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Instituição

Questões: Universidade Estadual Paulista (UNESP) — com gabarito

1.933 questões de Universidade Estadual Paulista (UNESP), de 2010 a 2025. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 1.933 questões
  • 14 provas

Resultados: 1.933 questões

Página 76 de 97

  • Ciências da Natureza

    Química

    O ar atmosférico apresenta em sua composição vários gases, conforme indica a tabela a seguir:


    Imagem da questão de Química, UNESP 2025, Substâncias e suas propriedades


    Considerando os dados da tabela, verifica-se que, com relação à classificação química e às características específicas,
    Escolha uma alternativa para a questão d31abd91-11
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O corredor ecológico funciona como uma ponte, isto é, uma área que possibilita a ligação entre dois fragmentos de mata que foram separados por ação humana e tiveram sua a fauna e flora locais isoladas. No Brasil, esses corredores estão sendo implantados em alguns locais, como é o caso do corredor ecológico em um trecho da estrada BR-101, no Rio de Janeiro, mostrado na fotografia a seguir:


    Imagem da questão de Biologia, UNESP 2025, Ecologia e ciências ambientais

    (https://estradas.com.br/projeto-na-br-101-rj-resguarda-a-vida-de-mais-de-4-mil-animais/)


    A implantação de um corredor ecológico tem como principal objetivo 
    Escolha uma alternativa para a questão d31d2034-11
  • Ciências da Natureza

    Química

    Considere a seguinte descrição de um gás, seus efeitos na saúde humana e sua fonte de produção:


    -  gás inodoro e incolor, formado no processo de queima de combustíveis fósseis;

    -  tem alta afinidade com a hemoglobina no sangue, substituindo o gás oxigênio e prejudicando o fornecimento desse gás ao cérebro, ao coração e ao restante do corpo durante o processo de respiração;

    -  em baixa concentração, causa fadiga e dor no peito; em alta concentração pode levar a asfixia e morte.


    A descrição corresponde ao gás
    Escolha uma alternativa para a questão d31fc59c-11
  • Ciências da Natureza

    Química

    O metano (CH4) é um gás inflamável produzido durante a queima de combustíveis fósseis. Em condições especiais, o metano se combina com o oxigênio (O2), formando gás carbônico (CO2) e água (H2O), reação representada a seguir:


    CH4 + 2O2  → CO2 + 2H2O 


    De acordo com as leis ponderais da química, essa reação ocorre na proporção de 1:4 (um para quatro), ou seja, para cada grama de metano, são necessários 4 gramas de oxigênio para que esses reagentes se convertam totalmente nos produtos gás carbônico e água.


    Se 16 g de metano forem utilizados em uma reação, a massa total dos produtos dessa reação, em gramas, será igual a 
    Escolha uma alternativa para a questão d3224fa7-11
  • Ciências da Natureza

    Física

    Para realizar um teste com um kart, um corredor utilizou a reta oposta do circuito de Interlagos. Ele saiu do repouso, manteve uma aceleração constante de 3 m/s2 e, depois de 7 s, atingiu o ponto final do teste, conforme a ilustração a seguir.


    Imagem da questão de Física, UNESP 2025, Cinemática

    (https://cults3d.com/pt/modelo-3d/casa/formula-1-interlagos-brazil-circuit/. Adaptado)


    Considerando as informações, a velocidade atingida no final do teste foi de, aproximadamente, em km/h, igual a
    Escolha uma alternativa para a questão d324ab5c-11
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto para responder à questão:


    Uma porção significativa do Brasil é diretamente influenciada pelas variações do nível dos caudalosos rios que cortam a região que, cotidianamente, apresenta elevadas temperaturas e vive temporadas de seca e cheia dos rios que são influenciadas pelo regime das chuvas e derretimento de geleiras, entre outros fatores climáticos. Essas variações ditam mudanças no comportamento de espécies da flora e da fauna, na qualidade da água e nos modos de vida das populações humanas, contribuindo também em moldar os ecossistemas como os que conhecemos hoje.


