Questões do ENEM: Figuras de Linguagem

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399 questões encontradas. Mostrando a página 14 de 20.

  • 699CF726-19

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNICAMP · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    É possível fazer educação de qualidade sem escola

    É possível fazer educação embaixo de um pé de manga? Não só é, como já acontece em 20 cidades brasileiras e em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.

    Decepcionado com o processo de “ensinagem”, o antropólogo Tião Rocha pediu demissão do cargo de professor da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) e criou em 1984 o CPCD (Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento).

    Curvelo, no Sertão mineiro, foi o laboratório da “escola” que abandonou mesa, cadeira, lousa e giz, fez das ruas a sala de aula e envolveu crianças e familiares na pedagogia da roda. “A roda é um lugar da ação e da reflexão, do ouvir e do aprender com o outro. Todos são educadores, porque estão preocupados com a aprendizagem. É uma construção coletiva”, explica.

    O educador diz que a roda constrói consensos. “Porque todo processo eletivo é um processo de exclusão, e tudo que exclui não é educativo. Uma escola que seleciona não educa, porque excluiu alguns. A melhor pedagogia é aquela que leva todos os meninos a aprenderem. E todos podem aprender, só que cada um no seu ritmo, não podemos uniformizar.”

    Nesses 30 anos, o educador foi engrossando seu dicionário de terminologias educacionais, todas calcadas no saber popular: surgiu a pedagogia do abraço, a pedagogia do brinquedo, a pedagogia do sabão e até oficinas de cafuné. Esta última foi provocada depois que um garoto perguntou: “Tião, como faço para conquistar uma moleca?” Foi a deixa para ele colocar questões de sexualidade na roda.

    Para resolver a falência da educação, Tião inventou uma UTI educacional, em que “mães cuidadoras” fazem “biscoito escrevido” e “folia do livro” (biblioteca em forma de festa) para ajudar na alfabetização. E ainda colocou em uso termos como “empodimento”, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: “Pode [fazer tal coisa], Tião?” Seguida da resposta certeira: “Pode, pode tudo”.

    Aos 66 anos, Tião diz estar convicto de que a escola do futuro não existirá e que ela será substituída por espaços de aprendizagem com todas as ferramentas possíveis e necessárias para os estudantes aprenderem.

    Educação se faz com bons educadores, e o modelo escolar arcaico aprisiona e há décadas dá sinais de falência. Não precisamos de sala, precisamos de gente. Não precisamos de prédio, precisamos de espaços de aprendizado. Não precisamos de livros, precisamos ter todos os instrumentos possíveis que levem o menino a aprender.”

    Sem pressa, seguindo a Carta da Terra e citando Ariano Suassuna para dizer que “terceira idade é para fruta: verde, madura e podre”, Tião diz se sentir “privilegiado” de viver o que já viveu e acreditar na utopia de não haver mais nenhuma criança analfabeta no Brasil. “Isso não é uma política de governo, nem de terceiro setor, é uma questão ética”, pontua.

    (Qsocial, 09/12/2014. Disponível em http://www.cpcd.org.br/ portfolio/e_possivel_fazer_educacao_de_qualidade_100_escola/.)

    Em relação ao trecho “E ainda colocou em uso termos como ‘empodimento’, após várias vezes ser questionado pelas comunidades: ‘Pode [fazer tal coisa], Tião?’ Seguida da resposta certeira: ‘Pode, pode tudo’”, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 699cf726-19
  • 76CFE519-AD

    Português

    Figuras de Linguagem
    FGV · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
                                   Verão carioca 73

    O carro do sol passeia rodas de incêndio
    sobre os corpos e as mentes, fulminando-os.
    Restam, sob o massacre, esquírolas1 de consciência,
    a implorar, sem esperança, um caneco de sombra.

    As árvores decotadas, alamedas sem árvores.
    O ar é neutro, fixo, e recusa passagem
    às viaturas da brisa. O zinir de besouros buzinas
    ressoa no interior da célula ferida.

    Sobe do negro chão meloso espedaçado
    o súlfur2 dos avernos3 em pescoções de fogo.
    A vida, esse lagarto invisível na loca4 ,
    ou essa rocha ardendo onde a verdura ria?

    O mar abre-se em leque à visita de uns milhares,
    mas, curvados ao peso dessa carga de chamas,
    em mil formas de esforço e pobreza e rotina,
    milhões curtem a maldição do esplêndido verão.

