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Prova de 2023: Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo — questões com gabarito

126 questões da prova de 2023 de Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em Português, Literatura, Inglês, História. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 126 questões

Resultados: 126 questões

Página 1 de 7

  • Linguagens

    Português

    Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí.


    Imagem da questão de Português, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Interpretação de Textos



    Depreende-se do cartum que a mulher considera o conteúdo produzido pelo homem 

    Escolha uma alternativa para a questão 4ab58968-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    O cronista dirige-se explicitamente a seus leitores no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ab87a91-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    O cronista recorre a expressão própria da linguagem coloquial em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4abadc1e-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Em “E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário.” (20º parágrafo), o termo sublinhado introduz uma oração que expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 4abd3a5f-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Transposto para o discurso indireto, o trecho “o jovem [...] perguntou: — O que está escrito aqui?” (2º /3º parágrafos) assume a seguinte redação:
    Escolha uma alternativa para a questão 4abfd23a-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Empresta sentido depreciativo ao termo o sufixo da palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac23aff-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac4bd02-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Verifica-se o emprego de vírgula para separar elementos de uma enumeração em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac72c37-75
  • Linguagens

    Português

        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    “Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado.” (1o parágrafo)

    No contexto em que se insere, o termo sublinhado expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac9b1ee-75
  • Linguagens

    Literatura

    Com sua divisa — inutilia truncat —, esses poetas expressaram seu repúdio às “coisas inúteis” que adornavam pesadamente a poesia barroca. Julgando que esta correspondera ao desequilíbrio e à decadência dos valores clássicos, queriam restaurar a supremacia da autêntica poesia clássica. Para consegui-lo, empreenderam uma espécie de viagem no tempo, em busca das fontes originárias do Classicismo. Desprezando o Barroco, detiveram-se no século XVI e dele resgataram o pastoralismo e a poesia camoniana.

    (Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)

    O texto refere-se aos poetas
    Escolha uma alternativa para a questão 4acc7525-75
  • Linguagens

    Inglês

       British workers are increasingly likely to work into their 70s, according to a research that found the cost of living crisis has left older people with little choice but to stay in employment. There were 446,601 people above the age of 70 still in work in 2022, a rise of 61% compared with 277,926 in 2012, said Rest Less, an online community for the over-50s that offers advice to older workers.
       While most of the over-70s workforce is male, the rise has been more significant among women, most likely in response to the gradual equalisation of pension ages between 2010 and 2020. Women were previously able to retire five years earlier. The number of women working beyond the age of 70 is up 66% since 2012, compared with an increase of 58% for men.
        Stuart Lewis, the chief executive of Rest Less, drew a comparison between older workers and King Charles, but acknowledged that most continue working “for very different reasons” to the hereditary monarch. “At the age of 74, King Charles is a fantastic example of someone who both enjoys, and benefits from, continuing to work post-state pension1 age,” said Lewis. “Our latest analysis shows that there are far more over-70s in the workplace today than a decade ago. Until Covid hit and life expectancy dropped for the first time in a decade, there were more people reaching their state pension age than ever before, which meant there were more experienced people in the workplace than ever before too.”
        Lewis said many of those reaching the theoretical age of retirement were staying in the workplace for lack of any other option. “Like King Charles, many of these people will have no choice but to work, although for very different reasons to the king. We see many older workers today who are struggling to survive amidst the cost of living crisis, with inadequate retirement savings meaning they must work in order to survive financially.” The state pension age in the United Kingdom (UK) is 66 for men and women but is due to start rising from 2026.

    (Rob Davies. www.theguardian.com, 30.04.2023. Adaptado.)

