Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

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1.323 questões encontradas. Mostrando a página 4 de 67.

  • 9FFD6114-67

    Literatura

    Gêneros Literários
    UEG · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto I


    Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



    Texto II

    POESIA


    Gastei uma hora pensando um verso

    que a pena não quer escrever.

    No entanto ele está cá dentro

    inquieto, vivo.

    Ele está cá dentro

    e não quer sair.

    Mas a poesia deste momento

    inunda minha vida inteira.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



    Texto III

     O LUTADOR

     

    Lutar com palavras

    é a luta mais vã.

    Entanto lutamos

    mal rompe a manhã.

    São muitas, eu pouco.

    [...]

     

    Mas lúcido e frio,

    apareço e tento

    apanhar algumas

    para meu sustento

    num dia de vida.

    Deixam-se enlaçar,

    tontas à carícia

    e súbito fogem

    [...].

     

    Insisto, solerte.

    Busco persuadi-las.

    [...]

     

    Sem me ouvir deslizam,

    perpassam levíssimas

    e viram-me o rosto.

     

    Lutar com palavras

    parece sem fruto.

    Não têm carne e sangue…

    Entretanto, luto.

    Palavra, palavra

    (digo exasperado),

    se me desafias,

    aceito o combate.

    [...]

     

    Luto corpo a corpo,

    luto todo o tempo,

    sem maior proveito

    que o da caça ao vento.

    [...]

     

    Iludo-me às vezes,

    pressinto que a entrega

    se consumará.

    Já vejo palavras

    em coro submisso,

    esta me ofertando

    seu velho calor,

    aquela sua glória

    feita de mistério,

    outra seu desdém,

    outra seu ciúme,

    e um sapiente amor

    me ensina a fruir

    de cada palavra

    a essência captada,

    o sutil queixume.

    [...].

     

    O ciclo do dia

    ora se conclui

    e o inútil duelo

    jamais se resolve.

    O teu rosto belo,

    ó palavra, esplende

    na curva da noite

    que toda me envolve.

    Tamanha paixão

    e nenhum pecúlio.

    Cerradas as portas,

    a luta prossegue

    nas ruas do sono.

     

    Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



    Texto IV

    PROCURA DA POESIA


    Não faças versos sobre acontecimentos.

    Não há criação nem morte perante a poesia.

    Diante dela, a vida é um sol estático,

    não aquece nem ilumina.

    As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

    contam.

    Não faças poesia com o corpo,

    esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

    efusão lírica.

    Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

    são indiferentes.

    Não me reveles teus sentimentos,

    que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

    O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


    Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

    O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

    das casas.

    Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

    junto à linha de espuma.

    O canto não é a natureza

    nem os homens em sociedade.

    Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

    significam.

    A poesia (não tires poesia das coisas)

    elide sujeito e objeto.


    Não dramatizes, não invoques,

    não indagues. Não percas tempo em mentir.

    Não te aborreças.

    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


    Não recomponhas

    tua sepultada e merencória infância.

    Não osciles entre o espelho e a

    memória em dissipação.

    Que se dissipou, não era poesia.

    Que se partiu, cristal não era.


    Penetra surdamente no reino das palavras.

    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

    Estão paralisados, mas não há desespero,

    há calma e frescura na superfície intata.

    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

    Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

    Espera que cada um se realize e consume

    com seu poder de palavra

    e seu poder de silêncio.

    Não forces o poema a desprender-se do limbo.

    Não colhas no chão o poema que se perdeu.

    Não adules o poema. Aceita-o

    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

    no espaço.


    Chega mais perto e contempla as palavras.

    Cada uma

    tem mil faces secretas sob a face neutra

    e te pergunta, sem interesse pela resposta,

    pobre ou terrível que lhe deres:

    Trouxeste a chave?


    Repara:

    ermas de melodia e conceito

    elas se refugiaram na noite, as palavras.

