Questões do ENEM: Linguagens e Ensino Einstein

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170 questões encontradas. Mostrando a página 7 de 9.

  • BE7DE089-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder à questão.



            Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.             Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.

            Só rindo. Esses caras são engraçados.

           Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.             Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.

             Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

            Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

          Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […].

         Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!


    (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)

    “Ele [...] perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado” (2º parágrafo)


    Ao se transpor o trecho para o discurso direto, o termo sublinhado assume a seguinte forma:

    Escolha uma alternativa para a questão be7de089-d8
  • BE7A5212-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder à questão.



            Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.             Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.

            Só rindo. Esses caras são engraçados.

           Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.             Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.

             Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

            Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

          Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […].

         Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!


    (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)

    O trecho “Só rindo. Esses caras são engraçados” (3º parágrafo) sugere que o narrador considera a pergunta do dentista
    Escolha uma alternativa para a questão be7a5212-d8
  • BE7635CB-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o trecho inicial do conto “O cobrador”, de Rubem Fonseca, para responder à questão.



            Na porta da rua uma dentadura grande, embaixo escrito Dr. Carvalho, Dentista. Na sala de espera vazia uma placa, Espere o Doutor, ele está atendendo um cliente. Esperei meia hora, o dente doendo, a porta abriu e surgiu uma mulher acompanhada de um sujeito grande, uns quarenta anos, de jaleco branco.             Entrei no gabinete, sentei na cadeira, o dentista botou um guardanapo de papel no meu pescoço. Abri a boca e disse que o meu dente de trás estava doendo muito. Ele olhou com um espelhinho e perguntou como é que eu tinha deixado os meus dentes ficarem naquele estado.

            Só rindo. Esses caras são engraçados.

           Vou ter que arrancar, ele disse, o senhor já tem poucos dentes e se não fizer um tratamento rápido vai perder todos os outros, inclusive estes aqui — e deu uma pancada estridente nos meus dentes da frente.             Uma injeção de anestesia na gengiva. Mostrou o dente na ponta do boticão: A raiz está podre, vê?, disse com pouco caso. São quatrocentos cruzeiros.

             Só rindo. Não tem não, meu chapa, eu disse.

            Não tem não o quê? Não tem quatrocentos cruzeiros. Fui andando em direção à porta.

          Ele bloqueou a porta com o corpo. É melhor pagar, disse. Era um homem grande […]. E meu físico franzino encoraja as pessoas. Odeio dentistas, comerciantes, advogados, industriais, funcionários, médicos, executivos, essa canalha inteira. Todos eles estão me devendo muito. Abri o blusão, tirei o 38 [...]. Ele ficou branco, recuou. Apontando o revólver para o peito dele comecei a aliviar o meu coração: tirei as gavetas dos armários, joguei tudo no chão, chutei os vidrinhos todos como se fossem balas, eles pipocavam e explodiam na parede. Arrebentar os cuspidores e motores foi mais difícil, cheguei a machucar as mãos e os pés. O dentista me olhava, várias vezes deve ter pensado em pular em cima de mim, eu queria muito que ele fizesse isso para dar um tiro naquela barriga grande […].

         Eu não pago mais nada, cansei de pagar!, gritei para ele, agora eu só cobro!


    (O melhor de Rubem Fonseca, 2015.)

    No trecho, o narrador expressa, sobretudo, um sentimento de
    Escolha uma alternativa para a questão be7635cb-d8
  • BE714015-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Quanto ao sentido, o provérbio que se relaciona mais diretamente com a fala da criança é:
    Escolha uma alternativa para a questão be714015-d8
  • BE6A8E1D-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2019

    No cartum, a criança
    Escolha uma alternativa para a questão be6a8e1d-d8
  • 33631BB6-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Read the ad.

