Questões do ENEM: Linguagens e Denotação e Conotação

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110 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 6.

  • 21F06C1A-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2021Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia o artigo “Pó de pirlimpimpim”, do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro.


       Alcançar o aprendizado instantâneo é um desejo poderoso, pois o cérebro sem informação é pouco mais que estofo de macela1 . Emília, a sabida boneca de Monteiro Lobato, aprendeu a falar copiosamente após engolir uma pílula, adquirindo de supetão todo o vocabulário dos seres humanos ao seu redor. No filme Matrix (1999), a ingestão de uma pílula colorida faz o personagem Neo descobrir que todo o mundo em que sempre viveu não passa de uma simulação chamada Matriz, dentro da qual é possível programar qualquer coisa. Poucos instantes depois de se conectar a um computador, Neo desperta e profere estupefato: “I know kung fu”.

       Entretanto, na matriz cerebral das pessoas de carne e osso, vale o dito popular: “Urubu, pra cantar, demora.” O aprendizado de comportamentos complexos é difícil e demorado, pois requer a alteração massiva de conexões neuronais. Há consenso hoje em dia de que o conteúdo dos nossos pensamentos deriva dos padrões de ativação de vastas redes neuronais, impossibilitando a aquisição instantânea de memórias intrincadas.

       Mas nem sempre foi assim. Há meio século, experimentos realizados na Universidade de Michigan pareciam indicar que as planárias, vermes aquáticos passíveis de condicionamento clássico, eram capazes de adquirir, mesmo sem treinamento, associações estímulo-resposta por ingestão de um extrato de planárias já condicionadas. O resultado, aparentemente revolucionário, sugeria que os substratos materiais da memória são moléculas. Contudo, estudos posteriores demonstraram que a ingestão de planárias não condicionadas também acelerava o aprendizado, revelando um efeito hormonal genérico, independente do conteúdo das memórias presentes nas planárias ingeridas.

        A ingestão de memórias é impossível porque elas são estados complexos de redes neuronais, não um quantum de significado como a pílula da Emília. Por outro lado, é sim possível acelerar a consolidação das memórias por meio da otimização de variáveis fisiológicas envolvidas no processo. Uma linha de pesquisa importante diz respeito ao sono, cujo benefício à consolidação de memórias já foi comprovado. Em 2006, pesquisadores alemães publicaram um estudo sobre os efeitos mnemônicos da estimulação cerebral com ondas lentas (0,75 Hz) aplicadas durante o sono por meio de um estimulador elétrico. Os resultados mostraram que a estimulação de baixa frequência é suficiente para melhorar o aprendizado de diferentes tarefas. Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim.


    (Sidarta Ribeiro. Limiar: ciência e vida contemporânea, 2020.)


    1macela: planta herbácea cujas flores costumam ser usadas pela população como estofo de travesseiros. 
    Em “Ao que parece, as oscilações lentas do sono são puro pó de pirlimpimpim” (4o parágrafo), o autor caracteriza as “oscilações lentas do sono” como um processo 
    Escolha uma alternativa para a questão 21f06c1a-8b
  • 21D6855E-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2021Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.


       Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.

       O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro — como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido1 passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras2 , uma avantesma3 ... 

        Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.

        Dizem as folhas4 que a polícia, competentemente munida de bentinhos5 e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um velho pardieiro6 que fica no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos “pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que os sitiantes7 empunhavam”.

       Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados, companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou.


    (Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)


    1 esbatido: de tom pálido.

    2 a desoras: muito tarde.

    3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.

    4 folha: periódico diário, jornal.

    5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.

    6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.

    7 sitiante: policial.
    Em “Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos” (5o parágrafo), o termo sublinhado está empregado na mesma acepção do termo sublinhado em 
    Escolha uma alternativa para a questão 21d6855e-8b
  • 21CF371F-8B

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2021Entre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia a crônica “Almas penadas”, de Olavo Bilac, publicada originalmente em 1902.


