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Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

60 questões encontradas. Mostrando a página 3 de 3.

  • AFB34225-00

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESP · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Para responder à questão, leia um trecho do romance ilustrado As aventuras de Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, de Angelo Agostini (1843-1910) e Cândido Aragonez de Faria (1849-1911), publicado original mente entre 30 de janeiro de 1869 e 12 de outubro de 1872. O Dia do Quadrinho Nacional é celebrado em 30 de janeiro em razão justamente da data de publicação do primeiro capítulo desse romance ilustrado.


    Nhô1 Quim, jovem de vinte anos, filho único de gente rica porém honrada, namorara-se de sinhá Rosa, moça virtuosa, mas que... de louça nem um pires. O velho Quim, tendo só em vista a felicidade do pequeno, entende que mulher sem dinheiro é asneira; e por isso em lugar de mandar o filho plantar batatas, (o que seria muito proveitoso na roça), resolve-o a dar um passeio à Corte para distraí-lo.

    Figura 1 de 2 da questão de Literatura, UNESP 2025, Escolas Literárias

    Figura 2 de 2 da questão de Literatura, UNESP 2025, Escolas Literárias




    (Angelo Agostini e Cândido Aragonez de Faria. As aventuras do Nhô Quim: ou impressões de uma viagem à Corte, 2024. Adaptado.)


    1nhô: tratamento reverente dispensado originalmente aos brancos, especialmente aos patrões ou proprietários, pelos escravizados.

    2ruço: pelo castanho-claro.

    3selim: sela para montaria.

    4ratão: indivíduo excêntrico, extravagante.

    5caiporismo: estado, condição ou qualidade de quem é caipora, infeliz ou azarado em tudo ou quase tudo que faz ou que lhe sucede.

    O estilo cômico e satírico observado em As aventuras de Nhô Quim caracteriza também a seguinte obra do Romantismo brasileiro:

    Escolha uma alternativa para a questão afb34225-00
  • 7921E6B8-DF

    Literatura

    Escolas Literárias
    CEDERJ · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    A cultura brasileira é alimentada por produções importantes desde o século XIX. Uma das opções a seguir reúne corretamente obras e autores que promoveram nossa cultura e que tiveram expressão nos séculos XIX e XX predominantemente. Assinale-a:
    Escolha uma alternativa para a questão 7921e6b8-df
  • 0DAE680B-DF

    Literatura

    Escolas Literárias
    CEDERJ · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    As colunas que estão registradas a seguir relacionam autores e livros/títulos de tendências variadas.


    Assinale a opção que organiza de forma correta autores e livros.


    Autores

    1. Machado de Assis

    2. Maquiavel

    3. Thomas Hobbes

    4. Gabriel Garcia Marques

    5. Lima Barreto

    6. João do Rio


    Livros/Títulos

    I. O Príncipe

    II. Dom Casmurro

    III. Leviatã

    IV. A alma encantadora das ruas

    V. Cem anos de solidão

    VI. Triste Fim de Policarpo Quaresma
    Escolha uma alternativa para a questão 0dae680b-df
  • EBE9F579-CD

    Literatura

    Teoria Literária
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Autocrítica


    Só duas coisas conseguiram

    (des)feri-lo até a poesia:

    o Pernambuco de onde veio

    e o aonde foi, a Andaluzia.

    Um, o vacinou do falar rico

    e deu-lhe a outra, fêmea e viva,

    desafio demente: em verso

    dar a ver Sertão e Sevilha.

    MELO NETO, João Cabral de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999. p. 456.


    Dadas as afirmativas sobre esse poema de João Cabral de Melo Neto,


    I. Se trata de um metapoema, no qual o autor celebra a concisão e a visualidade.

    II. Se configura como um poema lírico-amoroso de enaltecimento da mulher amada.

    III. Se faz como uma homenagem ao Sertão e à Sevilha, lugares recorrentes em sua obra.

    IV. Articula a noção de crítica ao fazer poético, o que é comum na obra cabralina.


    verifica-se que está/ão correta/s apenas
    Escolha uma alternativa para a questão ebe9f579-cd
  • EBE7672B-CD

    Literatura

    Escolas Literárias
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Deprecação


    Tupã, ó Deus grande! cobriste o teu rosto

    Com denso velâmen de penas gentis;

    E jazem teus filhos clamando vingança

    Dos bens que lhes deste da perda infeliz!


