Questões do ENEM: Linguagens e nível fácil

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4.021 questões encontradas. Mostrando a página 18 de 202.

  • 960ED045-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho da entrevista e observe a imagem abaixo.


            O torturador, o traficante de escravos, o senhor de escravos, o capataz da plantação, todas essas pessoas tornaram-se piores ao ter a autorização para cometer os crimes que cometeram. Essa discussão continua atualíssima porque o policial que assedia, agride, mata um negro, também se torna um péssimo ser humano. 

    Trecho de entrevista de Eurídice Figueiredo, professora do programa de pós-graduação em estudos de literatura da UFF (Universidade Federal Fluminense). Disponível em: https://tinyurl.com/42cdmmyd. Acesso em 12 ago. 2024.


    Captura_de tela 2025-06-03 100424.png (312×208)

    Manifestantes protestam em Saint Louis, nos EUA, contra a violência policial. Disponível em: https://vermelho.org.br/2016/07/11/eua-tem-mais-protestoscontra-racismo-e-violencia-policial/ Acesso em: 20 jun. 2024.


    Marque a alternativa CORRETA: 
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  • 95EA7EE8-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...] - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


    FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.



    TEXTO V


    Legiões de mulheres não têm por quinhão senão uma fadiga indefinidamente recomeçada no decorrer de um combate que jamais comporta uma vitória. Mesmo em casos mais privilegiados, essa vitória nunca é definitiva. Há poucas tarefas que se aparentem, mais do que as da dona de casa, ao suplício de Sísifo; dia após dia, é preciso lavar os pratos, espanar os móveis, consertar a roupa, que no dia seguinte já estarão novamente sujos, empoeirados, rasgada.
    No trecho acima (texto V), Simone de Beauvoir compara o trabalho de uma mulher do lar, dedicada aos afazeres domésticos e à criação dos filhos, ao mito de Sísifo, personagem da mitologia grega que foi condenado a repetir eternamente a tarefa de empurrar uma pedra até o topo de uma montanha. Considerando os textos III e V, assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 95ea7ee8-3f
  • 95E7F4AC-3F

    Literatura

    Teoria Literária
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    TEXTO III


    Amor
    Clarice Lispector


            Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte.Como um lavrador. [...] No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha - com persistência, continuidade, alegria. [...] O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto. A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego. O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranquila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles. Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar - o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mastigava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos [...]

    - o bonde deu uma arrancada súbita jogandoa desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão - Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava - o bonde estacou, os passageiros olharam assustados. Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgiralhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os filhos da rede. [...] A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. [...] como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram. O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.


                                                                              FONTE: LISPECTOR, Clarice. O Amor. In: MORICONI, Ítalo (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, Editora Objetiva: Rio de Janeiro, 2000, p. 212-219.  



    TEXTO IV


            A questão da epifania (epiphaneia) pode ser compreendida num sentido místico-religioso e num sentido literário. No sentido místico-religioso, a epifania é o aparecimento de uma divindade e uma manifestação espiritual - e é neste sentido que a palavra surge descrevendo a aparição de Cristo aos gentios. Aplicado à literatura, o termo significa o relato de uma experiência que, a princípio, se mostra simples e rotineira, mas que acaba por mostrar toda a força de uma inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam iluminação súbita na consciência dos figurantes, e a grandiosidade do êxtase pouco tem a ver com o elemento prosaico em que se inscreve a personagem.

    Fonte: SANT'ANNA, Affonso Romano de. Com Clarice. São Paulo: Editora Unesp, 2013, p.128.
    Considerando o conteúdo do texto IV, assinale a alternativa em que há o momento de "epifania" da personagem Ana, do conto de Clarice Lispector, no Texto III.
    Escolha uma alternativa para a questão 95e7f4ac-3f
  • 95DF1CAF-3F

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I



    Melro

    Carlos Drummond de Andrade



    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estes olhos fundos aprende a ver.

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de ser livre.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Voa, melro, voa, melro,

    para o clarão da escura noite.


    Melro que cantas no morrer da noite,

    com estas asas rotas aprende teu voo

    A vida toda

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo

    esperaste a hora e a vez de teu voo.


    Fonte: ANDRADE, Carlos Drummond de. Tradução de "Blackbird", canção de Lenon e McCaartney. In: REALIDADE. São Paulo: Editora Abril, ano III, nº 36, mar. 1969, p. 61 (Pesquisado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional).



