Questões do ENEM: Linguagens e Interpretação de Textos

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9.017 questões encontradas. Mostrando a página 37 de 451.

  • 4B410B4F-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é um exame que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais, e também durante o sono. O exame consiste na instalação de um aparelho no paciente, cujo objetivo é monitorar a pressão arterial a cada 20 minutos durante 24 horas seguidas.

    (https://altadiagnosticos.com.br. Adaptado.)

    Nesse exame, a frequência com que a pressão arterial é monitorada é
    Escolha uma alternativa para a questão 4b410b4f-75
  • 4AC9B1EE-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    “Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado.” (1o parágrafo)

    No contexto em que se insere, o termo sublinhado expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac9b1ee-75
  • 4AC4BD02-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ac4bd02-75
  • 4ABFD23A-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Transposto para o discurso indireto, o trecho “o jovem [...] perguntou: — O que está escrito aqui?” (2º /3º parágrafos) assume a seguinte redação:
    Escolha uma alternativa para a questão 4abfd23a-75
  • 4ABADC1E-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    O cronista recorre a expressão própria da linguagem coloquial em:
    Escolha uma alternativa para a questão 4abadc1e-75
  • 4AB87A91-75

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    O cronista dirige-se explicitamente a seus leitores no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 4ab87a91-75
  • 4AB58968-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos

    Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí.


    Imagem da questão de Português, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Interpretação de Textos



    Depreende-se do cartum que a mulher considera o conteúdo produzido pelo homem 

    Escolha uma alternativa para a questão 4ab58968-75
  • CA1206D4-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Retoma uma expressão mencionada anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
    Escolha uma alternativa para a questão ca1206d4-75
  • CA0F75E9-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Em “Importante, contudo, foi a sentença.” (3o parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão ca0f75e9-75
  • CA0CEDCC-75

    Português

    Análise sintática
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Para evitar a sua repetição, garantindo assim uma maior coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da crônica a omissão do substantivo
    Escolha uma alternativa para a questão ca0cedcc-75
  • CA0A02AF-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Entendendo-se a intertextualidade como a superposição de um texto literário a outro, tal procedimento está bem exemplificado
    Escolha uma alternativa para a questão ca0a02af-75
  • CA06AAA0-75

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    De acordo com o cronista,
    Escolha uma alternativa para a questão ca06aaa0-75
  • CA034CC6-75

    Português

    Figuras de Linguagem
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Examine o cartum de Richard Bittencourt, o Fí, publicado em sua conta do Instagram em 13.05.2023.


    Imagem da questão de Português, Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo 2023, Figuras de Linguagem



    Para obter seu efeito de humor, o cartum explora o seguinte recurso expressivo:
    Escolha uma alternativa para a questão ca034cc6-75
  • D3522D56-74

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Se o movimento de maio de 1968 não foi a origem de uma revolução, isso não ocorreu apenas porque era essencialmente um movimento de estudantes; foi, acima de tudo, porque a democracia é esse regime no qual o conflito, por mais intenso que seja, geralmente encontra lugar.

    (Claude Lefort. “Relecture”. In: Edgar Morin et al. Mai 68: la brèche, suivi de Vingt ans après, 1988. Adaptado.)

    Ao avaliar o impacto do movimento estudantil francês de maio de 1968, o excerto
    Escolha uma alternativa para a questão d3522d56-74
  • D31C4EE2-74

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Leia a narrativa “O protetor”, de Millôr Fernandes, para responder à questão.

            O homem vinha guiando o carro a 120 km/h quando o pneu furou. O carro deu três voltas sobre si mesmo, foi atirado pelos ares, bateu num galho de árvore e, quando ia se esborrachando no chão, alguém o segurou sem que ele pu desse ver quem. Ele ficou um pouco tonto e foi aí que ouviu a voz misteriosa que lhe disse: “Não se estás morto, não! Estás vivo! Eu continuo aqui para proteger-te. Sou teu anjo da guarda. Quando tiveste aquele ataque de coqueluche, aos seis meses de idade, eu estava lá para te salvar. Quando ficaste na frente do trem, aos seis anos, eu estava lá para te ajudar. Quando foste para a guerra na Itália, quando saltaste de paraquedas na Coreia, quando ias te afogando em Copa cabana, sempre fui eu quem te ajudou.”

