Português
- Morfologia - Verbos
- Prova de 2025
- UNESP
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: D2BF7CE0-11
Banco de questões
Use os filtros para chegar às questões que interessam. Cada resultado abre em uma página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

A quantidade de peças fabricadas nas duas filiais de uma empresa, no segundo semestre de um ano, consta no quadro 1.

Na produção de cada peça, as filiais usam processos diferentes. As principais matérias primas, aço e alumínio, são utilizadas em cada peça nas seguintes quantidades, em grama, mostradas no quadro 2.

A quantidade correta de alumínio, em grama (g), utilizada por essas duas filiais na produção de peças no segundo semestre foi de
Para planejar como ir ao trabalho amanhã, Paulo observou a previsão do tempo. Ele soube que há 20% de chance de chover. Caso chova, Paulo tem 90% de chance de ir de carro para o trabalho e, caso não chova, Paulo tem apenas 20% de chance de ir para o trabalho de carro.
A probabilidade de Paulo ir para o trabalho de carro amanhã é igual a
Um suco foi preparado conforme as especificações do produtor, ou seja, misturaram-se água e polpa de fruta em uma proporção de 3:2, respectivamente. No entanto, uma pessoa decidiu experimentar esse suco de forma mais concentrada, na proporção 1:1, entre água e polpa de fruta. Considerando-se que esse suco já está pronto, ela irá acrescentar mais polpa ao suco até atingir a proporção desejada.
Em relação à quantidade de polpa de fruta já existente no suco, é correto afirmar que o acréscimo percentual (%) dessa polpa que essa pessoa deverá fazer para atingir a proporção desejada é de
Durante o ano de 2024, foi feito um levantamento sobre a quantidade de multas de trânsito aplicadas pela Secretaria de Transportes de uma cidade. No primeiro trimestre, foram aplicadas, em média, 45 multas por mês. Nos meses de abril, maio e junho, foram aplicadas 35, 40 e 65 multas, respectivamente. No segundo semestre, o total de multas aplicadas foi de 205.
É correto afirmar que, no ano de 2024, a quantidade média de multas de trânsito por mês, aplicadas por essa Secretaria, foi igual a
Um inventor apresentou proposta de uma máquina térmica que opera em ciclos entre dois reservatórios: um a –33 °C e outro a 227 °C. Em cada ciclo, a máquina recebe 3,0 kJ de calor do reservatório quente.
É correto afirmar que o rendimento real da máquina apresentada
Um professor de Física levou um pedaço de rocha para uma aula e solicitou que seus alunos elaborassem estratégias para determinar a densidade do material. Um aluno propôs então o seguinte experimento:
Situação 1 - Verificar a indicação de uma balança de mola (dinamômetro) quando a rocha está suspensa no ar.
Situação 2 - Verificar a indicação do dinamômetro quando a rocha está completamente submersa em água.
As duas situações estão mostradas na figura a seguir.

Feito isso, foi verificado o valor de 22,5 N para a situação 1 e o valor de 12,5 N para a situação 2.
É correto afirmar que a densidade do material, em kg/m³, encontrada no experimento foi de

Um estudante do curso de Química prepara 300 mL de uma solução aquosa de NaOH com concentração igual a 0,05 mol•L⁻¹. Para realizar um experimento, ele transfere 50 mL dessa solução para um béquer. No entanto, o béquer permanece aberto na bancada por vários dias e parte da água evapora, reduzindo o volume para 12 mL.
Considerando-se o completo dissociamento do NaOH e que apenas a água evapora, a massa de NaOH utilizada na preparação da solução inicial, o pH da solução preparada e o pH da solução após a evaporação são, respectivamente,
Dados: log 7 = 0,85, log 5 = 0,69, log 3 = 0,48 e log 2 = 0,30

Um estudante em um laboratório de química analisou duas amostras com massas conhecidas de zinco em pó e carvão em pó denominadas como amostra 1 e amostra 2, respectivamente. O objetivo do experimento foi observar a inflamabilidade dos materiais na exposição ao ar e ao fogo, mensurando as massas antes e depois da queima. Para a amostra 1, o estudante observou que o zinco metálico em pó, após exposto ao oxigênio do ar, inflamou-se gerando um produto com massa maior ao da amostra inicial. Já para a amostra 2, o estudante observou que o carvão em pó se inflamou após ser exposto à chama, gerando um produto com massa menor ao da amostra inicial.
Baseando-se nas leis que regem as reações químicas, uma conclusão formulada corretamente pelo estudante está indicada em:
A figura seguinte representa, de forma esquemática, as características herdadas e adquiridas ao longo do tempo evolutivo, por diferentes espécies de hominídeos, demonstrando as relações evolutivas estabelecidas entre elas.

