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Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

60 questões encontradas. Mostrando a página 1 de 3.

  • 1F627839-76

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.


    Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessão
    Escolha uma alternativa para a questão 1f627839-76
  • 8E43196D-75

    Literatura

    Arcadismo
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


    Imagem da questão de Literatura, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2025, Arcadismo


    (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
    Um traço estilístico que afasta esse soneto do Neoclassicismo, aproximando-o da estética romântica, é
    Escolha uma alternativa para a questão 8e43196d-75
  • 8E3F19D6-75

    Literatura

    Gênero Lírico
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


    Imagem da questão de Literatura, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2025, Gênero Lírico


    (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
    De acordo com o eu lírico,
    Escolha uma alternativa para a questão 8e3f19d6-75
  • 8E3C1BE9-75

    Literatura

    Gênero Lírico
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage.


    Imagem da questão de Literatura, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2025, Gênero Lírico


    (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.)
    Nesse soneto, o eu lírico reflete sobre os versos que produzira na mocidade. Por essa razão, o poema assume um caráter
    Escolha uma alternativa para a questão 8e3c1be9-75
  • 8E2D6868-75

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a fábula “O Corvo e a Raposa” de La Fontaine.


    Imagem da questão de Literatura, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2025, Gênero Épico ou Narrativo


    (Maria Celeste Consolin Dezotti (org.). A tradição da fábula: de Esopo a La Fontaine, 2018.)

    1 Fênix: ave fabulosa, única da espécie; capaz de viver vários séculos e renascer das próprias cinzas.
    A fábula permite caracterizar a raposa como
    Escolha uma alternativa para a questão 8e2d6868-75
  • 52AEC43A-75

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    A group of poets who set a new standard of formal precision in lyric poetry from the 1860s to the 1890s, partly in reaction against the emotional extravagance of romanticism. Adopting Leconte de Lisle as their leader, they followed Theophile Gautier’s principle of art for art’s sake, sometimes championing the virtues of impersonality and of traditional verse-forms.


    (Chris Baldick. The Concise Oxford Dictionary of Literary Terms, 2001. Adaptado.)


    O texto refere-se aos poetas
    Escolha uma alternativa para a questão 52aec43a-75
  • 52A3F174-75

    Literatura

    Estilística
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o capítulo intitulado “A borboleta preta” do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.


        No dia seguinte, como eu estivesse a preparar-me para descer, entrou no meu quarto uma borboleta [...]. A borboleta, depois de esvoaçar muito em torno de mim, pousou-me na testa. Sacudi-a, ela foi pousar na vidraça; e, porque eu a sacudisse de novo, saiu dali e veio parar em cima de um velho retrato de meu pai. Era negra como a noite. O gesto brando com que, uma vez posta, começou a mover as asas, tinha um certo ar escarninho, que me aborreceu muito. Dei de ombros, saí do quarto; mas tornando lá, minutos depois, e achando-a ainda no mesmo lugar, senti um repelão dos nervos, lancei mão de uma toalha, bati-lhe e ela caiu.

        Não caiu morta; ainda torcia o corpo e movia as farpinhas da cabeça. Apiedei-me; tomei-a na palma da mão e fui depô-la no peitoril da janela. Era tarde; a infeliz expirou dentro de alguns segundos. Fiquei um pouco aborrecido, incomodado.

         — Também por que diabo não era ela azul? disse comigo.

        E esta reflexão, — uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas, — me consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo. Deixei-me estar a contemplar o cadáver, com alguma simpatia, confesso. Imaginei que ela saíra do mato, almoçada e feliz. A manhã era linda. Veio por ali fora, modesta e negra, espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto, o que era o homem; descreveu infinitas voltas em torno do meu corpo, e viu que me movia, que tinha olhos, braços, pernas, um ar divino, uma estatura colossal. Então disse consigo: “Este é provavelmente o inventor das borboletas.” A ideia subjugou-a, aterrou-a; mas o medo, que é também sugestivo, insinuou-lhe que o melhor modo de agradar ao seu criador era beijá-lo na testa, e beijou-me na testa. Quando enxotada por mim, foi pousar na vidraça, viu dali o retrato de meu pai, e não é impossível que descobrisse meia verdade, a saber, que estava ali o pai do inventor das borboletas, e voou a pedir- -lhe misericórdia.

