Pular para o conteúdo

Instituição

Questões: Fundação Getulio Vargas (FGV) — com gabarito

1.077 questões de Fundação Getulio Vargas (FGV), de 2012 a 2020. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 1.077 questões
  • 8 provas

Resultados: 424 questões

Página 19 de 22

  • Linguagens

    Português

          Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
          Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."
          Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.


                                                                                                      T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.

    À frente das frases citadas abaixo, está indicado o tipo de circunstância que elas expressam no texto. A indicação NÃO está correta em:
    Escolha uma alternativa para a questão a814215c-fe
  • Linguagens

    Português

          Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
           Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."
          Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.


                                                                                                       T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.

    Considere estas afirmações sobre elementos linguísticos presentes no texto:

    I O verbo “traçar" pertence a um registro linguístico diverso do que predomina no texto.
    II No trecho "um dos mais requintados italianos do Rio", ocorre elipse de um substantivo.
    III Com as aspas em "Mas nada muito sofisticado", o autor do texto imprime, a essa expressão, um tom irônico.

    Tendo em vista o contexto, está correto apenas o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão a9734e8d-fe
  • Linguagens

    Português

          Eram tempos menos duros aqueles vividos na casa de Tia Vicentina, em Madureira, subúrbio do Rio, onde Paulinho da Viola podia traçar, sem cerimônia, um prato de feijoada - comilança que deu até samba, "No Pagode do Vavá". Mas como não é dado a saudades (lembre-se: é o passado que vive nele, não o contrário), Paulinho aceitou de bom grado a sugestão para que o jantar ocorresse em um dos mais requintados italianos do Rio. A escolha pela alta gastronomia tem seu preço. Assim que o sambista chega à mesa redonda ao lado da porta da cozinha, forma-se um círculo de garçons, com o maître à frente. [...]
          Paulinho conta que cresceu comendo o trivial. Seu pai viveu 88 anos à base de arroz, feijão, bife e batata frita. De vez em quando, feijoada. Massa, também. "Mas nada muito sofisticado."
          Com exceção de algumas dores de coluna, aos 70 anos, goza de plena saúde. O músico credita sua boa forma ao estilo de vida, como se sabe, não dado a exageros e grandes ansiedades.

                                                                                                             T. Cardoso, Valor, 28/06/2013. Adaptado.

    Argumento (Paulinho da Viola)

    Tá legal
    Eu aceito o argumento
    Mas não me altere o samba tanto assim
    Olha que a rapaziada está sentindo a falta
    De um cavaco, de um pandeiro
    Ou de um tamborim.

    Sem preconceito
    Ou mania de passado
    Sem querer ficar do lado
    De quem não quer navegar
    Faça como um velho marinheiro
    Que durante o nevoeiro
    Leva o barco devagar.


    Se a expressão “mania de passado”, usada na letra da canção, for comparada à frase do primeiro texto “é o passado que vive nele, não o contrário”, quanto ao sentido que assumem no contexto, é correto afirmar que a referida expressão
    Escolha uma alternativa para a questão aaa0c4f9-fe
  • Linguagens

    Português

    Argumento (Paulinho da Viola)

    Tá legal
    Eu aceito o argumento
    Mas não me altere o samba tanto assim
    Olha que a rapaziada está sentindo a falta
    De um cavaco, de um pandeiro
    Ou de um tamborim.

    Sem preconceito
    Ou mania de passado
    Sem querer ficar do lado
    De quem não quer navegar
    Faça como um velho marinheiro
    Que durante o nevoeiro
    Leva o barco devagar.


    Ao empregar, na letra da canção, o verbo “navegar" em sentido metafórico e desdobrar esse sentido nos versos seguintes, o compositor recorre ao seguinte recurso expressivo:
    Escolha uma alternativa para a questão abd2df99-fe
  • Linguagens

    Português

    Argumento (Paulinho da Viola) 

    Tá legal 
    Eu aceito o argumento 
    Mas não me altere o samba tanto assim 
    Olha que a rapaziada está sentindo a falta 
    De um cavaco, de um pandeiro 
    Ou de um tamborim. 

    Sem preconceito 
    Ou mania de passado 
    Sem querer ficar do lado 
    De quem não quer navegar 
    Faça como um velho marinheiro 
    Que durante o nevoeiro 
    Leva o barco devagar. 




