Questões do ENEM: Linguagens e Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)

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Resultados

244 questões encontradas. Mostrando a página 11 de 13.

  • 6E37270B-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sabe-se que Coração, cabeça e estômago é uma obra atípica na produção ficcional de Camilo Castelo Branco. Em relação a essa obra, assinale a alternativa em que todas as características listadas são corretas.
    Escolha uma alternativa para a questão 6e37270b-1d
  • 6E346CC6-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    “São Francisco botava o dedo nas feridas dos leprosos. Mas é que ele era um santo, fazia milagres, e ela é simplesmente Doralice Leitão Leiria, um ser humano como qualquer outro.”
    (Érico Veríssimo, Caminhos cruzados. São Paulo: Companhia de Bolso, 2016, p.77.)
    “ – Queres seguir a política? Então? Procura imitar Bismarck! Haverá padrão melhor?” (Idem, p. 290.)
    Os fragmentos acima captam um dos traços principais de Caminhos cruzados no que diz respeito à identidade narrativa das personagens. Considerando o conjunto do romance, tal traço consiste em uma
    Escolha uma alternativa para a questão 6e346cc6-1d
  • 6E31A183-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    “O Sinhô foi açoitar
    sozinho a negra Fulô.
    A negra tirou a saia
    e tirou o cabeção,
    de dentro dêle pulou
    nuinha a negra Fulô.

    Essa negra Fulô!
    Essa negra Fulô!

    Ó Fulô! Ó Fulô!
    Cadê, cadê teu Sinhô
    que Nosso Senhor me mandou?
    Ah! Foi você que roubou,
    foi você, negra Fulô?

    Essa negra Fulô!”
    (Jorge de Lima, Poesias Completas, v.1. Rio de Janeiro/Brasília: J.Aguilar e INL,
    1974, p. 121.)

    “A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
    Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
    avança na branca e me vinga.
    Exu escangalha ela, amofina ela,
    amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
    sou só uma mulher perdida neste mundão.
    Neste mundão.
    Louvado seja Oxalá.
    Para sempre seja louvado.”
    (Idem, p.164.)

    Essas duas cenas de ciúmes concluem dois textos diferentes de Jorge de Lima. A primeira pertence ao conhecido poema modernista “Essa negra Fulô”; a segunda, ao poema “História”, de Poemas Negros (1947). Em relação a “Essa negra Fulô”, o poema “História”, especificamente, representa
    Escolha uma alternativa para a questão 6e31a183-1d
  • 6E2EEB15-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    No conto “Amor”, de Clarice Lispector, após ver um cego mascando chicletes, a personagem passa por uma situação que, segundo o narrador, ela própria chama de “crise”:
    “O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas.”
    (Clarice Lispector, Laços de Família. Rio de Janeiro: Rocco, 2009, p.23.)
    Essa crise, que transforma a relação da personagem com o mundo e com a família,
    Escolha uma alternativa para a questão 6e2eeb15-1d
  • 6E2C38A8-1D

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    O romance Memórias póstumas de Brás Cubas é considerado um divisor de águas tanto na obra de Machado de Assis quanto na literatura brasileira do século XIX. Indique a alternativa em que todas as características mencionadas podem ser adequadamente atribuídas ao romance em questão.
    Escolha uma alternativa para a questão 6e2c38a8-1d
  • 6E295D97-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos
    “Uma peripécia, uma reviravolta nas circunstâncias, de uma hora para outra transforma uma sequência rotineira de acontecimentos numa história.”
    (Jerome Bruner, Fabricando histórias. Direito, literatura, vida. São Paulo: Letra e Voz, 2014, p.15.)
    Levando-se em conta a noção acima proposta por Jerome Bruner, qual é a peripécia que ocorre no terceiro ato da peça Lisbela e o prisioneiro
    Escolha uma alternativa para a questão 6e295d97-1d
  • 6E26957B-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos
    Caligrafia (Arnaldo Antunes)
    Arte do desenho manual das letras e palavras.
    Território híbrido entre os códigos verbal e visual. A caligrafia está para a escrita como a voz está para a fala. A cor, o comprimento e espessura das linhas, a disposição espacial, a velocidade dos traços da escrita correspondem a timbre, ritmo, tom, cadência, melodia do discurso falado. Entonação gráfica.
    Assim como a voz apresenta a efetivação física do discurso (o ar nos pulmões, a vibração das cordas vocais, os movimentos da língua), a caligrafia também está intimamente ligada ao corpo, pois carrega em si os sinais de maior força ou delicadeza, rapidez ou lentidão, brutalidade ou leveza do momento de sua feitura.
    (Adaptado de https://www.arnaldoantunes.com.br. Acessado em 12/07/2016.)
    Em Caligrafia, o autor
    Escolha uma alternativa para a questão 6e26957b-1d
  • 6E20CE06-1D

