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Questões de Linguagens do ENEM

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  • 18.995 questões
  • 4 disciplinas
  • 219 assuntos

Resultados: 18.995 questões

Página 445 de 950

  • Linguagens

    Inglês

    Text 1


    Technology plays a key role in teenage romance from initial encounters to eventual break-ups, says a US study.


    Teenagers rarely meet online but do use technology for flirting, asking out, meeting up and parting, American think tank, the Pew Research Center, found. A survey of 1,060 US teenagers aged 13 to 17 revealed that technology brings them closer but also breeds jealousy. "Digital platforms are powerful tools for teens," said Amanda Lenhart, lead author of the report from Pew. "But even as teens enjoy greater closeness with partners and a chance to display their relationships for others to see, mobile and social media can also be tools for jealousy, meddling and even troubling behaviour."

    Digital romance, broken down
    Of the 1,060 teenagers surveyed: • 35% said they were currently dating and 59% of that group said technology made them feel closer to their partner • For boys who were dating, 65% said social media made them more connected to a significant other while it was 52% for girls • 27% of dating teenagers thought social media made them feel jealous or insecure in relationships • 50% of all teens surveyed, dating or not, said they had indicated interest by friending someone on Facebook or other social media and 47% expressed attraction by likes and comments • Texting is king - 92% of teens who were dating said they texted a partner, assuming the partner would check in with "great regularity" • Jealousy happens, but not as much as flirting does - 11% of teenage daters reported accessing a partner's online accounts and 16% reported having a partner asking them to de-friend someone What gets discussed during all those frequent social media enabled check-ins? According to the survey, it is mostly "funny stuff" followed by "things you're thinking about" as well as other information such as where they are and what their friends have been doing. And forget having to meet up to resolve a conflict - 48% of dating teenagers said that could be done by texting or talking online. Online tools, with their accessibility and ease of use, also showed some signs of giving this group relationship anxiety. Females are more likely to be subject to unwanted flirting and 25% of teenagers surveyed said they have blocked or unfriended someone because of uncomfortable flirting. And 15% of teenage daters said a partner had used the internet to pressure them into unwanted sexual activity.

    'More than emojis'
    Nearly half the respondents admitted to concentrating on their phone ahead of their partner when together with 43% of dating teens saying that had happened to them. "I don't think this survey reveals much that is surprising. But it is affirming. Humans are social animals and we build tools to connect with each other,"wrote Julie Beck, an associate editor at The Atlantic news site, of the survey's findings. "It's not all heart emojis all the time, no, but the tools that facilitate relationships facilitate all aspects of them, good and bad. "Connecting with others is scary, hard, sometimes dangerous, but usually, hopefully, good. The teens get it."
    (Fonte: http://www.bbc.com/news/technology-34416989.)
    De acordo com o texto 1, é CORRETO afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 29f73bf8-e0
  • Linguagens

    Literatura

    “O autor faz uma crítica à insensatez de governantes, à hierarquização da sociedade, à subordinação descabida, às disputas amorosas entre outras. É um conto de poucos parágrafos, rico em detalhes e ainda atual, apesar de seus mais de cem anos”.


    Assinale a alternativa que corresponde ao conto aludido.
    Escolha uma alternativa para a questão 29f12b0e-e0
  • Linguagens

