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Instituição

Questões: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) — com gabarito

667 questões de Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), de 2005 a 2021. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 667 questões
  • 13 provas

Resultados: 667 questões

Página 2 de 34

  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    Em “Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos.” (3° parágrafo), a conjunção que poderia unir as duas frases, sem alteração de sentido, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 7512ab12-51
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    “Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que ‘negro não devia ter luxo’.” (1°parágrafo)

    Em relação à frase anterior, a frase sublinhada constitui uma
    Escolha uma alternativa para a questão 750e9c20-51
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.


           Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.

          Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”

          Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

                             (In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

    De acordo com o texto, os ladrões da época evitavam praticar furtos
    Escolha uma alternativa para a questão 750402e3-51
  • Linguagens

    Literatura

    Os ______ haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os _________, ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.

    (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)


    As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

    Escolha uma alternativa para a questão 74fcafd6-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    “Se a gente se cansa

    Do mesmo lugar,

    Do mesmo ser

    Por que não se cansar?” (2ª estrofe)


    Os termos sublinhados constituem

    Escolha uma alternativa para a questão 74f92c68-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    O eu lírico inclui o leitor em sua argumentação
    Escolha uma alternativa para a questão 74ed40dd-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    O eu lírico expressa um desejo em:
    Escolha uma alternativa para a questão 74e8f0a1-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder à questão. 


                                     Sou um evadido.

                                      Logo que nasci

                                      Fecharam-me em mim,

                                      Ah, mas eu fugi.

                                     

                                      Se a gente se cansa

                                      Do mesmo lugar,

                                      Do mesmo ser

                                      Por que não se cansar?


                                      Minha alma procura-me

                                      Mas eu ando a monte1,

                                      Oxalá que ela

                                      Nunca me encontre.


                                      Ser um é cadeia

                                      Ser eu é não ser.

                                      Viverei fugindo

                                      Mas vivo a valer.

                                                                       (Obra poética, 1997.)

    1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

    A fuga retratada no poema é uma fuga
    Escolha uma alternativa para a questão 74e51806-51
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.


          A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la?

          Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoa dos. Não explicavam bem quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar1 a doida, isolada e agreste no seu jardim.

          Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera.

          Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos2 antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família
     se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão3.

          Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.

          Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis l amentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.

                                                                                      (Contos de aprendiz, 2012.)

    1 lapidar: apedrejar.

    2 raconto: relato, narrativa.

    3 irrisão: zombaria.

    Derivação regressiva: formação de palavras novas pela redução de uma palavra já existente. A redução se faz mediante supressão de elementos terminais (sufixos, desinências).

    (Celso Pedro Luft. Gramática resumida, 2004.)


    Constitui exemplo de palavra formada pelo processo de derivação regressiva o termo sublinhado em:

    Escolha uma alternativa para a questão 74dd7a80-51
  • Linguagens

    Português

    Examine a tira de André Dahmer para responder às questões .


                       Imagem da questão de Português, UNIFESP 2018, Pontuação

    Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo
    Escolha uma alternativa para a questão 74c2af85-51
  • Linguagens

    Português

    Examine a tira de André Dahmer para responder às questões .


                       Imagem da questão de Português, UNIFESP 2018, Interpretação de Textos

    A fala “Demora, mas eles aprendem.” (3° quadrinho) sugere que o anjo, a propósito das afirmações do personagem retratado nos dois primeiros quadrinhos,
    Escolha uma alternativa para a questão 74bb4e27-51
  • Linguagens