    (Carlos Drummond de Andrade. As impurezas do branco, 2012)

    1esquírolas: lascas, pedacinhos
    2súlfur: enxofre
    3avernos: infernos
    4loca: gruta pequena, local sob algo

    Considere as definições:

    Metáfora é a figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra com sentido que não lhe é comum ou próprio, sendo esse novo sentido resultante de uma relação de semelhança, de intersecção entre dois termos.

    Personificação ou prosopopeia é a figura de linguagem que consiste em atribuir linguagem, sentimentos e ações próprios dos seres humanos a seres inanimados ou irracionais.

    Aliteração é a repetição constante de um mesmo fonema consonantal.

    (William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães. Gramática reflexiva, 2005)

    As definições são exemplificadas, respectivamente, com os seguintes versos do poema:

    Escolha uma alternativa para a questão 76cfe519-ad
  • 486E3F5F-A4

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    A questão toma por base uma crônica de Luís Fernando Veríssimo.

                                                     A invasão

          A divisão ciência/humanismo se reflete na maneira como as pessoas, hoje, encaram o computador. Resiste-se ao computador, e a toda a cultura cibernética, como uma forma de ser fiel ao livro e à palavra impressa. Mas o computador não eliminará o papel. Ao contrário do que se pensava há alguns anos, o computador não salvará as florestas. Aumentou o uso do papel em todo o mundo, e não apenas porque a cada novidade eletrônica lançada no mercado corresponde um manual de instrução, sem falar numa embalagem de papelão e num embrulho para presente. O computador estimula as pessoas a escreverem e imprimirem o que escrevem. Como hoje qualquer um pode ser seu próprio editor, paginador e ilustrador sem largar o mouse, a tentação de passar sua obra para o papel é quase irresistível.

          Desconfio que o que salvará o livro será o supérfluo, o que não tem nada a ver com conteúdo ou conveniência. Até que lancem computadores com cheiro sintetizado, nada substituirá o cheiro de papel e tinta nas suas duas categorias inimitáveis, livro novo e livro velho. E nenhuma coleção de gravações ornamentará uma sala com o calor e a dignidade de uma estante de livros. A tudo que falta ao admirável mundo da informática, da cibernética, do virtual e do instantâneo acrescente-se isso: falta lombada. No fim, o livro deverá sua sobrevida à decoração de interiores.

                                                                                                     (O Estado de S.Paulo, 31.05.2015.)

    Em “falta lombada” (2° parágrafo), o cronista se utiliza, estilisticamente, de uma figura de linguagem que
    Escolha uma alternativa para a questão 486e3f5f-a4
  • C2123191-9A

    Português

    Coesão e coerência
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

                                       Memórias de um pesquisador

          Não era bem vida, era uma modorra – mas de qualquer modo suportável e até agradável. Terminou bruscamente, porém, eu estando com vinte e oito anos e um pequeno bujão de gás explodindo mesmo à minha frente, no laboratório de eletrônica em que trabalhava, como auxiliar. Me levaram às pressas para o hospital, os médicos duvidando que eu escapasse. Escapei, mas não sem danos. Perdi todos os dedos da mão esquerda e três (sobraram o polegar e o mínimo) da direita. Além disso fiquei com o rosto seriamente queimado. Eu já não era bonito antes, mas o resultado final – mesmo depois das operações plásticas – não era agradável de se olhar. Deus, não era nada agradável.

          No entanto, nos primeiros meses após o acidente eu não via motivos para estar triste. Aposentei-me com um bom salário. Minha velha tia, com quem eu morava, desvelava-se em cuidados. Preparava os pastéis de que eu mais gostava, cortava-os em pedacinhos que introduzia em minha boca – derramando sentidas lágrimas cuja razão, francamente, eu não percebia. Deves chorar por meu pai – eu dizia – que está morto, por minha mãe que está morta, por meu irmão mais velho que está morto; mas choras por mim. Por quê? Escapei com vida de uma explosão que teria liquidado qualquer um; não preciso mais trabalhar; cuidas de mim com desvelo; de que devo me queixar?

          Cedo descobri. Ao visitar certa modista.

          Esta senhora, uma viúva recatada mas ardente, me recebia todos os sábados, dia em que os filhos estavam fora. Quando me senti suficientemente forte telefonei explicando minha prolongada ausência e marcamos um encontro.

