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Disciplina · Linguagens

Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

  • 1.323 questões
  • 24 assuntos

Resultados: 1.323 questões

Página 30 de 67

  • Linguagens

    Literatura

        Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde.
      O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
        Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê! Comer e dormir como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! Que porcaria! Não é bom vir o diabo e levar tudo?

    RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 179-180.


    Na percepção que constrói de si mesmo, o sujeito-narrador
    Escolha uma alternativa para a questão 74a595f8-b0
  • Linguagens

    Literatura

         Compreende-se que o ponto da lição era difícil, e que o Raimundo, não o tendo aprendido, recorria a um meio que lhe pareceu útil para escapar ao castigo do pai. Se me tem pedido a coisa por favor, alcançá-la-ia do mesmo modo, como de outras vezes, mas parece que era lembrança das outras vezes, o medo de achar a minha vontade frouxa ou cansada, e não aprender como queria, — e pode ser mesmo que em alguma ocasião lhe tivesse ensinado mal,–– parece que tal foi a causa da proposta. [...]
          Não queria recebê-la, e custava-me recusá-la. Olhei para o mestre, que continuava a ler, com tal interesse, que lhe pingava o rapé do nariz.
          — Ande, tome, dizia-me baixinho o filho. [...]
          –– Tome, tome...
          Relancei os olhos pela sala, e dei com os do Curvelo em nós; disse ao Raimundo que esperasse. Pareceu-me que o outro nos observava, então dissimulei; mas daí a pouco deitei-lhe outra vez o olho, e –– tanto se ilude a vontade! –– não lhe vi mais nada. Então cobrei ânimo.
         –– Dê cá...

    ASSIS, Machado de. Conto de Escola. Contos. São Paulo: Ática. 1989. p. 34. ( Série Bons Livros).

    Tem comprovação no texto a ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 74aa0f86-b0
  • Linguagens

    Literatura

          Tornou-se Pereira pálido, franzindo os sobrolhos e olhando de esguelha para quem tão imprudentemente elogiava assim, cara a cara, a beleza de sua filha; Inocência enrubesceu que nem uma romã; Cirino sentiu um movimento impetuoso, misturado de estranheza e desespero, e, lá da sua pele de tamanduá-bandeira, ergueu-se meio apavorado o anão.
           Nem reparou Meyer e com a habitual ingenuidade prosseguiu:
       –– Aqui, no sertão do Brasil, há o mau costume de esconder as mulheres.
          Viajante não sabe de todo se são bonitas, se feias, e nada pode contar nos livros para o conhecimento dos que leem. Mas, palavra de honra, senhor Pereira, se todas se parecem com esta sua filha, é coisa muito e muito digna de ser vista e escrita! Eu...
       –– O senhor não quer retirar-se? Interrompeu Pereira com modo áspero.
       –– Pois não! Replicou o alemão.

    TAUNAY, Visconde de. Inocência. Disponível em: <www.nead.unama.br> . Acesso em: 19 jun. 2010.


    O diálogo entre as personagens Meyer, que representa a ideologia europeia, e Pereira, que traduz os valores sertanejos, evidencia
    Escolha uma alternativa para a questão 74ad22a3-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Consolo na praia

    Vamos, não chores.
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não se perdeu.

    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis carro, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Consolo na praia. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 1989. p. 129.

    Para o eu poético,
    Escolha uma alternativa para a questão 74b0ebaa-b0
  • Linguagens

    Literatura

            Aniceto fora cedo tirar o atestado de óbito no cartório de Palmeira e chegou no meio da tarde, encontrando grande confusão, o padre não permitia o enterro no cemitério de Santa Bárbara, era uma ateia.
          –– Mas vivemos na República –– gritou Rossi, que tinha ido acertar o sepultamento.
        –– A igreja é maior que o governo –– revidou o padre. –– Temos o direito de ser enterrados no cemitério.
         –– Essa terra só conhece católicos. — E o padre bateu a porta da sacristia.
       Quando souberam da proibição, os anarquistas se revoltaram, iam marchar juntos contra o padre e enterrar Gentille à força, viviam em um país livre, eram trabalhadores, davam lucro ao estado, ninguém era obrigado a ter religião para ser enterrado dignamente.

