Questões do ENEM: Linguagens e Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Paraná (IF-PR)

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119 questões encontradas. Mostrando a página 2 de 6.

  • F00C428E-F9

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir.

    - Tem aviso que alguém estaria ''abiscoitando'' algo.

    - Ah, deve ser ''agá'' do pessoal!

    - Não é, não! Disseram ainda que o cara é ''021'' e que tava ''colando as placas''. Também parece que tá portando ''aço'' e ''canela seca''.

    - Ok. Vamos ver essa ''bagaça''. E aí? Pegamos a ''baratinha''?

    - Pelo ''bizu'' que recebi é melhor ir de ''barca''. E vê se não esquece a ''lurdinha''!

    O diálogo acima, embora pouco esclarecedor para a população civil, é perfeitamente compreensível por policiais militares. A ''linguagem técnica'' desse setor é tão extensa e variada que já resultou até em um dicionário, elaborado por um tenente de Curitiba (Folha de Londrina 18/08/2003).


    Assinale a alternativa que justifique a linguagem do texto.

    Escolha uma alternativa para a questão f00c428e-f9
  • F008788C-F9

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    IF-PR · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    O texto a seguir é parte de uma entrevista dada a um jornal de grande circulação, cujo assunto era o nível de educação no Brasil.

    "Segundo Claudia, isso se dá, principalmente, porque grande parte opta pela educação técnica com intenção secundária, e o torna uma espécie de "cursinho pré-vestibular".

    (BARONE, Isabelle. Existe salvação fora da universidade? In:

    Gazeta do Povo, ano 101 nº 31.994, 22 a 28 jun 2019, p. 35)


    Há no texto da entrevista um problema de concordância. Marque, entre as alternativas abaixo, aquela que corrige o problema citado.

    Escolha uma alternativa para a questão f008788c-f9
  • F0050070-F9

    Português

    Adjetivos
    IF-PR · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    AS CORES PARA MENINAS E PARA MENINOS - E O ESTEREÓTIPO POR TRÁS DISSO

    Desde sempre estamos acostumados a ver bebês e crianças do gênero feminino usando a cor rosa em predominância, e os meninos o azul (ou verde, ou amarelo, ou laranja… menos o rosa!). Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos mostrou que não existe qualquer evidência que confirme a preferência das crianças de cada gênero por essas cores. Várias crianças de ambos os sexos com idades que variavam dos 7 meses de idade até os 5 anos foram testadas quanto à preferência das cores.

    Os resultados apontaram que até os 2 anos, as meninas escolhiam objetos e brinquedos das cores mais variadas, não tinham preferência pela cor rosa. Os meninos até os dois anos e meio também seguiam a mesma tendência, optando inclusive por brinquedos na cor rosa.

    (Disponível em: https://www.wemystic.com.br/artigos/cores-egenero-rosa-para-meninas-azul-para-meninos-por-que/, acessado em 08/07/2019)


    Ao se ler o texto acima, verifica-se a utilização do plural para se referir às cores. Pensando nisso, marque a alternativa em que há a correta concordância dos adjetivos.

    Escolha uma alternativa para a questão f0050070-f9
  • F002141F-F9

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Considerando o "Poema em linha reta", sobretudo os versos "Quem me dera ouvir de alguém a voz humana" (31a linha) e "Onde é que há gente no mundo?" (39a linha), assinale a alternativa INCORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão f002141f-f9
  • EFFF2DAD-F9

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Considerando o verso "Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas" (10ª linha), assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão efff2dad-f9
  • EFFC3A85-F9

    Português

    Coesão e coerência
    IF-PR · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Assinale a alternativa que reescreve os versos assinalados em negrito no texto, sem alterar o sentido original.
    Escolha uma alternativa para a questão effc3a85-f9
  • EFF3CFB8-F9

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão eff3cfb8-f9
  • 50899DA0-CB

    Português

    Figuras de Linguagem
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Analise a imagem com atenção.


    Imagem da questão de Português, da prova de 2018


    As imagens do texto publicitário acima foram utilizadas, em sua maioria, para traduzir um recurso de linguagem muito usado na vida cotidiana. Assinale a alternativa que apresenta esse recurso.