    Ainda úmidas e impregnadas de sono,

    rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

    Considerando-se o conteúdo temático, os poemas Poesia (Texto II), O lutador (Texto III) e Procura da poesia (Texto IV) podem sem classificados como textos
    Escolha uma alternativa para a questão 9ffd6114-67
  • 729AB9FF-4A

    Literatura

    Estilística
    Ensino Einstein · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.


    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    sem falta: sem dúvida.

    brando: manso, meigo.

    piadoso: piedoso.

    inda: ainda.

    Rimas ricas são aquelas que ocorrem entre palavras de classes gramaticais diferentes. Constitui um exemplo de rima rica a que ocorre entre:
    Escolha uma alternativa para a questão 729ab9ff-4a
  • 72895195-4A

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

        No _______________, a rima nunca foi abandonada. Mas os poetas adquiriram grande liberdade no seu tratamento. O uso do verso livre, com ritmos muito mais pessoais, podendo aceitar todas as inflexões do poeta, permitiu deixá-la de lado. No verso metrificado, ela foi usada ou não, e pela primeira vez pôde se observar na poesia o verso branco em metros curtos. A poética sempre se ocupou dos tipos de rima e do modo de combiná-la, distinguindo diversas modalidades e estabelecendo regras. Essas regras formais chegaram ao máximo de exigência com os _________________.


    (Antonio Candido. O estudo analítico do poema, 2006. Adaptado.)


    As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:

    Escolha uma alternativa para a questão 72895195-4a
  • 517DE12F-47

    Literatura

    Escolas Literárias
    FAME · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.



    Poética



    Estou farto do lirismo comedido


    Do lirismo bem comportado


    Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.


    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.


    Abaixo os puristas


    […]


    Quero antes o lirismo dos loucos


    O lirismo dos bêbados


    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos


    O lirismo dos clowns de Shakespeare


    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.



    BANDEIRA, Manuel. Poética. Disponível em: https://www. ufrgs.br/enunciarcotidianos/2017/04/11/poetica-manuelbandeira/. Acesso em: 25 fev. 2025. [Fragmento]




    O poema de Manuel Bandeira é característico da Primeira Geração Modernista porque
    Escolha uma alternativa para a questão 517de12f-47
  • F6293544-D8

    Literatura

    Escolas Literárias
    UEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto e marque a alternativa que represente como este trecho reflete os procedimentos estéticos e o contexto histórico do Modernismo, no século XX.

    "Somos muitos Severinos,
    iguais em tudo na vida:
    na mesma cabeça grande
    que a custo se equilibra,
    no mesmo ventre crescido
    sobre as mesmas pernas finas." 
    Escolha uma alternativa para a questão f6293544-d8
  • F62682B7-D8

    Literatura

    Teoria Literária
    UEMG · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do poema "Tabacaria", de Álvaro de Campos, (heterônimo de Fernando Pessoa) e indique a alternativa que possui intertextualidade temática mais evidente com o trecho apresentado.

    "Fiz de mim o que não soube,
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara." 
    Escolha uma alternativa para a questão f62682b7-d8
  • C1F508C7-8D

    Literatura

    Escolas Literárias
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    No texto intitulado Tarsila, a pesquisadora Aracy Amaral transcreve um trecho das impressões de Tarsila do Amaral sobre a viagem às cidades históricas coloniais mineiras, que realizara em 1924 com o grupo modernista, liderado por Mário de Andrade: “(...) As decorações murais de um modesto corredor de hotel; o forro das salas, feito de taquarinhas coloridas e trançadas; as pinturas das igrejas, simples e comoventes, executadas com amor e devoção por artistas anônimos; o Aleijadinho, nas suas estátuas e nas linhas geniais da sua arquitetura religiosa, tudo era motivo para as nossas exclamações admirativas. Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Segui o ramerrão do gosto apurado... Mas depois vinguei-me da opressão passando-as para as minhas telas: azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, tudo em gradações mais ou menos fortes, conforme a mistura de branco. Pintura limpa, sobretudo, sem medo de cânones convencionais. Liberdade e sinceridade, uma certa estilização que a adaptava à época moderna.”



