Questões do ENEM: Linguagens e nível médio

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8.516 questões encontradas. Mostrando a página 11 de 426.

  • 95E29BE9-3F

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO II



    Um Índio

    Caetano Veloso



    Um índio descerá de uma estrela colorida,  brilhante

        

    De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

        

    E pousará no coração do Hemisfério Sul, na  América, num claro instante

        

    Depois de exterminada a última nação indígena


    E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida

          

    Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

       




    Virá Impávido que nem Muhammad Ali


    Virá que eu vi


    Apaixonadamente como Peri


    Virá que eu vi


    Tranquilo e infalível como Bruce Lee


    Virá que eu vi


    O axé do afoxé Filhos de Gandhi


    Virá



    Um índio preservado em pleno corpo físico


    Em todo sólido, todo gás e todo líquido


    Em átomos, palavras, alma, cor


    Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico

      

    Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífco

       

    Do objeto-sim resplandecente descerá o índio


    E as coisas que eu sei que ele dirá, fará


    Não sei dizer assim de um modo explícito


    (...)



    E aquilo que nesse momento se revelará aos  povos

        

    Surpreenderá a todos não por ser exótico


    Mas pelo fato de poder ter sempre estado  oculto

        

    Quando terá sido o óbvio



    Fonte: UM ÍNDIO. Caetano Veloso. In: BICHO. Philips Records, 1977. 1 LP, faixa 5.



    GLOSSÁRIO:


    Muhammad Ali: foi um famoso pugilista estadunidense.

    Peri: personagem indígena da obra "O guarani", de José de Alencar.

    Bruce Lee: de origem chinesa, foi um conhecedor e praticante de muitas artes marciais, além de ator e diretor de cinema.

    Afoxé Filhos de Gandhi: "O Desfile de Afoxés", ou "Cortejo de Afoxés", é uma expressão característica do carnaval baiano, com raízes vinculadas à religiosidade afro-baiana, e reconhecido como patrimônio cultural imaterial no estado" Já o "Afoxé Filhos de Gandhi" é um importante grupo baiano que desfila tradicionalmente no carnaval de Salvador.



    Disponível em https://www.multirio.rj.gov.br/index.php/reportagens/17562- afox%C3%A9, Acesso em 07/08/2024.

    Sobre a canção "Um índio", de Caetano Veloso, marque a única alternativa que NÃO se apresenta como uma leitura possível:

    Escolha uma alternativa para a questão 95e29be9-3f
  • 99DBE23C-3C

    Literatura

    Escolas Literárias
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:
    Escolha uma alternativa para a questão 99dbe23c-3c
  • 99C86376-3C

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir para responder a questão.


    TEXTO III


    O operário em construção


    Vinicius de Moraes


    Era ele que erguia casas

    Onde antes só havia chão.

    Como um pássaro sem asas

    Ele subia com as casas

    Que lhe brotavam da mão.

    Mas tudo desconhecia

    De sua grande missão:

    Não sabia, por exemplo

    Que a casa de um homem é um templo


    Um templo sem religião

    Como tampouco sabia

    Que a casa que ele fazia

    Sendo a sua liberdade

    Era a sua escravidão.

    De fato, como podia

    Um operário em construção

    Compreender por que um tijolo

    Valia mais do que um pão?


    [...] Mas ele desconhecia

    Esse fato extraordinário:

    Que o operário faz a coisa

    E a coisa faz o operário.

    De forma que, certo dia

    A mesa, ao cortar o pão 

    O operário foi tomado

    De uma súbita emoção

    Ao constatar assombrado


    Que tudo naquela mesa

    – Garrafa, prato, facão –

    Era ele quem os fazia

    Ele, um humilde operário,

    Um operário em construção.


    [...] E foi assim que o operário

    Do edifício em construção

    Que sempre dizia sim

    Começou a dizer não

    E aprendeu a notar coisas

    A que não dava atenção:

    Notou que sua marmita

    Era o prato do patrão

    Que sua cerveja preta

    Era o uísque do patrão

    Que seu macacão de zuarte

    Era o terno do patrão

    Que o casebre onde morava

    Era a mansão do patrão


    [...] Que sua imensa fadiga

    Era amiga do patrão.

    E o operário disse: Não!

    E o operário fez-se forte

    Na sua resolução.

    Como era de se esperar

    As bocas da delação

    Começaram a dizer coisas

    Aos ouvidos do patrão.


    [...] Dia seguinte, o operário

    Ao sair da construção

    Viu-se súbito cercado

    Dos homens da delação

    E sofreu, por destinado

    Sua primeira agressão.

    Teve seu rosto cuspido

    Teve seu braço quebrado

    Mas quando foi perguntado

    O operário disse: Não! 


    [...] Sentindo que a violência

    Não dobraria o operário

    Um dia tentou o patrão

    Dobrá-lo de modo vário.

    De sorte que o foi levando

    Ao alto da construção

    E num momento de tempo

    Mostrou-lhe toda a região

    E apontando-a ao operário

    Fez-lhe esta declaração:

    — Dar-te-ei todo esse poder

    E a sua satisfação


    [...] E o operário disse: Não!

