Pular para o conteúdo

Prova

Prova de 2010: Universidade Estadual de Londrina (UEL) — questões com gabarito

107 questões da prova de 2010 de Universidade Estadual de Londrina (UEL), em Filosofia, Biologia, Literatura, Português e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 107 questões

Resultados: 107 questões

Página 5 de 6

  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Leia o texto a seguir.

    [...] é manifestamente contra a lei da natureza, seja qual for a maneira por que a definamos, uma criança mandar num velho, um imbecil conduzir um sábio, ou um punhado de pessoas regurgitar superfluidades enquanto à multidão faminta falta o necessário.
    (ROUSSEAU, J. J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Trad. L. S. Machado. São Paulo: Abril Cultural, 1991. p. 282.)

    Com base no texto e nos conhecimentos sobre a distinção entre homem natural e homem social em Rousseau, é correto afirmar:

    I. A necessidade de autopreservação do homem primitivo é contrabalanceada pelo sentimento de piedade, o que o demove de praticar o mal sem necessidade.
    II. O homem natural sente medo de tudo o que é desconhecido, mantendo-se, desse modo, ávido para o ataque.
    III. O homem social é ambicioso e deseja elevar sua fortuna e posses, menos por necessidade e mais para colocar-se acima dos outros numa expressão de poder e superioridade.
    IV. O homem social vive em paz e igualdade, de forma tranquila e harmoniosa com todos os cidadãos.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 1debb19f-b0
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Leia o texto a seguir.

    Na tradição liberal, a ênfase é posta no caráter impessoal das leis e na proteção das liberdades individuais, de tal modo que o processo democrático é compelido pelos (e está a serviço dos) direitos pessoais que garantem a cada indivíduo a liberdade de buscar sua própria realização. Na tradição republicana, a primazia é dada ao processo democrático enquanto tal, entendido como uma deliberação coletiva que conduz os cidadãos à procura do entendimento sobre o bem comum.
    (Adaptado de: ARAÚJO, L. B. L. Moral, direito e política. Sobre a Teoria do Discurso de Habermas. In: OLIVEIRA, M.; AGUIAR, O. A.;
    SAHD, L. F. N. de A. e S. (Orgs.). Filosofia Política Contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 214-235.)

    Com base no texto e nos conhecimentos sobre a filosofia política na teoria do discurso, é correto afirmar que Habermas
    Escolha uma alternativa para a questão 1de73435-b0
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    Leia o texto a seguir.

    Francis Bacon, em sua obra Nova Atlântida, imagina uma utopia tecnocrática na qual o sofrimento humano poderia ser removido pelo desenvolvimento e pelo aperfeiçoamento do conhecimento científico, o qual permitiria uma crescente dominação da natureza e um suposto afastamento do mito. Na obra Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer defendem que o projeto iluminista de afastamento do mito foi convertido, ele próprio, em mito, caindo no dogmatismo e em numa forma de mitologia. O progresso técnico-científico consiste, para Adorno e Horkeheimer, no avanço crescente da racionalidade instrumental, a qual é incapaz de frear iniciativas que afrontam a moral, como foram, por exemplo, os campos de concentração nazistas.

    Com base no texto e nos conhecimentos sobre o desenvolvimento técnico-científico, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 1de36649-b0
  • Ciências Humanas

    Filosofia

    O principal problema de Descartes pode ser formulado do seguinte modo: “Como poderemos garantir que o nosso conhecimento é absolutamente seguro?” Como o cético, ele parte da dúvida; mas, ao contrário do cético, não permanece nela. Na Meditação Terceira, Descartes afirma: “[...] engane-me quem puder, ainda assim jamais poderá fazer que eu nada seja enquanto eu pensar que sou algo; ou que algum dia seja verdade eu não tenha jamais existido, sendo verdade agora que eu existo [...]”
    (DESCARTES. René. Meditações Metafísicas. Meditação Terceira, São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 182. Coleção Os Pensadores.)