    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2024



    Considerando a obra O Mamoeiro, de Tarsila do Amaral, qual é o principal elemento que caracteriza a influência do movimento modernista brasileiro na pintura?  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f508c7-8d
  • C1F03CCB-8D

    Literatura

    Arcadismo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Leia os trechos das obras Marília de Dirceu e Romanceiro da Inconfidência:

    Lira VII (Parte II)

    “Meu prezado Glauceste,
    Se fazes o conceito
    Que, bem que réu, abrigo
    A cândida Virtude no meu peito;
    Se julgas, digo, que mereço ainda
    Da tua mão socorro;
    Ah! Vem dar-mo agora,
    Agora, sim, que morro!

    Não quero que, montado
    No Pégaso fogoso,
    Venhas com dura lança
    Ao monstro infame traspassar, raivoso.
    Deixa que viva a pérfida calúnia,
    E forje o meu tormento:
    Com menos, meu Glauceste,
    Com menos me contento.”

    Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.


    Romance LXVI ou De Outros Maldizentes

    “- Que fica, na fortaleza,
    daquele poeta Gonzaga?
    - Um par de esporas, somente.
    Um par de esporas de prata.
    (...)
    Dizem que tinha um cavalo
    que Pégaso se chamava.
    Não pisava neste mundo,
    mas nos planaltos da Arcádia!”


    Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência.


    Considerando o substantivo Pégaso, presente nos dois excertos, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c1f03ccb-8d
  • C1EB6C13-8D

    Literatura

    Barroco
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Mais de uma vez, o brasileiro Machado de Assis e o português Eça de Queirós foram aproximados porque traçaram linhas de compreensão das suas respectivas sociedades, em um mesmo tempo historicamente situado. Os protagonistas Rubião, de Quincas Borba (1891), e Gonçalo, de A Ilustre Casa de Ramires (1900), 
    Escolha uma alternativa para a questão c1eb6c13-8d
  • C18A3DEF-8D

    Literatura

    Escolas Literárias
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Carlos Drummond de Andrade foi o criador de uma obra lírica que, ao mesmo tempo, se aproxima e se afasta do Modernismo de 1922, propondo, a partir de traços desse movimento, uma poética original. Com base no exposto, em Alguma poesia (1930), 
    Escolha uma alternativa para a questão c18a3def-8d
  • C17408AB-8D

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
       “São os ratos!... Vai escutar com atenção, a respiração meio parada. Hão de ser muitos: há várias fontes daquele guinchinho, e de quando em quando, no forro, em vários pontos, o rufar...
        A casa está cheia de ratos...”

    Dyonélio Machado. Os ratos.


    A obra Os ratos (1935), de Dyonélio Machado, narra o dia em que Naziazeno saiu pela cidade de Porto Alegre no intuito de conseguir dinheiro para pagar a conta do leiteiro. Os animais que dão título à narrativa apenas aparecem em seus últimos capítulos e ocupam o tempo reservado para o descanso do protagonista. É possível, então, afirmar: 
    Escolha uma alternativa para a questão c17408ab-8d
  • C12DEB75-8D

    Literatura

    Gênero Épico ou Narrativo
    USP · 2024Entre para guardar nos favoritos
    Os quadrinhos a seguir são parte da obra Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (2015), uma adaptação do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, para o universo das novelas gráficas (graphic novels). 



    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2024




    Considerando as características visuais dos quadrinhos e os traços narrativos do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, é correto afirmar:  
    Escolha uma alternativa para a questão c12deb75-8d
  • D38A35E9-75

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2024Entre para guardar nos favoritos
        Imaginação, sentimento, emoção prevalecem sobre a razão. É o triunfo do individualismo e do subjetivismo. Idealiza-se a realidade, foge-se do mundo pelo sonho; angústia e pessimismo preponderam; pratica-se o culto da morte, do passado e da natureza. Grandes temas dominam toda a poesia: saudade, Indianismo, “mal do século”, natureza brasileira, “exaltação nacionalista” e causas sociais (abolicionismo). Descartam-se as imposições da arte poética clássica.


