Questões do ENEM: Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)
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1.729 questões encontradas. Mostrando a página 62 de 87.
FAF177E8-06 Leia o texto a seguir.Estes problemas inevitáveis da própria razão pura são Deus, a liberdade e a imortalidade, e a ciência que, com todos os seus requisitos, tem por verdadeira finalidade a resolução destes problemas chama-se metafísica. O seu proceder é, de início, dogmático, isto é, aborda confiadamente a realização de tão magna empresa, sem previamente examinar a sua capacidade ou incapacidade.(KANT, I. Crítica da Razão Pura. Trad. de Manuela Pinto dos Santos e Alexandre Fradique Morujão. 3.ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1994. p.40.)Com base no texto e nos conhecimentos sobre a concepção de filosofia no pensamento de Kant, assinale a alternativa correta.FAEE0ED6-06 Filosofia
Conceitos FilosóficosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLeia o texto a seguir.O imperativo não admite hipóteses (“se... então”) nem condições que fariam valer em certas situações e não valer em outras, mas vale incondicionalmente e sem exceções para todas as circunstâncias de todas as ações morais. Por isso, o dever é um imperativo categórico.(CHAUI, M. Convite à Filosofia. 7.ed. São Paulo: Ática, 2000. p.346.)Com base na leitura do texto e nos conhecimentos sobre a formulação do Imperativo Categórico na moral kantiana, segundo seus objetivos, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.( ) Servir de critério racional para a discriminação das máximas de ação.( ) Orientar a ação humana de forma objetiva com a pretensão de validar universalmente sua prática.( ) Determinar o conteúdo valorativo do ato humano a partir do lastro cultural e religioso.( ) Conservar um princípio formal e procedimental como condição orientadora da ação humana.( ) Adequar a vontade humana aos preceitos de fé manifestados no interior da consciência moral.Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.B46D110F-06 Biologia
Anelídeos e MoluscosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosEm relação à árvore filogenética dos animais, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, características compartilhadas somente pelos filos Mollusca, Annelida e Arthropoda.B46A1113-06 Biologia
Evolução biológicaUNICENTRO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritosConsidere os eventos evolutivos a seguir.I. Aparecimento das primeiras plantas com sementes.II. Aparecimento dos primeiros animais dotados de exoesqueleto.III. Origem dos mamíferos placentários.IV. Diversificação das aves.V. Origem dos primeiros peixes dotados de mandíbula.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a ordem temporal em que esses eventos ocorreram.B4670DED-06 Biologia
Estudo dos tecidosUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosO tecido conjuntivo frouxo possui diversos tipos de célula em sua constituição.Considerando a constituição dos tecidos conjuntivos, relacione o tipo de célula, na coluna da esquerda, com suas principais características, na coluna da direita.(I) Fibroblastos.
(A) Possuem forma ameboide e núcleo grande; atacam agentes invasores e alertam o sistema imunitário.
(II) Macrófagos.
(B) Possuem forma estrelada e núcleo grande; produzem substância amorfa da matriz extracelular.
(III) Mastócitos.
(C) Possuem núcleo central e longos prolongamentos citoplasmáticos; produzem fibras e substância amorfa da matriz óssea.
(IV) Adipócitos.
(D) Possuem forma ovoide, núcleo central arredondado e grânulos citoplasmáticos; participam das reações alérgicas.
(V) Osteoblastos.
(E) Possuem forma arredondada, com grande vacúolo central contendo lipídios; armazenam substâncias energéticas.