    Com base no enunciado e considerando o itinerário seguido por Descartes para fundamentar o conhecimento, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 1dd6f02d-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    As doenças parasitárias representam um grande problema de saúde pública. No quadro a seguir, estão relacionadas três doenças parasitárias e suas características.

    Imagem da questão de Biologia, UEL 2010, Principais doenças endêmicas no Brasil


    Considere as afirmativas a seguir.

    I. As letras A, B, C e D correspondem, respectivamente, a filariose, mosquito, protozoário, esquistossomose.

    II. Para prevenir a doença A, é necessário evitar o acúmulo de águas paradas e, para prevenir a doença D, devem-se evitar banhos em lagos e lagoas.

    III. As letras A, B, C e D correspondem, respectivamente, a amarelão, mosquito, verme, ancilostomíase.

    IV. Para prevenir a doença de Chagas e combater o transmissor B, são necessárias medidas de saneamento básico.



    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 500aa7a0-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Com as alterações ambientais provocadas pela espécie humana, tem-se verificado uma redução nas populações de diversos anfíbios anuros no mundo todo. Esse fato, aliado ao pouco conhecimento que se tem da história natural de muitas espécies, torna o problema ainda mais grave.
    Levando em conta as características biológicas e ecológicas dos anuros, considere as afirmativas a seguir.

    I. Enquanto estão na forma larval, eles são afetados por águas poluídas porque respiram por meio de pulmões.
    II. O epitélio pouco queratinizado torna os adultos mais suscetíveis à desidratação quando a cobertura vegetal é reduzida.
    III. A poluição do ar prejudica os anuros porque eles possuem respiração cutânea mais desenvolvida que a pulmonar.
    IV. Por serem sensíveis à poluição, os anuros são considerados indicadores biológicos da qualidade ambiental.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 50016d60-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Uma das medidas mais eficientes de combate à dengue é a eliminação de águas paradas, onde podem proliferar as larvas dos mosquitos Aedes aegypti.
    Com base no enunciado, pode-se concluir que o Aedes agypti é uma espécie de inseto que tem seu desenvolvimento biológico do tipo:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ffa2d77-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Considere o experimento sobre o efeito inibidor de hormônio vegetal no desenvolvimento das gemas laterais, apresentado na figura a seguir.

    Imagem da questão de Biologia, UEL 2010, Identidade dos seres vivos

    Com base na figura e nos conhecimentos sobre fisiologia vegetal, considere as afirmativas a seguir.

    I. A ausência de hormônio produzido pelo meristema apical do caule exerce inibição sobre as gemas laterais, mantendo-as em estado de dormência.
    II. As gemas laterais da planta-controle estão inibidas devido ao efeito do hormônio produzido pela gema apical.
    III. O hormônio aplicado na planta decapitada inibe as gemas laterais e, consequentemente, a formação de ramos laterais.
    IV. A técnica de poda das gemas apicais tem como objetivo estimular a formação de novos ramos laterais.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 4ff46740-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    A figura a seguir é uma fotomicrografia ao microscópio óptico de estômato de Tradescantia, em vista frontal: 


    Os estômatos são responsáveis pela regulação das trocas gasosas e pela transpiração nos vegetais. A concentração de CO2 e a temperatura atmosférica são fatores ambientais que influenciam no controle do mecanismo de abertura e fechamento dos estômatos. 

    Imagem da questão de Biologia, UEL 2010, Fotossíntese

    (Adaptado de: AMABIS, J. M.; MARTHO, G. R. Biologia dos Organismos. São Paulo: Moderna. 2004. v. 2, p. 232.) 


    Com base na figura, no texto e nos conhecimentos sobre o processo de abertura e fechamento de estômatos, assinale a alternativa que explica corretamente as razões fisiológicas pelas quais a luz influencia neste processo.