       Outro fantasma?... é verdade: outro fantasma. Já tardava. O Rio de Janeiro não pode passar muito tempo sem o seu lobisomem. Parece que tudo aqui concorre para nos impelir ao amor do sobrenatural [...]. Agora, já se não adormecem as crianças com histórias de fadas e de almas do outro mundo. Mas, ainda há menos de cinquenta anos, este era um povo de beatos [...]. [...] Os tempos melhoraram, mas guardam ainda um pouco dessa primitiva credulidade. Inventar um fantasma é ainda um magnífico recurso para quem quer levar a bom termo qualquer grossa patifaria. As almas simples vão propagando o terror, e, sob a capa e a salvaguarda desse temor, os patifes vão rejubilando.

       O novo espectro que nos aparece é o de Catumbi. Começou a surgir vagamente, sem espalhafato, pelo pacato bairro — como um fantasma de grande e louvável modéstia. E tão esbatido1 passava o seu vulto na treva, tão sutilmente deslizava ao longo das casas adormecidas — que as primeiras pessoas que o viram não puderam em consciência dizer se era duende macho ou duende fêmea. [...] O fantasma não falava — naturalmente por saber de longa data que pela boca é que morrem os peixes e os fantasmas... Também, ninguém lhe falava — não por experiência, mas por medo. Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras2 , uma avantesma3 ... 

        Assim, um profundo mistério cercava a existência do lobisomem de Catumbi — quando começaram de aparecer vestígios assinalados de sua passagem, não já pelas ruas, mas pelo interior das casas. Não vades agora crer que se tenham sumido, por exemplo, as hóstias consagradas da igreja de Catumbi, ou que os empregados do cemitério de S. Francisco de Paula tenham achado alguma sepultura vazia, ou que algum circunspecto pai de família, certa manhã, ao despertar, tenha dado pela falta... da própria alma. Nada disso. Os fenômenos eram outros. Desta casa sumiram-se as arandelas, daquela outra as galinhas, daquela outra as joias... E a polícia, finalmente, adquiriu a convicção de que o lobisomem, para perpétua e suprema vergonha de toda a sua classe, andava acumulando novos pecados sobre os pecados antigos, e dando-se à prática de excessos menos merecedores de exorcismos que de cadeia.

        Dizem as folhas4 que a polícia, competentemente munida de bentinhos5 e de revólveres, de amuletos e de sabres, assaltou anteontem o reduto do fantasma. Um jornal, dando conta da diligência, disse que o delegado achou dentro da casa sinistra — um velho pardieiro6 que fica no topo de uma ladeira íngreme — alguns objetos singulares que pareciam instrumentos “pertencentes a gatunos”. E acrescentou: “alguns morcegos esvoaçavam espavoridos, tentando apagar as velas acesas que os sitiantes7 empunhavam”.

       Esta nota de morcegos deve ser um chique romântico do noticiarista. No fundo da alma de todo o repórter há sempre um poeta... Vamos lá! nestes tempos, que correm, já nem há morcegos. Esses feios quirópteros, esses medonhos ratos alados, companheiros clássicos do terror noturno, já não aparecem pelo bairro civilizado de Catumbi. Os animais, que esvoaçavam espavoridos, eram sem dúvida os frangões roubados aos quintais das casas... Ai dos fantasmas! e mal dos lobisomens! o seu tempo passou.


    (Olavo Bilac. Melhores crônicas, 2005.)


    1 esbatido: de tom pálido.

    2 a desoras: muito tarde.

    3 avantesma: alma do outro mundo, fantasma, espectro.

    4 folha: periódico diário, jornal.

    5 bentinho: objeto de devoção contendo orações escritas.

    6 pardieiro: prédio velho ou arruinado.

    7 sitiante: policial.
    “Porque, enfim, pode um homem ter nascido num século de luzes e de descrenças, e ter mamado o leite do liberalismo nos estafados seios da Revolução Francesa, e não acreditar nem em Deus nem no Diabo — e, apesar disso, sentir a voz presa na garganta, quando encontra na rua, a desoras, uma avantesma...” (2o parágrafo)


    Nesse trecho, o cronista acaba por desconstruir a oposição entre
    Escolha uma alternativa para a questão 21cf371f-8b
  • 803C7E46-92

    Português

    Denotação e Conotação
    UECE · 2020MédioEntre para guardar nos favoritos

    O Poeta da Roça


    Sou fio das mata, cantô da mão grosa
    Trabaio na roça, de inverno e de estio
    A minha chupana é tapada de barro
    Só fumo cigarro de paia de mio