Fonte: COYNE, Jerry A. Por que a evolução é uma verdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
De acordo com os dados apresentados e com os conceitos relacionados à evolução e sistemática filogenética, é correto afirmar que
A Prefeitura de São Vicente abriu inscrições para o 6º Mutirão do Implanon, voltado a adolescentes de 15 a 17 anos da rede pública de ensino. Serão atendidas 250 jovens, com atividades educativas sobre contracepção e prevenção de infecções. O Implanon é uma pequena haste inserida sob a pele do braço que libera continuamente etonogestrel, um derivado da progesterona, e apresenta alta eficácia na prevenção da gravidez.
Fonte: G1 SANTOS. Prefeitura de São Vicente abre inscrições para mutirão do Implanon. São Vicente, 15 set. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/santos. Acesso em: 15 set. 2025.
É correto afirmar que o mecanismo fisiológico por meio do qual o Implanon impede a gravidez ocorre pelo(a)
A ditadura civil-militar, instalada no Brasil no período de 1964 a 1985, criou uma série de medidas para reprimir e censurar todas as pessoas que se opunham ao regime autoritário.
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre as medidas de repressão e censura, adotadas pela referida ditadura.
( ) O Ato Institucional nº 2: extinguiu o pluripartidarismo e estabeleceu eleição indireta para os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República.
( ) O Ato Institucional nº 1: permitiu aos tomadores do poder cassar mandatos legislativos e suspender direitos políticos de várias personalidades da vida pública brasileira.
( ) A Lei de Anistia: concedeu redução de pena aos presos, perseguidos e exilados políticos e condenou todos os agentes do Estado, responsáveis pela prática de tortura e assassinato.
( ) A Lei de Imprensa: impôs a censura a jornais, espetáculos, cinema, rádio e televisão, considerando criminosas publicações que atentassem contra a moral e os bons costumes.
( ) O Ato Institucional nº 5: suspendeu a garantia de habeas corpus, isto é, de proteção ao direito fundamental da liberdade de locomoção, permitindo que qualquer pessoa fosse presa sem direito de defesa.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Para Delumeau (2018, p. 107) “quando as nações da Europa se afirmavam ao mesmo tempo que o princípio e a realidade da monarquia absoluta, quando viagens e conquistas ultramarinas transformavam as correntes e o ritmo da economia, quando a arte e a cultura, graças a uma Antiguidade melhor conhecida, mas também a uma atenção maior ao mundo exterior e a técnicas mais infalíveis, se orientavam por novos caminhos, como é que a mutação geral de uma sociedade mais ativa, mais urbanizada, mais instruída, mais laica do que nos séculos XII e XIII, iria deixar de atingir a própria religião – uma religião que abrangia toda a vida cotidiana e que penetrava no coração de cada um?”
DELUMEAU, Jean. A civilização do renascimento. Tradução Pedro Elói Duarte. Lisboa: Edições 70, 2018, p. 107.
A sequência que apresenta corretamente os processos históricos, aos quais se referem as transformações mencionadas no texto, está indicada em
Leia o texto.
Harry had the best morning he’d had in a long time. Harry was careful to walk a little way apart from the Dursleys so that Dudley and Piers, [as] they were starting to get bored with the animals by lunchtime, wouldn‘t fall back on Dudley and Piers‘ favorite hobby of hitting Harry. Harry and the Dursleys ate in the zoo restaurant, and when Dudley had a tantrum because his knickerbocker glory didn‘t have enough ice cream on top, Uncle Vernon bought Dudley another knickerbocker glory and Harry was allowed to finish the first. Harry felt, afterward, that he should have known the joy was all too good to last. After lunch Harry and the Durlseys went to the reptile house. The reptile house was cool and dark, with lit windows all along the walls. Behind the glass, all sorts of lizards and snakes were crawling and slithering over bits of wood and stone. Dudley and Piers wanted to see huge, poisonous cobras and thick, man-crushing pythons. Dudley quickly found the largest snake in the place. It could have wrapped its body twice around Uncle Vernon‘s car and crushed the car into a trash can – but at the moment the largest snake in the place didn‘t look in the mood. In fact, the largest snake in the place was fast asleep.
Disponível em: https://www.sjsu.edu/writingcenter/docs/handouts/Pronouns.pdf/. Acesso em 9 set. 2025. Adaptado.
É correto afirmar que os pronomes e adjetivos destacados se referem, respectivamente, aLeia o texto.
Leaving home
Going away to university is always a tricky time, both for the students who are leaving home and their parents who are staying behind. We got advice on how to cope from a student daughter and her dad.
A daughter's advice to parents, by Kerry Price
