Questões do ENEM: Universidade Estadual Paulista (UNESP)

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1.933 questões encontradas. Mostrando a página 34 de 97.

  • 1ACC2A6F-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

        — […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.

    (Quincas Borba, 2016.)

    Considerando o contexto histórico de produção, verifica-se no trecho uma alusão irônica
    Escolha uma alternativa para a questão 1acc2a6f-b9
  • 1AC6F47F-B9

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

        — […] O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas. [...] Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à observação, à descoberta da droga curativa. A higiene é filha de podridões seculares; devemo-la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho.

    (Quincas Borba, 2016.)

    Está empregado em sentido figurado o termo sublinhado em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1ac6f47f-b9
  • 1AC35F44-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Examine os gráficos. 


    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    (http://pt.climate-data.org)


    As dinâmicas climáticas representadas nos gráficos 1 e 2 correspondem, respectivamente, aos espaços retratados em

    Escolha uma alternativa para a questão 1ac35f44-b9
  • 1AC09131-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado,

    E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.


    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado;

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!


    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.


    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

    Está reescrito em ordem direta, sem prejuízo de seu sentido original, o seguinte verso:
    Escolha uma alternativa para a questão 1ac09131-b9
  • 1ABD20C6-B9

    Português

    Figuras de Linguagem
    UNESP · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado,

    E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.


    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado;

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!


    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.


    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

    O eu lírico recorre ao recurso expressivo conhecido como hipérbole no verso:
    Escolha uma alternativa para a questão 1abd20c6-b9
  • 1AB9C9DC-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado,

    E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.


    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado;

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!


    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.


    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

    Considerando o contexto histórico-geográfico de produção do soneto, as transformações na paisagem assinaladas pelo eu lírico relacionam-se à seguinte atividade econômica:
    Escolha uma alternativa para a questão 1ab9c9dc-b9
  • 1AB5601C-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado,

    E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.


    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado;

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!


    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.


    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

    No soneto, o eu lírico expressa um sentimento de inadequação que, a seu turno, se faz presente na seguinte citação:
    Escolha uma alternativa para a questão 1ab5601c-b9
  • 1AB24165-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

    Onde estou? Este sítio desconheço:

    Quem fez tão diferente aquele prado?

    Tudo outra natureza tem tomado,

    E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.


    Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

    De estar a ela um dia reclinado;

    Ali em vale um monte está mudado:

    Quanto pode dos anos o progresso!


    Árvores aqui vi tão florescentes,

    Que faziam perpétua a primavera:

    Nem troncos vejo agora decadentes.


    Eu me engano: a região esta não era;

    Mas que venho a estranhar, se estão presentes

    Meus males, com que tudo degenera!

    (Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

    O tom predominante no soneto é de
    Escolha uma alternativa para a questão 1ab24165-b9
  • 1AAF48A2-B9

    Português

    Denotação e Conotação
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

    Imagem da questão de Português, da prova de 2019

    Constituem exemplos de linguagem formal e de linguagem coloquial, respectivamente, as seguintes falas:
    Escolha uma alternativa para a questão 1aaf48a2-b9
  • 1AA83963-B9

    Português

    Análise sintática
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

        No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

        Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

        Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

        Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

        São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

        Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

    (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

    1V. M.: Vossa Majestade.

    Sempre que haja necessidade expressiva de reforço, de ênfase, pode o objeto direto vir repetido. Essa reiteração recebe o nome de objeto direto pleonástico.
    (Adriano da Gama Kury. Novas lições de análise sintática, 1997. Adaptado.)

    Antônio Vieira recorre a esse recurso expressivo em:
    Escolha uma alternativa para a questão 1aa83963-b9
  • 1AA4FB5D-B9

    História

    História do Brasil
    UNESP · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos

        No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

        Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

        Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

        Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

        São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

        Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

    (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

    1V. M.: Vossa Majestade.