    Escolha uma alternativa para a questão 4fe87a45-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Em 1953, James Watson e Francis Crick elucidaram a estrutura tridimensional da dupla hélice de DNA e postularam que o pareamento específico de bases nitrogenadas sugere um possível mecanismo de cópia para o material genético. Baseado neste postulado, o processo de duplicação do DNA é considerado como sendo semiconservativo porque:
    Escolha uma alternativa para a questão 4fdc42aa-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O processo de mitose é essencial para o desenvolvimento e o crescimento de todos os organismos eucariotos.


    Imagem da questão de Biologia, UEL 2010, Ciclo Celular

    (KLUG, Willian et al. Conceitos de Genética. 9. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 24.)


    Com base na figura e nos conhecimentos sobre o ciclo celular, é correto afirmar:

    Escolha uma alternativa para a questão 4fd85679-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto V e responda a questão. 

    Texto V

    O “Adeus” de Teresa

    A vez primeira que eu fitei Teresa,

    Como as plantas que arrasta a correnteza,

    A valsa nos levou nos giros seus...

    E amamos juntos... E depois na sala

    “Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala...

    E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

    Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...

    E da alcova saía um cavaleiro

    Inda beijando uma mulher sem véus...

    Era eu... Era a pálida Teresa!

    “Adeus” lhe disse conservando-a presa...

    E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

    Passaram tempos... séc’los de delírio

    Prazeres divinais... gozos do Empíreo...

    ... Mas um dia volvi aos lares meus.

    Partindo eu disse – “Voltarei!... descansa!...”

    Ela, chorando mais que uma criança,

    Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

    Quando voltei... era o palácio em festa!...

    E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra

    Preenchiam de amor o azul dos céus.

    Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!

    Foi a última vez que eu vi Teresa!...

    E ela arquejando murmurou-me: “adeus!” 

    (CASTRO ALVES, Antonio Frederico. Espumas flutuantes. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. p. 51.)

    Sobre características do estilo de Castro Alves presentes no poema, considere as afirmativas a seguir.

    I. Presença de uma visão erotizada do amor e da mulher.
    II. Abandono do tom aclamatório presente nos poemas sobre os escravos.
    III. Confirma sua inserção na segunda geração do Romantismo.
    IV. Revela influência do sentimentalismo amoroso adulto.

    Assinale a alternativa correta
    Escolha uma alternativa para a questão f5d54c19-b0
  • Linguagens

    Português

    Texto I

        Foi na estância dos Lagoões, duma gente Silva, uns Silvas mui políticos, sempre metidos em eleições e enredos de qualificações de votantes.

         A estância era como aqui e o arroio como a umas dez quadras; lá era o banho da família. Fazia uma ponta, tinha um sarandizal e logo era uma volta forte, como uma meia-lua, onde as areias se amontoavam formando um baixo: o perau era do lado de lá. O mato aí parecia plantado de propósito: era quase que pura guabiroba e pitanga, araçá e guabiju; no tempo, o chão coalhava-se de fruta: era um regalo! 

        Já vê... o banheiro não era longe, podia-se bem ir lá, de a pé, mas a família ia sempre de carretão, puxado a bois, uma junta, mui mansos, governados de regeira por uma das senhoras-donas e tocados com uma rama por qualquer das crianças.

        Eram dois pais da paciência, os dois bois. Um se chamava Dourado, era baio; o outro, Cabiúna, era preto, com a orelha do lado de laçar branca, e uma risca na papada.

        Estavam tão mestres naquele piquete, que, quando a família, de manhãzita, depois da jacuba de leite, pegava a aprontar-se, que a criançada pulava para o terreiro ainda mastigando um naco de pão e as crioulas apareciam com as toalhas e por fim as senhoras-donas, quando se gritava pelo carretão, já os bois havia muito tempo que estavam encostados no cabeçalho, remoendo muito sossegados, esperando que qualquer peão os ajoujasse.

    (LOPES NETO, Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2008. p. 65-66.)

