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Disciplina · Linguagens

Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 1.323 questões
  • 24 assuntos

Resultados: 1.323 questões

Página 26 de 67

  • Linguagens

    Literatura

    E, bem pensado, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado toda a sua vida norteado por uma ilusão, por uma ideia a menos, sem base, sem apoio, por um Deus ou uma deusa cujo império se esvaía? Não sabia que essa ideia nascera da amplificação da crendice dos povos greco-romanos de que os ancestrais mortos continuariam a viver como sombras e era preciso alimentá-las para que eles não perseguissem os descendentes? (...)
    Reviu a história; viu as mutilações, os acréscimos em todos os países históricos e perguntou de si para si: como um homem que vivesse quatro séculos, sendo francês, inglês, italiano, alemão, podia sentir a Pátria?
    Uma hora, para o francês, o Franco-Condado era terra dos seus avós, outra não era; num dado momento, a Alsácia não era, depois era e afinal não vinha a ser. Nós mesmos [brasileiros] não tivemos a Cisplatina e não a perdemos?
    (...) Certamente era uma noção sem consistência racional e precisava ser revista.
    Lima Barreto
    Triste Fim de Policarpo Quaresma, parte III, capítulo V.
     
    A questão refere-se ao romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

    Marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, é também personagem de Triste Fim de Policarpo Quaresma.
    O conceito que melhor sustenta a construção desse personagem ficcional, baseado numa figura histórica, é o da:
    Escolha uma alternativa para a questão 6a88e15d-e9
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    Literatura

    E, bem pensado, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado toda a sua vida norteado por uma ilusão, por uma ideia a menos, sem base, sem apoio, por um Deus ou uma deusa cujo império se esvaía? Não sabia que essa ideia nascera da amplificação da crendice dos povos greco-romanos de que os ancestrais mortos continuariam a viver como sombras e era preciso alimentá-las para que eles não perseguissem os descendentes? (...)
    Reviu a história; viu as mutilações, os acréscimos em todos os países históricos e perguntou de si para si: como um homem que vivesse quatro séculos, sendo francês, inglês, italiano, alemão, podia sentir a Pátria?
    Uma hora, para o francês, o Franco-Condado era terra dos seus avós, outra não era; num dado momento, a Alsácia não era, depois era e afinal não vinha a ser. Nós mesmos [brasileiros] não tivemos a Cisplatina e não a perdemos?
    (...) Certamente era uma noção sem consistência racional e precisava ser revista.
    Lima Barreto
    Triste Fim de Policarpo Quaresma, parte III, capítulo V.
     
    A questão refere-se ao romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.

    Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma — usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.
    O suplicante, deixando de parte os argumentos históricos que militam em favor de sua ideia, pede vênia para lembrar que a língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação mais viva e original; e, portanto, a emancipação política do país requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática.
    PRIMEIRA PARTE
    IV - Desastrosas Consequências de um Requerimento

    O teor da solicitação de Policarpo Quaresma expressa uma ironia ao deixar implícita uma crítica histórica. O alvo dessa crítica é:
    Escolha uma alternativa para a questão 6a8c42cc-e9
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    Literatura

    E, bem pensado, mesmo na sua pureza, o que vinha a ser a Pátria? Não teria levado toda a sua vida norteado por uma ilusão, por uma ideia a menos, sem base, sem apoio, por um Deus ou uma deusa cujo império se esvaía? Não sabia que essa ideia nascera da amplificação da crendice dos povos greco-romanos de que os ancestrais mortos continuariam a viver como sombras e era preciso alimentá-las para que eles não perseguissem os descendentes? (...)
    Reviu a história; viu as mutilações, os acréscimos em todos os países históricos e perguntou de si para si: como um homem que vivesse quatro séculos, sendo francês, inglês, italiano, alemão, podia sentir a Pátria?
    Uma hora, para o francês, o Franco-Condado era terra dos seus avós, outra não era; num dado momento, a Alsácia não era, depois era e afinal não vinha a ser. Nós mesmos [brasileiros] não tivemos a Cisplatina e não a perdemos?
    (...) Certamente era uma noção sem consistência racional e precisava ser revista.
    Lima Barreto
    Triste Fim de Policarpo Quaresma, parte III, capítulo V.
     
    A questão refere-se ao romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto.


