Questões do ENEM: Linguagens e nível fácil
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273C33DF-32 Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos que frequentam bondes. O desenvolvimento que tem tido entre nós esse meio de locomoção, essencialmente democrático, exige que ele não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Não posso dar aqui mais do que alguns extratos do meu trabalho; basta saber que tem nada menos de setenta artigos. Vão apenas dez. ART. I Dos encatarroadosOs encatarroados podem entrar nos bondes com a condição de não tossirem mais de três vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro. Quando a tosse for tão teimosa, que não permita esta limitação, os encatarroados têm dois alvitres: ou irem a pé, que é bom exercício, ou meterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue.Disponível em: https://www.escrevendoofuturo.org.br/caderno_virtual/texto/regra-para-uso-dos-bondes/index.html. Acesso em: 07 fev. 2025. (Fragmento)O autor, no primeiro parágrafo, afirma que compôs setenta regras para uso dos bondes. Infere-se, pelo texto, que o objetivo dele foi1ED85065-E3 Português
PontuaçãoIF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA questão refere-se ao texto a seguir.No dia em que o gato falouEra uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:— Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:— Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:— Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.Analise o uso das vírgulas no período a seguir.Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo: — Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Considerando o uso de vírgulas no português escrito padrão,1ED59C3F-E3 Português
Morfologia - PronomesIF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA questão refere-se ao texto a seguir.No dia em que o gato falouEra uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:— Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:— Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:— Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.Leia o trecho a seguir.O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu experimento científico, a dama gentil e senil procurou forçá-lo [1]. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe [2] mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou.No trecho, os pronomes 1 e 21ED01C7D-E3 Português
Interpretação de TextosIF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA questão refere-se ao texto a seguir.No dia em que o gato falouEra uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:— Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:— Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:— Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.Considerando o contexto de uso, em “[…] um papagaio cretino mas parlapatão […]”, a expressão significa que o papagaio é:1ECA2316-E3 Português
Interpretação de TextosIF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosPara responder à questão, analise o trecho a seguir.
Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateu-lhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia do estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):
— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!
No trecho, a conjunção “porém” pode ser substituída, sem causar alteração de sentido, por1EC1B899-E3 Português
Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)IF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA questão refere-se ao texto a seguir.No dia em que o gato falouEra uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:— Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:— Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:— Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.No segundo parágrafo, há a presença dominante de verbos no pretérito1EBC0179-E3 Português
Interpretação de TextosIF-PE · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA questão refere-se ao texto a seguir.No dia em que o gato falouEra uma vez uma dama gentil e senil que tinha um gato siamês. Gato de raça, de bom-tom, de filiação, de ânimo cristão. Lindo gato, gato terno, amigo, pertencente a uma classe quase extinta de antigos deuses egípcios. Esse gato só faltava falar. Manso e inteligente, seu olhar era humano. Mas falar, não falava. E sua dona, triste, todo dia passava uma ou duas horas, repetindo sílabas e palavras para ele, na esperança de que um dia aquela inteligência que via em seu olhar explodisse em sons compreensivos e claros. Mas nada!A dama gentil e senil era, naturalmente, incapaz de compreender o fenômeno. Tanto mais que ali mesmo à sua frente, preso a um poleiro de ferro, estava um outro ser, também animal, inferior até ao gato, pois era somente uma pobre ave, mas que falava! Falava mesmo, muito mais do que devia. Um papagaio, que falava pelas tripas do Judas. Curiosa natureza, pensava a mulher, que fazia um gato quase humano, sem fala, e um papagaio cretino mas parlapatão. E quanto mais meditava mais tempo gastava com o gato no colo, tentando métodos, repetindo sílabas, redobrando cuidados para ver se conseguia que seu miado virasse fala.Exatamente no dia 16 de maio de 1958 foi que teve a ideia genial. Quando a ideia iluminou seu cérebro, veio acompanhada da crítica, autocrítica: “Mas, como não me ocorreu isso antes?”, perguntou ela para si