Questões do ENEM: Figuras de Linguagem

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399 questões encontradas. Mostrando a página 18 de 20.

  • A30C5D36-AF

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNEMAT · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

    “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”

    (Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas).


    Assinale a alternativa que contém a figura de linguagem subjacente nesse enunciado. 

    Escolha uma alternativa para a questão a30c5d36-af
  • 04857038-60

    Português

    Figuras de Linguagem
    UERJ · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    Imprudente ofício é este, de viver em voz alta. (l. 3)


    O ofício a que Rubem Braga se refere é o seu próprio, o de escritor. Para caracterizá-lo, além do adjetivo “imprudente”, ele recorre a uma metáfora: “viver em voz alta”.


    O sentido dessa metáfora, relativa ao ofício de escrever, pode ser entendido como:

    Escolha uma alternativa para a questão 04857038-60
  • 7B0C4EDA-5F

    Português

    Figuras de Linguagem
    UERJ · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    Graciliano Ramos busca dar uma explicação mais objetiva ao leitor sobre os motivos que justificam seu relato. Entretanto, já nesta explicação, o autor lança mão de recursos da linguagem figurada, frequentes no discurso literário.

    O fragmento do texto que melhor exemplifica o uso de linguagem figurada é:

    Escolha uma alternativa para a questão 7b0c4eda-5f
  • 7AFEACC4-5F

    Português

    Adjetivos
    UERJ · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    Ter enxaqueca não era para todos, (l. 2)

    Considerando que a afirmação acima não pode ser verdadeira, conclui-se que ela é feita para expressar outro sentido, menos literal.

    O sentido expresso pela afirmação, no texto, pode ser definido como:

    Escolha uma alternativa para a questão 7afeacc4-5f
  • E7E318EA-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Considerando que o pronome o, usado na sequência que o deve conduzir, tem valor anafórico, isto é, faz referência a um termo já enunciado no último parágrafo, identifique esse termo.
    Escolha uma alternativa para a questão e7e318ea-94
  • E7D93AFC-94

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                   A literatura em perigo


    A análise das obras feita na escola não deveria mais ter
    por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este
    ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando,
    então, os textos são apresentados como uma aplicação da
    língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter
    acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse
    sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano,
    o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é
    estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é
    necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido
    pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler:
    “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação
    consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.”
    Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos
    cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo
    autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas
    seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente
    dado pela própria existência humana. Todas as grandes
    obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão
    dessa dimensão.
    O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma
    obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos”
    são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem
    fins em si mesmos. (...)
    (...)
    (...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana,
    aquele que a lê e a compreende se tornará não um
    especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser
    humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões
    e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra
    dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
    E, de imediato: que melhor preparação pode haver para
    todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos
    assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu
    ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro
    estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente
    social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter
    como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust
    não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que
    mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais
    a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais
    preparatórios para concurso que hoje determinam o seu
    destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar
    no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos
    e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento
    e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas,
    tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da
    vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
    Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o
    qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores
    de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre
    o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras
    no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos

    tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja,
    ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa
    do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da
    literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe
    transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras
    que ajudam a viver melhor.


                (Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed.Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

    Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?

    Com base no fato de que a palavra “imersão", usada na expressão uma imersão na obra, caracteriza uma metáfora, indique a alternativa que elimina essa metáfora sem perda relevante de sentido:
    Escolha uma alternativa para a questão e7d93afc-94
  • E7C8F87B-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Partiste um dia / Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.

    O emprego da palavra brasil com inicial minúscula, no poema de Vinicius, tem a seguinte justificativa:

    Escolha uma alternativa para a questão e7c8f87b-94
  • E7C3FBF5-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Quando a curva / Se acendia de luzes semoventes,

    Esta imagem significa, nos versos em que surge,

    Escolha uma alternativa para a questão e7c3fbf5-94
  • E7BEC741-94

    Português

    Figuras de Linguagem
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       Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes,
    poeta e cidadão

    A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
    Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
    De repente não tinha pai.
    No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor
        [tua lembrança
    Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
    Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
    Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
    Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
    De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
    Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
    Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
    Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
    Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
    Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
    Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
    Os doces espinhos da tua barba.
    Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e
       [paciência
    Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
    De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
    Se curvavam como ao peso da enorme poesia
    Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
    Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
    Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
    Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
    Mirando o mar). Dize-me, meu pai
    Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
    Que nunca revelaste a ninguém?
    Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta
        [exausto no último lance da maratona.

    Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
    Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
    humilde

    A um gesto do mar. A noite se fechava
    Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
    Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando
       [o mar
    Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
    Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
    Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
    E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
    Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
    Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
    Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
    De vastos e noturnos oceanos
    Sem jamais.
    Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
    A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
    Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
    Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
    Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
    Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
    Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
    Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
    Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas
         [águas-marinhas.
        (Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)


    (*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
    (**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem
    primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
    (***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência,
    experiente, versado, mestre.”
                 (Dicionário Eletrônico Houaiss)

    Marque a alternativa cujo verso contém um pleonasmo, ou seja, uma redundância de termos com bom efeito estilístico.
    Escolha uma alternativa para a questão e7bec741-94
  • E7A411E3-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos

                       O fim do marketing
    A empresa vende ao consumidor
    — com a web não é mais assim


    Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do
    marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam
    mais. O paradigma era simples e unidirecional: as
    empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;
    fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos
    anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma
    todas essas atividades.
    (...)
    Os produtos agora são customizados em massa, envolvem
    serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos
    consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores
    hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos
    estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas
    concepções industriais na definição e marketing de produtos.
    (...)

    Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,
    os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais
    desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à
    medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas
    que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores
    vão oferecer vários preços por um produto, dependendo
    de condições específicas. Compradores e vendedores
    trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,
    e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos
    e serviços.
    (...)
    A empresa moderna compete em dois mundos: um físico
    (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação
    (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não
    devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,
    mas sim de uma grande comunidade online e com o capital
    de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
    Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida
    no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a
    marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
    (...)
    Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram
    “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho
    único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
    As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.
    Os consumidores com frequência têm acesso a informações
    sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles
    que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem
    o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas
    por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião
    pública” online.
       Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
    (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

    São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública" online.

    Nesta passagem do penúltimo parágrafo do texto, o autor repete por três vezes o pronome eles, para referir-se enfaticamente aos


    Escolha uma alternativa para a questão e7a411e3-94
  • E784AC2E-94

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos
    Uma campanha alegre, IX
    Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este
    singular estado:
    Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente
    possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder,
    trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos,
    como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de
    uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
    Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder,
    esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os
    outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da
    Fazenda, a ruína do País!
    Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua
    própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os
    salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses
    do País.
    Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem
    tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da
    Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E
    os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se,
    para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros
    liberais, e os interesses do País!
    Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os
    verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação
    herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto
    que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio
    — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
    Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de
    doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha
    sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
    Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado
    a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações
    mais hostis...
    Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de
    dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos
    oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa
    constitucional do poder moderador...
    E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que
    continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai,
    feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto**
    tão triunfante!
    (*) Pela: bola.
    (**) Chouto: trote miúdo.
                        (Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)
    ... cheios de fel e de tédio...
    Nesta passagem do sexto parágrafo, o cronista se utiliza figuradamente da palavra fel para significar
    Escolha uma alternativa para a questão e784ac2e-94
  • 3C25CDFD-8D

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base a letra da toada Boiadeiro, de Armando Cavalcante (1914-1964) e Klecius Caldas (1919-2002):

                                  Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    São dez cabeças; é muito pouco, é quase nada – São dez filinho, é muito pouco, é quase nada – É pequenina, é miudinha, é quase nada.

    O efeito de anticlímax observável nos três versos é explicável pela

    Escolha uma alternativa para a questão 3c25cdfd-8d
  • 3C20B9C2-8D

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos

    Instrução: A questão toma por base a letra da toada Boiadeiro, de Armando Cavalcante (1914-1964) e Klecius Caldas (1919-2002):

                                  Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    Um dos melhores recursos expressivos empregados na letra de Boiadeiro é o processo de repetição da mesma estrutura sintá- tica com a mudança de apenas um vocábulo, que faz progredir o sentido, tal como se verifica, por exemplo, entre os versos 5, 11 e 17. Tal recurso é conhecido como
    Escolha uma alternativa para a questão 3c20b9c2-8d
  • 7BC58315-27

    Português

    Figuras de Linguagem
    PUC - RS · 2011FácilEntre para guardar nos favoritos
    Imagem 059.jpg INSTRUÇÃO: Responder à questão 27 com base nas afirmativas abaixo.

