Questões do ENEM 2016

Questões aplicadas na prova de 2016, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

1.504 questões encontradas. Mostrando a página 58 de 76.

  • D18F09E1-E4

    Inglês

    Tradução | Translation
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    Arandir — Posso ir?

    Comissário Barros — Pode.

    Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

    Cunha — Um minutinho.

    Arandir (incerto) — Comigo?

    Cunha — Um momento.

    Barros — Já prestou declarações.

    Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

    Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

    Amado — Senta.

    Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

    Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

    Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

    Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

    Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

    Cunha — Não te mete.

    (Arandir ergue-se, sôfrego.)

    Arandir — Posso telefonar?

    Cunha — Mais tarde.

    (Amado cutuca o fotógrafo.)

    Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

    Arandir — Retrato?

    Amado — Nervoso, rapaz?

    (Arandir senta-se, une os joelhos.)

    Arandir — Absolutamente!

    Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

    — Você é casado, rapaz?

    Arandir — Não ouvi.

    Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

    Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

    Arandir — Casado.

    Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

    Barros — Eu sabia.

    Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

    Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

    (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

    Arandir — Naturalmente!

    Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

    Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

    Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

    Arandir — Bem. Fui lá e...

    Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

    Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

    Cunha (alto) — Joia!

    Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

    Amado — Casado há quanto tempo?

    Arandir — Eu?

    Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

    ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

    Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

    Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

    Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

    Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

    Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

    In English there are different ways to say “Completamente nua” (Text 6). Read the sentences below and choose the one or ones which has or have the same idea:

    I - Someone is completely naked.

    II - Someone has nothing on.

    III - Someone doesn’t have anything on.

    IV - Someone ran through the yard with nothing on.

    The correct choice is:

    Escolha uma alternativa para a questão d18f09e1-e4
  • D1873702-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 6

    Arandir — Posso ir?

    Comissário Barros — Pode.

    Arandir (recuando, com sofrida humildade) — Então, boa tarde, boa tarde.

    Cunha — Um minutinho.

    Arandir (incerto) — Comigo?

    Cunha — Um momento.

    Barros — Já prestou declarações.

    Cunha (entre divertido e ameaçador) — Sei. Agora vai conversar comigo.

    Aruba (baixo e veemente para Arandir) — O delegado.

    Amado — Senta.

    Arandir (sentindo a pressão de novo ambiente) — Mas é que eu estou com um pouquinho de pressa. (Arandir começa a ter medo. Ele próprio não sabe de quê.)

    Cunha (com o riso ofegante) — Rapaz, a polícia não tem pressa.

    Amado — Mas senta. (Arandir olha em torno, como um bicho apavorado. Senta-se, finalmente.)

    Arandir (sem ter de quê) — Obrigado.

    Barros (baixo e reverente, para o delegado) — Ele é apenas testemunha.

    Cunha — Não te mete.

    (Arandir ergue-se, sôfrego.)

    Arandir — Posso telefonar?

    Cunha — Mais tarde.

    (Amado cutuca o fotógrafo.)

    Amado — Bate agora! (flash estoura. Arandir toma um choque.)

    Arandir — Retrato?

    Amado — Nervoso, rapaz?

    (Arandir senta-se, une os joelhos.)

    Arandir — Absolutamente!

    Cunha (lançando a pergunta como uma chicotada)

    — Você é casado, rapaz?

    Arandir — Não ouvi.

    Cunha (num berro) — Tira a cera dos ouvidos!

    Amado (inclinando-se para o rapaz) — Casado ou solteiro?

    Arandir — Casado.

    Cunha — Casado. Muito bem. (vira-se para Amado, com segunda intenção) O homem é casado. (para o Comissário Barros) Casado.

    Barros — Eu sabia.

    Arandir (com sofrida humildade) — O senhor deixa dar um telefonema rápido para minha mulher?

    Cunha (rápido e incisivo) — Gosta de sua mulher, rapaz?

    (Arandir, por um momento, acompanha o movimento do fotógrafo que se prepara para bater uma nova fotografia.)

    Arandir — Naturalmente!

    Cunha (com agressividade policial) — E não usa nada no dedo, por quê?

    Arandir (atarantado) — Um dia, no banheiro, caiu. Caiu a aliança. No ralo do banheiro.

    Amado — O que é que você estava fazendo na praça da Bandeira?

    Arandir — Bem. Fui lá e...