própria, muito gentil e senil como sempre, mas agora também autopunitiva. “Como não me ocorreu isso antes?” O papagaio viu no brilho do olhar da dona o seu (dele) terrível destino e tentou escapar. Mas estava preso. Foi morto, depenado e cozinhado em menos de uma hora. Pois o raciocínio da mulher era lógico e científico: se desse ao gato o papagaio como alimentação, não era evidente que o gato começaria a falar? Era? Não era? Veria. O gato, a princípio, não quis comer o companheiro. Temendo ver fracassado o seu intuito, a dama gentil e senil procurou forçá-lo. Não conseguindo que o gato comesse o papagaio, bateulhe mesmo — horror! — pela primeira vez. Mas o gato se recusou. Duas horas depois, porém, vencido pela fome, aproximou-se do prato e engoliu o papagaio todo. Imediatamente subiu-lhe uma ânsia no estômago, ele olhou para a dona e, enquanto esta chorava de alegria, começou a gritar (num tom meio currupaco, meio miau-miau-au, mas perfeitamente compreensível):— Madame, foge pelo amor de Deus! Foge, madame, que o prédio vai cair! Corre, madame, que o prédio vai cair!A mulher, tremendo de emoção e alegria, chorando e rindo, pôs-se a gritar por sua vez:— Vejam, vejam, meu gatinho fala! Milagre! Milagre! Fala o meu gatinho!Mas o gato, fugindo ao seu abraço, saltou para a janela e gritou de novo:— Foge, madame, que o prédio vai cair! Madame, foge! — e pulou para a rua.Nesse momento, com um estrondo monstruoso, o prédio inteiro veio abaixo, sepultando a dama gentil e senil em meio aos seus escombros.O gato, escondido melancolicamente num terreno baldio, ficou vendo o tumulto diante do desastre e comentou apenas, com um gato mais pobre que passava:— Veja só que cretina. Passou vida inteira para me fazer falar e, no momento em que falei, não me prestou a mínima atenção.Moral: O mal do artista é não acreditar na própria criação.FERNANDES, Millôr. In: Antologia do Pasquim, volume III: 1973-1974. Rio de Janeiro: Desiderata, 2009.No primeiro parágrafo, os verbos utilizados representam, em conjunto,F639CB09-D8 Inglês
Interpretação de texto | Reading comprehensionUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos“One of the most interesting things to see in Brazil is the place where two rivers meet but do not mix. They are the “White” Solimões River and the “black” Negro River. They flow next to each other for six kilometers (3.7 miles) in the Amazonas State, but the colors of the water don’t mix because of different temperatures and speed – The Solimões River is faster and cooler than the Negro River. After several kilometers, the two rivers become part of the lower Amazon River”Fonte: https://www.liveworksheets.com › download-pdf.De acordo com o texto:F6370F2F-D8 Inglês
Números | NumbersUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosQual a grafia correta do número ordinal 59th?F633F15F-D8 Inglês
Pronomes | PronounsUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosComplete o quadro com os respectivos pronomes.

F63148FB-D8 Inglês
Vocabulário | VocabularyUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia com atenção as frases e marque a alternativa verdadeira.I- Don’t worry! Nobody understands nothing she says!II- Wait a minute, Doroty. There’s someone at the door.III- No one says “Hi, mom” anymore.IV- There isn’t anyone here to help you.F62E3174-D8 Inglês
Vocabulário | VocabularyUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosQual é o início correto da seguinte frase?..............................I will finally be able to buy that huge house we saw during our last trip to Canada.F62BBC78-D8 Inglês
Tradução | TranslationUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosO que a pessoa quer dizer com: “I’ve got heartburn”?F6293544-D8 Literatura
Escolas LiteráriasUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto e marque a alternativa que represente como este trecho reflete os procedimentos estéticos e o contexto histórico do Modernismo, no século XX."Somos muitos Severinos,iguais em tudo na vida:na mesma cabeça grandeque a custo se equilibra,no mesmo ventre crescidosobre as mesmas pernas finas."F624057B-D8 Português
Interpretação de TextosUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o trecho do artigo e marque a opção que melhor identifica a estratégia argumentativa utilizada.“No início do mês, o Banco Mundial publicou um estudo que estima as perdas esperadas de aprendizagem dos estudantes brasileiros por conta da pandemia. Os resultados indicam que, apesar de todos os esforços de ensino remoto, as perdas são enormes: antes da pandemia, 50% dos estudantes possuíam um nível de proficiência abaixo do mínimo; após 13 meses de escolas fechadas, esse índice poderá chegar a 71%.”Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/124506-artigo-import%C3%A2ncia-de-indicadores-de-educa%C3%A7%C3%A3o-para-medir-os-impactos-da-pandemia. Acesso em: 04 de dez. 2024.F62166E0-D8 Português
Interpretação de TextosUEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos"A adoção de energias renováveis tem sido defendida como uma das principais soluções para reduzir o impacto ambiental. Essa abordagem visa diminuir as emissões de gases poluentes."Fonte: OLIVEIRA, Aline, 2024.De acordo com o trecho, a alternativa que melhor desenvolve a progressão textual é:02D886F6-D7 Português
Interpretação de TextosUNICAMP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão.