    Português

    Texto 1


        Toda cultura é particular. Não existe, nem pode existir uma cultura universal constituída. No nosso século, os antropólogos vivem ensinando isso a quem quiser aprender.
        Tal como acontece com cada indivíduo, os grupos humanos, grandes ou pequenos, vão adquirindo e renovando, construindo, organizando e reorganizando, cada um a seu modo, os conhecimentos de que necessitam.
        O movimento histórico da cultura consiste numa diversificação permanente. A cultura universal - que seria a cultura da Humanidade - depende dessa diversificação, quer dizer, depende da capacidade de cada cultura afirmar sua própria identidade, desenvolvendo suas características peculiares.
        No entanto, as culturas particulares só conseguem mostrar sua riqueza, sua fecundidade, na relação de umas com as outras. E essa relação sempre comporta riscos.
        Em condições de uma grande desigualdade de poder material, os grupos humanos mais poderosos podem causar graves danos e destruições fatais às culturas dos grupos mais fracos. (...)
        Todos tendemos a considerar nossa cultura particular mais universal do que as outras. (...) Cada um de nós tem suas próprias convicções. (...)
        Tanto indivíduos como grupos têm a possibilidade de se esforçar para incorporar às suas respectivas culturas elementos de culturas alheias. (...)
        Apesar dos perigos da relação com as outras culturas (descaracterização, perda da identidade, morte), a cultura de cada pessoa, ou de cada grupo humano, é frequentemente mobilizada para tentativas de auto-relativização e de autoquestionamento, em função do desafio do diálogo.
    Leandro Konder. O Globo, 02/08/98.
    O último par de parênteses usados no texto se justifica para:
    Escolha uma alternativa para a questão 29df5a62-e0
  • Linguagens

    Português

    Texto 1


        Toda cultura é particular. Não existe, nem pode existir uma cultura universal constituída. No nosso século, os antropólogos vivem ensinando isso a quem quiser aprender.
        Tal como acontece com cada indivíduo, os grupos humanos, grandes ou pequenos, vão adquirindo e renovando, construindo, organizando e reorganizando, cada um a seu modo, os conhecimentos de que necessitam.
        O movimento histórico da cultura consiste numa diversificação permanente. A cultura universal - que seria a cultura da Humanidade - depende dessa diversificação, quer dizer, depende da capacidade de cada cultura afirmar sua própria identidade, desenvolvendo suas características peculiares.
        No entanto, as culturas particulares só conseguem mostrar sua riqueza, sua fecundidade, na relação de umas com as outras. E essa relação sempre comporta riscos.
        Em condições de uma grande desigualdade de poder material, os grupos humanos mais poderosos podem causar graves danos e destruições fatais às culturas dos grupos mais fracos. (...)
        Todos tendemos a considerar nossa cultura particular mais universal do que as outras. (...) Cada um de nós tem suas próprias convicções. (...)
        Tanto indivíduos como grupos têm a possibilidade de se esforçar para incorporar às suas respectivas culturas elementos de culturas alheias. (...)
        Apesar dos perigos da relação com as outras culturas (descaracterização, perda da identidade, morte), a cultura de cada pessoa, ou de cada grupo humano, é frequentemente mobilizada para tentativas de auto-relativização e de autoquestionamento, em função do desafio do diálogo.
    Leandro Konder. O Globo, 02/08/98.
    A expressão “quer dizer” poderia ser substituída, sem provocar problema de sentido à sentença em que ela se encontra, por:
    Escolha uma alternativa para a questão 29dc03a6-e0
  • Linguagens

    Português

    Texto 1


        Toda cultura é particular. Não existe, nem pode existir uma cultura universal constituída. No nosso século, os antropólogos vivem ensinando isso a quem quiser aprender.
        Tal como acontece com cada indivíduo, os grupos humanos, grandes ou pequenos, vão adquirindo e renovando, construindo, organizando e reorganizando, cada um a seu modo, os conhecimentos de que necessitam.
        O movimento histórico da cultura consiste numa diversificação permanente. A cultura universal - que seria a cultura da Humanidade - depende dessa diversificação, quer dizer, depende da capacidade de cada cultura afirmar sua própria identidade, desenvolvendo suas características peculiares.
        No entanto, as culturas particulares só conseguem mostrar sua riqueza, sua fecundidade, na relação de umas com as outras. E essa relação sempre comporta riscos.
        Em condições de uma grande desigualdade de poder material, os grupos humanos mais poderosos podem causar graves danos e destruições fatais às culturas dos grupos mais fracos. (...)
        Todos tendemos a considerar nossa cultura particular mais universal do que as outras. (...) Cada um de nós tem suas próprias convicções. (...)
        Tanto indivíduos como grupos têm a possibilidade de se esforçar para incorporar às suas respectivas culturas elementos de culturas alheias. (...)
        Apesar dos perigos da relação com as outras culturas (descaracterização, perda da identidade, morte), a cultura de cada pessoa, ou de cada grupo humano, é frequentemente mobilizada para tentativas de auto-relativização e de autoquestionamento, em função do desafio do diálogo.
    Leandro Konder. O Globo, 02/08/98.
    Em: “Cada um de nós...”, o autor refere-se:
    Escolha uma alternativa para a questão 29d8de6f-e0
  • Linguagens