    Escolha uma alternativa para a questão 50899da0-cb
  • 5086519C-CB

    Português

    Sintaxe
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Obsessão por felicidade pode deixar você Extremamente infeliz


         A felicidade é algo tão subjetivo quanto científico. Biologicamente, poderíamos falar em serotonina e ocitocina, ou outros nomes difíceis de neurotransmissores (mensageiros químicos) que estão relacionados com a existência dessa sensação. Mas psicologicamente a história é outra. Como a maioria dos sentimentos, substantivos abstratos, felicidade representa algo diferente para cada ser humano. De acordo com a “psicologia positiva”, não precisamos esperar que a felicidade dê as caras: ela está ao alcance das nossas mãos.

         Mas até que ela virou uma ditadura não tão feliz assim. Essa obrigação de ser feliz não é novidade, mas ninguém realmente sabe quem primeiro cunhou essa regra – e como ela se tornou o objetivo de vida de quase todo mundo. O que se sabe é que ela vem machucando: “a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço”, diz o escritor francês Pascal Bruckner no livro A Euforia Perpétua. E ele estava certo: um novo estudo da Universidade de Melbourne, Austrália, finalmente concluiu que a infelicidade de muita gente é causada pela tentativa incessante de ser feliz. (...)

    (super.abril.com.br/comportamento/obsessao-por-felicidade-pode-deixar-voce-extremamente-infeliz – acesso em 22.08.18)

    Assinale a alternativa que substitui a expressão “Mas até que”, em negrito (2o parágrafo), sem alterar o sentido do texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 5086519c-cb
  • 50838194-CB

    Português

    Coesão e coerência
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Obsessão por felicidade pode deixar você Extremamente infeliz


         A felicidade é algo tão subjetivo quanto científico. Biologicamente, poderíamos falar em serotonina e ocitocina, ou outros nomes difíceis de neurotransmissores (mensageiros químicos) que estão relacionados com a existência dessa sensação. Mas psicologicamente a história é outra. Como a maioria dos sentimentos, substantivos abstratos, felicidade representa algo diferente para cada ser humano. De acordo com a “psicologia positiva”, não precisamos esperar que a felicidade dê as caras: ela está ao alcance das nossas mãos.

         Mas até que ela virou uma ditadura não tão feliz assim. Essa obrigação de ser feliz não é novidade, mas ninguém realmente sabe quem primeiro cunhou essa regra – e como ela se tornou o objetivo de vida de quase todo mundo. O que se sabe é que ela vem machucando: “a depressão é o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço”, diz o escritor francês Pascal Bruckner no livro A Euforia Perpétua. E ele estava certo: um novo estudo da Universidade de Melbourne, Austrália, finalmente concluiu que a infelicidade de muita gente é causada pela tentativa incessante de ser feliz. (...)

    (super.abril.com.br/comportamento/obsessao-por-felicidade-pode-deixar-voce-extremamente-infeliz – acesso em 22.08.18)

    Assinale a alternativa na qual a redação foi alterada para eliminar o uso de dois pontos (:), sem prejudicar o sentido do trecho em negrito no texto.
    Escolha uma alternativa para a questão 50838194-cb
  • 507F6920-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2018

    Em relação às funções dos recursos verbais e não-verbais utilizados no texto, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 507f6920-cb
  • 5079C3C8-CB

    Português

    Coesão e coerência
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a alternativa em que se identifica um texto incoerente.
    Escolha uma alternativa para a questão 5079c3c8-cb
  • 5076DDBD-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos
    Considerando apenas os elementos negritados nos textos das alternativas abaixo, retirados da revista Capricho, identifique onde a norma padrão está sendo respeitada.
    Escolha uma alternativa para a questão 5076ddbd-cb
  • 5074096E-CB

    Português

    Gêneros Textuais
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Em relação ao assunto: “poema, prosa e poesia”, analise as informações sobre os textos de Mia Couto e de Millôr Fernandes.

    I) Os dois textos apresentados diferem: o de Mia Couto está escrito em prosa, ainda que incorpore poesia, e o de Millôr é um poema, esvaziado de poesia.
    II) A narrativa de Mia Couto possui muitos elementos poéticos, perceptíveis especialmente pelas palavras e expressões que ganham significados diversos dos habituais, por vezes, incomuns.
    III) O texto de Millôr pode ser considerado poético, por se tratar de um poema e ser essa a condição indispensável para ganhar essa caracterização.
    IV) Sequência de versos sem métrica e sem rima, que abordam assunto risível, como acontece com o texto de Millôr, sequer pode ser chamada de poema.
    V) Não há possibilidade de definir ambos os textos como poesia, porque lhes faltam as características principais para tanto, entre as quais estão: métrica, ritmo, rima.
    Estão corretas apenas:
    Escolha uma alternativa para a questão 5074096e-cb
  • 50710ECC-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 


    Poesia matemática, Millôr Fernandes.