    Cunha (num berro) — Não gagueja, rapaz!

    Arandir (falando rápido) — Fui levar uma joia.

    Cunha (alto) — Joia!

    Arandir — Joia. Aliás, empenhar uma joia na Caixa Econômica. (Amado e Cunha cruzam as perguntas para confundir e levar Arandir ao desespero.)

    Amado — Casado há quanto tempo?

    Arandir — Eu?

    Cunha — Gosta de mulher, rapaz?

    ARANDIR (desesperado) — Quase um ano!

    Cunha (mais forte) — Gosta de mulher?

    Arandir (quase chorando) — Casado há um ano. (Cunha muda de voz, sem transição. Põe a mão no joelho do rapaz.)

    Cunha (caricioso e ignóbil) — Escuta. O que significa para ti. Sim, o que significa para “você” uma mulher!?

    Arandir (lento e olhando em torno) — Mas eu estou preso?

    Cunha (sem ouvi-lo e sempre melífluo) — Rapaz, escuta! Uma hipótese. Se aparecesse, aqui, agora, uma mulher, uma “boa”. Nua. Completamente nua. Qual seria. É uma curiosidade. Seria a tua reação? (Arandir olha, ora o Cunha, ora o Amado. Silêncio.)

    (RODRIGUES, Nelson. O beijo no asfalto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. p. 23-27.)

    No Texto 6, o personagem Cunha enuncia as seguintes sentenças em momentos distintos: “gosta de sua mulher, rapaz?” e “gosta de mulher, rapaz?” Assinale a alternativa que manifesta, respectivamente, o pressuposto correto extraído de cada uma delas:
    Escolha uma alternativa para a questão d1873702-e4
  • D181BF30-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

    É com certa sabedoria que se diz: pelos olhos se conhece uma pessoa. Bem, há olhares de todos os tipos — dos dissimulados aos da cobiça, seja pelo vil metal ou pelo sexo.

    Garimpeiro se conhece pelos olhos. Olhos de febre, que flamejam e reluzem. Há, em suas pupilas, o ouro. O brilho dourado tatua a íris. Trata-se apenas de um reflexo de sua alma e daquilo que corre em suas veias. É um vírus. A princípio, um sonho distante, mas, ao correr dos dias, torna-se uma angustiante busca. Na primeira vez que o ouro fagulha na sua frente, na bateia, toda a alma se contamina e o vírus se transforma em doença incurável.

    Todos, no garimpo, têm histórias semelhantes. Têm família, filhos, empregos em suas cidades, nos distantes estados, mas, de repente, espalha-se a notícia do ouro. Então, largam tudo, vendem a roupa do corpo e lá se vão. Caçar o rastro do ouro é a sina. Nos olhos, a febre — um brilho dourado doentio. Sim, é fácil conhecer um garimpeiro.

    Todos sabem que, no garimpo, não é lugar para se viver. Mas ninguém abandona o seu posto. Suor, lama, pedregulhos, pepitas douradas, cansaço — é a vida que até o diabo rejeita.

    Por onde passam, o rastro da destruição. A  Amazônia é nossa. Tratores e retroescavadeiras derrubam e limpam a floresta; as dragas chegam, os rios se contaminam rapidamente de mercúrio. Quem pode mais chora menos. Na trilha do brilho dourado, nada se preserva. Ai daqueles que levantarem alguma voz... No dia seguinte, o corpo é encontrado no meio da selva, um bom prato aos bichos.

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 5-6. Adaptado.)

    O Texto 5 abre o longo romance Sangue verde e cumpre a função de apresentar a visão do narrador sobre o garimpeiro – um dos inúmeros tipos que comporão o enredo – e os efeitos de sua ação sobre o meio ambiente, no caso, a Floresta Amazônica. Nesse fragmento instaura-se o espaço narrativo como elemento mobilizador de todos os conflitos da trama, e confirma-se a crítica do autor à exploração do meio pelo homem, mediante o uso da ironia. Assinale dentre as alternativas a seguir, que apresenta uma passagem do texto em que isso fica mais evidente:
    Escolha uma alternativa para a questão d181bf30-e4
  • D16EB2A8-E4

    Português

    Figuras de Linguagem
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 5

    É com certa sabedoria que se diz: pelos olhos se conhece uma pessoa. Bem, há olhares de todos os tipos — dos dissimulados aos da cobiça, seja pelo vil metal ou pelo sexo.