    Em um estudo publicado em 2005, o historiador Gustavo Acioli Lopes vale-se, no quadro da economia colonial, da expressão “primo pobre” para se referir ao produto derivado das lavouras mencionadas por Antônio Vieira em sua carta. No contexto histórico em que foi escrita a carta, o “primo rico” seria
    Escolha uma alternativa para a questão 1aa4fb5d-b9
  • 1AA01B5E-B9

    Português

    Interpretação de Textos
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        No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

        Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

        Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

        Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

        São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

        Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

    (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

    1V. M.: Vossa Majestade.

    Em sua carta, Antônio Vieira relata os padecimentos
    Escolha uma alternativa para a questão 1aa01b5e-b9
  • 1A9C569D-B9

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos

        No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

        Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

        Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

        Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

        São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

        Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

    (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

    1V. M.: Vossa Majestade.

    Considerando o contexto, as lacunas numeradas no terceiro parágrafo do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por
    Escolha uma alternativa para a questão 1a9c569d-b9
  • 1A994F68-B9

    Português

    Interpretação de Textos
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        No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador.

        Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece.

        Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias.

        Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”

        São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir.

        Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem.

    (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.)

    1V. M.: Vossa Majestade.

    À questão colocada por D. João IV, Antônio Vieira
    Escolha uma alternativa para a questão 1a994f68-b9
  • 00365D15-0A

    Matemática

    Análise de Tabelas e Gráficos
    UNESP · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Um banco estabelece os preços dos seguros de vida de seus clientes com base no índice de risco do evento assegurado. A tabela mostra o cálculo do índice de risco de cinco eventos diferentes.

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018

    Sabe-se que, nesse banco, o índice de risco de morte pela prática do evento BASE jumping é igual a 8.

    Praticante de BASE jumping


    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018

    O risco de morte para praticantes desse esporte, segundo a avaliação do banco, é de
    Escolha uma alternativa para a questão 00365d15-0a
  • 0032F268-0A

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    UNESP · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Em um dia de aula, faltaram 3 alunas e 2 alunos porque os cinco estavam gripados. Dos alunos e alunas que foram à aula, 2 meninos e 1 menina também estavam gripados. Dentre os meninos presentes à aula, a porcentagem dos que estavam gripados era 8% e, dentre as meninas, a porcentagem das que estavam gripadas era 5%. Nos dias em que a turma está completa, a porcentagem de meninos nessa turma é de
    Escolha uma alternativa para a questão 0032f268-0a
  • 002BBA1A-0A

    Matemática

    Função de 2º Grau ou Função Quadrática e Inequações
    UNESP · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos

    Em relação a um sistema cartesiano de eixos ortogonais com origem em O(0, 0), um avião se desloca, em linha reta, de O até o ponto P, mantendo sempre um ângulo de inclinação de 45º com a horizontal. A partir de P, o avião inicia trajetória parabólica, dada pela função f(x) = –x2 + 14x – 40, com x e f(x) em quilômetros. Ao atingir o ponto mais alto da trajetória parabólica, no ponto V, o avião passa a se deslocar com altitude constante em relação ao solo, representado na figura pelo eixo x.


    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018



    Em relação ao solo, do ponto P para o ponto V, a altitude do avião aumentou


    Escolha uma alternativa para a questão 002bba1a-0a
  • 0024946A-0A

    Matemática

    Geometria Plana
    UNESP · 2018FácilEntre para guardar nos favoritos
    Uma criança está sentada no topo de um escorregador cuja estrutura tem a forma de um triângulo ABC, que pode ser perfeitamente inscrito em um semicírculo de diâmetro AC = 4 m. O comprimento da escada do escorregador é AB = 2 m.

    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018

    Considerando que a energia potencial gravitacional da criança no ponto B, em relação ao solo horizontal que está em Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018 , é igual a 342 joules, e adotando Imagem da questão de Matemática, da prova de 2018, a massa da criança é igual a
    Escolha uma alternativa para a questão 0024946a-0a