    Saiu e andou. Olhou o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, e se lembrou que, por estas terras, já tinham errado tribos selvagens, das quais um dos chefes se orgulhava de ter no sangue o sangue de dez mil inimigos. Fora há quatro séculos. Olhou de novo o céu, os ares, as árvores de Santa Teresa, as casas, as igrejas; viu os bondes passarem; uma locomotiva apitou; um carro, puxado por uma linda parelha, atravessou-lhe na frente, quando já a entrar do campo... Tinha havido grandes e inúmeras modificações. Que fora aquele parque? Talvez um charco. Tinha havido grandes modificações nos aspectos, na fisionomia da terra, talvez no clima... Esperemos mais, pensou ela; e seguiu serenamente ao encontro de Ricardo Coração dos Outros.
    TERCEIRA PARTE
    V - A Afilhada

    Com base no fragmento, o final do romance, apesar de triste, como anuncia o próprio título, contém uma mensagem de otimismo, expressa nos pensamentos da personagem Olga, afilhada de Policarpo.
    O otimismo se justifica pela expectativa de:
    Escolha uma alternativa para a questão 6a9a6ab7-e9
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    Literatura

    Leia o poema de Gregório de Matos para responder à questão.

    Discreta, e formosíssima Maria,
    Enquanto estamos vendo a qualquer hora
    Em tuas faces a rosada Aurora,
    Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

    Enquanto com gentil descortesia
    O ar, que fresco Adônis te namora,
    Te espalha a rica trança voadora,
    Quando vem passear-te pela fria:

    Goza, goza da flor da mocidade,
    Que o tempo trota a toda ligeireza,
    E imprime em toda a flor sua pisada

    Oh não aguardes, que a madura idade
    Te converta em flor, essa beleza
    Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.

                                (www.itaucultural.org.br)

    Esse poema exemplifica uma característica marcante da estética barroca:
    Escolha uma alternativa para a questão 6a9c5436-ab
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    Literatura

    Para a questão, considere o fragmento abaixo, extraído de Vidas secas, de Graciliano Ramos.

    O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender.

                                                                                  (Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)

    Uma definição possível de alteridade é “a capacidade de se colocar no lugar do outro”. No excerto, o menino mais velho, após ter recebido um cocorote de sinhá Vitória, ao lhe ter feito uma pergunta sobre a palavra “inferno”, conta uma história para Baleia. Da leitura desse trecho, podemos concluir que
    Escolha uma alternativa para a questão 6ace6aba-d5
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    Literatura

    O trecho abaixo é um fragmento do capítulo de abertura do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2019, Escolas Literárias
    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2019, Escolas Literárias

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 6b2ec2f4-01
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    Literatura

    O trecho abaixo é um fragmento do capítulo de abertura do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2019, Escolas Literárias
    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, Universidade Presbiteriana Mackenzie 2019, Escolas Literárias

    Considere as seguintes observações sobre a vida e a obra de Machado de Assis.

    I. Machado de Assis teve uma origem humilde: foi neto de escravos alforriados e filho de Francisco José de Assis, um pintor de paredes, e de Maria Leopoldina Machado de Assis, portuguesa açoriana que se dedicava a serviços domésticos. Mediante uma carreira dedicada às letras, ao jornalismo e ao funcionalismo público, Machado de Assis viveu ao longo do tempo uma trajetória de ascensão social.
    II. Durante décadas de dedicação à vida literária, uma importante faceta de Machado de Assis foi a composição de crônicas, publicadas em jornais e revistas brasileiros. Nas suas crônicas, Machado escrevia sobre uma gama de temas, da vida cotidiana a fatos políticos da sua época.
    III. Em 1897 realizou-se a sessão inaugural, no Rio de Janeiro, da Academia Brasileira de Letras, que teve como seu primeiro presidente Machado de Assis.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 6b324867-01
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    Literatura

    O trecho abaixo é um fragmento do capítulo de abertura do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

    A partir da leitura do trecho de abertura do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, indique qual característica elencada abaixo está completamente ausente do trecho.
    Escolha uma alternativa para a questão 6b3992d6-01
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    Literatura

    Read the text and asnwer questions:

    HOME

    They rose up like men. We saw them. Like men they stood.

