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Prova

Prova de 2016: Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) — questões com gabarito

386 questões da prova de 2016 de Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), em Português, Literatura. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 386 questões

Resultados: 386 questões

Página 5 de 20

  • Linguagens

    Português

    Em casa, Hideo ainda podia seguir fiel ao imperador japonês e às tradições que trouxera no navio que aportara em Santos. [...] Por isso Hideo exigia que, aos domingos, todos estivessem juntos durante o almoço. Ele se sentava à cabeceira da mesa; à direita ficava Hanashiro, que era o primeiro filho, e Hitoshi, o segundo, e à esquerda, Haruo, depois Hiroshi, que era o mais novo. [...] A esposa, que também era mãe, e as filhas, que também eram irmãs, aguardavam de pé ao redor da mesa [...]. Haruo reclamava, não se cansava de reclamar: que se sentassem também as mulheres à mesa, que era um absurdo aquele costume. Quando se casasse, se sentariam à mesa a esposa e o marido, um em frente ao outro, porque não era o homem melhor que a mulher para ser o primeiro [...]. Elas seguiam de pé, a mãe um pouco cansada dos protestos do filho, pois o momento do almoço era sagrado, não era hora de levantar bandeiras inúteis [...].

    NAKASATO, O. Nihonjin. São Paulo: Benvirá, 2011 (fragmento).

    Referindo-se a práticas culturais de origem nipônica, o narrador registra as reações que elas provocam na família e mostra um contexto em que

    Escolha uma alternativa para a questão d949dd9b-a6
  • Linguagens

    Português

    Centro das atenções em um planeta cada vez mais interconectado, a Floresta Amazônica expõe inúmeros dilemas. Um dos mais candentes diz respeito à madeira e sua exploração econômica, uma saga que envolve os muitos desafios para a conservação dos recursos naturais às gerações futuras.

    Com o olhar jornalístico, crítico e ao mesmo tempo didático, adentramos a Amazônia em busca de histórias e sutilezas que os dados nem sempre revelam. Lapidamos estatísticas e estudos científicos para construir uma síntese útil a quem direciona esforços para conservar a floresta, seja no setor público, seja no setor privado, seja na sociedade civil.

    Guiada como uma reportagem, rica em informações ilustradas, a obra Madeira de ponta a ponta revela a diversidade de fraudes na cadeia de produção, transporte e comercialização da madeira, bem como as iniciativas de boas práticas que se disseminam e trazem esperança rumo a um modelo de convivência entre desenvolvimento e manutenção da floresta.

    VILLELA, M.; SPINK, P In: ADEODATO, S. et al. Madeira de ponta a ponta: o caminho desde a floresta até o consumo. São Paulo: FGV RAE, 2011 (adaptado).

    A fim de alcançar seus objetivos comunicativos, os autores escreveram esse texto para

    Escolha uma alternativa para a questão d94d2ab4-a6
  • Linguagens

    Português

    Imagem da questão de Português, ENEM 2016, Interpretação de Textos

    Nesse texto, a combinação de elementos verbais e não verbais configura-se como estratégia argumentativa para

    Escolha uma alternativa para a questão d9508c0f-a6
  • Linguagens

    Português

                                  Pérolas absolutas

          Há, no seio de uma ostra, um movimento — ainda que imperceptível. Qualquer coisa imiscuiu-se pela fissura, uma partícula qualquer, diminuta e invisível. Venceu as paredes lacradas, que se fecham como a boca que tem medo de deixar escapar um segredo. Venceu. E agora penetra o núcleo da ostra, contaminando-lhe a própria substância. A ostra reage, imediatamente. E começa a secretar o nácar. É um mecanismo de defesa, uma tentativa de purificação contra a partícula invasora. Com uma paciência de fundo de mar, a ostra profanada continua seu trabalho incansável, secretando por anos a fio o nácar que aos poucos se vai solidificando. É dessa solidificação que nascem as pérolas.

