Questões de Literatura do ENEM

Questões de Literatura, da área de Linguagens, com gabarito em cada página.

Resultados

1.323 questões encontradas. Mostrando a página 39 de 67.

  • 52D68BB5-D6

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    “Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, [esse silogismo] parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele.”
    TOLSTOI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. São Paulo: Editora 34, 2006.
    Exceção entre os animais, o homem é o único que carrega consigo a certeza da sua própria morte. Esse conhecimento antecipado serve tanto de medida e restrição para as ambições da vida quanto de combustível para atos que garantam algum tipo de imortalidade. De maneira geral, ao defrontar-se com a morte, o ser humano tem noção dos seus limites e daquilo que é possível fazer enquanto está vivo. Planos, viagens, sonhos são marcos postos entre cada um e seu próprio fim. Nesta prova você se deparará com textos que refletem sobre esse tema.

    Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
    “– “Morto! morto!” dizia consigo.
    E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, – a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.
    Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.” 
    Com base na obra de Machado de Assis, preencha os parênteses com V (verdadeiro) ou F (falso).
    ( ) Tanto Dom Casmurro quanto Memórias Póstumas de Brás Cubas têm em comum o fato de serem livros narrados em primeira pessoa. Além disso, ambos os personagens pertencem à elite carioca do século XIX.
    ( ) O livro Memórias Póstumas de Brás Cubas encerra-se com um capítulo todo feito de negativas, no qual o narrador enumera uma série de faltas de que sofreu em vida, entre elas o fato de não ter tido filhos e, assim, não ter transmitido a ninguém a herança de nossa miséria.
    ( ) Há um consenso entre os críticos quanto a Dom Casmurro ser um romance baseado nas memó- rias sinceras de um homem traído.
    ( ) Machado atuou em diversas áreas das Letras brasileiras. O autor escreveu romances, contos, crítica literária; porém, deixou de lado o teatro e a poesia.
    A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
    Escolha uma alternativa para a questão 52d68bb5-d6
  • 52D38B6E-D6

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - RS · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    “Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, [esse silogismo] parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele.”
    TOLSTOI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. São Paulo: Editora 34, 2006.
    Exceção entre os animais, o homem é o único que carrega consigo a certeza da sua própria morte. Esse conhecimento antecipado serve tanto de medida e restrição para as ambições da vida quanto de combustível para atos que garantam algum tipo de imortalidade. De maneira geral, ao defrontar-se com a morte, o ser humano tem noção dos seus limites e daquilo que é possível fazer enquanto está vivo. Planos, viagens, sonhos são marcos postos entre cada um e seu próprio fim. Nesta prova você se deparará com textos que refletem sobre esse tema.

    Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.
    “– “Morto! morto!” dizia consigo.
    E a imaginação dela, como as cegonhas que um ilustre viajante viu desferirem o voo desde o Ilisso às ribas africanas, sem embargo das ruínas e dos tempos, – a imaginação dessa senhora também voou por sobre os destroços presentes até às ribas de uma África juvenil... Deixá-la ir; lá iremos mais tarde; lá iremos quando eu me restituir aos primeiros anos. Agora, quero morrer tranquilamente, metodicamente, ouvindo os soluços das damas, as falas baixas dos homens, a chuva que tamborila nas folhas de tinhorão da chácara, e o som estrídulo de uma navalha que um amolador está afiando lá fora, à porta de um correeiro. Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste do que podia parecer. De certo ponto em diante chegou a ser deliciosa. A vida estrebuchava-me no peito, com uns ímpetos de vaga marinha, esvaía-se-me a consciência, eu descia à imobilidade física e moral, e o corpo fazia-se-me planta, e pedra e lodo, e coisa nenhuma.
    Morri de uma pneumonia; mas se lhe disser que foi menos a pneumonia, do que uma ideia grandiosa e útil, a causa da minha morte, é possível que o leitor me não creia, e todavia é verdade. Vou expor-lhe sumariamente o caso. Julgue-o por si mesmo.” 
    Com base no texto, afirma-se:
    I. A grande variedade de pronomes presentes no texto aponta para a existência de pelo menos três elementos narrativos: Virgília, o narrador Brás Cubas e o leitor.
    II. Expressões como “mais tarde”, “Agora”, “ribas de uma África juvenil” assinalam a existência de diferentes planos temporais na narrativa, dos quais se destacam o momento da enunciação, o passado recente e o passado mais remoto.
    III. O último parágrafo do trecho, ao revelar a causa da morte do narrador a partir de uma doença banal, serve de contraponto ao tom poético do parágrafo anterior.
    A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são
    Escolha uma alternativa para a questão 52d38b6e-d6
  • C21C73A7-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    “E, páginas adiante, o padre se portou ainda mais excelentemente, porque era mesmo uma brava criatura. Tanto assim, que, na despedida, insistiu:
    – Reze e trabalhe, fazendo de conta que esta vida é um dia de capina com sol quente, que às vezes custa muito a passar, mas sempre passa. E você ainda pode ter muito pedaço bom de alegria... Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua.” [p. 356]
    [...]
    “Quando ficou bom para andar, escorando-se nas muletas que o preto fabricara, já tinha os seus planos, menos maus, cujo ponto de início consistia em ir para longe, para o sitiozinho perdido no sertão mais longínquo [...] que era agora a única coisa que possuía de seu. Antes de partir, teve com o padre uma derradeira conversa, muito edificante e vasta. E, junto com o casal de pretos samaritanos, que, ao hábito de se desvelarem, agora não o podiam deixar nem por nada, pegou chão, sem paixão.
    Largaram à noite, porque o começo da viagem teria de ser uma verdadeira escapada. E, ao sair, Nhô Augusto se ajoelhou, no meio da estrada, abriu os braços em cruz, e jurou:
    – Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal!... E a minha vez a de chegar... P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!...
    E os negros aplaudiram, e a turminha pegou o passo, a caminho do sertão.” [p. 357-358]
    [...]
    “E o povo, enquanto isso, dizia: – ‘Foi Deus quem mandou esse homem no jumento, por mór de salvar as famílias da gente!...’” [p. 385]
    “Mas Nhô Augusto tinha o rosto radiante, e falou:
    – Perguntem quem é aí que algum dia já ouviu falar no nome de Nhô Augusto Esteves, das Pindaíbas! [...]
    Então, Augusto Matraga fechou um pouco os olhos, com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue, e de seu rosto subia um sagaz contentamento. [...]
    Depois, morreu.” [p. 386]

    (ROSA, João Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Record, 1984)

    Leia o excerto de “A Hora e a Vez de Augusto Matraga”, publicado em Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, e ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21c73a7-c2
  • C2190E40-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Leia o soneto “Já da morte o palor me cobre o rosto”, de Álvares de Azevedo, que pertence à estética romântica brasileira, período em que uma das vertentes passou a ser designada como “geração do mal do século”, e assinale a ALTERNATIVA CORRETA.

    Soneto
    “Já da morte o palor me cobre o rosto,
    Nos lábios meus o alento desfalece,
    Surda agonia o coração fenece,
    E devora meu ser mortal desgosto!

    Do leito embalde no macio encosto
    Tento o sono reter!...já esmorece
    O corpo exausto que o repouso esquece...
    Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

    O adeus, o teu adeus, minha saudade,
    Fazem que insano do viver me prive
    E tenha os olhos meus na escuridade.

    Dá-me a esperança com que o ser mantive!
    Volve ao amante os olhos por piedade,
    Olhos por quem viveu quem já não vive!”

    (AZEVEDO, Álvares de. Lira dos Vinte Anos (1853),
    São Paulo: Martin Claret, 1999. p. 187)
    Escolha uma alternativa para a questão c2190e40-c2
  • C21124F2-C2

    Literatura

    Escolas Literárias
    UNESPAR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos
    Na coletânea Sagarana (1946), de Guimarães Rosa, há uma unidade resultante do ordenamento e da disposição dos elementos estéticos e contextuais constitutivos da narrativa, que revelam a circularidade das histórias e, ao mesmo tempo, a unidade da obra como um todo.
    Nessa perspectiva, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA.
    Escolha uma alternativa para a questão c21124f2-c2
  • 84CD1D77-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente os poemas retirados da obra Muitas Vozes, de Ferreira Gullar, e em seguida assinale a alternativa CORRETA. 


     Texto 1

    REDUNDÂNCIAS

    Ter medo da morte

    é coisa dos vivos

    o morto está livre

    de tudo o que é vida


    Ter apego ao mundo

    é coisa dos vivos

    para o morto não há

    (não houve)

    raios rios risos


    E ninguém vive a morte

    quer morto quer vivo

    mera noção que existe

    só enquanto existo  


    Texto 2

    LIÇÃO DE UM GATO SIAMÊS

    Só agora sei

    que existe a eternidade: é a duração

    finita

    da minha precariedade


    O tempo fora

    de mim

    é relativo

    mas não o tempo vivo:

    esse é eterno

    porque afetivo

    — dura eternamente

    enquanto vivo


    E como não vivo

    além do que vivo

    não é

    tempo relativo:

    dura em si mesmo

    eterno (e transitivo) 

    I. Os dois textos abordam temáticas centrais da obra “Muitas Vozes”, que são a finitude da vida e as constantes reflexões existenciais sobre o viver e o estar no mundo.

