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Instituição

Questões: Universidade de Pernambuco — com gabarito

399 questões de Universidade de Pernambuco, de 2016 a 2021. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 399 questões
  • 3 provas

Resultados: 399 questões

Página 20 de 20

  • Observe a imagem ao lado:

    Palestinos fazem fila para receber comida no campo de refugiados de Yarmouk, na Síria, que foi atacada pela facção Estado Islâmico.
    Fonte: adaptado de htto://www1.folha.uol.com.br, 2015.
    Imagem da questão de Atualidades, Universidade de Pernambuco 2016, Guerras, Conflitos e Terrorismo na Atualidade
    A condição nela apresentada corresponde
    Escolha uma alternativa para a questão 4fc69c74-fa
  • Em 1971, Tonico e Tinoco elogiaram os militares, cantando os versos “um governo varonil/vamos pra frente Brasil”. Zezé di Camargo acusava os sertanejos universitários de “mentira marqueteira”, mas depois afirmou que não há diferença entre seu estilo e o deles. Nelson Pereira dos Santos, pai do Cinema Novo, dirigiu um filme sobre Milionário & José Rico. O sertanejo Dalvan teve papel importante na primeira eleição de Lula como deputado federal. Leandro, Leonardo e Sula Miranda apoiaram Collor quando a sociedade brasileira pedia seu impeachment.

    ALONSO, Gustavo. Cowboys do asfalto. Música sertaneja e modernização brasileira. Rio de Janeiro: Record, 2015.

    O final do texto se remete a um período da história recente do Brasil em que a música sertaneja ficou marcada pela
    Escolha uma alternativa para a questão 4fb9f872-fa
  • O esporte mais popular do Brasil e da Alemanha foi trazido por estrangeiros e para a diversão de uma elite branca, de classe média alta e urbana. Ao contrário do atletismo, da natação, da ginástica coletiva, das corridas de cavalo ou do remo (esportes de sucesso na época), o futebol era apenas um entretenimento dos finais de semana ou campeonatos restritos para alegrar e exercitar amadores.


    SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. As origens do futebol na Alemanha. In: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/jogada/as-origens-do-futebol-na-alemanha-i-1.185334


    Em ambos os países, a prática desse esporte popular nos anos 1920 teve como principal característica social a
    Escolha uma alternativa para a questão 4faa3c15-fa
  • Ciências da Natureza

    Física

    Nas questões com respostas numéricas, considere o módulo da aceleração da gravidade como g = 10,0 m/s2 , o módulo da carga do elétron como e = 1,6 x 10-19C, o módulo da velocidade da luz como c = 3,0 x 108 m/s e utilize π = 3.
    Um corpo negro tem um pico de emissão em uma temperatura cujo comprimento de onda de sua radiação vale 9000 Å. Nessa temperatura, a radiação que emerge desse corpo não produz efeito fotoelétrico em uma placa metálica. Aumentando a temperatura do corpo negro, sua radiação emitida aumenta 81 vezes, causando efeito fotoelétrico na placa para o comprimento de onda de pico dessa nova temperatura. A energia necessária para frear esses fotoelétrons emitidos é equivalente à diferença de energia dos níveis n = 2 e n = 3 do átomo de hidrogênio de Bohr. Sabendo-se que a Lei de Wien relaciona o comprimento de onda de pico de emissão com a temperatura do corpo negro na forma λT = constante, é CORRETO afirmar que a função trabalho do metal vale aproximadamente

    Dados: energia do átomo de hidrogênio de Bohr no estado fundamental = -13,6 eV, constante de Planck = 4,14 x 10-15 eVs, 1 eV = 1,6 x 10-19 J.
    Escolha uma alternativa para a questão 4fa1c034-fa
  • Ciências da Natureza

    Física

    Nas questões com respostas numéricas, considere o módulo da aceleração da gravidade como g = 10,0 m/s2 , o módulo da carga do elétron como e = 1,6 x 10-19C, o módulo da velocidade da luz como c = 3,0 x 108 m/s e utilize π = 3.
    A sonda caçadora de exoplanetas Kepler encontrou aquele que talvez seja o corpo celeste mais parecido com a Terra. A Nasa anunciou, nesta quinta-feira (23), a descoberta de Kepler-452b, um exoplaneta encontrado dentro de uma zona habitável de seu sistema solar, ou seja, uma região onde é possível que exista água no estado líquido. A semelhança com nosso planeta é tão grande que os pesquisadores chamaram o Kepler-452b de Terra 2.0. O Kepler-452b é cerca de 60% maior que a Terra e precisa de 385 dias para completar uma órbita ao redor de sua estrela, a Kepler 452. E essa estrela hospedeira é muito parecida com nosso Sol: tem quase o mesmo tamanho, temperatura e emite apenas 20% mais luz. Localizado na constelação Cygnus, o sistema solar da Terra 2.0 está a 1 400 anos-luz distante do nosso.