    Texto II

    O tempo fecha.
    Sou fiel aos acontecimentos biográficos.
    Mais do que fiel, oh, tão presa! Esses mosquitos
    que não largam! Minhas saudades ensurdecidas
    por cigarras! O que faço aqui no campo
    declamando aos metros versos longos e sentidos?
    Ah que estou sentida e portuguesa, e agora não
    sou mais, veja, não sou mais severa e ríspida:
    agora sou profissional. 
    (CESAR, Ana Cristina. A teus pés. 6. ed. São Paulo: Editora Brasiliense, s/d. p. 9.)

    Texto III

        Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!” 

       Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele, que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo, por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...

        Agora é que tinha um desejo enorme, uma sofreguidão louca de vê-lo, rendido, a seus pés, como um animalzinho; agora é que lhe renasciam ímpetos vorazes de novilho solto, incongruências de macho em cio, nostalgias de libertino fogoso... As palavras de Herculano (aquela história do grumete com uma rapariga) tinham-lhe despertado o sangue, fora como uma espécie de urtiga brava arranhando-lhe a pele, excitando-o, enfurecendo-o de desejo. Agora sim, fazia questão! E não era somente questão de possuir o grumete, de gozá-lo como outrora, lá cima, no quartinho da Rua da Misericórdia: - era questão de gozá-lo, maltratando-o, vendo-o sofrer, ouvindo-o gemer... Não, não era somente o gozo comum, a sensação ordinária, o que ele queria depois das palavras de Herculano: era o prazer brutal, doloroso, fora de todas as leis, de todas as normas... E havia de tê-lo, custasse o que custasse!

       Decididamente ia realizar o seu plano de fuga essa noite, ia desertar pelo mundo à procura de Aleixo.

       Inquieto, sobreexcitado, nervoso, pôs-se a meditar. O grumete aparecia-lhe com uma feição nova, transfigurado pelos excessos do amor, degenerado, sem aquele arzinho bisonho que todos lhe admiravam, o rosto áspero, crivado de espinhas, magro, sem cor, sem sangue nos lábios... Pudera! Um homem não resiste, quanto mais uma criança! Aleixo devia de estar muito acabado; via-o nos braços da amante, da tal rapariga - ele novo, ela mocinha, na flor dos vinte anos -, via-o rolar em espasmos luxuriosos, grudado à mulher, sobre uma cama fresca e alva - rolar e cair extenuado, crucificado, morto de fraqueza... Depois a rapariga debruçava-se sobre ele, juntava boca à boca num grande beijo de reconhecimento. E no dia seguinte, na noite seguinte, a mesma cousa.

    (CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. São Paulo: Ediouro, s/d. p. 73-74.) 


    Texto IV

        Mas quando todas as luzes da península se apagaram ao mesmo tempo, apagón lhe chamaram depois em Espanha, negrum numa aldeia portuguesa ainda inventora de palavras, quando quinhentos e oitenta e um mil quilómetros quadrados de terras se tornaram invisíveis na face do mundo, então não houve mais dúvidas, o fim de tudo chegara. Valeu a extinção total das luzes não ter durado mais do que quinze minutos, até que se completaram as conexões de emergência que punham em acção os recursos energéticos próprios, nesta altura do ano escassos, pleno verão, Agosto pleno, seca, míngua das albufeiras, escassez das centrais térmicas, as nucleares malditas, mas foi verdadeiramente o pandemónio peninsular, os diabos à solta, o medo frio, o aquelarre, um terramoto não teria sido pior em efeitos morais. Era noite, o princípio dela, quando a maioria das pessoas já recolheram a casa, estão uns sentados a olhar a televisão, nas cozinhas as mulheres preparam o jantar, um pai mais paciente ensina, incerto, o problema de aritmética, parece que a felicidade não é muita, mas logo se viu quanto afinal valia, este pavor, esta escuridão de breu, este borrão de tinta caído sobre a Ibéria, Não nos retires a luz, Senhor, faz que ela volte, e eu te prometo que até ao fim da minha vida não te farei outro pedido, isto diziam os pecadores arrependidos, que sempre exageram.