    — Loucura! – gritou o patrão

    Não vês o que te dou eu?

    — Mentira! – disse o operário

    Não podes dar-me o que é meu.

    [...]


    Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).



    Embora os textos sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.

    Por isso, ao comparar os textos, pode-se afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão 99c86376-3c
  • 99B6B1EC-3C

    Português

    Interpretação de Textos
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    Capitalismo com tração Sanguínea

    Emiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.

    Por: Emiliano Gullo

            Espero que você seja pego por um feroz.

            Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.

            Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.

            Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta.

            No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]

            Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. É a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos.Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]

            Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]

            Sem caixa, não há trabalho. [...]

            As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]

            Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...]

            Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Senão, faze-mos pedidos menores. [...]

            A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]

            No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]

            Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]

            Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]

            Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]

            Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]

            Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]

            Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]

            O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]

    Fonte:

    https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.

    GLOSSÁRIO:

    Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.

    Peso: Moeda argentina, como o Real no Brasil

    Telgopor: Material térmico semelhante a isopor.
    De acordo com o linguista José Luiz Fiorin (2010, p. 194): “Quando se atenua aquilo que de fato teria uma intensidade maior, ocorre um eufemismo”. Sabendo disso, responda:

    Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?
    Escolha uma alternativa para a questão 99b6b1ec-3c
  • BA77DE2C-3C

    Literatura

    Escolas Literárias
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    TEXTO IV


    Prosopopéia
    Bento Teixeira


    I


    Cantem Poetas o Poder Romano,
    Sobmetendo Nações ao jugo duro;
    O Mantuano pinte o Rei Troiano,
    Descendo à confusão do Reino escuro;
    Que eu canto um Albuquerque soberano,
    Da Fé, da cara Pátria firme muro,
    Cujo valor e ser, que o Ceo lhe inspira,
    Pode estancar a Lácia e Grega lira.


    II


    As Délficas irmãs chamar não quero,
    que tal invocação é vão estudo;
    Aquele chamo só, de quem espero
    A vida que se espera em fim de tudo.
    Ele fará meu Verso tão sincero,
    Quanto fora sem ele tosco e rudo,
    Que per rezão negar não deve o menos
    Quem deu o mais a míseros terrenos.


    Fonte: TEIXEIRA, Bento. Prosopopeia. Rio de Janeiro: Typ. do Imperial Instituto Artistico, 1873. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/242781. Acesso em: 09/07/2024.


    GLOSSÁRIO:

    Délficas: Musas, deusas da poesia e irmãs de Apolo por parte de pai (Zeus)
    Lácia: referente ao Lácio, região da Itália central. 


    TEXTO V


    Nas palavras do crítico literário Alfredo Bosi, a intenção do poeta Bento Teixeira, ao escrever o poema épico “Prosopopeia”, é “encomiástica, e o objeto do louvor Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, que encetava a sua carreira de prosperidade graças à cana-de-açúcar. A imitação de Os Lusíadas é assídua, desde a estrutura até o uso dos chavões da mitologia e dos torneios sintáticos. O que há de não-português (mas não diria: de brasileiro) no poemeto, como a ‘Descrição do Recife de Pernambuco’, ‘Olinda Celebrada’ e o canto dos feitos de Albuquerque Coelho, entra a título de louvação da terra enquanto colônia, parecendo precoce a atribuição de um sentimento nativista a qualquer dos passos citados”.


    Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura. 50. ed. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 36. 


    GLOSSÁRIO: 

    Encomiástico: elogioso, que faz elogio a algo ou alguém.
    Considerando os dois textos (IV e V), é possível afirmar que “Prosopopeia”, de Bento Teixeira, pode ser considerado o marco inicial, no Brasil, do movimento barroco, uma vez que, dentre outras características:
    Escolha uma alternativa para a questão ba77de2c-3c
  • BA7280EF-3C

    Literatura

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    TEXTO III


    Desenganos da vida humana, metaforicamente

    Gregório de Matos* 


    É a vaidade, Fábio, nesta vida,
    Rosa, que da manhã lisonjeada,
    Púrpuras mil, com ambição dourada,
    Airosa rompe, arrasta presumida.


    É planta, que de abril favorecida,
    Por mares de soberba desatada,
    Florida galeota empavesada,
    Sulca ufana, navega destemida.


    É nau enfim, que em breve ligeireza
    Com presunção de Fênix generosa,
    Galhardias apresta, alentos preza:


    Mas ser planta, ser rosa, nau vistosa
    De que importa, se aguarda sem defesa
    Penha a nau, ferro a planta, tarde a rosa?


    *Poema antologicamente reconhecido como de autoria de Gregório de Matos


    Fonte: MATOS, Gregório. Desenganos da vida humana, metaforicamente In: Wisnik, José Miguel (org.). Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Edição vestibular. São Paulo: Companhia das letras, 2015, p.340.