    Garimpeiro se conhece pelos olhos. Olhos de febre, que flamejam e reluzem. Há, em suas pupilas, o ouro. O brilho dourado tatua a íris. Trata-se apenas de um reflexo de sua alma e daquilo que corre em suas veias. É um vírus. A princípio, um sonho distante, mas, ao correr dos dias, torna-se uma angustiante busca. Na primeira vez que o ouro fagulha na sua frente, na bateia, toda a alma se contamina e o vírus se transforma em doença incurável.

    Todos, no garimpo, têm histórias semelhantes. Têm família, filhos, empregos em suas cidades, nos distantes estados, mas, de repente, espalha-se a notícia do ouro. Então, largam tudo, vendem a roupa do corpo e lá se vão. Caçar o rastro do ouro é a sina. Nos olhos, a febre — um brilho dourado doentio. Sim, é fácil conhecer um garimpeiro.

    Todos sabem que, no garimpo, não é lugar para se viver. Mas ninguém abandona o seu posto. Suor, lama, pedregulhos, pepitas douradas, cansaço — é a vida que até o diabo rejeita.

    Por onde passam, o rastro da destruição. A  Amazônia é nossa. Tratores e retroescavadeiras derrubam e limpam a floresta; as dragas chegam, os rios se contaminam rapidamente de mercúrio. Quem pode mais chora menos. Na trilha do brilho dourado, nada se preserva. Ai daqueles que levantarem alguma voz... No dia seguinte, o corpo é encontrado no meio da selva, um bom prato aos bichos.

    (GONÇALVES, David. Sangue verde. Joinville: Sucesso Pocket, 2014. p. 5-6. Adaptado.)

    Assinale a alternativa que apresenta uma metáfora reveladora do posicionamento contrário do narrador em relação à prática do garimpo na Amazônia:
    Escolha uma alternativa para a questão d16eb2a8-e4
  • D1695397-E4

    Português

    Denotação e Conotação
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    O Texto 4, fragmento do romance Mesa dos inocentes, confirma a ideia de que o texto literário é um objeto de linguagem cuja função é confrontar o leitor com o mundo engendrado na obra. Para mobilizar o leitor de ficção, há comumente um investimento do autor no aspecto conotativo da linguagem. Identifique, a seguir, os itens que confirmam esse aspecto:
    I - “O rio recusou meu corpo, mas não a dor” .
    II - “Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite”.
    III - “O rio de nossa vida não é diferente”.
    IV - “Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas”.

    Marque a alternativa em que todos os itens estão corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d1695397-e4
  • D1632B34-E4

    Inglês

    Vocabulário | Vocabulary
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    In Barros’s paragraph, there is a lot of emphasis on liquidity, that is, the state of being liquid. For example, tear, water, river. Read the sentences below:

    I - There are lots of water lilies on the surface of river and lakes.

    II - The village is famous for its spectacular waterfalls.

    III - Can you tell me where the water fountain is? I am thirsty.

    IV - According to authorities, the water supply for the summer will be normal.

    Choose the ones which are related to this state. The best alternative is:

    Escolha uma alternativa para a questão d1632b34-e4
  • D15A8A09-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 4

    Não desejei a morte de minha filha. Ou desejei? Aí é que reside a dúvida, é onde habita o nó que nada nem ninguém no mundo tem o poder de desatar. O inconsciente, desculpe-me a vulgaridade do termo, minha filha, é uma merda. Sendo autônomo, o inconsciente age por si, sem pedir licença nem se revelar. Desejei ou não a morte de minha filha, hein? Você pode responder a essa pergunta? Alguém pode? Eu não posso. Busquei na fonte a resposta e ela não veio. Como minha filha havia feito, busquei nas águas do Cristal a cura imediata para uma dor que parecia infinda. A ferida tinha sido cavada pelas águas, então elas que tratassem de cicatrizá-la. O rio recusou meu corpo, mas não a dor. Nem o aconselhamento. Pediu tempo, apenas. Permaneci plantada no barranco, juntando ao seu caudal minhas lágrimas secas. Disseram que eu tinha enlouquecido, talvez tivesse mesmo. Em diálogo profundo, as águas me fizeram compreender verdades para as quais eu nunca havia me atinado. Todo rio tem seu leito, suas margens, seu limite, toda vez que ele avança além de seu leito original provoca estragos, descalabros. O rio de nossa vida não é diferente. Ele também está sujeito a limitações intransponíveis. Existe você e você; seu campo de visão, a capacidade de administrar o próprio caudal. Tem a hora de abrir e a hora de fechar as comportas. Felicidade ou dor, a escolha é sua, depende do grau de intensidade que você der a cada coisa. Hoje posso dizer que me conheço um pouquinho, mesmo assim, perguntas continuam sem resposta.

