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Instituição

Questões: Universidade Estadual do Maranhão — com gabarito

329 questões de Universidade Estadual do Maranhão, de 2015 a 2023. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 329 questões
  • 4 provas

Resultados: 329 questões

Página 4 de 17

  • Matemática

    Matemática

    A empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) administra o Porto de Itaqui e os terminais de Ferry Boat da Ponta da Espera, em São Luís, e Cujupe, no Município de Alcântara, responsável pela Infraestrutura-Preservação Ambiental-Segurança. A Agência Estadual de Transporte e Mobilidade Urbana (M0B), por sua vez, é responsável pelo Planejamento, pela Coordenação, pela Concessão, pela Permissão, pela Autorização, pela Regulamentação, pela Inspeção e pela Fiscalização dos serviços públicos de transportes aquáticos intermunicipal de passageiros, de cargas e de veículos. Atualmente, no Maranhão, duas empresas marítimas fazem essa travessia.


    Figura 1 de 2 da questão de Matemática, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Aritmética e Problemas

    Embarcação de Ferry Boat

    http://kamaleao.com/saoluis/5351/ferry-boat-sao-luis-cujupe. Adaptado.


    Ambas as empresas praticam os mesmos preços dos bilhetes de passagens para todas as categorias de passageiros e de veículos. A capacidade máxima de lotação, por embarcação, por viagem, de uma das empresas é de 1000 passageiros e de 70 veículos, em média.

    Analise o quadro que corresponde a uma viagem, de uma embarcação, com saída do Terminal da Ponta da Espera e chegada ao Porto do Cujupe. 

    Figura 2 de 2 da questão de Matemática, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Aritmética e Problemas


    Considerando as condições descritas no quadro, os percentuais em relação à lotação máxima dos quantitativos de passageiros e de veículos, respectivamente, e o total, em reais, arrecadado nas vendas dos bilhetes de passageiros e de veículos, em uma viagem, são  

    Escolha uma alternativa para a questão 64c4df7b-b0
  • Ciências Humanas

    Sociologia

    Na obra Canaã, dentre as temáticas discutidas pelos imigrantes alemães, está a questão das raças e da miscigenação. O personagem Lentz afirma que


    “Não acredito que da fusão com espécies radicalmente incapazes resulte uma raça sobre que se possa desenvolver a civilização. Será sempre uma cultura inferior, civilização de mulatos, eternos escravos em revoltas e quedas. Enquanto não se eliminar a raça que é o produto de tal fusão, a civilização será sempre um misterioso artifício, todos os minutos rotos pelo sensualismo, pela bestialidade e pelo servilismo inato do negro. O problema social para o progresso de uma região como o Brasil está na substituição de uma raça híbrida, como a dos mulatos, por europeus. A imigração não é simplesmente para o futuro da região do País um caso de simples estética, é antes de tudo uma questão complexa, que interessa o futuro humano.”

    ARANHA, G.. Canaã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.


    O recorte do diálogo de Lentz apresenta visão sobre os resultados da miscigenação no Brasil que se contrapõe à perspectiva sociológica de

    Escolha uma alternativa para a questão 64aa9dab-b0
  • Leia o gráfico sobre taxa de pobreza por grupo étnico-racial e gênero.

    Imagem da questão de Atualidades, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Atualidades do ano de 2020

    Agora, analise as assertivas abaixo, considerando os dados apresentados no gráfico.


    I) As pessoas negras encontram-se nos grupos com maior percentual de pobres, em todos os contextos pesquisados, expressando as desigualdades econômicas e sociais entre brancos e negros.


    II) O grupo com maior percentual de empobrecimento, no contexto pandêmico de 2021, é o das mulheres negras, expressando que esse grupo sofre ainda mais as desigualdades econômicas e sociais, em virtude do gênero.


    III) O percentual de homens brancos, entre os pobres, apresenta uma leve redução em 2021, quando comparado aos contextos anteriores, expressando a vantagem econômica dos homens sobre as mulheres.