    Fonte: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/terra-2-0-nasa-anuncia-descoberta-historica-de-planeta-quase-identico-ao-nosso, acessado em: 14 de julho de 2016.

    Supondo-se que, a fim de investigar mais de perto o Kepler-452b, uma sonda tenha sido enviada da Terra por uma equipe da Nasa, com uma velocidade igual a (3)1/2c/2. Quando o relógio instalado na sonda marcar 28 anos de viagem, quanto tempo terá se passado para a equipe na Terra?
    Escolha uma alternativa para a questão 4f8ee21c-fa
  • Ciências da Natureza

    Química

    A água de coco se torna imprópria para o consumo poucos dias após ser retirada do fruto. Sua exposição ao ar atmosférico permite a ação de microrganismos e, principalmente, de espécies químicas, que desencadeiam uma série de reações, como o escurecimento, alterações no valor nutritivo, na aparência e no sabor. Por isso, para se evitar esse tipo de ação, essas espécies são removidas da solução, por métodos térmicos ou outra técnica, seguida por microfiltrações.

    Que espécies químicas causam esse problema na água de coco?
    Escolha uma alternativa para a questão 4f79fcca-fa
  • Ciências da Natureza

    Química

    Uma cientista da Universidade de Ohio nos Estados Unidos desenvolveu um sistema para transformar urina em combustível. A premissa parece simples e se baseia na decomposição da amônia e da ureia. A imersão de um eletrodo no líquido e a aplicação de uma corrente suave no sistema produzem uma substância que pode ser usada para alimentar uma célula de combustível.

    Adaptado de: http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/bbc/2016/06/12/ (Acesso em: 20/06/2016)

    A seguir, são feitas algumas afirmações sobre possíveis vantagens do sistema.

    I. O gás nitrogênio produzido nessa eletrólise é um combustível menos poluente que o hidrogênio.
    II. A ureia é decomposta em amônia que é vaporizada no sistema, antes de seguir para alimentar uma célula onde o gás é utilizado como combustível.
    III. A energia fornecida para a produção do combustível pode ser menor que a utilizada na eletrólise da água, pois as ligações entre os átomos de hidrogênio e nitrogênio são mais fracas que as ligações entre os átomos da água.

    Está CORRETO o que se afirma, apenas, em
    Escolha uma alternativa para a questão 4f648c36-fa
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Leia o texto a seguir:

    Um estudo realizado por pesquisadores do Projeto Conservação Recifal, de Pernambuco, revelou que os habitats artificiais estuarinos, como ancoradouros e pontes, abrigam diferentes populações de peixes em comparação com habitats naturais, como raízes de mangues, localizadas no mesmo estuário. Além disso, a estrutura trófica das comunidades de peixes nos habitats artificiais estuarinos se assemelha aos recifes de coral adjacentes, em mar aberto. Raízes de mangue eram habitadas principalmente por carnívoros juvenis, enquanto o habitat artificial era, em sua maioria, habitada por comedores de invertebrados sésseis e herbívoros errantes.

    Sobre ele, assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 4f61d515-fa
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Observe o texto e a figura a seguir:


    Para a formação dos músculos esqueléticos, é necessária a ativação, proliferação e diferenciação de linhagens de células miogênicas. Esses três processos dependem da expressão e atividade de genes, conhecidos como fatores de regulação miogênica (MRFs), responsáveis por transformar células não musculares em musculares. Os MRFs (MyoD, Miogenina, Myf5 e o MRF4) são produzidos por genes reguladores, que funcionam como fatores de transcrição e que inibem ou ativam os demais genes da via de diferenciação. A miostatina, proteína codificada pelo gene MSTN, é a principal responsável pela inibição da hiperplasia muscular nos animais adultos. Quando a miostatina não é expressa (ver figura), Pax3 e MyoD continuam atuando e promovem a miogênese, cujo resultado, principalmente em bovinos, é um fenótipo denominado “dupla musculatura”. A ausência de expressão dessa proteína ocorre, especialmente, quando há uma mutação em seu gene.