    GLOSSÁRIO:


    Melro: ave de penas pretas, também chamada de açum-preto, graúna, pássaro preto, entre outros nomes.

    Em março de 1969, o poeta Carlos Drummond de Andrade traduziu algumas canções da banda inglesa The Beatles, do então recém lançado Álbum Branco. Dentre as canções, escreveu o poema "Melro", uma tradução da composição dos Beatles, cujo título original é "Blackbird" (pássaro preto - outro possível sinônimo de Melro, em língua portuguesa). Essa canção composta pela banda britânica teria como motivação a luta do Movimento dos Direitos Civis dos Negros, nos Estados Unidos.


    A partir da leitura do poema de Drummond e considerando as informações acima, assinale a alternativa que melhor interprete os versos lidos:
    Escolha uma alternativa para a questão 95df1caf-3f
  • BA683271-3C

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o texto II a seguir, publicado na revista “Carta Capital”, para responder a questão. 



    Uberismo é a total desumanização das relações trabalhistas


    Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos



            Há palavras cuja sonoridade é aparentemente inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para entender os infernos que escondem. Uberismo seria uma das mais recentes formas de exploração da forma de trabalho, consistente numa hiperexploração dos trabalhadores por meio de plataformas. Um emaranhado algorítmico pensado para arrancar direitos trabalhistas na forma de startup jovem, de sucesso, vibrante, lucrativa. Recomendo a leitura atenta do que escreve o professor Ruy Braga, da USP, excelente pesquisador na área sobre as ameaças brutais da “plataformização” do trabalho ou a tirania à qual as novas tecnologias digitais submetem a vida dos trabalhadores mais precarizados. É a total desumanização das relações trabalhistas. Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos, muitos sindicatos rejeitam representar essas categorias. O contato com o “cliente” resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, com um portão com grades no meio de dois indivíduos, que no momento estão a centímetros de distância, mas cujas mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos ainda. Não há direitos, não há humanidade. Um país como Brasil é o ambiente perfeito para esse processo de uberização da vida. Milhões de trabalhadores informais, uma pauperização crescente, um exército de jovens sem formação, a volta da miséria, o desmonte incessante dos direitos trabalhistas. [...] 



            No Brasil, a carne do trabalhador precarizado se vende barata. Muito barata. Uber, Ifood, Rappi, o mundo do trabalhador escravizado pelo algoritmo que, em tempos de crise, absorve, engole milhões de profissionais sem expectativas. São os descartáveis. Mas, paradoxos de uma vida fortuita, os descartáveis viraram essenciais na pandemia. O número de entregadores antes do coronavírus era de 280 mil. Depois da pandemia, passaram a 500 mil. São números impressionantes: 500 mil invisíveis que entregam comida, mas cujas famílias passam fome ou convivem com ela. São 500 mil. Mais gente, menos lucro.



           O estudo “Condições de Trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos rendimentos de 58,9% dos entregadores. [...] Não se preocupe. O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso individual. Os entregadores não são trabalhadores, são “parceiros” das plataformas. Os jovens que se endividam para comprar uma moto investem no seu futuro. Num país como Brasil, o discurso da meritocracia mata, assim como matam as motos dos entregadores cansados de trabalhar durante mais de dez horas por dia. Entre março e maio deste ano, 87 morreram na capital paulista.



        [...]



            Mas a exploração tem seus limites. Os explorados também explodem. Os invisíveis se cansam da invisibilidade. As greves de entregadores e a formação dos “Entregadores Antifascistas” são focos de luz nas trevas. Entre as exigências dos trabalhadores estão reajuste de preços, entrega de EPIs para trabalhar com mais segurança durante a pandemia, fim dos bloqueios indevidos, demanda de auxílios ou licenças de saúde e acidente, questionamentos com relação a programas de pontos realizados por algumas plataformas. Dignidade para os que são tratados com indignidade. É a revolta dos de baixo, dos que passavam despercebidos e hoje se tornaram essenciais. Todo o meu respeito, todo o meu apoio. 


    Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/uberismo-e-a-totaldesumanizacao-das-relacoes-trabalhistas/. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).

    O texto lido é um artigo de opinião, gênero que tem a característica da defesa de um ponto de vista.



    Qual das alternativas a seguir apresenta a tese central do autor do texto?