    No verso “Mas não me altere o samba tanto assim", o pronome “me" não exerce função sintática alguma. Segundo a gramática da língua portuguesa, trata-se de um recurso expressivo de que se serve a pessoa que fala para mostrar que está vivamente interessada no cumprimento da exortação feita. Constitui uso mais comum na linguagem coloquial.

    Nas citações abaixo, todas extraídas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, esse recurso ocorre em:
    Escolha uma alternativa para a questão ad0466de-fe
  • Linguagens

    Literatura

    Caracteriza o Romantismo, na literatura brasileira,

    I o desejo de exprimir sentimentos como orgulho patriótico, considerado, então, algo de primordial importância;
    II a intenção de criar uma literatura independente, diversa, de identidade bem marcada;
    III a percepção da atividade literária como parte indispensável da tarefa patriótica de construção nacional.

    Está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão ae3e94ab-fe
  • Linguagens

    Português

          Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
          Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.


                                                                  Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

    Para a composição do texto, o autor recorre ao emprego reiterado do recurso da antítese, como se pode verificar nos pares de palavras “princípio" e “fim", e “nascimento" e “morte". Examine os seguintes pares de palavras, considerando a relação de sentido que eles têm no contexto.

    I "campa" e “berço";
    II “galante" e "novo";
    III “introito" e “cabo";
    IV “rijos" e “prósperos".

    É correto afirmar que constituem antíteses apenas os pares
    Escolha uma alternativa para a questão af99b233-fe
  • Linguagens

    Português

                           “PIMBA NA GORDUCHINHA”* DATOU


          Empolgação já não basta. Comentaristas usam cada vez mais estatísticas e termos técnicos para traduzir o que acontece em campo.

          Por tradição, a tarefa de comentar uma partida de futebol sempre foi o oposto disso. A “crônica esportiva” pontificada por lendas como Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, entre muitos outros, evocava heróis em campo e fazia da genialidade individual, do empenho coletivo e do imponderável instituições que comandavam o jogo. O belo texto valia tanto quanto – ou mais – que a observação de treinos e jogos. “O padrão para falar de futebol no Brasil costumava abordar aspectos como a qualidade individual do jogador e fatores emocionais”, afirma Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo. “O desafio hoje é estudar o jogo taticamente.” Não havia no passado, obviamente, a ideia nem os recursos técnicos para compilar dados, que hoje sustentam as análises feitas durante os 90 minutos.

          O uso de softwares que ajudam a dissecar partidas em números se difundiu nos clubes e transbordou para as redações. Crescem grupos dedicados à tabulação e análise de dados. Estatísticas individuais e coletivas, como o número de finalizações de um atacante e a média de posse de bola de uma equipe, são dados prosaicos em palestras de treinadores e programas de TV, blogs ou jornais.

          Detratores desse modelo, no entanto, consideram essa tendência um modismo, uma chatice. “Há preconceito de quem ouve e exagero de quem usa”, afirma o comentarista PVC [Paulo Vinícius Coelho]. Excessos ou modismos à parte, não há como fugir da realidade. O uso de dados e estatísticas por clubes europeus para elaborar estratégias e jogadas é antigo e há anos chegou aos brasileiros, com maior ou menor simpatia. Não existe futebol bem jogado, em alto nível, sem isso.

          A tarefa de dissecar o jogo por números e dados ajuda a entender, mas não esgota o futebol, que, por sua dinâmica, segue como um esporte dos mais imprevisíveis.

                                                                    Rafael Oliveira, Época, 29.01.2018. Adaptado.

    * "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha": bordão criado pelo narrador de futebol Osmar Santos e popularizado nos anos 1980.  

    Foram empregadas em sentido figurado as seguintes expressões do texto:
    Escolha uma alternativa para a questão b0899fc6-15
  • Linguagens

    Português

                           “PIMBA NA GORDUCHINHA”* DATOU


          Empolgação já não basta. Comentaristas usam cada vez mais estatísticas e termos técnicos para traduzir o que acontece em campo.

          Por tradição, a tarefa de comentar uma partida de futebol sempre foi o oposto disso. A “crônica esportiva” pontificada por lendas como Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, entre muitos outros, evocava heróis em campo e fazia da genialidade individual, do empenho coletivo e do imponderável instituições que comandavam o jogo. O belo texto valia tanto quanto – ou mais – que a observação de treinos e jogos. “O padrão para falar de futebol no Brasil costumava abordar aspectos como a qualidade individual do jogador e fatores emocionais”, afirma Carlos Eduardo Mansur, do jornal O Globo. “O desafio hoje é estudar o jogo taticamente.” Não havia no passado, obviamente, a ideia nem os recursos técnicos para compilar dados, que hoje sustentam as análises feitas durante os 90 minutos.

