Questões de Literatura do ENEM
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CA0FC5B2-5A Assinale a alternativa correta a respeito do enredo de alguns contos de Várias histórias, de Machado de Assis.CA0D3515-5A Literatura
Escolas LiteráriasUFRGS · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosNo bloco superior abaixo, estão listados nomes de poetas brasileiros; no inferior, alguns excertos de poemas representantes da poesia árcade, barroca, romântica e simbolista brasileiras.
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 – Álvares de Azevedo
2 – Casimiro de Abreu
3 – Cruz e Souza
4 – Gregório de Matos
5 – Tomás Antônio Gonzaga
( ) Pintam, Marília, os Poetas A um menino vendado, Com uma aljava de setas, Arco empunhado na mão; Ligeiras asas nos ombros, O tenro corpo despido, E de Amor, ou de Cupido São os nomes, que lhe dão.
( ) Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas! Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas… Incensos dos turíbulos das aras Formas do Amor, constelarmente puras, De Virgens e de Santas vaporosas… Brilhos errantes, mádidas frescuras E dolências de lírios e de rosas…
( ) Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da vossa alta clemência me despido; Antes, quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado.
( ) Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã! Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minhã irmã!
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
E332A04A-40 Literatura
Teoria LiteráriaAssociação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosAnalise as afirmativas seguintes em relação ao romance O Vendededor de Passados, de José Eduardo Agualusa.I. A narrativa do romance é conduzida exclusivamente em terceira pessoa onisciente, mantendo uma perspectiva distanciada de eventos e personagens.II. A obra apresenta uma estrutura narrativa não linear, alternando entre diferentes tempos e perspectivas narrativas, o que contribui para a complexidade da trama e a exploração dos temas de identidade e memória.III. A utilização de um narrador não humano, a osga que acredita ser a reencarnação de um fotógrafo, acrescenta uma camada de realismo mágico à estrutura narrativa.IV. A estrutura narrativa incorpora metaficção, com personagens que estão conscientes dos processos de criação de histórias e identidades, o que desafia as fronteiras entre realidade e ficção dentro do romance.É CORRETO o que se afirma em:E3305132-40 Literatura
Escolas LiteráriasAssociação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsidere o movimento da Catequese Poética, criado pelo poeta catarinense Lindolf Bell, na década de 1960, juntamente com a simbologia das águas como eixo norteador da leitura do poema VI.VIA linha do horizonteatravessa meus olhosMeus olhosque a linha final da morte atravessaráA linha do horizonteviverá de horizonte a horizonteSem meus olhosE sem a minha vidaBELL, Lindolf. O Código das Águas. Global: 1984.A partir da leitura, assinale a alternativa CORRETA.95E7F4AC-3F Literatura
Teoria LiteráriaUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.TEXTO IVA questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.95E5121B-3F Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIAmorClarice LispectorOs filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]- o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.Nos trechos apresentados do conto "Amor", de Clarice Lispector, observa-se:99DBE23C-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosConsiderando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:BA77DE2C-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IVProsopopéiaBento TeixeiraICantem Poetas o Poder Romano,Sobmetendo Nações ao jugo duro;O Mantuano pinte o Rei Troiano,Descendo à confusão do Reino escuro;Que eu canto um Albuquerque soberano,Da Fé, da cara Pátria firme muro,Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,Pode estancar a Lácia e Grega lira.IIAs Délficas irmãs chamar não quero,que tal invocação é vão estudo;Aquele chamo só, de quem esperoA vida que se espera em fim de tudo.Ele fará meu Verso tão sincero,Quanto fora sem ele tosco e rudo,Que per rezão negar não deve o menosQuem deu o mais a míseros terrenos.Fonte: TEIXEIRA, Bento. Prosopopeia. Rio de Janeiro: Typ. do Imperial Instituto Artistico, 1873. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242781. Acesso em: 09/07/2024.GLOSSÁRIO:Délficas: Musas, deusas da poesia e irmãs de Apolo por parte de pai (Zeus)Lácia: referente ao Lácio, região da Itália central.TEXTO VNas palavras do crítico literário Alfredo Bosi, a intenção do poeta Bento Teixeira, ao escrever o poema épico “Prosopopeia”, é “encomiástica, e o objeto do louvor Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que encetava a sua carreira de prosperidade graças à cana-de-açúcar. A imitação de Os Lusíadas é assídua, desde a estrutura até o uso dos chavões da mitologia e dos torneios sintáticos. O que há de não-português (mas não diria: de brasileiro) no poemeto, como a ‘Descrição do Recife de Pernambuco’, ‘Olinda Celebrada’ e o canto dos feitos de Albuquerque Coelho, entra a título de louvação da terra enquanto colônia, parecendo precoce a atribuição de um sentimento nativista a qualquer dos passos citados”.Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 36.GLOSSÁRIO:Encomiástico: elogioso, que faz elogio a algo ou alguém.Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:BA7280EF-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO IIIDesenganos da vida humana, metaforicamenteGregório de Matos*É a vaidade, Fábio, nesta vida,Rosa, que da manhã lisonjeada,Púrpuras mil, com ambição dourada,Airosa rompe, arrasta presumida.É planta, que de abril favorecida,Por mares de soberba desatada,Florida galeota empavesada,Sulca ufana, navega destemida.É nau enfim, que em breve ligeirezaCom presunção de Fênix generosa,Galhardias apresta, alentos preza:Mas ser planta, ser rosa, nau vistosaDe que importa, se aguarda sem defesaPenha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?*Poema antologicamente reconhecido como de autoria de Gregório de MatosFonte: MATOS, Gregório. Desenganos da vida humana, metaforicamente In: Wisnik, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Edição vestibular. São Paulo: Companhia das letras, 2015, p.340.GLOSSÁRIO:Airosa : esbelto, gracioso.Soberba : orgulho, altivez.Galheota : pequena embarcação a remo, usada para o transporte do rei.Presumida : vaidosa.De abril favorecida : favorecida pela primavera que inicia em abril na Europa.Empavesado : enfeitado, adornado, guarnecido de paveses (=proteção nas embarcações).Ufana : que se orgulha de algo, vaidoso.Fênix : divindade da mitologia egípcia, símbolo da imortalidade, personificada em uma ave que renascia das próprias cinzas.Galhardia : garbo, elegância.Aprestar : preparar com prontidão.Alento : sopro, bafejo.Penha : penhasco, rochedo.Considerando o soneto “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, texto III, assinale a alternativa CORRETA:BA6FF358-3C Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ISete annos de pastor Jacob serviaLuís Vaz de CamõesSete annos de pastor Jacob serviaLabão, pae de Raquel, serrana bella:Mas não servia ao pae, servia a ella,Que a ella só por premio pertendia.Os dias na esperança de hum só diaPassava, contentando-se com vella:Porém o pae, usando de cautella,Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.Vendo o triste Pastor que com enganosAssi lhe era negada a sua Pastora,Como se a não tivera merecida;Começou a servir outros sete annos,Dizendo: Mais servíra, senão fôraPara tão longo amor tão curta a vida.Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.TEXTO IIAo casamento de Pedro Álvares da NeivaGregório de MatosSete anos a nobreza da BahiaServia a uma pastora Indiana bela,Porém servia a Índia e não a ela,Que a Índia só por prêmio pretendia.Mil dias na esperança de um só diaPassava, contentando-se com vê-la,Mas frei Tomás usando de cautela,deu-lhe o vilão, quitou-lhe a fidalguia.Vendo o Brasil, que por tão sujos modosSe lhe usurpara a sua Dona Elvira,Quase a golpes de um maço e de uma goiva:Logo, se arrependeram de amar todos,E qualquer mais amara, se não viraPara tão limpo amor tão suja noiva.Fonte: MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção e organização José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos:BA6D820B-3C Literatura
Gêneros LiteráriosUniversidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO ISete annos de pastor Jacob serviaLuís Vaz de CamõesSete annos de pastor Jacob serviaLabão, pae de Raquel, serrana bella:Mas não servia ao pae, servia a ella,Que a ella só por premio pertendia.Os dias na esperança de hum só diaPassava, contentando-se com vella:Porém o pae, usando de cautella,Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.Vendo o triste Pastor que com enganosAssi lhe era negada a sua Pastora,Como se a não tivera merecida;Começou a servir outros sete annos,Dizendo: Mais servíra, senão fôraPara tão longo amor tão curta a vida.Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle.Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões.0ADB06C2-32 Literatura