          Ao me ver ficou, como era de se esperar, consternada. Vais te acostumar, eu disse, e propus irmos para a cama. Me amava, e concordou. Logo me deparei com uma dificuldade: o coto (assim eu chamava o que tinha me sobrado da mão esquerda) e a pinça (os dois dedos restantes da direita) não me forneciam o necessário apoio. O coto, particularmente, tinha uma certa tendência a resvalar pelo corpo coberto de suor da pobre mulher. Seus olhos se arregalavam; quanto mais apavorada ficava, mais suava e mais o coto escorregava.

          Sou engenhoso. Trabalhando com técnicos e cientistas aprendi muita coisa, de modo que logo resolvi o problema: com uma tesoura, fiz duas incisões no colchão. Ali ancorei coto e pinça. Pude assim amá-la, e bem. 

          – Não aguentava mais – confessei, depois. – Seis meses no seco!

          Não me respondeu. Chorava. – Vais me perdoar, Armando – disse – eu gosto de ti, eu te amo, mas não suporto te ver assim. Peço-te, amor, que não me procures mais.

          – E quem vai me atender daqui por diante? – perguntei, ultrajado.

          Mas ela já estava chorando de novo. Levantei-me e saí. Não foi nessa ocasião, contudo, que fiquei deprimido. Foi mais tarde; exatamente uma semana depois.

          [...]

    (SCLIAR, Moacyr. Melhores contos. Seleção de Regina Zilbermann. São Paulo: Global, 2003. p. 176-177.)

    No Texto 7, o enunciador descreve (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão c2123191-9a
  • 1894D15A-98

    Português

    Coesão e coerência
    UERJ · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

                                      A EDUCAÇÃO PELA SEDA

    Vestidos muito justos são vulgares. Revelar formas é vulgar. Toda revelação é de uma vulgaridade abominável.

    Os conceitos a vestiram como uma segunda pele, e pode-se adivinhar a norma que lhe rege a vida ao primeiro olhar.

                                                                                                                       Rosa Amanda Strausz

                                              Mínimo múltiplo comum: contos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.

    Os conceitos a vestiram como uma segunda pele,

    O vocábulo a é comumente utilizado para substituir termos já enunciados. No texto, entretanto, ele tem um uso incomum, já que permite subentender um termo não enunciado.

    Esse uso indica um recurso assim denominado:

    Escolha uma alternativa para a questão 1894d15a-98
  • 1841C849-98

    Português

    Figuras de Linguagem
    UERJ · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2015

    Hoje, nós somos escravos das horas, dessas senhoras inexoráveis que não cedem nunca (l. 12)

    Neste fragmento, o autor emprega uma figura de linguagem para expressar o embate entre o homem e o tempo.

    Essa figura de linguagem é conhecida como:

    Escolha uma alternativa para a questão 1841c849-98
  • E3C97736-96

    Português

    Figuras de Linguagem
    CEDERJ · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
                                         Ele e suas ideias
                                                                             Lima Barreto

    Imagem da questão de Português, da prova de 2015 

    (LIMA BARRETO. Ele e suas ideias. In: Para gostar de ler,
    volume 8, contos. São Paulo: Ática, p. 51-54)

    1 Revista humorística surgida em 1927, dedicada, principalmente, à caricatura. (N.E.)
    2 Cavanhaque.
    3 Edison foi o inventor do telégrafo e Marconi, das ondas de rádio.


    “Andávamos por esse tempo na febre dos melhoramentos, das construções; e, a todo momento, ele lembrava a este ou àquele jornal uma ideia.” (linhas 7-9)

    Para obter efeitos de sentido, os autores costumam valerse de diferentes recursos semânticos. A expressão sublinhada no fragmento acima – “febre dos melhoramentos” – exemplifica um caso de:
    Escolha uma alternativa para a questão e3c97736-96
  • 9673E12F-7F

    Português

    Figuras de Linguagem
    ENEM · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, da prova de 2015

    Situado na vigência do Regime Militar que governou o Brasil, na década de 1970, o poema de Cacaso edifica uma forma de resistência e protesto a esse período, metaforizando
    Escolha uma alternativa para a questão 9673e12f-7f
  • 6E243068-34

    Português

    Figuras de Linguagem
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos
    TEXTO 2

        I
    Corre em mim
    (devastado)
    um rio de revolta
    e
    cicio.
    Por nada deste mundo
    há de saber-se afogado,
    senão por sua sede
    e seu desvio!

       II
    Tudo que edifico
    na origem milenar da espera
    é poder
    do que não pode
    e se revela

    ad mensuram.

                         (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 23-24.)