        Pois um golpe de toalha rematou a aventura. Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a pompa das folhas verdes, contra uma toalha de rosto, dois palmos de linho cru. Vejam como é bom ser superior às borboletas! Porque, é justo dizê-lo, se ela fosse azul, ou cor de laranja, não teria mais segura a vida; não era impossível que eu a atravessasse com um alfinete, para recreio dos olhos. Não era. Esta última ideia restituiu-me a consolação; uni o dedo grande ao polegar, despedi um piparote e o cadáver caiu no jardim. Era tempo: aí vinham já as próvidas formigas… Não, volto à primeira ideia; creio que para ela era melhor ter nascido azul.


    (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2001.)


    Um traço estilístico marcante da prosa de Machado de Assis é a inclusão do leitor na própria tessitura do texto literário, a exemplo do que ocorre
    Escolha uma alternativa para a questão 52a3f174-75
  • 02B50418-74

    Literatura

    Teoria Literária
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder à questão.


    Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?

    — indagou o major.

    — Magnífico

    — fez Ricardo, estalando os lábios. — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

    E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

    Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

    Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4.

    Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)


    1 lutulento: lamacento, lodoso.

    2 olente: cheiroso, perfumado.

    3 dolente: lamentosa, queixosa.

    4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.
    O narrador do romance manifesta-se ironicamente, em tom jocoso, em:
    Escolha uma alternativa para a questão 02b50418-74
  • E55EA4B6-74

    Literatura

    Teoria Literária
    UEA · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho a seguir, retirado do romance Macunaíma, de Mário de Andrade, para responder à questão.


    Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas.

    Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou:

    — Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz.

    (Macunaíma, 2013.)
    O episódio narrado neste trecho exemplifica uma característica marcante da personagem Macunaíma:
    Escolha uma alternativa para a questão e55ea4b6-74
  • D19AD559-74

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UEA · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, para responder a questão


        Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional.

    — Está bom, hein?— indagou o major.

    — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios.

    — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores…

        E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação.

        Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1 , manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2 , como aquelas que ele tinha ali.

        Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4 .

        Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição:

    — Vamos ver. Tire a escala, major.

    (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.)

    Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessão
    Escolha uma alternativa para a questão d19ad559-74
  • FD30524A-74

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).

    Tirar dentro do peito a Emoção,
    A lúcida Verdade, o Sentimento!
    — E ser, depois de vir do coração,
    Um punhado de cinza esparso ao vento!...

    um verso de alto pensamento,
    E puro como um ritmo de oração!
    — E ser, depois de vir do coração,
    O pó, o nada, o sonho dum momento...

    São assim ocos, rudes, os meus versos:
    Rimas perdidas, vendavais dispersos,
    Com que eu iludo os outros, com que minto!

    Quem me dera encontrar o verso puro,
    O verso altivo e forte, estranho e duro,
    Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

    (Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
    Contemporânea dos poetas portugueses Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca não se filiou a nenhuma escola literária e sua poesia é considerada de difícil classificação. Considerando os aspectos formais (gênero poético adotado, métrica empregada e esquema de rimas), o soneto de Florbela Espanca aproxima-se do
    Escolha uma alternativa para a questão fd30524a-74
  • F63D46E9-6E

    Literatura

    Gêneros Literários
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Luis Fernando Verissimo criou diversos personagens que se tornaram símbolos de sua obra, como Ed Mort, Analista de Bagé e Velhinha de Taubaté. Sobre esses personagens, assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão f63d46e9-6e
  • F63AB16C-6E

    Literatura

    Estilística
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia os excertos abaixo, retirados de Mas em que mundo tu vive, de José Falero.


    Eu também poderia contar aqui sobre como os colegas me chamavam, na época em que trabalhei num certo supermercado: macaco branco, babuíno malpassado. Ou, então, poderia falar sobre como o pessoal da Bela Vista, onde trabalhei como porteiro, corria a guardar o celular tão logo botava os olhos em mim.


    Aqui na Lomba do Pinheiro existe uma lenda conhecida como C98, ou Circular Pinheiro. Esse ônibus – que dá mil e uma voltas no bairro pra depois ir morrer de cansado lá no alto do Campus do Vale –, nossa mãe!, o bicho passa quando bem entende. A coisa é tanta que as pessoas nunca sabem dizer com certeza se a linha ainda tá funcionando.
    – Vem cá, e o C98, que nunca mais vi, hein? Será que ainda existe aquilo?
    – Ué, e já existiu mesmo alguma vez? Ouvi falar desse troço aqui e ali, mas ver, ver, que é bom, nunca nem vi.
    Pois o troço existe mesmo. E no ano passado, quando comecei a estudar no Colégio de Aplicação, me dei conta de que o C98 era a linha que melhor me servia na ida da Pinheiro pro campus. 
    A partir das leitura dos excertos e da leitura integral da obra Mas em que mundo tu vive, considere as seguintes afirmações.