    Sou poeta das brenha, não faço o papé
    De argum menestrê, ou errante cantô
    Que veve vagando, com sua viola
    Cantando, pachola, à percura de amô

    Não tenho sabença, pois nunca estudei
    Apenas eu seio o meu nome assiná
    Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
    E o fio do pobre não pode estudá

    Meu verso rastero, singelo e sem graça
    Não entra na praça, no rico salão
    Meu verso só entra no campo da roça e
     [dos eito
    E às vezes, recordando feliz mocidade
    Canto uma sodade que mora em meu peito.
    [...]
    Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
    Coberto de trapo e mochila na mão,
    Que chora pedindo o socorro dos home,
    E tomba de fome, sem casa e sem pão.

    E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
    Eu vivo contente e feliz com a sorte,
    Morando no campo, sem vê a cidade,
    Cantando as verdade das coisa do Norte.

    Adaptada de ASSARÉ, Patativa do.
    Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador
    nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
    Patativa do Assaré, apesar de ter inúmeros poemas publicados, não escrevia nenhum deles. Com habilidade inacreditável de memorização, o poeta decorava todos seus poemas. Todos os versos que hoje podemos ver são graças ao trabalho de outras pessoas que se empenharam em transcrever os poemas do poeta, seja ouvindo diretamente do poeta, seja através de gravações. Deste modo, sua poesia é fortemente marcada pela oralidade. No texto de Patativa do Assaré, aparecem expressões da fala popular como “Sou fio das mata, cantô da mão grosa” (linha 160), “Trabaio na roça, de inverno e de estio”, (linha 161) “Cantando, pachola, à percura de amô” (linha 167). Considerando este aspecto da poesia de Patativa do Assaré, atente para as seguintes afirmações:

    I. Este tipo de linguagem revela, no texto, uma escrita de estilo coloquial marcada pelo uso consciente de palavras próprias da fala.
    II. As expressões coloquiais utilizadas no texto revelam o lugar de onde veio o poeta e sua história, deixando claro que a poesia que produz é sobre as coisas simples da vida.
    III. O emprego destes coloquialismos revela a cultura local em que o autor está inserido.

    Está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão 803c7e46-92
  • 78B92B1B-06

    Português

    Denotação e Conotação
    Centro Universitário São Camilo · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o poema de Jorge de Lima (1895-1953) para responder à questão. 

    O acendedor de lampiões 

    Lá vem o acendedor de lampiões da rua!
    Este mesmo que vem infatigavelmente,
    Parodiar o sol e associar-se à lua
    Quando a sombra da noite enegrece o poente! 

    Um, dois, três lampiões, acende e continua
    Outros mais a acender imperturbavelmente,
    À medida que a noite aos poucos se acentua
    E a palidez da lua apenas se pressente.

    Triste ironia atroz que o senso humano irrita: —
    Ele que doira a noite e ilumina a cidade,
    Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

    Tanta gente também nos outros insinua
    Crenças, religiões, amor, felicidade,
    Como este acendedor de lampiões da rua!

    (Antologia poética: Jorge de Lima, 2014.)
    No contexto do poema, o verso “Parodiar o sol e associar-se à lua” (1a estrofe) expressa,
    Escolha uma alternativa para a questão 78b92b1b-06
  • 2126FBA8-32

    Português

    Análise sintática
    UEL · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia a crônica a seguir, de Luis Fernando Veríssimo, e responda à questão:

    Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico: só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
    Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando “Não me olhem! Não me olhem!”, só para chamar a atenção.
    O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
    O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.
    O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
    VERISSIMO, Luis Fernando. Da Timidez. In: Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 111-112.
    Acerca dos recursos linguístico-semânticos utilizados nos dois primeiros parágrafos da crônica, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 2126fba8-32
  • D3EB9350-FD

    Português

    Denotação e Conotação
    UFRN · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    O Texto  servirá de base para a questão.


    TOMATE, O DIURÉTICO NATURAL


            Quem tem raízes italianas sabe que o tomate é um fruto indispensável no preparo de refeições. Ingrediente principal de molhos, ele faz parte do dia a dia dos brasileiros, acompanhando massas, cortado na salada, picado no vinagrete, batido na sopa ou até em forma de suco. Caqui, cereja, italiano, o que não faltam são opções para quem quiser variar no cardápio com ele, que sempre agrega sabor e saúde às mais diversas refeições.