    Tupã, ó Deus grande! teu rosto descobre:

    Bastante sofremos com tua vingança!

    Já lágrimas tristes choraram teus filhos

    Teus filhos que choram tão grande mudança.


    Anhangá impiedoso nos trouxe de longe

    Os homens que o raio manejam cruentos,

    Que vivem sem pátria, que vagam sem tino

    Trás do ouro correndo, vorazes, sedentos.


    E a terra em que pisam, e os campos e os rios

    Que assaltam, são nossos; tu és nosso Deus:

    Por que lhes concedes tão alta pujança,

    Se os raios de morte, que vibram, são teus?

    [...]


    DIAS, Gonçalves. Cantos. Introdução, organização e fixação do texto: Cilaine Alves. São Paulo: Martins Fontes, 2000, pp. 16-17.


    De acordo com os versos do poeta Gonçalves Dias, assinale a alternativa correta.  
    Escolha uma alternativa para a questão ebe7672b-cd
  • EBE2443F-CD

    Literatura

    Escolas Literárias
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    Clarice Lispector é uma autora brasileira que escreveu uma vasta obra, composta, entre outros gêneros, por contos, entre os quais se destacam os livros Laços de família (1960) e Felicidade clandestina (1971), e romances como Perto do coração selvagem e A hora da estrela (1977).


    Sobre essa autora é correto afirmar que 
    Escolha uma alternativa para a questão ebe2443f-cd
  • EBDFB988-CD

    Literatura

    Escolas Literárias
    Qualin - Faculdade de Saúde · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
        “Era decisivo. Simão Bacamarte curvou a cabeça, juntamente alegre e triste, e ainda mais alegre do que triste. Ato contínuo, recolheu-se à Casa Verde. Em vão a mulher e os amigos lhe disseram que ficasse, que estava perfeitamente são e equilibrado: nem rogos nem sugestões nem lágrimas o detiveram um só instante.

        — A questão é científica, dizia ele; trata-se de uma doutrina nova, cujo primeiro exemplo sou eu. Reúno em mim mesmo a teoria e a prática.

        — Simão! Simão! meu amor! dizia-lhe a esposa com o rosto lavado em lágrimas.

        Mas o ilustre médico, com os olhos acesos da convicção científica, trancou os ouvidos à saudade da mulher, e brandamente a repeliu. Fechada a porta da Casa Verde, entregou-se ao estudo e à cura de si mesmo. Dizem os cronistas que ele morreu dali a dezessete meses, no mesmo estado em que entrou, sem ter podido alcançar nada. Alguns chegam ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí; mas esta opinião, fundada em um boato que correu desde que o alienista expirou, não tem outra prova, senão o boato; e boato duvidoso, pois é atribuído ao Padre Lopes, que com tanto fogo realçara as qualidades do grande homem. Seja como for, efetuou-se o enterro com muita pompa e rara solenidade”.

    ASSIS, Machado de. O alienista. In: ASSIS, Machado de. Papéis Avulsos. Belo Horizonte: Itatiaia,1882.


    O trecho supracitado pertence ao conto “O alienista”, de Machado de Assis, publicado no livro Papéis avulsos (1882), acerca do qual é correto afirmar que  
    Escolha uma alternativa para a questão ebdfb988-cd
  • EC68BBF2-CC

    Literatura

    Escolas Literárias
    FAME · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos‑gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucúia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo‑jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucúia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá — fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte.

    ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. 22. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

    Esse fragmento do romance exemplifica uma característica da terceira geração modernista ao
    Escolha uma alternativa para a questão ec68bbf2-cc
  • 2FEE188F-C4

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Dorama é uma forma de produção audiovisual típica do leste e sudeste da Ásia, frequentemente centrada em amores impossíveis que enfrentam barreiras sociais e traumas psicológicos. De maneira semelhante, a literatura brasileira do século XIX também explorou intensamente o tema do amor trágico, marcado por sofrimentos e obstáculos sociais.