My parents drove me to uni at the beginning of the first term. That was great, but then they hung around, so it was hard to chat to the people in the rooms near mine. It's best if you leave us to unpack ourselves.
Don't ask us to come home during term time. There's a lot going on at weekends, there just isn't time.
Get another interest or a pet if you feel lonely without us. Don't make us feel guilty about leaving home!
It is quite interesting to hear about your experiences at uni, but remember that it was a LONG time ago so don’t go on about it so much. Things have changed a lot. Now we have a lot more debt and it'll be harder to find a job in the future.
Please don't check up on us or our friends on social media. We have the right to some privacy.
Don't change anything in our bedrooms. We have only half left home - we'll be back in the holidays, so please don't touch anything.
We'd still like to come on family holidays with you. Don't forget to include us just because we're not there all the time.
A father's advice to students, by Stuart Price
Don't complain so much about how much work you have to do. We work a lot too. You're an adult now, get used to it.
Put up with the fact that we refused to get a dog while you were at home, then suddenly bought one as soon as you moved out. We miss you!
Just because you're at university studying very complex subjects, it doesn't mean that you're more intelligent than everybody else. Don't treat your family as if they were stupid; we're really not.
Let us come and visit you now and again. We promise to try not to embarrass you in front of your friends. We just want to see you for a short time and take you out for a meal.
Don't waste so much time on social media. You need time for all that work you have to do, remember?
We might make a few changes to your room, so deal with it. It's great to have a guest room at last, but we won't change things too much, promise.
Don't forget to call home from time to time and don't get annoyed if we phone you. It's not pestering. If we didn't call, you wouldn’t know that we care.
Disponível em: https://learnenglishteens.britishcouncil.org/skills/reading/b2-reading/leaving-home/. Acesso em 10 set. 2025. Adaptado.
De acordo com o texto, é correto afirmar que
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.
O táxi
Gonçalo M. Tavares
Uma mulher levanta o braço. Está no passeio. Não tem pressa, mas levanta o braço e acena com a mão. O táxi não para. Está vazio, mas não para.
A mulher veste calças elegantes, castanhas. Tem um lenço ao pescoço.
De novo, vemos a sua mão levantada a acenar. Outro táxi que não para.
A mulher está a sorrir. É bonita. Levanta o braço de novo. Estamos sempre a vê-la, a ver o seu entusiasmo sorridente. Mas não, de novo o táxi não para. Também vazio, mas não para.
O plano agora abre-se mais. Vemos a mulher, sim, as suas calças elegantes castanhas. E, junto aos seus pés, um corpo inerte; provavelmente morto.
TAVARES, Gonçalo M. Short Movies. Porto Alegre: Dublinense, 2015. (e-book).
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.
Os Sapos
Manuel Bandeira
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
— “Meu pai foi à guerra!”
— “Não foi!” — “Foi!” — “Não foil!?.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: — “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
[...]
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo cururu
Da beira do rio...
Disponível em: https://www.escritas.org/PT/t/4814/os-sapos. Acesso em: 11 set. 2025.
É correto afirmar que, nesse poema, Manuel Bandeira critica os poetas parnasianos pelo(a)A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.
Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos
Julián Fuks
Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.
A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.
Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.
De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.
Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.
E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim.
Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.
“Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia"
É correto afirmar que, em relação à oração principal, a oração em destaque exerce função sintática de oração subordinada substantiva
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.
Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos
Julián Fuks
Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.
A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.
Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.
De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.
Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.
E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim.
Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.
É correto afirmar que, ao discorrer sobre a ilusão de uma felicidade duradoura, Julián Fuks defende a