Questões de Literatura do ENEM
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A69312AD-F4 Segundo Afrânio Coutinho, o fragmento “Notas de Teoria literária”:“A ficção distingue-se de história e da biografia, por estas serem narrativas de fatos reais. A ficção é produto da imaginação criadora, embora, como toda arte, suas raízes mergulhem na experiência humana. Mas o que a distingue das outras formas de narrativa é que ela é uma transfiguração ou transmutação da realidade, feita pelo espírito do artista, este imprevisível e inesgotável laboratório. A ficção não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas antes criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. É o espetáculo da vida através do olhar interpretativo do artista, a interpretação artística da realidade”.(Afrânio Coutinho. Notas de Teoria Literária).O fragmento apresentado acima confirma a concepção de que a narrativa de ficção, embora tenha origem na experiência real, seja uma transfiguração da realidade, a exemplo das seguintes criações do Romance brasileiro:1) Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, que dá voz a um defunto, que narra, logo no primeiro capítulo, os pormenores de sua morte.2) Graciliano Ramos, em Vidas Secas, que pretendendo manter indícios do Simbolismo, afastou-se dos princípios literários românticos.3) Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas, que optou por transfigurar não apenas traços da realidade, mas entrou pela área linguística e a reinterpretou também.4) Clarice Lispector, em A hora da Estrela, que, fiel à ficção, questiona sua própria habilidade para compor uma narração no gênero ‘romance’.Estão corretas
A6902371-F4 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritosAnalise o fragmento de um poema, transcrito abaixo.
Procura da poesia
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
[...]
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
Tem mil faces secretas sob a face neutra
E te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou
terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
(Carlos Drummond de Andrade).
O ‘como fazer poesia’ constitui também um tema sobre o qual se debruçaram e se debruçam os autores. Cada poeta é cativo dos cânones de sua escola literária; uns mais, outros menos. No poema mostrado acima, Drummond:
A68D650D-F4 Literatura
Escolas LiteráriasCentro de Estudos Superiores de Maceió - Centro Universitário · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritosNova PoéticaEstou farto do lirismo comedidoDo lirismo bem comportadoDo lirismo funcionário público com livro de ponto expediente, protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor [...]Estou farto do lirismo namoradorPolítico,Raquítico, Sifilítico.(Manuel Bandeira)Este poema de Manuel Bandeira pode ser entendido como:1) aversão declarada aos cânones aceitos por escolas literárias que privilegiavam a perfeição da ‘forma poética’.2) manifestação dos novos ideais literários propostos pelas vanguardas do Modernismo brasileiro.3) expressão da reiterada aspiração de que voltassem os modelos poéticos defendidos pela produção da ‘Arte pela Arte’.4) demarcação da função estética do fazer poético, a qual se furta a se ajustar aos limites puristas impostos pelas normas linguísticas.5) anuência ao imaginário das escolas do Romantismo que enalteciam as expressões do lirismo e do envolvimento amoroso.Estão corretas
DFA8F5EE-F4 Literatura
Escolas LiteráriasUEG · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos
VERMEER, Johannes. La Latière vers (1660). In. Beaux Arts & hors - série Vermeer et les maîtres de la peinture hollandaise. Paris, 2017. p. 43. Acesso em: 12 mar. 2019.Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque seu hálito perfumado.Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 15.
A construção das imagens femininas, tanto na pintura de Vermeer quanto no fragmento de Alencar, indicam respectivamenteDFA5E6F3-F4 Literatura
Escolas LiteráriasUEG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritos
VERMEER, Johannes. La Latière vers (1660). In. Beaux Arts & hors - série Vermeer et les maîtres de la peinture hollandaise. Paris, 2017. p. 43. Acesso em: 12 mar. 2019.Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque seu hálito perfumado.Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.ALENCAR, José de. Iracema. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 15.
