Questões do ENEM: Faculdade Cásper Líbero

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462 questões encontradas. Mostrando a página 7 de 24.

  • FEDBA38B-EF

    Atualidades

    Política
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    As tabelas a seguir trazem dados sobre a situação da governança na África, numa comparação entre 2006 e 2015, segundo o indicador da Fundação Ibrahim. Governança, tal qual é utilizada nessas tabelas, quer dizer: a oferta de bens políticos, sociais e econômicos que todo cidadão tem o direito de esperar das ações do Estado e que o Estado tem o dever de oferecer a seus cidadãos. O índice é construído a partir de quatro principais variáveis: estado de direito, direitos humanos, oportunidades econômicas e desenvolvimento humano. O sinal da tendência do índice indica melhora, quando positivo, ou piora, quando negativo.

    Imagem da questão de Atualidades, da prova de 2017


    Sobre os dados das tabelas, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fedba38b-ef
  • FECFB4B1-EF

    Geografia

    Crescimento
    Faculdade Cásper Líbero · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    O gráfico a seguir representa o tempo que, em países desenvolvidos, homens e mulheres passavam com seus filhos, de 1960 a 2000. Considera-se geralmente o cuidado com os filhos um indicador de trabalho doméstico. Portanto, o gráfico permite identificar a tendência histórica na divisão sexual do trabalho doméstico.


    Imagem da questão de Geografia, da prova de 2017
    Fonte: OCDE



    A análise do gráfico permite afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão fecfb4b1-ef
  • FEC66D88-EF

    História

    Guerra Fria e seus desdobramentos
    Faculdade Cásper Líbero · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    A charge ao lado foi publicada em 1962 e representa a chamada “Crise dos Mísseis” ocorrida entre União Soviética e Estados Unidos naquele mesmo ano. Na ilustração, ambos os países estão representados por seus líderes, respectivamente, Nikita Kruschev e John F. Kennedy.


    Imagem da questão de História, da prova de 2017
    Fonte: http://www.johndclare.net/cold_war16.htm | Acesso: 14/10/2017.



    Sobre a “Crise dos Mísseis”, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fec66d88-ef
  • FEBC43F9-EF

    História

    História Geral
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    A charge de Belmonte, ao lado, originalmente publicada em 1946, logo após o término da Segunda Guerra Mundial, mostra as figuras do presidente norte-americano Harry Truman e do líder soviético Joseph Stálin disputando uma partida de futebol em que a bola é o globo terrestre.


    Imagem da questão de História, da prova de 2017
    Fonte: BELMONTE. A Caricatura dos Tempos. São Paulo: Círculo do Livro, 1982, p. 109. | Acesso: 28/09/2016


    De maneira bem-humorada, a charge de Belmonte mostra que
    Escolha uma alternativa para a questão febc43f9-ef
  • FEAF8A3D-EF

    História

    História Geral
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Ondas de povo e milhares e milhares de seres, com o sofrimento gravado nas fisionomias, precipitavam-se pelas ruas, invadindo a Praça Vermelha. Chegou uma banda militar. E o som da “Internacional” fez com que todos, espontaneamente, começassem a cantar. O canto ergueu-se da multidão, como uma vaga que se alteasse sobre a água, em tom solene, majestoso. Da muralha do Kremlin, pendiam até o solo gigantescas bandeiras vermelhas, com inscrições em letras douradas e brancas: “Aos primeiros mártires da Revolução Social Universal!” “Viva a fraternidade dos trabalhadores do mundo inteiro!”.
    Fonte: REED, John. 10 Dias que Abalaram o Mundo. Porto Alegre: L&PM, 2009, p.314


    Em outubro de 1917, a facção Bolchevique do Partido Operário Social-Democrata Russo derrubou o governo provisório de Alexander Kerensky e assumiu o poder, impondo um novo tipo de governo. Assinale a alternativa que justifica a importância histórica desse acontecimento:
    Escolha uma alternativa para a questão feaf8a3d-ef
  • FEA5F1CF-EF