    Inglês

    Mobile milestones: how your phone
    became an essential part of your life


    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension



        Has any device changed our lives as much, and as quickly, as the mobile phone? There are people today for whom the world of address books, street atlases and phone boxes seems very far away, lost in the mists of time. Following, there are just some of the big milestones from the past 30 years that have made almost everything we do easier, more public and very, very fast.
    • The first phones arrive – and become status symbols Few people got the chance to use the very early mobile phones. The first call was made in New York in 1973, but handsets with a network to use were not available until 1983 in the US, and 1985 in the UK. That first British mobile phone was essentially a heavy briefcase with a receiver attached by a wire. It cost £2,000 (£5,000 in today’s prices), and gave you half an hour’s chat on an overnight charge. Making a call was not something you could do subtly, but that wasn’t the point; the first handsets were there to be seen. They sent a message that you were bold and confident with new technology, that you were busy and important enough to need a mobile phone, and were rich enough to buy one.
    • Text messages spawn a whole new language
        The first mobiles worked with analogue signals and could only make phone calls, but the digital ones that followed in the early 1990s could send SMS messages as well. After the first message was sent on 3 December 1992, texting took off like a rocket, even though it was still a pretty cumbersome procedure. Handsets with predictive text would make things easier, but in the 1990s you could save a lot of time by removing all excess letters from a message, often the vowels, and so txtspk ws brn. Today the average mobile phone sends more than 100 texts per month.
    • Phones turn us all into photographers...
        There seemed to be no good reason for the first camera phones, which began to appear in 2002, with resolutions of about 0.3 megapixels. They took grainy, blurry pictures on postage stamp-sized screens, and even these filled the phone’s memory in no time. Gradually, though, as the quality improved, the uses followed. As well as the usual photos of friends and family, they were handy for “saving” pieces of paper, and in pubs you could take a picture of the specials board and take it back to your table. Modern camera phones have changed beyond recognition in the past 20 years. The new mobile phones boast the highest resolution dual camera on a smartphone: a 16-megapixel camera and a 20-megapixel camera side-by-side. The dual camera allows users to focus on their subjects, while blurring out the background, producing professional-looking portraits.
    • …and we turn ourselves into celebrities
        Twenty years ago people would have thought you a little strange if you took flattering photos of yourself and your lifestyle and then distributed them to your friends – let alone to members of the public. If you used printed photographs rather than a smartphone app, they would still think so today. Yet sharing our lives on social media is now the norm, not the exception – and it was the camera phone that made it all possible. Now, some phones come with an enormous 64GB of memory, so you can capture, share and store an almost countless number of videos and pictures – well, certainly enough to keep up with the Kardashians.

    (www.theguardian.com, 07.07.2017. Adaptado.)
    De acordo com o texto, um dos aspectos positivos dos telefones celulares é que eles
    Escolha uma alternativa para a questão 9bd9bf2d-dd
  • Linguagens

    Inglês

    Leia os quadrinhos para respondera à questão.

    Imagem da questão de Inglês, UNIFESP 2017, Interpretação de texto | Reading comprehension
    Os quadrinhos têm como tema principal
    Escolha uma alternativa para a questão 9bcf6708-dd
  • Linguagens

    Português

    Leia um trecho do artigo “Reflexões sobre o tempo e a origem do Universo”, do físico brasileiro Marcelo Gleiser.


      Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análise de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão, devemos chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado, presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente é o “agora”, o instante atual.

      Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo, pois nesse caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para sermos coerentes em nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não existe!

      A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento no passado em que ele passou a existir. Segundo nossas modernas teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo, esse momento especial é o momento da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com “quântico”, a área da física que lida com fenômenos atômicos e subatômicos.

       [...]

      As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico adquire uma plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos a relatividade geral para descrever a origem do Universo.

    (Folha de S.Paulo, 07.06.1998.)

    O processo de formação de palavras verificado em “estrutural” (2o parágrafo) também está presente em
    Escolha uma alternativa para a questão 9bc91a91-dd
  • Linguagens

    Português

    Leia um trecho do artigo “Reflexões sobre o tempo e a origem do Universo”, do físico brasileiro Marcelo Gleiser.


      Qualquer discussão sobre o tempo deve começar com uma análise de sua estrutura, que, por falta de melhor expressão, devemos chamar de “temporal”. É comum dividirmos o tempo em passado, presente e futuro. O passado é o que vem antes do presente e o futuro é o que vem depois. Já o presente é o “agora”, o instante atual.

      Isso tudo parece bastante óbvio, mas não é. Para definirmos passado e futuro, precisamos definir o presente. Mas, segundo nossa separação estrutural, o presente não pode ter duração no tempo, pois nesse caso poderíamos definir um período no seu passado e no seu futuro. Portanto, para sermos coerentes em nossas definições, o presente não pode ter duração no tempo. Ou seja, o presente não existe!

      A discussão acima nos leva a outra questão, a da origem do tempo. Se o tempo teve uma origem, então existiu um momento no passado em que ele passou a existir. Segundo nossas modernas teorias cosmogônicas, que visam explicar a origem do Universo, esse momento especial é o momento da origem do Universo “clássico”. A expressão “clássico” é usada em contraste com “quântico”, a área da física que lida com fenômenos atômicos e subatômicos.

       [...]

      As descobertas de Einstein mudaram profundamente nossa concepção do tempo. Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia. O tempo relativístico adquire uma plasticidade definida pela realidade física à sua volta. A coisa se complica quando usamos a relatividade geral para descrever a origem do Universo.

