Pular para o conteúdo

Prova

Prova de 2018: Universidade Federal do Tocantins (UFT) — questões com gabarito

24 questões da prova de 2018 de Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Português, Inglês, Literatura. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 24 questões

Resultados: 24 questões

Página 2 de 2

  • Linguagens

    Português

    Opinião não é argumento
    Aqui está uma história que pode ser verdadeira no contexto atual do Brasil. Um jovem professor de Filosofia, instruindo seus alunos à Filosofia da Religião, introduz, à maneira que a Filosofia opera há séculos, argumentos favoráveis e contrários à existência de Deus. Um dos alunos se queixa, para o diretor e também nas onipresentes redes sociais, de que suas crenças religiosas estão sendo atacadas. “Eu tenho direito às minhas crenças”. O diretor concorda com o aluno e força o professor a desistir de ensinar Filosofia da Religião.
    Mas o que é exatamente um “direito às minhas crenças”? [...] O direito à crença, nesse caso, poderia ser visto como o “direito evidencial”. Alguém tem um direito evidencial à sua crença se estiver disposto a fornecer evidências apropriadas em apoio a ela. Mas o que o estudante e o diretor estão reivindicando e promovendo não parece ser esse direito, pois isso implicaria precisamente a necessidade de pôr as evidencias à prova.
    Parece que o estudante está reivindicando outra coisa, um certo “direito moral” à sua crença, como avaliado pelo filósofo americano Joel Feinberg, que trabalhou temas da Ética, Teoria da Ação e Filosofia Política. O estudante está afirmando que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo em crenças falsas.
    Muitas pessoas acham que, se têm um direito moral a uma crença, todo mundo tem o dever de não as privar dessa crença, o que envolve não criticá-la, não mostrar que é ilógica ou que lhe falta apoio evidencial. O problema é que essa é uma maneira cada vez mais comum de pensar sobre o direito de acreditar. E as grandes perdedoras são a liberdade de expressão e a democracia.
    [...] A defesa de uma crença está restrita ao uso de métodos que pertence ao espaço das razões – argumentação e persuasão, em vez de força. Você tem o direito de avançar sua crença na arena pública usando os mesmos métodos de que seus oponentes dispõem para dissuadi-lo. O pior acontece quando crenças se materializam em opinião, e são usadas como substitutas de argumentos, quando o “Eu tenho direito às minhas crenças” se transforma em “Eu tenho direito à minha opinião”. Crenças e opiniões não são argumentos. Mais precisamente, crenças diferem de opinião, que diferem de fatos, que diferem de argumentos. Um fato é algo que pode ser comprovado verdadeiro. Por exemplo, é um fato que Júpiter é o maior planeta do sistema solar tanto em diâmetro quanto em massa. Esse fato pode ser provado pela observação ou pela consulta a uma fonte fidedigna.
    Uma crença é uma ideia ou convicção que alguém aceita como verdade, como “passar debaixo de uma escada dá azar”. Isso certamente não pode ser provado (ou pelo menos nunca foi). Mas a pessoa ainda pode manter sua crença, como vimos, se não pelo “direito evidencial”, apelando para o “direito moral”. Ou ainda, pelo mesmo “direito moral”, deixar de acreditar no que ela própria pensa ser evidência, como no caso do famoso dito (atribuído a Sancho Pança): “Não creio em bruxas, ainda que existam”. [...]

    Fonte: CARNIELLI, Walter. Página Aberta. In: Revista Veja. Edição 2578, ano 51, nº 16. São Paulo: Editora Abril, 2018, p. 64 (fragmento adaptado). 
    Quanto ao encadeamento das ideias, contidas nos parágrafos do texto, assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 6c62c6d3-fd
  • Linguagens