    História

    História Geral
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Em 1895, na Inglaterra, Charles Chaplin, sua mãe e seu irmão foram internados em um asilo público. Posteriormente, acerca dessa experiência, o artista escreveu:


    Claro que compreendíamos a vergonha que significava ir para o asilo, mas quando mamãe nos falou a respeito, Sydney e eu achamos que era uma grande asilo. Só então o desolado espanto da nova situação me atingiu; pois ali teríamos que nos separar, mamãe de um lado, para a seção de mulheres, e nós, para a seção das crianças.
    Fonte: CHAPLIN, Charles. Minha Vida. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2005, p. 47 A


    pesar do extraordinário desenvolvimento econômico promovido pela Revolução Industrial, da qual era pioneira, a Inglaterra do século XIX convivia ainda com os graves problemas sociais do pauperismo, do desemprego e da inadaptação ao sistema de trabalho fabril. Para lidar com eles, foram criadas instituições públicas como a que recebeu o menino Charles Chaplin e sua família. O objetivo de tais instituições era
    Escolha uma alternativa para a questão fea5f1cf-ef
  • FE9B2DB0-EF

    História

    Construção de Estados e o Absolutismo
    Faculdade Cásper Líbero · 2017Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Luís XIV da França (1638-1715) era conhecido e cultuado como o “Rei Sol”, como mostra esta peça decorativa que tem seu rosto no centro, e promoveu um intenso processo de concentração do poder. Qual era o regime político por meio do qual ele governava?


    Imagem da questão de História, da prova de 2017
    Fonte: https://goo.gl/MyWmzU | Acesso: 08/11/2017
    Escolha uma alternativa para a questão fe9b2db0-ef
  • FE8FDA50-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Sobre a divisão do foco narrativo em Mayombe, de Pepetela, é correto afirmar que ela
    Escolha uma alternativa para a questão fe8fda50-ef
  • FE774EF3-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Sobre Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fe774ef3-ef
  • FE61591B-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Pintor da soledade nos vestíbulos
    de mármore e losango, onde as colunas
    se deploram silentes, sem que as pombas
    venham trazer um pouco do seu ruflo;

    traça das finas torres consumidas
    no vazio mais branco e na insolvência
    de arquiteturas não arquitetadas,
    porque a plástica é vã, se não comove,

    ó criador de mitos que sufocam,
    desperdiçando a terra, e já recuam
    para a noite, e no charco se constelam,

    por teus condutos flui um sangue vago,
    e nas tuas pupilas, sob o tédio,
    é a vida um suspiro sem paixão.



    Sobre o poema “A tela contemplada”, presente em Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, reproduzido acima, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fe61591b-ef
  • FE5269D4-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sobre Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão fe5269d4-ef
  • FE45B9C7-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Assinale a opção que identifica corretamente a narrativa de Contos Novos, de Mario de Andrade, a que se refere o crítico Anatol Rosenfeld na seguinte afirmação: “Este conto magistral lança um clarão sobre as cisões e contradições que se manifestam numa sociedade em transição, ainda presa de padrões paternalistas, mas em vias de democratização, urbanização e industrialização”.
    Escolha uma alternativa para a questão fe45b9c7-ef
  • FE3C456F-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Sobre Contos novos, de Mario de Andrade, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fe3c456f-ef
  • FE33B9B4-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sobre Sagarana, de João Guimarães Rosa, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão fe33b9b4-ef
  • FE25CF0B-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos
    Sobre o conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, que integra Sagarana, de João Guimarães Rosa, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão fe25cf0b-ef
  • FE18EEA8-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    A propósito do “Delírio” do protagonista nas Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é correto afirmar que
    Escolha uma alternativa para a questão fe18eea8-ef
  • FE0F134F-EF

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Cásper Líbero · 2017FácilEntre para guardar nos favoritos
    Sobre a personagem Virgília, de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, é correto afirmar que o protagonista do romance
    Escolha uma alternativa para a questão fe0f134f-ef
  • FE05F454-EF

    Português

    Conjunções: Relação de causa e consequência
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que identifica corretamente a locução conjuntiva que tem o mesmo valor semântico de “à medida que” presente em: “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”.
    Escolha uma alternativa para a questão fe05f454-ef
  • FDF74163-EF

    Português

    Concordância verbal, Concordância nominal
    Faculdade Cásper Líbero · 2017MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia o texto a seguir e responda à questão:


    Quem são e o que querem os que negam a Internet?