          As pérolas são, assim, o resultado de uma contaminação. A arte por vezes também. A arte é quase sempre a transformação da dor. [...] Escrever é preciso. É preciso continuar secretando o nácar, formar a pérola que talvez seja imperfeita, que talvez jamais seja encontrada e viva para sempre encerrada no fundo do mar. Talvez estas, as pérolas esquecidas, jamais achadas, as pérolas intocadas e por isso absolutas em si mesmas, guardem em si uma parcela faiscante da eternidade.

                         SEIXAS, H. Uma ilha chamada livro. Rio de Janeiro: Record, 2009 (fragmento). 

    Considerando os aspectos estéticos e semânticos presentes no texto, a imagem da pérola configura uma percepção que
    Escolha uma alternativa para a questão d953dafb-a6
  • Linguagens

    Português

    Querido diário

    Hoje topei com alguns conhecidos meus

    Me dão bom-dia, cheios de carinho

    Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus

    Eles têm pena de eu viver sozinho [...]

    Hoje o inimigo veio me espreitar

    Armou tocaia lá na curva do rio

    Trouxe um porrete a mó de me quebrar

    Mas eu não quebro porque sou macio, viu

    HOLANDA, C. B. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2013 (fragmento).

    Uma característica do gênero diário que aparece na letra da canção de Chico Buarque é o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão d9573b32-a6
  • Linguagens

    Português

                                  Galinha cega

          O dono correu atrás de sua branquinha, agarrou-a, lhe examinou os olhos. Estavam direitinhos, graças a Deus, e muito pretos. Soltou-a no terreiro e lhe atirou mais milho. A galinha continuou a bicar o chão desorientada. Atirou ainda mais, com paciência, até que ela se fartasse. Mas não conseguiu com o gasto de milho, de que as outras se aproveitaram, atinar com a origem daquela desorientação. Que é que seria aquilo, meu Deus do céu? Se fosse efeito de uma pedrada na cabeça e se soubesse quem havia mandado a pedra, algum moleque da vizinhança, aí... Nem por sombra imaginou que era a cegueira irremediável que principiava.

          Também a galinha, coitada, não compreendia nada, absolutamente nada daquilo. Por que não vinham mais os dias luminosos em que procurava a sombra das pitangueiras? Sentia ainda o calor do sol, mas tudo quase sempre tão escuro. Quase que já não sabia onde é que estava a luz, onde é que estava a sombra.

                     GUIMARAENS, J. A. Contos e novelas. Rio de Janeiro: Imago, 1976 (fragmento)

    Ao apresentar uma cena em que um menino atira milho às galinhas e observa com atenção uma delas, o narrador explora um recurso que conduz a uma expressividade fundamentada na
    Escolha uma alternativa para a questão d95ac76f-a6
  • Linguagens

    Português

    Sem acessórios nem som

    Escrever só para me livrar

    de escrever.

    Escrever sem ver, com riscos

    sentindo falta dos acompanhamentos

    com as mesmas lesmas

    e figuras sem força de expressão.

    Mas tudo desafina:

    o pensamento pesa

    tanto quanto o corpo

    enquanto corto os conectivos

    corto as palavras rentes

    com tesoura de jardim

    cega e bruta

    com facão de mato.

    Mas a marca deste corte

    tem que ficar

    nas palavras que sobraram.

    Qualquer coisa do que desapareceu

    continuou nas margens, nos talos

    no atalho aberto a talhe de foice

    no caminho de rato.

    FREITAS FILHO, A. Máquina de escrever: poesia reunida e revista. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2003.

    Nesse texto, a reflexão sobre o processo criativo aponta para uma concepção de atividade poética que põe em evidência o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão d95e1c7f-a6
  • Linguagens

    Português

    O nome do inseto pirilampo (vaga-lume) tem uma interessante certidão de nascimento. De repente, no fim do século XVII, os poetas de Lisboa repararam que não podiam cantar o inseto luminoso, apesar de ele ser um manancial de metáforas, pois possuía um nome “indecoroso” que não podia ser “usado em papéis sérios”: caga-lume. Foi então que o dicionarista Raphael Bluteau inventou a nova palavra, pirilampo, a partir do grego pyr, significando 'fogo’, e lampas, 'candeia’.