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    This piece of advertisement is asking people to make a difference by

    Escolha uma alternativa para a questão 33631bb6-d8
  • 335F9B7E-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    The text concludes by stating that tech innovations in South Korea
    Escolha uma alternativa para a questão 335f9b7e-d8
  • 335CADE7-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    According to the third paragraph, PM2.5 is currently a topic of greatest concern in Seoul because
    Escolha uma alternativa para a questão 335cade7-d8
  • 33591B3E-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    The pilot program mentioned in the second paragraph uses UAVs primarily to
    Escolha uma alternativa para a questão 33591b3e-d8
  • 33562951-D8

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2018

    The text deals with a main public interest issue in South Korea related to
    Escolha uma alternativa para a questão 33562951-d8
  • 3352CBFA-D8

    Português

    Figuras de Linguagem
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2018

    Silepse é a concordância que se faz não com a forma gramatical das palavras, mas com o sentido, com a ideia que elas expressam. A silepse é, pois, uma concordância mental.

    (Celso Cunha. Gramática essencial, 2013.)

    Verifica-se a ocorrência de silepse

    Escolha uma alternativa para a questão 3352cbfa-d8
  • 334F89D0-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2018

    Na tira,
    Escolha uma alternativa para a questão 334f89d0-d8
  • 334CD2AA-D8

    Português

    Análise sintática
    Ensino Einstein · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

         – Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa por uma vida pródiga.

    – A prodigalidade também existia em nossa casa.

    – Como, meu filho?

    – A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa.

    – Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa.

    – Mas comemos sempre com apetite.

    – O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade, desde que seja moderado.

    – Mas comemos até que ele desapareça; é assim que cada um em casa sempre se levantou da mesa.

    – É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho.

    – Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome.

    – Você diz coisas estranhas, meu filho.


    (Lavoura arcaica, 2001.)

    “– É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los.” (9o parágrafo) Considerado no contexto, o trecho sublinhado expressa ideia de
    Escolha uma alternativa para a questão 334cd2aa-d8
  • 334A10EA-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

         – Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa por uma vida pródiga.

    – A prodigalidade também existia em nossa casa.

    – Como, meu filho?

    – A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa.

    – Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa.

    – Mas comemos sempre com apetite.

    – O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade, desde que seja moderado.

    – Mas comemos até que ele desapareça; é assim que cada um em casa sempre se levantou da mesa.

    – É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho.

    – Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome.

    – Você diz coisas estranhas, meu filho.


    (Lavoura arcaica, 2001.)

    Depreende-se das falas do pai um elogio, sobretudo,
    Escolha uma alternativa para a questão 334a10ea-d8
  • 3346FA1D-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

         – Meu coração está apertado de ver tantas marcas no teu rosto, meu filho; essa é a colheita de quem abandona a casa por uma vida pródiga.

    – A prodigalidade também existia em nossa casa.

    – Como, meu filho?

    – A prodigalidade sempre existiu em nossa mesa.

    – Nossa mesa é comedida, é austera, não existe desperdício nela, salvo nos dias de festa.

    – Mas comemos sempre com apetite.

    – O apetite é permitido, não agrava nossa dignidade, desde que seja moderado.

    – Mas comemos até que ele desapareça; é assim que cada um em casa sempre se levantou da mesa.

    – É para satisfazer nosso apetite que a natureza é generosa, pondo seus frutos ao nosso alcance, desde que trabalhemos por merecê-los. Não fosse o apetite, não teríamos forças para buscar o alimento que torna possível a sobrevivência. O apetite é sagrado, meu filho.

    – Eu não disse o contrário, acontece que muitos trabalham, gemem o tempo todo, esgotam suas forças, fazem tudo que é possível, mas não conseguem apaziguar a fome.

    – Você diz coisas estranhas, meu filho.


    (Lavoura arcaica, 2001.)

    No trecho do romance, o filho
    Escolha uma alternativa para a questão 3346fa1d-d8
  • 3343FE52-D8

    Literatura

    Arcadismo
    Ensino Einstein · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

     Se, na Europa, este movimento é um protesto cultural, se o “mal do século”, a saudade do paraíso perdido são as consequências da industrialização e da ascensão da burguesia; no Brasil, onde a sociedade do Império compreende apenas grandes proprietários escravocratas e uma burguesia nascente, o movimento, produto de importação, corresponde a uma afirmação nacionalista.                     