            GLOSSÁRIO:

    Airosa : esbelto, gracioso.
    Soberba : orgulho, altivez.
    Galheota : pequena embarcação a remo, usada para o transporte do rei.
    Presumida : vaidosa.
    De abril favorecida : favorecida pela primavera que inicia em abril na Europa.
    Empavesado : enfeitado, adornado, guarnecido de paveses (=proteção nas embarcações).
    Ufana : que se orgulha de algo, vaidoso.
    Fênix : divindade da mitologia egípcia, símbolo da imortalidade, personificada em uma ave que renascia das próprias cinzas.
    Galhardia : garbo, elegância.
    Aprestar : preparar com prontidão.
    Alento : sopro, bafejo.
    Penha : penhasco, rochedo.


    Considerando o soneto “Desenganos da vida humana, metaforicamente”, texto III, assinale a alternativa CORRETA:
    Escolha uma alternativa para a questão ba7280ef-3c
  • BA6FF358-3C

    Literatura

    Escolas Literárias
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    TEXTO I


    Sete annos de pastor Jacob servia
    Luís Vaz de Camões


    Sete annos de pastor Jacob servia
    Labão, pae de Raquel, serrana bella:
    Mas não servia ao pae, servia a ella,
    Que a ella só por premio pertendia.


    Os dias na esperança de hum só dia
    Passava, contentando-se com vella:
    Porém o pae, usando de cautella,
    Em lugar de Raquel lhe deo a Lia. 


    Vendo o triste Pastor que com enganos
    Assi lhe era negada a sua Pastora,
    Como se a não tivera merecida;


    Começou a servir outros sete annos,
    Dizendo: Mais servíra, senão fôra
    Para tão longo amor tão curta a vida.


    Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle. 


    TEXTO II


    Ao casamento de Pedro Álvares da Neiva
    Gregório de Matos



    Sete anos a nobreza da Bahia
    Servia a uma pastora Indiana bela,
    Porém servia a Índia e não a ela,
    Que a Índia só por prêmio pretendia.


    Mil dias na esperança de um só dia
    Passava, contentando-se com vê-la,
    Mas frei Tomás usando de cautela,
    deu-lhe o vilão, quitou-lhe a fidalguia. 


    Vendo o Brasil, que por tão sujos modos
    Se lhe usurpara a sua Dona Elvira,
    Quase a golpes de um maço e de uma goiva:


    Logo, se arrependeram de amar todos,
    E qualquer mais amara, se não vira
    Para tão limpo amor tão suja noiva.


    Fonte: MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção e organização José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
    Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Gregório de Matos:
    Escolha uma alternativa para a questão ba6ff358-3c
  • BA6D820B-3C

    Literatura

    Gêneros Literários
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    TEXTO I


    Sete annos de pastor Jacob servia
    Luís Vaz de Camões


    Sete annos de pastor Jacob servia
    Labão, pae de Raquel, serrana bella:
    Mas não servia ao pae, servia a ella,
    Que a ella só por premio pertendia.


    Os dias na esperança de hum só dia
    Passava, contentando-se com vella:
    Porém o pae, usando de cautella,
    Em lugar de Raquel lhe deo a Lia. 


    Vendo o triste Pastor que com enganos
    Assi lhe era negada a sua Pastora,
    Como se a não tivera merecida;


    Começou a servir outros sete annos,
    Dizendo: Mais servíra, senão fôra
    Para tão longo amor tão curta a vida.


    Fonte: CAMÕES, Luís Vaz de. Obras Completas de Luis de Camões, Tomo II (Portuguese Edition). Edição do Kindle. 



    Assinale a única alternativa INCORRETA sobre o poema de Camões.
    Escolha uma alternativa para a questão ba6d820b-3c
  • BA6AB415-3C

    Português

    Interpretação de Textos
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    TEXTO I


    Capitalismo com tração Sanguínea


     Emiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.


    Por: Emiliano Gullo


            Espero que você seja pego por um feroz.

            Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.

           Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.

            Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta. No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]

           Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. E a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos. Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]

           Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]

             Sem caixa, não há trabalho. [...]

            As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]

           Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...] 

          Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Se não, fazemos pedidos menores. [...]

        A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]         

            No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]

            Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]

            Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]

            Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]

            Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]

            Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]

            Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]

            O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]

    Fonte: https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.


    GLOSSÁRIO:

    Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.

    Peso: Moeda argentina, como o Real no Brasil

    Telgopor: Material térmico semelhante a isopor.




    TEXTO II


    Uberismo é a total desumanização das relações trabalhistas


    Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos



            Há palavras cuja sonoridade é aparentemente inócua, cuja grafia parece inocente, insuspeita, mas basta ir um pouco além da fisionomia ortográfica para entender os infernos que escondem. Uberismo seria uma das mais recentes formas de exploração da forma de trabalho, consistente numa hiperexploração dos trabalhadores por meio de plataformas. Um emaranhado algorítmico pensado para arrancar direitos trabalhistas na forma de startup jovem, de sucesso, vibrante, lucrativa. Recomendo a leitura atenta do que escreve o professor Ruy Braga, da USP, excelente pesquisador na área sobre as ameaças brutais da “plataformização” do trabalho ou a tirania à qual as novas tecnologias digitais submetem a vida dos trabalhadores mais precarizados. É a total desumanização das relações trabalhistas. Não há um patrão de carne e osso, não existe um departamento de recursos humanos, muitos sindicatos rejeitam representar essas categorias. O contato com o “cliente” resume-se, muitas vezes, a uma entrega rápida e insensível, com um portão com grades no meio de dois indivíduos, que no momento estão a centímetros de distância, mas cujas mãos apenas se tocam e cujas vidas se tocam menos ainda. Não há direitos, não há humanidade. Um país como Brasil é o ambiente perfeito para esse processo de uberização da vida. Milhões de trabalhadores informais, uma pauperização crescente, um exército de jovens sem formação, a volta da miséria, o desmonte incessante dos direitos trabalhistas. [...] 