    We shouldn’t have been anywhere near that place. Like most farmland outside Lotus, Georgia, this here one had plenty scary warning signs. The threats hung from wire mesh fences with wooden stakes every fifty or so feet. But when we saw a crawl space that some animal had dug—a coyote maybe, or a coon dog—we couldn’t resist. Just kids we were. The grass was shoulder high for her and waist high for me so, looking out for snakes, we crawled through it on our bellies. The reward was worth the harm grass juice and clouds of gnats did to our eyes, because there right in front of us, about fifty yards off, they stood like men. Their raised hooves crashing and striking, their manes tossing back from wild white eyes. They bit each other like dogs but when they stood, reared up on their hind legs, their forelegs around the withers of the other, we held our breath in wonder. One was rust-colored, the other deep black, both sunny with sweat. The neighs were not as frightening as the silence following a kick of hind legs into the lifted lips of the opponent. Nearby, colts and mares, indifferent, nibbled grass or looked away. Then it stopped. The rust-colored one dropped his head and pawed the ground while the winner loped off in an arc, nudging the mares before him.

    As we elbowed back through the grass looking for the dug-out place, avoiding the line of parked trucks beyond, we lost our way. Although it took forever to re-sight the fence, neither of us panicked until we heard voices, urgent but low. I grabbed her arm and put a finger to my lips. Never lifting our heads, just peeping through the grass, we saw them pull a body from a wheelbarrow and throw it into a hole already waiting. One foot stuck up over the edge and quivered, as though it could get out, as though with a little effort it could break through the dirt being shoveled in. We could not see the faces of the men doing the burying, only their trousers; but we saw the edge of a spade drive the jerking foot down to join the rest of itself. When she saw that black foot with its creamy pink and mud-streaked sole being whacked into the grave, her whole body began to shake. I hugged her shoulders tight and tried to pull her trembling into my own bones because, as a brother four years older, I thought I could handle it. The men were long gone and the moon was a cantaloupe by the time we felt safe enough to disturb even one blade of grass and move on our stomachs, searching for the scooped-out part under the fence. When we got home we expected to be whipped or at least scolded for staying out so late, but the grown-ups did not notice us. Some disturbance had their attention.

    Since you’re set on telling my story, whatever you think and whatever you write down, know this: I really forgot about the burial. I only remembered the horses. They were so beautiful. So brutal. And they stood like men.

    SOURCE: Excerpted from MORRISON, Toni. Home (2012), Harmondsworth: Penguin, 2012.

    Assinale a alternativa correta sobre a produção literária brasileira ao longo do Século XIX.
    Escolha uma alternativa para a questão 6b3d7b1b-01
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    Literatura

    Para a questão, considere o fragmento abaixo, extraído de Vidas secas, de Graciliano Ramos.

    O pequeno sentou-se, acomodou-se nas pernas a cabeça da cachorra, pôs-se a contar-lhe baixinho uma história. Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca. Valia-se, pois, de exclamações e de gestos, e Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender.
                                                                                  (Graciliano Ramos. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2012, p. 57.)

    No romance Vidas secas, a alteridade é construída ficcionalmente. Isso porque o narrador
    Escolha uma alternativa para a questão 6bb7a858-d5
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    Literatura

    ESPINHOS E FLORES


    Os subúrbios do Rio de Janeiro são a mais curiosa cousa em matéria de edificação de cidade. A topografia do local, caprichosamente montuosa, influiu decerto para tal aspecto, mais influíram, porém, os azares das construções. Nada mais irregular, mais caprichoso, mais sem plano qualquer, pode ser imaginado. As casas surgiam como se fossem semeadas ao vento e, conforme as casas, as ruas se fizeram. Há algumas delas que começam largas como boulevards e acabam estreitas que nem vielas; dão voltas, circuitos inúteis e parecem fugir ao alinhamento reto com um ódio tenaz e sagrado. Às vezes se sucedem na mesma direção com uma frequência irritante, outras se afastam, e deixam de permeio um longo intervalo coeso e fechado de casas. Num trecho, há casas amontoadas umas sobre outras numa angústia de espaço desoladora, logo adiante um vasto campo abre ao nosso olhar uma ampla perspectiva.

