Questões do ENEM: Linguagens e Sintaxe

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1.390 questões encontradas. Mostrando a página 7 de 70.

  • F3B3446B-30

    Português

    Morfologia - Verbos
    Ensino Einstein · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a crônica “Dever de casa”, de Otto Lara Resende, publicada originalmente em 13.09.1992.

         Um fiapo de gente e um feixe de problemas. Agora é uma perguntação que não tem mais fim. Papai, o plural de segunda-feira? Tira os óculos, para de ler a revista. Daqui a pouco é hora do telejornal. Dia cansativo, mas pai é pai. Segunda-feira, segunda-feira. Murmurinha, como se procurasse na memória algo que não sabe o que é. Segunda-feira, pai. Ah, sim. O plural dos nomes compostos. Ao menos isso não terá mudado.
        Mudam tudo neste país. Depois querem ter jurisprudência. Ainda hoje andou lendo um acórdão. Ementa malfeita. Segunda-feira no plural. Não tem mais o que inventar. Segundas-feiras. Variam os dois elementos. Fácil, óbvio. Entendeu?
        Nem tinha retomado a leitura e lá vem outra perguntinha. Quarta-feira é abstrato ou concreto? Essa, agora. Primeiro vamos saber se é mesmo substantivo. Nenhuma dúvida. É substantivo. Abstrato?
        Concreto. A professora disse que é concreto. Pai é pai. Põe tudo de lado e sai sem bater a porta. Concreto, está lá no Celso Cunha, é o substantivo que designa um ser propriamente dito. Nomes de pessoas, de lugares, de instituições. Etc. Quarta-feira. Vamos raciocinar. Nome de um dia. Abstrato designa noção, ação, estado e qualidade. Desde que considerados como seres. Quarta-feira é um ser? Se é um dia, é um ser. Mas concreto? Abstrato. Deve ser abstrato.
        Um dia de matar, o trânsito engarrafado. A dorzinha de cabeça já se instalou. Quarta-feira, papai. Afinal? Outro dia era o aliás. Até que teve sua graça. Que é aliás? Bom, como categoria gramatical, me parece que. Pausa. Mudaram a nomenclatura gramatical toda. […] Aliás, advérbio não é. Ou melhor, é controvertido. Vem do latim. Quer dizer quer dizer, como disse o outro. Será advérbio?
        Esses meninos de hoje, francamente. Gramática ninguém estuda mais. A língua andrajosa, um monte de solecismos. Mas quarta-feira é substantivo abstrato? Concreto, disse a professora. Ora, pinoia. Está começando o telejornal. Mais um fantasma. Mandado de segurança. Mandado e não mandato. Preste atenção, meu filho. Aliás, só faltava essa. […] Fantasma é concreto? Eta Brasil complicado! Aliás, hoje é quarta-feira. Abstrata? Uma vergonha!

    (Otto Lara Resende. Bom dia para nascer, 2011.)
    O verbo em negrito deve sua flexão ao termo sublinhado no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão f3b3446b-30
  • F3A87798-30

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a crônica “Dever de casa”, de Otto Lara Resende, publicada originalmente em 13.09.1992.

         Um fiapo de gente e um feixe de problemas. Agora é uma perguntação que não tem mais fim. Papai, o plural de segunda-feira? Tira os óculos, para de ler a revista. Daqui a pouco é hora do telejornal. Dia cansativo, mas pai é pai. Segunda-feira, segunda-feira. Murmurinha, como se procurasse na memória algo que não sabe o que é. Segunda-feira, pai. Ah, sim. O plural dos nomes compostos. Ao menos isso não terá mudado.
        Mudam tudo neste país. Depois querem ter jurisprudência. Ainda hoje andou lendo um acórdão. Ementa malfeita. Segunda-feira no plural. Não tem mais o que inventar. Segundas-feiras. Variam os dois elementos. Fácil, óbvio. Entendeu?
        Nem tinha retomado a leitura e lá vem outra perguntinha. Quarta-feira é abstrato ou concreto? Essa, agora. Primeiro vamos saber se é mesmo substantivo. Nenhuma dúvida. É substantivo. Abstrato?
        Concreto. A professora disse que é concreto. Pai é pai. Põe tudo de lado e sai sem bater a porta. Concreto, está lá no Celso Cunha, é o substantivo que designa um ser propriamente dito. Nomes de pessoas, de lugares, de instituições. Etc. Quarta-feira. Vamos raciocinar. Nome de um dia. Abstrato designa noção, ação, estado e qualidade. Desde que considerados como seres. Quarta-feira é um ser? Se é um dia, é um ser. Mas concreto? Abstrato. Deve ser abstrato.
        Um dia de matar, o trânsito engarrafado. A dorzinha de cabeça já se instalou. Quarta-feira, papai. Afinal? Outro dia era o aliás. Até que teve sua graça. Que é aliás? Bom, como categoria gramatical, me parece que. Pausa. Mudaram a nomenclatura gramatical toda. […] Aliás, advérbio não é. Ou melhor, é controvertido. Vem do latim. Quer dizer quer dizer, como disse o outro. Será advérbio?
        Esses meninos de hoje, francamente. Gramática ninguém estuda mais. A língua andrajosa, um monte de solecismos. Mas quarta-feira é substantivo abstrato? Concreto, disse a professora. Ora, pinoia. Está começando o telejornal. Mais um fantasma. Mandado de segurança. Mandado e não mandato. Preste atenção, meu filho. Aliás, só faltava essa. […] Fantasma é concreto? Eta Brasil complicado! Aliás, hoje é quarta-feira. Abstrata? Uma vergonha!