            No Brasil, a carne do trabalhador precarizado se vende barata. Muito barata. Uber, Ifood, Rappi, o mundo do trabalhador escravizado pelo algoritmo que, em tempos de crise, absorve, engole milhões de profissionais sem expectativas. São os descartáveis. Mas, paradoxos de uma vida fortuita, os descartáveis viraram essenciais na pandemia. O número de entregadores antes do coronavírus era de 280 mil. Depois da pandemia, passaram a 500 mil. São números impressionantes: 500 mil invisíveis que entregam comida, mas cujas famílias passam fome ou convivem com ela. São 500 mil. Mais gente, menos lucro.



           O estudo “Condições de Trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19” identificou as jornadas de trabalho maiores e a queda nos rendimentos de 58,9% dos entregadores. [...] Não se preocupe. O entregador é microempresário, empreendedor. Não é pobreza, é um processo de sucesso individual. Os entregadores não são trabalhadores, são “parceiros” das plataformas. Os jovens que se endividam para comprar uma moto investem no seu futuro. Num país como Brasil, o discurso da meritocracia mata, assim como matam as motos dos entregadores cansados de trabalhar durante mais de dez horas por dia. Entre março e maio deste ano, 87 morreram na capital paulista.



    [...]



            Mas a exploração tem seus limites. Os explorados também explodem. Os invisíveis se cansam da invisibilidade. As greves de entregadores e a formação dos “Entregadores Antifascistas” são focos de luz nas trevas. Entre as exigências dos trabalhadores estão reajuste de preços, entrega de EPIs para trabalhar com mais segurança durante a pandemia, fim dos bloqueios indevidos, demanda de auxílios ou licenças de saúde e acidente, questionamentos com relação a programas de pontos realizados por algumas plataformas. Dignidade para os que são tratados com indignidade. É a revolta dos de baixo, dos que passavam despercebidos e hoje se tornaram essenciais. Todo o meu respeito, todo o meu apoio. 


    Fonte: https://www.cartacapital.com.br/artigo/uberismo-e-a-totaldesumanizacao-das-relacoes-trabalhistas/. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).




    Leia o texto III a seguir para responder a questão.

    TEXTO III

    O operário em construção

    Vinicius de Moraes


    Era ele que erguia casas

    Onde antes só havia chão.

    Como um pássaro sem asas

    Ele subia com as casas

    Que lhe brotavam da mão.

    Mas tudo desconhecia

    De sua grande missão:

    Não sabia, por exemplo

    Que a casa de um homem é um templo



    Um templo sem religião

    Como tampouco sabia

    Que a casa que ele fazia

    Sendo a sua liberdade

    Era a sua escravidão.

    De fato, como podia

    Um operário em construção

    Compreender por que um tijolo

    Valia mais do que um pão?



    [...] Mas ele desconhecia

    Esse fato extraordinário:

    Que o operário faz a coisa

    E a coisa faz o operário.

    De forma que, certo dia

    A mesa, ao cortar o pão `

    O operário foi tomado

    De uma súbita emoção

    Ao constatar assombrado

    Que tudo naquela mesa

    – Garrafa, prato, facão –

    Era ele quem os fazia

    Ele, um humilde operário,

    Um operário em construção.



    [...] E foi assim que o operário

    Do edifício em construção

    Que sempre dizia sim

    Começou a dizer não

    E aprendeu a notar coisas

    A que não dava atenção:

    Notou que sua marmita

    Era o prato do patrão

    Que sua cerveja preta

    Era o uísque do patrão

    Que seu macacão de zuarte

    Era o terno do patrão

    Que o casebre onde morava

    Era a mansão do patrão



    [...] Que sua imensa fadiga

    Era amiga do patrão.

    E o operário disse: Não!

    E o operário fez-se forte

    Na sua resolução.

    Como era de se esperar

    As bocas da delação

    Começaram a dizer coisas

    Aos ouvidos do patrão.



    [...] Dia seguinte, o operário

    Ao sair da construção

    Viu-se súbito cercado

    Dos homens da delação

    E sofreu, por destinado

    Sua primeira agressão.

    Teve seu rosto cuspido

    Teve seu braço quebrado

    Mas quando foi perguntado

    O operário disse: Não! 



    [...] Sentindo que a violência

    Não dobraria o operário

    Um dia tentou o patrão

    Dobrá-lo de modo vário.

    De sorte que o foi levando

    Ao alto da construção

    E num momento de tempo

    Mostrou-lhe toda a região

    E apontando-a ao operário

    Fez-lhe esta declaração:

    — Dar-te-ei todo esse poder

    E a sua satisfação



    [...] E o operário disse: Não! 