    1      state pension: a regular payment from the government to someone who does not work anymore.
    The main purpose of the text is to show that many British workers over 70
    Escolha uma alternativa para a questão 4ad0edbc-75
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       British workers are increasingly likely to work into their 70s, according to a research that found the cost of living crisis has left older people with little choice but to stay in employment. There were 446,601 people above the age of 70 still in work in 2022, a rise of 61% compared with 277,926 in 2012, said Rest Less, an online community for the over-50s that offers advice to older workers.
       While most of the over-70s workforce is male, the rise has been more significant among women, most likely in response to the gradual equalisation of pension ages between 2010 and 2020. Women were previously able to retire five years earlier. The number of women working beyond the age of 70 is up 66% since 2012, compared with an increase of 58% for men.
        Stuart Lewis, the chief executive of Rest Less, drew a comparison between older workers and King Charles, but acknowledged that most continue working “for very different reasons” to the hereditary monarch. “At the age of 74, King Charles is a fantastic example of someone who both enjoys, and benefits from, continuing to work post-state pension1 age,” said Lewis. “Our latest analysis shows that there are far more over-70s in the workplace today than a decade ago. Until Covid hit and life expectancy dropped for the first time in a decade, there were more people reaching their state pension age than ever before, which meant there were more experienced people in the workplace than ever before too.”
        Lewis said many of those reaching the theoretical age of retirement were staying in the workplace for lack of any other option. “Like King Charles, many of these people will have no choice but to work, although for very different reasons to the king. We see many older workers today who are struggling to survive amidst the cost of living crisis, with inadequate retirement savings meaning they must work in order to survive financially.” The state pension age in the United Kingdom (UK) is 66 for men and women but is due to start rising from 2026.

    (Rob Davies. www.theguardian.com, 30.04.2023. Adaptado.)

    1      state pension: a regular payment from the government to someone who does not work anymore.
    De acordo com o texto,
    Escolha uma alternativa para a questão 4ad5e3ef-75
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       British workers are increasingly likely to work into their 70s, according to a research that found the cost of living crisis has left older people with little choice but to stay in employment. There were 446,601 people above the age of 70 still in work in 2022, a rise of 61% compared with 277,926 in 2012, said Rest Less, an online community for the over-50s that offers advice to older workers.
       While most of the over-70s workforce is male, the rise has been more significant among women, most likely in response to the gradual equalisation of pension ages between 2010 and 2020. Women were previously able to retire five years earlier. The number of women working beyond the age of 70 is up 66% since 2012, compared with an increase of 58% for men.
        Stuart Lewis, the chief executive of Rest Less, drew a comparison between older workers and King Charles, but acknowledged that most continue working “for very different reasons” to the hereditary monarch. “At the age of 74, King Charles is a fantastic example of someone who both enjoys, and benefits from, continuing to work post-state pension1 age,” said Lewis. “Our latest analysis shows that there are far more over-70s in the workplace today than a decade ago. Until Covid hit and life expectancy dropped for the first time in a decade, there were more people reaching their state pension age than ever before, which meant there were more experienced people in the workplace than ever before too.”
        Lewis said many of those reaching the theoretical age of retirement were staying in the workplace for lack of any other option. “Like King Charles, many of these people will have no choice but to work, although for very different reasons to the king. We see many older workers today who are struggling to survive amidst the cost of living crisis, with inadequate retirement savings meaning they must work in order to survive financially.” The state pension age in the United Kingdom (UK) is 66 for men and women but is due to start rising from 2026.

    (Rob Davies. www.theguardian.com, 30.04.2023. Adaptado.)

    1      state pension: a regular payment from the government to someone who does not work anymore.
    No trecho do terceiro parágrafo “most continue working”, o termo sublinhado refere-se
    Escolha uma alternativa para a questão 4ad8ff8e-75
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       British workers are increasingly likely to work into their 70s, according to a research that found the cost of living crisis has left older people with little choice but to stay in employment. There were 446,601 people above the age of 70 still in work in 2022, a rise of 61% compared with 277,926 in 2012, said Rest Less, an online community for the over-50s that offers advice to older workers.
       While most of the over-70s workforce is male, the rise has been more significant among women, most likely in response to the gradual equalisation of pension ages between 2010 and 2020. Women were previously able to retire five years earlier. The number of women working beyond the age of 70 is up 66% since 2012, compared with an increase of 58% for men.
        Stuart Lewis, the chief executive of Rest Less, drew a comparison between older workers and King Charles, but acknowledged that most continue working “for very different reasons” to the hereditary monarch. “At the age of 74, King Charles is a fantastic example of someone who both enjoys, and benefits from, continuing to work post-state pension1 age,” said Lewis. “Our latest analysis shows that there are far more over-70s in the workplace today than a decade ago. Until Covid hit and life expectancy dropped for the first time in a decade, there were more people reaching their state pension age than ever before, which meant there were more experienced people in the workplace than ever before too.”
        Lewis said many of those reaching the theoretical age of retirement were staying in the workplace for lack of any other option. “Like King Charles, many of these people will have no choice but to work, although for very different reasons to the king. We see many older workers today who are struggling to survive amidst the cost of living crisis, with inadequate retirement savings meaning they must work in order to survive financially.” The state pension age in the United Kingdom (UK) is 66 for men and women but is due to start rising from 2026.

