Questões do ENEM: Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)

Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

294 questões encontradas. Mostrando a página 3 de 15.

  • D132A003-E4

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

    Sobre o uso da forma verbal “quisera”, no Texto 2, é correto afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d132a003-e4
  • D12FF9A5-E4

    Geografia

    Geografia Política
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    No segundo verso do Texto 1, lê-se: “para adoçar o meu país” em uma referência ao poeta norte-americano Walt Whitman. Nos últimos três anos, foi grande o número de pessoas que deixaram seus países em decorrência de guerras civis ou da ação de grupos paramilitares. Acerca desse assunto, assinale a alternativa que contém, respectivamente, os nomes dos dois países de origem da maioria das solicitações de refúgio e dos dois que mais receberam solicitações, com seus respectivos continentes:
    Escolha uma alternativa para a questão d12ff9a5-e4
  • D12B3C33-E4

    Química

    Glicídios, Lipídios, Aminoácidos e Proteínas.
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O Texto 1 faz alusão metafórica ao ato de adoçar. O principal açúcar usado para adoçar alimentos é a sacarose, um dissacarídeo formado por dois monossacarídeos, glicose e frutose. A glicose é o açúcar mais simples que circula em nosso sangue, cuja concentração deve ser mantida entre 80 e 120 mg por 100 mL de sangue. A frutose é uma cetose, e a glicose é uma aldose. Sobre essa temática, analise os itens a seguir:

    I - Se em um determinado exame a concentração de glicose foi de 0,5 g/L de sangue, esse resultado corresponde à faixa normal de glicose presente no sangue.

    II - As reações de adição de hidrogênios a aldeídos formam álcoois primários, enquanto que nas cetonas formam álcoois secundários.

    III - O composto com fórmula molecular C6 H12O pode formar os isômeros 4-metil-pentan-2-ona e 2,3-dimetilbutanal.

    Estão corretos os itens:

    Escolha uma alternativa para a questão d12b3c33-e4
  • D1289BD5-E4

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    Sobre o poema de Jorge de Lima (Texto 1), é correto afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d1289bd5-e4
  • D125947D-E4

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O Texto 1 faz referência à “maleita”, doença infecciosa aguda ou crônica causada por protozoários e transmitida por picada de mosquito. Dentre as alternativas a seguir, marque a que apresenta uma afirmação correta em relação ao protozoário responsável e ao modo de transmissão dessa doença:
    Escolha uma alternativa para a questão d125947d-e4
  • D122F6A1-E4

    Conhecimentos Gerais

    Política
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O Texto 1 tem como título “Democracia”, regime conhecido como “governo do povo”. Questões políticas pressupõem relações de poder. É sabido que na Antiguidade a função do governo era assegurar a vida boa; já na Idade Média, a natureza humana estava sujeita ao pecado. Desta forma, o papel de intimidação para todos agirem retamente cabia ao Estado. Daí, a estreita ligação entre política e moral, pois a obediência aos princípios da moral cristã exige a formação do governante justo. Sobre política e religião na Idade Média, marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão d122f6a1-e4
  • D1206DE7-E4

    Matemática

    Análise de Tabelas e Gráficos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O Texto 1 faz referência a dois tipos de alimentos muito apreciados pelos brasileiros, a tapioca e a pipoca, cujos fatores nutricionais estão detalhados, respectivamente, nas tabelas a seguir. Sabendo-se que 100 gramas de tapioca correspondem a 347 kcal e 100 g de pipoca a 387 kcal, então um lanche em que foram consumidos 151,5 kcal e 36,63 g de carboidrato, corresponde aproximadamente a quantos gramas de alimentos?
    Imagem da questão de Matemática, da prova de 2016
    Escolha uma alternativa para a questão d1206de7-e4
  • D11DC710-E4

    História

    História do Brasil
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    Além de ensinar o catecismo e transmitir as regras da hospitalidade, os missionários doutrinavam os indí- genas na ética da submissão às autoridades constituídas pelo Deus cristão. Levando avante sua missão, os religiosos acompanharam a expansão da colonização pelo território da América, batizando e incorporando aos reinos europeus as populações nativas. Acerca desse trabalho missionário, está correto afirmar que:
    Escolha uma alternativa para a questão d11dc710-e4
  • D11ADC4E-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O título “Democracia”, do Texto 1, deve-se ao fato de que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d11adc4e-e4
  • 6C6F4205-24

    Química

    Estudo da matéria: substâncias, misturas, processos de separação.
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    O fragmento do Texto 8 “recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia” remete à flutuação de corpos sólidos em meios líquidos. Considere a seguinte tabela de densidades para diferentes materiais a 25°C:

    Imagem da questão de Química, da prova de 2015

    Se em um recipiente for adicionado mercúrio, óleo de soja e água, todos à temperatura ambiente de 25°C, essas substâncias formarão uma mistura heterogênea. Considere que elas foram colocadas no recipiente em quantias consideráveis, a fim de que as interfaces entre as substâncias diferentes apresentem uma dimensão consideravelmente maior que as dos corpos sólidos a serem introduzidos nessa mistura. Com base nesse conjunto de informações, analise as afirmações a seguir:

    I-A mistura será trifásica: o mercúrio escoará para o fundo do recipiente, a água ficará logo acima dele, e o óleo de soja ficará acima da água.

    II- Se um bloco de ferro for colocado na mistura, este se precipitará até o fundo do recipiente.

    III- Se três blocos de madeira – um de jatobá, um de cedro e um de ipê – forem jogados na mistura, o bloco de jatobá se posicionará na interface água-óleo, o de cedro flutuará no óleo e o de ipê se posicionará na interface mercúrio-água.

    IV- Se um bloco de ouro for colocado na mistura, este afundará até tocar o fundo do recipiente.

    Com base nas sentenças anteriores, podemos afirmar que:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c6f4205-24
  • 6C6B5F99-24

    Geografia

    Amazônia
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    A história narrada no Texto 8 se passa na região amazônica que, mesmo próxima à Cordilheira dos Andes, pode ser considerada tectonicamente estável. No dia 30 de setembro de 2014, um abalo sísmico de magnitude 7,1 graus atingiu a porção sudoeste da Colômbia, causando expectativa nas regiões vizinhas. No que se refere às causas, locais de ocorrência desses fenômenos e suas consequências, analise os itens a seguir:

    I-A ocorrência de terremotos é um fenômeno inerente à própria dinâmica interna da Terra, tendo em vista a manifestação de energia do interior do nosso planeta.

    II-Os abalos sísmicos de grande abrangência e magnitude decorrem do acúmulo de energia térmica no limite entre duas placas tectônicas.

    III-O lineamento de montanhas conhecido como Cordilheira dos Andes fica no limite entre as placas tectônicas do Pacífico e Sul-Americana.

    IV-A Terra é um corpo em processo de resfriamento, cuja principal implicação é a formação de imensos volumes rochosos conhecidos como placas tectônicas.

    Considerando os itens propostos, marque a alternativa que contém apenas proposições corretas:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c6b5f99-24
  • 6C67B614-24

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    “Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária.”

    O trecho retirado do Texto 8 faz menção a um problema de saúde pública: a condição sanitária.

    Sabe-se que os índices de mortalidade infantil também estão associados ao acesso a serviços de água, esgoto e destino adequado de lixo.

    Marque a alternativa correta em relação ao tema supracitado:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c67b614-24
  • 6C5FA7C0-24

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    In Text 8, Gonçalves refers to different professions, such as, lawyer, judge, biologist and journalist. Read the following definitions and match the most appropriate word from the sequence given below:

    1. lawyer     2. biologist     3. journalist     4. judge

    5. defence lawyer     6. prosecution lawyer

    I- Someone who tries to prove in court that someone is not guilty.

    II- Someone who tries to prove in court that someone is guilty.

    III-The official in control of a court who decides how criminals should be punished.

    IV- Someone whose job is to advise people about laws, write formal agreements, or represent people in court.    

    V- Someone who studies or works in biology.

    VI- Someone who writes news reports for newspapers, magazines.

    Choose the best sequence:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c5fa7c0-24
  • 6C5B8217-24

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    O romance Sangue verde, de David Gonçalves, do qual se apresenta aqui um fragmento (Texto 8), é repleto de imagens que ilustram uma temática variada, rica e questionadora, que expõe vícios, maus hábitos e envolve, direta ou indiretamente, todas as diferentes classes de pessoas e diversas categorias profissionais do Brasil, incluindo latifundiários, juristas, políticos e outros.

    Marque a alternativa que melhor sintetiza o romance, observando o que foi afirmado anteriormente:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c5b8217-24
  • 6C575FB2-24

    Química

    Equilíbrio Químico
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    O Texto 8 faz menção a crack. Sobre essa droga, leia o texto a seguir:

    “O crack é obtido por meio de uma mistura de pasta de coca ou cloridrato de cocaína com bicarbonato de sódio (NaHCO3 ). A pasta de coca é um produto grosseiro, com muitas impurezas, obtido das primeiras fases de extração da cocaína das folhas da planta Erythroxylon coca, quando tratadas com bases fortes, com ácido sulfúrico e solventes orgânicos.