    — Loucura! – gritou o patrão

    Não vês o que te dou eu?

    — Mentira! – disse o operário

    Não podes dar-me o que é meu.



    [...]


    Fonte: https://edisciplina.usp.br/mod/resource/view.php?id=5229060. Acesso em: 08 jul. 2024. (adaptado).


    Embora os textos I, II e III sejam de gêneros de texto diferentes, eles relacionam-se quanto à temática e à crítica presentes.



    Por isso, ao comparar os textos I, II e III, pode-se afirmar que

    Escolha uma alternativa para a questão ba6ab415-3c
  • BA62E454-3C

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto I a seguir, de autoria do jornalista argentino Emiliano Gullo, para responder a questão.


    TEXTO I


    Capitalismo com tração Sanguínea


     Emiliano Gullo foi trabalhar no Rappi por dez dias: ganhava 2300 pesos. Da ansiedade das primeiras ordens ao ódio a um emprego que paga mal e que mostra o pior do capitalismo: a exploração com cara boa. Entre GPS e algoritmos, uma crônica em primeira pessoa da aplicação mais selvagem da economia de plataformas.


    Por: Emiliano Gullo


            Espero que você seja pego por um feroz.

            Esperançosamente. Esperançosamente. Esperançosamente.

           Repito o desejo silencioso como um mantra de suportar a chuva e a raiva enquanto vejo como o cliente da rua Boulogne Sur Mer retorna ao elevador com seu nhoque estilo bolonhesa. Volta rápido e seco. Dou um passo em direção à calçada e fico encharcado de novo. As gotas chocalham muito na minha jaqueta de borracha. Ainda não tenho o piloto laranja. Isso vai acontecer em poucos dias, quando eu cumprir os 15 pedidos entregues. Agora fecho a caixa-mochila de telgopor e o último suspiro quente que a massa deixou antes de sair escapa. Quente e pontual.

            Em algumas semanas, o Rappi vai me pagar 50 pesos por essa remessa. O cliente não me deixou um centavo na ponta. No Rappi não há tempo para fúria. Ou sim: na bicicleta. [...]

           Antes da chuva, diante das ordens e das pedaladas frenéticas, as promessas de um emprego livre, sem patrões ou horários, de ganhos imediatos, me levam a um escritório em Villa Crespo, na Rua Castillo, 1200. E a primeira inaugurada pela empresa colombiana Rappi na Argentina, que chegou em março e está crescendo mais rápido que a inflação. [...] No final de agosto, já havia 9 mil rappitenderos na Argentina. Ou melhor, 9 mil trabalhadores não reconhecidos. Hoje já são mais de 12 mil sem assistência social, sem ART, nem férias, nem seguro, nem benefícios de qualquer natureza. [...] O diretor-presidente local da Rappi, Matías Casoy, diz que os rappintenderos não são trabalhadores formais, mas “microempreendedores porque têm seu tempo”. [...]

           Para treinar como rappitendero existem três horários, três dias por semana. Entre 40 e 50 pessoas estão amontoadas em cada fila; quase todos homens com menos de 40 anos de idade.[...] Há duas filas aqui. Uma para nós, os novos. Outra para ativos. [...]

             Sem caixa, não há trabalho. [...]

            As conversas na porta de Castillo giram em torno do labirinto burocrático. O segundo passo é a monotaxa. O Rappi dá 15 dias para que eles apresentem. Durante esse tempo, você pode trabalhar e acumular dinheiro para pedidos. Mas se o trabalhador não conseguir, a empresa bloqueia o usuário e não pode recolher seus ganhos. [...] Eu também vou ter que voltar várias vezes para resolver problemas cotidianos como um trabalhador para esta empresa. Faltam mochilas, pagamentos que não chegam, pedidos que não saem, usuários bloqueados ou recursos não ativados. [...]

           Agora estamos na clandestinidade. Somos cerca de 40 meninos e 1 menina. Não há cadeiras livres. Alguns de nós sentaram-se no chão. A palestra é ministrada por Viviana. Começa a operação de sedução. Viviana projeta um powerpoint. Ela promete que não pedalaremos mais do que 3 quilômetros, explica o comportamento do bom rappitendero, nos mostra os possíveis ganhos e, acima de tudo, vai nos empolgar com os principais benefícios. Trabalhar sem patrões, o número de horas que queremos e, como se não bastasse, temos os “benefícios de ser monotributista”. [...] 

          Viviana diz para não nos preocuparmos com a caixa. Se quisermos, podemos alugá-la. Se não, fazemos pedidos menores. [...]

        A única oportunidade em que o véu da falsa liberdade será transparente será quando Viviana falar da “taxa de aceitabilidade”. Assim que o pedido aparecer no aplicativo SoyRappi, são 30 segundos para decidir se aceita ou não a corrida. Quanto menos pedidos forem aceitos, menor será a taxa de aceitabilidade. E, quanto menor a taxa, menos pedidos aparecerão. [...] Também temos que aproveitar os horários de pico. De 12h às 16h e de 19h/20h às 24h/1h. Os ganhos para cada entrega variam de 40 a 60 pesos, dependendo - sempre em teoria - do número de quilômetros. [...]         

