História
- História Geral
- Prova de 2017
- Universidade Federal de Roraima
- Dificuldade: Muito fácil
- Código da questão: A2E15B4C-B2
Instituição
107 questões de Universidade Federal de Roraima, de 2016 a 2017. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.
TEXTO I
"Após encontrar um abrigo seguro sob uma copa de maçaranduba caída, ainda ofegante, e com dores fortes em sua pata esquerda e coxa direita, começou a averiguar o que aquele estrondo havia lhe causado. A pata estava completamente dilacerada, com sangramento. As duas garras da região esquerda tinham sido arrancadas. Observou a mutilação. Em sua memória automática, associava o ferimento ao barulho alto e aterrorizante.
Pelo instinto, a onça vislumbrou que, geralmente antes e durante as chuvas torrenciais, estrondos ecoavam pela floresta. Não eram parecidos com os dois que acabara de ouvir, mas às vezes, quando acontecia, isso a assustava como se a floresta estivesse sendo engolida por um animal maior e mais forte. Olhou novamente para a pata, e diante de sua imponência, iniciou uma tentativa de escoamento do sangramento com sua língua, o que logo pressentiu ser inútil.
Ao passar do tempo, a coxa direita latejava cada vez mais. Tentou levantar da toca provisória com o intuito de chegar até sua caverna próxima à cachoeira. Constatou ser impossível conseguir se apoiar sem firmar o corpo com as regiões atingidas. O sangramento da pata diminuiu de intensidade. Iniciou sua peregrinação arrastando-se pela floresta. Sentiu a pele de seu peito sendo esfolada pelas folhas, galhos e ouriços de castanha da Amazônia.
Um rastro de sangue era visível ao longo da tentativa exaustiva de chegar à sua toca. Ao se deparar com um igarapé, vacilou várias vezes até entrar n‘água. Mas não tinha alternativa. Na situação em que se encontrava, não teria como se equilibrar nos troncos das árvores caídas que serviam de ponte e eram facilmente transpassados.
Entrando no igarapé, a onça sentiu um alívio em sua pata flagelada. De súbito, deitou-se na água e aliviou a coxa atingida pelo impacto desconhecido. Aproveitou e tomou longos goles do líquido. O ferimento na coxa não sangrava mais como antes, porém, a pata dianteira manchava o igarapé atraindo pequenos peixes que mordiscavam seu pelo e a carne dilacerada do ferimento. No movimento de afastar os peixes, enterrou a pata na lama do fundo do igarapé e o sangue parou de manchar a água. Logo a onça afundou mais a pata, e aos poucos a dor foi diminuindo."
DANTAS, Ricardo. Meia Pata. São Paulo: Kazuá, 2013. p. 20-21
Assinale a alternativa em que 'porque", 'por que", "porquê" e "por quê" estão todos empregados CORRETAMENTE.
Disponível em: < http://www.sumauma.net/amazonian/legends/
legends-pirarucu.html> CELEMENT, Rosa. Acesso em: 31 jul. 16
(Adaptado).
TEXT II
The Jurutauí Legend
Jurutauí was the bird with the most beautiful song in the forest and, because it sang so melodiously, it was truly admired by the other birds. One day Jurutauí saw the moon shining splendidly and fell deeply in love with her. Then, to be heard by its muse, it flew to the highest tree to sing love songs through the night, filling the forest with the most devoted sounds.
Jurutauí couldn’t accept such a distance from its lover and flew higher and higher, trying to reach it. But the power of gravity could not be overcome. After a long struggle Jurutauí fell straight to the ground. Dizzy, it tried to recover and sing its beautiful song, but only a strident and terrible screech came from its throat and echoed through the forest. The other birds surrounded Jurutauí and mourned for the loss of the most beautiful birdsong in the forest. Now when the forest echoes with raucous and sad notes, everyone knows that it’s because Jurutauí is singing.
Disponível em: < http://www.sumauma.net/amazonian/legends/
legends-juru.html > CELEMENT, Rosa. Acesso em:31 jul. 16 (adaptado).
Sobre o fenômeno El Niño e seus efeitos, considere as afirmações abaixo:
I. Trata-se de um fenômeno caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico em baixas latitudes;
II. O El Niño pode afetar o clima global, mudando os padrões de vento e afetando os regimes de chuva em diversas partes do mundo;
III. O Brasil não é afetado pelos efeitos do El Niño, mas sim pelo fenômeno La Niña, que traz chuva ao sertão nordestino e estiagem prolongada da região Sul;
IV. Em Roraima, o El Niño prolonga os períodos de estiagem e diminui a pluviosidade ao longo do ano.
Assinale a alternativa CORRETA:
TEXTO I
“Meia Pata” inicia um movimento literário criado pelo autor, Ricardo Dantas, denominado de Bioarte. A Bioarte louva os verdadeiros artistas. Os indígenas, que mesmo diante do preconceito, da dor de presenciarem suas terras sendo devastadas, seguem firme na luta pela autenticidade de seus direitos. Os extrativistas, como os seringueiros, massacrados, porém resistentes, que com sangue escorrendo das bandeiras, venceram a opressão e conquistaram uma vida digna. O sertanejo agricultor, que não desiste de rachar o solo cristalizado pela seca, e com mãos e orgulho calejado, segue em frente sem fraquejar. E por fim a Natureza, que compadecida, presencia árvores frondosas, literalmente milagres que fornecem o suporte para milhares de formas de vidas, serem ceifadas, levando para a tumba toda a rede ecológica. A Bioarte exalta a biodiversidade, a pluralidade social e principalmente as interações ecossistêmicas entre cultura e arte [...]
