Questões do ENEM: Linguagens e Romantismo
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217 questões encontradas. Mostrando a página 3 de 11.
45C56F6E-D8 Leia o trecho do romance A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, para responder à questão.Chegou o sábado. O nosso Augusto, depois de muitos rodeios e cerimônias, pediu finalmente licença para ir passar o dia de domingo na ilha de… e obteve em resposta um não redondo; jurou que tinha dado sua palavra de honra de lá se achar nesse dia e o pai, para que o filho não cumprisse a palavra, nem faltasse à honra, julgou muito conveniente trancá-lo em seu quarto. Mania antiga é essa de querer triunfar das paixões com fortes meios; erro palmar, principalmente no caso em que se acha o nosso estudante; amor é um menino doidinho e malcriado que, quando alguém intenta refreá-lo, chora, escarapela, esperneia, escabuja, morde, belisca e incomoda mais que solto e livre; prudente é facilitar-lhe o que deseja, para que ele disso se desgoste; soltá-lo no prado, para que não corra; limpar-lhe o caminho, para que não passe; acabar com as dificuldades e oposições, para que ele durma e muitas vezes morra. O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito, o maldito rasga, esburaca e se aprofunda.(A moreninha, 1997.)No romance A moreninha, o personagem Augusto é um jovemEAD3F82A-D5 Literatura
BarrocoCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosÉ uma tendência substancialmente poética, situada na segunda metade do século XIX. Embora seja simultaneamente contemporânea do Realismo e do Naturalismo, não compartilha dos ideais desses movimentos literários, pois não pretende fazer da arte um mecanismo de interpretação objetiva. Pretende, isso sim, um esteticismo ancorado no princípio da “arte pela arte”, suprimindo da obra de arte qualquer dimensão utilitarista.O culto à forma, a sofisticação de seus meios de expressão e a rejeição de assuntos corriqueiros e triviais são as marcas mais evidentes de seu projeto de ‘arte poética’.As criações literárias, como todo produto da linguagem, são contextualizadas. Assim, essas criações transparecem marcas de seu tempo e da cultura dos grupos que representam. Podem ser, desse modo, indícios do que viveram os povos, em diferentes momentos de sua história. Não é por acaso, portanto, que:EACFA469-D5 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosÉ uma tendência substancialmente poética, situada na segunda metade do século XIX. Embora seja simultaneamente contemporânea do Realismo e do Naturalismo, não compartilha dos ideais desses movimentos literários, pois não pretende fazer da arte um mecanismo de interpretação objetiva. Pretende, isso sim, um esteticismo ancorado no princípio da “arte pela arte”, suprimindo da obra de arte qualquer dimensão utilitarista.O culto à forma, a sofisticação de seus meios de expressão e a rejeição de assuntos corriqueiros e triviais são as marcas mais evidentes de seu projeto de ‘arte poética’.A Literatura continua a ser, também, um instrumento de denúncia social e de empoderamento, buscando tornar públicas as marcas da opressão e a exclusão social sofrida pela população, bem como as mazelas advindas de uma sociedade ainda marcada pela desigualdade e pela intolerância. Embora em diferentes épocas, são representantes dessa tendência da Literatura, autores como:1) Olavo Bilac, no poema Canção do exílio.2) João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina.3) Graciliano Ramos, em Vidas Secas.4) Castro Alves, no poema Ao romper d’alva.Estão corretas as informações em:EAC7F1F1-D5 Literatura
ArcadismoCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2019FácilEntre para guardar nos favoritosÉ uma tendência substancialmente poética, situada na segunda metade do século XIX. Embora seja simultaneamente contemporânea do Realismo e do Naturalismo, não compartilha dos ideais desses movimentos literários, pois não pretende fazer da arte um mecanismo de interpretação objetiva. Pretende, isso sim, um esteticismo ancorado no princípio da “arte pela arte”, suprimindo da obra de arte qualquer dimensão utilitarista.O culto à forma, a sofisticação de seus meios de expressão e a rejeição de assuntos corriqueiros e triviais são as marcas mais evidentes de seu projeto de ‘arte poética’.O texto acima define características de um período literário conhecido como:B60FD8A2-C4 Literatura
ArcadismoUEG · 2019FácilEntre para guardar nos favoritosObserve a imagem e leia o fragmento a seguir para responder à questão.
AMOEDO, Rodolfo. O último Tamoio (1883), Óleo sobre tela. Disponível em: https://www.enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1230 /o-ultimo-tamoio. Acesso em: 25 jun. 2019.Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 15.Em termos de periodização estético-literária, tanto a pintura quanto o fragmento apresentados constituem obras pertencentes ao1AD6F954-B9 Literatura
ArcadismoUNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosTal movimento distingue-se pela atenuação do sentimentalismo e da melancolia, a ausência quase completa de interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e (como os modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa dos autores desse movimento não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto.