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Assinale a alternativa correta.

    Escolha uma alternativa para a questão 6e20ce06-1d
  • 6E1E236B-1D

    Português

    Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Do ponto de vista da norma culta, é correto afirmar que “coisarˮ é

    Escolha uma alternativa para a questão 6e1e236b-1d
  • 6E186308-1D

    Português

    Gêneros Textuais
    UNICAMP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

    Na tira acima, o autor retoma um célebre lema retirado do Manifesto Comunista (1848), de Karl Marx e Friedrich Engels: “Operários do mundo, uni-vos!”.

    Considerando os sentidos produzidos pela tirinha, é correto afirmar que nela se lê

    Escolha uma alternativa para a questão 6e186308-1d
  • 69D9F4D6-19

    Português

    Coesão e coerência
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o seguinte trecho da obra Terra Sonâmbula, de Mia Couto, extraído do Sexto caderno de Kindzu, subintitulado O regresso a Matimati.

    Lembrei meu pai, sua palavra sempre azeda: agora, somos um povo de mendigos, nem temos onde cair vivos. Era como se ainda escutasse:

    - Mas você, meu filho, não se meta a mudar os destinos.

    Afinal, eu contrariava suas mandanças. Fossem os naparamas, fosse o filho de Farida: eu não estava a deixar o tempo quieto. Talvez, quem sabe, cumprisse o que sempre fora: sonhador de lembranças, inventor de verdades. Um sonâmbulo passeando entre o fogo. Um sonâmbulo como a terra em que nascera. Ou como aquelas fogueiras por entre as quais eu abria caminho no areal.

    (Mia Couto, Terra Sonâmbula. São Paulo: Companhia de Bolso, 2015, p. 104.)

    Na passagem citada, a personagem Kindzu recorda os ensinamentos de seu pai diante do estado desolador em que se encontrava sua terra, assolada pela guerra, e reflete sobre a coerência de suas ações em relação a tais ensinamentos. Levando em consideração o contexto da narrativa do romance de Mia Couto, é correto afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão 69d9f4d6-19
  • 69D435DF-19

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Morro da Babilônia


    À noite, do morro

    descem vozes que criam o terror

    (terror urbano, cinquenta por cento de cinema,

    e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua

    Geral).


    Quando houve revolução, os soldados

    espalharam no morro,

    o quartel pegou fogo, eles não voltaram.

    Alguns, chumbados, morreram.

    O morro ficou mais encantado.


    Mas as vozes do morro

    não são propriamente lúgubres.

    Há mesmo um cavaquinho bem afinado

    que domina os ruídos da pedra e da folhagem

    e desce até nós, modesto e recreativo,

    como uma gentileza do morro.

    (Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p.19.)


    No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade, 

    Escolha uma alternativa para a questão 69d435df-19
  • 69CF124A-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Quanto ao conto Negrinha, de Monteiro Lobato, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 69cf124a-19
  • 69C15F84-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    (...) plantai batatas, ó geração de vapor e de pó de pedra, *macadamizai estradas, fazei caminhos de ferro, construí passarolas de Ícaro, para andar a qual mais depressa, estas horas contadas de uma vida toda material, maçuda e grossa como tendes feito esta que Deus nos deu tão diferente do que a que hoje vivemos. Andai, ganha-pães, andai: reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai. – No fim de tudo isto, o que lucrou a espécie humana? Que há mais umas poucas dúzias de homens ricos. E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infâmia, à ignorância crapulosa, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?

    *Macadamizar: pavimentar.

    (Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.77.)