            “Está bem, está bem, muito obrigado”, disse então o homem agradecido. “Mas onde diabos estava você quando eu me casei?”

    (Millôr Fernandes. Contos fabulosos, 2007.)
    A pergunta do homem a seu anjo da guarda revela, sobretudo, um sentimento de
    Escolha uma alternativa para a questão d31c4ee2-74
  • D319A894-74

    Português

    Interpretação de Textos
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Leia o artigo “Sobre homens e ratos”, do médico Drauzio Varella, para responder à questão.

            Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 98% de nossas sequências de DNA são idênticas às dos chimpanzés. Mas chimpanzés são animais políticos que formam comunidades com culturas próprias, uti lizam instrumentos rudimentares e matam seus semelhantes premeditadamente. São, por assim dizer, seres mais humanos. Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, constitui humilhação inaceitável.

            A visão antropocêntrica, segundo a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendi mento das leis da natureza. No “ranking” evolutivo, não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, elefantes e baleias. O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há 5 milhões de anos, um segundo evolutivo comparado aos 4 bilhões de anos das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela e, se um dia formos extintos, nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace.

            Na verdade, os números do Projeto Genoma são lógicos. Os seres vivos mantêm a quase totalidade de seus genes ocupados na execução das tarefas do dia a dia: respiração, circulação, movimentação, digestão, excreção e produção de energia, entre outras. Muitos desses genes são tão essenciais ao trabalho doméstico que a evolução os preservou praticamente intactos de um ser vivo para outro. Entender a razão pela qual temos 30 mil genes como os ratos é fácil: eles são mamíferos como nós e apresentam fisiologia tão semelhante à nossa que podem ser utilizados em experiências para entender a fisiologia humana. O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças.

    (Drauzio Varella. Borboletas da alma: escritos sobre ciência e saúde, 2006. Adaptado.)
    Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a elipse de um verbo em:
    Escolha uma alternativa para a questão d319a894-74
  • D314A3AC-74

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Leia o artigo “Sobre homens e ratos”, do médico Drauzio Varella, para responder à questão.

            Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 98% de nossas sequências de DNA são idênticas às dos chimpanzés. Mas chimpanzés são animais políticos que formam comunidades com culturas próprias, uti lizam instrumentos rudimentares e matam seus semelhantes premeditadamente. São, por assim dizer, seres mais humanos. Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, constitui humilhação inaceitável.

            A visão antropocêntrica, segundo a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendi mento das leis da natureza. No “ranking” evolutivo, não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, elefantes e baleias. O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há 5 milhões de anos, um segundo evolutivo comparado aos 4 bilhões de anos das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela e, se um dia formos extintos, nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace.

            Na verdade, os números do Projeto Genoma são lógicos. Os seres vivos mantêm a quase totalidade de seus genes ocupados na execução das tarefas do dia a dia: respiração, circulação, movimentação, digestão, excreção e produção de energia, entre outras. Muitos desses genes são tão essenciais ao trabalho doméstico que a evolução os preservou praticamente intactos de um ser vivo para outro. Entender a razão pela qual temos 30 mil genes como os ratos é fácil: eles são mamíferos como nós e apresentam fisiologia tão semelhante à nossa que podem ser utilizados em experiências para entender a fisiologia humana. O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças.

    (Drauzio Varella. Borboletas da alma: escritos sobre ciência e saúde, 2006. Adaptado.)
    Para evitar a sua repetição, assegurando-se assim uma maior coesão textual, o autor omite no primeiro parágrafo a expressão:
    Escolha uma alternativa para a questão d314a3ac-74
  • D3121E1F-74

    Português

    Figuras de Linguagem
    Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Leia o artigo “Sobre homens e ratos”, do médico Drauzio Varella, para responder à questão.

            Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 98% de nossas sequências de DNA são idênticas às dos chimpanzés. Mas chimpanzés são animais políticos que formam comunidades com culturas próprias, uti lizam instrumentos rudimentares e matam seus semelhantes premeditadamente. São, por assim dizer, seres mais humanos. Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, constitui humilhação inaceitável.