    O poema abaixo é de Álvares de Azevedo (1831-1852), escritor brasileiro que pertenceu à segunda geração ___________, conhecida como “Mal do Século”:


    Amor
    Amemos! quero de amor
    Viver no teu coração!
    Sofrer e amar essa dor
    Que desmaia de paixão!
    Na tu’alma, em teus encantos
    E na tua palidez
    E nos teus ardentes prantos
    Suspirar de languidez!


    A alternativa correta para preencher a lacuna, identificando o movimento literário ao qual o autor pertencia, é:
    Escolha uma alternativa para a questão 2fee188f-c4
  • 2FEB543D-C4

    Literatura

    Escolas Literárias
    Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Livre!

    Livre! Ser livre da matéria escrava,
    Arrancar os grilhões que nos flagelam
    E livre, penetrar nos Dons que selam
    A alma e lhe emprestam toda a etérea lava.

    Livre da humana, da terrestre bava
    Dos corações daninhos que regelam,
    Quando os nossos sentidos se rebelam
    Contra a Infâmia bifronte que deprava.

    Livre! bem livre para andar mais puro,
    Mais junto à Natureza e mais seguro
    Do seu Amor, de todas as justiças.

    Livre! para sentir a Natureza,
    Para gozar, na universal Grandeza,
    Fecundas e arcangélicas preguiças.

    Fonte: Últimos Sonetos / Cruz e Sousa. – 4. ed. rev. – Florianópolis: Ed. da UFSC, 2011.


    No poema “Livre!”, o escritor brasileiro Cruz e Souza, considerado o principal representante do Simbolismo no Brasil, expressa a busca pela liberdade não como algo concreto ou político, mas como um ideal ligado à alma, ao espírito e à elevação interior. Com base nessa leitura e nas características do Simbolismo, assinale a alternativa que apresenta um traço característico do movimento evidenciado no poema.
    Escolha uma alternativa para a questão 2feb543d-c4
  • 3DBF805C-C4

    Literatura

    Escolas Literárias
    Faculdade Municipal Professor Franco Montoro - São Paulo · 2025MédioEntre para guardar nos favoritos
    AMAR

    Que pode uma criatura senão,

    Entre criaturas, amar?

    Amar e esquecer, amar e malamar,

    Amar, desamar, amar?

    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso,

    Sozinho, em rotação universal, senão

    Rodar também, e amar?

    Amar o que o mar traz à praia,

    O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

    É sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto,

    O que é entrega ou adoração expectante,

    E amar o inóspito, o áspero,

    Um vaso sem flor, um chão de ferro,

    E o peito inerte, e a rua vista em sonho,

    E uma ave de rapina.

    Este o nosso destino: Amor sem conta,

    Distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

    Doação ilimitada a uma completa ingratidão,

    E na concha vazia do amor à procura medrosa,

    Paciente, de mais e mais amor.

    Amar a nossa falta mesma de amor,

    E na secura nossa, amar a água implícita, e o beijo tácito,

    e a sede infinita.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Amar se aprende amando. Rio de Janeiro: Record, 1985.
    Considerando as características da obra drummondiana, é correto afirmar que o poema “Amar”:
    Escolha uma alternativa para a questão 3dbf805c-c4
  • 8B22DB53-AB

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCB · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Imagem da questão de Literatura, UCB 2025, Escolas Literárias



    José de Alencar. Iracema. Série prazer de ler, n.º 4.

    Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013.

    (originalmente publicado em 1865).

    Uma das principais características da estética romântica presente no texto, extraído do romance Iracema, é
    Escolha uma alternativa para a questão 8b22db53-ab
  • 8B1C6431-AB

    Literatura

    Escolas Literárias
    UCB · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão.


    Imagem da questão de Literatura, UCB 2025, Escolas Literárias




    Gregório de Matos. A ponderação do Dia do Juízo Final, e Universal.