    (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003.)


    O texto trata do movimento
    Escolha uma alternativa para a questão d38a35e9-75
  • 386C2DA2-DF

    Literatura

    Escolas Literárias
    CEDERJ · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    A Semana de Arte Moderna de 1922 significou o estabelecimento de um novo paradigma para a cultura brasileira. Uma das opções abaixo contém elementos que confirmam esse estabelecimento. Assinale-a:
    Escolha uma alternativa para a questão 386c2da2-df
  • 71085FF8-D2

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Símbolos



    Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento

    do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...

    Um símbolo descubro aqui, neste momento

    esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.


    O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento

    de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.

    Como compreendo bem da rocha o sentimento!

    São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.


    Contemplo neste quadro a nossa triste vida;

    tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,

    tem carinhos de amor e fúrias de demência!


    Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,

    sou rocha a emergir de um côncavo de areia,

    imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.


    MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:

    Cátedra/MEC, 1978.

    Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao
    Escolha uma alternativa para a questão 71085ff8-d2
  • 70FA54E6-D2

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    — Vejo, disse ele com algum acanhamento, que o doutor não é nenhum pé-rapado, mas nunca é bom facilitar... Minha filha Nocência fez 18 anos pelo Natal, e é rapariga que pela feição parece moça de cidade, muito ariscazinha de modos, mas bonita e boa deveras... Coitada, foi criada sem mãe, e aqui nestes fundões. [...]
    — Ora muito que bem, continuou Pereira caindo aos poucos na habitual garrulice, quando vi a menina tomar corpo, tratei logo de casá-la.
     — Ah! é casada? perguntou Cirino.
    — Isto é, é e não é. A coisa está apalavrada. Por aqui costuma labutar no costeio do gado para São Paulo um homem de mão- cheia, que talvez o sr. conheça... o Manecão Doca...
    — Não, respondeu Cirino abanando a cabeça.
    — Pois isso é um homem às direitas, desempenado e trabucador como ele só... fura estes sertões todos e vem tangendo pontes de gado que metem pasmo. Também dizem que tem bichado muito e ajuntado cobre grosso, o que é possível, porque não é gastador nem dado a mulheres. Uma feita que estava aqui de pousada... olhe, mesmo neste lugar onde estava mecê inda agorinha, falei-lhe em casamento... isto é, dei-lhe uns toques... porque os pais devem tomar isso a si para bem de suas famílias; não acha?
    — Boa dúvida, aprovou Cirino, dou-lhe toda a razão; era do seu dever.

    TAUNAY, A. d’E. Inocência. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
    Acesso em: 29 fev. 2024. 
    Nesse trecho, ao se referir à sua filha, o pai de Inocência reproduz os ideais românticos, presentes na
    Escolha uma alternativa para a questão 70fa54e6-d2
  • C9ED33C7-CC

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Sete annos de pastor Jacob servia


    Luís Vaz de Camões


    Sete annos de pastor Jacob servia

    Labão, pae de Raquel, serrana bella:

    Mas n˜ao servia ao pae, servia a ella,

    Que a ella só por premio pertendia.


    Os dias na esperança de hum só dia

    Passava, contentando-se com vella:

    Porém o pae, usando de cautella,

    Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.


    Vendo o triste Pastor que com enganos

    Assi lhe era negada a sua Pastora,

    Como se a não tivera merecida;


    Começou a servir outros sete annos,

    Dizendo: Mais servíra, senão fôra

    Para tão longo amor tão curta a vida.


    Fonte: CAMOES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.

    Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos.
    Escolha uma alternativa para a questão c9ed33c7-cc
  • CA2CCFA8-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia com atenção o poema abaixo, de Manuel Bandeira.