    (Otto Lara Resende. Bom dia para nascer, 2011.)
    No contexto em que se insere, o trecho “Desde que considerados como seres.” (4º parágrafo) expressa ideia de 
    Escolha uma alternativa para a questão f3a87798-30
  • 38F72C9E-03

    Português

    Coesão e coerência
    UECE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde, aponta pesquisa da UFMG e Unifesp


    Q1_8.png (328×433)
    Q_1_8.png (325×392)
    Q__1_8.png (320×121)


    Do HOJE EM DIA - portal@hojeemdia.com.br em 18/07/2024 . Adaptado.
    Assinale a opção cuja correspondência está correta entre o conectivo destacado no enunciado e o sentido denotado.
    Escolha uma alternativa para a questão 38f72c9e-03
  • 38F49F67-03

    Português

    Análise sintática
    UECE · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde, aponta pesquisa da UFMG e Unifesp


    Q1_8.png (328×433)
    Q_1_8.png (325×392)
    Q__1_8.png (320×121)


    Do HOJE EM DIA - portal@hojeemdia.com.br em 18/07/2024 . Adaptado.
    Assinale com V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir.


    ( ) Em “81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde [...]” (título), o verbo destacado concorda com o numeral.

    ( ) Em “Há uma necessidade urgente de abordagens dinâmicas e proativas que capacitem os adolescentes a assumir a corresponsabilidade por sua saúde.” (linhas 28-31), o termo destacado se refere a toda a população.

    ( ) No trecho “É o que mostra trabalho feito por pesquisadores das universidades federais de Minas (UFMG) e de São Paulo (Unifesp).” (linhas 06-09), entende-se, pela construção sintática, que há mais de uma universidade federal em cada um dos estados mencionados, Minas e São Paulo.


    A sequência correta, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão 38f49f67-03
  • 38F20B70-03

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UECE · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 1


    81% dos adolescentes têm dois ou mais fatores de risco para saúde, aponta pesquisa da UFMG e Unifesp


    Q1_8.png (328×433)
    Q_1_8.png (325×392)
    Q__1_8.png (320×121)


    Do HOJE EM DIA - portal@hojeemdia.com.br em 18/07/2024 . Adaptado.
    Assinale a opção em que o termo destacado funciona como conjunção integrante.
    Escolha uma alternativa para a questão 38f20b70-03
  • 5DB0F6A7-D8

    Português

    Coesão e coerência
    ENEM · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    As reações à sétima temporada foram o ápice do último estágio em Game of Thrones. De forma alguma, este que vos fala seria capaz de argumentar que a série é perfeita, mas os defeitos que existem aqui sempre existiram, de uma forma ou de outra, durante os sete anos em que ela esteve no ar. Os dois roteiristas foram brilhantes em traduzir os personagens intrincados e conflituosos da obra de George R. R. Martin, mas nunca souberam exatamente como fazer jus a eles (e especialmente a elas, as mulheres da trama).

    A verdade é que, com tudo isso e mais Ramin Djawadi evocando sentimentos e ambientes improváveis com sua trilha sonora magistral, a série não conseguiria ser ruim nem se tentasse, mas continua sendo uma pena que, ao buscar o seu final com tanta sede e tanta celeridade, Benioff e Weiss tenham tirado sua qualidade mais preciosa: o fôlego, a paciência e o detalhismo que faziam suas palavras se levantarem do papel e ganharem vida.