    Nesse poema, uma das principais características da produção barroca de Gregório de Matos encontra-se no
    Escolha uma alternativa para a questão 8b1c6431-ab
  • A002CEAA-67

    Literatura

    Teoria Literária
    UEG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto I


    Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



    Texto II

    POESIA


    Gastei uma hora pensando um verso

    que a pena não quer escrever.

    No entanto ele está cá dentro

    inquieto, vivo.

    Ele está cá dentro

    e não quer sair.

    Mas a poesia deste momento

    inunda minha vida inteira.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



    Texto III

     O LUTADOR

     

    Lutar com palavras

    é a luta mais vã.

    Entanto lutamos

    mal rompe a manhã.

    São muitas, eu pouco.

    [...]

     

    Mas lúcido e frio,

    apareço e tento

    apanhar algumas

    para meu sustento

    num dia de vida.

    Deixam-se enlaçar,

    tontas à carícia

    e súbito fogem

    [...].

     

    Insisto, solerte.

    Busco persuadi-las.

    [...]

     

    Sem me ouvir deslizam,

    perpassam levíssimas

    e viram-me o rosto.

     

    Lutar com palavras

    parece sem fruto.

    Não têm carne e sangue…

    Entretanto, luto.

    Palavra, palavra

    (digo exasperado),

    se me desafias,

    aceito o combate.

    [...]

     

    Luto corpo a corpo,

    luto todo o tempo,

    sem maior proveito

    que o da caça ao vento.

    [...]

     

    Iludo-me às vezes,

    pressinto que a entrega

    se consumará.

    Já vejo palavras

    em coro submisso,

    esta me ofertando

    seu velho calor,

    aquela sua glória

    feita de mistério,

    outra seu desdém,

    outra seu ciúme,

    e um sapiente amor

    me ensina a fruir

    de cada palavra

    a essência captada,

    o sutil queixume.

    [...].

     

    O ciclo do dia

    ora se conclui

    e o inútil duelo

    jamais se resolve.

    O teu rosto belo,

    ó palavra, esplende

    na curva da noite

    que toda me envolve.

    Tamanha paixão

    e nenhum pecúlio.

    Cerradas as portas,

    a luta prossegue

    nas ruas do sono.

     

    Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



    Texto IV

    PROCURA DA POESIA


    Não faças versos sobre acontecimentos.

    Não há criação nem morte perante a poesia.

    Diante dela, a vida é um sol estático,

    não aquece nem ilumina.

    As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

    contam.

    Não faças poesia com o corpo,

    esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

    efusão lírica.

    Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

    são indiferentes.

    Não me reveles teus sentimentos,

    que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

    O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


    Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

    O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

    das casas.

    Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

    junto à linha de espuma.

    O canto não é a natureza

    nem os homens em sociedade.

    Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

    significam.

    A poesia (não tires poesia das coisas)

    elide sujeito e objeto.


    Não dramatizes, não invoques,

    não indagues. Não percas tempo em mentir.

    Não te aborreças.

    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


    Não recomponhas

    tua sepultada e merencória infância.

    Não osciles entre o espelho e a

    memória em dissipação.

    Que se dissipou, não era poesia.

    Que se partiu, cristal não era.


    Penetra surdamente no reino das palavras.

    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

    Estão paralisados, mas não há desespero,

    há calma e frescura na superfície intata.

    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

    Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

    Espera que cada um se realize e consume

    com seu poder de palavra

    e seu poder de silêncio.

    Não forces o poema a desprender-se do limbo.

    Não colhas no chão o poema que se perdeu.

    Não adules o poema. Aceita-o

    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

    no espaço.


    Chega mais perto e contempla as palavras.

    Cada uma

    tem mil faces secretas sob a face neutra

    e te pergunta, sem interesse pela resposta,

    pobre ou terrível que lhe deres:

    Trouxeste a chave?


    Repara:

    ermas de melodia e conceito

    elas se refugiaram na noite, as palavras.

    Ainda úmidas e impregnadas de sono,

    rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

    Carlos Drummond de Andrade, no Texto I, aborda, no campo da crítica literária à poesia, um tema que pode ser estendido à produção artística em quaisquer outras linguagens: a criação. Nesse excerto, Andrade sugere que a criação não é derivada de inspiração divina ou do acaso, e também não é qualquer atividade dramática usada para expressar as mazelas ou angústias humanas, mas um esforço permanente que emana de “[...] trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação”.