    No texto 3, o autor

    I. adota diferentes recursos de linguagem, como expressões metafóricas.

    II. apresenta dados da realidade para sustentar seu ponto de vista.

    III. utiliza interrogações de bom efeito retórico, mas não apresenta respostas para elas.

    IV. dirige- se a um público leitor especializado em ecossistemas.

    Estão corretas apenas as afirmativas



    Escolha uma alternativa para a questão 7bc58315-27
  • 244CCE6A-12

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNICENTRO · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem 002.jpg



    A análise linguística dos elementos que compõem o primeiro parágrafo permite afirmar:

    Escolha uma alternativa para a questão 244cce6a-12
  • 37E3A499-0E

    Português

    Figuras de Linguagem
    UEMG · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    O trecho a seguir é do Best-seller "A cabana". Neste trecho, o narrador apresenta uma refexão existencial de Mack, personagem principal da obra.

    Imagem 004.jpg

    Analise os comentários feitos a respeito do texto:

    I A substantivação da conjunção “se” (...para se livrar de todos os “se” que o levavam...) serve como instrumento de personifcação, à medida que concretiza todos os pesadelos que assolam o personagem.

    II Embora não haja nenhuma expressão que identifque a que se refere o termo “naquela viagem”, é possível inferir que essa viagem causou grandes danos emocionais no personagem.

    III A repetição da conjunção “se” (...embora na véspera; se, se, se...) é um recurso que, no texto, enfatiza a angústia do personagem, pois são apresentadas diversas condições para uma possível resolução da sua dor.

    IV As palavras desespero, enterrar, fracasso, assombrava, vítima e assassinato denotam o estado emocional da personagem que tem consciência da resolução dos seus problemas, o que é comprovado pela forma verbal seria.

    São pertinentes os comentários
    Escolha uma alternativa para a questão 37e3a499-0e
  • 877F27F3-0E

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNEMAT · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
    Imagem 034.jpg

    Assinale a alternativa que contém a relação adequada entre a figura de linguagem presente no texto e o enunciado.
    Escolha uma alternativa para a questão 877f27f3-0e
  • CBE72D9D-A5

    Português

    Figuras de Linguagem
    UECE · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2011

    O verso já a minha vontade de alegria (texto 2, linha 45) constitui um anacoluto. Sobre esse fenômeno linguístico são feitas as seguintes afirmações:

    I. É um termo que, isolado na frase, não tem função sintática.

    II. Põe em evidência a ideia transmitida.

    III. É um recurso da linguagem oral, aproveitado pela linguagem literária.

    Está correto o que se afirma em
    Escolha uma alternativa para a questão cbe72d9d-a5
  • 95550704-A5

    Português

    Adjetivos
    UECE · 2011DifícilEntre para guardar nos favoritos

    https://qcon-assets-production.s3.amazonaws.com/images/provas/27337/revi..png

    Considere as seguintes expressões do texto e o que se diz sobre elas:

    1. Aquela velha carta de A B C dava arrepios (linha 1).

    2. máximas sisudas (linha 6)

    3. odioso folheto (linha 40)

    4. letras miúdas e safadas (linhas 62-63)

    I. Todas as expressões foram desviadas de seu sentido primeiro, por isso não devem ser lidas só referencialmente.

    II. Na expressão de número 4, há uma quebra de expectativa quando se coordena safadas a miúdas, adjetivos que pertencem a diferentes campos semânticos.

    III. Na expressão 2, o adjetivo sisudas empresta ao substantivo máximas um atributo humano, o que constitui uma figura de linguagem chamada prosopopeia.

    Está correto o que se diz em
    Escolha uma alternativa para a questão 95550704-a5
  • 97838D48-80

    Português

    Advérbios
    UDESC · 2011MédioEntre para guardar nos favoritos
                                                          O espelho

    [...]
    Sendo talvez meu medo a revivescência de impressões atávicas? O espelho inspirava receio supersticioso aos primitivos, aqueles povos com a idéia de que o reflexo de uma pessoa fosse a alma. Via de regra, sabe-o o senhor, é a superstição fecundo ponto de partida para a pesquisa. A alma do espelho – anote-a – esplêndida metáfora. Outros, aliás, identificavam a alma com a sombra do corpo; e não lhe terá escapado a polarização: luz – treva. Não se costumava tapar os espelhos, ou voltá-los contra a parede, quando morria alguém da casa? Se, além de os utilizarem nos manejos de magia, imitativa ou simpática, videntes serviam-se deles, como da bola de cristal, vislumbrando em seu campo esboços de futuros fatos, não será porque, através dos espelhos, parece que o tempo muda de direção e de velocidade? Alongo-me, porém. Contava-lhe... [...] ROSA, Guimarães. Primeiras estórias. 50ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001, p. 122. 
    Assinale a alternativa incorreta, levando em consideração o Texto 3.
    Escolha uma alternativa para a questão 97838d48-80