    (SARAMAGO, José. A jangada de pedra. São Paulo: Companhia das Letras, 1988. p.35-36.)

    Considere as afirmativas a seguir, relativas aos textos I, II, III e IV.

    I. O texto I exemplifica a presença de expressões próprias da oralidade no texto literário, o que se comprova em “já vê...” e “de a pé”.

    II. No texto II, a presença da oralidade em “[...] Minhas saudades ensurdecidas por cigarras! [...]” é um recurso típico do modernismo português.

    III. O texto III é um exemplo de variante histórica, pois traz marcas da norma padrão do português utilizado no Brasil do século XIX, como se nota em “cousa”.

    IV. No texto IV, os vocábulos “quilómetros” e “acção” são marcas do português europeu, uma das variantes da língua portuguesa.


    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão f5d1de6b-b0
  • Linguagens

    Português

    Assinale a alternativa que apresenta o mesmo sentido do trecho “Enquanto iam-lhe cicatrizando as feridas roxas do corpo tatuado pela chibata, abria-se-lhe na alma rude de marinheiro um grande vácuo [...]” (p. 61), retirado do romance Bom-Crioulo de Adolfo Caminha. 
    Escolha uma alternativa para a questão f5c6d5e3-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto III e responda a questão. 

    Texto III

        Bom-Crioulo não pensou em dormir, cheio, como estava, de ódio e desespero. Ecoavam-lhe ainda no ouvido, como um dobre fúnebre, aquelas palavras de uma veracidade brutal, e de uma rudez pungente: “Dizem até que está amigado!”

        Amigado, o Aleixo! Amigado, ele que era todo seu, que lhe pertencia como o seu próprio coração: ele, que nunca lhe falara em mulheres, que dantes era tão ingênuo, tão dedicado, tão bom!... Amigar-se, viver com uma mulher, sentir o contacto de outro corpo que não o seu, deixar-se beijar, morder, nas ânsias do gozo, por outra pessoa que não ele, Bom-Crioulo!...

        Agora é que tinha um desejo enorme, uma sofreguidão louca de vê-lo, rendido, a seus pés, como um animalzinho; agora é que lhe renasciam ímpetos vorazes de novilho solto, incongruências de macho em cio, nostalgias de libertino fogoso... As palavras de Herculano (aquela história do grumete com uma rapariga) tinham-lhe despertado o sangue, fora como uma espécie de urtiga brava arranhando-lhe a pele, excitando-o, enfurecendo-o de desejo. Agora sim, fazia questão! E não era somente questão de possuir o grumete, de gozá-lo como outrora, lá cima, no quartinho da Rua da Misericórdia: - era questão de gozá-lo, maltratando-o, vendo-o sofrer, ouvindo-o gemer... Não, não era somente o gozo comum, a sensação ordinária, o que ele queria depois das palavras de Herculano: era o prazer brutal, doloroso, fora de todas as leis, de todas as normas... E havia de tê-lo, custasse o que custasse!
       Decididamente ia realizar o seu plano de fuga essa noite, ia desertar pelo mundo à procura de Aleixo.
       Inquieto, sobreexcitado, nervoso, pôs-se a meditar. O grumete aparecia-lhe com uma feição nova, transfigurado pelos excessos do amor, degenerado, sem aquele arzinho bisonho que todos lhe admiravam, o rosto áspero, crivado de espinhas, magro, sem cor, sem sangue nos lábios... Pudera! Um homem não resiste, quanto mais uma criança! Aleixo devia de estar muito acabado; via-o nos braços da amante, da tal rapariga - ele novo, ela mocinha, na flor dos vinte anos -, via-o rolar em espasmos luxuriosos, grudado à mulher, sobre uma cama fresca e alva - rolar e cair extenuado, crucificado, morto de fraqueza... Depois a rapariga debruçava-se sobre ele, juntava boca à boca num grande beijo de reconhecimento. E no dia seguinte, na noite seguinte, a mesma cousa. 