    Escolha uma alternativa para a questão ba683271-3c
  • BA5F7156-3C

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o texto I a seguir, de autoria do jornalista argentino Emiliano Gullo, para responder a questão.


    TEXTO I


    Capitalismo com tração Sanguínea


     Emiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.


    Por: Emiliano Gullo


            Espero que você seja pego por um feroz.

            Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.

           Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.

            Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta. No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]

           Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. E a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos. Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]

           Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]

             Sem caixa, não há trabalho. [...]

            As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]

           Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...] 

          Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Se não, fazemos pedidos menores. [...]

        A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]         

            No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]

            Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]

            Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]

            Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]

            Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]

            Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]

            Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]

            O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]

    Fonte: https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.


    GLOSSÁRIO:

    Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.

    Peso: Moeda argentina, como o Real no Brasil

    Telgopor: Material térmico semelhante a isopor.








    O texto lido apresenta uma série de críticas ao trabalho de entregas por aplicativos.



    Para tanto, por meio da narrativa, o autor elaborou o seguinte percurso argumentativo:

    Escolha uma alternativa para a questão ba5f7156-3c
  • EC976567-3B

    Português

    Interpretação de Textos
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    A seguir, são apresentados quatro relatos retirados da dissertação de Mestrado intitulada “A reconfiguração da experiência de ser doméstica através da página ‘Eu, empregada doméstica’”, de Enise de Castro Silva, textos III, IV e V. Leia-os, para resolver a questão.



    TEXTO III


            [...] Filhos sem educação que faziam de mim gato e sapato a filha dessa minha patroa tinha minha idade 14 anos a época e ela até me batia mas isso eu não deixava revidava então era uma brigaiada mas como eles não podiam perder a escravinha não me mandavam embora só ameaçavam!



    TEXTO IV


            Sem falar em outro doutorzinho que expõe sua empregada ao ridículo lá no meu trabalho ele sai mostrando a foto do perfil dela do whatsap para seus outros colegas e debochando. Olha só essa foto que cara de pobre que pose de vagabunda só podia ser doméstica mesmo!



    TEXTO V


            [...] a D. da casa é uma dondoca mesquinha que vive pra gastar o dinheiro do marido e ser servida. Um dia na hora do jantar usei um pouco de pimenta do reino dela para colocar no meu prato. A mulher fez um escândalo disse que aquilo era muito caro que aquelas pimentas era dela e da família dela. Não era pra eu usar na comida da empregada. Onde já se viu? Uma pimenta de 17 reais (só porque vinha naqueles moedores) a empregadinha colocar no prato. No dia seguinte comprei as pimentas com moedor mais caras do supermercado levei pra casa dela. Usava em todas as comidas da casa colocava na mesa a minha pimenta oferecia para os convidados dela usava a rodo. Eu sentia o constrangimento e a raiva dela mas ela não podia fazer nada eu estava sendo legal. Uns 3 anos depois vocês não sabem o que eu encontro vencida bem escondidinha. AS PIMENTAS. Era tão caras e ela deixou apodrecer.



    Trechos retirados de SILVA, Enise de Castro. A reconfiguração da experiência de ser doméstica através da página “Eu, empregada doméstica”. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 2019, p. 71-88. Textos adaptados para fins didáticos.

    Em relação aos efeitos de sentido construídos pela utilização do sufixo “inha/inho” empregado em palavras presentes nos textos III, IV, V, pode-se inferir que:

    Escolha uma alternativa para a questão ec976567-3b
  • EC928963-3B

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I

    A ordem natural das coisas
    Emicida


    A merendeira desce, o ônibus sai
    Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
    De madruga é que as aranha tece no breu
    E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu 


    E o Sol só vem depois
    O Sol só vem depois
    É o astro rei, ok, mas vem depois
    O Sol só vem depois


    Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
    Na calma das mães, que quer o rebento cem por cento
    E diz: Leva o documento, son
    Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
    Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
    A brasa dorme fria e só quem dança é a fumaça
    Orvalho é o pranto dessas planta no sereno


    A Lua já tá no Japão, como esse mundo é pequeno
    Farelos de um sonho bobinho que a luz contorna
    Dar um tapa no quartinho, esse ano sai a reforma
    O som das criança indo pra escola convence
    O feijão germina no algodão, a vida sempre vence
    As nuvens curiosas, como são
    Se vestem de cabelo crespo, ancião
    Caminham lento, lá pra cima, o firmamento
    Pois no fundo ela se finge de neblina
    Pra ver o amor dos dois mundos


    Fonte: EMICIDA. Disponível em:
    https://www.letras.mus.br/emicida/a-ordem-natural-das-coisas-
    part-mc-tha/. Acesso em: 08 jul. 2024.