    (https://fas-amazonia.org/bioma-e-ecossistemas-da-amazonia .Adaptado)


    O texto descreve a natureza
    Escolha uma alternativa para a questão d3270b77-11
  • Leia a notícia para responder à questão:


         No encerramento da Cúpula do G20, realizado em novembro de 2024, no Rio de Janeiro, um dos participantes afirmou que “ trabalhamos com afinco, mesmo cientes de que apenas arranhamos a superfície dos profundos desafios que o mundo tem a enfrentar”. A próxima reunião ocorrerá na África do Sul em 2025.


    (https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/o-segundo-dia-da-cupula-de-lideres-do-g20-em-5-pontos Adaptado)


    G20 é a abreviação para “Grupo dos Vinte” que reúne as principais economias do mundo para
    Escolha uma alternativa para a questão d32bd241-11
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto a seguir:


        A proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, não produziu efeitos imediatos em províncias como Bahia e Grão‑Pará. Ao contrário, a opressão dos militares portugueses aumentou e foi preciso abrir guerra para expulsá‑los do país.

        Portugal, contudo, não contava com a resistência baiana à qual se juntou a participação das mulheres. Sóror Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa foram verdadeiras protagonistas nas lutas bélicas e diplomáticas transcorridas na nação emergente.

        Em 26 de julho de 2018, Maria Felipa foi declarada “Heroína da Pátria Brasileira” pela Lei Federal n° 13.697, juntamente com a Sóror Joana Angélica de Jesus, Maria Quitéria e também a imperatriz Maria Leopoldina.


    (https://ensinarhistoria.com.br/as-heroinas-baianas-da-independencia-do-brasil/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. Acesso em 30.09.2025. Adaptado)


    O texto revela que
    Escolha uma alternativa para a questão d32e4962-11
  • Ciências Humanas

    História

    Leia o texto a seguir:


        Com o fim da Segunda Guerra, surgiriam novas tensões políticas e debates sobre qual seria a melhor maneira de reconstruir um mundo arrasado. Mal as pedras dos escombros tinham sido recolhidas, o mundo veria recomeçar o clima de “paz-guerra” que tantos estragos tinham feito no passado recente.


    (Marcos Napolitano, História contemporânea 2: do entreguerras à nova ordem mundial. Adaptado)


    O fragmento apresenta as origens
    Escolha uma alternativa para a questão d330ac01-11
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Analise a tabela.

                                                    Relação crédito/depósito
                                              entre as regiões brasileiras, 2007
                            Imagem da questão de Geografia, UNESP 2014, Geografia Econômica

    O volume de recursos concedidos por crédito e coletados por depósito em cada região do Brasil constitui um importante indicativo das finanças e da forma de atuação dos agentes do sistema financeiro no território nacional. A partir da análise da tabela e considerando regiões “ganhadoras” as regiões em que o volume de recursos concedidos por crédito é superior ao volume de recursos captados por depósito, é correto afirmar que em 2007 prevaleceu uma situação de
    Escolha uma alternativa para a questão d34a201a-d6
  • Linguagens

    Português

    Escrever mal é difícil, declarou um dos maiores escritores contemporâneos. Durante debate para divulgar seu romance O homem que amava os cachorros, o cubano Leonardo Padura caçoou de autores de best-sellers. “Escrever livros como os de Paulo Coelho e Dan Brown não é fácil, não há muitos Dan Browns que possam escrever um romance tão horrível como O Código Da Vinci, que venda milhões de exemplares. Há que se saber fazer má literatura para poder escrever um livro desses”.

                                                          (Fábio Victor. “Fazer má literatura é difícil, diz escritor Leonardo Padura”. Folha de S.Paulo, 17.04.2014. Adaptado.)