    II. O texto 1 claramente trata da temática da morte, enquanto o texto 2 se opõe ao primeiro, introduzindo a figura religiosa da eternidade, a felicidade e o sentido da experiência humana.

    III. O texto 1 reflete o interesse do eu lírico nas questões do pós-morte, evidenciando que o mistério da morte é maior que o entendimento humano e só podemos percebê-la a partir da fé religiosa.

    IV. No texto 2, o eu lírico, com base na ironia, reflete sobre a ideia de eternidade, a qual nos apresenta na primeira estrofe como sendo a “duração finita da minha precariedade”.

    V. No texto 1, temos a ideia de que a morte só interessa aos vivos, só amedronta os vivos, pois os mortos já estão livres dela.


    Escolha uma alternativa para a questão 84cd1d77-c0
  • 84C87FF8-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente o trecho do romance São Bernardo, de Graciliano Ramos, em que o seu narrador Paulo Honório reflete sobre o casamento, e assinale a alternativa CORRETA.

    “Amanheci um dia pensando em casar. Foi uma ideia que me veio sem que nenhum rabo-de-saia a provocasse. Não me ocupo com amores, devem ter notado, e sempre me pareceu que mulher é um bicho esquisito, difícil de governar.

    A que eu conhecia era a Rosa do Marciano, muito ordinária. Havia conhecido também a Germana e outras dessa laia. Por elas eu julgava todas. Não me sentia, pois, inclinado para nenhuma: o que sentia era desejo de preparar um herdeiro para as terras de S. Bernardo.”

    Escolha uma alternativa para a questão 84c87ff8-c0
  • 84C58162-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    PUC - PR · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Leia atentamente o trecho do conto Felicidade Clandestina de Clarice Lispector, e assinale a alternativa CORRETA.

    “Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e puder em mim. Eu era uma rainha delicada. ”

    Escolha uma alternativa para a questão 84c58162-c0
  • 35BC529A-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    Nova canção do exílio


    Um sabiá

    na palmeira, longe.

    Estas aves cantam

    um outro canto.


    O céu cintila

    sobre flores úmidas.

    Vozes na mata,

    e o maior amor.


    Só, na noite,

    seria feliz:

    um sabiá,

    na palmeira, longe.


    Onde é tudo belo

    e fantástico,

    só, na noite,

    seria feliz.

    (Um sabiá,

    na palmeira, longe.)


    Ainda um grito de vida e

    voltar

    para onde é tudo belo

    e fantástico:

    palmeira, o sabiá,

    o longe. 


    Carlos Drummond de Andrade, A rosa do povo.

    O sentido do poema depende, em boa medida, do reconhecimento de que, em sua composição, o autor se vale de uma relação intertextual com a “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias. O que viabiliza a escolha do poema gonçalvino como referência intertextual é, em primeiro lugar, o fato de ele ser
    Escolha uma alternativa para a questão 35bc529a-c0
  • 35B923D2-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

      Em uma outra casinha do cortiço acabava de estalar uma nova sobremesa, engrossando o barulho geral: era o jantar de um grupo de italianos mascates, onde o Delporto, o Pompeo, o Francesco e o Andrea representavam as principais figuras. Todos eles cantavam em coro, mais afinados que nas outras duas casas; quase, porém, que se lhes não podia ouvir as vozes, tantas e tão estrondosas eram as pragas que soltavam ao mesmo tempo. De quando em quando, de entre o grosso e macho vozear dos homens, esguichava um falsete feminino, tão estridente que provocava réplica aos papagaios e aos perus da vizinhança. E, daqui e dali, iam rebentando novas algazarras em grupos formados cá e lá pela estalagem. Havia nos operários e nos trabalhadores decidida disposição para pandegar, para aproveitar bem, até ao fim, aquele dia de folga. A casa de pasto fermentava revolucionada, como um estômago de bêbado depois de grande bródio, e arrotava sobre o pátio uma baforada quente e ruidosa que entontecia. 

    Aluísio Azevedo, O cortiço.

    Para dar ideia, de maneira mais precisa, da agitação da cena descrita, o narrador se vale do uso reiterado de verbos que expressam ______________________ da ação e de adjetivos de significação ____________________.