    (Rob Davies. www.theguardian.com, 30.04.2023. Adaptado.)

    1      state pension: a regular payment from the government to someone who does not work anymore.
    No trecho do quarto parágrafo “in order to survive financially”, a expressão sublinhada transmite a ideia de 
    Escolha uma alternativa para a questão 4adc0a71-75
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    Inglês

    Leia o pôster de uma campanha da Universidade Cornell sobre a inclusão de pessoas com deficiência.


    Imagem da questão de Inglês, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Interpretação de texto | Reading comprehension



    De acordo com o pôster, a universidade pretende
    Escolha uma alternativa para a questão 4aded621-75
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    Inglês

    Leia o cartum publicado por @successpictures em sua conta no Instagram.



    Imagem da questão de Inglês, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Interpretação de texto | Reading comprehension


    No contexto do cartum, a frase “You always want what you don’t have” pode ser associada ao seguinte ditado popular:

    Escolha uma alternativa para a questão 4ae18fb6-75
  • Ciências Humanas

    História

    Inundada e adubada a cada ano pela cheia do Nilo, contanto que não fosse nem demasiado violenta nem insuficiente, a terra do Egito gozou, desde suas origens, de uma espantosa fertilidade. A vocação do país é portanto essencialmente agrícola, a tal ponto que o ciclo da vegetação ditou um calendário de três estações: a Inundação, a Germinação, a Colheita, cada uma comportando quatro meses de 30 dias.

    (Bernadette Menu. Ramsés II: soberano dos soberanos, 2002.)


    O excerto descreve as condições materiais de sobrevivência social no Egito da Antiguidade, que
    Escolha uma alternativa para a questão 4ae405e4-75
  • Ciências Humanas

    História

    Se a China continuar crescendo, nas próximas três décadas, no mesmo ritmo de desenvolvimento iniciado em 1978, ela se converterá na maior nação produtora do mundo, tal como era antes das viagens de Cristóvão Colombo e Vasco da Gama.

    (Robert C. Allen. Historia económica mundial. Una breve introducción, 2022.)


    No período citado no final do excerto, a economia chinesa foi superada por outros centros econômicos devido, entre outros fatores,
    Escolha uma alternativa para a questão 4ae6adb9-75
  • Ciências Humanas

    História

    Hidalgo esteve à frente de um exército popular e, nos poucos documentos escritos que deixou, aparecem decretos que vinham ao encontro das aspirações dos mais pobres. Por exemplo, em 5 de dezembro de 1810, ordenava a restituição às comunidades indígenas das terras que lhes pertenciam e que tinham sido usurpadas. Tomava, a seguir, duas medidas fundamentais: abolia o pagamento dos tributos indígenas e decretava o fim da escravidão.

    (Maria Lígia Coelho Prado. América Latina no século XIX: tramas, telas e textos, 2014.)


    De acordo com o excerto, o projeto político de Miguel Hidalgo, líder das lutas de independência do México,
    Escolha uma alternativa para a questão 4ae99e70-75
  • Ciências Humanas

    História

    Examine a fotografia de Marc Ferrez, que registra o embarque do café para a Europa no Porto de Santos, São Paulo, em 1895.

    Imagem da questão de História, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Brasil Monárquico – Segundo Reinado 1831- 1889



    A fotografia revela uma característica destacada do período:
    Escolha uma alternativa para a questão 4aec2f48-75