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
B4638110-06 Biologia
Identidade dos seres vivosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosEm relação aos órgãos do corpo humano nos quais as enzimas atuam na digestão de carboidratos, considera afirmativas a seguir.I. Intestino grosso.II. Estômago.III. Duodeno.IV. Cavidade bucal.Usar uma alternativa correta.B4600047-06 Biologia
Identidade dos seres vivosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosOs peixes possuem ancestrais antigos, que se originaram de um protocordado livre-natante desconhecido. Os vertebrados semelhantes a peixes eram um conjunto parafilético de peixes agnatos, os ostracodermes. Um grupo de ostracodermes deu origem aos gnatostomados.Em relação às classes basais de Gnathostomata, considere as afirmativas a seguir.I. A classe Actinopterygii caracteriza-se por apresentar esqueleto ósseo, com nadadeiras sustentadas por raios ósseos; a pele é revestida por escamas de origem dérmica, revestidas por epiderme.II. A classe Actinistia caracteriza-se por ser desprovida de mandíbula; apresenta esqueleto fibroso e cartilaginoso; tem uma ou duas nadadeiras medianas, sem apêndices pares; seus representantes são filtradores.III. Os representantes da classe Dipnoi são caracterizados por crânio cartilaginoso, corpo alongado e sem apêndices pares; são desprovidos de coluna vertebral e secretam uma espessa camada de muco protetor sobre a pele.IV. Os representantes da classe Chondricthyes são dotados de mandíbula, esqueleto cartilaginoso e nadadeiras pares; têm o corpo revestido por escamas placoides e dentes não fundidos aos maxilares, que são substituídos continuamente.Assinale a alternativa correta.B45CC8A0-06 Biologia
Sistema Endócrino HumanoUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosAs glândulas endócrinas lançam os seus hormônios diretamente na corrente sanguínea para regular as funções do organismo. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, as glândulas responsáveis pela secreção dos hormônios que regulam as funções: metabolismo geral e basal do organismo; concentração de cálcio e fósforo; reabsorção de sais.B4596D8E-06 Biologia
Identidade dos seres vivosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosEntre os animais, podem-se encontrar ovos oligolécitos e ovos telolécitos. A quantidade e a distribuição de vitelo presentes nesses dois tipos de ovos são responsáveis pela diferença no desenvolvimento embrionário dos animais. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a característica do desenvolvimento embrionário determinada por essa diferença.B4565634-06 Biologia
Hereditariedade e diversidade da vidaUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosNo trigo, há dois genes, A e B, ambos dominantes, localizados em cromossomos diferentes e responsáveis pela cor da semente. Quando estão juntos, condicionam o caráter colorido. Todas as demais combinações genéticas resultam na semente com casca incolor. Duas linhagens incolores e puras foram cruzadas, resultando em F1 todos os descendentes coloridos.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o genótipo de F1.B4531624-06 Biologia
A herança dos grupos sanguíneosUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosUm indivíduo faleceu devido a uma transfusão sanguínea. O pai desse indivíduo pertencia ao grupo sanguíneo A homozigoto e a mãe, ao grupo AB.Com base nessas informações, considere as afirmativas a seguir.I. O sangue que provocou a morte do indivíduo pode ser do grupo O.II. O sangue que provocou a morte do indivíduo pode ser do grupo A.III. O sangue que provocou a morte do indivíduo pode ser do grupo B.IV. O sangue que provocou a morte do indivíduo pode ser do grupo AB.Assinale a alternativa correta.B44F3F9D-06 Biologia
FotossínteseUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosSobre os processos que ocorrem durante a etapa fotoquímica da fotossíntese, considere as afirmativas a seguir.I. Fotofosforilação do ATP que perde fosfato.II. Fotólise da água.III. Liberação de O2.IV. Redução do NAPD a NADPH2.Assinale a alternativa correta.B44BF30E-06 Biologia
Moléculas, células e tecidosUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosO acrossomo é uma vesícula formada de membrana unitária. No interior dessa vesícula, há enzimas digestivas que, nos espermatozoides, são responsáveis pela perfuração do óvulo para possibilitar a fecundação.A partir dessas informações, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a estrutura celular responsável pela origem do acrossomo.B4458616-06 Biologia
Gimnospermas e AngiospermasUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosA fusão de um dos núcleos espermáticos do grão de pólen com os dois núcleos polares do óvulo resulta em um núcleo triploide.Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a estrutura formada a partir do núcleo triploide.EF9C9B5E-06 Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUNICENTRO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritosLee la viñeta a continuación y contesta a la pregunta.

De acuerdo con la viñeta, considera las afirmativas a continuación.I. El alumno diverge del argumento presentado por Platón.II. El alumno cree que informaciones recientes son menos verosímiles.III. El profesor destaca la contribución de la Filosofía para la enseñanza.IV. El profesor es en contra la idea de estudiar para obtener nota.Señala la alternativa correcta.EF9979F0-06 Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLee la viñeta a continuación y contesta a la pregunta.