    Na filosofia da arte ocidental, cuja compreensão inicial parte da Grécia, o termo designado para esse modo de criação, invenção ou fabricação do mundo ou de visões de mundo, proveniente de procedimentos estabelecidos, regulados e sistematizados pelo campo estético, é denominado de: 
    Escolha uma alternativa para a questão a002ceaa-67
  • 9FFD6114-67

    Literatura

    Gêneros Literários
    UEG · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Texto I


    Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se poeta quem apenas verseje por dor de cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê das inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.



    Texto II

    POESIA


    Gastei uma hora pensando um verso

    que a pena não quer escrever.

    No entanto ele está cá dentro

    inquieto, vivo.

    Ele está cá dentro

    e não quer sair.

    Mas a poesia deste momento

    inunda minha vida inteira.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 24.



    Texto III

     O LUTADOR

     

    Lutar com palavras

    é a luta mais vã.

    Entanto lutamos

    mal rompe a manhã.

    São muitas, eu pouco.

    [...]

     

    Mas lúcido e frio,

    apareço e tento

    apanhar algumas

    para meu sustento

    num dia de vida.

    Deixam-se enlaçar,

    tontas à carícia

    e súbito fogem

    [...].

     

    Insisto, solerte.

    Busco persuadi-las.

    [...]

     

    Sem me ouvir deslizam,

    perpassam levíssimas

    e viram-me o rosto.

     

    Lutar com palavras

    parece sem fruto.

    Não têm carne e sangue…

    Entretanto, luto.

    Palavra, palavra

    (digo exasperado),

    se me desafias,

    aceito o combate.

    [...]

     

    Luto corpo a corpo,

    luto todo o tempo,

    sem maior proveito

    que o da caça ao vento.

    [...]

     

    Iludo-me às vezes,

    pressinto que a entrega

    se consumará.

    Já vejo palavras

    em coro submisso,

    esta me ofertando

    seu velho calor,

    aquela sua glória

    feita de mistério,

    outra seu desdém,

    outra seu ciúme,

    e um sapiente amor

    me ensina a fruir

    de cada palavra

    a essência captada,

    o sutil queixume.

    [...].

     

    O ciclo do dia

    ora se conclui

    e o inútil duelo

    jamais se resolve.

    O teu rosto belo,

    ó palavra, esplende

    na curva da noite

    que toda me envolve.

    Tamanha paixão

    e nenhum pecúlio.

    Cerradas as portas,

    a luta prossegue

    nas ruas do sono.

     

    Andrade, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.



    Texto IV

    PROCURA DA POESIA


    Não faças versos sobre acontecimentos.

    Não há criação nem morte perante a poesia.

    Diante dela, a vida é um sol estático,

    não aquece nem ilumina.

    As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não

    contam.

    Não faças poesia com o corpo,

    esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à

    efusão lírica.

    Tua gota de bile, tua careta de gozo ou dor no escuro

    são indiferentes.

    Não me reveles teus sentimentos,

    que se prevalecem de equívoco e tentam a longa viagem.

    O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


    Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.

    O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo

    das casas.

    Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas

    junto à linha de espuma.

    O canto não é a natureza

    nem os homens em sociedade.

    Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada

    significam.

    A poesia (não tires poesia das coisas)

    elide sujeito e objeto.


    Não dramatizes, não invoques,

    não indagues. Não percas tempo em mentir.

    Não te aborreças.

    Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,

    vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família

    desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.


    Não recomponhas

    tua sepultada e merencória infância.

    Não osciles entre o espelho e a

    memória em dissipação.

    Que se dissipou, não era poesia.

    Que se partiu, cristal não era.


    Penetra surdamente no reino das palavras.

    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.

    Estão paralisados, mas não há desespero,

    há calma e frescura na superfície intata.

    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.

    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.

    Tem paciência, se obscuros. Calma, se te provocam.