    (Folha de S.Paulo, 07.06.1998.)

    “Em sua teoria da relatividade geral, ele mostrou que a presença de massa (ou de energia) também influencia a passagem do tempo, embora esse efeito seja irrelevante em nosso dia a dia.” (4o parágrafo)

    Ao se converter o trecho destacado para a voz passiva, o verbo “influencia” assume a seguinte forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 9bc21295-dd
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    Português

    Leia o trecho do livro Abolição, da historiadora brasileira Emília Viotti da Costa.


        Durante três séculos (do século XVI ao XVIII) a escravidão foi praticada e aceita sem que as classes dominantes questionassem a legitimidade do cativeiro. Muitos chegavam a justificar a escravidão, argumentando que graças a ela os negros eram retirados da ignorância em que viviam e convertidos ao cristianismo. A conversão libertava os negros do pecado e lhes abria a porta da salvação eterna. Dessa forma, a escravidão podia até ser considerada um benefício para o negro! Para nós, esses argumentos podem parecer cínicos, mas, naquela época, tinham poder de persuasão. A ordem social era considerada expressão dos desígnios da Providência Divina e, portanto, não era questionada. Acreditava-se que era a vontade de Deus que alguns nascessem nobres, outros, vilões, uns, ricos, outros, pobres, uns, livres, outros, escravos. De acordo com essa teoria, não cabia aos homens modificar a ordem social. Assim, justificada pela religião e sancionada pela Igreja e pelo Estado – representantes de Deus na Terra –, a escravidão não era questionada. A Igreja limitava-se a recomendar paciência aos escravos e benevolência aos senhores.

        Não é difícil imaginar os efeitos dessas ideias. Elas permitiam às classes dominantes escravizar os negros sem problemas de consciência. Os poucos indivíduos que no Período Colonial, fugindo à regra, questionaram o tráfico de escravos e lançaram dúvidas sobre a legitimidade da escravidão, foram expulsos da Colônia e o tráfico de escravos continuou sem impedimentos. Apenas os próprios escravos questionavam a legitimidade da instituição, manifestando seu protesto por meio de fugas e insurreições. Encontravam, no entanto, pouca simpatia por parte dos homens livres e enfrentavam violenta repressão. 


    (A abolição, 2010.)

    De acordo com a historiadora,
    Escolha uma alternativa para a questão 9bae8e93-dd
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    Português

    A veia humorística do poeta romântico Álvares de Azevedo (1831-1852) está exemplificada nos versos:
    Escolha uma alternativa para a questão 9b929ea7-dd
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    Português

    Aquela triste e leda madrugada, 
    cheia toda de mágoa e de piedade,
    enquanto houver no mundo saudade 
    quero que seja sempre celebrada.

    Ela só, quando amena e marchetada 
    saía, dando ao mundo claridade, 
    viu apartar-se de uma outra vontade,
     que nunca poderá ver-se apartada.

    Ela só viu as lágrimas em fio 
    que, de uns e de outros olhos derivadas, 
    se acrescentaram em grande e largo rio.

    Ela viu as palavras magoadas
     que puderam tornar o fogo frio,
     e dar descanso às almas condenadas.

     (Sonetos, 2001.)

    A imagem das lágrimas a formarem um “largo rio” (3a estrofe) produz um efeito expressivo que se classifica como
    Escolha uma alternativa para a questão 9b8c5302-dd
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    Português

    Leia a crônica “Premonitório”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).

          Do fundo de Pernambuco, o pai mandou-lhe um telegrama:

    “Não saia casa 3 outubro abraços”.

         O rapaz releu, sob emoção grave. Ainda bem que o velho avisara: em cima da hora, mas avisara. Olhou a data: 28 de setembro. Puxa vida, telegrama com a nota de urgente, levar cinco dias de Garanhuns a Belo Horizonte! Só mesmo com uma revolução esse telégrafo endireita. E passado às sete da manhã, veja só; o pai nem tomara o mingau com broa,precipitara-se na agência para expedir a mensagem.