De acuerdo con la viñeta, señala la alternativa correcta.
EF82FDF6-06 Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUNICENTRO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritosLee el texto a continuación y contesta a la pregunta.El curioso origen de la famosa expresión ‘alter ego’Como muchos de vosotros sabréis, ‘alter ego’ significa ‘el otro yo’ y se utiliza en algunas ocasiones para referirse a la doble personalidad de alguien; por ejemplo cuando éste se muestra/comporta de un modo en un sitio y de manera muy diferente en otro, como si tuviera dos identidades (un claro ejemplo sería la dualidad del personaje ‘Dr. Jekyll y Mr. Hyde’ de la famosa novela de Robert Louis Stevenson). Pero originalmente la expresión ‘alter ego’ nada tenía que ver con esta dualidad de la personalidad que hoy en día se le da sino que procede de una sentencia atribuida al famoso filósofo y matemático griego Pitágoras, quien en el siglo V a.C. fue preguntado por uno de sus muchos discípulos de la Escuela Pitagórica (hoy en día muy probablemente estaría considerada como una secta) sobre ‘qué es un amigo’. Pitágoras, haciendo una referencia a aquel que se mira en su propio reflejo en el agua contestó: ‘Un amigo es otro yo’. Pero hasta nosotros no nos llegó este aforismo en su forma original en griego. Fue a partir del siglo I d.C. a través del famoso filósofo y político del Imperio Romano Lucio Anneo Séneca (gran estudioso de la obra pitagórica), quien la dio a conocer en su forma en latín: ‘Amicus est alter ego’ (Un amigo es otro yo). Con el transcurrir de los siglos la parte de la expresión que ha prevalecido y que todos conocemos ha sido la final ‘alter ego’, siendo utilizada la locución tal y como explico al inicio del post y para referirse también a aquellas personas que son de nuestra total confianza o con la que te sientes completamente identificada: Fulanito es mi alter ego.(Adaptado de: LÓPEZ, A. Disponible en: <http://blogs.20minutos.es/yaestaellistoquetodolosabe/el-curioso-origen-de-la-famosa-expresion-alter-ego/comment-page-1/#comment-10723>. Accedido el: 7 ago. 2015.)De acuerdo con en el texto, considera las afirmativas a continuación.I. El amigo que Pitágoras vio reflejado en el agua era su ‘alter ego’.II. El filósofo y matemático Pitágoras era el ‘alter ego’ del filósofo Séneca.III. Stevenson escribió una obra que ejemplifica el aforismo ‘alter ego’.IV. El significado actual de ‘alter ego’ difere del original.Señala la alternativa correcta.EF7BC831-06 Espanhol
Interpretação de Texto | Comprensión de LecturaUNICENTRO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritosLee el texto a continuación y contesta a la pregunta.El curioso origen de la famosa expresión ‘alter ego’Como muchos de vosotros sabréis, ‘alter ego’ significa ‘el otro yo’ y se utiliza en algunas ocasiones para referirse a la doble personalidad de alguien; por ejemplo cuando éste se muestra/comporta de un modo en un sitio y de manera muy diferente en otro, como si tuviera dos identidades (un claro ejemplo sería la dualidad del personaje ‘Dr. Jekyll y Mr. Hyde’ de la famosa novela de Robert Louis Stevenson). Pero originalmente la expresión ‘alter ego’ nada tenía que ver con esta dualidad de la personalidad que hoy en día se le da sino que procede de una sentencia atribuida al famoso filósofo y matemático griego Pitágoras, quien en el siglo V a.C. fue preguntado por uno de sus muchos discípulos de la Escuela Pitagórica (hoy en día muy probablemente estaría considerada como una secta) sobre ‘qué es un amigo’. Pitágoras, haciendo una referencia a aquel que se mira en su propio reflejo en el agua contestó: ‘Un amigo es otro yo’. Pero hasta nosotros no nos llegó este aforismo en su forma original en griego. Fue a partir del siglo I d.C. a través del famoso filósofo y político del Imperio Romano Lucio Anneo Séneca (gran estudioso de la obra pitagórica), quien la dio a conocer en su forma en latín: ‘Amicus est alter ego’ (Un amigo es otro yo). Con el transcurrir de los siglos la parte de la expresión que ha prevalecido y que todos conocemos ha sido la final ‘alter ego’, siendo utilizada la locución tal y como explico al inicio del post y para referirse también a aquellas personas que son de nuestra total confianza o con la que te sientes completamente identificada: Fulanito es mi alter ego.(Adaptado de: LÓPEZ, A. Disponible en: <http://blogs.20minutos.es/yaestaellistoquetodolosabe/el-curioso-origen-de-la-famosa-expresion-alter-ego/comment-page-1/#comment-10723>. Accedido el: 7 ago. 2015.)Tras leer el texto, ¿se puede comprobar que éste contempla la variante lingüística de cuál país?FD90CF47-06 Português
Gêneros TextuaisUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o conto a seguir e responda à questão.Preciosidade (para Mafalda)De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:– Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:– Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.(LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)Leia a notícia a seguir e responda à questão.90% das mulheres estupradas não denunciam agressor, diz especialistaMedo de morte, vergonha e humilhação e sentimento de culpa são os principais motivos para a falta de denúncia.