    Espera que cada um se realize e consume

    com seu poder de palavra

    e seu poder de silêncio.

    Não forces o poema a desprender-se do limbo.

    Não colhas no chão o poema que se perdeu.

    Não adules o poema. Aceita-o

    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada

    no espaço.


    Chega mais perto e contempla as palavras.

    Cada uma

    tem mil faces secretas sob a face neutra

    e te pergunta, sem interesse pela resposta,

    pobre ou terrível que lhe deres:

    Trouxeste a chave?


    Repara:

    ermas de melodia e conceito

    elas se refugiaram na noite, as palavras.

    Ainda úmidas e impregnadas de sono,

    rolam num rio difícil e se transformam em despreza.


    ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 104-105.

    Considerando-se o conteúdo temático, os poemas Poesia (Texto II), O lutador (Texto III) e Procura da poesia (Texto IV) podem sem classificados como textos
    Escolha uma alternativa para a questão 9ffd6114-67
  • 729AB9FF-4A

    Literatura

    Estilística
    Ensino Einstein · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.


    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    sem falta: sem dúvida.

    brando: manso, meigo.

    piadoso: piedoso.

    inda: ainda.

    Rimas ricas são aquelas que ocorrem entre palavras de classes gramaticais diferentes. Constitui um exemplo de rima rica a que ocorre entre:
    Escolha uma alternativa para a questão 729ab9ff-4a
  • 72895195-4A

    Literatura

    Escolas Literárias
    Ensino Einstein · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos

        No _______________, a rima nunca foi abandonada. Mas os poetas adquiriram grande liberdade no seu tratamento. O uso do verso livre, com ritmos muito mais pessoais, podendo aceitar todas as inflexões do poeta, permitiu deixá-la de lado. No verso metrificado, ela foi usada ou não, e pela primeira vez pôde se observar na poesia o verso branco em metros curtos. A poética sempre se ocupou dos tipos de rima e do modo de combiná-la, distinguindo diversas modalidades e estabelecendo regras. Essas regras formais chegaram ao máximo de exigência com os _________________.


    (Antonio Candido. O estudo analítico do poema, 2006. Adaptado.)


    As lacunas do texto são preenchidas, respectivamente, por:

    Escolha uma alternativa para a questão 72895195-4a
  • 517DE12F-47

    Literatura

    Escolas Literárias
    FAME · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.



    Poética



    Estou farto do lirismo comedido


    Do lirismo bem comportado


    Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.


    Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.


    Abaixo os puristas


    […]


    Quero antes o lirismo dos loucos


    O lirismo dos bêbados


    O lirismo difícil e pungente dos bêbedos


    O lirismo dos clowns de Shakespeare


    – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.



    BANDEIRA, Manuel. Poética. Disponível em: https://www. ufrgs.br/enunciarcotidianos/2017/04/11/poetica-manuelbandeira/. Acesso em: 25 fev. 2025. [Fragmento]




    O poema de Manuel Bandeira é característico da Primeira Geração Modernista porque
    Escolha uma alternativa para a questão 517de12f-47
  • F6293544-D8

    Literatura

    Escolas Literárias
    UEMG · 2025FácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto e marque a alternativa que represente como este trecho reflete os procedimentos estéticos e o contexto histórico do Modernismo, no século XX.

    "Somos muitos Severinos,
    iguais em tudo na vida:
    na mesma cabeça grande
    que a custo se equilibra,
    no mesmo ventre crescido
    sobre as mesmas pernas finas." 
    Escolha uma alternativa para a questão f6293544-d8
  • F62682B7-D8

    Literatura

    Teoria Literária
    UEMG · 2025Muito fácilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o trecho do poema "Tabacaria", de Álvaro de Campos, (heterônimo de Fernando Pessoa) e indique a alternativa que possui intertextualidade temática mais evidente com o trecho apresentado.

    "Fiz de mim o que não soube,
    E o que podia fazer de mim não o fiz.
    O dominó que vesti era errado.
    Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
    Quando quis tirar a máscara,
    Estava pegada à cara." 
    Escolha uma alternativa para a questão f62682b7-d8