Questões do ENEM 2025

Questões aplicadas na prova de 2025, cada uma em página própria com enunciado, alternativas e gabarito.

Resultados

1.905 questões encontradas. Mostrando a página 47 de 96.

  • 7F45C2AD-08

    Português

    Sintaxe
    Universidade Federal de Itajubá · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


    Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos

    Julián Fuks


    Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.


    A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.


    Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.


    "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.


    De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.


    Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.


    E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim. 


    Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

    “Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia"


    É correto afirmar que, em relação à oração principal, a oração em destaque exerce função sintática de oração subordinada substantiva

    Escolha uma alternativa para a questão 7f45c2ad-08
  • 7F4374C3-08

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Itajubá · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos

    A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


    Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos

    Julián Fuks


    Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.


    A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.


    Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.


    "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.


    De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.


    Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.


    E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim. 


    Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

    A passagem transcrita do texto que indica corretamente a representação de uma variedade mais oral da língua é
    Escolha uma alternativa para a questão 7f4374c3-08
  • 7F412761-08

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Itajubá · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos

    A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


    Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos

    Julián Fuks


    Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.


    A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.


    Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.


    "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.


    De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.


    Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.


    E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim. 


    Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

    Analise o que se afirma a seguir.



    I- Na sentença “A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, ‘e viveram felizes para sempre’, é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte.”, o pronome “nela” se refere a “existência feliz”.


    II- A expressão “olhos turvos”, presente em “Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.”, foi usada de maneira metafórica.


    III- Ao final do texto, o autor adota uma abordagem metalinguística para marcar que, diferentemente da vida, seu texto tem fim.


    IV- Embora classificado como um artigo de opinião, o tipo textual predominante explorado por Fuks foi o narrativo.



    Está correto apenas o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 7f412761-08
  • 7F3C65F0-08

    Português

    Interpretação de Textos
    Universidade Federal de Itajubá · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO A SEGUIR.


    Não existem finais felizes: a felicidade é uma ilusão que não desejamos

    Julián Fuks


    Convidaram-me a falar sobre a mentira dos finais felizes. Tarefa fácil: são mesmo mentirosos os finais felizes. Basta lançar ao mundo algum olhar clínico. Nossa cultura já aprendeu que nem tudo se dissolve em harmonia, que jamais se cria uma paz absoluta, carente de todo trauma passado e todo conflito futuro. Onde se vê felicidade pura pode ser que algo não se veja, que os olhos estejam turvos.


    A fórmula clássica que encerra as histórias infantis, "e viveram felizes para sempre", é a expressão de um desinteresse total pelo que seria essa existência feliz. Nela se realiza, é fácil sentir, uma associação entre felicidade e morte. No fundo o que a fórmula diz, em tom apaziguador, equivale a um "não viveram mais nada até que morreram". Mas me convidaram a falar sobre isso em Medelín, em espanhol, e nessa língua o final clássico tem outra nuance: "vivieron felices y comieron perdices". Nesse pequeno detalhe acrescido, o fato de terem comido perdizes, cabe ao menos um pouco de vida. Nessa outra fórmula o que se diz é que "viveram uma série de outras coisas que já não nos interessam", e só depois disso se chega ao fim.


    Seja como for, do tempo dos clássicos até o tempo presente, deu-se uma revolução em nosso interesse. Já há alguns séculos, desde o surgimento do romance moderno, nossa curiosidade tem recaído exatamente sobre essa vida comum que se inicia ao fim de qualquer aventura, sobre o cotidiano tenso que antes tomávamos por feliz. Interessa a aflição que subjaz à rotina, interessa a angústia sutil que se gesta em silêncio ao longo dos anos. O que procuramos nas histórias que narramos a nós mesmos, agora, é a desilusão da vida que trai os anseios juvenis, é o indiscreto caos do convívio familiar, é o medo da morte depois de tanta monotonia, tudo isso quem sabe redimido em alguma medida por um final mais ameno.


    "Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira." Nessa frase magistral de Tolstói que abre Anna Karenina se manifesta com clareza nossa vontade insuperável de observar com atenção de que é feita a infelicidade. Mas acho que ela merece um reparo, se formos honestos, e se o leitor me permite tamanha insolência. Também as famílias felizes são felizes cada uma à sua maneira. Não porque haja tanta nuance na paz e na existência tranquila, mas porque aquilo que chamamos felicidade também é feito da infelicidade em sua infinita riqueza, porque uma vida feliz também é atravessada continuamente por tristezas, sobressaltos, sustos, desalentos, desilusões, pesadelos.