Três dias antes do Natal do ano passado, a agente de atendimento Isabela (nome fictício), de 18 anos de idade, estava voltando para casa após um culto na igreja onde frequenta quando foi abordada por um desconhecido em uma moto. A princípio, ela diz ter pensado se tratar de um assalto e chegou a entregar o telefone celular ao homem com capacete. “Esse foi o único dia que eu estava voltando para casa sozinha. Ele me pegou em uma rua deserta e apontou a arma para mim. Por medo, eu não gritei. Ele pegou o celular e disse que ia me guiar. Me levou a uma rua mais deserta e colocou um capuz em mim para eu não ver o rosto dele”, diz. O estupro aconteceu na rua mesmo. Com medo do agressor que a ameaçou de morte caso contasse para alguém, Isabela ficou calada e relatou apenas o assalto para a mãe.(Adaptado de: OLIVEIRA, A. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html>. Acesso em: 25 abr. 2014.)Quanto aos aspectos que compõem o conto “Preciosidade” e a notícia, considere as afirmativas a seguir.I. O conto valoriza mais o tema do que a forma como ele é exposto.II. A notícia apresenta uma linguagem mais objetiva, concisa e clara.III. No conto, há mais traços de subjetividade, sendo mais importante o modo de dizer que o fato em si.IV. Na notícia, a verdade é primordial, enquanto, no conto, não há, necessariamente, compromisso com a apresentação da realidade, mas com sua verossimilhança.Assinale a alternativa correta
FD8DA374-06 Português
Gêneros TextuaisUNICENTRO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritosLeia o conto a seguir e responda à questão.Preciosidade (para Mafalda)De manhã cedo era sempre a mesma coisa renovada: acordar. O que era vagaroso, desdobrado, vasto. Vastamente ela abria os olhos. Tinha quinze anos e não era bonita. Mas por dentro da magreza, a vastidão quase majestosa em que se movia como dentro de uma meditação. E dentro da nebulosidade algo precioso. Que não se espreguiçava, não se comprometia, não se contaminava. Que era intenso como uma joia. Ela acordava antes de todos, pois para ir à escola teria que pegar um ônibus e um bonde, o que lhe tomaria uma hora. O que lhe daria uma hora. De devaneio agudo como um crime. O vento da manhã violentando a janela e o rosto até que os lábios ficavam duros, gelados. Então ela sorria. Como se sorrir fosse em si um objetivo. Tudo isso aconteceria se tivesse a sorte de “ninguém olhar para ela”. Era uma manhã ainda mais fria e escura que as outras, ela estremeceu no suéter. A branca nebulosidade deixava o fim da rua invisível. Tudo estava algodoado, não se ouviu sequer o ruído de algum ônibus que passasse pela avenida. Foi andando para o imprevisível da rua. As casas dormiam nas portas fechadas. Os jardins endurecidos de frio. No ar escuro, mais que no céu, no meio da rua uma estrela. Uma grande estrela de gelo que não voltara ainda, incerta no ar, úmida, informe. Surpreendida no seu atraso, arredondava- -se na hesitação. Ela olhou a estrela próxima. Caminhava sozinha na cidade bombardeada. Não, ela não estava sozinha. Com os olhos franzidos pela incredulidade no fim longínquo de sua rua, de dentro do vapor, viu dois homens. Dois rapazes vindo. Olhou ao redor como se pudesse ter errado de rua ou de cidade. Mas errara os minutos: saíra de casa antes que a estrela e dois homens tivessem tempo de sumir. Seu coração se espantou. O que