Escolas LiteráriasUFU-MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritosA Jandaia cantou no alto da palmeira o nome de IracemaLábios de mel, riso mais doce que o jatiLinda demais, cunhã-porã, itereí¹Vou cantar Juremê, Juremê, JuremêVou contar Juremá, JuremáUma história de amor, meu amorÉ o carnaval da Beija-FlorA Jandaia cantou no alto da palmeira o nome de IracemaLábios de mel, riso mais doce que o jatiLinda demais, cunhã-porã, itereíVou cantar Juremê, Juremê, JuremêVou contar Juremá, JuremáUma história de amor, meu amorÉ o carnaval da Beija-Flor¹ moça bonita, gentilCLAUDEMIR; MAURIÇÃO; BARCELLOS, Ronaldo et. al. Iracema, a virgem dos lábios de mel. In: LIESA: Sambas de enredo 2017. Universal Music, 2017. 1 CD. Faixa 5. [Intérprete Neguinho da Beija-Flor].O fragmento acima consiste em parte do samba-enredo Iracema, a virgem dos lábios de mel apresentado, em 2017, pela escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. A letra retoma Iracema de José de Alencar, uma das obras-chave do primeiro Romantismo brasileiro. Assinale a alternativa que indica a relação correta existente entre o samba-enredo, o contexto e a obra literária romântica.0AD840EA-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024Muito fácilEntre para guardar nos favoritosAs personagens são importantes operadores de leitura de um texto literário, pois elas colocam o enredo de uma história em movimento. Em relação às personagens femininas presentes em diferentes obras literárias, é correto afirmar que em0AD48ED1-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritosPoetas contemporâneas de língua portuguesa estabelecem simbólicos diálogos com a tradição trovadoresca para repensar as cantigas. Tal estratégia ocorre como mecanismo para contestar o universo autoral histórico centrado, essencialmente, na autoria masculina. Em vista disso, assinale a alternativa em que os versos da poeta brasileira Hilda Hilst (2017) dialogam com o Trovadorismo.0ACEBD9F-32 Literatura
Teoria LiteráriaUFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosA escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segundafeira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. [...] Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.ASSIS, Machado de. Conto de escola. In: ASSIS, Machado de. Várias Histórias. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004, p. 100.Após a leitura do trecho acima e levando em conta aspectos gerais da obra de Machado de Assis, considere as asserções a seguir.I. O conflito presente no trecho e a posterior decisão de ir à escola revelam aspectos da personalidade do personagem-narrador e sinalizam que a escola não é um ambiente convidativo.II. A idealização do espaço escolar e a romantização dos relacionamentos entre professores e alunos presentes no trecho dialogam com a estética romântica adotada por Machado de Assis em parte de sua obra.III. É possível relacionar acontecimentos que marcaram o período regencial com o enredo do conto, pois a ação é localizada no ano de 1840 – ano que marca o fim do período regencial e a antecipação da coroação de Dom Pedro II.IV. No trecho destacado, estão presentes características da obra de Machado de Assis como o culto à forma, à objetividade, à impessoalidade e o encadeamento sintático, todas relacionadas ao parnasianismo.Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.AAF9AC7D-31 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga.
Cai a cinta a Vênus1 bela,
Sem cautela recostada;
E turbada2 entre os pesares
Pede aos mares que lha deem.
O tesouro se procura,
Os desejos se interessam,
Os cuidados já se apressam,
E a ternura vai também.
Empenhou-se, ó Glaura, o zelo;
Mas em vão: que perda triste!
Só eu vi, sei onde existe;
E dizê-lo não convém.
Cai a cinta a Vênus bela,
Sem cautela recostada;
E turbada entre os pesares
Pede aos mares que lha deem.
Roubador do puro ornato
Foi Antero e foi Cupido3;
E o levaram escondido
Com recato, eu sei a quem.
Receosos pelo insulto,
Que traidores cometeram,
No teu seio se acolheram,
Onde oculto asilo têm.
Cai a cinta a Vênus bela,
Sem cautela recostada;
E turbada entre os pesares
Pede aos mares que lha deem.