            A visão antropocêntrica, segundo a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendi mento das leis da natureza. No “ranking” evolutivo, não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, elefantes e baleias. O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há 5 milhões de anos, um segundo evolutivo comparado aos 4 bilhões de anos das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela e, se um dia formos extintos, nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace.

            Na verdade, os números do Projeto Genoma são lógicos. Os seres vivos mantêm a quase totalidade de seus genes ocupados na execução das tarefas do dia a dia: respiração, circulação, movimentação, digestão, excreção e produção de energia, entre outras. Muitos desses genes são tão essenciais ao trabalho doméstico que a evolução os preservou praticamente intactos de um ser vivo para outro. Entender a razão pela qual temos 30 mil genes como os ratos é fácil: eles são mamíferos como nós e apresentam fisiologia tão semelhante à nossa que podem ser utilizados em experiências para entender a fisiologia humana. O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças.

    (Drauzio Varella. Borboletas da alma: escritos sobre ciência e saúde, 2006. Adaptado.)
    Reveste-se de uma tonalidade irônica o seguinte trecho do artigo:
    Escolha uma alternativa para a questão d3121e1f-74
  • D30F5C63-74

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
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    Leia o artigo “Sobre homens e ratos”, do médico Drauzio Varella, para responder à questão.

            Mulheres e homens têm apenas 30 mil genes! A divulgação desse dado pelo Projeto Genoma foi um balde de água fria no orgulho humano: imaginávamos que fossem pelo menos 100 mil. Se as moscas têm 13 mil genes, qualquer verme, 20 mil, um abacateiro, 25 mil, e os camundongos que caçamos nas ratoeiras têm 30 mil, 100 mil para nós parecia uma estimativa razoável. Afinal, não foi culpa nossa havermos sido criados à imagem e semelhança de Deus. A bem da verdade, já sabíamos que cerca de 98% de nossas sequências de DNA são idênticas às dos chimpanzés. Mas chimpanzés são animais políticos que formam comunidades com culturas próprias, uti lizam instrumentos rudimentares e matam seus semelhantes premeditadamente. São, por assim dizer, seres mais humanos. Admitir, no entanto, que nosso genoma é formado pelo mesmo número de genes dos ratos, e que somente 300 genes são responsáveis pelas diferenças entre nós e eles, constitui humilhação inaceitável.

            A visão antropocêntrica, segundo a qual a vida na Terra teria evoluído dos seres unicelulares para indivíduos cada vez mais complexos até chegar ao homem, é um mau entendi mento das leis da natureza. No “ranking” evolutivo, não existe primeira posição. A prova é que as bactérias foram os primeiros habitantes do planeta e não só ainda estão por aí como representam mais da metade da biomassa terrestre, isto é, se somarmos o peso de cada uma, obteremos mais da metade da massa de todos os demais seres vivos somados, incluindo árvores, elefantes e baleias. O Homo sapiens é simplesmente uma entre milhões de espécies. Nascemos há 5 milhões de anos, um segundo evolutivo comparado aos 4 bilhões de anos das bactérias. Não fizemos nenhuma falta à vida na Terra durante praticamente toda a existência dela e, se um dia formos extintos, nenhuma formiga, cigarra ou besouro chorará a nossa ausência. A evolução continuará seu caminho inexorável de competição e seleção natural, como ensinaram Charles Darwin e Alfred Wallace.

            Na verdade, os números do Projeto Genoma são lógicos. Os seres vivos mantêm a quase totalidade de seus genes ocupados na execução das tarefas do dia a dia: respiração, circulação, movimentação, digestão, excreção e produção de energia, entre outras. Muitos desses genes são tão essenciais ao trabalho doméstico que a evolução os preservou praticamente intactos de um ser vivo para outro. Entender a razão pela qual temos 30 mil genes como os ratos é fácil: eles são mamíferos como nós e apresentam fisiologia tão semelhante à nossa que podem ser utilizados em experiências para entender a fisiologia humana. O que intriga na evolução não é a proximidade genética entre as espécies, mas os genes responsáveis pelas diferenças.

    (Drauzio Varella. Borboletas da alma: escritos sobre ciência e saúde, 2006. Adaptado.)
    No primeiro parágrafo, o autor recorre a uma conhecida expressão própria da linguagem coloquial. Tal expressão designa
    Escolha uma alternativa para a questão d30f5c63-74