se seguiu foram quatro mãos difíceis, foram quatro mãos que não sabiam o que queriam, quatro mãos erradas de quem não tinha a vocação, quatro mãos que a tocaram tão inesperadamente que ela fez a coisa mais certa que poderia ter feito no mundo dos movimentos: ficou paralisada. Eles, cujo papel predeterminado era apenas o de passar junto do escuro de seu medo, e então o primeiro dos sete mistérios cairia; eles que representariam apenas o horizonte de um só passo aproximado, eles não compreenderam a função que tinham e, com a individualidade dos que têm medo, haviam atacado. Foi menos de uma fração de segundo na rua tranquila. Numa fração de segundo a tocaram como se a eles coubessem todos os sete mistérios. Que ela conservou todos, e mais larva se tornou, e mais sete anos de atraso. Quando foi molhar os cabelos diante do espelho, ela era tão feia. Ela possuía tão pouco, e eles haviam tocado. Ela era tão feia e preciosa. Estava pálida, os traços afinados. As mãos, umedecendo os cabelos, sujas de tinta ainda do dia anterior. “Preciso cuidar mais de mim”, pensou. Não sabia como. A verdade é que cada vez sabia menos como. A expressão do nariz era a de um focinho apontando na cerca. Voltou ao banco e ficou quieta, com um focinho. “Uma pessoa não é nada.” “Não”, retrucou-se em mole protesto, “não diga isso”, pensou com bondade e melancolia. “Uma pessoa é alguma coisa”, disse por gentileza. Mas no jantar a vida tomou um senso imediato e histérico:– Preciso de sapatos novos! Os meus fazem muito barulho, uma mulher não pode andar com salto de madeira, chama muita atenção! Ninguém me dá nada! Ninguém me dá nada! – e estava tão frenética e estertorada que ninguém teve coragem de lhe dizer que não os ganharia. Só disseram:– Você não é uma mulher e todo salto é de madeira. Até que, assim como uma pessoa engorda, ela deixou, sem saber por que processo, de ser preciosa. Há uma obscura lei que faz com que se proteja o ovo até que nasça o pinto, pássaro de fogo. E ela ganhou os sapatos novos.(LISPECTOR, C. Laços de Família. São Paulo: Rocco, 1998. p.95-108.)Leia a notícia a seguir e responda à questão.90% das mulheres estupradas não denunciam agressor, diz especialistaMedo de morte, vergonha e humilhação e sentimento de culpa são os principais motivos para a falta de denúncia.
Três dias antes do Natal do ano passado, a agente de atendimento Isabela (nome fictício), de 18 anos de idade, estava voltando para casa após um culto na igreja onde frequenta quando foi abordada por um desconhecido em uma moto. A princípio, ela diz ter pensado se tratar de um assalto e chegou a entregar o telefone celular ao homem com capacete. “Esse foi o único dia que eu estava voltando para casa sozinha. Ele me pegou em uma rua deserta e apontou a arma para mim. Por medo, eu não gritei. Ele pegou o celular e disse que ia me guiar. Me levou a uma rua mais deserta e colocou um capuz em mim para eu não ver o rosto dele”, diz. O estupro aconteceu na rua mesmo. Com medo do agressor que a ameaçou de morte caso contasse para alguém, Isabela ficou calada e relatou apenas o assalto para a mãe.(Adaptado de: OLIVEIRA, A. Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-04-25/90-das-mulheres-estupradas-nao-denunciam-agressor-diz-especialista.html>. Acesso em: 25 abr. 2014.)Com base no conto “Preciosidade” e na notícia, assinale a alternativa correta.