            Porém, sua versatilidade não está só nos tipos. Muito saudável, é também uma boa escolha para quem busca prevenir uma série de doenças. É o caso do câncer de próstata: um estudo recente publicado na revista Molecular Cancer Research relacionou a ingestão de altos níveis de betacaroteno à prevenção do desenvolvimento de tumores na região. Outro fator de saúde associado ao seu consumo é a perda de peso. "O fruto auxilia no emagrecimento por ter baixo valor calórico. Possui ainda propriedades desintoxicantes, influenciando positivamente o funcionamento dos rins e promovendo efeito diurético, que aumenta a quantidade de líquido eliminado", explica a nutricionista Amanda Maffei (SP). Ela ressalta ainda que o fruto é capaz de combater o acúmulo da gordura localizada graças à sua ação anti-inflamatória.

            Uma das substâncias do tomate que traz benefícios ao organismo é o licopeno, um carotenoide que lhe dá a coloração vermelha. "Esse antioxidante combate os radicais livres, prevenindo o envelhecimento precoce e protegendo o sistema cardiovascular", pontua Amanda. O carotenoide também tem sido associado aos fatores de prevenção do câncer de próstata. Além disso, de acordo com a dermatologista Patrícia Mafra (SP), esse antioxidante ajuda no combate aos radicais livres e evita o envelhecimento precoce da pele causado pelos raios ultravioleta.


    Vitaminas benéficas


    Amanda destaca a forte presença das vitaminas A e C no tomate, nutrientes importantes para o sistema imunológico e para a visão, que tornam o consumo desse vegetal ainda mais recomendado. "Há também o magnésio, que age no metabolismo energético e no funcionamento das células, é relaxante muscular e equilibra a acidez sanguínea", acrescenta. Outra substância importante contida no vegetal é o cromo, que ajuda a regular os níveis de açúcar no sangue, como explica a nutricionista Regina Teixeira (SP). "O tomate contribui ainda para a redução do colesterol e a prevenção de infecções, além de eliminar ácido úrico do organismo", completa.


    Cuidados importantes


            Para quem apresenta problemas digestórios, como a gastrite, a recomendação é tomar cuidado. "Esse é um alimento ácido, que aumenta a produção de ácido clorídrico, causando mais dor", adverte Amanda. Ela também alerta sobre a quantidade de potássio contida no tomate, que pode aumentar a formação de cálculos renais, principalmente para as pessoas que possuem essa predisposição.


            Em relação ao consumo, 100 g de tomate (algo como uma unidade grande) forneceriam cerca de 6% da dose diária recomendada de potássio para adultos. A maior ingestão do nutriente na dieta está associada a menores taxas de acidente vascular cerebral (AVC) e pode diminuir a incidência de doenças cardiovasculares. A nutricionista Regina recomenda incluí-lo no cardápio diariamente e acrescenta: "Existe uma vantagem no consumo cozido, porque nosso organismo absorve melhor o licopeno, especialmente quando regado com um fio de azeite".


    Na hora da compra


            Quando for escolher o fruto ideal, opte sempre pelos mais firmes e vermelhos e higienize muito bem antes de consumir. "Todo tomate deve ser lavado em água corrente e, em seguida, ficar imerso por 15 minutos em um litro de água com uma colher cheia (sopa) de solução de hipoclorito de sódio. Depois desse tempo, enxágue em água corrente antes de consumir", indica a nutricionista Maria Eduarda MeIo (SP). No entanto, ela ressalta que essa higienização tem o objetivo de diminuir os riscos microbiológicos, mas não de el iminar resíduos de agrotóxicos. ''As melhores opções são o consumo de alimentos da época ou orgânicos", pondera.

    VIEIRA, Mariana; TORETTA, Murilo. Tomate, o diurético natural. VIVASAÚDE. São Paulo: Editora Escala, Ed. 188, jan. 2019. p. 36-39. [Adaptado].