    Marcham assim ao acaso as edificações e conseguintemente o arruamento. Há casas de todos os gostos e construídas de todas as formas. Vai-se por uma rua a ver um correr de chalets, de porta e janela, parede de frontal, humildes e acanhados, de repente se nos depara uma casa burguesa, dessas de compoteiras na cimalha rendilhada, a se erguer sobre um porão alto com mezaninos gradeados. Passada essa surpresa, olha-se acolá e dá-se com uma choupana de pau-a-pique, coberta de zinco ou mesmo palha, em torno da qual formiga uma população; adiante, é uma velha casa de roça, com varanda e colunas de estilo pouco classificável, que parece vexada a querer ocultar-se, diante daquela onda de edifícios disparatados e novos. Não há nos nossos subúrbios cousa alguma que nos lembre os famosos das grandes cidades européias, com as suas vilas de ar repousado e satisfeito, as suas estradas e ruas macadamizadas e cuidadas, nem mesmo se encontram aqueles jardins, cuidadinhos, aparadinhos, penteados, porque os nossos, se os há, são em geral pobres, feios e desleixados.

    Os cuidados municipais também são variáveis e caprichosos. Às vezes, nas ruas, há passeios em certas partes e outras não; algumas vias de comunicação são calçadas e outras da mesma importância estão ainda em estado de natureza. Encontra-se aqui um pontilhão bem cuidado sobre um rio seco e passos além temos que atravessar um ribeirão sobre uma pinguela de trilhos mal juntos. Há pelas ruas damas elegantes, com sedas e brocados, evitando a custo que a lama ou o pó lhes empane o brilho do vestido; há operário de tamancos; há peralvilhos à última moda; há mulheres de chita; e assim pela tarde, quando essa gente volta do trabalho ou do passeio, a mescla se faz numa mesma rua, num quarteirão, e quase sempre o mais bem posto não é que entra na melhor casa. Além disto, os subúrbios têm mais aspectos interessantes, sem falar no namoro epidêmico e no espiritismo endêmico; as casas de cômodos (quem as suporia lá!) constituem um deles bem inédito. Casas que mal dariam para uma pequena família, são divididas, subdivididas, e os minúsculos aposentos assim obtidos, alugados à população miserável da cidade. Aí, nesses caixotins humanos, é que se encontra a fauna menos observada da nossa vida, sobre a qual a miséria paira com um rigor londrino. Não se podem imaginar profissões mais tristes e mais inopinadas da gente que habita tais caixinhas. Além dos serventes de repartições, contínuos de escritórios, podemos deparar velhas fabricantes de rendas de bilros, compradores de garrafas vazias, castradores de gatos, cães e galos, mandingueiros, catadores de ervas medicinais, enfim, uma variedade de profissões miseráveis que as nossas pequena e grande burguesias não podem adivinhar. Às vezes, num cubículo desses se amontoa uma família, e há ocasiões em que os seus chefes vão a pé para a cidade por falta do níquel do trem. Ricardo Coração dos Outros morava em uma pobre casa de cômodos de um dos subúrbios. Não era das sórdidas, mas era uma casa de cômodos dos subúrbios. Desde anos que ele a habitava e gostava da casa que ficava trepada sobre uma colina, olhando da janela do seu quarto para uma ampla extensão edificada que ia da Piedade a Todos os Santos.

    Vistos assim do alto, os subúrbios têm a sua graça. As casas pequeninas, pintadas de azul, de branco, de oca, engastadas nas comas verde-negras das mangueiras, tendo de permeio, aqui e ali, um coqueiro ou uma palmeira, alta e soberba, fazem a vista boa e a falta de percepção do desenho das ruas põe no programa um sabor de confusão democrática, de solidariedade perfeita entre as gentes que as habitavam; e o trem minúsculo, rápido, atravessa tudo aquilo, dobrando à esquerda, inclinando-se para a direita, muito flexível nas suas grandes vértebras de carros, como uma cobra entre pedrouços. Era daquela janela que Ricardo espraiava as suas alegrias, as suas satisfações, os seus triunfos e também os seus sofrimentos e mágoas. Ainda agora estava ele lá, debruçado no peitoril, com a mão em concha no queixo, colhendo com a vista uma grande parte daquela bela, grande e original cidade, capital de um grande país, de que ele a modos que era e se sentia ser, a alma, consubstanciado os seus tênues sonhos e desejos em versos discutíveis, mas que a plangência do violão, se não lhes dava sentido, dava um quê de balbucio, de queixume dorido da pátria criança ainda, ainda na sua formação... Em que pensava ele? Não pensava só, sofria também. Aquele tal preto continuava na sua mania de querer fazer a modinha dizer alguma cousa, e tinha adeptos. Alguns já o citavam como rival dele, Ricardo; outros já afirmavam que o tal rapaz deixava longe o Coração dos Outros, e alguns mais – ingratos! – já esqueciam os trabalhos, o tenaz trabalhar de Ricardo Coração dos Outros em prol do levantamento da modinha e do violão, e nem nomeavam o abnegado obreiro.