    Disponível em: https://observatoriodocinema.uol.com.br. Acesso em: 29 nov. 2017 (adaptado).


    Ainda que faça uma avaliação positiva da série, nessa resenha, o autor aponta aspectos negativos da obra ao utilizar
    Escolha uma alternativa para a questão 5db0f6a7-d8
  • 2080A3BE-B7

    Português

    Denotação e Conotação
    UNICAMP · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Qual o macete de ‘Macetando’?


    Macetar, verbo transitivo: “golpear (alguém ou algo) com maceta ou macete, um martelo de cabo curto”. A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer. O coro da multidão que acompanhou Ivete Sangalo na abertura da folia de Salvador comprova que essa é a época ideal para enriquecer o vocabulário. Música gravada pela cantora baiana com participação de Ludmilla, “Macetando” despontou como hit nacional ao encher a boca do povo com o refrão-chiclete: “Ah, bebê, é a Veveta que tá no comando / Macetando, macetando, macetando...”.

    (Adaptado de CUNHA, G. Qual o macete de ‘macetando’? O Globo (versão online), 10/02/2024.)



    Na letra da música em questão, um dos aspectos que contribuem para o mascaramento do significado de macetar é
    Escolha uma alternativa para a questão 2080a3be-b7
  • EE448687-7B

    Português

    Sintaxe
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações a seguir.


    ( ) A expressão de alimento (l. 58) desempenha a função sintática de complemento nominal.

    ( ) A expressão por seus cabelos, braços e colo (l. 67-68) desempenha a função sintática de agente da passiva.

    ( ) A expressão os nossos sonhos (l. 87) desempenha a função sintática de objeto direto.


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é 
    Escolha uma alternativa para a questão ee448687-7b
  • EE2B47C5-7B

    Português

    Orações subordinadas adverbiais: Causal, Comparativa, Consecutiva, Concessiva, Condicional...
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023


    Assinale a alternativa que apresenta relações contextualmente adequadas para Assim como (l. 17), portanto (l. 52) e Se (l. 72), nesta ordem.
    Escolha uma alternativa para a questão ee2b47c5-7b
  • EE22BDDA-7B

    Português

    Funções morfossintáticas da palavra QUE
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023

    Imagem da questão de Português, da prova de 2023


    Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das linhas 03, 05 e 75, nesta ordem. 
    Escolha uma alternativa para a questão ee22bdda-7b
  • 297008BF-7A

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão refere-se ao Texto 2.


    Texto 2

    Q9_15.png (308×632)
    Q9_15_.png (301×177)
    Q9_15__.png (304×389)



    Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In: OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O que sabemos sobre a linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.
    Se a palavra propriedades (l. 42) estivesse no singular, quantas outras palavras na frase deveriam ser alteradas para fins de concordância?
    Escolha uma alternativa para a questão 297008bf-7a
  • 296D8212-7A

    Português

    Análise sintática
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão refere-se ao Texto 2.


    Texto 2

    Q9_15.png (308×632)
    Q9_15_.png (301×177)
    Q9_15__.png (304×389)



    Adaptado de: OLIVEIRA JR., M. O que é entonação? In: OTHERO, G. A.; FLORES, V. N. O que sabemos sobre a linguagem? São Paulo: Parábola, 2022.
    Considere as afirmações abaixo, sobre alternativas de reescrita de algumas frases do texto, fazendo os ajustes necessários de letras maiúsculas e minúsculas.


    I - Deslocamento de Também (l. 30) para imediatamente depois de possível (l. 30).

    II - Deslocamento de por exemplo (l. 57-58) para imediatamente depois de pontuação (l. 58).

    III- Deslocamento de expressamente (l. 70) para imediatamente depois de sendo (l. 70).


    Quais dessas alterações acarretam mudança de sentido na frase original?
    Escolha uma alternativa para a questão 296d8212-7a
  • 29556D92-7A

    Português

    Sintaxe
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão está relacionada ao texto 1.


    Q1_8.png (312×528)
    Q1_8_.png (309×289)
    Q__8__.png (308×73)


    Adaptado de: ASSIS BRASIL, L. A. O pintor de retratos. Porto Alegre: L&PM, 2002.
    Várias passagens do texto apresentam sujeitos não expressos cuja referência pode ser recuperada pelo contexto.