    De modo que não existe e jamais existiu uma felicidade pura, até porque não existe nenhum tipo real de pureza — mesmo em ciência a pureza é sempre um estado hipotético. Uma felicidade absoluta não chega nem mesmo a ser um ideal que nutrimos, porque a ele associamos algum torpor, uma indolência, uma saciedade que conduz à paralisia, a ausência de um novo desejo que nos vitalize. A partir disso já poderíamos concluir pela impossibilidade de todo "final feliz", já que essa última palavra seria inatingível. Mas a primeira também é uma falácia, e sobre isso talvez valha acrescentar ainda algum raciocínio.


    Penso na leitura de livros infantis que tenho feito ao lado das minhas filhas, esse um dos momentos mais puramente felizes da minha vida cotidiana, como já confessei uma vez aqui. Penso nos bordões que Tulipa criou para emendar ao final de cada livro, numa fórmula própria que em alguma medida os ordena. São duas variações: "Mas essa já é outra história", ou então "E vai começar tudo outra vez". Acho cômico e preciso seu sistema de classificação. Vejo nele uma proposta de distinção entre as histórias cíclicas, cujo fim remonta ao princípio, e aquelas que avançam numa espécie de deriva, e vão convocando outros sinuosos acontecimentos que já não cabem nas páginas que lemos.


    E então me pergunto se não será assim a vida, feita de retornos e derivas, num movimento perpétuo. Se não se encadeiam assim tanto os momentos felizes quanto os infelizes, ou os momentos a um só tempo felizes e infelizes, sempre sucedidos por outros tão complexos e indefiníveis quanto eles, em nossa própria existência ou na existência daqueles que ficam quando partimos. Não existem finais felizes, eles são uma mentira, pelo simples fato de que não existem finais, de que os finais são sempre uma ilusão momentânea, e nada jamais termina. Bom, nada talvez seja muito: ao menos um texto, sim, é capaz de alcançar o seu fortuito fim. 


    Disponível em: https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/julian-fuks/2025/08/23/nao-existem-finais-felizes-a-felicidade-e-uma-ilusao-que-nao-desejamos.htm. Acesso em: 10 set. 2025.

    É correto afirmar que, ao discorrer sobre a ilusão de uma felicidade duradoura, Julián Fuks defende a
    Escolha uma alternativa para a questão 7f3c65f0-08
  • C8F46CCC-00

    História

    História Geral
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir:

        Com o fim da Segunda Guerra, surgiriam novas tensões políticas e debates sobre qual seria a melhor maneira de reconstruir um mundo arrasado. Mal as pedras dos escombros tinham sido recolhidas, o mundo veria recomeçar o clima de “paz-guerra” que tantos estragos tinham feito no passado recente.

    (Marcos Napolitano, História contemporânea 2: do entreguerras à nova ordem mundial. Adaptado)

    O fragmento apresenta as origens
    Escolha uma alternativa para a questão c8f46ccc-00
  • C8F1E207-00

    Português

    Interpretação de Textos
    UNESP · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir:

        A proclamação da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, não produziu efeitos imediatos em províncias como Bahia e Grão‑Pará. Ao contrário, a opressão dos militares portugueses aumentou e foi preciso abrir guerra para expulsá‑los do país.
        Portugal, contudo, não contava com a resistência baiana à qual se juntou a participação das mulheres. Sóror Joana Angélica, Maria Quitéria e Maria Felipa foram verdadeiras protagonistas nas lutas bélicas e diplomáticas transcorridas na nação emergente.
        Em 26 de julho de 2018, Maria Felipa foi declarada “Heroína da Pátria Brasileira” pela Lei Federal no 13.697, juntamente com a Sóror Joana Angélica de Jesus, Maria Quitéria e também a imperatriz Maria Leopoldina.

    (https://ensinarhistoria.com.br/as-heroinas-baianas-da-independencia-do-brasil/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues. Acesso em 30.09.2025. Adaptado)

    O texto revela que
    Escolha uma alternativa para a questão c8f1e207-00
  • C8EF1619-00

    Atualidades

    Economia na Atualidade
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia a notícia para responder à questão:

        No encerramento da Cúpula do G20, realizado em novembro de 2024, no Rio de Janeiro, um dos participantes afirmou que “trabalhamos com afinco, mesmo cientes de que apenas arranhamos a superfície dos profundos desafios que o mundo tem a enfrentar”. A próxima reunião ocorrerá na África do Sul em 2025.

