modelos de cartas e as diferentes[maneiras de agradar às mulheres, etc.Quero antes o lirismo dos loucosO lirismo dos bêbadosO lirismo difícil e pungente dos bêbedosO lirismo dos clowns de Shakespeare– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.BANDEIRA, Manuel. Poética. In: MORICONI, Ítalo. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.(Adaptado)Para compreender a argumentação pretendida no Texto 4, em seus elementos contextuais mais relevantes e atuais, é necessário admitir que o autor - Linguagens
Português
Para responder à questão, leia o trecho de um ensaio de Michel de Montaigne (1533-1592).Há alguma razão em fazer o julgamento de um homem pelos aspectos mais comuns de sua vida; mas, tendo em vista a natural instabilidade de nossos costumes e opiniões, muitas vezes me pareceu que mesmo os bons autores estão errados em se obstinarem em formar de nós uma ideia constante e sólida. Escolhem um caráter universal e, seguindo essa imagem, vão arrumando e interpretando todas as ações de um personagem, e, se não conseguem torcê-las o suficiente, atribuem-nas à dissimulação. Creio mais dificilmente na constância dos homens do que em qualquer outra coisa, e em nada mais facilmente do que na inconstância. Quem os julgasse nos pormenores e separadamente, peça por peça, teria mais ocasiões de dizer a verdade.Em toda a Antiguidade é difícil escolher uma dúzia de homens que tenham ordenado sua vida num projeto definido e seguro, que é o principal objetivo da sabedoria. Pois para resumi-la por inteiro numa só palavra e abranger em uma só todas as regras de nossa vida, “a sabedoria”, diz um antigo, “é sempre querer a mesma coisa, é sempre não querer a mesma coisa”, “eu não me dignaria”, diz ele, “a acrescentar ‘contanto que a tua vontade esteja certa’, pois se não está certa, é impossível que sempre seja uma só e a mesma.” Na verdade, aprendi outrora que o vício é apenas o desregramento e a falta de moderação; e, por conseguinte, é impossível o imaginarmos constante. É uma frase de Demóstenes, dizem, que “o começo de toda virtude são a reflexão e a deliberação, e seu fim e sua perfeição, a constância”. Se, guiados pela reflexão, pegássemos certa via, pegaríamos a mais bela, mas ninguém pensa antes de agir: “O que ele pediu, desdenha; exige o que acaba de abandonar; agita-se e sua vida não se dobra a nenhuma ordem.”(Michel de Montaigne. Os ensaios: uma seleção, 2010. Adaptado.)De acordo com Montaigne, as ações humanas caracterizam-se