    No bloco abaixo, assinale 1 para as formas verbais cujo sujeito se refere ao personagem Carducci; e 2 para as formas verbais cujo sujeito se refere ao personagem Sandro.


    ( ) gostaria (l. 04).

    ( ) mostrava (l. 27).

    ( ) colocou (l. 30).

    ( ) concordasse (l. 40).

    ( ) devo (l. 43).


    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão 29556d92-7a
  • 294CC052-7A

    Português

    Coesão e coerência
    UFRGS · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão está relacionada ao texto 1.


    Q1_8.png (312×528)
    Q1_8_.png (309×289)
    Q__8__.png (308×73)


    Adaptado de: ASSIS BRASIL, L. A. O pintor de retratos. Porto Alegre: L&PM, 2002.
    Considere as seguintes afirmações sobre os usos de mas (l. 02 e 06).


    I - Funcionam como conjunção que colocam em relação dois segmentos com orientações de sentido distintas.

    II - Mostram que o narrador apresenta o conflito do personagem Sandro entre seu desejo de seguir adiante e o de aceitar o convite do personagem Carducci.

    III- Funcionam como nexo, que, na relação entre segmentos, carregam a ideia de conformidade.


    Quais estão corretas?
    Escolha uma alternativa para a questão 294cc052-7a
  • 4ABD3A5F-75

    Português

    Orações subordinadas adverbiais: Causal, Comparativa, Consecutiva, Concessiva, Condicional...
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
        O dentista me passou a receita de remédio para ajudar a cicatrizar melhor uma pequena cirurgia. Parei na primeira farmácia. Aliás, uma grande farmácia, pertencente a uma dessas redes. Farmácia se tornou supermercado. A gente entra, recebe cestinha, procura os remédios nas gôndolas. E importamos o costume norte-americano de drugstore. Tem de tudo, de remédios a bolachas, leite em pó, calcinha e sutiãs, refrigerantes. Aguardem: cachorro-quente!
        Pois o jovem que me serviu apanhou a receita, olhou, reolhou e perguntou:

       — O que está escrito aqui?
       — O nome do remédio.
       — Sei, mas qual é o remédio?
       — Você é quem tem de saber.
       — Mas como vou saber, se não entendo a letra?
       — Acho que deve ser... Periogard... Isto? Existe um remédio com esse nome?
       — Vou ver.
       Ele foi. Olhou o que foi possível no P. E voltou.
       — Não temos.
       — Acabou ou está em falta?
       — Está em falta.
       Deixei por isso mesmo e continuei. Parei na próxima. Também o jovem olhou, reolhou, cochichou com outro que deu uma vista na receita.
        — Não temos.
        — Que remédio mesmo é? — É esse que está escrito aí. — Sei. Mas não entendo letra de médico.     — Nem eu. Por que não escreveu à máquina?
      Continuei mais um pouco, mas desisti. E fui para casa, pensando naqueles tempos em que o farmacêutico lia qualquer letra. E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário. Que, por sua vez, não dava o braço a torcer. Olhava, e sabia o medicamento. Pode ser que muita gente tenha tomado aquilo que o farmacêutico entendeu e que nem sempre correspondia ao prescrito. Mas, era batata, não falhava. Em Araraquara, de vez em quando, a professora apanhava a prova de um aluno:
          — Que letrinha, hein? Vai ser médico? O que pensa? Que o professor é farmacêutico?
        Eram duas castas bem estabelecidas. Os médicos com as letras ruins e os farmacêuticos que decifravam tudo, champolions1 dedicados. Muitas vezes imaginei que houvesse um conluio, principalmente quando se deixava a receita para aviar2 . Na calada da noite, o farmacêutico batendo à porta do médico e pedindo: “Socorro, doutor. Pode me decifrar as receitas de hoje?” E lá ficavam os dois, labutando.
       Hoje, médicos usam computadores. E as farmácias têm tantos, mas tantos remédios, que é impossível se guardar o nome de todos. Há pilhas de listas, grossíssimas. Ou o povo anda muito doente ou o melhor negócio do mundo é montar um laboratório e em seguida uma farmácia.

    (Ignácio de Loyola Brandão. Crônicas para ler na escola, 2010.)

    1     champolion: Jean-François Champollion, principal responsável pela decifração dos hieróglifos egípcios.