        Não havia tempo a perder. Marcara encontros para o dia seguinte, e precisava cancelar tudo, sem alarde, como se deve agir em tais ocasiões. Pegou o telefone, pediu linha,mas a voz de d. Anita não respondeu. Havia tempo que morava naquele hotel e jamais deixara de ouvir o “pois não” melodioso de d. Anita, durante o dia. A voz grossa, que resmungara qualquer coisa, não era de empregado da casa; insistira:“como é?”, e a ligação foi dificultosa, havia besouros na linha.Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano1, disse que achava pouco cem mil unidades, em tal emergência, e arrematou:“Dia 4 nós conversamos.” Vestiu-se, desceu. Na portaria, um sujeito de panamá bege, chapéu de aba larga e sapato de duas cores levantou-se e seguiu-o. Tomou um carro, o outro fez o mesmo. Desceu na praça da Liberdade e pôs-se a contemplar um ponto qualquer. Tirou do bolso um caderninho e anotou qualquer coisa. Aí, já havia dois sujeitos de panamá, aba larga e sapato bicolor, confabulando a pequena distância.Foi saindo de mansinho, mas os dois lhe seguiram na cola. Estava calmo, com o telegrama do pai dobrado na carteira, placidez satisfeita na alma. O pai avisara a tempo, tudo correria bem. Ia tomar a calçada quando a baioneta em riste advertiu: “Passe de largo”; a Delegacia Fiscal estava cercada de praças, havia armas cruzadas nos antos. Nos Correios, a mesma coisa, também na Telefônica. Bondes passavam escoltados. Caminhões conduziam tropa, jipes chispavam. As manchetes dos jornais eram sombrias; pouca gente na rua. Céu escuro, abafado, chuva próxima.

        Pensando bem, o melhor era recolher-se ao hotel; não havia nada a fazer. Trancou-se no quarto, procurou ler, de vez em quando o telefone chamava: “Desculpe, é engano”,ou ficava mudo, sem desligar. Dizendo-se incomodado, jantou no quarto, e estranhou a camareira, que olhava para os móveis como se fossem bichos. Deliberou deitar-se,embora a noite apenas começasse. Releu o telegrama, apagou a luz.
    Acordou assustado, com golpes na porta. Cinco da manhã. Alguém o convidava a ir à Delegacia de Ordem Política e Social. “Deve ser engano.” “Não é não, o chefe está à espera.” “Tão cedinho? Precisa ser hoje mesmo? Amanhã eu vou.” “É hoje e é já.” “Impossível.” Pegaram-lhe dos braços e levaram-no sem polêmica. A cidade era uma praça de guerra, toda a polícia a postos. “O senhor vai dizer a verdade bonitinho e logo” – disse-lhe o chefe. – “Que sabe a respeito do troço?” “Não se faça de bobo, o troço que vai estourar hoje.” “Vai estourar?” “Não sabia? E aquela ponte que o senhor ia dinamitar mas era difícil?” “Doutor, eu falei a meu dentista, é um trabalho de prótese que anda abalado. Quer ver? Eu tiro.” “Não, mas e aquela frase em código muito vagabundo, com palavras que todo mundo manja logo, como arma e cano?” “Sou professor de latim, e corrigi a epígrafe de um trabalho.” “Latim, hem? E a conversa sobre os cem mil homens que davam para vencer?” “São unidades de penicilina que um colega tomou para uma infecção no ouvido.” “E os cálculos que o senhor fazia diante do palácio?” Emudeceu. “Diga, vamos!” “Desculpe, eram uns versinhos, estão aqui no bolso.” “O senhor é esperto, mas saia desta. Vê este telegrama? É cópia do que o senhor recebeu de Pernambuco. Ainda tem coragem de negar que está alheio ao golpe?” “Ah, então é por isso que o telegrama custou tanto a chegar?” “Mais custou ao país, gritou o chefe. Sabe que por causa dele as Forças Armadas ficaram de prontidão, e que isso custa cinco mil contos? Diga depressa.” “Mas, doutor…” Foi levado para outra sala, onde ficou horas. O que aconteceu, Deus sabe. Afinal, exausto, confessou: “O senhor entende conversa de pai pra filho? Papai costuma ter sonhos premonitórios, e toda a família acredita neles. Sonhou que me aconteceria uma coisa no dia 3, se eu saísse de casa, e telegrafou prevenindo. Juro!” 

        Dia 4, sem golpe nenhum, foi mandado em paz. O sonho se confirmara: realmente, não devia ter saído de casa.

    (70 historinhas, 2016.)

    1 arma virumque cano: “canto as armas e o varão” (palavras iniciais da
    epopeia Eneida, do escritor Vergílio, referentes ao herói Eneias).

    “Falou rapidamente a diversas pessoas, aludiu a uma ponte que talvez resistisse ainda uns dias, teve oportunidade de escandir as sílabas de arma virumque cano” (3o parágrafo)
    Os termos em destaque constituem, respectivamente,
    Escolha uma alternativa para a questão 9b85ed85-dd