    Formou Deus o homem, e o pôs num paraíso de delícias; tornou a formá-lo a sociedade, e o pôs num inferno de tolices.

    (Almeida Garrett, Viagens na minha terra. São Paulo: Ateliê Editorial, 2012, p.190.)

    Vários discursos organizam a estrutura narrativa do romance Viagens na minha terra, de Almeida Garrett. Isso permite afirmar que a visão de mundo dessa narrativa

    Escolha uma alternativa para a questão 69c15f84-19
  • 69BAF321-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    (...) pediu-me desculpa da alegria, dizendo que era alegria de pobre que não via, desde muitos anos, uma nota de cinco mil réis.

    – Pois está em suas mãos ver outras muitas, disse eu.

    – Sim? acudiu ele, dando um bote pra mim.

    – Trabalhando, concluí eu. Fez um gesto de desdém; calou-se alguns instantes, depois disse-me positivamente que não queria trabalhar.

    (Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001, p.158.)

    O trecho citado diz respeito ao encontro entre Brás Cubas e Quincas Borba, no capítulo 49, e, mais precisamente, apanha o momento em que Brás dá uma esmola ao amigo. Considerando o conjunto do romance, é correto afirmar que essa passagem

    Escolha uma alternativa para a questão 69baf321-19
  • 69AE3C31-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    No conto “Amor”, de Clarice Lispector, a percepção da personagem Ana, em relação ao seu mundo, é alterada de forma significativa pelo seguinte acontecimento:
    Escolha uma alternativa para a questão 69ae3c31-19
  • 69A879C6-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Cem anos depois


    Vamos passear na floresta

    Enquanto D. Pedro não vem.

    D. Pedro é um rei filósofo,

    Que não faz mal a ninguém.


    Vamos sair a cavalo,

    Pacíficos, desarmados:

    A ordem acima de tudo.

    Como convém a um soldado.


    Vamos fazer a República,

    Sem barulho, sem litígio,

    Sem nenhuma guilhotina,

    Sem qualquer barrete frígio.


    Vamos, com farda de gala,

    Proclamar os tempos novos,

    Mas cautelosos, furtivos,

    Para não acordar o povo.

    (José Paulo Paes, O melhor poeta da minha rua, em Fernando Paixão (sel. e org.), Para gostar de ler. São Paulo: Ática, 2008, p.43.)


    O tom irônico do poema em relação à história do Brasil põe em evidência 

    Escolha uma alternativa para a questão 69a879c6-19
  • 69A18B28-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o poema “Mar Português”, de Fernando Pessoa.

    MAR PORTUGUÊS

    Ó mar salgado, quanto do teu sal

    São lágrimas de Portugal!

    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

    Quantos filhos em vão rezaram!

    Quantas noivas ficaram por casar

    Para que fosses nosso, ó mar!


    Valeu a pena? Tudo vale a pena

    Se a alma não é pequena.

    Quem quer passar além do Bojador

    Tem que passar além da dor.

    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

    Mas nele é que espelhou o céu.

    (Disponível em http://www.jornaldepoesia.jor.br/fpesso03.html.)


    No poema, a apóstrofe, uma figura de linguagem, indica que o enunciador 

    Escolha uma alternativa para a questão 69a18b28-19
  • 699CF726-19

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    É possível fazer educação de qualidade sem escola

    É possível fazer educação embaixo de um pé de manga? Não só é, como já acontece em 20 cidades brasileiras e em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

    Decepcionado com o processo de “ensinagem”, o antropólogo Tião Rocha pediu demissão do cargo de professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e criou em 1984 o CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento).

    Curvelo, no Sertão mineiro, foi o laboratório da “escola” que abandonou mesa, cadeira, lousa e giz, fez das ruas a sala de aula e envolveu crianças e familiares na pedagogia da roda. “A roda é um lugar da ação e da reflexão, do ouvir e do aprender com o outro. Todos são educadores, porque estão preocupados com a aprendizagem. É uma construção coletiva”, explica.

    O educador diz que a roda constrói consensos. “Porque todo processo eletivo é um processo de exclusão, e tudo que exclui não é educativo. Uma escola que seleciona não educa, porque excluiu alguns. A melhor pedagogia é aquela que leva todos os meninos a aprenderem. E todos podem aprender, só que cada um no seu ritmo, não podemos uniformizar.”