    TEXTO II


    3.png (320×147)



                                                                                                  Fonte: https://x.com/maxmacieldf/status/130185

                                                                    1089407561728?t=q7z9woZ4a6CCgeoq-LT Jg&s=19. Acesso em:

                                                                                                                                                          08 jul. 2024.




    A letra de canção de Emicida, Texto I, e o post, Texto II, aproximam-se com relação à temática.


    O trecho metafórico do Texto I que confirma essa afirmação é: 
    Escolha uma alternativa para a questão ec928963-3b
  • EC9001AC-3B

    Português

    Pontuação
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    Leia o Texto I a seguir, uma letra de canção do rapper Emicida, para resolver a questão.


    TEXTO I

    A ordem natural das coisas
    Emicida


    A merendeira desce, o ônibus sai
    Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
    De madruga é que as aranha tece no breu
    E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu 


    E o Sol só vem depois
    O Sol só vem depois
    É o astro rei, ok, mas vem depois
    O Sol só vem depois


    Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
    Na calma das mães, que quer o rebento cem por cento
    E diz: Leva o documento, son
    Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
    Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
    A brasa dorme fria e só quem dança é a fumaça
    Orvalho é o pranto dessas planta no sereno


    A Lua já tá no Japão, como esse mundo é pequeno
    Farelos de um sonho bobinho que a luz contorna
    Dar um tapa no quartinho, esse ano sai a reforma
    O som das criança indo pra escola convence
    O feijão germina no algodão, a vida sempre vence
    As nuvens curiosas, como são
    Se vestem de cabelo crespo, ancião
    Caminham lento, lá pra cima, o firmamento
    Pois no fundo ela se finge de neblina
    Pra ver o amor dos dois mundos


    Fonte: EMICIDA. Disponível em:
    https://www.letras.mus.br/emicida/a-ordem-natural-das-coisas-
    part-mc-tha/. Acesso em: 08 jul. 2024.
    O uso dos dois pontos em “E diz: Leva o documento, son” indica a inserção de:
    Escolha uma alternativa para a questão ec9001ac-3b
  • EC8B7B3F-3B

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia o Texto I a seguir, uma letra de canção do rapper Emicida, para resolver a questão.


    TEXTO I

    A ordem natural das coisas
    Emicida


    A merendeira desce, o ônibus sai
    Dona Maria já se foi, só depois é que o Sol nasce
    De madruga é que as aranha tece no breu
    E amantes ofegantes vão pro mundo de Morfeu 


    E o Sol só vem depois
    O Sol só vem depois
    É o astro rei, ok, mas vem depois
    O Sol só vem depois


    Anunciado no latir dos cães, no cantar dos galos
    Na calma das mães, que quer o rebento cem por cento
    E diz: Leva o documento, son
    Na São Paulo das manhã que tem lá seus Vietnã
    Na vela que o vento apaga, afaga quando passa
    A brasa dorme fria e só quem dança é a fumaça
    Orvalho é o pranto dessas planta no sereno


    A Lua já tá no Japão, como esse mundo é pequeno
    Farelos de um sonho bobinho que a luz contorna
    Dar um tapa no quartinho, esse ano sai a reforma
    O som das criança indo pra escola convence
    O feijão germina no algodão, a vida sempre vence
    As nuvens curiosas, como são
    Se vestem de cabelo crespo, ancião
    Caminham lento, lá pra cima, o firmamento
    Pois no fundo ela se finge de neblina
    Pra ver o amor dos dois mundos


    Fonte: EMICIDA. Disponível em:
    https://www.letras.mus.br/emicida/a-ordem-natural-das-coisas-
    part-mc-tha/. Acesso em: 08 jul. 2024.
    A partir da letra da música de Emicida “A ordem natural das coisas”, infere-se que:
    Escolha uma alternativa para a questão ec8b7b3f-3b
  • 250C9F64-3A

    Português

    Interpretação de Textos
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    Leia os excertos a seguir:



    “A cada 100 domicílios particulares no Brasil, 13 estão vagos. É o que revelam os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira, 28 de junho.


    . . . 