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019      Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    O texto apresenta uma linguagem
    Escolha uma alternativa para a questão d3eb9350-fd
  • F7BA5CAB-FC

    Português

    Adjetivos
    FUVEST · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

     amora                                          

     a palavra amora                          

      seria talvez menos doce               

     e um pouco menos vermelha      

     se não trouxesse em seu corpo  

    (como um velado esplendor)      

      a memória da palavra amor         


       a palavra amargo                         

    seria talvez mais doce              

    e um pouco menos acerba       

    se não trouxesse em seu corpo

    (como uma sombra a espreitar)

     a memória da palavra amar       

    Marco Catalão, Sob a face neutra.

    Tal como se lê no poema,
    Escolha uma alternativa para a questão f7ba5cab-fc
  • C582943C-F9

    Português

    Denotação e Conotação
    IF-BA · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Leia os itens abaixo:


    I – “A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão”. (linhas 57-58)

    II – “Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho”. (linhas 158-160)

    III – “Maria olhou saudosa e desesperada para o primeiro”. (linhas 102-104)

    V – “Estavam todos armados com facas- -laser que cortam até a vida”. (linhas 153- 155)


    Assinale a alternativa em que o sentido conotativo está presente:

    Escolha uma alternativa para a questão c582943c-f9
  • B3D1796F-DE

    Português

    Denotação e Conotação
    Faculdade de Medicina de Olinda · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos
    Após a leitura do poema a seguir, analise as assertivas que estão corretamente relacionadas a ele de acordo com as características apresentadas.

    Canção amiga

    Eu preparo uma canção,
    em que minha mãe se reconheça
    todas as mães se reconheçam
    e que fale como dois olhos.
    [...]
    Aprendi novas palavras
    E tornei outras mais belas.
    Eu preparo uma canção
    que faça acordar os homens
    e adormecer as crianças.

    (ANDRADE, C. D. Novos Poemas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1948. Fragmento.)


    I. É possível identificar que o texto tem como objetivo central a transmissão de uma orientação relevante ao leitor.

    II. O exclusivo emprego de linguagem conotativa é elemento suficiente para a caracterização do texto como literário.

    III. Sendo um texto literário, “Canção amiga” demonstra a exploração da capacidade significativa da língua para provocar determinada reação no leitor.


    Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)
    Escolha uma alternativa para a questão b3d1796f-de
  • A6BDB855-CD

    Português

    Denotação e Conotação
    Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Instrução: A questão pode referir-se ao texto abaixo; consulte-o, quando necessário. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

    Empreendedores e suas bolinhas de gude
    Por Romero Rodrigues
    Imagem da questão de Português, da prova de 2019
    (Fonte: https://www.istoedinheiro.com.br – 25/09/19 – texto adaptado)

    Em relação à linguagem do texto, é correto afirmar que:

    I. A linguagem é predominantemente denotativa, visto que os vocábulos são utilizados em seus significados básico e literal.
    II. A linguagem é predominantemente conotativa, em que as palavras, em sua maioria, ganham um novo significado no contexto de ocorrência.
    III. A informalidade da linguagem é precária, haja vista que os vocábulos contidos no texto são concentrados na sabedoria popular.

    Quais estão corretas?
    Escolha uma alternativa para a questão a6bdb855-cd
  • CBD2402C-CB

    Português

    Denotação e Conotação
    IF-PE · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 3

    VILAREJO

    Há um vilarejo ali
    Onde areja um vento bom
    Na varanda quem descansa
    Vê o horizonte deitar no chão
    Pra acalmar o coração
    Lá o mundo tem razão

    Terra de heróis, lares de mãe
    Paraíso se mudou para lá
    Por cima das casas cal

    Frutas em qualquer quintal
    Peitos fartos, filhos fortes
    Sonhos semeando o mundo real
    Toda a gente cabe lá
    Palestina, Shangri-lá

    Vem andar e voa
    Vem andar e voa
    Vem andar e voa

    Lá o tempo espera
    Lá é primavera
    Portas e janelas ficam sempre abertas
    Pra sorte entrar
    Em todas as mesas pão

    Flores enfeitando
    Os caminhos, os vestidos
    Os destinos e essa canção
    Tem um verdadeiro amor
    Para quando você for

    Compositores: Marisa Monte/Pedro Baby/Carlinhos Brown/Arnaldo Antunes

    Em relação aos recursos de estilo no TEXTO 3, analise as afirmativas abaixo.