    O Bicho


    Vi ontem um bicho

    Na imundície do pátio

    Catando comida entre os detritos.

    Quando achava alguma coisa,

    Não examinava nem cheirava:

    Engolia com voracidade.


    O bicho não era um cão,

    Não era um gato,

    Não era um rato.


    O bicho, meu Deus, era um homem.



    Assinale a alternativa correta em relação ao poema.  

    Escolha uma alternativa para a questão ca2ccfa8-5a
  • CA24EC79-5A

    Literatura

    Teoria Literária
    UFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho abaixo, de Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.


    Mal tinham começado quando Amaranta percebeu que Remédios, a Bela, estava quase transparente, com uma palidez intensa.


    — Você está se sentindo mal? — perguntou.


    Remédios, a Bela, que tinha agarrado o lençol pela outra ponta, fez um sorriso de lástima.


    — Ao contrário — disse —, nunca me senti melhor. Acabou de falar e Fernanda sentiu um delicado vento de luz que arrancou os lençóis de suas mãos e os estendeu em toda sua amplitude. Amaranta sentiu um tremor misterioso nas rendas de suas anáguas e tratou de se agarrar no lençol para não cair, no mesmo instante em que Remédios, a Bela, começava a se elevar. Úrsula, já quase cega, foi a única que teve serenidade para identificar a natureza daquele vento irreparável, e deixou os lençóis à mercê da luz, vendo Remédios, a Bela, que dizia adeus com a mão, entre o deslumbrante bater de asas dos lençóis que subiam com ela, que abandonavam com ela o ar dos besouros e das dálias, e passavam com ela através do ar onde as quatro da tarde terminavam, e se perderam com ela para sempre nos altos ares onde não podiam alcançá-la nem os mais altos pássaros da memória.


    Os forasteiros, claro, acharam que Remédios, a Bela, havia enfim sucumbido ao seu irrevogável destino de abelha rainha e que sua família tratava de salvar a honra com o engodo da levitação. Fernanda, mordida pela inveja, acabou aceitando o prodígio, e durante muito tempo continuou rogando a Deus que lhe devolvesse os lençóis. A maioria acreditou no milagre, e até acendeu velas e rezou novenas.



    Assinale a alternativa correta sobre o fragmento acima, considerando, também, a leitura integral de Cem anos de solidão.

    Escolha uma alternativa para a questão ca24ec79-5a
  • CA129C37-5A

    Literatura

    Escolas Literárias
    UFRGS · 2024DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere os trechos abaixo, retirados da obra A falência, de Júlia Lopes de Almeida, e a leitura integral da obra.



    I. — Minha senhora, eu sou da opinião de que a mulher nasceu para mãe de família. Crie os seus filhos, seja fiel ao seu marido, dirija bem a sua casa e terá cumprido a sua missão. Este foi sempre o meu juízo e não me dei mal com ele; não quis casar com mulher sabichona. É nas medíocres que se encontram as esposas.


    II. (...) tinha ascendência sobre a criadagem, que a tratava por dona. Mesmo entre os brancos a palavra da sua experiência era ouvida com acatamento. Ela era a mulher desembaraçada, a doceira dos grandes dias de festa, a única das engomadeiras capaz de satisfazer as impertinências do dono da casa; ninguém sabia como a (...) preparar um remédio, um suadouro, nem dar um escalda-pés sinapisado, nem tão bem escolher o peixe, preparar um pudim ou vestir uma criança.


    III. Aos doze anos conservava o seu ar estúpido e humilde; não conhecia uma letra, mas ensinava as criadas novas a varrerem a casa e a porem a mesa com perfeição. Como o Mário lhe bateu um dia com os arreios do seu cavalo de pau, Francisco Theodoro resolveu pô-la em um colégio, de pensionista, recomendando uma instrução prática, nada ornamental.



    Assinale a alternativa correta acerca dos perfis femininos que compõem o enredo.

    Escolha uma alternativa para a questão ca129c37-5a