          O uso de softwares que ajudam a dissecar partidas em números se difundiu nos clubes e transbordou para as redações. Crescem grupos dedicados à tabulação e análise de dados. Estatísticas individuais e coletivas, como o número de finalizações de um atacante e a média de posse de bola de uma equipe, são dados prosaicos em palestras de treinadores e programas de TV, blogs ou jornais.

          Detratores desse modelo, no entanto, consideram essa tendência um modismo, uma chatice. “Há preconceito de quem ouve e exagero de quem usa”, afirma o comentarista PVC [Paulo Vinícius Coelho]. Excessos ou modismos à parte, não há como fugir da realidade. O uso de dados e estatísticas por clubes europeus para elaborar estratégias e jogadas é antigo e há anos chegou aos brasileiros, com maior ou menor simpatia. Não existe futebol bem jogado, em alto nível, sem isso.

          A tarefa de dissecar o jogo por números e dados ajuda a entender, mas não esgota o futebol, que, por sua dinâmica, segue como um esporte dos mais imprevisíveis.

                                                                    Rafael Oliveira, Época, 29.01.2018. Adaptado.

    * "ripa na chulipa e pimba na gorduchinha": bordão criado pelo narrador de futebol Osmar Santos e popularizado nos anos 1980.  

    Considerada no contexto, a substituição proposta para a frase citada no início de cada alternativa mantém o sentido mas NÃO a correção gramatical em:
    Escolha uma alternativa para a questão b090b553-15
  • Linguagens

    Português

                                            PARDAIS NOVOS


          Um dia o meu telefone, instalado à cabeceira de minha cama, retiniu violentamente às sete da manhã. Estremunhado tomei do receptor e ouvi do outro lado uma voz que dizia: “Mestre, sou um pardal novo. Posso ler-lhe uns versos para que o senhor me dê a sua opinião?” Ponderei com mau humor ao pardal que aquilo não eram horas para consultas de tal natureza, que ele me telefonasse mais tarde. O pardal não telefonou de novo: veio às nove e meia ao meu apartamento.

          Mal o vi, percebi que não se tratava de pardal novo. Ele mesmo como que concordou que o não era, pois perguntando-lhe eu a idade, hesitou contrafeito para responder que tinha 35 anos. Ainda por cima era um pardal velho!

          Desde esse dia passei a chamar de pardais novos os rapazes que me procuram para mostrar-me os seus primeiros ensaios de voo no céu da poesia. Dizem eles que desejam saber se têm realmente queda para o ofício, se vale a pena persistir etc. Fico sempre embaraçado para dar qualquer conselho. A menos que se seja um Rimbaud ou, mais modestamente, um Castro Alves, que poesia se pode fazer antes dos vinte anos? Como Mallarmé afirmou certa vez que todo verso é um esforço para o estilo, acabo aconselhando ao pardal que vá fazendo os seus versinhos, sem se preocupar com a opinião de ninguém, inclusive a minha.

          (...)

                                                     Manuel Bandeira, Melhores crônicas. Global Editora. 

    Sabendo-se que “alegoria consiste em uma metáfora que, em um dado contexto, desdobra-se em outras”, pode-se apontar o emprego desse recurso, sobretudo, no seguinte trecho do texto:
    Escolha uma alternativa para a questão b0959b0b-15
  • Linguagens

    Português

                                             Imagem da questão de Português, FGV 2018, Interpretação de Textos


          À hora do primeiro almoço, como prometera, Aristarco mostrou-se em toda a grandeza fúnebre dos justiçadores. De preto. Calculando magnificamente os passos pelos do diretor, seguiam-no em guarda de honra muitos professores. À porta fronteira, mais professores de pé e os bedéis ainda, e a multidão bisbilhoteira dos criados.

          Tão grande a calada, que se distinguia nítido o tique-taque do relógio, na sala de espera, palpitando os ansiados segundos.

          Aristarco soprou duas vezes através do bigode, inundando o espaço com um bafejo de todo-poderoso.

          E, sem exórdio:

          “Levante-se, Sr. Cândido Lima! “Apresento-lhes, meus senhores, a Sra. D. Cândida”, acrescentou com uma ironia desanimada.

          “Para o meio da casa! e curve-se diante dos seus colegas!”