    O comentário irônico do escritor acerca da qualidade literária justifica-se pela
    Escolha uma alternativa para a questão d44c5390-d6
  • Linguagens

    Português

    Projeto no Iraque reduz a idade mínima de casamento para xiitas mulheres para 9 anos. Xiitas iraquianas, caso o texto seja aprovado, só poderão sair de casa com autorização do marido e deverão estar sempre disponíveis para relações sexuais. Esse tipo de notícia coloca em xeque os ungidos multiculturalistas ocidentais. Como, segundo estes, não há culturas atrasadas mas apenas “diferentes”, e porque a democracia, entendida apenas como escolha da maioria, é um valor absoluto, por que condenar quando a maioria de um povo escolhe por voto a sharia*? Chegamos ao impasse dos multiculturalistas: aceitam que cada cultura seja “apenas diferente” e que, portanto, não há bárbaros, ou constatam o óbvio, ou seja, que certas sociedades ainda vivem presas a valores abjetos, que ignoram completamente as liberdades básicas dos indivíduos. Qual vai ser a opção?

                                  (Rodrigo Constantino. “Pedofilia? No Iraque islâmico é permitido por lei!”. www.veja.com.br, 02.05.2014. Adaptado.)

    *Sharia: lei islâmica.

    Para o autor, o conflito suscitado opõe essencialmente
    Escolha uma alternativa para a questão d54dd8df-d6
  • Linguagens

    Português

    Instrução: As questões de números 06 a 10 tomam por base um fragmento de uma peça do teatrólogo Guilherme Figueirdo (1915-1997).

    Imagem da questão de Português, UNESP 2012, Interpretação de Textos

    Considerando-se que os papéis desempenhados pela esposa e pela escrava são reveladores do modo como sentem as condições em que vivem, pode-se afirmar que Cleia e Melita encarnam em cena, respectivamente, dois sentimentos distintos:

    Escolha uma alternativa para a questão d5d8a192-78
  • Linguagens

    Português

    Instrução: As questões de números 06 a 10 tomam por base um fragmento de uma peça do teatrólogo Guilherme Figueirdo (1915-1997).

    Imagem da questão de Português, UNESP 2012, Interpretação de Textos

    Em sua penúltima fala no fragmento, Cleia critica o conceito de “democracia grega”, podendo-se perceber, pelo teor de seu discurso, que

    Escolha uma alternativa para a questão d714d9fb-78
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Não há livro didático, prova de vestibular ou resposta correta do Enem que não atribua a miséria e os confli- tos internos da África a um fator principal: a partilha do continente africano pelos europeus. Essas fronteiras te- riam acotovelado no mesmo território diversas nações e grupos étnicos, fazendo o caos imperar na África. Porém, guerras entre nações rivais e disputas pela sucessão de tronos existiam muito antes de os europeus atingirem o interior da África. Graves conflitos étnicos aconteceram também em países que tiveram suas fronteiras mantidas pelos governos europeus. É incrível que uma teoria tão frágil e generalista tenha durado tanto – provavelmente isso acontece porque ela serve para alimentar a condes- cendência de quem toma os africanos como “bons sel- vagens” e tenta isentá-los da responsabilidade por seus problemas.

                                                          (Leandro Narloch. Guia politicamente incorreto da história do mundo, 2013. Adaptado.)

    A partir da leitura do texto, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão d8580e70-d6
  • Ciências Humanas

    Filosofia

                                                          Texto 1

    O livro Cultura do narcisismo, escrito por Christopher Lasch em 1979, é um clássico. O texto de Lasch mostra como o que era diagnosticado como patologia narcísica ou limítrofe nos anos 50 torna-se uma espécie de “normalidade compulsória” depois de duas décadas. Para que alguém seja considerado “bem-sucedido”, é trivialmente esperado que manipule sua própria imagem como se fosse um personagem, com a consequente perda do sentimento de autenticidade.

                                                                                  (Christian Dunker. “A cultura da indiferença”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado.)