    Português

    Texto 1


        Toda cultura é particular. Não existe, nem pode existir uma cultura universal constituída. No nosso século, os antropólogos vivem ensinando isso a quem quiser aprender.
        Tal como acontece com cada indivíduo, os grupos humanos, grandes ou pequenos, vão adquirindo e renovando, construindo, organizando e reorganizando, cada um a seu modo, os conhecimentos de que necessitam.
        O movimento histórico da cultura consiste numa diversificação permanente. A cultura universal - que seria a cultura da Humanidade - depende dessa diversificação, quer dizer, depende da capacidade de cada cultura afirmar sua própria identidade, desenvolvendo suas características peculiares.
        No entanto, as culturas particulares só conseguem mostrar sua riqueza, sua fecundidade, na relação de umas com as outras. E essa relação sempre comporta riscos.
        Em condições de uma grande desigualdade de poder material, os grupos humanos mais poderosos podem causar graves danos e destruições fatais às culturas dos grupos mais fracos. (...)
        Todos tendemos a considerar nossa cultura particular mais universal do que as outras. (...) Cada um de nós tem suas próprias convicções. (...)
        Tanto indivíduos como grupos têm a possibilidade de se esforçar para incorporar às suas respectivas culturas elementos de culturas alheias. (...)
        Apesar dos perigos da relação com as outras culturas (descaracterização, perda da identidade, morte), a cultura de cada pessoa, ou de cada grupo humano, é frequentemente mobilizada para tentativas de auto-relativização e de autoquestionamento, em função do desafio do diálogo.
    Leandro Konder. O Globo, 02/08/98.
    A locução conjuntiva no entanto, que inicia um dos parágrafos do texto 1, está como elemento de coesão, ao ligar dois segmentos do texto. Ao fazer isso, ela:
    Escolha uma alternativa para a questão 29cf7cff-e0
  • Linguagens

    Português


    No segundo e terceiro quadrinhos, a proposta de Armandinho é esclarecida através de informações verbais e não verbais. Nesses quadrinhos, por meio do desenho, representa(m)-se
    Escolha uma alternativa para a questão df594bec-de
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade Federal de Santa Maria 2016, Pontuação


    Fonte: Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/caderno-rumo/pagina/a-nova-cidadania/>. Acesso em: 02 dez. 2016. (Adaptado)

    Para responder à questão, considere o conjunto de fragmentos a seguir.

    I → Para Fabrício Tarouco, coordenador do curso de Design da Unisinos, o engajamento das pessoas [...] (ℓ.26-27)

    II → A tecnologia é parte importante do processo de engajamento e inovação no meio urbano, pois quebra o distanciamento entre as pessoas e o território. (ℓ.36-39)

    III → [...] as pessoas se apropriam do espaço público de várias formas, fazem intervenções com arte efêmera, reúnem-se para apresentações, fazem piqueniques. (ℓ.40-43)

    Para assinalar verdadeiro (V) ou falso (F), analise o que se afirma sobre opções de substituição da vírgula nos fragmentos destacados.