    O rio que corre no poeta (Texto 2) é de natureza (marque a alternativa correta):


    Escolha uma alternativa para a questão 6e243068-34
  • 562292B9-14

    Português

    Figuras de Linguagem
    UERJ · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2015

    Frei Betto

    Adaptado de O Dia, 21/03/2015.

    Em sua origem grega, o termo “eufemismo" significa “palavra de bom agouro" ou “palavra que deseja o bem". Como figura de linguagem, indica um recurso que suaviza alguma ideia ou expressão mais chocante.


    Na crônica, o autor enfatiza o aspecto negativo dos eufemismos, que serviriam para distorcer a realidade.


    De acordo com o autor, o eufemismo camufla a desigualdade social no seguinte exemplo:

    Escolha uma alternativa para a questão 562292b9-14
  • DC3CBFD2-FA

    Português

    Figuras de Linguagem
    Universidade Federal do Ceará · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    COLASANTI, Marina. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996, p. 130-132. 

    Há uma figura de linguagem que consiste em atribuir vida e sentimento aos seres inanimados. Assinale a alternativa em que isto ocorre.
    Escolha uma alternativa para a questão dc3cbfd2-fa
  • E2AF6D3A-E6

    Português

    Denotação e Conotação
    IF-BA · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014


    Do ponto de vista composicional e semântico, a única afirmativa em desacordo com as características do texto “Exaltação ao Nordeste” é a explicitada na alternativa

    Escolha uma alternativa para a questão e2af6d3a-e6
  • E29FB697-E6

    Português

    Análise sintática
    IF-BA · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, da prova de 2014
    Imagem da questão de Português, da prova de 2014
    Do ponto de vista sintático-semântico, a única afirmativa que faz uma análise em desacordo com as relações estabelecidas entre as palavras e/ou expressões destacadas é a explicitada na alternativa
    Escolha uma alternativa para a questão e29fb697-e6
  • 298482E0-DE

    Português

    Figuras de Linguagem
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2014DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto abaixo para responder a questão:


    Prrrii!!
    -Aí, Heitor!
    A bola foi parar na extrema esquerda. Melle desembestou com ela.
    A arquibancada pôs-se em pé. Conteve a respiração. Suspirou:
    -Aaaah!
    Miquelina cravava as unhas no braço gordo de Yolanda. Em torno do trapézio verde a ânsia de vinte mil pessoas. De olhos ávidos. De nervos elétricos. De preto. De branco. De azul. De vermelho.
    Delírio futebolístico no Parque Antártica.
    Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se, embaralhavam-se, caíam, contorciam-se, esfalfavam-se, brigavam. Por causa da bola de couro amarelo que não parava, que não parava um minuto, um segundo. Não parava.
    -Neco, Neco!
    Parecia um louco. Driblou. Escorregou. Driblou. Correu. Parou. Chutou.
    -Gooool! Gooool!
    Miquelina ficou abobada com o olhar parado. Arquejando. Achando aquilo um desaforo, um absurdo.
    -Alegoá-goá-goá! Alegoá-goá-goá! Urrá-urrá! Coríntians!
    Palhetas subiram no ar. Com os gritos. Entusiasmos rugiam. Pulavam. Dançavam. E as mãos batendo nas bocas:
    -Go-o-o-o-o-o-o-l!
    Miquelina fechou os olhos de ódio.

    (MACHADO, Antônio de Alcântara. (1926) “Corinthians (2) x Palestra (1)” In: . São Paulo: OESP/Klick, 1997. p. 49)
    Em “Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se, embaralhavam-se, caíam, contorciam-se, esfalfavam-se, brigavam”, é possível verificar o uso de:
    Escolha uma alternativa para a questão 298482e0-de
  • 29724B17-DE

    Português

    Figuras de Linguagem
    Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão:


    Complexo de d. Sebastião

    Neymar expia a culpa pela derrota, mas as mudanças em

    nosso futebol não podem mais esperar, diz autor

    Entrevista de Ivan Marsiglia com José Miguel Wisnik



    ESTADÃO - A palavra mais usada nas avaliações da derrota da seleção brasileira para a alemã, por 7 a 1, na Copa de 2014, foi “apagão”. Concorda com ela?


    WISNIK - Prefiro “implosão”. “Apagão” sugere uma falha de energia, um acidente de percurso, um lapso momentâneo. A comissão técnica, que se especializou na negação da evidência e da amplitude dos fatos, apega-se a essa versão. Implosão, em vez disso, significa que uma estrutura cedeu a pressões que ela não pôde mais suportar. Acho que é claramente esse o caso. Ou, pelo menos, é esse o claro enigma.