    Imagem da questão de Biologia, Universidade de Pernambuco 2016, Hereditariedade e diversidade da vida


    Sobre esse contexto, é CORRETO afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão 4f42faef-fa
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Leia o texto a seguir sobre a Filosofia e a Ética.

    Imagem da questão de Filosofia, Universidade de Pernambuco 2016, Filosofia e a Grécia Antiga

    Toda a obra de Platão tem um profundo sentido ético. Três poderiam ser os eixos centrais, que comandam a ética platônica: primeiro, a justiça na ordem individual e social; segundo, a transcendência do Bem; terceiro, as virtudes humanas e a ordem política presididas pela justiça.

    PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 25-26. (Adaptado).

    O autor acima demarca alguns pontos singulares dos temas centrais da ética de Platão. Sobre esse assunto, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão a6590c5a-b2
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Sobre o tema Paradigma da Modernidade, analise o texto a seguir:

    Imagem da questão de Filosofia, Universidade de Pernambuco 2016, O Sujeito Moderno

    Os trabalhos de Galileu e Descartes significam, para além de um simples progresso do conhecimento, uma radical mudança de perspectiva sobre o homem e o mundo: passamos da noção de um Cosmos hierarquizado de regiões distintas à de um Universo infinito e homogêneo, no qual a ciência, no sentido moderno, se manifesta.

    JAPIASSU, Hilton. Como Nasceu a Ciência Moderna. Rio de Janeiro: Imago, p. 11, 2007.

    O autor retrata alguns tópicos sobre as mudanças no âmbito da Ciência Moderna. Com relação a essa temática, é CORRETO afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão a6463361-b2
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Leia o texto a seguir sobre o Pensamento Ético-político:

    O que enaltece e enobrece a política de Platão é que ela, no fundo, quer uma só coisa: uma sociedade e um cidadão justos, ou seja, a harmonia social alcançada pela perfeição moral dos cidadãos. É evidente que até hoje lutamos para realizar essas metas, não mais no restrito âmbito de uma polis grega, mas no mundo globalizado.

    PEGORARO, Olinto. Ética dos maiores mestres através da história. Petrópolis: Vozes, 2006, p. 35.

    Na citação acima, o autor retrata a significância do pensamento ético-político como fundamento para uma sociedade justa. Essa linha de pensamento expressa que
    Escolha uma alternativa para a questão a64330a9-b2
  • Matemática

    Matemática

    A parábola, representada na figura ao lado, é o esboço do gráfico de uma função quadrática f(x) = ax² + bx + c. Se a parábola y = 2 – f(x+3) tem vértice V = (p, q) e intersecta o eixo y no ponto P = (0, r), qual é o valor (p – q)/r?

    Imagem da questão de Matemática, Universidade de Pernambuco 2016, Função de 2º Grau ou Função Quadrática e Inequações
    Escolha uma alternativa para a questão a617502b-b2
  • Linguagens

    Português

    Texto 3

    Retrato de Novembro

    I
    Os trabalhadores protestam na rua,
    Excelência.
    Não me incomodam!
    Como?!
    Não vou sair para essas bandas!
    Querem avistar-se com Vossa Excelência.
    Não os conheço!
    Já estão a fazer barulho.
    Manda-os embora!
    Não abalam.
    Manda-os calar!

    Não nos escutam, Excelência.
    Bom, somos um país livre!
    Mas a gritaria vai-nos incomodar.
    Fecha as portas e as janelas!
    Mesmo assim os ouviremos.
    Tapa os ouvidos!
    Também não resulta, Excelência.
    Então, ignora-os!
    Como?!
    Finge que não existem!
    Vai ser difícil, Excelência.
    Mas não impossível!
    II
    E os massacres no Alentejo, Excelência?
    Oh nada de extraordinário a assinalar
    Senão os coveiros já teriam reclamado
    Horas suplementares!