    IV) As mulheres brancas apresentam gradativo aumento no percentual de empobrecimento, a partir de outubro de 2020, expressando os efeitos do crescimento econômico direcionado, apenas, para os homens brancos.


    Estão corretas as assertivas

    Escolha uma alternativa para a questão 64a2615d-b0
  • Ciências Humanas

    Sociologia

    Leia a matéria jornalística sobre caso de racismo, sofrido por expoente jogador de futebol, no Rio de Janeiro.


    Gabigol depõe ao TJD e diz que não pretende deixar caso de racismo passar impune.

    O jogador do Flamengo Gabriel Barbosa, o Gabigol, prestou depoimento de forma virtual ao Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ), na tarde desta sexta-feira (18), no inquérito que investiga as ofensas racistas contra o jogador. O atleta falou por cerca de uma hora, se mostrou indignado e afirmou que não pretende deixar o caso passar impune. No depoimento, ao qual a CNN teve acesso, Gabigol narrou os fatos ocorridos na partida, realizada no dia 6 de fevereiro, contra o Fluminense, no estádio Nilton Santos, o Engenhão. Ele disse que “no intervalo da partida, ainda em direção ao túnel que dá acesso ao vestiário, ouviu diversos xingamentos e palavras ofensivas, em especial gritos de ‘macaco”, direcionados a ele.

    https://www.cnnbrasil.com.br/esporte/gabigol-depoe-ao-tjd-e-diz-que-nao-pretende-deixar-caso-de-racismo-passar-impune


    Ao relacionar o caso recente de racismo, apresentado na matéria jornalística, à interpretação do sociólogo Florestan Fernandes de que a sociedade brasileira não se configura como uma democracia racial, é correto afirmar que 

    Escolha uma alternativa para a questão 649f7761-b0
  • Ciências Humanas

    História

    No conto A Escrava, de 1887, Maria Firmina dos Reis expressa sua visão diante da escravidão negra no Brasil, a exemplo do seguinte fragmento:

    “Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio, e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado.”

    REIS, M. F. dos. A Escrava (conto). In: Literafro, 2001. Disponível em:http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/24-textos-das-autoras/977-maria-firmina-dos-reis-a-escrava. Adaptado.


    Uma das principais características do trabalho escravo, criticamente denunciado no fragmento acima, é

    Escolha uma alternativa para a questão 649cbb2e-b0
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Analise a imagem a seguir para responder à questão. 


    Imagem da questão de Geografia, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Relevo


    https://www.meteorologiaenred.com/wp-content/uploads/2021/11/meandro-del-amazonas-1024x682.png


    A paisagem geomorfológica retratada na imagem reporta-se a uma área de 

    Escolha uma alternativa para a questão 648c5460-b0
  • Ciências Humanas

    Geografia

    A charge ilustra um problema causado ao ambiente pelas atividades humanas que atuam diretamente sobre a dinâmica atmosférica da Terra.


    Imagem da questão de Geografia, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Meio Ambiente na Geografia


     O problema causado e a ação na atmosfera são, respectivamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 648423f7-b0
  • Ciências Humanas

    Geografia

    A charge faz referência à crise energética de 2021, que elevou os valores do quilowatt balizados por bandeiras de cores que passaram ao patamar mais elevado, o vermelho.

    Naquele momento, os reservatórios das usinas hidrelétricas estavam em níveis baixíssimos, mesmo sem aumento do consumo de energia elétrica, já que o país passava por retração do mercado, aumento da inflação e diminuição da produção por causa da pandemia causada pelo Sars-Cov-2. 


    Imagem da questão de Geografia, Universidade Estadual do Maranhão 2022, Energia

    https://web.facebook.com/guilhermecerveira


    A crise retratada na charge tem como justificativa as seguintes causas:

    Escolha uma alternativa para a questão 64817864-b0
  • Ciências Humanas

    História

    A personagem central de A Escrava é uma mulher escravizada que sofre pela perda de seus filhos, retirados à força de sua companhia e vendidos para outra província, prática conhecida como tráfico interprovincial. Esse sofrimento materno, associado aos maus tratos decorrentes do cotidiano do cativeiro, resultou na fuga da escrava e, em seguida, na sua morte.