            No Rappi há uma diferença entre dois grupos não antagônicos. Os venezuelanos, que representam mais de 90% da tropa da Rappitenda e costumam dedicar o dia inteiro a essa atividade. E os argentinos, uma clara minoria que costuma usar o aplicativo porque não se sustenta com seu trabalho formal. A etapa final é a ativação do usuário. Eu sou Id 9133. [...]

            Viajei 9 quilômetros. Fiz 125 pesos, que vou recolher quando o Rappi acertar os ganhos e fizer a transferência para a minha conta. [...]

            Eu, enquanto isso, continuo circulando sem um destino fixo. Tento horários diferentes, dias diferentes. É sexta-feira à noite. Estou indo pela ciclovia Billinghurst. Estou com o celular na mão. [...]

            Eu tenho que pegar algumas empanadas venezuelanas em El Salvador em 4400 e levá-los para Recoleta. O aplicativo me orienta através de uma série de etapas para que todos saibam onde estou e o que estou fazendo. Aviso primeiro que estou a caminho. Para o restaurante quando eu chegar. Ao cliente quando já tenho os produtos. Por fim, aviso que dei tudo. Estou pronto para mais. [...]

            Sou controlado por satélites, sou designado e não atribuído tarefas de um telefone, sou suspenso ou disparado de um tablet, mas pedalo uma bicicleta para o trabalho. Os novos modos de exploração parecem evoluir de forma bastante singular. O século 21 nas mãos das empresas, trabalhadores ancorados no século 19. O capital viaja no tempo. Pode ser o último filme de “De Volta para o Futuro”. O mais sinistro. O capitalismo moderno se move com tração de sangue. Economia de plataforma, dizem economistas e sociólogos. A uberização da economia, dizem outros. [...]

            Como cheguei depois de 35 minutos no último pedido, o Rappi vai premiar a entrega. O telefone toca novamente. “Temos uma ordem perfeita para você.” Tenho sorte hoje. [...]

            Mudança de dias. Trabalho ao meio-dia. Trabalho noturno. Trabalho dia e noite. Com e sem chuva. Não importa se há uma tempestade ou um sol brilhante. [...]

            O Rappi se alimenta, por um lado, de duas fragilidades muito específicas e complementares: a necessidade do imigrante e o desespero dos desempregados. De outro, a fetichização do imediatismo.[...]

    Fonte: https://www.revistaanfibia.com/capitalismo-traccion-sangre/. Acesso em: 05 jul. 2024. Texto adaptado para fins didáticos.


    GLOSSÁRIO:

    Monotributista: Uma forma de pagar impostos simplificada e de baixo custo utilizada por trabalhadores independentes da Argentina.

    Peso: Moeda argentina, como o Real no Brasil

    Telgopor: Material térmico semelhante a isopor.








    De acordo com o linguista José Luiz Fiorin (2010, p. 194): “Quando se atenua aquilo que de fato teria uma intensidade maior, ocorre um eufemismo”. Sabendo disso, responda:


    Em qual trecho do texto foi utilizado um eufemismo com a intenção discursiva de atenuar “o pior do capitalismo: a exploração com cara boa”?
    Escolha uma alternativa para a questão ba62e454-3c
  • 250F9016-3A

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Pela primeira vez na história do país, o Censo 2022 investigou a população quilombola e suas características demográficas, geográficas e socioeconômicas, obtendo informações fundamentais para aprofundar o conhecimento e orientar políticas públicas.


    10.png (324×431)

    Fonte: Censo de 2022 – IBGE Adaptado de https://encurtador.com.br/r9bIC Acesso em 26 de jun. de 2024.


    O padrão da pirâmide etária ilustrada indica
    Escolha uma alternativa para a questão 250f9016-3a
  • 250382EB-3A

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o excerto a seguir:



            “A cidade de Maceió, capital do estado de Alagoas, vive uma catástrofe urbana que antes era inédita no país. O colapso se dá em decorrência do processo de subsidência do solo, ou seja, do afundamento do solo como consequência da desestabilização de cavernas abertas para exploração de salgema pela atual mineradora Braskem. O problema levou a remoção compulsória de mais de 57 mil pessoas, moradores de quatro bairros da cidade: Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Pinheiro – além de áreas do bairro do Farol. A desocupação de mais de 14 mil imóveis se deu em um curto espaço de tempo e sem prévia indenização das famílias atingidas.”


    Fonte: BULHOES, J. A. Colapso urbano? Narrativas de moradores ˜ do Pinheiro sobre a subsidˆencia do solo em Macei´o. In: MANSUR, M.; WANDERLEY, L. J. Colapso Mineral em Macei´o: o desastre da Braskem. 2023. p.18.



    O afundamento do solo em bairros de Maceió (AL) em decorrência da exploração do sal-gema se soma aos rompimentos de barragem da Vale em Brumadinho (MG) e Samarco em Mariana (MG) como grandes desastres associados ao setor mineral no Brasil nos últimos anos. Do ponto de vista econômico, estes tipos de desastres estão associados 



    Escolha uma alternativa para a questão 250382eb-3a
  • 25007A3C-3A

    Português

    Coesão e coerência
    Universidade Federal de Juiz de Fora - MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos

    Os textos V, VI, VII e VIII são comentários presentes na postagem, Texto IV. Leia-os com atenção para responder a questão.