    ESTADÃO - Outra palavra muito repetida foi 'vexame', e de tal proporção que teria redimido a histórica derrota na final de 1950 para o Uruguai.

    WISNIK - “Vexame” dá uma inflexão moral a essa catástrofe futebolística, e quem dirá que não se trata de uma tremenda humilhação esportiva? Mas martelar a palavra soa como uma atualização do gozo regressivo da eleição do bode expiatório. Não vejo mais essa necessidade de achar nos jogadores o novo Barbosa e o novo Bigode, [jogadores culpabilizados pela derrota da seleção na Copa de 1950] felizmente. O que não passou, no entanto, é a permanente espera mágica pela vitória por goleada, independente da existência do adversário, combinada com a precária análise dos dados de realidade. Esse desequilíbrio pesa sobre os jogadores. O grau da expectativa futebolístico-messiânica é altíssimo, e não é de se espantar que o time brasileiro entre em colapso em certas situações cruciais. Aliás, isso já aconceu pelo menos três vezes: lá no Maracanazo [Copa de 1950], agora no Mineiraço, e na final de 1998 na França, depois da convulsão de Ronaldo. Não me consta que outras seleções nacionais passem pela mesma síndrome. Uma vez é um acidente. Duas, uma coincidência. Mas três é uma estrutura.


    ESTADÃO - E de onde vem essa estrutura?

    WISNIK - Essas partidas fazem pensar na batalha de Alcácer Quibir, em 1578, durante a qual, segundo relatos, o jovem rei português d. Sebastião foi tomado por estranha catatonia, antes de desaparecer no deserto e ter a sua volta aguardada durante séculos pelos portugueses. [...] Em 1950, a equipe, encolhida na partida final ante a enormidade do sucesso ou do fracasso inéditos, esteve paralisada abaixo do seu tamanho. Em 2014, sucumbiu ante a expectativa maciça, projetada sobre ela, por algo maior do que seu tamanho. Nos dois casos, espelhados sintomaticamente em território brasileiro, há uma resistente dificuldade de dimensionar, isto é, de encarar o real, que se junta à euforização publicitária, à cobertura da Rede Globo, aos oportunismos políticos de todo tipo e ao baixo nível médio da cultura futebolística. Tudo continua muito parecido com o ambiente que cercou a final de 1950, embora sem a mesma inocência trágica.


    ESTADÃO - Você escreveu que 'a glorificação frenética de Neymar, justificada pela excepcionalidade do jogador, disfarça uma ansiedade compensatória de fundo'. Por quê?

    WISNIK - Sem querer me repetir, [a figura de Neymar] ferida encarnava d. Sebastião em batalha, desaparecido do campo, mas preservado misteriosamente da desgraça explícita e ocupando mais ainda o lugar mítico do Desejado.

    (O Estado de S. Paulo, 12/07/2014. Disponível em http://m.estadao.com.br/ O Estado de S. Paulo noticias/ali%C3%A1s,complexo-de-d-sebastiao,1527395,0.htm, acesso em 01/09/2014)

    Em “Acho que é claramente esse o caso. Ou, pelo menos, é esse o claro enigma”, a expressão “claro enigma” é exemplo de:
    Escolha uma alternativa para a questão 29724b17-de
  • 13C47AD7-DE

    Português

    Figuras de Linguagem
    FGV · 2014MédioEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão 


            Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geleia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada –, que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.

    Clarice Lispector, A hora da estrela. 

    Dos efeitos expressivos presentes nos trechos do texto reproduzidos abaixo, o único que NÃO está corretamente identificado é:
    Escolha uma alternativa para a questão 13c47ad7-de
  • 13B3092C-DE

    Português

    Figuras de Linguagem
    FGV · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão


    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    Evanildo Bechara, Na ponta da língua. Adaptado. 

    Sobre os verbos “boiar” e “nadar”, empregados metaforicamente no texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão 13b3092c-de
  • 4A2DB152-BA

    Português

    Figuras de Linguagem
    UERJ · 2014FácilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2014

    Pois assim como Amarildo é aquele que desapareceu das vistas, e não faz muito tempo, Cláudia é aquela que subitamente salta à vista, e ambos soam, queira-se ou não, como o verso e o reverso do mesmo. (l. 22-24)

    Neste trecho, para aproximar dois casos recentemente noticiados na imprensa, o autor emprega um recurso de linguagem denominado:

    Escolha uma alternativa para a questão 4a2db152-ba