          Cândido era um grande menino, beiçudo, louro, de olhos verdes e maneiras difíceis de indolência e enfado. Atravessou devagar a sala, dobrando a cabeça, cobrindo o rosto com a manga, castigado pela curiosidade pública.

          “Levante-se, Sr. Emílio Tourinho...

           Este é o cúmplice, meus senhores!”

          Tourinho era um pouco mais velho que o outro, porém mais baixo; atarracado, moreno, ventas arregaladas, sobrancelhas crespas, fazendo um só arco pela testa. Nada absolutamente conformado para galã; mas era com efeito o amante.

          “Venha ajoelhar-se com o companheiro.”

          “Agora, os auxiliares...”

          Desde as cinco horas da manhã trabalhava Aristarco no processo. O interrogatório, com o apêndice das delações da polícia secreta e dos tímidos, comprometera apenas dez alunos.

          A chamado do diretor, foram deixando os lugares e postando-se de joelhos em seguimento dos principais culpados.

          “Estes são os acólitos da vergonha, os corréus do silêncio!”

          Cândido e Tourinho, braço dobrado contra os olhos, espreitavam-se a furto, confortando-se na identidade da desgraça, como Francesca e Paolo* no inferno.

          Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.

          Em vez da bênção chovia a cólera.

                                                                                                    Raul Pompeia, O Ateneu.

    * Francesca e Paolo: personagens de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. 

    No contexto da obra O Ateneu, a homossexualidade, tematizada no trecho aqui reproduzido, configura-se como
    Escolha uma alternativa para a questão b0ac3863-15
  • Linguagens

    Português

                                             Imagem da questão de Português, FGV 2018, Interpretação de Textos


          À hora do primeiro almoço, como prometera, Aristarco mostrou-se em toda a grandeza fúnebre dos justiçadores. De preto. Calculando magnificamente os passos pelos do diretor, seguiam-no em guarda de honra muitos professores. À porta fronteira, mais professores de pé e os bedéis ainda, e a multidão bisbilhoteira dos criados.

          Tão grande a calada, que se distinguia nítido o tique-taque do relógio, na sala de espera, palpitando os ansiados segundos.

          Aristarco soprou duas vezes através do bigode, inundando o espaço com um bafejo de todo-poderoso.

          E, sem exórdio:

          “Levante-se, Sr. Cândido Lima! “Apresento-lhes, meus senhores, a Sra. D. Cândida”, acrescentou com uma ironia desanimada.

          “Para o meio da casa! e curve-se diante dos seus colegas!”

          Cândido era um grande menino, beiçudo, louro, de olhos verdes e maneiras difíceis de indolência e enfado. Atravessou devagar a sala, dobrando a cabeça, cobrindo o rosto com a manga, castigado pela curiosidade pública.

          “Levante-se, Sr. Emílio Tourinho...

           Este é o cúmplice, meus senhores!”

          Tourinho era um pouco mais velho que o outro, porém mais baixo; atarracado, moreno, ventas arregaladas, sobrancelhas crespas, fazendo um só arco pela testa. Nada absolutamente conformado para galã; mas era com efeito o amante.

          “Venha ajoelhar-se com o companheiro.”

          “Agora, os auxiliares...”

          Desde as cinco horas da manhã trabalhava Aristarco no processo. O interrogatório, com o apêndice das delações da polícia secreta e dos tímidos, comprometera apenas dez alunos.

          A chamado do diretor, foram deixando os lugares e postando-se de joelhos em seguimento dos principais culpados.

          “Estes são os acólitos da vergonha, os corréus do silêncio!”

          Cândido e Tourinho, braço dobrado contra os olhos, espreitavam-se a furto, confortando-se na identidade da desgraça, como Francesca e Paolo* no inferno.

          Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.

          Em vez da bênção chovia a cólera.

                                                                                                    Raul Pompeia, O Ateneu.

    * Francesca e Paolo: personagens de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. 

    Em O Ateneu, o tema da homossexualidade é tematizado abertamente e tratado de maneira ______________ ao passo que, na obra ____________, onde também aparece claramente, o mesmo tema é descrito como prática viciosa e animalesca, e tratado de modo ___________ .


    Mantida a sequência, preenche adequadamente os espaços pontilhados o que se encontra em

    Escolha uma alternativa para a questão b0b3a1cb-15
  • Linguagens

    Português

                                             Imagem da questão de Português, FGV 2018, Interpretação de Textos


          À hora do primeiro almoço, como prometera, Aristarco mostrou-se em toda a grandeza fúnebre dos justiçadores. De preto. Calculando magnificamente os passos pelos do diretor, seguiam-no em guarda de honra muitos professores. À porta fronteira, mais professores de pé e os bedéis ainda, e a multidão bisbilhoteira dos criados.