                                                                                                            

    (Triste Fim de Policarpo Quaresma, pp.160­-165)

    É correto afirmar sobre as personagens da narrativa de Lima Barreto, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c5bdaa4-ff
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    Literatura

    Sobre a obra Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c76a170-ff
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    Literatura

    Sobre o romance de Eça de Queirós, A Cidade e as Serras, publicado em 1901, podemos afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c79dcac-ff
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    Literatura

    Leia a seguir o fragmento do poema Mundo Pequeno, de Manoel de Barros, para responder a QUESTÃO.


    Mundo Pequeno

    Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
    leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
    Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
    esse gosto esquisito.
    Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
    – Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
    o Padre me disse.
    Ele fez um limpamento em meus receios.
    O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
    pode muito que você carregue para o resto da
    vida um certo gosto por nadas...
    E se riu.
    Você não é de bugre? – ele continuou.
    Que sim, eu respondi.
    Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
    estradas –
    Pois é nos desvios que encontra as melhores
    surpresas e os ariticuns maduros.
    Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
    Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
    agramática.


    Fonte: BARROS, Manoel de. O livro das Ignorãças. In: Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 319-320.



    O excerto do poema traz o descobrimento, inquietação e questionamento do menino Manoel pela “doença das frases”.

    É CORRETO afirmar que esta doença pode ser lida como um desvio:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c7a2fda-fd
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    Literatura

    Leia o fragmento de Terra Sonâmbula, do escritor moçambicano Mia Couto, para responder a QUESTÃO.


    Naquele lugar, a guerra tinha morto a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte. (...)

    COUTO, Mia. Terra sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 9.


    Observando a passagem do romance, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 6c7e556d-fd
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    Literatura

    Leia o fragmento do poema Cantoria, de Cora Coralina, para responder a QUESTÃO.

    Cantoria
    Meti o peito em Goiás
    e canto como ninguém.
    Canto as pedras,
    canto as águas,
    as lavadeiras, também.

    Cantei um velho quintal
    com murada de pedra.
    Cantei um portão alto
    com escada caída.

    Cantei a casinha velha
    de velha pobrezinha.
    Cantei colcha furada
    estendida no lajedo;
    muito sentida,
    pedi remendos pra ela. (...)

    Fonte: CORALINA, Cora. Meu livro de Cordel. São Paulo: Global, 2013, p. 9. 

    A partir da leitura do excerto de Cantoria, é INCORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 6c82a7a0-fd
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    Literatura

    Ainda sobre o romance de Eça de Queirós é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c84767d-ff
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    Literatura

    Leia o fragmento de O visitante, de Hilda Hilst, para responder a QUESTÃO.


    O visitante (1968)

    ANA (tecendo ou próximo do tear, como se estivesse acabado de tecer alguma coisa): muitas vezes tenho saudade das tuas pequenas roupas. Eram tão macias! (sorrindo) Tinha uma touca que, por engano meu, quase te cobria os olhos.

    MARIA (seca): É bem do que eu preciso ainda hoje: antolhos.

    ANA (meiga): E uma camisola tão comprida... branca. Nos punhos e no decote, coloquei umas fitas. E te arrastavas, choravas se, de repente, na noite, não me vias.

    MARIA: Agora vejo-te sempre. Cada noite. Cada dia. (pausa)

    ANA: Eras mansa. Me amavas. Ainda me amas agora?

    MARIA: Ah, que pergunta! As coisas se transformam. Nós também.

    ANA: A casa ainda é a mesma. E a mesa e...

    MARIA (interrompendo): A casa, a mesa... todas essas coisas vivem mais do que nós. Ficam aí paradas. E assim mesmo envelhecem. Tu pensas que são as mesmas coisas e não são. (...)


    Fonte: HILST, Hilda. Volume I. São Paulo: Nankin Editorial, 2000, p. 101.


    Considerando a leitura do trecho de O visitante, assinale a alternativa CORRETA quanto ao gênero literário.
    Escolha uma alternativa para a questão 6c86988c-fd
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    Literatura

    Também faz parte da obra de Eça de Queirós:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c8820b4-ff
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    Literatura

    Sobre A Cidade e as Serras, de Eça de Queirós, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 6ca3db56-d5