    SANCHES NETO, Miguel. Um amor anarquista. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998. p. 219.

    O texto, contextualizado na obra em sua totalidade, permite afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 74b5c642-b0
  • Linguagens

    Literatura

    É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica.

    (Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)


    A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo

    Escolha uma alternativa para a questão 74e0f042-51
  • Linguagens

    Literatura

    Os ______ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os _________, ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.

    (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)


    As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

    Escolha uma alternativa para a questão 74fcafd6-51
  • Linguagens

    Literatura

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção literária de
    Escolha uma alternativa para a questão 750b0779-51
  • Linguagens

    Literatura

    A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos:
    Escolha uma alternativa para a questão 752357c7-51
  • Linguagens

    Literatura

    Para exprimir seu pensamento, este escritor teve de forjar uma língua que é só dele. O leitor que aborda pela primeira vez um de seus livros fica desconcertado com a obscuridade dessa língua. Mas ao mesmo tempo é subjugado, e enfeitiçado, por essa maneira inteiramente nova de dizer as coisas. E pouco a pouco tudo começa a adquirir um sentido, um sentido múltiplo, ambíguo, numa palavra, poético. Seu vocabulário é inteiramente renovado pela prática sistemática do neologismo. Todos os recursos da fonética são explorados.

    (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)


    O texto refere-se ao escritor

    Escolha uma alternativa para a questão 7528dd8f-51
  • Linguagens

    Literatura

    Sobre o Modernismo brasileiro, assinale a alternativa incorreta.
    Escolha uma alternativa para a questão 753c7fc3-06
  • Linguagens

    Literatura

    Sobre a obra Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, é INcorreto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 75b6518f-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Imagem da questão de Literatura, UNESP 2013, Estilística Embora pareça constituído de versos livres modernistas, o poema em questão ainda segue a versificação medida, combinando versos de diferentes extensões, com predomínio dos de doze e dez sílabas métricas. Assinale a alternativa que indica, na primeira estrofe, pela ordem em que surgem, os versos de dez sílabas métricas, denominados decassílabos.
    Escolha uma alternativa para a questão 75b6e70a-9f
  • Linguagens

    Literatura

    Em Toda poesia, de Paulo Leminski, não há ocorrência de
    Escolha uma alternativa para a questão 75be6e11-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Em “A causa secreta”, conto de Machado de Assis, incluído em Várias histórias, é INcorreto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 75c27a79-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o fragmento que inicia “Devaneios e embriaguez duma rapariga”, conto de Clarice Lispector, publicado em Laços de família.


    Pelo quarto parecia-lhe estarem a se cruzar os eletricos, a estremecerem-lhe a imagem refletida. Estava a se pentear vagarosamente diante da penteadeira de tres espelhos, os bracos brancos e fortes arrepiavamse à frescurazita da tarde. Os olhos nao se abandonavam, os espelhos vibravam ora escuros, ora luminosos. Cá fora, duma janela mais alta, caiu à rua uma cousa pesada e fofa. Se os miudos e o marido estivessem à casa, já lhe viria à ideia que seria descuido deles. Os olhos nao se despregavam da imagem, o pente trabalhava meditativo, o roupao aberto deixava aparecerem nos espelhos os seios entrecortados de várias raparigas.

    "A Noite!", gritou o jornaleiro ao vento brando da Rua do Riachuelo, e alguma cousa arrepiou-se pressagiada. Jogou o pente à penteadeira, cantou absorta: "quem viu o par-dal-zito... passou pela jane-la... voou pr'alem do Mi-nho!" — mas, colerica, fechou-se dura como um leque.