    (https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/o-segundo-dia-da-cupula-de-lideres-do-g20-em-5-pontos Adaptado)

    G20 é a abreviação para “Grupo dos Vinte” que reúne as principais economias do mundo para
    Escolha uma alternativa para a questão c8ef1619-00
  • C8E9C8F1-00

    Geografia

    Amazônia
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto para responder à questão:

        Uma porção significativa do Brasil é diretamente influenciada pelas variações do nível dos caudalosos rios que cortam a região que, cotidianamente, apresenta elevadas temperaturas e vive temporadas de seca e cheia dos rios que são influenciadas pelo regime das chuvas e derretimento de geleiras, entre outros fatores climáticos. Essas variações ditam mudanças no comportamento de espécies da flora e da fauna, na qualidade da água e nos modos de vida das populações humanas, contribuindo também em moldar os ecossistemas como os que conhecemos hoje.

    (https://fas-amazonia.org/bioma-e-ecossistemas-da-amazonia. Adaptado)

    O texto descreve a natureza
    Escolha uma alternativa para a questão c8e9c8f1-00
  • C8E6FACD-00

    Física

    Cinemática
    UNESP · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para realizar um teste com um kart, um corredor utilizou a reta oposta do circuito de Interlagos. Ele saiu do repouso, manteve uma aceleração constante de 3 m/s2 e, depois de 7 s, atingiu o ponto final do teste, conforme a ilustração a seguir.

    Imagem da questão de Física, da prova de 2025
    (https://cults3d.com/pt/modelo-3d/casa/formula-1-interlagos-brazil-circuit/.Adaptado)

    Considerando as informações, a velocidade atingida no final do teste foi de, aproximadamente, em km/h, igual a
    Escolha uma alternativa para a questão c8e6facd-00
  • C8E450D6-00

    Química

    Representação das transformações químicas
    UNESP · 2025DifícilEntre para guardar nos favoritos
    O metano (CH4) é um gás inflamável produzido durante a queima de combustíveis fósseis. Em condições especiais, o metano se combina com o oxigênio (O2), formando gás carbônico (CO2) e água (H2O), reação representada a seguir:

    CH4 + 2O2  → CO2 + 2H2O

    De acordo com as leis ponderais da química, essa reação ocorre na proporção de 1:4 (um para quatro), ou seja, para cada grama de metano, são necessários 4 gramas de oxigênio para que esses reagentes se convertam totalmente nos produtos gás carbônico e água.

    Se 16 g de metano forem utilizados em uma reação, a massa total dos produtos dessa reação, em gramas, será igual a
    Escolha uma alternativa para a questão c8e450d6-00
  • C8DEF982-00

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    O corredor ecológico funciona como uma ponte, isto é, uma área que possibilita a ligação entre dois fragmentos de mata que foram separados por ação humana e tiveram sua a fauna e flora locais isoladas. No Brasil, esses corredores estão sendo implantados em alguns locais, como é o caso do corredor ecológico em um trecho da estrada BR-101, no Rio de Janeiro, mostrado na fotografia a seguir:

    Imagem da questão de Biologia, da prova de 2025
    (https://estradas.com.br/projeto-na-br-101-rj-resguarda-a-vida-de-mais-de-4-mil-animais/)

    A implantação de um corredor ecológico tem como principal objetivo
    Escolha uma alternativa para a questão c8def982-00
  • C8DBC059-00

    Química

    Substâncias e suas propriedades
    UNESP · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos

    O ar atmosférico apresenta em sua composição vários gases, conforme indica a tabela a seguir:


    Imagem da questão de Química, da prova de 2025


    Considerando os dados da tabela, verifica-se que, com relação à classificação química e às características específicas,

    Escolha uma alternativa para a questão c8dbc059-00
  • C8D910F8-00

    Geografia

    Geologia
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Para verificar a permeabilidade de diferentes tipos de solos, foi realizado o seguinte experimento:

    -  foram utilizadas amostras de três solos: o primeiro formado por partículas com 0,5 mm de tamanho, o segundo formado por partículas com 1,0 mm de tamanho, e o terceiro formado por partículas com 2,0 mm de tamanho;

    -  quantidades iguais de solo foram colocadas em três funis;

    -  sob cada funil, foi colocado um béquer;

    -  quantidades iguais de água foram colocadas, ao mesmo tempo, nos três funis, e iniciou-se, imediatamente, a contagem de tempo;

    -  após 3 minutos, foi medida a quantidade de água que passou pelo solo contido em cada funil e que foi recolhida no béquer.