    Nesses 30 anos, o educador foi engrossando seu dicionário de terminologias educacionais, todas calcadas no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até oficinas de cafuné. Esta última foi provocada depois que um garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar uma moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de sexualidade na roda.

    Para resolver a falência da educação, Tião inventou uma UTI educacional, em que “mães cuidadoras” fazem “biscoito escrevido” e “folia do livro” (biblioteca em forma de festa) para ajudar na alfabetização. E ainda colocou em uso termos como “empodimento”, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: “Pode [fazer tal coisa], Tião?” Seguida da resposta certeira: “Pode, pode tudo”.

    Aos 66 anos, Tião diz estar convicto de que a escola do futuro não existirá e que ela será substituída por espaços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e necessárias para os estudantes aprenderem.

    Educação se faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico aprisiona e há décadas dá sinais de falência. Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender.”

    Sem pressa, seguindo a Carta da Terra e citando Ariano Suassuna para dizer que “terceira idade é para fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se sentir “privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no Brasil. “Isso não é uma política de governo, nem de terceiro setor, é uma questão ética”, pontua.

    (Qsocial, 09/12/2014. Disponível em http://www.cpcd.org.br/ portfolio/e_possivel_fazer_educacao_de_qualidade_100_escola/.)

    Em relação ao trecho “E ainda colocou em uso termos como ‘empodimento’, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: ‘Pode [fazer tal coisa], Tião?’ Seguida da resposta certeira: ‘Pode, pode tudo’”, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 699cf726-19
  • 6998F73D-19

    Português

    Interpretação de Textos
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    É possível fazer educação de qualidade sem escola

    É possível fazer educação embaixo de um pé de manga? Não só é, como já acontece em 20 cidades brasileiras e em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

    Decepcionado com o processo de “ensinagem”, o antropólogo Tião Rocha pediu demissão do cargo de professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e criou em 1984 o CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento).

    Curvelo, no Sertão mineiro, foi o laboratório da “escola” que abandonou mesa, cadeira, lousa e giz, fez das ruas a sala de aula e envolveu crianças e familiares na pedagogia da roda. “A roda é um lugar da ação e da reflexão, do ouvir e do aprender com o outro. Todos são educadores, porque estão preocupados com a aprendizagem. É uma construção coletiva”, explica.

    O educador diz que a roda constrói consensos. “Porque todo processo eletivo é um processo de exclusão, e tudo que exclui não é educativo. Uma escola que seleciona não educa, porque excluiu alguns. A melhor pedagogia é aquela que leva todos os meninos a aprenderem. E todos podem aprender, só que cada um no seu ritmo, não podemos uniformizar.”

    Nesses 30 anos, o educador foi engrossando seu dicionário de terminologias educacionais, todas calcadas no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até oficinas de cafuné. Esta última foi provocada depois que um garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar uma moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de sexualidade na roda.

    Para resolver a falência da educação, Tião inventou uma UTI educacional, em que “mães cuidadoras” fazem “biscoito escrevido” e “folia do livro” (biblioteca em forma de festa) para ajudar na alfabetização. E ainda colocou em uso termos como “empodimento”, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: “Pode [fazer tal coisa], Tião?” Seguida da resposta certeira: “Pode, pode tudo”.

    Aos 66 anos, Tião diz estar convicto de que a escola do futuro não existirá e que ela será substituída por espaços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e necessárias para os estudantes aprenderem.

    Educação se faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico aprisiona e há décadas dá sinais de falência. Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender.”

    Sem pressa, seguindo a Carta da Terra e citando Ariano Suassuna para dizer que “terceira idade é para fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se sentir “privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no Brasil. “Isso não é uma política de governo, nem de terceiro setor, é uma questão ética”, pontua.

    (Qsocial, 09/12/2014. Disponível em http://www.cpcd.org.br/ portfolio/e_possivel_fazer_educacao_de_qualidade_100_escola/.)

    A partir da identificação de várias expressões nominais ao longo do texto, é correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão 6998f73d-19