    Às folhas tantas
    Do livro matemático
    Um Quociente apaixonou-se
    Um dia
    Doidamente
    Por uma Incógnita.
    Olhou-a com seu olhar inumerável
    E viu-a, do Ápice à Base.
    Uma figura ímpar:
    Olhos romboides, boca trapezoide,
    Corpo ortogonal, seios esferoides.
    Fez da sua
    Uma vida Paralela à dela
    Até que se encontraram No infinito.
    “Quem és tu?” indagou ele
    Com ânsia radical.
    “Sou a soma do quadrado dos catetos.
    Mas pode chamar-me de Hipotenusa.”
    E de falarem descobriram que eram
    — O que, em aritmética, corresponde
    A almas irmãs
    — Primos entre si.
    E assim se amaram
    Ao quadrado da velocidade da luz
    Numa sexta potenciação
    Traçando
    Ao sabor do momento
    E da paixão
    Retas, curvas, círculos e linhas sinusoidais.
    Comparando o texto de Mia Couto, com o de Millôr Fernandes, pode-se afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 50710ecc-cb
  • 506E2097-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Nesse texto, o escritor “brinca” com o leitor e o desafia a utilizar a imaginação para interpretar e entender toda a trama. Analisando-o segundo os elementos característicos das narrativas literárias, assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão 506e2097-cb
  • 506B4C43-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Compare as expressões I e II abaixo (também negritadas no texto) e, a seguir, assinale a alternativa correta.

    I) “...reduzida a paixão ao seu equivalente numérico.”
    II) “A paixão é o mundo a dividir por zero.”
    Escolha uma alternativa para a questão 506b4c43-cb
  • 50684FE6-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Analisando o contexto em que é empregada a expressão: “A paixão é o mundo a dividir por zero”, assinale a alternativa que melhor a explica.
    Escolha uma alternativa para a questão 50684fe6-cb
  • 50651606-CB

    Português

    Interpretação de Textos
    IF-PR · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Os infelizes cálculos da felicidade (fragmento),
                                                              Mia Couto.

        O homem da história é chamado Julio Novesfora. Noutras falas o mestre Novesfora. Homem bastante matemático, vivendo na quantidade exata, morando sempre no acertado lugar. O mundo, para ele, estava posto em equação de infinito grau. Qualquer situação lhe algebrava o pensamento. Integrais, derivadas, matrizes para tudo existia a devida fórmula. A maior parte das vezes mesmo ele nem incomodava os neurónios*:
        – É conta que se faz sem cabeça.
        Doseava o coração em aplicações regradas, reduzida a paixão ao seu equivalente numérico. Amores, mulheres, filhos: tudo isso era hipótese nula. O sentimento, dizia ele, não tem logaritmo. Por isso, nem se justifica a sua equação. Desde menino se abstivera de afetos. Do ponto de vista da álgebra, dizia, a ternura é um absurdo. Como o zero negativo. Vocês vejam, dizia ele aos alunos: a erva não se enerva, mesmo sabendo-se acabada em ruminagem de boi. E a cobra morde sem ódio. É só o justo praticar da dentadura injetável dela. Na natureza não se concebe sentimento. Assim, a vida prosseguia e Julio Novesfora era nela um aguarda-factos*. Certa vez, porém, o mestre se apaixonou por uma aluna, menina de incorreta idade. Toda a gente advertia: essa menina é mais que nova, não dá para si*.
        – Faça as contas mestre.
        Mas o mestre já perdera o cálculo. Desvalessem os razoáveis conselhos. Ainda mais grave: ele perdia o matemático tino. Já nem sabia o abecedário dos números. Seu pensamento perdia as limpezas da lógica. Dizia coisas sem pés. Parecia, naquele caso, se confirmar o lema: quanto mais sexo menos nexo. Agora, a razão vinha tarde de mais*. O mestre já tinha traçado a hipotenusa à menina. Em folgas e folguedos, Julio Novesfora se afastava dos rigores da geometria. O oito deitado é um infinito. E, assim, o professor ataratonto, relembrava:
    – A paixão é o mundo a dividir por zero.

    *grafia usada em Moçambique 
    Mia Couto, escritor moçambicano, é um mestre das palavras. Nesse texto, ele aproxima a linguagem matemática das relações humanas e do cotidiano do personagem e, com isso:
    Escolha uma alternativa para a questão 50651606-cb