    As lacunas dessa frase podem ser corretamente preenchidas pelas palavras

    Escolha uma alternativa para a questão 35b923d2-c0
  • 35AB9817-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

        - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

        Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

      - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

      - Obrigada.

      - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

    Graciliano Ramos, São Bernardo. 

    Dado que a narrativa presente no texto de São Bernardo é de tipo realista (no sentido de que tem como ponto de partida a figuração e a análise de realidades observáveis, da esfera do real), a modalidade narrativa que a ela se contrapõe mais frontalmente é a dominante em
    Escolha uma alternativa para a questão 35ab9817-c0
  • 35A80E45-C0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

        - A excelentíssima, declarou Seu Ribeiro, entende de escrituração.   

        Seu Ribeiro morava aqui, trabalhava comigo, mas não gostava de mim. Creio que não gostava de ninguém. Tudo nele se voltava para o lugarejo que se transformou em cidade e que tinha, há meio século, bolandeira, terços, candeias de azeite e adivinhações em noites de São João. Com mais de setenta anos, andava a pé, de preferência pelas veredas. E só falava ao telefone constrangido. Odiava a época em que vivia, mas tirava-se de dificuldades empregando uns modos cerimoniosos e expressões que hoje não se usam. O reduzido calor que ainda guardava servia para aquecer aqueles livros grossos, de cantos e lombadas de couro. Escrevia neles com amor lançamentos complicados, e gastava quinze minutos para abrir um título, em letras grandes e curvas, um pouco trêmulas, as iniciais cheias de enfeites. 

      - Entende muito, continuou. E embora eu não concorde integralmente com o método que preconiza, reconheço que poderá, querendo, encarregar-se da escrita.

      - Obrigada.

      - Não há de quê. A excelentíssima conhece a matéria e tem caligrafia. Eu sou uma ruína. Qualquer dia destes ... 

    Graciliano Ramos, São Bernardo. 

    Considere as seguintes comparações:

    A personagem seu Ribeiro, tal como aparece no texto, e a célebre personagem José Dias, de Dom Casmurro, de Machado de Assis,

    I têm, ambas, a mania do superlativo, que empregam como modo de compensar imaginariamente a condição subalterna e a dificuldade para formar juízo autônomo;

    II diferenciam-se, na medida em que seu Ribeiro é um empregado assalariado, ao passo que José Dias é um agregado e, como tal, inteiramente dependente do favor dos proprietários;

    III valem-se igualmente da bajulação ou do elogio desprovido de fundamento real e de sinceridade, como meio de alcançar as boas graças dos proprietários.


    Está correto o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão 35a80e45-c0
  • 426D512E-BE

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016FácilEntre para guardar nos favoritos

                                            Casamento

    Há mulheres que dizem:

    Meu marido, se quiser pescar, pesque,

    mas que limpe os peixes.

    Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

    ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

    É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

    de vez em quando os cotovelos se esbarram,

    ele fala coisas como “este foi difícil”

    “prateou no ar dando rabanadas” e

    faz o gesto com a mão.

    O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

    atravessa a cozinha como um rio profundo.

    Por fim, os peixes na travessa,

    vamos dormir.

    Coisas prateadas espocam:

    somos noivo e noiva.

                                PRADO, A. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1991

    O poema de Adélia Prado, que segue a proposta moderna de tematização de fatos cotidianos, apresenta a prosaica ação de limpar peixes na qual a voz lírica reconhece uma
    Escolha uma alternativa para a questão 426d512e-be
  • D83355A9-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

    É preciso não perder de vista o quanto importava ao escritor _______________ cobrir com seus numerosos romances passado e presente, cidade e campo, litoral e sertão, e compor, assim, uma espécie de ________________ do Brasil.

    Preenche-se de modo respectivo e adequado os espaços em branco com o que está em:

    Escolha uma alternativa para a questão d83355a9-b0
  • D82CABF7-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                         Poema tirado de uma notícia de jornal

             João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                         [Babilônia num barracão sem número.

             Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

             Bebeu

             Cantou

             Dançou

             Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                                Manuel Bandeira. Libertinagem.  

    Considere as seguintes afirmações:

    A filiação do poema à estética do Modernismo revela-se na

    I escolha de assunto pertencente à esfera do cotidiano humilde e prosaico, em oposição ao Parnasianismo antecendente, que cultivava os temas ditos nobres, solenes e elevados.

    II utilização de objeto ou texto já pronto ou constituído, alegadamente encontrado na realidade exterior, como base da composição poética.