    O trecho selecionado é um diálogo fictício do referido conto e trata de um direito adquirido pelos escravos com a Lei n. 2040, de 1871, também conhecida como a lei do Ventre Livre.


    — Sim, minha cara senhora, redarguiu, terminando a leitura: o direito de propriedade, conferido outrora por lei a nossos avós, hoje nada mais é que uma burla...

    A lei retrogradou. Hoje protege-se escandalosamente o escravo, contra seu senhor; hoje qualquer indivíduo diz a um juiz de órfãos:

    — Em troca desta quantia exijo a liberdade do escravo fulano – haja ou não aprovação do seu senhor.

    REIS, Maria Firmina. A Escrava. In. MORAIS FILHO, Nascimento. Maria Firmina: fragmentos de uma vida. São Luís, s/e, 1975.


    Pode-se afirmar a respeito das mudanças dessa lei abolicionista que 

    Escolha uma alternativa para a questão 6473dd07-b0
  • Linguagens

    Inglês

    Low-Context Versus High-Context Cultures


        If you have traveled much, perhaps you have noticed that people in various parts of the world differ in how direct and explicit their language is. You may have spent time in both low- and high-context cultures in your travels, with context here referring to the broad range of factors surrounding every act of communication.

        In a low-context culture, people are expected to be direct and to say what they mean. Individuals in lowcontext cultures prefer precise, concrete language for sending and receiving messages, and are unlikely to rely on the context of a message to determine its meaning. The United States is an example of a low-context society, as are Canada, Israel, and most northern European countries.

        In contrast, people in a high-context culture — such as Korea and the cultures of Native Americans and the Maori of New Zealand — are taught to speak in a much less direct way. In such cultures, maintaining harmony and avoiding offense are more important than expressing true feelings. Speech is more ambiguous and people convey much more of their meaning through subtle behaviors and contextual cues, such as their facial expressions and tone of voice.

        The difference between low-context and high-context cultures is evident in the ways in which people handle criticism and disagreement. In a low-context culture, a supervisor might reprimand an irresponsible employee openly, to make an example of the individual. The supervisor would probably be direct and explicit about the employee’s shortcomings, the company’s expectations for improvement, and the consequences of the employee’s failing to meet those expectations.

        In a high-context culture, however, the supervisor probably wouldn’t reprimand the employee publicly for fear that it would put the employee to shame and cause the worker to “lose face.” Criticism in high-context cultures is more likely to take place in private. The supervisor would also likely use more ambiguous language to convey what the employee was doing wrong, “talking around” the issue instead of confronting it directly. To reprimand an employee for repeated absences, for example, a supervisor might point out that responsibility to coworkers is important and that letting down the team would be cause for shame. The supervisor may never actually say that the employee needs to improve his or her attendance record. Instead, the employee would be expected to understand that message by listening to what the supervisor says and paying attention to the supervisor’s body language, tone of voice, and facial expressions.

        When people from low- and high-context cultures communicate with one another, the potential for misunderstanding is great. To appreciate that point, imagine that you’ve asked two of your friends to meet you tomorrow evening for a coffee tasting at a popular bookstore cafe. Tina, an American, says, “No, I’ve got a lot of studying to do, but thanks anyway.” Lee, who grew up in South Korea, nods his head and says, “That sounds like fun.” Thus, you’re surprised later when Lee doesn’t show up.

        How can you account for those different behaviors? The answer is that people raised in a high-context culture (such as that of South Korea) are often reluctant to say no—even when they mean no—for fear of causing offense. Another person raised in the South Korean culture might have understood from Lee’s facial expression or tone of voice that he didn’t intend to go to the coffee tasting. If you, like Tina, grew up in a low-context society, however, then you probably interpreted his answer and his nods to mean he was accepting your invitation.


    Referência Bibliográfica FLOYD, KORY. Communication Matters. New York: McGraw-Hill Education. 2018.