    I - A obra contém textos divididos em quatro seções: “Assalariados”, “Em construção”, “Branco é a vó” e “Entre as tripas e a razão”. Nesse conjunto de crônicas, o autor se compromete em denunciar questões como as desigualdades econômica e social e o racismo estrutural.

    II - O projeto literário de Falero revela-se no desejo de assumir-se como voz oriunda da periferia. Tal intenção é reiterada em diferentes passagens de suas crônicas, ainda que não seja enunciada de forma literal, transparecendo tanto na escolha temática quanto na elaboração estilística de seus textos.

    III- O autor das crônicas constrói sua escrita de modo a recriar o ritmo da fala, sobretudo aquela própria da periferia de Porto Alegre, seu lugar de origem. Suas crônicas apresentam, frequentemente, gírias e formas de expressão que rompem com a norma culta padrão.


    Quais estão corretas?
    Escolha uma alternativa para a questão f63ab16c-6e
  • F6381A28-6E

    Literatura

    Teoria Literária
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de A visão das plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida.


    As plantas viam o jardineiro como as plantas veem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora.

    Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava.

    […]

    Nenhuma flor lamentava a morte dos escravos que Celestino sufocara em mar alto. Os homens despejaram a cal no porão, saco a saco. Os negros viram que um pó caía sobre eles, mas não entenderam o que se passava. Os sacos de cal foram vazados no porão e a porta fechada por Celestino. Ouviram-se gemidos, pedidos de socorro e, passado algum tempo, um silêncio que apaziguou os piratas. O rapaz que lhes abrira o porão pela calada manteve-se a um canto, aturdido.
    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra A visão das plantas.


    ( ) O capitão, ao contrário da indiferença das flores, se arrepende do assassinato dos escravizados.

    ( ) O capitão busca consolo para seus crimes nas conversas com o padre Alfredo.

    ( ) O capitão passa a ver uma “velha negra”, uma das vítimas.

    ( ) O capitão conta para as crianças apenas as belezas de suas viagens marítimas.


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
    Escolha uma alternativa para a questão f6381a28-6e
  • F632C86E-6E

    Literatura

    Teoria Literária
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa que se refere corretamente à obra Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas.
    Escolha uma alternativa para a questão f632c86e-6e
  • F62D5F31-6E

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia o trecho abaixo, retirado de Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane.


    Vou ao espelho tentar descobrir o que há de errado em mim. Vejo olheiras negras no meu rosto, meu Deus, grandes olheiras! Tendo andado a chorar muito por esses dias, choro até demais. Olho bem para a minha imagem. Com esta máscara de tristeza, pareço um fantasma, essa aí não sou eu. Titubeio uma canção antiga daquelas que arrastam as lágrimas à superfície. Nessa coisa de cantar, tenho as minhas raízes. Sou de um povo cantador. Nessa terra canta-se na alegria e na dor. Canto e choro. Delicio-me com as lágrimas que correm com sabor a sal, com o maior prazer do mundo, Ah, mas como me liberta esse choro!


    Paro de chorar e volto ao espelho. Os olhos que se refletem brilham como diamantes. É o rosto de uma mulher feliz. Os lábios que se refletem traduzem uma mensagem de felicidade, não, não podem ser os meus, eu não sorrio, eu choro. Meu Deus, o meu espelho foi invadido por uma intrusa, que se ri da minha desgraça.  
    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre esse excerto, considerando, também, a leitura integral da obra Niketche: uma história de poligamia.


    ( ) O protagonismo do enredo está sob a responsabilidade do personagem Antônio Tomás (Tony), marido de Rosa Maria (Rami) e pai de Bentinho, filho caçula do casal.

    ( ) A narrativa evidencia a relevância de refletir sobre a condição feminina em um contexto poligâmico, além de expor os conflitos e os dilemas decorrentes dessa conjuntura.

    ( ) A rua em que Rami e Tony residem é permeada por mulheres traídas, solitárias e abandonadas por seus maridos, as quais invejam a dedicação, a felicidade e a fidelidade do marido da narradora.

    ( ) A narradora, quando se vê diante do espelho, toma consciência de sua ancestralidade e do quanto é oprimida por uma sociedade patriarcal, sentindo compaixão de si própria.


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
    Escolha uma alternativa para a questão f62d5f31-6e
  • F62AAB70-6E

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    No bloco superior abaixo, encontram-se alguns personagens do enredo de Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez; no inferior, alguns trechos do enredo da obra relacionados a tais personagens.


    Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.


    1- Amaranta

    2- Coronel Aureliano Buendía

    3- Prudencio Aguillar

    4- Remédios, a Bela

    5- Úrsula Iguarán


    ( ) ........ promoveu trinta e duas revoluções armadas e perdeu todas. Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um atrás do outro numa mesma noite, antes que o mais velho fizesse trinta e cinco anos. Escapou de quatorze atentados, setenta e três emboscadas e de um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma dose de estricnina no café que teria sido suficiente para matar um cavalo. Recusou a Ordem do Mérito outorgada pelo presidente da república.

    ( ) Ela estava tão comovida que na outra vez em que viu o morto destampando as panelas do fogão entendeu o que ele buscava, e desde então pôs potes de água pela casa afora. Certa noite em que o encontrou lavando as feridas em seu próprio quarto, José Arcádio Buendía não conseguiu resistir. – Está bem, ........ – disse a ele. – Vamos embora deste lugar o mais longe que a gente conseguir, e não voltaremos nunca mais. Agora, vá embora tranquilo.

    ( ) Nem mesmo levantou os olhos para apiedar-se dela na tarde em que ........entrou na cozinha e pôs a mão nas brasas do fogão, até doer tanto que não sentiu mais dor e sim a pestilência de sua própria carne chamuscada. Foi uma dose de cavalo contra o remorso. Durante vários dias andou pela casa com a mão metida num pote cheio de claras de ovos, e quando as queimaduras sararam foi como se as claras de ovo também tivessem cicatrizado as úlceras de seu coração.

    ( ) ........ foi a única que permaneceu imune à peste da banana. Empacou numa adolescência magnífica, cada vez mais impermeável aos formalismos, mais indiferente à malícia e à suspicácia, feliz num mundo próprio de realidades singelas. Não entendia por que as mulheres complicavam a vida com espartilhos e anáguas de balão, e então costurou para si mesma uma batina de estopa que simplesmente metia a cabeça e resolvia sem mais delongas o problema de se vestir, sem abandonar a impressão de estar nua (...). 

    ( ) Amanheceu morta na quinta-feira santa. Na última vez em que tinham ajudado ........ a fazer as contas de sua idade, nos tempos da companhia da bananeira, calcularam entre cento e quinze e cento e vinte e dois anos. Foi enterrada numa caixinha pouco maior que a cestinha em que Aureliano tinha sido levado, e muito pouca gente assistiu ao enterro, em parte porque não eram muitos os que se lembravam dela, e em parte porque naquele meio-dia fez tanto calor que os pássaros desorientados se esfacelavam feito perdigotos contra as paredes (...).


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
    Escolha uma alternativa para a questão f62aab70-6e
  • F62807A0-6E

    Literatura

    Gênero Lírico
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia a letra da canção Vingança, de Lupicínio Rodrigues. 


    Imagem da questão de Literatura, UFRGS 2025, Gênero Lírico
    A partir da leitura da letra da canção, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão f62807a0-6e
  • F6255B57-6E

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia o excerto abaixo, retirado de Água funda, de Ruth Guimarães.


    Aí, o Joca entrou no meio da conversa:

    — Mãe de Ouro... Hum... — espichou o beiço com pouco caso. — Mãe de Ouro... Mãe de bosta, com perdão da má palavra. Aquilo é uma estrela que mudou de lugar.

    — Ela escuta, Joca!

    — Que escute!

    — Se não acredita, não abuse...

    Ele agravou a Mãe de Ouro, porque era abusante como ele só. Mas pagou. Ela escutou a praga e veio. Porque, se não fosse a praga, podia bem ser que ele escapasse.
    Assinale a alternativa correta sobre o excerto acima, considerando, também, a leitura integral da obra Água funda.
    Escolha uma alternativa para a questão f6255b57-6e
  • F622B15B-6E

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2025Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: Para responder a questão, leia o poema abaixo, retirado de Pau-Brasil, de Oswald de Andrade.


    o capoeira

    — Qué apanhá sordado?

    — O quê?

    — Qué apanhá?

    Pernas e cabeças na calçada
    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o poema de Oswald de Andrade.


    ( ) A linguagem sintética está relacionada à poética Pau-Brasil.

    ( ) O poema reconstrói, com apenas quatro versos, uma cena do passado colonial brasileiro.

    ( ) A presença do eu poético se mostra na indignação com que condena a escravidão brasileira.

    ( ) O poema recupera nostalgicamente uma cena do passado colonial brasileiro.


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão f622b15b-6e