    (BARROS, Adelice da Silveira. Mesa dos inocentes. Goiânia: Kelps, 2010. p. 23.)

    Em determinado momento do Texto 4, a narrativa ganha contornos argumentativos visíveis quando o enunciador (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15a8a09-e4
  • D15246D9-E4

    Português

    Gêneros Textuais
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    Sobre o texto “Escalada para o inferno” (Texto 3), é correto afirmar que se trata de (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d15246d9-e4
  • D14CF90E-E4

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    In Text 3, at the begining of the paragraph, the narrator says “Iniciava-se ali, meu estágio no inferno” and finishes it with “ia se encerrar meu estágio no inferno. Choose the best definition for the underlined words:
    Escolha uma alternativa para a questão d14cf90e-e4
  • D14539A0-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 3

                              Escalada para o inferno

    Iniciava-se ali, meu estágio no inferno. A ardida solidão corroía cada passo que eu dava. Via crucis vivida aos seis anos de idade, ao sol das duas horas. Vermelhidão por todos os lados daquela rua íngreme e poeirenta. Meus olhos pediam socorro mas só encontravam uma infinitude de terra e desolação. Tentava acompanhar os passos de meu pai. E eles eram enormes. Não só os passos mas as pernas. Meus olhos olhavam duplamente: para os passos e para as pernas e não alcançavam nem um nem outro. Apenas se defrontavam com um vazio empoeirado que entrava no meu ser inteiro. Eu queria chorar mas tinha medo. Tropeçava a cada tentativa de correr para alcançar meu pai. E eu tinha medo de ter medo. E eu tinha medo de chorar. E era um sofrimento com todos os vórtices de agonia. À minha frente, até onde meus olhos conseguiram enxergar, estavam os pés e as pernas de meu pai que iam firmes subindo subindo subindo sem cessar. À minha volta eu podia ver e sentir a terra vermelha e minha vida envolta num turbilhão de desespero. Na verdade eu não sabia muito bem para onde estava indo. Eu era bestializado nos meus próprios passos. Nas minhas próprias pernas. Tinha a impressão que o ponto de chegada era aquele redemoinho em que me encontrava e que dele nunca mais sairia. Na ânsia de ir sem querer ir eu gaguejava no caminhar. E olhava com sofreguidão para os meus pés e via ainda com mais aflição que os bicos de meus sapatos novos estavam sujos daquela poeira impregnante, vasculhante, suja. Eu sempre gostei de sapatos. Eu sempre gostei de sapatos novos. Novos e luzidios. E eles estavam sujos. Cobertos de poeira. E a subida prosseguia inalterada. Tentava olhar para o alto e só conseguia ver os enormes joelhos de meu pai que dobravam num ritmo compassado. Via suas pernas e seus pés. E só. Sentia, lá no fundo, um desejo calado de dizer alguma coisa. De dizer-lhe que parasse. Que fosse mais devagar. Que me amparasse. Mas esse desejo era um calo na minha pequenina garganta que jamais seria curado. E eu prossegui ao extremo de meus limites. Tinha de acontecer: desamarrou o cadarço de meu sapato. A loucura do sol das duas horas parece ter se engraçado pelo meu desatino. Tudo ficou muito mais quente. Tudo ficou mais empoeirado e muito mais vermelho. O desatino me levou ao choro. Não sei se chorei ou se choraminguei. Só sei que dei índices de que eu precisava de meu pai. E ele atendeu. Voltou-se para mim e viu que estava pisando no cadarço. Que estava prestes a cair. Então me socorreu. Olhou-me nos olhos com a expressão casmurra. Levou suas enormes mãos aos meus pés e amarrou o cadarço firmemente com um intrincado nó. A cena me levou a um estado de cegueira anestésica tão intensa que sofri uma espécie de amnésia passageira. Estado de torpor. Quando dei por mim, já tinha chegado ao meu destino: cadeira do barbeiro. Alta, prepotente e giratória. Ele, o barbeiro, cabeça enorme, mãos enormes, enormes unhas, sorriso nos lábios dos quais surgiam grandes caninos. Ele portava enorme máquina que apontava em minha direção. E ouvi a voz do pai: pode tirar quase tudo! deixa só um pouco em cima! Ali, finalmente, para lembrar Rimbaud, ia se encerrar meu estágio no inferno.