    ( ) As vírgulas em I poderiam ser retiradas em razão de estarem separando um aposto relacionado a Fabrício Tarouco com valor meramente explicativo.

    ( ) A vírgula em II poderia ser substituída por ponto e vírgula, em razão de, na sequência, ser apresentada uma afirmativa contrastante com o teor da oração anterior.

    ( ) A primeira vírgula em III poderia ser substituída por dois pontos, em razão de ser feita, na sequência, uma enumeração das diferentes formas de apropriação do espaço público.

    A sequência correta é
    Escolha uma alternativa para a questão df4f7f45-de
  • Linguagens

    Português


    Fonte: Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/caderno-rumo/pagina/a-nova-cidadania/>. Acesso em: 02 dez. 2016. (Adaptado)

    Analisando a frase As tecnologias que nos apartam podem também nos mobilizar (ℓ. 51-52) e seu funcionamento no texto, observa-se que
    Escolha uma alternativa para a questão df46091f-de
  • Linguagens

    Português


    Fonte: Disponível em: <http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/caderno-rumo/pagina/a-nova-cidadania/>. Acesso em: 02 dez. 2016. (Adaptado)

    Analise as afirmativas sobre o emprego dos elementos coesivos destacados a seguir.

    I → No primeiro parágrafo, a contribuição de desde que (ℓ.6) é a de introduzir um segmento mostrando uma finalidade da ocupação organizada de ruas e das redes sociais.

    II → Ao longo do segundo parágrafo, a contribuição de quando é a de introduzir segmentos apresentando situações pelas quais se exercita a cidadania.

    III → No segundo parágrafo, a contribuição de ou (ℓ.20) é a de introduzir um segmento mostrando uma nova forma de participação popular com efeito político.

    Está(ão) correta(s)
    Escolha uma alternativa para a questão df3b4fa7-de
  • Linguagens

    Português

    Leia a introdução de uma matéria jornalística intitulada Pelo Caminhar.



    Fonte: Disponível em: <https://especiais.jconline.ne.10.uol.br/

    pelo-caminhar>. Acesso em: 11 nov. 2016.

    Dentre os processos de formação de palavras, está incluído o mecanismo em que uma palavra de uma classe passa a ser utilizada como sendo de outra classe, sem alterar a sua forma. Desse modo, adjetivos, advérbios e verbos, por exemplo, podem ser empregados como substantivos. No texto, esse mecanismo foi empregado, como fica evidenciado em
    Escolha uma alternativa para a questão df2f884a-de
  • Linguagens

    Português


    Fonte: Disponível em: <www.pordentroemrosa.blogspot.com.br/2014/11/

    sorrir-faz-bem-armandinho.html. Acesso em: 19 nov. 2016.

    Assinale a alternativa em que a reescrita de uma das falas no primeiro quadrinho observa a concordância verbal da norma-padrão e mantém a coerência com o teor do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão df27fa7c-de
  • Linguagens

    Inglês

    Observe o quadrinho para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Na fala da espiga de milho à direita “I spent too much time in there, instead!”, o termo em destaque se refere
    Escolha uma alternativa para a questão e5156440-de
  • Linguagens

    Inglês

    Observe o quadrinho para responder à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Na fala da espiga de milho à esquerda “I couldn’t reach the fridge...”, o termo em destaque pode ser substituído, sem alteração de sentido, por
    Escolha uma alternativa para a questão e50ff9c5-de
  • Linguagens

    Inglês

    Figura 1 de 2 da questão de Inglês, UNIFESP 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension

       In developing countries there are high levels of what is known as “food loss”, which is unintentional wastage, often due to poor equipment, transportation and infrastructure. In wealthy countries, there are low levels of unintentional losses but high levels of “food waste”, which involves food being thrown away by consumers because they have purchased too much, or by retailers who reject food because of exacting aesthetic standards.

    (www.theguardian.com)

    Observe o quadrinho para responder à questão.