    Ao todo, o IBGE contou 11,4 milhões de casas e apartamentos vazios no país. A proporção aumentou comparada ao censo anterior: em 2010, eram 9 a cada 100.


    . . .


    O estado com a maior quantidade de domicílios vazios é São Paulo, com 2 milhões. Isso representa 12% das moradias particulares contadas pelo IBGE no estado. A capital também é o município com maior quantidade de moradias vazias: são 588 mil casas e apartamentos vagos. O número é o dobro do valor de 2010.


    . . .


    A quantidade de domicílios vazios é duas vezes maior que o déficit habitacional no país. Dados da Fundação João Pinheiro mostram que, em 2019, o déficit habitacional no Brasil era de mais de 5,9 milhões de domicílios.”


    Fonte: https://apublica.org/2023/06/censo-2022-brasil-tem-11- milhoes-de-casas-e-apartamentos-vagos/. Acesso em 01 de jul de 2024.



    Os excertos acima expressam uma contradição entre o número de imóveis vazios e o déficit habitacional no Brasil. Segundo os dados apresentados, há mais domicílios vazios que famílias sem habitação no país, e a tendência é de agravamento do fenômeno.



    Entre outros fatores, esta contradição se deve:

    Escolha uma alternativa para a questão 250c9f64-3a
  • 2509A9D1-3A

    Português

    Interpretação de Textos
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    Analise o gráfico a seguir:



    8.png (332×190)


    Fonte: Censo Agropecuário (1980, 1985, 1995, 2006, 2017); Pesquisa Agrícola Municipal (PAM).



    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor agropecuário respondeu por 7,66% do Valor Adicionado Bruto (VAB) da economia brasileira em 2021. Neste setor, destaca-se a soja em grão, cuja participação foi de 41,61% do valor agropecuário total produzido no mesmo ano.



    Com base nestas informações e no gráfico acima, é CORRETO afirmar que a diminuição do número de pessoal ocupado em estabelecimentos rurais no Brasil entre 1980 e 2017 se deve


    Escolha uma alternativa para a questão 2509a9d1-3a
  • 24FA5392-3A

    Português

    Denotação e Conotação
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    Leia o Texto III a seguir para resolver a questão.



    TEXTO III



    Projeto de lei pretende regulamentar a profissão de influenciador digital



    16/09/2022 MARINA TEODORO



    O Brasil tem mais de 500 mil influenciadores digitais, de acordo com levantamento da Nielsen, e um Projeto de Lei apresentado pelo deputado José Nelto (PP/GO) pretende regulamentar essa categoria como profissão.



            Apresentado no fim de agosto, o PL 2347/2022 foi recebido pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados e, se seguir para aprovação, poderá mudar a maneira como os influenciadores digitais trabalham atualmente.



           Se o PL passar, algumas exigências serão feitas para quem quiser virar influenciador, como cadastro exigido pelo Governo Federal, que irá permitir (ou não) que os produtores de conteúdo exerçam suas atividades. 



            Além disso, também deverá ser solicitado “conhecimento técnico” para que os profissionais possam falar sobre determinados assuntos e sejam classificados como influenciadores.



         O PL ainda não avançou, e talvez não vá muito adiante: ele pode ser interpretado como inconstitucional, já que a Constituição Federal assegura que todos podem exercer qualquer atividade econômica, independente de autorização, salvo em casos específicos.



    Fonte: TEODORO, Marina. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/projeto-lei-regulamentar-profissaoinfluenciador-digita. 16 set. 2022. Acesso em: 05 jul. 2024.

    Em qual alternativa a seguir nota-se a NÃO neutralidade presente na notícia lida acerca da proposição do PL de regulamentação da profissão de Influenciador Digital?

    Escolha uma alternativa para a questão 24fa5392-3a
  • 24F328EB-3A

    Português

    Gêneros Textuais
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    Leia o texto I a seguir, um projeto de lei do deputado José Nelto, para responder à questão.

      TEXTO I


    PROJETO DE LEI Nº 2347, DE 2022
    (Do Sr. JOSÉ NELTO)


    Dispõe sobre a regulamentação da atividade profissional de influenciador digital profissional no âmbito Federal.


    O Congresso Nacional decreta:


          Art.1º Fica regulamentada a atividade profissional de Influenciador Digital Profissional no âmbito Federal, conforme os parâmetros estabelecidos nesta lei.