    (Mário de Andrade)


    Texto 4

    Alerta

    Lá vem o lança-chamas
    Pega a garrafa de gasolina
    Atira
    Eles querem matar todo amor
    Corromper o polo
    Estancar a sede que eu tenho doutro ser
    Vem de flanco, de lado
    Por cima, por trás
    Atira
    Atira
    Resiste
    Defende
    De pé
    De pé
    De pé
    O futuro será de toda a humanidade
    (Oswald de Andrade)
    Acerca dos Textos 3 e 4, bem como dos seus autores e do contexto histórico e literário em que estão inscritos, analise as seguintes proposições.

    I. O Texto 3 é um poema em que o autor se revela comprometido com as causas sociais de seu tempo, e em que um eu lírico questionador faz vir à tona imagens da indiferença de quem está no poder, subjugando o oprimido.
    II. Mário de Andrade foi o autor de Macunaíma, cujo protagonista é um “herói sem nenhum caráter”, uma espécie de mito grego, nascido na selva amazônica que vai até São Paulo, em busca de um valioso talismã. Sobre o nascimento desse mito, confira o seguinte trecho: “No fundo do matovirgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite”.
    III. O Texto 4 é um poema, cujo eu lírico é um revolucionário, em luta por sua liberdade. A sua causa, isto é, o seu ideal, é a humanidade.
    IV.Para Oswald de Andrade, no seu Manifesto da Poesia Pau-brasil, “a poesia existe nos fatos”. Isso faz entender que ele conseguiu reunir, na sua poesia e na sua prosa, elementos para um olhar crítico sobre a realidade brasileira.

    Estão CORRETAS:
    Escolha uma alternativa para a questão a5e5ee68-b2
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, Universidade de Pernambuco 2016, Coesão e coerência

    O início do século XX, compreendido entre 1902 a 1922, foi muito significativo para a fase de transição da literatura brasileira. As Vanguardas Europeias e a Semana de 1922 representaram mudanças importantíssimas no fazer artístico e literário, no Brasil. Acerca desse período, analise as proposições a seguir e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas.

    ( ) O ano de 1902, marcado pela publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi decisivo para a liberdade intelectual brasileira. Essa obra foi importante porque lançou, de um só golpe, a realidade brasileira até então disfarçada. Isso mantinha os escritores da época presos à visão europeia, em razão de sentimentos de inferioridade, motivados pelo status colonial vivenciado.
    ( ) O Futurismo, um dos movimentos de vanguarda, foi lançado por Marinetti. Tal movimento estético caracterizou-se mais por manifestos que por obras; assim, os futuristas exaltavam a vida moderna, cultuavam a máquina e a velocidade.
    ( ) Os romances de Lima Barreto têm muito de crônica, pois neles se encontram cenas do cotidiano, de jornal, sobre a vida burocrática, tudo numa linguagem fluente e sem muitas ambições. Isso pode ser percebido no seguinte trecho de sua obra Recordações do Escrivão Isaías Caminha: “Almocei, saí até à cidade próxima para fazer as minhas despedidas, jantei e, sempre, aquela visão doutoral que me não deixava”.
    ( ) Augusto dos Anjos é um poeta eloquente; assim, encontram-se, em sua obra, palavras do jargão científico e termos técnicos, que não podem ser ignorados, porque tais palavras fazem parte do contexto de produção do poeta. Pode-se conferir isso no seguinte trecho de seu poema A ideia: “Vem do encéfalo absconso que a constringe, / Chega em seguida às cordas do laringe, / Tísica, tênue, mínima, raquítica ...”
    ( ) A Semana de 22 ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. A ideia da Semana era a de destruir, escandalizar e, especialmente, criticar. Acerca dessa postura, Aníbal Machado diz a seguinte frase: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”.

    A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
    Escolha uma alternativa para a questão a5e2a3bf-b2
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    Quanto aos aspectos semânticos do vocabulário empregado no Texto 1, assinale a alternativa que identifica CORRETAMENTE o efeito de sentido obtido com o uso do termo destacado.
    Escolha uma alternativa para a questão a5d28f3d-b2
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    O autor do Texto 1 traz vários argumentos para a defesa de seus pontos de vista. Assinale a alternativa que sintetiza CORRETAMENTE um desses argumentos.
    Escolha uma alternativa para a questão a5cc0e50-b2
  • Linguagens