    The traits of a person who’s grown up in a low-context culture country is

    Escolha uma alternativa para a questão 646e7c0a-b0
  • Linguagens

    Português

    TEXTO I

     Por qualquer modo que encaremos a escravidão, ela é, e sempre será um grande mal. Dela a decadência do comércio; porque o comércio, e a lavoura caminham de mãos dadas, e o escravo não pode fazer florescer a lavoura; porque o seu trabalho é forçado. Ele não tem futuro; o seu trabalho não é indenizado; ainda dela nos vem o opróbrio, a vergonha; porque de fronte altiva e desassombrada não podemos encarar as nações
    livres; por isso que o estigma da escravidão, pelo cruzamento das raças, estampa-se na fronte de todos nós. Embalde procurará um dentro nós convencer ao estrangeiro que em suas veias não gira uma só gota de sangue escravo...
     E depois, o caráter que nos imprime, e nos envergonha!
     O escravo é olhado por todos como vítima – e o é.

    REIS, Maria Firmina dos. A escrava. <https://www.letras.ufmg.br/literafro


    TEXTO II

    E Lentz via por toda parte o homem branco apossando-se resolutamente da terra e expulsando definitivamente o homem moreno que ali se gerara. E Lentz sorria com orgulho na perspectiva da vitória e do domínio de sua raça. Um desdém pelo mulato, em que ele exprimia o seu desprezo pela languidez, pela fatuidade e fragilidade deste, turvou-lhe a visão radiosa que a natureza do país lhe imprimira no espírito. Tudo nele era agora um sonho de grandeza e triunfo...

    ARANHA, Graça (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.
    Em relação à coesão textual dos textos I e II, é correto afirmar que, no texto
    Escolha uma alternativa para a questão 64612c85-b0
  • Linguagens

    Português

        Custou a ir à cidade: quando foi demorou-se algumas semanas, e quando chegou, entregou a meu pai uma folha de papel escrita, dizendo-lhe:

        – Toma, e guarda, com cuidado, é a carta de liberdade de Joana. Meu pai não sabia ler, de agradecido beijou as mãos daquela fera. Abraçou-me, chorou de alegria, e guardou a suposta carta de liberdade.

        Então furtivamente eu comecei a aprender a ler, com um escravo mulato, e a viver com alguma liberdade.

        Isso durou dois anos. Meu pai morreu de repente, e, no dia imediato, meu senhor disse a minha mãe:

        – Joana que vá para o serviço, tem já sete anos, e eu não admito escrava vadia.

        Minha mãe, surpresa e confundida, cumpriu a ordem sem articular uma palavra.

        Nunca a meu pai passou pela ideia, que aquela suposta carta de liberdade era uma fraude; nunca deu a ler a ninguém; mas, minha mãe, à vista do rigor de semelhante ordem, tomou o papel, e deu-o a ler, àquele que me dava as lições. Ah! Eram umas quatro palavras sem nexo, sem assinatura, sem data! Eu também a li, quando caiu das mãos do mulato. Minha pobre mãe deu um grito, e caiu estrebuchando.


    Reis, Maria Firmina dos, 1825-1917. Úrsula e outras obras [recurso eletrônico] / Maria Firmina dos Reis. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2018. – (Série prazer de ler; n. 11 e-book).


    Os discursos sexista e escravocrata, manifestações da sociedade patriarcal, denunciadas por Maria Firmina, em A Escrava, se fazem representados no trecho

    Escolha uma alternativa para a questão 645c014a-b0
  • Linguagens

    Português

    [...] E os dois imigrantes, no silêncio dos caminhos, unidos enfim numa mesma comunhão de esperança e admiração, puseram-se a louvar a Terra de Canaã.

    Eles disseram que ela era formosa com os seus trajes magníficos, vestida de sol, coberta com o manto do voluptuoso e infinito azul; que era amimada pelas coisas; sobre o seu colo águas dos rios fazem voltas e outras enlaçam-lhe a cintura desejada; [...]