    Deitou-se, abanava-se impaciente com um jornal a farfalhar no quarto. Pegou o lenco, aspirava-o a comprimir o bordado áspero com os dedos avermelhados. Punha-se de novo a abanar-se, quase a sorrir. Ai, ai, suspirou a rir. Teve a visao de seu sorriso claro de rapariga ainda nova, e sorriu mais fechando os olhos, a abanar-se mais profundamente. Ai, ai, vinha da rua como uma borboleta.

    [...]

    LISPECTOR, Clarice. Devaneios e embriaguez duma rapariga. In: ___. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p. 5.


    Assinale a alternativa correta sobre o fragmento de texto apresentado para a questão. 

    Escolha uma alternativa para a questão 75c824bc-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o poema “Inquietação”, de Helena Kolody, publicado em Viagem no espelho:


    Inquietação


    O ritmo febril de um sangue moço
    Lateja em minhas fontes.
    As tendências recalcadas
    Rumorejam surdamente,
    Como larvas represadas,
    Eu não sei que perdidas regiões do inconsciente.
    Não possuo mais a antiga serenidade
    De alta montanha nevada.


    O amor quis envolver-me
    E eu me esquivei.
    Essa tristeza que me oprime
    Tornou-se mais espessa
    E pesou mais o meu destino de ser só.


    O esforço gasto em árdua luta
    Partiu não sei que amarras
    Que me prendiam à vida.
    Meu espírito, desarvorado,
    Deixa-se vagar ao sabor da corrente.
    Não quer aportar.


    KOLODY, Helena. Inquietação. In: ___. Viagem no espelho. Curitiba: Ed. da UFPR, 1995. p. 231.


    Assinale a alternativa INcorreta sobre o poema “Inquietação”, de Helena Kolody.

    Escolha uma alternativa para a questão 75cd403b-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Relacione as obras abaixo às respectivas escolas literárias. A seguir, assinale a alternativa que as apresenta na sequência correta.

    ( ) VASO CHINÊS

    “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
    Casualmente, uma vez, de um perfumado
    Contador sobre o mármore luzidio,
    Entre um leque e o começo de um bordado
    .
    ..."

    ( ) ODE AO BURGUÊS

    “Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
    o burguês-burguês!
    A digestão bem-feita de São Paulo!
    O homem-curva! O homem-nádegas!
    O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
    é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
    ..."


    ( ) SE EU MORRESSE AMANHÃ

    “Se eu morresse amanhã, viria ao menos
    Fechar meus olhos minha triste irmã;
    Minha mãe de saudades morreria
    Se eu morresse amanhã!
    ..."

    1 - Romantismo
    2 - Modernismo
    3 - Parnasianismo
    Escolha uma alternativa para a questão 76361793-06
  • Linguagens

    Literatura

    A ESTRELA

    Vi uma estrela tão alta,
    Vi uma estrela tão fria!
    Vi uma estrela luzindo
    Na minha vida vazia.

    Era uma estrela tão alta!
    Era uma estrela tão fria!
    Era uma estrela sozinha
    Luzindo no fim do dia.

    Por que da sua distância
    Para a minha companhia
    Não baixava aquela estrela?
    Por que tão alto luzia?

    E ouvi-a na sombra funda
    Responder que assim fazia
    Para dar uma esperança
    Mais triste ao fim do meu dia.

    BANDEIRA, M. Melhores poemas de Manuel Bandeira. 16. ed. São Paulo: Global, 2004. p.120.

    Todas as características abaixo, próprias do gênero lírico, encontram-se no poema de Manuel Bandeira transcrito acima, EXCETO:
    Escolha uma alternativa para a questão 77e1197a-af
  • Linguagens

    Literatura

    No livro Prosas seguidas de Odes mínimas, de José Paulo Paes, a primeira parte intitulada “Prosas” abre-se com a seguinte epígrafe: “À memória de Fernando Góes, que um dia chamou de Poesias um livro seu de crônicas”.
    Tendo em vista o caráter de poemas em prosa de muitos dos textos que constituem a referida parte, assinale a alternativa que contém uma interpretação condizente para essa epígrafe:
    Escolha uma alternativa para a questão 77e53e22-af