    2    aviar: preparar um medicamento segundo uma prescrição.
    Em “E os médicos pareciam fazer de propósito aqueles garranchos, para colocar à prova o pobre boticário.” (20º parágrafo), o termo sublinhado introduz uma oração que expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 4abd3a5f-75
  • CA1A4F97-75

    Português

    Análise sintática
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o poema da escritora portuguesa Florbela Espanca, publicado originalmente em 1919.



                Vaidade

    Sonho que sou a Poetisa eleita,
    Aquela que diz tudo e tudo sabe,
    Que tem a inspiração pura e perfeita,
    Que reúne num verso a imensidade!

    Sonho que um verso meu tem claridade
    Para encher todo o mundo! E que deleita
    Mesmo aqueles que morrem de saudade!
    Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

    Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
    Aquela de saber vasto e profundo
    Aos pés de quem a terra anda curvada!

    E quando mais no céu eu vou sonhando,
    E quando mais no alto ando voando,
    Acordo do meu sonho... E não sou nada!...


    (Florbela Espanca. Poemas, 1996.)
    O núcleo do sujeito do verbo “deleita” (2a estrofe) é
    Escolha uma alternativa para a questão ca1a4f97-75
  • CA0F75E9-75

    Português

    Coesão e coerência
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Em “Importante, contudo, foi a sentença.” (3o parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
    Escolha uma alternativa para a questão ca0f75e9-75
  • CA0CEDCC-75

    Português

    Análise sintática
    Faculdades de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo · 2023Entre para guardar nos favoritos
    Para responder às questões de 02 a 06, leia a crônica “Médicos e monstros”, de Moacyr Scliar, publicada originalmente no jornal Zero Hora, em 20.08.1997.


       Sentenças judiciais nem sempre têm sido muito felizes no que diz respeito aos direitos humanos, mas este 20 de agosto marca o quinquagésimo aniversário de uma decisão jurídica que se tornaria um marco não apenas na história da justiça como na da ética médica. Naquela data o Tribunal de Nuremberg condenou 23 médicos nazistas por participação em atividades de genocídio.

        O número não chega a ser impressionante. E os réus eram, na verdade, figuras secundárias. Ali não estava, por exemplo, Adolf Eichmann, que injetava corante nos olhos de crianças para torná-los arianamente azuis, ou que matou uma criança com suas próprias mãos para confirmar o diagnóstico de tuberculose, posto em dúvida por colegas. Como outros, ele tinha escapado — para ser alcançado depois pelo longo braço da justiça israelense.

         Importante, contudo, foi a sentença. Porque, anexo a ela, estava um documento que depois se tornaria conhecido como o Código de Nuremberg. Em sua defesa, os médicos nazis haviam alegado que estavam agindo em nome da ciência; para evitar que essa afrontosa alegação servisse de desculpa em crimes posteriores, o Código de Nuremberg estabeleceu vários princípios. Que hoje nos parecem óbvios: um experimento médico só pode ser feito com o consentimento da pessoa; deve proporcionar resultados que beneficiem a humanidade; deve evitar qualquer sofrimento. Que os doutores nazistas tenham violado princípios tão básicos mostra a que ponto chegaram em sua degradação. Mas não só eles, obviamente; em Tuskegee, no Alabama, médicos deixaram de usar a penicilina em pacientes negros com sífilis para observar como evoluiria a doença não tratada (um conhecimento, diga-se de passagem, há muito registrado nos manuais clínicos).

        Robert Louis Stevenson criou as figuras de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, o médico e o monstro, para simbolizar o antagonismo entre o bem e o mal. Nos doutores nazistas esse antagonismo desapareceu: eram médicos e eram monstros. Diante da enorme quantidade de pessoas indefesas, a medicina optou pela extrema crueldade das experiências sem sentido, da tortura impiedosa, das câmaras de gás. Uma experiência que os médicos da ditadura, por exemplo, herdaram e que praticaram — inclusive aqui no Brasil — até há muito pouco tempo.

        Cinquenta anos depois da sentença do Tribunal de Nuremberg, é necessário lembrar, ainda uma vez, que a medicina surgiu, única e exclusivamente, para ajudar o ser humano. Qualquer ser humano.

    (Moacyr Scliar. A nossa frágil condição humana, 2017.)
    Para evitar a sua repetição, garantindo assim uma maior coesão textual, verifica-se no primeiro parágrafo da crônica a omissão do substantivo
    Escolha uma alternativa para a questão ca0cedcc-75