    (GONÇALVES, Aguinaldo. Das estampas. São Paulo: Nankin, 2013. p. 45-46.)

    Que aspecto linguístico é responsável por criar, no Texto 3, uma atmosfera dramática e misteriosa? Assinale a alternativa correta:
    Escolha uma alternativa para a questão d14539a0-e4
  • D1428330-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

    A poesia é uma expressão artística que permite associar imagens, palavras e ritmos. Sobre ela, podemos afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d1428330-e4
  • D13811A2-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)


    As palavras “decifrar” e “saber” presentes no Texto 2 com o sentido de descobrir caminhos que o homem deve tomar relembram o drama de Alice no país das maravilhas, sobre o qual René Dubos, professor de Biomedicina Ambiental, propõe algumas reflexões acerca da ciência e seus valores. O fragmento a seguir mostra que, para o professor, as respostas do Gato Cheshire evidenciam que os cientistas não sabem para onde o conhecimento está levando a humanidade.

    “Lewis Carroll era professor de matemática na Universidade de Oxford quando escreveu o seguinte em Alice no país das maravilhas:

    ‘– Gato Cheshire... quer fazer o favor de me dizer qual é o caminho que eu devo tomar?

    – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato.

    – Não me interessa muito para onde... – disse Alice.

    – Não tem importância então o caminho que você tomar – disse o Gato.

    – ... contanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como uma explicação.

    – Ah, disso pode ter certeza – disse o Gato – desde que caminhe bastante.’”

    (ARANHA, Maria Lúcia A.; MARTINS, Maria Helena P. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009, p. 342.)


    Diz-se que a ciência não pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são intelectuais e não éticos. Porém, ela pode contribuir para a formulação de valores e, assim, estabelecer objetivos capazes de tornar o homem mais consciente das consequências de seus atos. A respeito das relações entre o fragmento de Lewis Carroll e as considerações do professor René Dubos, analise as afirmativas a seguir:

    I - A resposta dada pelo Gato Cheshire a Alice já enfatiza a importância de se chegar a um determinado lugar, pois o essencial na busca do conhecimento não são os valores e sim o fim último.

    II - A resposta do Gato aponta para uma reflexão: Alice precisa chegar a algum lugar, mas esse lugar pode ser indesejável. Portanto, ela deve fazer escolhas conscientes, para que esse lugar seja pelo menos desejável.

    III - Afirma-se que a ciência pode oferecer objetivos sociais porque os seus valores são éticos. Logo, todas as escolhas que Alice faz na busca de um caminho são pensadas e analisadas a fim de que esse caminho seja ético e justo; esse é o objetivo final da garota.

    IV - Na conversa entre Alice e o Gato está implícita a observação de que a menina chegaria a algum lugar se caminhasse bastante. Logo, a ciência não é um saber neutro, desinteressado, puramente intelectual, à margem do questionamento social e político acerca dos fins de suas pesquisas.

    Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
    Escolha uma alternativa para a questão d13811a2-e4
  • D132A003-E4

    Português

    Flexão verbal de modo (indicativo, subjuntivo, imperativo)
    PUC-GO · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 2

                                    O milagre de viajar

    Quisera eu, então, decifrar

    os dias repletos de sombras moventes,

    à exaltação do que, insalubre, vaga

    pelos olhos dos homens.


    Quisera, enfim,

    saber por que das causas e quilhas

    de barco nenhum

    flui das tinas

    dos dias

    o fumo

    o rum(o)


    do que se foi e nunca mais será,

    como da via o milagre

    de viajar!

    (VIEIRA, Delermando. Os tambores da tempestade. Goiânia: Poligráfica, 2010. p. 142.)

    Sobre o uso da forma verbal “quisera”, no Texto 2, é correto afirmar que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d132a003-e4
  • D11ADC4E-E4

    Português

    Interpretação de Textos
    PUC-GO · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO 1

    Democracia

    Punhos de redes embalaram o meu canto

    para adoçar o meu país, ó Whitman.

    Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-                                                                                

                                                         [olhados,

    catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,

    carumã me alimentou quando eu era criança,

    Mãe-negra me contou histórias de bicho,

    moleque me ensinou safadezas,

    massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,

    bebi cachaça com caju para limpar-me,

    tive maleita, catapora e ínguas,

    bicho-de-pé, saudade, poesia;

    fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,

    dizendo coisas, brincando com as crioulas,

    vendo espíritos, abusões, mães-d’água,

    conversando com os malucos, conversando sozinho,

    emprenhando tudo que encontrava,

    abraçando as cobras pelos matos,

    me misturando, me sumindo, me acabando,

    para salvar a minha alma benzida

    e meu corpo pintado de urucu,

    tatuado de cruzes de corações, de mãos-ligadas,

    de nomes de amor em todas as línguas de branco, de                                                          

                                                     [mouro ou de pagão.

    (LIMA, Jorge de. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2006. p. 74.)

    O título “Democracia”, do Texto 1, deve-se ao fato de que (assinale a alternativa correta):
    Escolha uma alternativa para a questão d11adc4e-e4
  • FFA35B8D-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

    Mas o pecado maior contra a Civilização e o Progresso, contra o Bom Senso e o Bom Gosto e até os Bons Costumes, que estaria sendo cometido pelo grupo de regionalistas a quem se deve a ideia ou a organização deste Congresso, estaria em procurar reanimar não só a arte arcaica dos quitutes finos e caros em que se esmeraram, nas velhas casas patriarcais, algumas senhoras das mais ilustres famílias da região, e que está sendo esquecida pelos doces dos confeiteiros franceses e italianos, como a arte - popular como a do barro, a do cesto, a da palha de Ouricuri, a de piaçava, a dos cachimbos e dos santos de pau, a das esteiras, a dos ex-votos, a das redes, a das rendas e bicos, a dos brinquedos de meninos feitos de sabugo de milho, de canudo de mamão, de lata de doce de goiaba, de quenga de coco, de cabaça - que é, no Nordeste, o preparado do doce, do bolo, do quitute de tabuleiro, feito por mãos negras e pardas com uma perícia que iguala, e às vezes excede, a das sinhás brancas.

    Gilberto Freyre. Manifesto regionalista (7ª ed.). Recife: FUNDAJ, Ed. Massangana, 1996.

    De acordo com o texto de Gilberto Freyre, o Manifesto regionalista, publicado em 1926,

    Escolha uma alternativa para a questão ffa35b8d-e1
  • FF8AE2D7-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

        A study carried out by Lauren Sherman of the University of California and her colleagues investigated how use of the “like” button in social media affects the brains of teenagers lying in body scanners.

        Thirty-two teens who had Instagram accounts were asked to lie down in a functional magnetic resonance imaging (fMRI) scanner. This let Dr. Sherman monitor their brain activity while they were perusing both their own Instagram photos and photos that they were told had been added by other teenagers in the experiment. In reality, Dr. Sherman had collected all the other photos, which included neutral images of food and friends as well as many depicting risky behaviours like drinking, smoking and drug use, from other peoples’ Instagram accounts. The researchers told participants they were viewing photographs that 50 other teenagers had already seen and endorsed with a “like” in the laboratory.

        The participants were more likely themselves to “like” photos already depicted as having been “liked” a lot than they were photos depicted with fewer previous “likes”. When she looked at the fMRI results, Dr. Sherman found that activity in the nucleus accumbens, a hub of reward circuitry in the brain, increased with the number of “likes” that a photo had.

    The Economist, June 13, 2016. Adaptado.

    Conforme o texto, a região do cérebro que se mostrou mais ativa, quando da análise dos resultados da ressonância, corresponde a um sistema de
    Escolha uma alternativa para a questão ff8ae2d7-e1
  • FF85E4C9-E1

    Inglês

    Interpretação de texto | Reading comprehension
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    TEXTO PARA A QUESTÃO

    Imagem da questão de Inglês, da prova de 2016

        Plants not only remember when you touch them, but they can also make risky decisions that are as sophisticated as those made by humans, all without brains or complex nervous systems.

        Researchers showed that when faced with the choice between a pot containing constant levels of nutrients or one with unpredictable levels, a plant will pick the mystery pot when conditions are sufficiently poor.