(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)
O texto refere-se ao movimento denominado
1D514E5C-B9 Literatura
Escolas LiteráriasUFRGS · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosSobre Úrsula, romance de Maria Firmina dos Reis, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) O romance é narrado em primeira pessoa por Úrsula, jovem negra escravizada e depois alforriada por Tancredo, senhor com quem a protagonista se casa.
( ) A linguagem apresenta variedade de registro: personagens negras comunicam-se de forma coloquial, personagens brancas adotam a norma culta da língua.
( ) O enredo está centrado no amor fracassado entre Úrsula e Tancredo, embora personagens como Túlio e mãe Susana sejam cruciais para o romance, especialmente na definição de seu caráter antiescravista.
( ) O escravocrata comendador Fernando P., antagonista de Tancredo na disputa por Úrsula, arrepende-se de seus crimes no final da vida e, recolhido em um convento, transforma-se no frei Luís de Santa Úrsula.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
1D4DB010-B9 Literatura
Escolas LiteráriasUFRGS · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosConsidere as seguintes afirmações sobre Maria Firmina dos Reis e seu romance Úrsula.
I - O romance Úrsula foi publicado no Maranhão, em 1859, sob o pseudônimo de “Uma Maranhense”, e quase não se tem notícia de sua circulação à época da publicação. Recuperado na segunda metade do século XX, só então o livro passa a ser reeditado e minimamente debatido no meio literário.
II - Nas primeiras páginas do romance, uma voz que pode ser lida como a da autora apresenta, a modo de prólogo, seu livro ao leitor, consciente das limitações que seriam impostas a ele por ter sido escrito por uma mulher brasileira de educação acanhada.
III- A circulação limitada de Úrsula dá mostras de que, associados ao valor estético, fatores como classe social, gênero e raça do escritor também participam da definição do cânone literário.
Quais estão corretas?
60D5EAFB-09 Literatura
ArcadismoUEA · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosNos anos em que atuaram estes escritores, a poesia brasileira percorreu os meandros do extremo subjetivismo, à Byron e à Musset. Alguns poetas adolescentes, mortos antes de tocarem a plena juventude, darão exemplo de toda uma temática emotiva de amor e morte, dúvida e ironia, entusiasmo e tédio.(Alfredo Bosi. História concisa da literatura brasileira, 2006. Adaptado.)O texto refere-seB1F61006-05 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018FácilEntre para guardar nos favoritosO Romantismo brasileiro se distinguiu, em relação a outros períodos da literatura nacional, pois:A6FA3B4C-E7 Literatura
Escolas LiteráriasCentro universitário FAG · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritosSobre a obra de Alvares de Azevedo, “Se eu morresse amanhã”, é CORRETO afirmar:F580B9A9-E3 Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Católica de Pelotas · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosOs contos de Machado de Assis constituem pequenas obras-primas da literatura brasileira. No conto “Missa do Galo”, por exemplo, o autor revela sua capacidade de trabalhar com a questão do erótico sem apelar para as descrições de cunho sexual, algo que é percebido como crítica ao9378898A-DB Literatura
ArcadismoFaculdade de Medicina de Marília · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosRecusando as regras, os modelos e as normas, seus autores defendem a total liberdade criadora. Aos gêneros estanques opõem a sua mistura, conforme o livre-arbítrio do escritor; à ordem clássica, a aventura; ao equilíbrio racional, a anarquia, o caos; ao universalismo estético, o individualismo; ao Cosmos, o “eu” particular; o seu ego constitui a única paisagem que lhe interessa, de tal forma que a Natureza se lhe afigura mera projeção do seu mundo interior.
(Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.)
O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se aos autores do seguinte movimento literário:
3343FE52-D8 Literatura
ArcadismoEnsino Einstein · 2018FácilEntre para guardar nos favoritosSe, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista.
(Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)
O movimento a que o texto se refere é o
97030972-D5 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosUm dos principais temas do Romantismo brasileiro foi o indigenismo. Poetas e prosadores como Gonçalves Dias, Machado de Assis e José de Alencar exploraram em suas obras, dentro de uma perspectiva mítica, a figura do índio. No caso de José de Alencar, quais dos seus romances versam sobre a temática indigenista?8E1F427D-D5 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO 3Durante séculos, os jornais impressos eram o único meio regular de divulgação de notícias. Com o avanço das tecnologias de transmissão de informação (rádio, televisão, internet), o contexto de circulação das notícias foi radicalmente alterado.Um exemplo ilustra bem essa transformação. Em 11 de setembro de 2001, quando terroristas lançaram aviões contra alvos americanos, matando milhares de pessoas, a opinião pública acompanhou, pelas telas de computador e televisão, os dramáticos acontecimentos.Jornais impressos não teriam condições de levar as notícias a milhões de pessoas em todo o mundo à medida que os fatos iam acontecendo.Essa constatação nos obriga a concluir algo importante: a depender do meio em que circulam as notícias, elas assumem configurações diferentes. Uma notícia redigida para ser postada em um portal da internet provavelmente contará com menos informações do que a notícia equivalente que será publicada na edição do jornal no dia seguinte. Isso ocorre porque, com a necessidade de informar os fatos no exato instante em que acontecem, os portais da internet não têm como garantir o tempo necessário para a apuração mais minuciosa dos detalhesdo fato noticiado.É comum, inclusive, algumas das notícias veiculadas nesses portais serem atualizadas ao longo do dia, para acréscimo de detalhes e correção das informações iniciais que se mostram inexatas. Os jornais impressos não enfrentam essas dificuldades, porque dispõem de mais tempo e podem, assim, trazer informações mais completas e bem elaboradas.Maria Luiza Abaurre e Maria Bernadete Abaurre. Produção de Texto – interlocução e gêneros. São Paulo: Editora Moderna, 2007, p. 69. (Adaptado).