    FERREIRA, M. B. Caminhos do português: exposição comemorativa do Ano Europeu das Línguas. Portugal: Biblioteca Nacional, 2001 (adaptado).

    O texto descreve a mudança ocorrida na nomeação do inseto, por questões de tabu linguístico. Esse tabu diz respeito à

    Escolha uma alternativa para a questão d965d831-a6
  • Linguagens

    Português

    Primeira lição

    Os gêneros de poesia são: lírico, satírico, didático, épico, ligeiro.

    O gênero lírico compreende o lirismo.

    Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e pessoal.

    É a linguagem do coração, do amor.

    O lirismo é assim denominado porque em outros tempos os versos sentimentais eram declamados ao som da lira.

    O lirismo pode ser:

    a) Elegíaco, quando trata de assuntos tristes, quase sempre a morte.

    b) Bucólico, quando versa sobre assuntos campestres.

    c) Erótico, quando versa sobre o amor.

    O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a endecha, o epitáfio e o epicédio.

    Elegia é uma poesia que trata de assuntos tristes.

    Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa morta.

    Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era incinerado.

    Endecha é uma poesia que revela as dores do coração.

    Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras tumulares.

    Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma pessoa morta.

    CESAR, A. C. Poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

    No poema de Ana Cristina Cesar, a relação entre as definições apresentadas e o processo de construção do texto indica que o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão d9690820-a6
  • Linguagens

    Português

                              Você pode não acreditar

          Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela.

          A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo.

          Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal.

          Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras.

          Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas.

          Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família. Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro.

          Houve um tempo em que havia tempo.

          Houve um tempo.

                               SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas, 5 maio 2013 (fragmento).

    Nessa crônica, a repetição do trecho “Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que...” configura-se como uma estratégia argumentativa que visa
    Escolha uma alternativa para a questão d96c6db3-a6
  • Linguagens

    Português

          O livro A fórmula secreta conta a história de um episódio fundamental para o nascimento da matemática moderna e retrata uma das disputas mais virulentas ciência renascentista. Fórmulas misteriosas, duelos públicos, traições, genialidade, ambição — e matemática! Esse é o instigante universo apresentado no livro, que resgata a história dos italianos Tartaglia e Cardano e da fórmula revolucionária para resolução de equações de terceiro grau.  A obra reconstitui um episódio polêmico que marca, para muitos, o início do período moderno da matemática.

    Em última análise, A fórmula secreta apresenta-se como uma ótima opção para conhecer um pouco mais sobre a história da matemática e acompanhar um dos debates científicos mais inflamados do século XVI no campo. Mais do que isso, é uma obra de fácil leitura e uma boa mostra de que é possível abordar temas como álgebra de forma interessante, inteligente e acessível ao grande público.

    GARCIA, M. Duelos, segredos e matemática. Disponível em: http://cienciahoje.uol.com.br. Acesso em: 6 out. 2015 (adaptado).

    Na construção textual, o autor realiza escolhas para cumprir determinados objetivos. Nesse sentido, a função social desse texto é
    Escolha uma alternativa para a questão d96fce7e-a6
  • Linguagens

    Literatura

                                            A partida de trem

          Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto — e o que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.

          Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:

          — A senhora deseja trocar de lugar comigo?

          Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que não, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela Pralini:

          — É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?

    LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (fragmento)

    A descoberta de experiências emocionais com base no cotidiano é recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)
    Escolha uma alternativa para a questão d9730976-a6
  • Linguagens

    Português

                               Esses chopes dourados

    [...]

    quando a geração de meu pai

    batia na minha

    a minha achava que era normal

    que a geração de cima

    só podia educar a de baixo

    batendo

    quando a minha geração batia na de vocês

    ainda não sabia que estava errado

    mas a geração de vocês já sabia

    e cresceu odiando a geração de cima

    aí chegou esta hora

    em que todas as gerações já sabem de tudo

    e é péssimo

    ter pertencido à geração do meio

    tendo errado quando apanhou da de cima

    e errado quando bateu na de baixo

    e sabendo que apesar de amaldiçoados

    éramos todos inocentes.