    Nicholas Carr


        O Vale do Silício, conjunto monótono de centros comerciais, parques empresariais e complexos de fast-food, não parece um núcleo cultural, e, no entanto, se converteu exatamente nisso. Nos últimos 20 anos, a partir do exato momento em que a empresa de tecnologia norte-americana Netscape comercializou o navegador inventado pelo visionário inglês Tim Berners-Lee, o Silicon Valley tem remodelado os Estados Unidos e grande parte do mundo à sua imagem e semelhança. Provocou uma revolução na forma de trabalhar dos meios de comunicação, mudou a forma de conversar das pessoas e reescreveu as regras de realização, venda e valorização das obras de arte e outros trabalhos relacionados com o intelecto.

        De bom grado, a maioria das pessoas foi outorgando ao setor tecnológico um crescente poder sobre suas mentes e suas vidas. No fim das contas, os computadores e a Internet são úteis e divertidos, e os empresários e engenheiros se dedicaram a fundo para inventar novas maneiras de fazer com que desfrutemos dos prazeres, benefícios e vantagens práticas da revolução tecnológica, geralmente sem ter que pagar por esse privilégio. Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente. Cerca de dois bilhões levam consigo um smartphone a todos os lugares e costumam dar uma olhada no dispositivo a cada poucos minutos durante o tempo em que passam acordadas. Os números reforçam o que já sabemos: ansiamos pelas dádivas do Vale do Silício. Compramos no Amazon, viajamos com o Uber, dançamos com o Spotify e falamos por WhatsApp e Twitter.

        Mas as dúvidas sobre a chamada revolução digital têm crescido. A visão imaculada que as pessoas tinham do famoso vale tem ganhado uma sombra inclusive nos Estados Unidos, um país de apaixonados pelos equipamentos eletrônicos. Uma onda de artigos recentes, surgida após as revelações de Edward Snowden sobre a vigilância na Internet por parte dos serviços secretos, tem manchado a imagem positiva que os consumidores tinham do setor de informática. Dão a entender que, por trás da retórica sobre o empoderamento pessoal e a democratização, se esconde uma realidade que pode ser exploradora, manipuladora e até misantrópica.

        As investigações jornalísticas encontraram provas de que nos armazéns e escritórios do Amazon, assim como nas fábricas asiáticas de computadores, os trabalhadores enfrentam condições abusivas. Descobriu-se que o Facebook realiza experiências clandestinas para avaliar o efeito psicológico em seus usuários manipulando o “conteúdo emocional” das publicações e notícias sugeridas. As análises econômicas das chamadas empresas de serviços compartilhados, como Uber e Airbnb, indicam que, apesar de proporcionarem lucros a investidores privados, é possível que estejam empobrecendo as comunidades em que operam. Livros como The People’s Platform [A plataforma do povo], de Astra Taylor, publicado em 2014, mostram que com certeza a Internet está aprofundando as desigualdades econômicas e sociais, em vez de ajudar a reduzi-las.

        As incertezas políticas e econômicas ligadas aos efeitos do poder do Vale do Silício vão além, enquanto o impacto cultural dos meios de comunicação digitais se submete a uma severa reavaliação. Prestigiosos autores e intelectuais, entre eles o prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa e o romancista norte-americano Jonathan Franzen, apresentam a Internet como causa e sintoma da homogeneização e da trivialização da cultura. No início deste ano, o editor e crítico social Leon Wieseltier publicou no The New York Times uma enérgica condenação do “tecnologicismo”, em que sustentou que os “gangsteres” empresariais e os filisteus tecnológicos confiscaram a cultura. “À medida que aumenta a frequência da expressão, sua força diminui”, disse, e “o debate cultural está sendo absorvido sem parar pelo debate empresarial”.