    I. Os compositores optaram por empregar uma linguagem predominantemente denotativa, impessoal, o que comunga com o gênero em que se enquadra o TEXTO 3.

    II. A seleção vocabular em pares como “varanda/descansa”, “fartos/fortes” e “sonhos/semeando” revela o emprego de figuras como aliteração e assonância, o que contribui para a sonoridade do texto.

    III. No verso “Sonhos semeando o mundo real”, infere-se que os sonhos não se contrapõem à realidade; eles são importantes para a construção de um mundo mais justo.

    IV. Uma interpretação possível para o TEXTO 3 é a de que o “Vilarejo” é uma metáfora de um lugar onde existam segurança e igualdade social.

    V. Levando-se em consideração que o sufixo da palavra “Vilarejo” expressa uma ideia de pequeno tamanho, é um equívoco que nesse lugar não haja exclusão – “Toda a gente cabe lá”.

    Estão CORRETAS, apenas, as afirmativas

    Escolha uma alternativa para a questão cbd2402c-cb
  • 1AC6F47F-B9

    Português

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    UNESP · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

        — […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.

    (Quincas Borba, 2016.)

    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1ac6f47f-b9
  • 1AAF48A2-B9

    Português

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    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas:
    Escolha uma alternativa para a questão 1aaf48a2-b9
  • 0D9039F1-99

    Português

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    USP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO PARA A QUESTÃO

    amora

    a palavra amora
    seria talvez menos doce
    e um pouco menos vermelha
    se não trouxesse em seu corpo
    (como um velado esplendor)
    a memória da palavra amor

    a palavra amargo
    seria talvez mais doce
    e um pouco menos acerba
    se não trouxesse em seu corpo
    (como uma sombra a espreitar)
    a memória da palavra amar
    Marco Catalão, Sob a face neutra.
    Tal como se lê no poema,
    Escolha uma alternativa para a questão 0d9039f1-99
  • 2958AF58-D9

    Português

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    IF-TM · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho abaixo para responder à questão:

    “Mariana se virou na cama, pensando em seus alunos. Sabia que eles não se alimentavam antes de ir para a escola. No acampamento, muitas crianças passavam fome. Era uma vida de cachorro. Aliás, pensando bem, era uma vida que nem cachorro merecia.” (p. 22)
    (Trecho retirado do livro “Menino Passarinho” (2011), de Sueli Maria de Regino.)

    A expressão “vida de cachorro” está relacionada à utilização de uma linguagem em sentido
    Escolha uma alternativa para a questão 2958af58-d9
  • 8D1718F3-D8

    Português

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    INSPER · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto para responder às questão de número

    Drogas e mortes

        As taxas de homicídios dolosos e de mortes de trânsito no Brasil, é notório, situam o país entre os mais violentos do planeta. No ano passado, registraram-se quase 56 mil assassinatos intencionais, ou 27 por 100 mil habitantes. Em 2016, pelo dado mais recente, 38 mil vidas foram ceifadas em ruas e estradas nacionais, cerca de 19 por 100 mil.
        Diante dessa carnificina cotidiana, deve-se exigir das autoridades nada menos que a busca de estratégias mais efetivas para a prevenção desses óbitos. Países desenvolvidos, já há algumas décadas, passaram a adotar com sucesso políticas públicas ancoradas em evidências empíricas. Nem sempre é o que ocorre por aqui, no entanto.
        Tome-se o exemplo da associação entre a ingestão de álcool e o aumento da violência interpessoal (homicídios e agressões) e dos acidentes de trânsito. Embora a relação esteja bem estabelecida na literatura da área, praticamente inexistem no país dados sobre o consumo da substância pelas vítimas.
       Estudo recente conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e noticiado por esta Folha jogou luz sobre tal questão na cidade de São Paulo.
        Os pesquisadores analisaram amostras de sangue de 365 vítimas de crimes violentos. Constatou-se que, em 55% dos casos, havia traços de álcool ou outras drogas.
        Também entre as vítimas de acidentes de trânsito analisadas no trabalho, chama a atenção o alto percentual de casos (43%) que mostraram resquícios de álcool no sangue.
        Embora o país conte há uma década com severa legislação sobre o tema, a taxa indica que o diploma deveria ser mais efetivo em seu propósito. Leis como essa não devem ter a meta de apreender transgressores, mas de criar a percepção de que aqueles que a infringirem serão pegos e punidos.
        O estudo deveria servir de exemplo para que o país invista na geração contínua de dados como esses. Assim será possível identificar as causas dos problemas, avaliar a efetividade das políticas públicas adotadas e orientar a formulação de novas estratégias.