Dos meus olhos não se escondem
Os meninos4 , a quem amo:
Se os procuro, espreito e chamo,
Correspondem, mas não vêm.
Com acenos expressivos
De alegria suspeitosa
Mostram faixa preciosa,
Que atrativos mil contêm.
Cai a cinta a Vênus bela,
Sem cautela recostada;
E turbada entre os pesares
Pede aos mares que lha deem.
Se piedade aflito rogo,
E que cessem teus rigores,
(Ah cruéis, lindos Amores!)
Fogem logo e com desdém.
Abrandá-los não consigo,
E já deles tenho medo:
Guarda, Ninfa, este segredo,
Que não digo a mais ninguém.
Cai a cinta a Vênus bela,
Sem cautela recostada;
E turbada entre os pesares
Pede aos mares que lha deem.
(Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.)
1Vênus: deusa do Amor.
2 turbada: aflita, transtornada.
3Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus.
4meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido.
Uma característica da estética árcade observada nesse poema é9B44A934-31 Literatura
Escolas LiteráriasUNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia um trecho do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado há exatos 100 anos, em 1924.A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. [...]A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas1 da saudade universitária. [...]A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. [...]A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de ideias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido.(Gilberto Mendonça Teles (org.).Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, 1992.)1 liana: cipó.Depreende-se dos trechos “A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária.” (3o parágrafo) e “A língua sem arcaísmos, sem erudição.” (4o parágrafo) uma oposição sistemática de Oswald de Andrade, sobretudo, à poesia9B420D59-31 Literatura
Escolas LiteráriasUNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia um trecho do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, publicado há exatos 100 anos, em 1924.A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. [...]A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas1 da saudade universitária. [...]A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos. [...]A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de ideias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloquente, um pavor sem sentido.(Gilberto Mendonça Teles (org.).Vanguarda europeia e modernismo brasileiro, 1992.)1 liana: cipó.“A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” (4o parágrafo)Atende particularmente a esse princípio estético do manifesto (podendo até mesmo ser visto como um desdobramento dele) o seguinte poema de Oswald de Andrade (publicado em 1925):9B29E4C5-31 Literatura
Gêneros LiteráriosUNESP · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o conto “Passei por um sonho”, do escritor angolano José Eduardo Agualusa (1960- ).1 Começou com um sonho. Afinal, é como começa quase tudo. Justo Santana, enfermeiro de profissão, sonhou um pássaro.— Passei por um sonho — disse à mulher quando esta acordou —, e vi um pássaro.A mulher quis saber que espécie de pássaro, mas Justo Santana não foi capaz de precisar. Era um pássaro grande, grave, branco como um ferro incandescente, e com umas asas ainda mais brilhosas, que o dito pássaro usava sempre abertas, de tal maneira que fazia lembrar Jesus Cristo pregado na cruz.— Fui sonhado por ti — disse-lhe o pássaro —, com o fim de esclarecer o espírito dos Homens e de trazer a liberdade a este pobre país.5 O discurso do pássaro assustou o enfermeiro, homem simples, tímido, avesso a confrontos, e sem qualquer vocação para a política.