                                                          Texto 2

    Zigmunt Bauman: Afastar-se da percepção de mundo consumista e do tipo de atitude individualista contra o mundo e as pessoas não é uma questão a ponderar, mas uma obrigação determinada pelos limites de sustentabilidade desse modelo da vida que pressupõe a infinidade de crescimento econômico. Segundo esse modelo, a felicidade está obrigatoriamente vinculada ao acesso a lojas e ao consumo exacerbado.

                                                    (“Lojas são alívio a curto prazo, diz o sociólogo Zigmunt Bauman”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado.)

    Considerando os textos, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão d95ab1b0-d6
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Em alguns estados dos Estados Unidos, a doença de Lyme é um problema de saúde pública. Cerca de 30 mil casos são notificados por ano. A doença é causada pela bactéria Borrelia burgdorferi, transmitida ao homem por carrapatos que parasitam veados. Porém, um estudo de 2012 descobriu que a incidência da doença de Lyme nas últimas décadas não coincidiu com a abundância de veados, mas com um declínio na população de raposas-vermelhas, que comem camundongos-de-patas-brancas, uma espécie oportunista que prospera com a fragmentação de florestas devido à ocupação humana.

                                                                                         (Scientific American Brasil, dezembro de 2013. Adaptado.)

    É correto inferir do texto que
    Escolha uma alternativa para a questão da5cd8b3-d6
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Leia os versos da canção “Carcará”, de José Cândido e João do Vale.

    Carcará

    Carcará
    Lá no Sertão
    É um bicho que “avoa” que nem avião
    É um pássaro malvado
    Tem o bico “volteado” que nem gavião
    Carcará
    Quando vê roça queimada
    Sai voando e cantando
    Carcará
    Vai fazer sua caçada
    Carcará
    Come “inté” cobra queimada
    Mas quando chega o tempo da invernada
    No Sertão não tem mais roça queimada
    Carcará mesmo assim num passa fome
    Os “burrego que nasce” na baixada
    Carcará
    Pega, mata e come
    Carcará
    Num vai morrer de fome
    Carcará
    Mais coragem do que homem
    Carcará
    Pega, mata e come
    Carcará
    é malvado, é valentão
    É a águia de lá do meu Sertão
    Os “burrego novinho” num pode andar
    Ele puxa o “imbigo” “inté” matar
    Carcará
    Pega, mata e come
    Carcará
    Num vai morrer de fome
    Carcará
    Mais coragem do que homem
    Carcará
    Pega, mata e come

                                        (www.radio.uol.com.br)

    Considerando as relações tróficas encontradas no texto da canção, assinale a alternativa que apresenta a cor- reta correlação entre o trecho selecionado e a afirmação que o sucede.
    Escolha uma alternativa para a questão db5d84a0-d6
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
    “E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto.” (3° parágrafo)


    No contexto do conto, “pingo de água” e “pleno deserto” referem-se, metaforicamente,
    Escolha uma alternativa para a questão dbae0da8-8b
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia o trecho do conto “A menina, as aves e o sangue”, do escritor moçambicano Mia Couto (1955- ).


        Aconteceu, certa vez, uma menina a quem o coração batia só de quando em enquantos. A mãe sabia que o sangue estava parado pelo roxo dos lábios, palidez nas unhas. Se o coração estancava por demasia de tempo a menina começava a esfriar e se cansava muito. A mãe, então, se afligia: roía o dedo e deixava a unha intacta. Até que o peito da filha voltava a dar sinal:

        — Mãe, venha ouvir: está a bater!

        A mãe acorria, debruçando a orelha sobre o peito estreito que soletrava pulsação. E pareciam, as duas, presenciando pingo de água em pleno deserto. Depois, o sangue dela voltava a calar, resina empurrando a arrastosa vida.

