História
- História Geral
- Prova de 2023
- UFPR
- Dificuldade: Muito fácil
- Código da questão: 57C43C0F-9B
Prova
134 questões da prova de 2023 de Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Biologia, História, Física, Sociologia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.
Sobre o bandeirantismo na formação de São Paulo, o historiador John Monteiro afirma que:
Mais do que em qualquer outra instância da história do Brasil, as campanhas do Norte mostraram o lado cruelmente destrutivo da política indigenista em zonas de franca expansão econômica. Não recebendo a esperada recompensa em cativos – como ocorrera nas campanhas do sertão da Bahia –, os paulistas tiveram que medir seu êxito em outros termos. Com o fim de ressarcir-se dos prejuízos, as expedições de apresamento dos paulistas nestes sertões logo assumiram o triste caráter de massacres impiedosos.
MONTEIRO, John. Negros da Terra. Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.95.
Sobre o contexto da exploração indígena no século XVII, é correto afirmar que:
Leia o fragmento abaixo:
Da década de 1930 à década de 1980, os governos latino-americanos implementaram políticas e programas que garantiram às agências estatais um papel fundamental no planejamento e no gerenciamento do crescimento econômico. Na década de 1980, essas políticas e esses programas entraram em seu próprio período de falência e crise. Segundo uma nova geração de economistas e políticos, o crescimento conduzido pelo Estado atingiu seus limites. Ele sobrecarregou as sociedades da região com dívidas pública e privada maciças, burocracias estatais inchadas e empresas estatais, ou subvencionadas pelo Estado, muito ineficientes, o que resultou na estagnação econômica.
ANDREWS, George Reid. América Afro-Latina 1800-2000. São Carlos: Editora da UFSCAR, 2007, p. 227.
Com base na leitura do fragmento, e sobre a implantação das políticas neoliberais nas economias latino-americanas, assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
Na verdade, a política do Ocidente — da URSS às Américas, passando pela Europa — pode ser mais bem entendida não como uma disputa entre Estados, mas como uma guerra civil ideológica internacional. (Como veremos, esta não é a melhor maneira de entender a política da África, da Ásia e do Extremo Oriente, dominados pelo colonialismo — ). E, conforme vimos, as linhas divisórias cruciais nesta guerra civil não foram traçadas entre o capitalismo como tal e a revolução social comunista, mas entre famílias ideológicas: de um lado, os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções, incluindo, claro, a russa; do outro, seus adversários. Em suma, a fronteira passava não entre capitalismo e comunismo, mas entre o que o século XIX teria chamado de "progresso" e a "reação" — só que esses termos já não eram exatamente opostos.
HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995. pp.145-146.
Sobre o contexto analisado pelo autor, assinale a alternativa correta.
Leia o seguinte fragmento:
Afirmou-se várias vezes que a ideologia racial foi uma invenção alemã. Se assim realmente fosse, então o "modo de pensar alemão" teria influenciado uma grande parte do mundo intelectual muito antes que os nazistas se engajassem na malograda tentativa de conquistar o mundo. Pois se o hitlerismo exerceu tão forte atração internacional e intereuropeia durante os anos 30, é porque o racismo, embora promovido a doutrina estatal só na Alemanha, refletia a opinião pública de todos os países. Se a máquina de guerra política dos nazistas já funcionava muito antes de setembro de 1939, quando os tanques alemães iniciaram a sua marcha destruidora invadindo a Polônia, é porque Hitler previa que na guerra política o racismo seria um aliado mais forte na conquista de simpatizantes do que qualquer agente pago ou organização secreta de quinta-colunas.
ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.188.
Sobre o racismo e suas relações com o imperialismo, assinale a alternativa correta.
Segundo o historiador inglês E. P. Thompson:
Se retornarmos ao tema da disciplina do trabalho, ou ao das mudanças nos padrões familiares de conduta e lazer e aos valores comunitários durante a industrialização, o campo para o estudo comparativo parece infindável. Basta nos voltarmos para os estudos de Walter Elkan sobre a adaptação ao trabalho em Uganda, ou para a investigação de Beate Salz a respeito do Equador [...], para que paralelos com os séculos XVII e XVIII na Inglaterra e Irlanda saltem das páginas. A familiaridade com os estudos antropológicos de mercados camponeses e tribais — tal como Markets in Africa, de Bohannan e Dalton — impelemnos a revisitar todo o complexo de mercados e feiras da Inglaterra pré-industrial e a vê-lo não só como um nexo econômico, mas também social.
THOMPSON, E. P. As Peculiaridades dos Ingleses In: NEGRO, A. L.; SILVA, S. (orgs). As Peculiaridades dos Ingleses e outros artigos. Campinas: Ed. Unicamp, 2001, p. 194.
Em relação ao tema, assinale a alternativa correta.
Leia o excerto a seguir:
Organizado de maneira diferente nas zonas rurais e urbanas (como o rosto de Janus) este Estado estava bifurcado. Continha uma dualidade: duas formas de poder sob uma só autoridade hegemônica. O poder urbano falava a língua da sociedade civil e dos direitos civis, o poder rural a da comunidade e da cultura. O poder civil afirmava proteger os direitos, o poder consuetudinário prometia fazer cumprir a tradição. O primeiro organizado sob o princípio de diferenciação para frear a concentração de poder, o segundo em torno ao princípio de fusão para assegurar uma autoridade unitária: Duas caras do mesmo Estado bifurcado.