    (CAMINHA, Adolfo. Bom-Crioulo. São Paulo: Ediouro, s/d. p. 73-74.)
    Sobre o trecho do capítulo XI de Bom-Crioulo (Texto III) e sua relação com o todo do romance, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão f5baf866-b0
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o texto I e responda a questão.

     Texto I 

       Foi na estância dos Lagoões, duma gente Silva, uns Silvas mui políticos, sempre metidos em eleições e enredos de qualificações de votantes.

        A estância era como aqui e o arroio como a umas dez quadras; lá era o banho da família. Fazia uma ponta, tinha um sarandizal e logo era uma volta forte, como uma meia-lua, onde as areias se amontoavam formando um baixo: o perau era do lado de lá. O mato aí parecia plantado de propósito: era quase que pura guabiroba e pitanga, araçá e guabiju; no tempo, o chão coalhava-se de fruta: era um regalo

        Já vê... o banheiro não era longe, podia-se bem ir lá, de a pé, mas a família ia sempre de carretão, puxado a bois, uma junta, mui mansos, governados de regeira por uma das senhoras-donas e tocados com uma rama por qualquer das crianças. 

        Eram dois pais da paciência, os dois bois. Um se chamava Dourado, era baio; o outro, Cabiúna, era preto, com a orelha do lado de laçar branca, e uma risca na papada.

        Estavam tão mestres naquele piquete, que, quando a família, de manhãzita, depois da jacuba de leite, pegava a aprontar-se, que a criançada pulava para o terreiro ainda mastigando um naco de pão e as crioulas apareciam com as toalhas e por fim as senhoras-donas, quando se gritava pelo carretão, já os bois havia muito tempo que estavam encostados no cabeçalho, remoendo muito sossegados, esperando que qualquer peão os ajoujasse

    (LOPES NETO, Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2008. p. 65-66.)

    Contos gauchescos é uma obra representativa
    Escolha uma alternativa para a questão f5a566bb-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto I e responda a questão.

     Texto I 

       Foi na estância dos Lagoões, duma gente Silva, uns Silvas mui políticos, sempre metidos em eleições e enredos de qualificações de votantes.

        A estância era como aqui e o arroio como a umas dez quadras; lá era o banho da família. Fazia uma ponta, tinha um sarandizal e logo era uma volta forte, como uma meia-lua, onde as areias se amontoavam formando um baixo: o perau era do lado de lá. O mato aí parecia plantado de propósito: era quase que pura guabiroba e pitanga, araçá e guabiju; no tempo, o chão coalhava-se de fruta: era um regalo

        Já vê... o banheiro não era longe, podia-se bem ir lá, de a pé, mas a família ia sempre de carretão, puxado a bois, uma junta, mui mansos, governados de regeira por uma das senhoras-donas e tocados com uma rama por qualquer das crianças. 

        Eram dois pais da paciência, os dois bois. Um se chamava Dourado, era baio; o outro, Cabiúna, era preto, com a orelha do lado de laçar branca, e uma risca na papada.

        Estavam tão mestres naquele piquete, que, quando a família, de manhãzita, depois da jacuba de leite, pegava a aprontar-se, que a criançada pulava para o terreiro ainda mastigando um naco de pão e as crioulas apareciam com as toalhas e por fim as senhoras-donas, quando se gritava pelo carretão, já os bois havia muito tempo que estavam encostados no cabeçalho, remoendo muito sossegados, esperando que qualquer peão os ajoujasse

    (LOPES NETO, Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2008. p. 65-66.)

    Acerca dos fatos narrados no texto, considere as afirmativas a seguir

    I. Agora que já estavam velhos e cansados, os animais eram mantidos na estância para servir às mulheres e às crianças da família, especialmente para irem até o riacho.

    II. O riacho, local de banho da família, não ficava muito longe da casa, mas assim mesmo eles utilizavam a carreta de bois para se locomover até lá.

    III. Depois da higiene matinal e de tomar o café da manhã, os moradores da estância reuniam-se no terreiro para começar a trabalhar na plantação.