— Foi apenas um sonho — disse à mulher —, um sonho estúpido.Na noite seguinte, porém, o pássaro voltou a aparecer- -lhe. Estava ainda mais branco, mais trágico, e parecia aborrecido com o desinteresse do enfermeiro:— Ordeno-te que vás por esse país fora e digas a todos os homens que se preparem para um mundo novo. Os brancos vão partir e os pretos ocuparão as casas, os palácios, as igrejas e os quartéis, e a liberdade há de reinar para sempre.Dizendo isto sacudiu as asas e as suas penas espalharam-se pelo quarto:10 — Com estas minhas penas hás de curar os enfermos — disse o pássaro —, e assim até os mais incrédulos acreditarão em ti e seguirão os teus passos.Quando Justo Santana despertou o quarto brilhava com o esplendor das penas. Na manhã desse mesmo dia o enfermeiro serviu-se de uma delas para curar um homem com elefantíase e à tardinha devolveu a vista a um cego. Passado apenas um mês a sua fama de santo e milagreiro já se espalhara muito para além das margens do Rio Zaire e à porta da sua casa ia crescendo uma multidão de padecentes. [...]Justo Santana colocava na boca dos enfermos uma pena do pássaro, como se fosse uma hóstia, e estes imediatamente ganhavam renovado alento. Enquanto fazia isto o enfermeiro repetia os discursos do pássaro, incapaz de compreender a fúria daquelas palavras e o alcance delas. Todas as noites sonhava com a ave e todas as noites esta o forçava a decorar um discurso novo, após o que sacudia as asas, espalhando pelo ar morto do quarto as penas milagrosas:— Se esse pássaro continuar assim tão generoso — disse Justo Santana à mulher —, ainda o veremos transformado numa alma despenada.Isto durou um ano. Então, numa manhã de cacimbo1 , apareceram quatro soldados à porta da casa, afastaram com rancor a multidão de desvalidos, e levaram Justo Santana. O infeliz foi acusado de fomentar o terrorismo e a sublevação, e desterrado para uma praia remota, em pleno deserto do Namibe, onde passou a exercer o ofício de faroleiro.15 Quando o encontrei, muitos anos depois, em Luanda2 , ele falou-me desse desterro com nostalgia:— Foi a melhor época da minha vida.Encontrei-o doente, estendido numa larga cama de ferro, sob lençóis muito brancos. No quarto havia apenas a cama e um pequeno crucifixo preso à parede. Na sala ao lado os devotos rezavam murmurosas ladainhas. Aquela era a sede da Igreja do Divino Espírito. Não tinha sido nada fácil chegar até junto do enfermeiro: os seus seguidores guardavam-no corno a uma relíquia — na verdade mantinham-no preso ali, naquele quarto, quase isolado do mundo, desde 19753.A melhor época da vida de Justo Santana terminou de forma trágica, numa noite de tempestade, quando um bando de aves migratórias caiu sobre o farol. Enlouquecidas pela luz as avezinhas batiam contra o cristal até quebrarem as asas, sendo depois arrastadas pelo vento. Isto está sempre a acontecer. Milhares de aves migratórias morrem todos os anos traídas pelo fulgor dos faróis. Naquela noite, desrespeitando as normas, Justo Santana foi em socorro das aves e desligou o farol. Teve pouca sorte: um barco com tropas, de regresso à metrópole, perdeu-se na escuridão e encalhou na praia. Dessa vez o enfermeiro foi julgado, condenado a quinze anos de prisão, e enviado para o Tarrafal4 , em Cabo Verde. Foi solto com a Revolução de Abril5 e regressou a Angola.Quando o visitei, antes de me ir embora, quis saber se o pássaro ainda lhe frequentava os sonhos. Ele olhou em redor para se certificar de que estávamos sozinhos:20 — Estrangulei-o — segredou com um sorriso cúmplice —, mas enquanto eu for vivo não conte isto a ninguém.(Rita Chaves (org.).Contos africanos dos países de língua portuguesa, 2009.)1cacimbo: estação com elevado índice de umidade caracterizada pela descida gradual da temperatura e pelo aumento da nebulosidade.2 Luanda: capital de Angola.3Angola tornou-se um país independente em 1975.4Tarrafal: antiga colônia penal portuguesa.5Ocorrida em 25 de abril de 1974, a Revolução de Abril, também conhecida como Revolução dos Cravos, restabeleceu a democracia em Portugal, abrindo caminho para o processo de descolonização dos países da África.Na construção de seu conto, Agualusa conjuga história e ficção, isto é, conjuga, respectivamente,F3DA7259-30 Literatura
Escolas LiteráriasEnsino Einstein · 2024FácilEntre para guardar nos favoritosTais escritores pregavam e procuraram realizar a filosofia da objetividade: o que interessa é o objeto, o não eu. Para realizar seu objetivo, abandonaram as preocupações teológicas e metafísicas por considerá-las subjetivas, egocêntricas e aderiram à ciência. O dado positivo substitui o idealismo: só interessa o que pode ser observado, documentado, analisado, experimentado, inclusive a vida psíquica, porque sujeita às mesmas leis da vida fisiológica.(Massaud Moisés. Literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)O texto refere-se aos escritores