        In a set of experiments, Dr. Shemesh, from Tel✄Hai College in Israel, and Alex Kacelnik, from Oxford University, grew pea plants and split their roots between two pots. Both pots had the same amount of nutrients on average, but in one, the levels were constant; in the other, they varied over time. Then the researchers switched the conditions so that the average nutrients in both pots would be equally high or low, and asked: Which pot would a plant prefer?

        When nutrient levels were low, the plants laid more roots in the unpredictable pot. But when nutrients were abundant, they chose the one that always had the same amount.

    The New York Times, June 30, 2016. Adaptado.

    De acordo com os experimentos relatados no texto, em condições adversas, as plantas de ervilha priorizaram o crescimento de raízes nos vasos que apresentaram níveis de nutrientes
    Escolha uma alternativa para a questão ff85e4c9-e1
  • FF7B8FCD-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Considere as imagens e o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016


    II / São Francisco de Assis*

    Senhor, não mereço isto.

    Não creio em vós para vos amar.

    Trouxestes-me a São Francisco

    e me fazeis vosso escravo.


    Não entrarei, senhor, no templo,

    seu frontispício me basta.

    Vossas flores e querubins

    são matéria de muito amar.


    Dai-me, senhor, a só beleza

    destes ornatos. E não a alma.

    Pressente-se dor de homem,

    paralela à das cinco chagas.


    Mas entro e, senhor, me perco

    na rósea nave triunfal.

    Por que tanto baixar o céu?

    por que esta nova cilada?


    Senhor, os púlpitos mudos

    entretanto me sorriem.

    Mais que vossa igreja, esta

    sabe a voz de me embalar.


    Perdão, senhor, por não amar-vos.


    *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

    Um aspecto do poema em que se manifesta a persistência de um valor afirmado também no Modernismo da década de 1920 é o
    Escolha uma alternativa para a questão ff7b8fcd-e1
  • FF790CB0-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Considere as imagens e o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016


    II / São Francisco de Assis*

    Senhor, não mereço isto.

    Não creio em vós para vos amar.

    Trouxestes-me a São Francisco

    e me fazeis vosso escravo.


    Não entrarei, senhor, no templo,

    seu frontispício me basta.

    Vossas flores e querubins

    são matéria de muito amar.


    Dai-me, senhor, a só beleza

    destes ornatos. E não a alma.

    Pressente-se dor de homem,

    paralela à das cinco chagas.


    Mas entro e, senhor, me perco

    na rósea nave triunfal.

    Por que tanto baixar o céu?

    por que esta nova cilada?


    Senhor, os púlpitos mudos

    entretanto me sorriem.

    Mais que vossa igreja, esta

    sabe a voz de me embalar.


    Perdão, senhor, por não amar-vos.


    *O texto faz parte do conjunto de poemas “Estampas de Vila Rica”, que integra a edição crítica de Claro enigma. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

    Analise as seguintes afirmações relativas à arquitetura das igrejas sob a estética do Barroco:
    I. Unem-se, no edifício, diferentes artes, para assaltar de uma vez os sentidos, de modo que o público não possa escapar.
    II. O arquiteto procurava surpreender o observador, suscitando nele uma reação forte de maravilhamento.
    III. A arquitetura e a ornamentação dos templos deviam encenar, entre outras coisas, a preeminência da Igreja.
    A experiência que se expressa no poema de Drummond registra, em boa medida, as reações do eu lírico ao que se encontra registrado em
    Escolha uma alternativa para a questão ff790cb0-e1
  • FF742570-E1

    Português

    Interpretação de Textos
    USP · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Observe a imagem e leia o texto, para responder à questão.

    Imagem da questão de Português, da prova de 2016

        O Comissário apertou-lhe mais a mão, querendo transmitir-lhe o sopro de vida. Mas a vida de Sem Medo esvaía-se para o solo do Mayombe, misturando-se às folhas em decomposição.

        [...]

        Mas o Comissário não ouviu o que o Comandante disse. Os lábios já mal se moviam.

        A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.

        [...]

        Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.

    Pepetela, Mayombe.

    Consideradas no âmbito dos valores que são postos em jogo em Mayombe, as relações entre a árvore e a floresta, tal como concebidas e expressas no excerto, ensejam a valorização de uma conduta que corresponde à da personagem
    Escolha uma alternativa para a questão ff742570-e1