MAMDANI, M. Ciudadano y Súbdito. África contemporánea y el legado del colonialismo tardío. Ed. Siglo XXI, México, 1996, p. 22.
Considerando o exposto pelo autor e relacionando os conhecimentos que existem sobre a formação do Estado na África, assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
A introdução do cafeeiro no Brasil deveu-se a Francisco de Melo Palheta, que em 1727 trouxe para o Pará as primeiras sementes da planta. Utilizado no consumo doméstico, o café chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1760, misturando-se aos pequenos cultivos de pomares e hortas dos arredores da capital da Colônia. Foi, porém, no extenso Vale do Rio Paraíba, atravessando uma parte do Rio e de São Paulo, que se reuniram as condições para sua primeira grande expansão em níveis comerciais. A área era conhecida e cortada por alguns caminhos e trilhas que, desde o tempo do apogeu da mineração, se dirigiam a Minas Gerais; aí existiam terra virgem disponível e clima favorável.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 10. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002, p. 186.
A respeito da economia cafeeira no Brasil durante o século XIX, é correto afirmar:
Leia o fragmento a seguir:
O futuro desse progresso é caracterizado por dois momentos: por um lado, pela aceleração com que se põe à nossa frente; por outro lado, pelo seu caráter desconhecido. Pois o tempo que se acelera em si mesmo, isto é, a nossa própria história, abrevia os campos da experiência, rouba-lhes sua continuidade, pondo repetidamente em cena mais material desconhecido, de modo que mesmo o presente, frente à complexidade desse conteúdo desconhecido, escapa em direção ao não experimentável. Essa situação começa a se delinear já mesmo antes da Revolução Francesa.
KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-Rio, 2006. p. 36.
A respeito do assunto, assinale a alternativa correta.
Segundo Eric Hobsbawm:
Os liames entre o racismo e o nacionalismo são óbvios. A língua e a “raça” eram facilmente confundidas como no caso dos “arianos” e “semitas”, para indignação de estudiosos escrupulosos como Max Müller, para quem a “raça”, conceito genético, não podia ser inferida da língua, que não era herdada. Além disso há uma evidente analogia entre a insistência dos racistas na pureza racial e nos horrores da miscigenação, e também a insistência de tantas formas de nacionalismo linguístico – a maioria, talvez – sobre a necessidade de purificar a língua nacional de elementos estrangeiros. No século XIX, os ingleses foram bastantes excepcionais em exagerar suas origens híbridas (bretões, anglo-saxões, escandinavos, normandos, escoceses, irlandeses, etc.) e orgulhar-se da mistura filológica de sua língua. Contudo, o que trouxe a “raça” e a “nação” mais perto ainda foi a prática de usá-las como sinônimos possíveis, generalizando, de modo igualmente inexato, o caráter “racial/nacional”, como era então a moda.
HOBSBAWM, Eric J. Nações e Nacionalismo desde 1780. Programa, mito e realidade. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 2002, p.132.
Levando em consideração as informações apresentadas por Hobsbawm, assinale a alternativa correta.
Segundo Nicolau Sevcenko:
A rebelião juvenil dos anos 60 - catalisada pela resistência obstinada à intervenção norteamericana no Vietnã e pelo repúdio à repressão da Primavera de Praga pelas tropas soviéticas - abriu um campo de representação cultural autônomo, desvinculado da polarização da Guerra Fria. A indignação, o idealismo, a generosidade e a disposição de sacrifício dos jovens, associados às suas mensagens de humanismo, pacifismo e espontaneidade no retorno aos valores da natureza, do corpo e do prazer, da espiritualidade, abalaram o campo político estagnado e os transportaram para o centro do espetáculo. Sua palavra de ordem, "Faça amor, não faça a guerra", seguia a fórmula concisa e lapidar dos slogans publicitários e era acompanhada do símbolo oriental de uma forquilha invertida dentro de um círculo, caracterizando um logotipo, o que demonstra o quanto os jovens se apropriaram de técnicas que regiam o universo das mercadorias.
SEVCENKO, Nicolau. Aceleração tecnológica, mudanças econômicas e desequilíbrios. In: A corrida para o século XXI. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 85.
Levando em consideração o enunciado, assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
Para começar, é difícil definir o tema. Quem é “o povo”? Todos, ou apenas quem não é da elite? Neste último caso estaremos empregando uma categoria residual e, como acontece muitas vezes em se tratando dessas categorias, corremos o risco de supor a homogeneidade dos excluídos. Talvez seja melhor seguir o exemplo de vários historiadores e teóricos recentes e pensar as culturas populares no plural, urbana e rural, masculina e feminina, velha e jovem, e assim por diante.
BURKE, Peter. O que é História Cultural? Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p. 41.
Considerando o exposto pelo autor a respeito da relação entre povo e cultura, assinale a alternativa correta.