            Art. 2º Compete ao Influenciador Digital Profissional criar e publicar conteúdo na Internet, em redes sociais, blogs e sites, na forma de vídeos, imagens ou textos, capaz de influenciar opiniões, comportamentos e manifestações de seus seguidores e afins, além de informar a população sobre temas que julga relevantes.


         Art. 3º As novas denominações e descrições das funções em que se desdobram as atividades do Influenciador Digital Profissional constarão do Regulamento desta Lei.


        Art. 4º E vedado ao Influenciador Digital Profissional a divulgação de conteúdo visando à prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.


           Art. 5º E dever do Influenciador Digital Profissional respeitar:

        I - o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem das pessoas;// II - o direito autoral e intelectual em todas as suas formas;// III - os direitos das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias.


           Art. 6º O Poder Executivo regulamentará a presente lei, sendo responsável pelo cadastramento e autorização para exercício da atividade profissional.


           Art. 7º Para regulamentação dessa profissão se faz necessário apresentar conhecimento técnico, representado por um título de graduação que envolva assuntos relacionados à área em atuação.


          Art. 8º Nos casos em que o influenciador digital não possuir graduação específica voltada para sua área de atuação, tal trabalho será considerado como ocupações existentes no mercado de trabalho.


            Art. 9º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.


    JUSTIFICATIVA


          O projeto de lei pretende regulamentar as atividades dos influenciadores digitais, pois trata-se de uma classe com um alto índice de participantes e tal dispositivo futuramente terá grande relevância até em questão da contribuição em razão da previdência social.


         O Brasil é campeão mundial em número de influenciadores digitais na categoria Instagram. São 10,5 milhões, com pelo menos 1 mil seguidores cada um, em mídia, segundo pesquisa da Nielsen, que contabilizou postagens feitas entre novembro de 2021 e abril deste ano nas plataformas Instagram, TikTok e YouTube. O mercado mundial de influenciadores movimentou neste ano cerca de U$ 16,4 bilhões, segundo o site especializado Influencer Marketing Hub (IMH), um aumento de 19% em relação ao ano anterior. O site computou entrevistas feitas este ano com 2 mil agências, marcas e profissionais. O número de empresas de marketing oferecendo serviços especializados com influenciadores chegou a 18.900 no mundo, segundo a pesquisa.


       Uma profissão, para ser considerada como tal, deve ser caracterizada como uma forma especial de ocupação com potencialidade de gerar resultados econômicos e que está regulamentada por uma norma que define a possibilidade de seu exercício e os requisitos para a sua prática. Por outro lado, existem formas de ocupação econômica que resultam em ganhos econômicos para quem a pratica e que, entretanto, não possuem norma regulamentadora, formalismo ou rigor para a sua execução.


         Por existirem normas que regulamentam determinada profissão, nunca haverá dificuldade para identificar se um cidadão pode (ou deve) ser qualificado como profissional de determinada área. Entretanto, diferentemente, sempre existirá alguma dificuldade prática em classificar as muitas formas de ocupação existentes na sociedade. Como exemplos de profissões regulamentadas pelo Estado Brasileiro, seguem algumas consideradas bastante curiosas: Peão de Rodeio – Norma Regulamentadora: Lei nº 10.220, de 11 de abril de 2001 – Institui normas gerais à atividade de peão de rodeio, equiparando-o a atleta profissional. Pescador Profissional – Norma Regulamentadora: Decreto-Lei nº 221, de 28 de fevereiro de 1967 – Dispõe sobre a proteção e estímulos à pesca e dá outras providências. Guardador e Lavador de Veículos – Norma Regulamentadora: Lei nº 6.242, de 23 de setembro de 1975 – Dispõe sobre o exercício da profissão de Guardador e Lavador de veículos automotores, e dá outras providências. Decreto nº 79.797, de 8 de junho de 1977 – regulamenta a lei nº 6.242/75.


        Em virtude da potencialidade e proporcionalidade em que o mercado mundial de influenciadores digitais vem movimentando, além do número de habitantes que consomem aquele conteúdo diariamente, é de extrema importância que regulamente tal profissão para que a mesma passe a ser reconhecida de acordo com as normas estabelecidas nesta proposição. Dada a relevância temática, submeto esta proposição aos ilustres pares, rogando o imprescindível apoio para sua aprovação.


    Sala das Sessões, 2022.