Relativamente ao modo como as personagens femininas são vislumbradas e construídas, tanto na pintura de Vermeer quanto no romance de Alencar, tem-se o seguinte:DFA20655-F4 Literatura
Escolas LiteráriasUEG · 2019FácilEntre para guardar nos favoritos
MUNCH, Edvard. Kneeling Female Nude Crying, (1919).Disponível em:<https://br.pinterest.com/pin/256494141249676234/?lp=true>. Acesso em: 12 mar. 2019.Soneto da separaçãoDe repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o pressentimentoE do momento imóvel fez-se o drama.De repente, não mais que de repenteFez-se de triste o que se fez amanteE de sozinho o que se fez contente.Fez-se do amigo próximo o distanteFez-se da vida uma aventura erranteDe repente, não mais que de repente.MORAES, Vinícius de. Soneto da separação. In: Antologia poética.São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.177.O soneto, embora modernista, é modulado por um tom romântico, ao passo que a pintura éDF9E8E38-F4 Literatura
Escolas LiteráriasUEG · 2019Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
MUNCH, Edvard. Kneeling Female Nude Crying, (1919).Disponível em:<https://br.pinterest.com/pin/256494141249676234/?lp=true>. Acesso em: 12 mar. 2019.Soneto da separaçãoDe repente do riso fez-se o prantoSilencioso e branco como a brumaE das bocas unidas fez-se a espumaE das mãos espalmadas fez-se o espanto.De repente da calma fez-se o ventoQue dos olhos desfez a última chamaE da paixão fez-se o pressentimentoE do momento imóvel fez-se o drama.De repente, não mais que de repenteFez-se de triste o que se fez amanteE de sozinho o que se fez contente.Fez-se do amigo próximo o distanteFez-se da vida uma aventura erranteDe repente, não mais que de repente.MORAES, Vinícius de. Soneto da separação. In: Antologia poética.São Paulo: Companhia das Letras, 2009. p.177.Nota-se, tanto no poema quanto na pintura apresentados, o retrato de um sentimento deFF685B55-F0 Literatura
Escolas LiteráriasEscola Superior de Administração, Marketing e Comunicação · 2019FácilEntre para guardar nos favoritosFabiano, ao refletir sobre suas condições de trabalho, compara-se a um negro que trabalha e nunca recebe carta de alforria. A comparação é baseada na:
2C80D096-EA Literatura
BarrocoUniversidade Federal de Pelotas · 2019FácilEntre para guardar nos favoritosLeia os fragmentos textuais a seguir, para resolução da questão[...] Ergui a gola do sobretudo, desci a aba do chapéu até perto dos olhos e troquei as dependências do hotel pelas da cerração. Satolep estava apropriadamente decorada para minha festa solitária. As coisas geometrizadas pelo frio mostravam-se voláteis. Linhas rigorosas à luz do dia eram agora ausência de contornos. Fazer trinta anos era perder-me no nevoeiro tendo em vista a concretude da cidade ou o contrário? Um cão flutuava atrás de uma charrete que passava. O granito do meio-fio corria a meu lado, às vezes reluzente em sua umidade, às vezes dissipado em vapor luminoso; um outro cão, de pedra e de nuvem, cão de alguma mitologia, condenado a nascer e morrer indefinidamente. Nascer pedra e morrer nuvem? Nascer nuvem e morrer pedra? Trinta anos. Soprei velinhas imaginárias, e minha alma revoluteou diante de mim. (RAMIL, 2008, p.08)Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,Depois da Luz se segue a noite escura,Em tristes sombras morre a formosura,Em contínuas tristezas a alegria.Porém, se acaba o Sol, porque nascia?Se formosa a Luz é, por que não dura?Como a beleza assim se transfigura?Como o gosto da pena assim se fia?Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,Na formosura não se crê constância,E na alegria sinta-se tristeza.Começa o mundo enfim pela ignorância,E tem qualquer dos bens por naturezaA firmeza somente na inconstância.(Gregório de Matos 1636 – 1695)Os excerto lidos anteriormente pertencem a diferentes épocas e gêneros literários, entretanto apresentam algumas proximidades temáticas. Considerando os excertos e suas respectivas significações literárias, é correto afirmar que os textos
CAF2D902-E6 Literatura
Escolas LiteráriasCentro universitário FAG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosA respeito do conto “Pai contra mãe” de Machado de Assis, considere as seguintes afirmações:I - Trata-se da história de um homem que decide ganhar dinheiro com a captura de escravos fugidos, para poder sustentar seu filho e, assim, evitar que o mesmo seja entregue à roda dos enjeitados.II- O conto narra uma história cujo teor dramático advém do fato de que a salvação de uma criança implica a morte de outra, a que está no ventre da escrava capturada, demonstrando ironicamente que a lei do mais forte rege a vida.III- Adotando uma forma de narrar pautada pela objetividade, ironia e frieza, através da qual descreve os instrumentos usados para castigar escravos e o ofício de capturar escravos fugidos, o narrador provoca mais impacto sobre o leitor do que se fizesse uso de um discurso sentimentalista.É CORRETO o que se afirma em:299C7899-E6 Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Estadual de Montes Claros - MG · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritosA diretora de cinema Norma Bengell fez uma adaptação cinematográfica do romance “O Guarani”, de José de Alencar. É sabido que, ao se traduzir uma obra literária para o cinema, escolhas e recortes são necessários por se tratar de expressões artísticas diferentes. Diante disso, é CORRETO afirmar:2998A7C4-E6 Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Estadual de Montes Claros - MG · 2019DifícilEntre para guardar nos favoritosTRECHO 1
“Quando Ubirajara viu o êxito do combate, lamentou que dos dois grandes guerreiros não restasse nenhum, para que ele o vencesse. Seus olhos descobriram Pahã que fugia no meio dos destroços de sua nação. Ergueu a mão, mas não chegou a retesar a seta. A águia não persegue a andorinha. Era indigno de um guerreiro, quanto mais de um chefe, empregar seu valor contra um menino.”