       (Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)


    O movimento a que o texto se refere é o

    Escolha uma alternativa para a questão 3343fe52-d8
  • 3341125B-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

              Aquele acreditava na lei. Funcionário do IAPC [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários], sabia de cor a Lei Orgânica da Previdência. Chegava mesmo a ser consultado pelos colegas sempre que surgia alguma dúvida quanto à aplicação desse ou daquele princípio. Eis que um dia nasce-lhe um filho e ele, cônscio de seus direitos, requer da Previdência o auxílio-natalidade. Prepara o requerimento, junta uma cópia da certidão de nascimento da criança e dá entrada no processo. Estava dentro da lei, mas já na entrada a coisa enguiçou.   

            – Não podemos receber o requerimento sem o atestado do médico que assistiu a parturiente.

          – A lei não exige isso – replicou ele.

          – Mas o chefe exige. Tem havido abusos.

          Estava montado o angu. O rapaz foi até o chefe, que se negou a receber o requerimento.

          – Vou aos jornais – disse-me o crédulo. – Eles têm de receber o requerimento, como manda a lei.

          Tentei aconselhá-lo: a justiça é cega e tarda, juntasse o tal atestado médico, era mais simples.

          – Não junto. A lei não me obriga a isso. Vou aos jornais.

         Foi aos jornais. Aliás, foi a um só, que deu a notícia num canto de página, minúscula. Ninguém leu, mas ele fez a notícia chegar até o chefe que, enfurecido, resolveu processá-lo: a lei proíbe que os funcionários levem para os jornais assuntos internos da repartição.

           – Agora a lei está contra você, não?

          – Não. A lei está comigo.

        Estava ou não estava, o certo é que o processo foi até a Procuradoria e saiu dali com o seguinte despacho: suspenda- -se o indisciplinado.

          Era de ver-se a cara de meu amigo em face dessa decisão. Estava pálido e abatido, comentando a sua perplexidade. Mas não desistiu:

          – Vou recorrer. 

        Deve ter recorrido. Ainda o vi várias vezes contando aos colegas o andamento do processo, meses depois. Parece que já nem se lembra do auxílio-natalidade – a origem de tudo – e brigará até o fim da vida, alheio a um aforismo que, por ser brasileiro, inventei: “Quem acredita na lei, esta lhe cai em cima.”


    (O melhor da crônica brasileira, 2013.)

    Ao se transpor para o discurso indireto o trecho “– A lei não exige isso – replicou ele” (3o parágrafo), o verbo sublinhado assume a forma:
    Escolha uma alternativa para a questão 3341125b-d8
  • 333E0FEA-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

              Aquele acreditava na lei. Funcionário do IAPC [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários], sabia de cor a Lei Orgânica da Previdência. Chegava mesmo a ser consultado pelos colegas sempre que surgia alguma dúvida quanto à aplicação desse ou daquele princípio. Eis que um dia nasce-lhe um filho e ele, cônscio de seus direitos, requer da Previdência o auxílio-natalidade. Prepara o requerimento, junta uma cópia da certidão de nascimento da criança e dá entrada no processo. Estava dentro da lei, mas já na entrada a coisa enguiçou.   

            – Não podemos receber o requerimento sem o atestado do médico que assistiu a parturiente.

          – A lei não exige isso – replicou ele.

          – Mas o chefe exige. Tem havido abusos.

          Estava montado o angu. O rapaz foi até o chefe, que se negou a receber o requerimento.

          – Vou aos jornais – disse-me o crédulo. – Eles têm de receber o requerimento, como manda a lei.

          Tentei aconselhá-lo: a justiça é cega e tarda, juntasse o tal atestado médico, era mais simples.