    Figura 2 de 2 da questão de Inglês, UNIFESP 2016, Interpretação de texto | Reading comprehension
    The corncob on the left
    Escolha uma alternativa para a questão e50bdbc3-de
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902- 1987), que integra o livro Claro enigma, publicado originalmente em 1951.

    Escurece, e não me seduz
    tatear sequer uma lâmpada.
    Pois que aprouve1 ao dia findar,
    aceito a noite.

    E com ela aceito que brote
    uma ordem outra de seres
    e coisas não figuradas.
    Braços cruzados.

    Vazio de quanto amávamos,
    mais vasto é o céu. Povoações
    surgem do vácuo.
    Habito alguma?

    E nem destaco minha pele
    da confluente escuridão.
    Um fim unânime concentra-se
    e pousa no ar. Hesitando.

    E aquele agressivo espírito
    que o dia carreia2 consigo,
    já não oprime. Assim a paz,
    destroçada.

    Vai durar mil anos, ou
    extinguir-se na cor do galo?
    Esta rosa é definitiva,
    ainda que pobre.

    Imaginação, falsa demente,
    já te desprezo. E tu, palavra.
    No mundo, perene trânsito,
    calamo-nos.
    E sem alma, corpo, és suave.

    (Claro enigma, 2012.)

    1 aprazer: causar ou sentir prazer; contentar(-se).
    2 carrear: carregar.
    Personificação: recurso expressivo que consiste em atribuir propriedades humanas a uma coisa, a um ser inanimado ou abstrato.

    (Dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa.
    www.infopedia.pt. Adaptado.)

    Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso:
    Escolha uma alternativa para a questão e4ece574-de
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do conto “A igreja do Diabo”, de Machado de Assis (1839-1908), para responder à questão.

       Uma vez na terra, o Diabo não perdeu um minuto. Deu-se pressa em enfiar a cogula¹ beneditina, como hábito de boa fama, e entrou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboava nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo; mas confessava-o para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contavam as velhas beatas.
       – Sim, sou o Diabo, repetia ele; não o Diabo das noites sulfúreas, dos contos soníferos, terror das crianças, mas o Diabo verdadeiro e único, o próprio gênio da natureza, a que se deu aquele nome para arredá-lo do coração dos homens. Vede-me gentil e airoso. Sou o vosso verdadeiro pai. Vamos lá: tomai daquele nome, inventado para meu desdouro², fazei dele um troféu e um lábaro³ , e eu vos darei tudo, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...
       Era assim que falava, a princípio, para excitar o entusiasmo, espertar os indiferentes, congregar, em suma, as multidões ao pé de si. E elas vieram; e logo que vieram, o Diabo passou a definir a doutrina. A doutrina era a que podia ser na boca de um espírito de negação. Isso quanto à substância, porque, acerca da forma, era umas vezes sutil, outras cínica e deslavada.
       Clamava ele que as virtudes aceitas deviam ser substituídas por outras, que eram as naturais e legítimas. A soberba, a luxúria, a preguiça foram reabilitadas, e assim também a avareza, que declarou não ser mais do que a mãe da economia, com a diferença que a mãe era robusta, e a filha uma esgalgada4 . A ira tinha a melhor defesa na existência de Homero; sem o furor de Aquiles, não haveria a Ilíada: “Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu”... [...] Pela sua parte o Diabo prometia substituir a vinha do Senhor, expressão metafórica, pela vinha do Diabo, locução direta e verdadeira, pois não faltaria nunca aos seus com o fruto das mais belas cepas do mundo. Quanto à inveja, pregou friamente que era a virtude principal, origem de prosperidades infinitas; virtude preciosa, que chegava a suprir todas as outras, e ao próprio talento.
       As turbas corriam atrás dele entusiasmadas. O Diabo incutia-lhes, a grandes golpes de eloquência, toda a nova ordem de coisas, trocando a noção delas, fazendo amar as perversas e detestar as sãs.
      Nada mais curioso, por exemplo, do que a definição que ele dava da fraude. Chamava-lhe o braço esquerdo do homem; o braço direito era a força; e concluía: Muitos homens são canhotos, eis tudo. Ora, ele não exigia que todos fossem canhotos; não era exclusivista. Que uns fossem canhotos, outros destros; aceitava a todos, menos os que não fossem nada. A demonstração, porém, mais rigorosa e profunda, foi a da venalidade5 . Um casuísta6 do tempo chegou a confessar que era um monumento de lógica. A venalidade, disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrando assim o princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente.