    O resultado é mostrado na ilustração a seguir:

    Imagem da questão de Geografia, da prova de 2025

    (https://nuepe.ufpr.br/blog/wp-content/uploads/2016/09/Aula-Solos-PIBID-UFPR.pdf. Adaptado)

    Considerando a quantidade de água que atravessou o solo, após 3 minutos, e o tamanho das partículas do solo, é correto concluir que
    Escolha uma alternativa para a questão c8d910f8-00
  • C8D63607-00

    Geografia

    Geologia
    UNESP · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    O calcário é uma rocha originada a partir da deposição, em camadas, de partículas presentes nos mares antigos, junto com pequenas conchas decompostas de criaturas marinhas e ricas em carbonato de cálcio. Essa rocha é utilizada na fabricação do cimento. O calcário pode sofrer uma transformação, resultante de sua exposição a altas temperaturas e pressão, dando origem a um outro tipo de rocha, denominado mármore. Essa rocha é utilizada em fachadas, escadas e pisos em residências.

    O texto trata da origem do calcário e do mármore, rochas classificadas, respectivamente, como
    Escolha uma alternativa para a questão c8d63607-00
  • C8D09C93-00

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    O sistema respiratório é responsável pela realização das trocas gasosas nos ambientes em que vivem os animais vertebrados e invertebrados. Considere a ilustração a seguir, que representa ciclo de vida de um sapo:

    Imagem da questão de Biologia, da prova de 2025
    (https://br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/ciclo-sapo)

    Com relação ao tipo de respiração apresentada pelo sapo em seu ciclo de vida, verifica-se que ela é
    Escolha uma alternativa para a questão c8d09c93-00
  • C8CD7371-00

    Biologia

    Artrópodes
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Os achados fósseis permitem aos cientistas estabelecerem um cronograma do surgimento dos primeiros animais no ambiente terrestre. Até o momento, acredita-se que os primeiros invertebrados a ocupar o ambiente terrestre têm como representante atual um animal semelhante ao da foto a seguir:

    Imagem da questão de Biologia, da prova de 2025
    (https://www.publicdomainpictures.net/)

    Considerando suas características externas, verifica-se que esse animal pertence ao grupo dos invertebrados
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  • C8CA85DE-00

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    No Brasil, manguezais estão presentes em toda a costa, do Amapá até Santa Catarina. Esse ecossistema é encontrado junto a desembocaduras de rios em litorais protegidos da ação direta do mar, como mostrado na fotografia a seguir:

    Imagem da questão de Biologia, da prova de 2025
    (https://projetobiomar.blogspot.com/2013/04/o-ecossistema-manguezal-e-o-bioma-mata.html)

    Sabendo-se que, no mangue, o ambiente é adaptado às variações das marés, esse ecossistema brasileiro se caracteriza por apresentar
    Escolha uma alternativa para a questão c8ca85de-00
  • C8C7E7BE-00

    Biologia

    Ecologia e ciências ambientais
    UNESP · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão:

        Por reduzirem a população de pragas agrícolas, os morcegos insetívoros beneficiam a agricultura. Estudando fezes de morcegos de cinco colônias de Brasília e outras duas cidades, pesquisadores descobriram os grupos de insetos que lhes servem de alimento. Um desses insetos é a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que ataca o milho.

    (Revista Pesquisa Fapesp, janeiro de 2022. Adaptado)

    Na cadeia alimentar que relaciona os seres vivos citados no texto, o indivíduo
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  • C8C5667C-00

    Biologia

    Qualidade de vida das populações humanas
    UNESP · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    No Brasil, as doenças transmitidas por água e por alimentos podem ser causadas por diversos tipos de agentes biológicos ou compostos químicos e toxinas, como mostrado no gráfico a seguir:

    Imagem da questão de Biologia, da prova de 2025

    De acordo com gráfico, a porcentagem de agentes biológicos formados por células procarióticas e que causam doenças transmitidas por água e alimentos é
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  • C8C2E95F-00

    Biologia

    Identidade dos seres vivos
    UNESP · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Leia o texto a seguir para responder à questão:

        O Calendário Nacional de Vacinação recomenda a aplicação de diversos tipos de vacinas, desde o nascimento, para se prevenir contra várias doenças. Como exemplos, pode-se citar a vacina tríplice viral (1), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, doenças causadas por vírus (2) e a vacina dupla adulto (3), que protege contra difteria e tétano, doenças causadas por bactérias (4). Por outro lado, no estado de São Paulo, têm aumentado muito os acidentes causados pela picada de escorpiões. Nessa situação, é necessária a aplicação de soro antiescorpiônico (5), indicado especificamente no caso do veneno (6) do escorpião amarelo (Tityus serrulatus).

    Assinale a alternativa que apresenta correspondências corretas para os números do texto.
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