As tendências defendidas por cada período literário estão coerentemente sintetizadas na seguinte alternativa:8E1C37A6-D5 Literatura
ArcadismoCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosTEXTO 3Durante séculos, os jornais impressos eram o único meio regular de divulgação de notícias. Com o avanço das tecnologias de transmissão de informação (rádio, televisão, internet), o contexto de circulação das notícias foi radicalmente alterado.Um exemplo ilustra bem essa transformação. Em 11 de setembro de 2001, quando terroristas lançaram aviões contra alvos americanos, matando milhares de pessoas, a opinião pública acompanhou, pelas telas de computador e televisão, os dramáticos acontecimentos.Jornais impressos não teriam condições de levar as notícias a milhões de pessoas em todo o mundo à medida que os fatos iam acontecendo.Essa constatação nos obriga a concluir algo importante: a depender do meio em que circulam as notícias, elas assumem configurações diferentes. Uma notícia redigida para ser postada em um portal da internet provavelmente contará com menos informações do que a notícia equivalente que será publicada na edição do jornal no dia seguinte. Isso ocorre porque, com a necessidade de informar os fatos no exato instante em que acontecem, os portais da internet não têm como garantir o tempo necessário para a apuração mais minuciosa dos detalhesdo fato noticiado.É comum, inclusive, algumas das notícias veiculadas nesses portais serem atualizadas ao longo do dia, para acréscimo de detalhes e correção das informações iniciais que se mostram inexatas. Os jornais impressos não enfrentam essas dificuldades, porque dispõem de mais tempo e podem, assim, trazer informações mais completas e bem elaboradas.Maria Luiza Abaurre e Maria Bernadete Abaurre. Produção de Texto – interlocução e gêneros. São Paulo: Editora Moderna, 2007, p. 69. (Adaptado).
Podemos relacionar os períodos literários com marcos históricos de nossa trajetória política e social. É natural que possamos juntar os dois itens, pois a produção literária, como outras de caráter cultural, assume as formas que predominam no contexto político-social em que acontecem. Assim:3F1BDBBE-C4 Literatura
ArcadismoUEG · 2018FácilEntre para guardar nos favoritosObserve a imagem e leia o texto a seguir para responder à questão.

AMARAL, Tarsila do. Os operários, 1931. Disponível em: <http://www.arteeartistas.com.br/operarios-tarsila-do-amaral/>. Acesso em: 01 out. 2018.
Mulher proletária – única fábrica que o operário tem, (fabrica filhos)
tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o Senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.
Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.
LIMA, Jorge de. Mulher proletária. In: Antologia poética. São Paulo: José Olympio, 1978, p. 21.
Em termos de periodização, tanto a pintura quanto o poema pertencem aoA7D00822-B6 Literatura
Escolas LiteráriasInstituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais · 2018MédioEntre para guardar nos favoritosLeia atentamente o fragmento I-Juca-Pirama.
Em fundos vasos d'alvacenta argila
Ferve o cauim;
Enche-se as copas, o prazer começa,
Reina o festim.
O prisioneiro, cuja morte anseia,
Sentado está,
O prisioneiro, que outro sol no ocaso
Jamais verá!
A dura corda, que lhe enlaça o colo,
Mostra-lhe o fim
Da vida escura, que será mais breve
Do que o festim!
Contudo os olhos d'ignóbil pranto
Secos estão;
Mudos os lábios não descerram queixas
Do coração.
Mais um martírio, que encobrir não pode
Em rugas faz
A mentirosa placidez do rosto
Na fronte audaz!
Que tens, guerreiro? Que temor te assalta
No passo horrendo?
Honra das tabas que nascer te viram,
Folga morrendo.
Folga morrendo; porque além dos Andes
Revive o forte,
Que soube ufano contrastar os medos
Da fria morte.
GONÇALVES, Dias. Poesia e Prosa Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998, p. 380-381.
Considerando o poema como um todo e seu conhecimento sobre o Romantismo brasileiro, assinale a alternativa CORRETA.
750B0779-51 Literatura
Escolas LiteráriasUNIFESP · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.
Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.
Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”
Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.
(In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)
Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção literária de