Fonte: ALENCAR, José de. Ubirajara. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1874. p. 44.
TRECHO 2
“Porém pelejam desordenadamente e desmandam-se muito uns e outros em semelhantes brigas, porque não têm Capitão que os governe, nem outros oficiais de guerra a quem hajam de obedecer nos tais tempos; mas ainda que desta ordenança careçam, todavia por outra parte dão-se a grande manha em seus cometimentos, e são mui cautos no escolher do tempo em que hão de fazer seus assaltos às aldeias dos inimigos, sobre os quais costumam dar de noite a hora em que os acém mais descuidosos.”
Fonte: GÂNDAVO. p. 30. Disponível em:: <www.nead.unama.br.>. Acesso em: 11 nov. 2019.
Com base nos trechos, é INCORRETO afirmar:
2995600C-E6 Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Estadual de Montes Claros - MG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosExcerto 1
“Estes Índios são de cor baça, e cabelo corredio; tem o rosto amassado, e algumas feições dele à maneira de Chins. Pela maior parte são bem dispostos, rijos e de boa estatura; gente mui esforçada, e que estima pouco morrer, temerária na guerra, e de muito pouco consideração: são desagradecidos em Grã maneira, e mui desumanos e cruéis, inclinados a pelejar, e vingativos por extremo. Vivem todos mui descansados sem terem outros pensamentos senão de comer, beber, e matar gente, e por isso engordam muito, mas com qualquer desgosto pelo conseguinte tornam a emagrecer, e muitas vezes pode deles tanto a imaginação que se algum deseja a morte, ou alguém lhe mete em cabeça que há de morrer tal dia ou tal noite não passa daquele termo que não morra.”
Fonte: GÂNDAVO, p. 26. Disponível em: <www.nead.unama.br.>. Acesso em: 11 nov. 2019
Excerto 2
“Ubirajara, senhor da lança, é tempo de empunhares o grande arco da nação araguaia, que deve estar na mão do mais possante. Camacã o conquistou no dia em que escolheu por esposa Jaçanã, a virgem dos olhos de fogo, em cujo seio te gerou seu primeiro sangue. Ainda hoje, apesar da velhice que lhe mirrou o corpo, nenhum guerreiro ousaria disputar o grande arco ao velho chefe, que não sofresse logo o castigo de sua audácia. Mas Tupã ordena que o ancião se curve para a terra, até desabar como o tronco carcomido; e que o mancebo se eleve para o céu como a árvore altaneira. Camacã revive em ti; a glória de ser o maior guerreiro cresce com a glória de ter gerado um guerreiro ainda maior do que ele.”
Fonte: ALENCAR, José de. Ubirajara. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1874. p. 11.
Analisando os excertos, é INCORRETO afirmar:
2991FC47-E6 Literatura
BarrocoUniversidade Estadual de Montes Claros - MG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosExcerto 1INCONSTÂNCIA DOS BENS DO MUNDO (317)Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,Depois da Luz se segue a noite escura,Em tristes sombras morre a formosura,Em contínuas tristezas a alegria.Porém, se acaba o Sol, por que nascia?Se é tão formosa a Luz, por que não dura?Como a beleza assim se transfigura?Excerto 2DEFINE A SUA CIDADE (94)[...]Bahia tem letras cincoque são BAHIA,logo ninguém me diráque dous ff chega a terpois nenhum contém sequer,salvo se em boa verdadesão os ff da cidadeum furtar, outro foder.MATOS, Gregório de. Seleção de Obras Poéticas. p. 2-5. Disponível em: <http//www.bibvirt.futuro.usp.br.> Acesso em: 11 nov. 2019.Com base nos trechos, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:298F3598-E6 Literatura
Escolas LiteráriasUniversidade Estadual de Montes Claros - MG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosAnalise a reprodução da tela Desembarque de Cabral, obra de Oscar Pereira da Silva, representando a chegada dos portugueses no Brasil e, logo em seguida, leia o fragmento da obra Ubirajara, de José de Alencar, para responder à questão.

Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/common/f/f1/Oscar_Pereira_da_Silva_-_Desembarque_...>. Acesso em 9 nov. 2019.
Na “Advertência” do Livro “Ubirajara”, de José de Alencar, encontramos a seguinte afirmação: “Como admitir que bárbaros, quais nos pintaram os indígenas, brutos e canibais, antes feras que homens, fossem suscetíveis desses brios nativos que realçam a dignidade do rei da criação? Os historiadores, cronistas e viajantes da primeira época, senão de todo o período colonial, devem ser lidos à luz de uma crítica severa. É indispensável, sobretudo, escoimar os fatos comprovados, das fábulas a que serviam de mote, e das apreciações a que os sujeitavam espíritos acanhados, por demais imbuídos de uma intolerância ríspida.”Fonte: ALENCAR, José de. Ubirajara. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1874. p. 2.
Relacionando a pintura de Oscar Pereira da Silva com o trecho apresentado, é correto afirmar, EXCETO:
182F146B-E6 Literatura
BarrocoCentro universitário FAG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosConsiderando a inserção do Conto “O homem que sabia javanês” nos estilos de época da literatura brasileira, a obra de Lima Barreto pertence ao:181DF0E6-E6 Literatura
Escolas LiteráriasCentro universitário FAG · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosA respeito do Romance “Dôra, Doralina” de Rachel de Queiroz, assinale a alternativa correta:00E3A7D1-E6 Literatura
Gênero DramáticoInstituto Nacional de Telecomunicações · 2019FácilEntre para guardar nos favoritosVista de cima, a imensa estrada parece uma cicatriz na floresta.Apesar de seu teatro ter sido desenvolvido no ambiente da corte, era antes de tudo rudimentar, popular e primitivo. Era usado, basicamente, como entretenimento. O autor em questão é:AC80A92B-E5 Literatura
Escolas LiteráriasFaculdade de Medicina de Olinda · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosLeia a seguir um trecho da obra “Macunaíma” de Mário de Andrade, um dos expoentes do Modernismo no Brasil.“No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a índia tapanhumas pariu uma criança feia. Essa criança é que chamaram de Macunaíma.”(Mario de Andrade – Macunaíma. Fragmento.)O fragmento apresentado demonstraAC76C401-E5 Literatura
Gênero DramáticoFaculdade de Medicina de Olinda · 2019MédioEntre para guardar nos favoritosMadame Clessi – Quer falar comigo?Alaíde [aproximando-se, fascinada] – Quero, sim. Queria...Madame Clessi – Vou botar um disco. [dirige-se para a invisível vitrola, com Alaíde atrás.]Alaíde – A senhora não morreu?Madame Clessi – Vou botar um samba. Esse aqui não é muito bom. Mas vai assim mesmo. [Samba surdinando.] Está vendo como estou gorda, velha, cheia de varizes e de dinheiro?Alaíde – Li o seu diário.Madame Clessi [céptica] – Leu? Duvido! Onde?Alaíde [afirmativa] – Li, sim. Quero morrer agora mesmo, se não é verdade!Madame Clessi – Então diga como é que começa. [Clessi fala de costas para Alaíde.]Alaíde [recordando] – Quer ver? É assim... [ligeira pausa] “ontem, fui com Paulo a Paineiras”... [feliz] É assim que começa.Madame Clessi [evocativa] – Assim mesmo. É.Alaíde [perturbada] – Não sei como a senhora pôde escrever aquilo! Como teve coragem! Eu não tinha!Madame Clessi [à vontade] – Mas não é só aquilo. Tem outras coisas.Alaíde [excitada] – Eu sei. Tem muito mais. Fiquei!... [inquieta] Meu Deus! Não sei o que é que eu tenho. É uma coisa – não sei. Por que é que eu estou aqui?Madame Clessi – É a mim que você pergunta?(RODRIGUES, Nelson. Vestido de Noiva. In: Texto Completo de Nelson Rodrigues. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1981.)Considerando o estudo acerca dos gêneros literários, pode-se afirmar que o texto anterior pertence ao gênero dramático e que tal classificação justifica-se