    Assinado eletronicamente pelo(a) Dep. José Nelto
    Para verificar a assinatura, acesse https://infoleg-autemticidade-assinatura.camara.leg.br/CD229649309200



    Deputado JOSÉ NELTO
    (PP/GO) 


    Fonte: NELTO, José. 2022. Disponível em: https://legis.senado.leg.br/sdleggetter/documento?dm=913963&ts=1655307556958&disposition=inline. Acesso em: 12 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.

    Projeto de Lei (PL) é um gênero de texto que objetiva elaborar uma proposta com normas que regulamentem a sociedade brasileira. Este, depois de lido e discutido, passa por uma votação, podendo ser aprovado (com ou sem modificações) ou recusado.



    Dentre as características estruturantes de um PL, há

    Escolha uma alternativa para a questão 24f328eb-3a
  • 0B213AC7-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
        [...] no Rio de Janeiro, os negros correspondem a 68% das pessoas abordadas andando a pé na rua ou na praia, enquanto apenas 25% dos brancos são parados pela polícia nas mesmas circunstâncias. [...]. Na maioria dos casos, os abordados são homens, negros, de até 40 anos, moradores de favelas e da periferia, com renda até três salários-mínimos, segundo a pesquisa.


    Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 15 Fev. 2022.


         A partir do texto acima, é correto afirmar que as abordagens aos negros
    Escolha uma alternativa para a questão 0b213ac7-32
  • 0AD1C553-32

    Português

    Interpretação de Textos
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    eu dizia "apareça"
    quando apareceu, não esperava.
    um dia me beijou e disse: "não me esqueça".
    foi embora
    e só esqueci metade.
    que bom que eu não tinha um revólver.
    quem ama mata mais com bala que com flecha.
    ela deixa furo
    e a porta que abriu
    jamais se fecha.
    nada disso tem moral nem tem lição
    eu dizia "apareça"
    quando apareceu, não esperava.
    um dia me beijou e disse: "não me esqueça".
    foi embora
    e só esqueci metade.
    que bom que eu não tinha um revólver.
    quem ama mata mais com bala que com flecha.
    ela deixa furo
    e a porta que abriu
    jamais se fecha.
    nada disso tem moral nem tem lição


    CICERO, Antonio; FREJAT, Roberto. Bagatelas. In: A Fábrica do Poema. Sony Music, 1994. 1 CD. Faixa 3. [Intérprete Adriana Calcanhotto].


        A letra acima de "Bagatelas", composta por Antonio Cicero e Roberto Frejat, interpretada por Adriana Calcanhotto, presente no álbum A Fábrica do Poema, apresenta elementos que enriquecem a sonoridade à medida que acentuam o ritmo. Dentre esses elementos, encontramos a predominância de rimas
    Escolha uma alternativa para a questão 0ad1c553-32
  • 0ACEBD9F-32

    Literatura

    Teoria Literária
    UFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    A escola era na Rua do Costa, um sobradinho de grade de pau. O ano era de 1840. Naquele dia - uma segundafeira, do mês de maio - deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o Campo de Sant’Ana, que não era então esse parque atual, construção de gentleman, mas um espaço rústico, mais ou menos infinito, alastrado de lavadeiras, capim e burros soltos. Morro ou campo? Tal era o problema. De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei para a escola. Aqui vai a razão.

    Na semana anterior tinha feito dois suetos, e, descoberto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que me deu uma sova de vara de marmeleiro. As sovas de meu pai doíam por muito tempo. [...] Ora, foi a lembrança do último castigo que me levou naquela manhã para o colégio. Não era um menino de virtudes.


    ASSIS, Machado de. Conto de escola. In: ASSIS, Machado de. Várias Histórias. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2004, p. 100.


        Após a leitura do trecho acima e levando em conta aspectos gerais da obra de Machado de Assis, considere as asserções a seguir.


    I. O conflito presente no trecho e a posterior decisão de ir à escola revelam aspectos da personalidade do personagem-narrador e sinalizam que a escola não é um ambiente convidativo.

    II. A idealização do espaço escolar e a romantização dos relacionamentos entre professores e alunos presentes no trecho dialogam com a estética romântica adotada por Machado de Assis em parte de sua obra.

    III. É possível relacionar acontecimentos que marcaram o período regencial com o enredo do conto, pois a ação é localizada no ano de 1840 – ano que marca o fim do período regencial e a antecipação da coroação de Dom Pedro II.