Esse caráter regional ressaltado pelo romance incorpora
questões de formação de identidade e raízes históricas de
tradições na formação de um povo. A leitura reflexiva dessa
obra desenvolve a capacidade de análise e interpretação de
textos. Também estimula a identificação das características
dos gêneros literários e da estilística. Ao levar o leitor a
acompanhar a narrativa de outra pessoa, portanto a partir de
outra perspectiva, valoriza a formação dos próprios critérios
no leitor.
Disponível em: http://eusouderoraima.com.br/. (Acesso em: 25/07/2016).
Sobre a obra “Meia Pata”, de Ricardo Dantas, avalie:
I - Daniel Silva, protagonista, com uma equipe de trabalhadores formada com mão de obra local, dentre a qual está o velho caçador Xereta e seu filho Ronaldo, um experiente rastreador florestal, adentram a mata fechada, muito traiçoeira e perigosa, visando estudar a biodiversidade amazônica;
II - É um romance autobiográfico que retrata a saga de Daniel Silva e as conquistas entre os povos indígenas de Roraima, consagradas após o casamento com a indígena Iara Parente, uma linda indígena da etnia Wapixana;
III - A obra descreve minuciosamente a experiência vivida por Daniel Silva, na região mais isolada e peculiar da Amazônia, e as vivências de um romance inusitado e místico com Iara Parente, uma linda indígena da etnia Macuxi, além de um embate por luta de território e respeito com a maior predadora da floresta, a onça-pintada;
IV - O argumento do romance “Meia Pata” se passa em Roraima, no final da década de oitenta e conta a saga do biólogo Daniel Silva, que objetiva estudar a maior diversidade ecológica do planeta.
São VERDADEIRAS:

TEXT V
They call it ‘tourism-phobia’ but that’s not what’s happening in Barcelona
Jordi Rabassa, Barcelona en Comú District Councilor for the
Old City in Barcelona
There‘s a new word that‘s taken over the local political debate in Barcelona: tourism-phobia. For months now, political and media personalities have been using accusations of tourism-phobia to attack the social movements and political parties that are questioning the so-called ‗tourism industry‘ and its repercussions on the right to the city.
The use of ―tourism-phobia‖ seeks to criminalize this criticism, painting it as a form of racism against people who visit the city in the popular imagination. But this attempt to compare, even at a subconscious level, ―tourism-phobia‖ and racism is not just irresponsible, it‘s a sign of defeat by those who have invented the word. Because these are the same people who warned us that regulating tourism would paralyze economic activity and employment in the city. This argument, based on the supposedly unquestionable logic of the productive economy, hasn‘t gone anywhere; it‘s the same old neoliberal discourse that tourism is a harmless and friendly activity. They‘ve just pushed it aside temporarily to make room for the related idea of tourism-phobia, which aims to appeal to people‘s emotions.
They call it tourism-phobia but they probably don‘t know what they really want to say. They use the concept of tourism-phobia to camouflage their support for business interests that are putting the right to the city of the people of Barcelona at risk. They call it tourism-phobia to weaken the city government, to criminalize the most active and radical social movements, and to patronize unorganized citizens. They call it tourism-phobia to inject a meme that can be launched on social media and vomited up on TV and the radio.
Those of us in Barcelona who criticize, problematize or reject an economic model based on the liberalization of the tourism industry are not filled with hate. We‘re defending human rights, principally the right to housing and the right to the city.
Those who criticize the hegemony of tourism as an economic model are calling for a fair and inclusive city, a city with neighborhoods where people can live. We‘re demanding rent caps and denouncing speculation with commercial premises and licenses. We‘re condemning the black market of tourist apartments that is pushing low-income families out of their homes. We‘re saying, loud and clear, that we want public, affordable housing. We‘re working to make sure that our streets and squares aren‘t overwhelmed by visitors. We‘re grieving for the men and women who‘ve been expelled from our neighborhoods.
They call it tourism-phobia but that‘s not what it is: it‘s a conscious demand for the right to the city.
Translation of an article published in eldiario.es on 27/06/2017
Disponível em: https://medium.com/@BComuGlobal/they-call-ittourism-phobia-but-that-s-not-what-s-happening-in-barcelonacb56b02da97b Acesso em: 07 ago. 2017.