    WANDERLEY, J. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001 (fragmento). 

    Ao expressar uma percepção de atitudes e valores situados na passagem do tempo, o eu lírico manifesta uma angústia sintetizada na
    Escolha uma alternativa para a questão d9768193-a6
  • Linguagens

    Literatura

    Antiode

    Poesia, não será esse

    o sentido em que

    ainda te escrevo:

    flor! (Te escrevo:

    flor! Não uma

    flor, nem aquela

    flor-virtude — em

    disfarçados urinóis).

    Flor é a palavra

    flor; verso inscrito

    no verso, como as

    manhãs no tempo.

    Flor é o salto

    da ave para o voo:

    o salto fora do sono

    quando seu tecido

    se rompe; é uma explosão

    posta a funcionar,

    como uma máquina,

    uma jarra de flores.

    MELO NETO, J. C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento)

    A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de

    Escolha uma alternativa para a questão d979d3f5-a6
  • Linguagens

    Português

    Qual é a segurança do sangue?

    Para que o sangue esteja disponível para aqueles que necessitam, os indivíduos saudáveis devem criar o hábito de doar sangue e encorajar amigos e familiares saudáveis a praticarem o mesmo ato.

    A prática de selecionar criteriosamente os doadores, bem como as rígidas normas aplicadas para testar, transportar, estocar e transfundir o sangue doado fizeram dele um produto muito mais seguro do que já foi anteriormente.

    Apenas pessoas saudáveis e que não sejam de risco para adquirir doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, como hepatites B e C, HIV, sífilis e Chagas, podem doar sangue.

    Se você acha que sua saúde ou comportamento pode colocar em risco a vida de quem for receber seu sangue, ou tem a real intenção de apenas realizar o teste para o vírus HIV, NÃO DOE SANGUE.

    Cumpre destacar que apesar de o sangue doado ser testado para as doenças transmissíveis conhecidas no momento, existe um período chamado de janela imunológica em que um doador contaminado por um determinado vírus pode transmitir a doença através do seu sangue.

    DA SUA HONESTIDADE DEPENDE A VIDA DE QUEM VAI RECEBER SEU SANGUE.

    Disponível em: www.prosangue.sp.gov.br. Acesso em: 24 abr. 2015 (adaptado).

    Nessa campanha, as informações apresentadas têm como objetivo principal

    Escolha uma alternativa para a questão d97d2c61-a6
  • Linguagens

    Português

                             De domingo

    — Outrossim...

    — O quê?

    — O que o quê?

    — O que você disse.

    — Outrossim?

    — É.

    — O que é que tem?

    — Nada. Só achei engraçado.

    — Não vejo a graça.

    — Você vai concordar que não é uma palavra de todos os dias.

    — Ah, não é. Aliás, eu só uso domingo.

    — Se bem que parece mais uma palavra de segunda-feira.

    — Não. Palavra de segunda-feira é “óbice”.

    — “Ônus”.

    — “Ônus” também. “Desiderato”. “Resquício”.

    — “Resquício” é de domingo.

    — Não, não. Segunda. No máximo terça.

    — Mas “outrossim”, francamente...

    — Qual o problema?

    — Retira o “outrossim”.

    — Não retiro. É uma ótima palavra. Aliás é uma palavra difícil de usar. Não é qualquer um que usa “outrossim”.

    VERISSIMO, L. F Comédias da vida privada. Porto Alegre: L&PM, 1996 (fragmento)

    No texto, há uma discussão sobre o uso de algumas palavras da língua portuguesa. Esse uso promove o(a)
    Escolha uma alternativa para a questão d983ef04-a6
  • Linguagens

    Português

    Receita

    Tome-se um poeta não cansado,

    Uma nuvem de sonho e uma flor,

    Três gotas de tristeza, um tom dourado,

    Uma veia sangrando de pavor.

    Quando a massa já ferve e se retorce

    Deita-se a luz dum corpo de mulher,

    Duma pitada de morte se reforce,

    Que um amor de poeta assim requer.