        Até que, certa noite, a mulher ganhou para o susto. Foi quando ela escutou os pássaros. Sentou na cama: não eram só piares, chilreinações. Eram rumores de asas, brancos drapejos de plumas. A mãe se ergueu, pé descalço pelo corredor. Foi ao quarto da menina e joelhou-se junto ao leito. Sentiu a transpiração, reconheceu o seu próprio cheiro. Quando lhe ia tocar na fronte a menina despertou:

        — Mãe, que bom, me acordou! Eu estava sonhar pássaros.

        A mãe sortiu-se de medo, aconchegou o lençol como se protegesse a filha de uma maldição. Ao tocar no lençol uma pena se desprendeu e subiu, levinha, volteando pelo ar. A menina suspirou e a pluma, algodão em asa, de novo se ergueu, rodopiando por alturas do tecto. A mãe tentou apanhar a errante plumagem. Em vão, a pena saiu voando pela janela. A senhora ficou espreitando a noite, na ilusão de escutar a voz de um pássaro. Depois, retirou-se, adentrando-se na solidão do seu quarto. Dos pássaros selou-se o segredo, só entre as duas.[...]

        Com o tempo, porém, cada vez menos o coração se fazia frequente. Quase deixou de dar sinais à vida. Até que essa imobilidade se prolongou por consecutivas demoras. A menina falecera? Não se vislumbravam sinais dessa derradeiragem. Pois ela seguia praticando vivências, brincando, sempre cansadinha, resfriorenta. Uma só diferença se contava. Já à noite a mãe não escutava os piares.

    — Agora não sonha, filha?

    — Ai mãe, está tão escuro no meu sonho!

        Só então a mãe arrepiou decisão e foi à cidade:

        — Doutor, lhe respeito a permissão: queria saber a saúde de minha única. É seu peito... nunca mais deu sinal.

        O médico corrigiu os óculos como se entendesse rectificar a própria visão. Clareou a voz, para melhor se autorizar. E disse:

    — Senhora, vou dizer: a sua menina já morreu.

    — Morta, a minha menina? Mas, assim...?

    — Esta é a sua maneira de estar morta.

        A senhora escutou, mãos juntas, na educação do colo. Anuindo com o queixo, ia esbugolhando o médico. Todo seu corpo dizia sim, mas ela, dentro do seu centro, duvidava. Pode-se morrer assim com tanta leveza, que nem se nota a retirada da vida? E o médico, lhe amparando, já na porta:

    — Não se entristonhe, a morte é o fim sem finalidade.

        A mãe regressou à casa e encontrou a filha entoando danças, cantarolando canções que nem existem. Se chegou a ela, tocou-lhe como se a miúda inexistisse. A sua pele não desprendia calor.

        — Então, minha querida não escutou nada?

        Ela negou. A mãe percorreu o quarto, vasculhou recantos. Buscava uma pena, o sinal de um pássaro. Mas nada não encontrou. E assim, ficou sendo, então e adiante.

        Cada vez mais fria, a moça brinca, se aquece na torreira do sol. Quando acorda, manhã alta, encontra flores que a mãe depositou ao pé da cama. Ao fim da tarde, as duas, mãe e filha, passeiam pela praça e os velhos descobrem a cabeça em sinal de respeito.

        E o caso se vai seguindo, estória sem história. Uma única, silenciosa, sombra se instalou: de noite, a mãe deixou de dormir. Horas a fio a sua cabeça anda em serviço de escutar, a ver se regressam as vozearias das aves.


    (Mia Couto. A menina sem palavra, 2013.)
        Além da variedade de discursos diretos e indiretos, a narrativa de ficção, a partir das últimas décadas do século XIX, utiliza um tipo de discurso que consiste na combinação dos já existentes, misturando valores estilísticos de um e de outro: é o discurso indireto livre. O discurso indireto livre não deixa claro quem está com a palavra, se o narrador ou a personagem.

    (Nilce Sant’Anna Martins. Introdução à estilística, 1989. Adaptado.)


    Constitui exemplo de discurso indireto livre o seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão dbb04011-8b