    O crack é comercializado na forma de pequenas pedras porosas. Ele não é solúvel em água, mas os usuários o fumam aquecendo essas pedras em “cachimbos” improvisados, já que essa substância passa do estado sólido para o vapor a uma temperatura relativamente baixa, a 95ºC. Os vapores de cocaína liberados são absorvidos pelos pulmões quase imediatamente, pois o pulmão é um órgão intensamente vascularizado e com grande superfície. Assim, a cocaína é enviada para a circulação sanguínea e atinge o cérebro em 15 segundos.”

    (Disponível em: www.brasilescola.com/quimica/quimica-crack.htm. Acesso em 26 jun. 2015. Adaptado.)

    Assinale a única alternativa correta com relação às substâncias citadas no trecho sobre o crack:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c575fb2-24
  • 6C53E527-24

    Português

    Figuras de Linguagem
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 8

          Aos 60 anos, Rossmarc foi confinado na cadeia Raimundo Pessoa em Manaus, dividindo uma cela com 80 detentos. Dormia no chão junto de uma fossa sanitária. Para manter-se vivo usava toda a sua inteligência para fazer acordos com os detentos. Lá havia de tudo: drogados, jagunços, pseudomissionários, contrabandistas etc. Fora vítima do advogado. Com toda a lábia, nunca fora a Brasília defender Rossmarc. Por não ter apresentado a defesa, foi condenado a 13 anos de prisão. O advogado sumira, Rossmarc perdera o prazo para recorrer. Como era estrangeiro, os juízes temiam que fugisse do Brasil. O juiz ordenou sua prisão imediata. A cela, com oitenta detentos, fervilhava, era mais do que o inferno. Depressivo, mantinha-se tartamudo num canto, remoendo sua história, recordando-se dos bons tempos em que navegava pelos rios da Amazônia com seus amigos primatas.

          Visitas? Só a de Pássaro Azul. Mudara-se também para Manaus e, sem nada dizer a Rossmarc, para obter dinheiro, prostituía-se num cabaré. Estava mais magra e algumas rugas se mostravam em seu rosto antes reluzente, agora de cor negra desgastada. Com o intuito de obter dinheiro, tanto para Rossmarc pagar as contas de dois viciados em crack no presídio, como para as custas de um advogado inexperiente, pouco se alimentava e ao redor dos olhos manchas entumecidas apareciam, deixando-a como alguém que consumia droga em exagero. As noitadas no cabaré enfumaçado e fedorento deixavam-na enfraquecida. Mas não deixara de amar o biólogo holandês. Quando fugira do quilombola, naquela noite, jurara amor eterno e não estava disposta a quebrar o juramento.

          Enquanto Pássaro Azul se prostituía para obter os escassos recursos, Rossmarc, espremido entre os oitenta detentos, procurava desesperadamente uma luz no fim do túnel. Lembrava-se dos amigos influentes, de jornalistas, de políticos, e cada vez que Pássaro Azul o visitava, ele implorava que procurasse essas pessoas. Pássaro Azul corria atrás, mas sequer era recebida. Quem daria ouvidos a uma negra que se dizia íntima de Rossmarc, o biólogo que cometera crimes de biopirataria? Na visita seguinte, Rossmarc indagava:

          — E dai, procurou aquela pessoa?

          Para não magoar o amado, ela respondia que todos estavam muito interessados em sua causa. Dizia, entretanto, sem entusiasmo, com os olhos acuados e baixos, para não ver o rosto magro e chupado de Rossmarc. Entregava-lhe o pouco dinheiro que economizava, fruto da prostituição, e saia de lá com os olhos rasos d’água, tolhendo os soluços.

          Numa noite no cabaré, Pássaro Azul conheceu um homem gordo e vesgo, que usava correntões de ouro. Dizia-se dono de um garimpo no meio da selva. Bebia e fumava muito, ria alto, com gargalhadas por vezes irritantes. Entre todas as raparigas, escolheu Pássaro Azul, que lhe fez todas as vontades, pervertendo-se de forma baixa e vil. Foram três noitadas intermináveis, mas Pássaro Azul aprendera a administrar a bebida. Não era tola, como as demais, que se embebedavam a ponto de caírem e serem arrastadas. Era carinhosa com o fazendeiro e saciava-lhe todos os caprichos. Não o abandonava, sentava em seu colo gordo e fazia-lhe agrados fingidos. Dava-lhe mais bebida e um composto de viagra, e o rosto gordo se avermelhava como de um leão enraivecido. Então, ela o puxava para o quarto sórdido. Na cama, enfrentava como guerreira o monte de carne e ossos, trepando sobre suas grandes papadas balofas e cavalgando, como uma guerreira. O homem resfolegava, gritava, gemia, uivava, mas Pássaro Azul não parava aquela louca cavalgada.