    Eles disseram que ela era opulenta, porque no seu bojo fantástico guarda a riqueza inumerável, o ouro puro e a pedra iluminada; porque os seus rebanhos fartam as suas nações e o fruto das suas árvores consola o amargor da existência; porque um só grão das suas areias fecundas fertilizaria o mundo inteiro e apagaria para sempre a miséria e a fome entre os homens. Oh! poderosa!...

    Eles disseram que ela, amorosa, enfraquece o sol com as suas sombras; para o orvalho da noite fria tem o calor da pele aquecida, e os homens encontram nela, tão meiga e consoladora, o esquecimento instantâneo da agonia eterna...

    Eles disseram que ela era feliz entre as outras, porque era a mãe abastada, a casa de ouro, a providência dos filhos despreocupados, que a não enjeitam por outra, não deixam as suas vestes protetoras e a recompensam com o gesto perpetuamente infantil e carinhoso, e cantam-lhe hinos saídos de um peito alegre...

    Eles disseram que ela era generosa, porque distribui os seus dons preciosos aos que deles têm desejo; a sua porta não se fecha, as suas riquezas não têm dono; não é perturbada pela ambição e pelo orgulho; os seus olhos suaves e divinos não distinguem as separações miseráveis; o seu seio maternal se abre a todos como um farto e tépido agasalho... Oh! esperança nossa!

    Eles disseram esses e outros louvores e caminharam dentro da luz...


    ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    A presença constante da repetição de termos e de expressões no início do parágrafo é conhecida como anáfora.

    O uso da anáfora – Eles disseram – , no contexto, expressa tom 

    Escolha uma alternativa para a questão 64540388-b0
  • Linguagens

    Português

    O estrangeiro apertou a mão calosa e áspera do velho, que abriu os lábios numa rude expressão de riso, mostrando as gengivas roxas e desdentadas. A cafuza não se mexeu; apenas, mudando vagarosamente o olhar, descansou-o, cheio de preguiça e desalento, no rosto do viajante. A criança acolheu-se a ela, boquiaberta, com a baba a escorrer dos beiços túmidos.

    [...]

    — Mora aqui há muito tempo? perguntou Milkau.

    — Fui nascido e criado nessas bandas, sinhô moço... Ali perto do Mangaraí.

    — E, tateando o espaço, estendia a mão para o outro lado do rio. — Não vê um casarão lá no fundo? Foi ali que me fiz homem, na fazenda do Capitão Matos, defunto meu sinhô, que Deus haja!

    O estrangeiro, acompanhando o gesto, apenas divisava ao longe um amontoado de ruínas que interrompia a verdura da mata.

    E a conversa foi continuando por uma série de perguntas de Milkau sobre a vida passada daquela região, às quais o velho respondia gostoso, por ter ocasião de relembrar os tempos de outrora, sentindo-se incapaz, como todos os humildes e primitivos, de tomar a iniciativa dos assuntos.

    [...]

    — Ah, tudo isto, meu sinhô moço, se acabou... Cadê fazenda? Defunto meu sinhô morreu, filho dele foi vivendo até que governo tirou os escravos. Tudo debandou. Patrão se mudou com a família para Vitória, onde tem seu emprego; meus parceiros furaram esse mato grande e cada um levantou casa aqui e acolá, onde bem quiseram. Eu com minha gente vim para cá, para essas terras do seu coronel. Tempo hoje anda triste. Governo acabou com as fazendas, e nos pôs todos no olho do mundo, a caçar de comer, a comprar de vestir, a trabalhar como boi para viver. Ah! tempo bom de fazenda!

    [...]

    — Mas, meu amigo — disse Milkau

    —, você aqui ao menos está no que é seu, tem sua casa, sua terra, é dono de si mesmo.

    — Qual terra, qual nada... Rancho é do marido de minha filha, que está aí sentada, terra é de seu coronel, arrendada por dez mil-réis por ano. Hoje em dia tudo aqui é de estrangeiro, Governo não faz nada por brasileiro, só pune por alemão... ARANHA, G. (1868-1931). Canaã. 3 ed. São Paulo: Martins Claret, 2013.