O dia em que homens brancos de terno negociaram o futuro dos Indígenas
Na manhã de segunda-feira, 5 de agosto, o governo brasileiro se preparava para enviar às pressas uma comitiva do Ministério dos Povos Indígenas a Mato Grosso do Sul para monitorar os ataques violentos de ruralistas aos Guarani Kaiowá na região de Douradina. Os mercados financeiros viviam mais um dia de pânico, temendo uma recessão nos Estados Unidos. A crise na Venezuela se arrastava (…). Era mais um dia em que o mundo exibia seu mosaico complexo de muitas urgências e profundas assimetrias. Mas nada seria tão relevante para decidir o futuro do planeta quanto uma audiência, naquela mesma data. Em uma pequena sala no 4º andar do prédio onde ministros definem se leis estão sendo aplicadas de acordo com a Constituição brasileira, homens de gravata iriam discutir com representantes dos povos indígenas se deles seria arrancado o direito às terras ocupadas por seus ancestrais desde antes da colonização. Demarcar terras indígenas é uma medida fundamental para garantir a conservação da Amazônia e de todos os biomas. ___________, decisiva para a existência de toda a humanidade.
(Adaptado de DELGADO, Malu. Diário de Guerra. Sumaúma, Brasília, 26 ago. 2024. Disponível em https://sumauma.com/marco-temporal-stf-futuro-indigenas-novas-geracoes/. Acesso em 26/09/2024.)
Assinale a alternativa correta de acordo com o texto.02D623B9-D7 Português
SintaxeUNICAMP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão.
O dia em que homens brancos de terno negociaram o futuro dos Indígenas
Na manhã de segunda-feira, 5 de agosto, o governo brasileiro se preparava para enviar às pressas uma comitiva do Ministério dos Povos Indígenas a Mato Grosso do Sul para monitorar os ataques violentos de ruralistas aos Guarani Kaiowá na região de Douradina. Os mercados financeiros viviam mais um dia de pânico, temendo uma recessão nos Estados Unidos. A crise na Venezuela se arrastava (…). Era mais um dia em que o mundo exibia seu mosaico complexo de muitas urgências e profundas assimetrias. Mas nada seria tão relevante para decidir o futuro do planeta quanto uma audiência, naquela mesma data. Em uma pequena sala no 4º andar do prédio onde ministros definem se leis estão sendo aplicadas de acordo com a Constituição brasileira, homens de gravata iriam discutir com representantes dos povos indígenas se deles seria arrancado o direito às terras ocupadas por seus ancestrais desde antes da colonização. Demarcar terras indígenas é uma medida fundamental para garantir a conservação da Amazônia e de todos os biomas. ___________, decisiva para a existência de toda a humanidade.
(Adaptado de DELGADO, Malu. Diário de Guerra. Sumaúma, Brasília, 26 ago. 2024. Disponível em https://sumauma.com/marco-temporal-stf-futuro-indigenas-novas-geracoes/. Acesso em 26/09/2024.)
Diante dos argumentos apresentados ao longo do texto, a lacuna na penúltima linha deve ser preenchida com:02D11D9C-D7 Português
Coesão e coerênciaUNICAMP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosA autora Grada Kilomba concedeu uma entrevista ao programa Roda Viva, em maio de 2024. Leia, a seguir, a transcrição da primeira parte da entrevista.Parte IQuando nós começamos a fazer tradução para português, eu tive realmente uma grande crise, porque eu comecei a perceber que aquela não era a obra que eu tinha escrito. A obra e tudo o que aparece, os sujeitos, passam a ser masculinos, porque em português, como em outras línguas europeias, quando se está em um coletivo de mulheres, mas há a presença de um indivíduo masculino, o coletivo passa a ser referenciado como masculino. Ou seja, a presença das mulheres passa a ser inexistente. (...)(Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=m-EyJXtlJ0M. Acesso em 26/08/2024.)Qual alternativa apresenta um exemplo de plural que resolve o problema citado pela autora em seu depoimento?02C44169-D7 Português
Flexão verbal de número (singular, plural)UNICAMP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir para responder à questão.Se pensarmos o Brasil a partir das cosmologias e histórias indígenas, veremos que esta nação é múltipla e nela coexistem maneiras distintas de pensar e de viver. E mesmo que a vivência em um território comum nos coloque o desafio de construir um campo de ação política que nos unifique como cidadãos, as cosmologias indígenas não podem ser reduzidas às formas ocidentais de pensar e de ordenar o mundo.As experiências e os saberes indígenas consideram o universo em sua totalidade e inserem o ser humano em uma complexa rede de relações que envolvem os seres, naturais e sobrenaturais, integrando a vida como um todo. Essas cosmologias não se confundem e nem podem ser contidas dentro da lógica materialista e mercadológica, com a qual estamos habituados.(BONIN, Iara Tatiana. Cosmovisão indígena e modelo de desenvolvimento. In: Encarte Pedagógico V – Jornal Porantim, ano XXXVI, n. 376, Brasília, Junho/Julho 2015, p.1.)Para Iara Bonin, articular a cosmovisão indígena a um modelo de desenvolvimento para o Brasil é um desafio coletivo. No texto, isso é marcado pelo uso de verbos em