Lembranças de Makoko, uma das mais
famigeradas comunidades de posseiros em
Lagos, na Nigéria — metrópole presa entre a
modernidade e a miséria. Com centenas de
modos de transferência assíncronos (ATM, na
sigla em inglês), recordes de centros de internet
e milhões de telefones celulares, essa cidade
agitada e congestionada com 8 milhões a 17
milhões de habitantes (dependendo de onde se
traça a linha de contorno ou de quem faz a
contagem) está conectada à grade global. Centro
internacional de negócios empresariais e capital
comercial do país mais populoso da África, Lagos
atrai perto de 600 mil novos visitantes todos os
anos. Mas a maioria dos bairros, mesmo alguns
dos melhores, não dispõe de água encanada,
saneamento básico e eletricidade. Makoko — parte
sobre terra firme, parte flutuando sobre lagoas —
é uma das comunidades mais carentes da
megalópole.
Bairros como esse existem no mundo todo. [...]
Quando os governos negam a essas
comunidades o direito de existir, as pessoas
demoram mais para melhorar suas casas.
Quando as autoridades do Rio de Janeiro
decretaram guerra às favelas nos anos 60, por
exemplo, as pessoas temiam ser expulsas de
suas casas, ou que estas fossem incendiadas e
por isso não tinham pressa em melhorá-las. A
maioria das favelas permaneceu primitiva —
pouco diferentes das cabanas de barro e dos
barracos de madeira de Mumbai e Nairóbi. Mas
quando os políticos perceberam a reação e
passaram a se comprometer com as
comunidades, elas começaram a proliferar sem
controle. (NEUWIRTH, 2013. p. 22-24-26).
As cidades, na história, tiveram seu desenvolvimento
relacionado a diversos fatores socioeconômicos e geopolíticos,
a exemplo das cidades