    III ruptura das fronteiras entre os gêneros literários tradicionais, que aparecem mesclados no texto.

    Está correto o que se afirma em

    Escolha uma alternativa para a questão d82cabf7-b0
  • D8292687-B0

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

                         Poema tirado de uma notícia de jornal

             João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da

                                                         [Babilônia num barracão sem número.

             Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

             Bebeu

             Cantou

             Dançou

             Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

                                                                Manuel Bandeira. Libertinagem.  

    NÃO se encontra, entre os aspectos que contribuem para o efeito poético do texto,
    Escolha uma alternativa para a questão d8292687-b0
  • 83D6159D-A7

    Literatura

    Escolas Literárias
    FGV · 2016DifícilEntre para guardar nos favoritos

    Texto para a questão

    Imagem da questão de Literatura, da prova de 2016

    Considerada no contexto histórico-literário da época em que foram publicadas as Memórias de um sargento de milícias, a crítica à idealização romântica, presente nessa obra, indica que
    Escolha uma alternativa para a questão 83d6159d-a7
  • D9A04E35-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

                       Imagem da questão de Literatura, da prova de 2016


    TEXTO II

          Tenho um rosto lacerado por rugas secas e profundas, sulcos na pele. Não é um rosto desfeito, como acontece com pessoas de traços delicados, o contorno é o mesmo mas a matéria foi destruída. Tenho um rosto destruído.

                                 DURAS, M. O amante. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. 

    Na imagem e no texto do romance de Marguerite Duras, os dois autorretratos apontam para o modo de representação da subjetividade moderna. Na pintura e na literatura modernas, o rosto humano deforma-se, destrói-se ou fragmenta-se em razão
    Escolha uma alternativa para a questão d9a04e35-a6
  • D979D3F5-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016Muito fácilEntre para guardar nos favoritos

    Antiode

    Poesia, não será esse

    o sentido em que

    ainda te escrevo:

    flor! (Te escrevo:

    flor! Não uma

    flor, nem aquela

    flor-virtude — em

    disfarçados urinóis).

    Flor é a palavra

    flor; verso inscrito

    no verso, como as

    manhãs no tempo.

    Flor é o salto

    da ave para o voo:

    o salto fora do sono

    quando seu tecido

    se rompe; é uma explosão

    posta a funcionar,

    como uma máquina,

    uma jarra de flores.

    MELO NETO, J. C. Psicologia da composição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997 (fragmento)

    A poesia é marcada pela recriação do objeto por meio da linguagem, sem necessariamente explicá-lo. Nesse fragmento de João Cabral de Melo Neto, poeta da geração de 1945, o sujeito lírico propõe a recriação poética de

    Escolha uma alternativa para a questão d979d3f5-a6
  • D9730976-A6

    Literatura

    Escolas Literárias
    ENEM · 2016MédioEntre para guardar nos favoritos

                                            A partida de trem

          Marcava seis horas da manhã. Angela Pralini pagou o táxi e pegou sua pequena valise. Dona Maria Rita de Alvarenga Chagas Souza Melo desceu do Opala da filha e encaminharam-se para os trilhos. A velha bem-vestida e com joias. Das rugas que a disfarçavam saía a forma pura de um nariz perdido na idade, e de uma boca que outrora devia ter sido cheia e sensível. Mas que importa? Chega-se a um certo ponto — e o que foi não importa. Começa uma nova raça. Uma velha não pode comunicar-se. Recebeu o beijo gelado de sua filha que foi embora antes do trem partir. Ajudara-a antes a subir no vagão. Sem que neste houvesse um centro, ela se colocara do lado. Quando a locomotiva se pôs em movimento, surpreendeu-se um pouco: não esperava que o trem seguisse nessa direção e sentara-se de costas para o caminho.

          Angela Pralini percebeu-lhe o movimento e perguntou:

          — A senhora deseja trocar de lugar comigo?

          Dona Maria Rita se espantou com a delicadeza, disse que não, obrigada, para ela dava no mesmo. Mas parecia ter-se perturbado. Passou a mão sobre o camafeu filigranado de ouro, espetado no peito, passou a mão pelo broche. Seca. Ofendida? Perguntou afinal a Angela Pralini:

          — É por causa de mim que a senhorita deseja trocar de lugar?

    LISPECTOR, C. Onde estivestes de noite. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980 (fragmento)

    A descoberta de experiências emocionais com base no cotidiano é recorrente na obra de Clarice Lispector. No fragmento, o narrador enfatiza o(a)
    Escolha uma alternativa para a questão d9730976-a6