    Dentre os trechos extraídos do diálogo dos personagens, indique aquele em que predomina a intenção crítica do autor acerca da política da época. 

    Escolha uma alternativa para a questão 6446913e-b0
  • Linguagens

    Português

    O (não) lugar do “pardo”

         Lá no fim do século XIX e no começo do XX, o Brasil passava pelo dilema que todas as nações modernas enfrentaram (e, de certa maneira, ainda enfrentam): como criar uma identidade nacional que justifique e mantenha o Estado?

         Notem que eu ouso criar, porque é bem isso mesmo, inventar uma história que servisse aos interesses da elite dominante e homogeneizasse a população brasileira. Ora, essa população era formada, principalmente, por pretos escravos ou ex-escravos, indígenas perseguidos e uma parcela de gente branca. No centro da discussão estava: quem seria o cidadão brasileiro.

         Houve quem defendesse a educação para o trabalho: ensinar os pretos amolecidos e degenerados pela escravidão (faz me rir) a trabalhar resignado. Teve aqueles que achavam que a inferioridade dos pretos era tão grande que não adiantava educar nem nada, era melhor expulsar ou deixar morrer. O Brasil, em seus debates sobre a nação e seus cidadãos, bebeu muito das teorias racialistas que estavam em voga na Europa e sendo amplamente utilizadas para justificar a colonização na África depois de séculos e séculos de saque humano. [...]

        Daí surge o pardo como a gente conhece hoje. O pardo não é raça, não é povo, não é cidadão brasileiro. Ele é o estágio transitório entre a base da pirâmide (os negros) e o topo (os brancos). Não é branco, ainda não chegou no estágio sublime de branquitude que garante o direito à vida, oportunidades e cidadania, mas é prova viva da boa vontade e do esforço de se embranquecer tão valorizado por uma elite branca que, desde sempre, morre de medo dos pretos fazerem daqui o Haiti.

         Como fala Foucault, o poder, no estado moderno, não é negativo, ele é normatizador. Ou seja, estabelece normas de conduta, estéticas, discursivas, e beneficia aqueles que fazem o jogo. No caso do Brasil, o jogo da branquitude. Quanto mais branco você tentar ser, seja usando intervenções estéticas ou compartilhando o discurso político e social, mais “tolerável” você vai ser. Nisso, nós que somos claros, temos uma vantagem: o branqueamento estético é mais alcançável para nós. Mas nada disso garante que você vai passar de boa em uma sociedade racialmente hierarquizada, o embranquecimento é, sobretudo, uma mutilação. E pra quem ainda tem dúvidas, mutilação é sempre ruim ok? Não tem gradação de violência e mutilação. [...]


    https://medium.com/@isabelapsena/o-n%C3%A3o-lugar-do-pardo 

    Dos fragmentos a seguir, a palavra sublinhada cuja relação morfossintática difere das demais é
    Escolha uma alternativa para a questão 6440fd64-b0
  • Ciências da Natureza

    Química

    O fenômeno da alotropia ocorre para boa parte dos elementos químicos, a exemplo de carbono, de fósforo, de oxigênio e de enxofre. Esse - o enxofre - é o que apresenta uma maior variedade que pode ser encontrada na natureza. Como se sabe, as formas mais conhecidas para o enxofre são S2, S4, S6 e S8.

    A variedade alotrópica do S ocorre quando são apresentadas substâncias de 
    Escolha uma alternativa para a questão 04732c17-b3
  • Ciências Humanas

    Sociologia

    Leia a charge a seguir.

    Imagem da questão de Sociologia, Universidade Estadual do Maranhão 2021, Estratificação e desigualdade social 

    https://www.revistacontinente.com.br/edicoes/184/humor-grafico-em-questao

    Analise as assertivas quanto aos preconceitos exteriorizados na charge.