    (Contos: uma antologia, 1998.)

    1cogula: espécie de túnica larga, sem mangas, usada por certos religiosos.
    2desdouro: descrédito, desonra.
    3lábaro: estandarte, bandeira.
    4esgalgado: comprido e estreito.
    5venalidade: condição ou qualidade do que pode ser vendido.
    6casuísta: pessoa que pratica o casuísmo (argumento fundamentado em raciocínio enganador ou falso).
    Estão empregados em sentido figurado os termos destacados nos seguintes trechos:
    Escolha uma alternativa para a questão e4c768bd-de
  • Linguagens

    Português

    Caracterizou-o sempre um sincero amor pelas coisas de sua terra, pela sua gente, e se existe obra que possa ser chamada de brasileira, é a dele. Se seus assuntos eram o homem e a terra do Brasil, apanhados no Norte, no Sul, no Centro, a forma por que os explorava era também brasileira, pela sintaxe que empregava e pelos modismos que introduzia. O Brasil do campo e o das cidades está presente em sua obra, assim como o homem da sociedade, o homem da rua e o trabalhador rural. Abarcou os aspectos mais variados da nossa sensibilidade e da nossa formação, constituindo sua obra um painel a que nada falta, inclusive o índio, que nela tem participação considerável.

    (José Paulo Paes e Massaud Moisés (orgs).
    Pequeno dicionário de literatura brasileira, 1980. Adaptado.)

    Tal comentário refere-se ao escritor
    Escolha uma alternativa para a questão e4bcc7ad-de
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.

    À margem de uma fonte, que corria,
    Lira doce dos pássaros cantores
    A bela ocasião das minhas dores
    Dormindo estava ao despertar do dia.

    Mas como dorme Sílvia, não vestia
    O céu seus horizontes de mil cores;
    Dominava o silêncio entre as flores,
    Calava o mar, e rio não se ouvia.

    Não dão o parabém à nova Aurora
    Flores canoras, pássaros fragrantes,
    Nem seu âmbar respira a rica Flora.

    Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
    Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
    Aves cheirosas, flores ressonantes.

    (Poemas escolhidos, 2010.) 
    A sinestesia consiste em transferir percepções de um sentido para as de outro, resultando um cruzamento de sensações.

    (Celso Cunha. Gramática essencial, 2013.)

    Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso:
    Escolha uma alternativa para a questão e4a3a1ba-de
  • Linguagens

    Português

    Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696), para responder à questão.

    À margem de uma fonte, que corria,
    Lira doce dos pássaros cantores
    A bela ocasião das minhas dores
    Dormindo estava ao despertar do dia.

    Mas como dorme Sílvia, não vestia
    O céu seus horizontes de mil cores;
    Dominava o silêncio entre as flores,
    Calava o mar, e rio não se ouvia.

    Não dão o parabém à nova Aurora
    Flores canoras, pássaros fragrantes,
    Nem seu âmbar respira a rica Flora.

    Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
    Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
    Aves cheirosas, flores ressonantes.

    (Poemas escolhidos, 2010.) 
    No soneto, a seguinte expressão é empregada pelo eu lírico em lugar de sua musa Sílvia:
    Escolha uma alternativa para a questão e49fc0a9-de