          Tão grande a calada, que se distinguia nítido o tique-taque do relógio, na sala de espera, palpitando os ansiados segundos.

          Aristarco soprou duas vezes através do bigode, inundando o espaço com um bafejo de todo-poderoso.

          E, sem exórdio:

          “Levante-se, Sr. Cândido Lima! “Apresento-lhes, meus senhores, a Sra. D. Cândida”, acrescentou com uma ironia desanimada.

          “Para o meio da casa! e curve-se diante dos seus colegas!”

          Cândido era um grande menino, beiçudo, louro, de olhos verdes e maneiras difíceis de indolência e enfado. Atravessou devagar a sala, dobrando a cabeça, cobrindo o rosto com a manga, castigado pela curiosidade pública.

          “Levante-se, Sr. Emílio Tourinho...

           Este é o cúmplice, meus senhores!”

          Tourinho era um pouco mais velho que o outro, porém mais baixo; atarracado, moreno, ventas arregaladas, sobrancelhas crespas, fazendo um só arco pela testa. Nada absolutamente conformado para galã; mas era com efeito o amante.

          “Venha ajoelhar-se com o companheiro.”

          “Agora, os auxiliares...”

          Desde as cinco horas da manhã trabalhava Aristarco no processo. O interrogatório, com o apêndice das delações da polícia secreta e dos tímidos, comprometera apenas dez alunos.

          A chamado do diretor, foram deixando os lugares e postando-se de joelhos em seguimento dos principais culpados.

          “Estes são os acólitos da vergonha, os corréus do silêncio!”

          Cândido e Tourinho, braço dobrado contra os olhos, espreitavam-se a furto, confortando-se na identidade da desgraça, como Francesca e Paolo* no inferno.

          Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.

          Em vez da bênção chovia a cólera.

                                                                                                    Raul Pompeia, O Ateneu.

    * Francesca e Paolo: personagens de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. 

    A ilustração que acompanha o texto, a exemplo das demais imagens que ilustram O Ateneu, foi feita pelo próprio autor e se tornou parte indissociável da obra, em suas boas edições. No trecho aqui reproduzido, a ilustração tem, sobretudo, a função de
    Escolha uma alternativa para a questão b0bd6ccb-15
  • Linguagens

    Português

                                             Imagem da questão de Português, FGV 2018, Interpretação de Textos


          À hora do primeiro almoço, como prometera, Aristarco mostrou-se em toda a grandeza fúnebre dos justiçadores. De preto. Calculando magnificamente os passos pelos do diretor, seguiam-no em guarda de honra muitos professores. À porta fronteira, mais professores de pé e os bedéis ainda, e a multidão bisbilhoteira dos criados.

          Tão grande a calada, que se distinguia nítido o tique-taque do relógio, na sala de espera, palpitando os ansiados segundos.

          Aristarco soprou duas vezes através do bigode, inundando o espaço com um bafejo de todo-poderoso.

          E, sem exórdio:

          “Levante-se, Sr. Cândido Lima! “Apresento-lhes, meus senhores, a Sra. D. Cândida”, acrescentou com uma ironia desanimada.

          “Para o meio da casa! e curve-se diante dos seus colegas!”

          Cândido era um grande menino, beiçudo, louro, de olhos verdes e maneiras difíceis de indolência e enfado. Atravessou devagar a sala, dobrando a cabeça, cobrindo o rosto com a manga, castigado pela curiosidade pública.

          “Levante-se, Sr. Emílio Tourinho...

           Este é o cúmplice, meus senhores!”

          Tourinho era um pouco mais velho que o outro, porém mais baixo; atarracado, moreno, ventas arregaladas, sobrancelhas crespas, fazendo um só arco pela testa. Nada absolutamente conformado para galã; mas era com efeito o amante.

          “Venha ajoelhar-se com o companheiro.”

          “Agora, os auxiliares...”

          Desde as cinco horas da manhã trabalhava Aristarco no processo. O interrogatório, com o apêndice das delações da polícia secreta e dos tímidos, comprometera apenas dez alunos.

          A chamado do diretor, foram deixando os lugares e postando-se de joelhos em seguimento dos principais culpados.

          “Estes são os acólitos da vergonha, os corréus do silêncio!”