    SARAMAGO, J. Os poemas possíveis. Alfragide: Caminho, 1997.

    Os gêneros textuais caracterizam-se por serem relativamente estáveis e podem reconfigurar-se em função do propósito comunicativo. Esse texto constitui uma mescla de gêneros, pois

    Escolha uma alternativa para a questão d9876ad0-a6
  • Linguagens

    Português

    O humor e a língua

    Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase em sua constituição linguística. Por isso, embora a afirmação a seguir possa parecer surpreendente, creio que posso garantir que se trata de uma verdade quase banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores e problemas de uma sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados impressionantes para quem quer saber o que é e como funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça e outras diferenças, instituições (igreja, escola, casamento, política), morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida atenção a esse material, que poderia substituir com vantagem muitas entrevistas e pesquisas participantes. Saberemos mais a quantas andam o machismo e o racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de piadas do que qualquer outro corpus.

    POSSENTI, S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado).

    A piada é um gênero textual que figura entre os mais recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição oral. Nessa reflexão, a piada é enfatizada por

    Escolha uma alternativa para a questão d98e5e78-a6
  • Linguagens

    Português

          O filme Menina de ouro conta a história de Maggie Fitzgerald, uma garçonete de 31 anos que vive sozinha em condições humildes e sonha em se tornar uma boxeadora profissional treinada por Frankie Dunn.

          Em uma cena, assim que o treinador atravessa a porta do corredor onde ela se encontra, Maggie o aborda e, a caminho da saída, pergunta a ele se está interessado em treiná-la. Frankie responde: “Eu não treino garotas”. Após essa fala, ele vira as costas e vai embora. Aqui, percebemos, em Frankie, um comportamento ancorado na representação de que boxe é esporte de homem e, em Maggie, a superação da concepção de que os ringues são tradicionalmente masculinos.

          Historicamente construída, a feminilidade dominante atribui a submissão, a fragilidade e a passividade a uma “natureza feminina”. Numa concepção hegemônica dos gêneros, feminilidades e masculinidades encontram-se em extremidades opostas.

          No entanto, algumas mulheres, indiferentes às convenções sociais, sentem-se seduzidas e desafiadas a aderirem à prática das modalidades consideradas masculinas. É o que observamos em Maggie, que se mostra determinada e insiste em seu objetivo de ser treinada por Frankie.

    FERNANDES, V; MOURÃO, L. Menina de ouro e a representação de feminilidades plurais. Movimento, n. 4, out.-dez. 2014 (adaptado).

    A inserção da personagem Maggie na prática corporal do boxe indica a possibilidade da construção de uma feminilidade marcada pela
    Escolha uma alternativa para a questão d991e69e-a6
  • Linguagens

    Português

    Entrevista com Terezinha Guilhermina

    Terezinha Guilhermina é uma das atletas mais premiadas da história paraolímpica do Brasil e um dos principais nomes do atletismo mundial. Está no Guinness Book de 2013/2014 como a “cega” mais rápida do mundo.

    Observatório: Quais os desafios você teve que superar para se consagrar como atleta profissional?

    Terezinha Guilhermina: Considero a ausência de recursos financeiros, nos três primeiros anos da minha carreira, como meu principal desafio. A falta de um atleta-guia, para me auxiliar nos treinamentos, me obrigava a treinar sozinha e, por não enxergar bem, acabava sofrendo alguns acidentes como trombadas e quedas.

    Observatório: Como está a preparação para os Jogos Paraolímpicos de 2016?

    Terezinha Guilhermina: Estou trabalhando intensamente, com vistas a chegar lá bem melhor do que estive em Londres. E, por isso, posso me dedicar a treinos diários, trabalhos preventivos de lesões e acompanhamento psicológico e nutricional da melhor qualidade.

    Revista do Observatório Brasil de Igualdade de Gênero, n. 6, dez. 2014 (adaptado).

    O texto permite relacionar uma prática corporal com uma visão ampliada de saúde. O fator que possibilita identificar essa perspectiva é o(a)

    Escolha uma alternativa para a questão d9960eb1-a6