    IV. Os bois eram tão mansos e acostumados com a tarefa que até mesmo as mulheres e as crianças podiam conduzir a carreta puxada por eles.

    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão f5a0788e-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto I e responda a questão.

     Texto I 

       Foi na estância dos Lagoões, duma gente Silva, uns Silvas mui políticos, sempre metidos em eleições e enredos de qualificações de votantes.

        A estância era como aqui e o arroio como a umas dez quadras; lá era o banho da família. Fazia uma ponta, tinha um sarandizal e logo era uma volta forte, como uma meia-lua, onde as areias se amontoavam formando um baixo: o perau era do lado de lá. O mato aí parecia plantado de propósito: era quase que pura guabiroba e pitanga, araçá e guabiju; no tempo, o chão coalhava-se de fruta: era um regalo

        Já vê... o banheiro não era longe, podia-se bem ir lá, de a pé, mas a família ia sempre de carretão, puxado a bois, uma junta, mui mansos, governados de regeira por uma das senhoras-donas e tocados com uma rama por qualquer das crianças. 

        Eram dois pais da paciência, os dois bois. Um se chamava Dourado, era baio; o outro, Cabiúna, era preto, com a orelha do lado de laçar branca, e uma risca na papada.

        Estavam tão mestres naquele piquete, que, quando a família, de manhãzita, depois da jacuba de leite, pegava a aprontar-se, que a criançada pulava para o terreiro ainda mastigando um naco de pão e as crioulas apareciam com as toalhas e por fim as senhoras-donas, quando se gritava pelo carretão, já os bois havia muito tempo que estavam encostados no cabeçalho, remoendo muito sossegados, esperando que qualquer peão os ajoujasse

    (LOPES NETO, Simões. Contos gauchescos. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2008. p. 65-66.)

    Os termos “baixo”, “regalo” e “baio” são empregados no texto, respectivamente, com os sentidos de
    Escolha uma alternativa para a questão f59c4434-b0
  • Ciências Humanas

    História

    Leia o texto a seguir.


    A Revolução Cubana foi um dos processos históricos decisivos para o destino das nações latino-americanas na década de 60 e nas seguintes, bem como para a condução adotada pelo imperialismo no tratamento das questões envolvendo o subcontinente. Tendo sido conduzida por um grupo que não tinha, em princípio, o objetivo de uma transformação rumo ao socialismo, o processo revolucionário, na medida em que desencadeou uma série de reformas muito profundas, paulatinamente afastou-se dos grupos dominantes locais e dos interesses norte-americanos presentes na Ilha.

    (GUAZZELLI, C. B. História Contemporânea da América Latina: 1960-1990. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1993. p. 14.)


    Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema “impasses sociais do século XX: guerras e revoluções”, considere as afirmativas a seguir.


    I. Após a instauração do socialismo em Cuba, suas relações com os Estados Unidos deterioraram-se, culminando com o embargo norte-americano ao comércio com esse país e com a malograda tentativa de invasão da ilha.

    II. A Revolução Cubana significou um novo alento para os movimentos sociais latino-americanos, e, nas práticas e ações, a década de 60 ficou marcada pelo sentimento de possibilidades que este movimento causou na América Latina.

    III. Fidel Castro, ao assumir o poder em Cuba, tomou como princípio e prática política o programa elaborado pelo grupo que o apoiou no período revolucionário, denominado “Aliança para o Progresso”, e as ideias ali contidas foram cruciais para o desenvolvimento cubano.

    IV. O rompimento de Cuba com o imperialismo norte-americano teve como consequência, nas décadas de 60 e 70, o apoio dos EUA à garantia da autonomia e consolidação da democracia plena nas diversas nações hispano e luso-americanas.



    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 6b2e2a65-b0
  • Ciências Humanas

    História

    Sobre a crise colonial e os movimentos pelas independências dos territórios americanos colonizados pelos espanhóis e portugueses, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 6b1f44e4-b0