          Cândido e Tourinho, braço dobrado contra os olhos, espreitavam-se a furto, confortando-se na identidade da desgraça, como Francesca e Paolo* no inferno.

          Prostrados os doze rapazes perante Aristarco, na passagem alongada entre as cabeceiras das mesas, parecia aquilo um ritual desconhecido de noivado: a espera da bênção para o casal à frente.

          Em vez da bênção chovia a cólera.

                                                                                                    Raul Pompeia, O Ateneu.

    * Francesca e Paolo: personagens de A Divina Comédia, de Dante Alighieri. 

    As personagens que compõem a cena são descritas pelo narrador, ora de maneira concisa, por meio de breves estruturas frasais, ora de maneira detalhada, por meio do uso de farta adjetivação. É o que se verifica, respectivamente, com as personagens identificadas no texto pelas expressões
    Escolha uma alternativa para a questão b0d2f2b0-15
  • Linguagens

    Português

          Vindos do norte, da fronteira velha-de-guerra, bem montados, bem enroupados, bem apessoados, chegaram uns oito homens, que de longe se via que eram valentões: primeiro surgiu um, dianteiro, escoteiro, que percorreu, de ponta a ponta, o povoado, pedindo água à porta de uma casa, pedindo pousada em outra, espiando muito para tudo e fazendo pergunta e pergunta; depois, então, apareceram os outros, equipados com um despropósito de armas – carabinas, novinhas quase; garruchas, de um e de dois canos; revólveres de boas marcas; facas, punhais, quicés de cabos esculpidos; porretes e facões, – e transportando um excesso de breves nos pescoços.

          O bando desfilou em formação espaçada, o chefe no meio. E o chefe – o mais forte e o mais alto de todos, com um lenço azul enrolado no chapéu de couro, com dentes brancos limados em acume, de olhar dominador e tosse rosnada, mas sorriso bonito e mansinho de moça – era o homem mais afamado dos dois sertões do rio: célebre do Jequitinhonha à Serra das Araras, da beira do Jequitaí à barra do Verde Grande, do Rio Gavião até nos Montes Claros, de Carinhanha até Paracatu; maior do que Antônio Dó ou Indalécio; o arranca-toco, o treme-terra, o come-brasa, o pega-à-unha, o fecha-treta, o tira-prosa, o parte-ferro, o rompe-racha, o rompe-e-arrasa: Seu Joãozinho Bem-Bem.

                      João Guimarães Rosa, “A hora e vez de Augusto Matraga”, in Sagarana. 

    O tipo de valentão armado, figurado no texto de Guimarães Rosa, atuando isoladamente ou em grupo, é personagem frequente na ficção brasileira – literária, cinematográfica etc. Corresponde também a esse tipo a personagem
    Escolha uma alternativa para a questão b0e1735f-15
  • Linguagens

    Português

                                            Remissão


                              Tua memória, pasto de poesia,

                               tua poesia, pasto dos vulgares,

                               vão se engastando numa coisa fria

                               a que tu chamas: vida, e seus pesares.


                                Mas, pesares de quê? perguntaria,

                                se esse travo de angústia nos cantares,

                                se o que dorme na base da elegia

                                vai correndo e secando pelos ares,


                                 e nada resta, mesmo, do que escreves

                                 e te forçou ao exílio das palavras,

                                 senão contentamento de escrever,


                                  enquanto o tempo, em suas formas breves

                                  ou longas, que sutil interpretavas,

                                  se evapora no fundo de teu ser?

                                Carlos Drummond de Andrade, Claro enigma.  

    No texto, o poeta
    Escolha uma alternativa para a questão b0f1596b-15
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    In paragraph 2, the sentence “All true, but not the whole story” most likely refers to which of the following?
    Escolha uma alternativa para a questão b1067ccf-15
  • Linguagens

    Português

          Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
          Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos.


                                                                  Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

    Pode-se apontar, no texto, a contradição, que repercute na obra a que ele pertence, entre
    Escolha uma alternativa para a questão b1086937-fe
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    In paragraph 4, “This” in the phrase “This is one of the reasons why the Arab Spring erupted…” most likely refers specifically to
    Escolha uma alternativa para a questão b10e7b91-15
  • Linguagens

    Inglês

    Imagem da questão de Inglês, FGV 2018, Interpretação de texto | Reading comprehension

    With respect to the exclusively financial aspects of the brideprice, a South Sudanese cattle farmer would most likely get the biggest benefit from which of the following situations?
    Escolha uma alternativa para a questão b11866bd-15