    TEXTO IV



    4.png (309×213)


            Legenda: É oficial: o Brasil bateu a marca de mais de 500 mil influenciadores digitais, segundo levantamento feito pela multinacional Nielsen. O número já é equivalente à quantidade de médicos registrados no Conselho Federal de Medicina (CFM) em 2022. O que nos leva a refletir: além de bom profissional, a gente vai ter que virar influencer, TikToker, topvoice do LinkedIn também? Onde ficam os lowprofiles, quem não tem tanto tempo e nem acesso a tudo que as redes exigem e as pessoas que só querem desempenhar a própria profissão sem transformar as redes sociais em um negócio? Compartilhar as nossas expertises por aqui pode ser ótimo, mas quando isso vira uma obrigação que reflete na remuneração, se transforma em sobrecarga e se torna pré-requisito para ter um emprego e o mínimo de reconhecimento, aí é que a gente sabe que a cultura de trabalho não vai nada bem. No post de hoje queremos falar dos dois lados da moeda. Você que nutre o seu perfil profissional aqui e nas redes vizinhas: qual é a sua maior dificuldade? Como lida com a dupla jornada de fazer o seu trabalho e ainda postar? Você já enfrentou ou enfrenta comentários depreciativos de colegas de profissão, por exemplo? E quem é do time de não compartilhar o trabalho: já sentiu ou sente pressão para criar também? O medo de ficar de fora do mercado bate por aí? 


    Fonte: https://www.instagram.com/p/CftWaCzsi8T/?img index=1. Acesso em: 10 jul. 2024. 



    TEXTO V


    5_- 5.png (267×267)


    Fonte: https://www.instagram.com/p/Cft WaCzsi8T/?img index=1. Acesso em: 10 jul. 2024.



    TEXTO VI



    5-6.png (268×163)


    Fonte: https://www.instagram.com/p/CftWa Czsi8T/?img index=1. Acesso em: 10 jul. 2024.



    TEXTO VII



    5-7.png (265×118)


    Fonte: https://www.instagram.com/p/C ftWaCzsi8T/?img index=1. Acesso em: 10 jul. 2024.


    TEXTO VIII



    5-8.png (267×123)


    Fonte: https://www.instagram.com/p/C ftWaCzsi8T/?img index=1. Acesso em: 10 jul. 2024.










    Embora de pequena extensão, o gênero textual “comentário” pode ser produzido com a intenção de emitir ponto de vista sobre uma questão, apresentando argumentos que sustentem o posicionamento defendido.


    Sobre estratégias argumentativas utilizadas nos comentários ao lado, textos V, VI, VII e VIII, está CORRETO o que se afirma em:
    Escolha uma alternativa para a questão 25007a3c-3a
  • 0ADDAD92-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        Ela [Germa] não respondeu, pôs-se de súbito a baloiçar-se desastradamente, como uma criança que explora o perigo dum jogo; a cadeira esquiava pelo soalho, embatendo contra as ripas que sustinham os montes de pero-pipo, das enormes três-num-prato que enrugavam a sua pele ferrugenta, ou as maçãs eivadas de vermelho, que o povo chama machiadas e desprendem um activo perfume, fresco e selvagem.


    BESSA-LUÍS, Agustina. A Sibila. Lisboa: Guimarães Editores, 2009. p. 248.


        Em A Sibila, de Agustina Bessa-Luís, o objeto cadeira de balanço assume papel simbólico na construção da narrativa, pois representa a
    Escolha uma alternativa para a questão 0addad92-32
  • 0AD48ED1-32

    Literatura

    Teoria Literária
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        Poetas contemporâneas de língua portuguesa estabelecem simbólicos diálogos com a tradição trovadoresca para repensar as cantigas. Tal estratégia ocorre como mecanismo para contestar o universo autoral histórico centrado, essencialmente, na autoria masculina. Em vista disso, assinale a alternativa em que os versos da poeta brasileira Hilda Hilst (2017) dialogam com o Trovadorismo.
    Escolha uma alternativa para a questão 0ad48ed1-32
  • 0AC58CAB-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        Ainda no início da pandemia, dois artigos sobre o novo coronavírus publicados em respeitadas revistas científicas tiveram amplo impacto e repercussão. O primeiro, divulgado em 1º de maio de 2020 na New England Journal of Medicine, avaliou os efeitos de alguns medicamentos para doenças cardíacas em pacientes infectados com o Sars-CoV-2. O outro, publicado em 22 de maio na The Lancet, sugeria que a hidroxicloroquina, além de não ser eficaz contra a Covid-19, aumentava o risco de mortalidade por problemas cardíacos. Os dois estudos foram retratados em 5 de junho por suspeita de fraude da empresa que forneceu os dados que embasavam suas conclusões – e a impossibilidade de assegurar a veracidade dessas informações tornou inviável a comprovação dos resultados. Isso deveria ter colocado um fim nas trajetórias científicas desses artigos, mas não foi o que aconteceu. Mesmo anulados, eles continuaram sendo citados na literatura especializada como se fossem válidos, segundo levantamento feito por pesquisadores da Austrália e Suécia.
       