        Também no plano pessoal estão se multiplicando as preocupações sobre a nossa obsessão com os dispositivos fornecedores de dados. Em vários estudos recentes, os cientistas começaram a relacionar algumas perdas de memória e empatia com o uso de computadores e da Internet, e estão encontrando novas provas que corroboram descobertas anteriores de que as distrações do mundo digital podem dificultar nossas percepções e julgamentos. Quando o trivial nos invade, parece que perdemos o controle do que é essencial. Em Reclaiming Conversation [Recuperando a conversa], seu controverso novo livro, Sherry Turkle, professora do Massachusetts Institute of Technology (MIT), mostra como uma excessiva dependência das redes sociais e dos sistemas de mensagens eletrônicas pode empobrecer as nossas conversas e até mesmo nossos relacionamentos. Substituímos a verdadeira intimidade por uma simulada.

        Quando examinamos mais de perto a crença do Vale do Silício, descobrimos sua incoerência básica. É uma filosofia quimérica que abrange um amálgama estranho de credos, incluindo a fé neoliberal no livre mercado, a confiança maoísta no coletivismo, a desconfiança libertária na sociedade e a crença evangélica em um paraíso a caminho. Mas o que realmente motiva o Vale do Silício tem muito pouco a ver com ideologia e quase tudo com a forma de pensar de um adolescente. A veneração do setor de tecnologia pela ruptura se assemelha ao desejo de um adolescente por destruir coisas, sem conserto, mesmo que as consequências sejam as piores possíveis.

        Portanto, não surpreende que cada vez mais pessoas contemplem com olhar crítico e cético o legado do setor. Apesar de proliferarem, os críticos continuam, no entanto, constituindo a minoria. A fé da sociedade na tecnologia como uma panaceia para os males sociais e individuais permanece firme, e continua a haver uma forte resistência a qualquer questionamento ao Vale do Silício e seus produtos. Ainda hoje se costuma descartar os opositores da revolução digital chamando-os de nostálgicos retrógrados ou os tachando de “antitecnologia”.

        Tais acusações mostram como está distorcida a visão predominante da tecnologia. Ao confundir seu avanço com o progresso social, sacrificamos nossa capacidade de ver claramente a tecnologia e de diferenciar os seus efeitos. No melhor dos casos, a inovação tecnológica nos possibilita novas ferramentas para ampliar nossas aptidões, concentrar nosso pensamento e exercitar a nossa criatividade; amplia as possibilidades humanas e o poder de ação individual. Mas, com frequência demais, as tecnologias promulgadas pelo Vale do Silício têm o efeito oposto. As ferramentas da era digital geram uma cultura de distração e dependência, uma subordinação irreflexiva que acaba por restringir os horizontes das pessoas, em vez de ampliá-los.

        Colocar em dúvida o Vale do Silício não é se opor à tecnologia. É pedir mais aos nossos tecnólogos, a nossas ferramentas, a nós mesmos. É situar a tecnologia no plano humano que corresponde a ela. Olhando retrospectivamente, nos equivocamos ao ceder tanto poder sobre nossa cultura e nossa vida cotidiana a um punhado de grandes empresas da Costa Oeste dos Estados Unidos. Chegou o momento de corrigir o erro.

    Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/23/tecnologia/1445612531_992107.html Publicado em 25/10/2015. Acesso em 06/11/2017 [Adaptado]

    Assinale a opção que identifica corretamente um caso de concordância verbal idêntico ao de: “Um bilhão de habitantes do planeta usam o Facebook diariamente”.
    Escolha uma alternativa para a questão fdf74163-ef