          – Não junto. A lei não me obriga a isso. Vou aos jornais.

         Foi aos jornais. Aliás, foi a um só, que deu a notícia num canto de página, minúscula. Ninguém leu, mas ele fez a notícia chegar até o chefe que, enfurecido, resolveu processá-lo: a lei proíbe que os funcionários levem para os jornais assuntos internos da repartição.

           – Agora a lei está contra você, não?

          – Não. A lei está comigo.

        Estava ou não estava, o certo é que o processo foi até a Procuradoria e saiu dali com o seguinte despacho: suspenda- -se o indisciplinado.

          Era de ver-se a cara de meu amigo em face dessa decisão. Estava pálido e abatido, comentando a sua perplexidade. Mas não desistiu:

          – Vou recorrer. 

        Deve ter recorrido. Ainda o vi várias vezes contando aos colegas o andamento do processo, meses depois. Parece que já nem se lembra do auxílio-natalidade – a origem de tudo – e brigará até o fim da vida, alheio a um aforismo que, por ser brasileiro, inventei: “Quem acredita na lei, esta lhe cai em cima.”


    (O melhor da crônica brasileira, 2013.)

    Verifica-se o emprego de expressão que destoa da variedade linguística predominante no texto em:
    Escolha uma alternativa para a questão 333e0fea-d8
  • 333B269A-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

              Aquele acreditava na lei. Funcionário do IAPC [Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários], sabia de cor a Lei Orgânica da Previdência. Chegava mesmo a ser consultado pelos colegas sempre que surgia alguma dúvida quanto à aplicação desse ou daquele princípio. Eis que um dia nasce-lhe um filho e ele, cônscio de seus direitos, requer da Previdência o auxílio-natalidade. Prepara o requerimento, junta uma cópia da certidão de nascimento da criança e dá entrada no processo. Estava dentro da lei, mas já na entrada a coisa enguiçou.   

            – Não podemos receber o requerimento sem o atestado do médico que assistiu a parturiente.

          – A lei não exige isso – replicou ele.

          – Mas o chefe exige. Tem havido abusos.

          Estava montado o angu. O rapaz foi até o chefe, que se negou a receber o requerimento.

          – Vou aos jornais – disse-me o crédulo. – Eles têm de receber o requerimento, como manda a lei.

          Tentei aconselhá-lo: a justiça é cega e tarda, juntasse o tal atestado médico, era mais simples.

          – Não junto. A lei não me obriga a isso. Vou aos jornais.

         Foi aos jornais. Aliás, foi a um só, que deu a notícia num canto de página, minúscula. Ninguém leu, mas ele fez a notícia chegar até o chefe que, enfurecido, resolveu processá-lo: a lei proíbe que os funcionários levem para os jornais assuntos internos da repartição.

           – Agora a lei está contra você, não?

          – Não. A lei está comigo.

        Estava ou não estava, o certo é que o processo foi até a Procuradoria e saiu dali com o seguinte despacho: suspenda- -se o indisciplinado.

          Era de ver-se a cara de meu amigo em face dessa decisão. Estava pálido e abatido, comentando a sua perplexidade. Mas não desistiu:

          – Vou recorrer. 

        Deve ter recorrido. Ainda o vi várias vezes contando aos colegas o andamento do processo, meses depois. Parece que já nem se lembra do auxílio-natalidade – a origem de tudo – e brigará até o fim da vida, alheio a um aforismo que, por ser brasileiro, inventei: “Quem acredita na lei, esta lhe cai em cima.”


    (O melhor da crônica brasileira, 2013.)

    Em relação à Justiça, a posição do narrador é de
    Escolha uma alternativa para a questão 333b269a-d8
  • 33373B91-D8

    Português

    Interpretação de Textos
    Ensino Einstein · 2018MédioEntre para guardar nos favoritos

    Examine a tira do cartunista André Dahmer.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2018

    Colabora para o efeito de humor da tira o fato de

    Escolha uma alternativa para a questão 33373b91-d8