    Português

    Opinião não é argumento
    Aqui está uma história que pode ser verdadeira no contexto atual do Brasil. Um jovem professor de Filosofia, instruindo seus alunos à Filosofia da Religião, introduz, à maneira que a Filosofia opera há séculos, argumentos favoráveis e contrários à existência de Deus. Um dos alunos se queixa, para o diretor e também nas onipresentes redes sociais, de que suas crenças religiosas estão sendo atacadas. “Eu tenho direito às minhas crenças”. O diretor concorda com o aluno e força o professor a desistir de ensinar Filosofia da Religião.
    Mas o que é exatamente um “direito às minhas crenças”? [...] O direito à crença, nesse caso, poderia ser visto como o “direito evidencial”. Alguém tem um direito evidencial à sua crença se estiver disposto a fornecer evidências apropriadas em apoio a ela. Mas o que o estudante e o diretor estão reivindicando e promovendo não parece ser esse direito, pois isso implicaria precisamente a necessidade de pôr as evidencias à prova.
    Parece que o estudante está reivindicando outra coisa, um certo “direito moral” à sua crença, como avaliado pelo filósofo americano Joel Feinberg, que trabalhou temas da Ética, Teoria da Ação e Filosofia Política. O estudante está afirmando que tem o direito moral de acreditar no que quiser, mesmo em crenças falsas.
    Muitas pessoas acham que, se têm um direito moral a uma crença, todo mundo tem o dever de não as privar dessa crença, o que envolve não criticá-la, não mostrar que é ilógica ou que lhe falta apoio evidencial. O problema é que essa é uma maneira cada vez mais comum de pensar sobre o direito de acreditar. E as grandes perdedoras são a liberdade de expressão e a democracia.
    [...] A defesa de uma crença está restrita ao uso de métodos que pertence ao espaço das razões – argumentação e persuasão, em vez de força. Você tem o direito de avançar sua crença na arena pública usando os mesmos métodos de que seus oponentes dispõem para dissuadi-lo. O pior acontece quando crenças se materializam em opinião, e são usadas como substitutas de argumentos, quando o “Eu tenho direito às minhas crenças” se transforma em “Eu tenho direito à minha opinião”. Crenças e opiniões não são argumentos. Mais precisamente, crenças diferem de opinião, que diferem de fatos, que diferem de argumentos. Um fato é algo que pode ser comprovado verdadeiro. Por exemplo, é um fato que Júpiter é o maior planeta do sistema solar tanto em diâmetro quanto em massa. Esse fato pode ser provado pela observação ou pela consulta a uma fonte fidedigna.
    Uma crença é uma ideia ou convicção que alguém aceita como verdade, como “passar debaixo de uma escada dá azar”. Isso certamente não pode ser provado (ou pelo menos nunca foi). Mas a pessoa ainda pode manter sua crença, como vimos, se não pelo “direito evidencial”, apelando para o “direito moral”. Ou ainda, pelo mesmo “direito moral”, deixar de acreditar no que ela própria pensa ser evidência, como no caso do famoso dito (atribuído a Sancho Pança): “Não creio em bruxas, ainda que existam”. [...]

    Fonte: CARNIELLI, Walter. Página Aberta. In: Revista Veja. Edição 2578, ano 51, nº 16. São Paulo: Editora Abril, 2018, p. 64 (fragmento adaptado). 
    Ao longo do texto, o autor faz uso de diversas citações, destacadas pelos sinais gráficos de aspas. Sobre essa utilização, analise as afirmativas a seguir.


    I. Em: “Eu tenho direito às minhas crenças” (1º parágrafo), as aspas marcam o discurso direto do aluno.

    II. Em: “Não creio em bruxas, ainda que existam” (7º parágrafo), as aspas marcam a fala de Sancho Pança, estabelecendo intertextualidade, ou seja, o diálogo entre textos.

    III. Em: “[...] passar debaixo de uma escada dá azar” (7º parágrafo), as aspas foram usadas para transcrever um dito popular, com o intuito de exemplificar uma crença que, de acordo com o autor, não pode ser provada.


    Assinale a alternativa CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 6c576f9f-fd
  • Linguagens

    Inglês

    BRAZIL: JUDGE SHUTS BORDER TO VENEZUELAN
    MIGRANTS FLEEING HUNGER AND HARDSHIP
        Judge says entry of immigrants suspended until conditions for ‘humanitarian reception’ are created – activists called it ‘absurd’
          A judge in Brazil has blocked Venezuelans from entering the border state of Roraima as local authorities harden their stance against the flood of migrants fleeing hunger and hardship in their home country.
        Judge Helder Barreto said he had suspended the entry of Venezuelan immigrants until the conditions for a “humanitarian reception” are created but activists working with migrants attacked it as “absurd”.
       Sister Telma Lage from the non-profit Migration and Human Rights Institute, which helps vulnerable migrants in Roraima’s capital Boa Vista, said the judge had overstepped his authority.            “[Venezuelans] are entering Brazil and seeking refuge because of the vulnerable situation they find themselves in,” she said. “What we fear is the lack of options for those near to the border.”
        Since 2015, more than 56,000 Venezuelans have sought refuge or residency in Brazil amid continuing political turmoil and economic collapse in their home country. […]
        But the flood of migrants has severely stretched health and education services in the poor state of Roraima.
    Available at: https://www.theguardian.com/world/2018/aug/06/brazil-shuts-border-venezuelanmigrants)
    The reason why Venezuelans are seeking refuge in Brazil is visible in all the following alternatives, EXCEPT:
    Escolha uma alternativa para a questão 6caa72fd-fd
  • Linguagens

    Literatura

    Leia a seguir o fragmento do poema Mundo Pequeno, de Manoel de Barros, para responder a QUESTÃO.


    Mundo Pequeno

    Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
    leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
    Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
    esse gosto esquisito.
    Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
    – Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
    o Padre me disse.
    Ele fez um limpamento em meus receios.
    O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
    pode muito que você carregue para o resto da
    vida um certo gosto por nadas...
    E se riu.
    Você não é de bugre? – ele continuou.
    Que sim, eu respondi.
    Veja que bugre só pega por desvios, não anda em
    estradas –
    Pois é nos desvios que encontra as melhores
    surpresas e os ariticuns maduros.
    Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
    Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
    agramática.


    Fonte: BARROS, Manoel de. O livro das Ignorãças. In: Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010, p. 319-320.



    O excerto do poema traz o descobrimento, inquietação e questionamento do menino Manoel pela “doença das frases”.

    É CORRETO afirmar que esta doença pode ser lida como um desvio:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c7a2fda-fd