    Português

    Texto 1

    COMPREENDER O BRASIL É DIFÍCIL, MAS NÃO IMPOSSÍVEL

         Ouvimos muitos comentários de analistas sociais e também do senso comum (sobretudo) de que o grande mal do Brasil é o “jeitinho brasileiro”, que é atrelado à corrupção. Pois bem, a observação não é de todo errada, mas esconde outro truísmo aparente. Os males do Brasil enquanto nação e enquanto Estado assentam-se em dois pilares: o genocídio indígena e a escravidão africana.
         Advém daí o machismo e a cultura do estupro: as índias foram as primeiras a serem violentadas pelo colonizador europeu, o que acabou naturalizando essa abominável prática de invasão do corpo do outro, tempos depois aplicando-se o mesmo “método” no corpo da mulher negra e da mulher branca. Os escravocratas, em uma sociedade patriarcal, tornaram legítima também a decisão sobre o corpo da mulher, inclusive da sua esposa: bela, recatada e do lar, e da sua ama de leite (a mãe preta), cujo leite afro acalentava seu filho branco.
         Advém daí o racismo: o colonizador branco, com a chancela da religião cristã e da ciência, arrogou para si a superioridade racial branca, em detrimento do negro, do indígena e do asiático. Nem o questionável 13 de maio nem o estado democrático de direito superou isso. Isso é reproduzido hoje em nível societário. Quem mais morre nas periferias das cidades brasileiras são negros. Alguém cantou num passado recente “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”.
         Advém daí o paternalismo: transplantamos para nossas relações humanas as antigas relações típicas de senhor escravo, não na acepção nietzschiana (moral do senhor/moral do escravo), mas na acepção eugênica herdada do darwinismo social de Spencer, que hierarquizou as raças, estando essas associadas ao processo civilizatório de aculturação do indígena, método descrito de forma primorosa por Alfredo Bosi em “As flechas do Sagrado”. Os jesuítas arrogaram para si a responsabilidade por “cuidar do indígena”, inculcando no colonizado a dependência contínua na esteira da “benevolência” mal intencionada. Mal sabiam os colonizadores que as etnias também negociavam, como enunciou Eduardo Viveiros de Castro em “A inconstância da alma selvagem”: os tupinambás jamais abriram mão do que lhes era essencial, a guerra.
         Advém daí o genocídio negro: desde 1982 até 2014 foram 1,2 milhões de negros mortos pela polícia nas periferias, dados da Anistia Internacional. O negro de hoje é o escravizado de ontem e o corpo reificado de anteontem. Na imprensa de hoje, a morte de um jovem branco de classe média suscita debates em torno da violência, ao passo que a morte de um negro é mais uma estatística. Do mesmo modo que a violência contra a mulher é naturalizada e contra a mulher negra duas vezes mais, pois aprendemos com a “globeleza” que o corpo negro feminino é o veículo do pecado e que o corpo feminino deve ser submetido à vontade do corpo masculino, estando apto desde sempre a servi-lo.
         Advém daí o genocídio indígena, ainda em curso. Ruralistas e posseiros o fazem à luz do dia no Norte e Centro-Oeste do país. A imprensa fala pouco, o silêncio cemiterial em torno do tema é um crime confesso, típico de quem consente porque se cala.
         Advém daí a corrupção, pois, no processo colonizatório, legitimou-se a prática de que tudo tem seu preço, quando até mesmo o corpo do outro poderia ser negociado, outrora o escravizado, tempos depois o trabalhador fabril, hoje qualquer alma vulnerável ao consumismo em busca de status.
         Resumo da ópera: a corrupção é um subciclo de dois ciclos maiores: genocídio e escravidão. Por isso esses dois temas interessam a todos os brasileiros. Enquanto não encararmos isso, não avançaremos como povo ou como nação.

    Victor Martins. Disponível em: http://www.circulopalmarino.org.br/2016/05/compreender-o-brasil-e-dificil-mas-nao-impossivel. Acesso em: 14/07/16. Adaptado.
    Do ponto de vista temático, o Texto 1 se constrói tendo como foco a abordagem
    Escolha uma alternativa para a questão a5c7f7e3-b2
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Observe a tirinha e assinale a alternativa CORRETA.

    Imagem da questão de Filosofia, Universidade de Pernambuco 2021, A Política
    Escolha uma alternativa para a questão dc69671e-6e