          [...]

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 217-218.)

    Nos processos de construção textual, muitas vezes, é possível inferir ações, eventos, significados, mesmo que não explicitados no texto. Pensando nisso, assinale a alternativa que indica corretamente o aspecto linguístico responsável pela inferência de que, no último parágrafo do texto, Pássaro Azul tem uma relação sexual com um homem:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c53e527-24
  • 6C4B5548-24

    Geografia

    Cartografia
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    A história narrada no Texto 7 versa sobre a doação e demarcação de terras na intenção de se construir um arraial. Nesse sentido, no processo de representação do terreno por meio de um mapa, carta ou planta, é necessário o uso da escala cartográfica, que consiste na relação entre as dimensões lineares do objeto ou fenômeno representado e suas correspondentes no terreno. Acerca da escala cartográfica, seu significado, bem como outros desdobramentos, marque a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c4b5548-24
  • 6C454ABB-24

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2015MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    The following statements are related to the idea of what love is. Choose a sentence which is closest to Text 7:
    Escolha uma alternativa para a questão 6c454abb-24
  • 6C413606-24

    Português

    Funções da Linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética.
    PUC-GO · 2015DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    No trecho extraído da obra Mesa dos inocentes, de Adelice da Silveira (Texto 7), podemos destacar várias expressões que revelam, ao mesmo tempo, elevado tom de humor e uma certa intromissão do narrador, o que caracteriza uma forma inteligente e divertida de prática do discurso indireto livre.

    Com base na assertiva acima, assinale a alternativa cujo recorte melhor a representa:

    Escolha uma alternativa para a questão 6c413606-24
  • 6C3D9668-24

    Matemática

    Aritmética e Problemas
    PUC-GO · 2015FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 7

          A gota que fez transbordar a caixa da paciência de vovó foi um casalzinho folgado. Cansada da algazarra, do som da sanfona, que por três dias e três noites vinha balançando os alicerces da Casa, vovó foi procurar refúgio na paz de seu quarto. Que paz que nada, ali também a festa rolava solta. Abismada, ela viu um casalzinho iniciando sua lua de mel, imaginem onde? Na cama de vovó! Pena que o urinol estivesse vazio. Furiosa, Ana Vitória pensou em apelar para o chicote. Depois seu pensamento voltou para os primeiros dias de seu casamento, lembrou-se da urgência que a fazia deixar tudo por fazer e ir atrás do marido no roçado. Viu a si mesma, viu os dois, ela e o marido, um casal corado e feliz se deitando debaixo de qualquer árvore. Dez meses após o casamento nasceu o primeiro filho, seguido de outros, um por ano. A leveza daquele início parecia tão distante, tão irreal. Uma lagrimazinha de saudade marejou seus olhos abatidos, rolou pela face cansada e foi morrer no peito murcho. Desanimada, ela pensou que nunca mais ia parar de ter filhos, de lavar bundinhas melecadas de cocô. Acabou deixando os pombinhos em paz, eles que aproveitassem a vida enquanto era possível. Mas avisou aos interessados que preferia perder um bom quinhão de suas terras a continuar convivendo com tamanha barafunda. Assim, a ideia remota da criação de um arraial foi posta em prática. Doações foram feitas e o terreno demarcado.

          As construções começaram a nascer com a rapidez dos cogumelos. Primeiro a igreja com a torre central, beiral duplo em madeira recortada em bicos. Paredes azuis, janelas brancas. Feinha a pobre igreja, mas nem por isso desprezada. Talvez sua maior virtude estivesse na singeleza, no aconchego. A igrejinha era o orgulho do povoado. Sobre o altar feito por um carpinteiro caprichoso, a imagem de um Cristo cansado, a cabeça pensa, o olhar vazio. Descascado, ensanguentado, provocava nos fieis uma piedade quase dolorosa. Foi nessa igreja que meus pais me apresentaram ao Nosso Criador.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 74-75.)

    Suponha que na construção da igreja do arraial mencionado no Texto 7 foram utilizados tijolos com dimensões de 30 cm x 20 cm x 15 cm. Sabendo-se que a igreja será construída em forma de paralelepípedo retangular de 20 metros de comprimento, 10 de largura e 4 de altura, desprezando-se a espessura da massa de assentamento dos tijolos e de modo a consumir a menor quantidade de tijolos, quantos tijolos foram necessários? Assinale a resposta correta):
    Escolha uma alternativa para a questão 6c3d9668-24