    IV. No trecho destacado, estão presentes características da obra de Machado de Assis como o culto à forma, à objetividade, à impessoalidade e o encadeamento sintático, todas relacionadas ao parnasianismo.


    Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções corretas.
    Escolha uma alternativa para a questão 0acebd9f-32
  • 0ACBECA9-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Os trechos a seguir foram retirados da obra Bom dia, Camaradas de Ondjaki.


    I. Nós ficávamos um bocado aborrecidos com as notícias, porque era sempre a mesma coisa: primeiro eram as notícias da guerra, que não eram diferentes quase nunca, só se tivesse havido alguma batalha mais importante, ou a UNITA tivesse partido uns postes [...] Depois vinha o intervalo com a propaganda das FAPLA. Ah, é verdade, às vezes também falavam da situação da África do Sul (Ondjaki, 2014, p. 23-24).

    II. Nós tínhamos aula de Matemática, era com o professor Ángel. Quando ele entrou, estava chateado ou triste. Eu dei o toque no Murtala, mas não podíamos rir. Antes de começar a aula, o camarada professor disse que a mulher dele estava muito triste porque os alunos tinham sido indisciplinados, e que num país em reconstrução era preciso muita disciplina. Ele também falou do camarada Che Guevara, falou da disciplina e que nós tínhamos que nos portar bem para que as coisas funcionassem bem no nosso país (Ondjaki, 2014, p. 15).


    ONDJAKI. Bom dia camaradas. São Paulo: Companhia das letras, 2014.


    Em relação aos trechos acima, assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 0acbeca9-32
  • 0AC93428-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Escrito com o sangue e revisado pelo medo e pelo silêncio da sociedade, não é um livro como outro qualquer, ele foi impresso na pele das pessoas em páginas e páginas de histórias tristes, que, como um livro de areia de Jorge Luis Borges, não acaba nunca.

    É fácil reconhecê-lo pela capa, é uma gente simples, amanhecida pelo suor do trabalho e marejada pelos olhos tristes do sofrimento.

    Ironicamente, é um livro extraordinário, os personagens gritam, mas o leitor, entorpecido pelo próprio umbigo, simplesmente não escuta.

    O final todos já sabem, foram infelizes para sempre.


    VAZ, Sérgio. Flores de alvenaria. São Paulo: Global editora, 2021. p. 57.


    Sobre as relações intertextuais presentes no poema em prosa acima, assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão 0ac93428-32
  • 0ABC7391-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão.


        Segunda-feira. O despertador toca. Hora de começar a semana. Qual é o primeiro pensamento que vem a sua mente? Você sente bem-estar, encaixe, alegria? Ou sente um pesar, uma vontade de não sair da cama? Esses primeiros minutos dizem muito sobre sua situação de vida. Na verdade, eles podem ser muito reveladores daquilo que você acredita ser a vida – e até mesmo de quem você acredita ser.
        A dimensão mais elevada da felicidade humana é o propósito, isto é, quando sentimos que a vida faz sentido, quando damos valor a quem realmente somos e renovamos diariamente a escolha de entregar a nossa contribuição positiva pessoal para todos ao nosso redor. Consequentemente, é quando aquela vontade de não sair da cama de manhã vai perdendo força, pois sabemos por que e para que estamos acordando.
        Em nossa sociedade atual, estamos condicionados a “correr atrás” da felicidade, a “provar” nosso valor, a tentar ser “perfeitos” para sermos aceitos. Só que o caminho é outro, trata-se de um encaixe interno, que vem de uma profunda aceitação de quem você é, da sua história e até das marcas difíceis que essa história deixou em você. Trata-se de um profundo relaxamento na sua humanidade imperfeita.
         Esse processo exige muita coragem para ser atravessado. E vejo que só é possível entrar nessa travessia quando cansamos de nos esforçar tanto, quando compreendemos que não é normal tentar ser alguém que não somos. Essa compreensão é como uma chave que abre uma porta estreita dentro de nós, por onde só aquilo que é mais verdadeiro pode passar.


    DANTAS, Thiago Maciel. A coragem de ser você. Veja São Paulo, São Paulo, Editora Abril. Dez. 2023, p. 50.
    A respeito das expressões negritadas, apresentadas no terceiro parágrafo, assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão 0abc7391-32