        Com base em dados da plataforma Retraction Watch, que rastreia trabalhos científicos cancelados por erros ou má conduta, foram analisados 212 artigos sobre a Covid-19 retratados até janeiro de 2022. Tais estudos haviam recebido 1036 citações, 80% delas feitas após terem sido invalidados. Além disso, 86% não sinalizavam que eles tinham sido retratados, difundindo a falsa ideia de que ainda eram considerados válidos pela comunidade científica.

        O descuido está longe de ser incomum. Nos últimos anos, vários estudos têm chamado a atenção para esse fenômeno que afeta a integridade da produção científica.


    ANDRADE, Rodrigo de Oliveira. Artigos zumbis. Pesquisa FAPESP, São Paulo, FAPESP. Ano 23, n. 322, Dez. 2022. p. 33.


    A expressão negritada “O descuido” 
    Escolha uma alternativa para a questão 0ac58cab-32
  • 0AAEC097-32

    Português

    Interpretação de Textos
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        Historicamente, a medicina ocidental tem obtido grande sucesso na cura de doenças, como apendicite, pneumonia, fraturas e falência de órgãos, com necessidade de transplante. Mas está longe de ser brilhante no tratamento das enfermidades crônicas, aquelas relacionadas ao estilo de vida, incluindo a ansiedade e a depressão. Vivemos uma verdadeira epidemia desses males. O curioso é que as pessoas até têm consciência dos riscos de se alimentar mal, de estar acima do peso, do sedentarismo e, apesar disso, insistem em não modificar seus hábitos. Por que será? Talvez porque os riscos não sejam percebidos no dia a dia como sintomas, pelo menos até que uma dessas doenças do estilo de vida apareça.


    PEDRINOLA, Filippo. Um convite à saúde. São Paulo: Editora Abril, 2011, p. 117-118.


    No trecho, a expressão negritada “O curioso” é um recurso linguístico por meio do qual se reconhece
    Escolha uma alternativa para a questão 0aaec097-32
  • 0AAB84BA-32

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    Read Text 1 and Text 2 below.


    Text 1

    Most animals can regenerate some parts of their bodies, such as skin. But when a three-banded panther worm is cut into three pieces, each piece grows into a new worm. Researchers are investigating this feat partly to learn more about humans’ comparatively limited abilities to regenerate, and they’re making exciting progress. An especially promising discovery is that both humans and panther worms have a gene for early growth response (EGR) linked to regeneration.


    Text 2

    When Mansi Srivastava and her team reported that panther worms, like humans, possess a gene for EGR, it caused excitement. However, as the team pointed out, the gene likely functions very differently in humans than it does in panther worms. Srivastava has likened EGR to a switch that activates other genes involved in regeneration in panther worms, but how this switch operates in humans remains unclear.


    Disponível em: http://satsuite.collegeboard.org. Acesso em: 10 Jan. 2024.


    After you have read both texts, it is possible to state that 
    Escolha uma alternativa para a questão 0aab84ba-32
  • 0AA10A9F-32

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    UFU-MG · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
        In a first, microplastic particles have been linked to heart disease

    By Tara Haelle


        Microplastics are everywhere in the environment—and in our bodies. The build-up of these tiny plastic particles in blood vessels is linked to a greater risk of heart attack, stroke, and death, according to a new study. When plaque builds up in arteries—a disease called atherosclerosis—the thicker vessel walls reduce blood flow to parts of the body, raising the risk of strokes, angina, and heart attack. The plaques are typically a mixture of cholesterol, fatty substances, waste from cells, calcium, and a blood clotting protein called fibrin. The new study now focuses on some 300 people with atherosclerosis, some of whom also had tiny plastic particles—microplastics and nanoplastics—embedded in plaques in their carotid artery, a major blood vessel in the neck that provides blood to the brain. The people with plastic-containing plaques were more than four times more likely to have a heart attack or stroke or to die from any cause over the next three years, according to the research published on March 7 in the New England Journal of Medicine.


    Disponível em: https://www.nationalgeographic.com/. Acesso em: 11 Abr. 2024.


    According to the text, what can be said about microplastic particles? 
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    Português

    Interpretação de Textos
    Centro Universitário FAESA · 2024MédioEntre para guardar nos favoritos
    O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

    Os estudiosos da branquitude se dedicam a entender ainda um segundo fenômeno: o fato de que, apesar de usufruir de privilégios raciais, raramente o "branco" é pensado como raça. Funciona da seguinte forma: a ideia de raça, explica Lia, surgiu na Europa do século XIX como uma espécie de pseudociência. Consistia em associar cor da pele, e outros traços físicos, a comportamentos e valores morais. Às pessoas vistas como brancas, são associados valores positivos, que lhes garantem certas vantagens sociais. Mas essa mecânica costuma ser ignorada.


    https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/no-brasil-meritocracia-di scurso-da-supremacia-branca-diz-pesquisadora/


    A partir da leitura do texto, podemos afirmar que a:
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