    (Editorial. Folha de S.Paulo, 20.10.2018. Adaptado) 
    Um dos recursos utilizados no editorial para convencimento do público em relação ao tema tratado é o emprego dos dados estatísticos. Outra estratégia é o uso de linguagem figurada que acentua a problemática, como na passagem:
    Escolha uma alternativa para a questão 8d1718f3-d8
  • 3E159051-C4

    Português

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    UEG · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2018

    KING, Stephen. Sobre a escrita. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p.151.
    No enunciado “Essa busca na memória será breve, porém intensa, um tipo de evocação hipnótica”, a palavra “evocação” pode ser substituída, sem prejuízo gramatical e semântico, por
    Escolha uma alternativa para a questão 3e159051-c4
  • 1E8607CE-B5

    Português

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    Universidade Federal de Viçosa · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto II

    Marketing sonhático


    Produtos com ingredientes orgânicos e fabricados respeitando as tradições locais tendem a ganhar pontos. Por isso, um número crescente de empresas exagera um tantinho na hora de se "vender". A fabricante carioca de sucos Do Bem, criada em 2007, publica verdadeiros manifestos em suas caixinhas.

    A Do Bem não usa açúcar, corantes ou conservantes para fazer uma "bebida verdadeira". Um desses manifestos diz que suas laranjas, "colhidas fresquinhas todos os dias, vêm da fazenda do senhor Francesco do interior de São Paulo, um esconderijo tão secreto que nem o Capitão Nascimento poderia descobrir"

    Os sucos custam cerca de 10% mais do que os da concorrência. Mas as laranjas não são tão especiais assim. Na verdade, quem fornece o suco para a Do Bem não é seu Francesco, que jamais existiu, mas empresas como a Brasil Citrus, que vende o mesmo produto para as marcas próprias de supermercados.

    Em nota, a empresa disse que não comenta a política de fornecedores e que o personagem Francesco é "inspirado em pessoas reais". Até grandes empresas estão enveredando para esse marketing mais, digamos, sonhático. A Coca-Cola, por exemplo, lançou em 2011 no Brasil um suco chamado Limão & Nada.

    A promessa, a julgar pelo nome, era que aquele fosse um suco natural de limão. Mas a bebida tinha outros ingredientes na formulação, açúcar entre eles, e acabou saindo de linha no ano passado [2013]. A CocaCola diz, em nota, que os ingredientes eram informados na embalagem e que o nome não pretendia confundir o consumidor. 

    Nos Estados Unidos, uma reportagem desmascarou dezenas de destilarias de uísque ditas artesanais. Algumas delas, criadas há poucos anos, vendiam bebidas envelhecidas 15 anos, o que chamou a atenção de consumidores mais desconfiados. Descobriu-se que mais de 40 marcas compravam uísque de um mesmo fornecedor, a fábrica MGP, uma das maiores do país, localizada no estado de Indiana.

    Entre as desmascaradas está a Breaker Bourbon, que afirmava produzir sua bebida numa destilaria nas montanhas douradas da costa californiana. "Todo mundo tem uma história boa e verdadeira para contar. As empresas não precisam ser desonestas com seus clientes", diz Mauricio Mota, sócio da agência de conteúdo The Alchemists.

    Para o publicitário Washington Olivetto, presidente da WMcCann, que ajudou na criação da Diletto, "um lindo produto merece uma linda história". Se a história for verdadeira, tanto melhor.

    Fonte: Adaptado de: Leal, Ana Luiza. Toda empresa quer ter uma boa história. Algumas são mentira. Revista Exame, 23/10/14. Acesso em: 23/10/17.
    Disponível em: https://exame.abril.com.br/revista-exame/marketing-ou-mentira/
    Em relação ao termo sonhático, utilizado na frase 'Até grandes empresas estão enveredando para esse marketing mais, digamos, sonhático", é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 1e8607ce-b5