    I) opinião fixamente formada sobre uma pessoa, grupo ou cultura, sem levar em conta os fatos que a contestam, sendo um julgamento prévio baseado em estereótipos depreciativos.
    II) classificação dos seres humanos conforme suas características físicas, econômicas e sociais, destacando negativamente aqueles que se apresentam mais próximos aos padrões impostos pela sociedade.
    III) generalização das diferenças individuais, visando à construção de uma identidade coletiva homogeneizadora, pautada em caracteres representativos das maiorias sociais.
    IV) naturalização de estigmas construídos socialmente, difundidos nos processos de socialização, sendo interiorizados, enraizados e repetidos de forma acrítica por aqueles que se acham superiores.

    Estão corretas, apenas, as assertivas
    Escolha uma alternativa para a questão 044d34ee-b3
  • Ciências Humanas

    Sociologia

    Analise a seguinte imagem sobre desigualdade de gênero e mercado de trabalho.  

    Imagem da questão de Sociologia, Universidade Estadual do Maranhão 2021, Desigualdade social no Brasil 

    https://www.facebook.com/vivirconinteligenciaemocional/photos/meritocracia-y-punto-de-partida/2141736749218531

    O problema social evidenciado na charge é explicado pelo conceito sociológico de
    Escolha uma alternativa para a questão 044ab180-b3
  • Ciências Humanas

    Sociologia

    No Brasil, os direitos humanos são garantidos na Constituição Federal de 1988, o que pode ser considerado um grande avanço jurídico, já que o país conta com uma história marcada por episódios de graves desrespeitos a esses direitos, sobretudo no período do Regime Militar.

    A mais recente constituição garante os direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais dos nossos cidadãos. Essas garantias aparecem, por exemplo, logo no primeiro artigo, onde é estabelecido o princípio da cidadania, da dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho. Já, no artigo 5º, é estabelecido o direito à vida, à privacidade, à igualdade, à liberdade e a outros importantes direitos fundamentais, sejam eles individuais ou coletivos.

    https://www.politize.com.br/direitos-humanos-no-brasil/

    Ter legitimidade de direitos não significa ter ausência de conflitos sociais. Entre os regimes políticos, aquele que considera o conflito social como legítimo é conhecido como
    Escolha uma alternativa para a questão 04482209-b3
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Compare as informações dos textos I e II, para responder à questão.

    TEXTO I

    Entre analistas ouvidos, a avaliação é de que os programas do governo para manutenção da renda e do emprego devido à crise sanitária provocada pela COVID 19, doença causada pela nova severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS - CoV-2) tiveram impacto positivo na economia. Com especial destaque para o auxílio emergencial, tais medidas foram decisivas ao sustentarem a demanda dos consumidores, garantindo a recuperação parcial dos segmentos da indústria, do comércio e dos serviços. Esse último é o que inspira maior preocupação, sobretudo pela participação de 75,8% no PIB brasileiro. Entre março e junho de 2020, o setor acumulou queda de 14,5% no volume de receitas, segundo o IBGE. O resultado de junho, uma alta de 5% na comparação com maio, representa o primeiro crescimento após quatro retrações mensais consecutivas. Em fevereiro de 2020, mesmo fora da pandemia, houve recuo de 1%. 

    Carta Capital, 2020.

    Para além das mudanças de renda, a PNAD Covid de julho de 2020 afere alguns comportamentos em relação à pandemia nos diferentes estratos econômicos e sociais no Brasil, conforme texto II. 

    TEXTO II

    População com renda domiciliar per capita por classes agregadas de salário-mínimo até julho de 2020.

    Imagem da questão de Geografia, Universidade Estadual do Maranhão 2021, Geografia Cultural 
    FGV Social, 2020.

    https://cps.fgv.br/destaques/fgv-social-lanca-o-estudo-qual-foi-o-impacto-imediato-da-pandemia-do-covid-sobre-classes;
    https://www.cartacapital.com.br/economia/auxilio-emergencial-reduz-impacto-da-pandemia-na-economia/

    Comparando a população com renda domiciliar per capita entre 2012, 2019 e 2020, de acordo com o texto II, o impacto do auxílio emergencial no Brasil causou
    Escolha uma alternativa para a questão 043dac20-b3