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Prova

Prova de 2010: Universidade Federal do Paraná (UFPR) — questões com gabarito

48 questões da prova de 2010 de Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Biologia, Português, Inglês, Física e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 48 questões

Resultados: 48 questões

Página 2 de 3

  • Ciências da Natureza

    Biologia

    Os textos a seguir são referência para a questão.

    Texto 1:
         Apenas poucos séculos atrás, a mera ideia de resistir à agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. Como teria progredido a civilização sem a limpeza das florestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste em terra colonizada pelo homem? Os reis e grandes proprietários podiam reservar florestas e parques para caça e extração de madeira, mas na Inglaterra Tudor a preservação artificial dos cumes incultos teria parecido tão absurda como a criação de santuários para pássaros e animais que não podiam ser comidos ou caçados. A tarefa do homem, nas palavras do Gênesis (I, 28), era “encher a terra e submetê-la”, derrubar matas, lavrar o solo, eliminar predadores, matar insetos nocivos, arrancar fetos, drenar pântanos. A agricultura estava para a terra assim como o cozimento para a carne crua. Convertia a natureza em cultura. Terra não cultivada significava homens incultos. E quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios indígenas foi que aqueles que por si mesmos não submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de impedir que outros o fizessem.

    Fetos: plantas da espécie que inclui samambaias e avencas.
    (THOMAS, Keith. O homem e o mundo natural. S. Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 17-18.)  

    Texto 2:
         Antes dos anos 80, o termo biodiversidade não era conhecido. Esse termo, que une as palavras ‘diversidade’ e ‘biológica’, foi popularizado pelo livro Biodiversidade, de 1988, organizado pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson, um dos pioneiros da ecologia, a partir dos debates do Fórum Nacional de Biodiversidade, realizado dois anos antes em Washington (Estados Unidos). O livro foi publicado no Brasil em 1997. No conceito de biodiversidade estão incluídos todos os seres vivos e as relações que esses organismos têm entre si e com o meio físico, transformando e construindo florestas, lagos e todos os elementos da paisagem que normalmente chamamos de natureza. Assim, plantas, animais e ecossistemas passaram a ser entendidos como um complexo integrado, que dá forma e funcionamento à vida no planeta.
         A biodiversidade, portanto, não se refere exclusivamente aos organismos em si, mas também ao ambiente criado a partir da presença deles. É como um jogo de xadrez. De que valem as peças se não forem realizadas boas jogadas? Precisamos compreender as complexas regras desse jogo, para evitar ou minimizar nossas interferências nefastas. No caso da Amazônia, precisamos apreender a biodiversidade da região em toda a sua complexidade e dinâmica, entender os efeitos dos processos de mudança e buscar as melhores soluções para a manutenção dessa diversidade.
    (A Amazônia está mudando. Ciência Hoje, jul. 2007, p. 40.)
    Sobre o conceito de biodiversidade discutido no Texto 2, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão bf57cbde-b0
  • Linguagens

    Português

    O texto a seguir é referência para a questão.

         O Brasil sempre despertou a curiosidade do mundo. Seja por seu exotismo natural, seja pelas suas dimensões continentais ou pelo caldeirão cultural formado por uma das sociedades mais miscigenadas do planeta. Nos últimos anos, no entanto, o interesse internacional pelas coisas brasileiras andava um tanto quanto arrefecido, principalmente pelo fato de a agenda geopolítica mundial estar voltada para o Oriente Médio. Mas agora, com a ascensão do País a um papel de protagonista, ainda que emergente, no cenário mundial, acadêmicos de todo o mundo, em especial os americanos, começam a voltar seus olhos novamente para o Brasil. Só nos Estados Unidos estima-se que quase mil pesquisadores em diversas universidades estejam dedicados exclusivamente a estudar assuntos tão diversos quanto a poluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, ou a história do Plano Real. Ao mesmo tempo, cerca de dez mil estudantes universitários estão matriculados em cursos para aprender português. “Há um interesse crescente pelo Brasil, por várias razões, desde as econômicas até o fato de termos mais brasileiros vivendo nos Estados Unidos”, diz o professor de História do Brasil da universidade americana de Brown, James Green, integrante da Associação Norte-Americana de Estudos Brasileiros, que conta com cerca de 1,2 mil sócios.
         A história desse interesse acadêmico pelo Brasil não é nova. Desde os anos 50, quando o Brasil iniciou um rápido processo de industrialização, pesquisadores estrangeiros passaram a colocar o País em suas pautas. Esse movimento cresceu nos anos 60 e 70 com a intensificação da Guerra Fria. Nessa época, o governo dos Estados Unidos começou a financiar estudantes interessados em estudar o Brasil, um país com informações sobre seu tecido social tão escassas quanto a Cuba tomada por Fidel e Che Guevara. Mas, desde o fim da década de 90, tanto o Brasil quanto a América Latina deixaram de atrair a atenção internacional, monopolizada pelo déjà vu: a batalha entre Ocidente e Oriente encarnada nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
         “O desempenho econômico do Brasil durante a crise e as conquistas sociais do País voltaram a despertar o interesse acadêmico”, diz Joseph Love, diretor do Instituto Lemann, voltado exclusivamente para financiar estudantes brasileiros ou americanos interessados no Brasil. Love, como outros brasilianistas, está percebendo uma mudança importante no perfil dos pesquisadores de agora em relação aos de décadas passadas. “Antes o interesse era quase exclusivamente antropológico. Questões como raça e gênero sempre cativaram os pesquisadores. Agora o que vemos é uma curiosidade crescente por temas relacionados à economia, experiências no sentido de diminuir o abismo social e questões ambientais”, diz ele.
    (ISTOÉ, 03 set 2010.)
    O autor usa no segundo parágrafo a expressão francesa “déjà vu” (já visto), empregada usualmente para indicar que uma situação parece conhecida, devido à semelhança com outra vivida anteriormente. Essa expressão é usada para destacar a semelhança entre:
    Escolha uma alternativa para a questão bf4ba3b7-b0
  • Linguagens

    Inglês

         Germans make wonderful beer. Yet the productivity of the German beer industry is only 43 percent that of the U.S. beer industry. Meanwhile, the German metalworking and steel industries are equal in productivity to their American counterparts. Since the Germans are evidently capable of organizing industries well, why can’t they do so when it comes to beer?
         It turns out that the German beer industry suffers from small-scale production. There are a thousand tiny beer companies in Germany, shielded from competition with one another because each German brewery has virtually a local monopoly, and they are also shielded from competition with imports. The United States has 67 major beer breweries, producing 23 billion liters of beer per year. All of Germany’s 1,000 breweries combined produce only half as much. Thus the average U.S. brewery produces 31 times more beer than the average German brewery. 
         This fact results from local tastes and German government policies. German beer drinkers are fiercely loyal to their local brand, so there are no national brands in Germany analogous to our Budweiser, Miller, or Coors. Instead, most German beer is consumed within 30 miles of the factory where it is brewed. Therefore, the German beer industry cannot profit from economies of scale. In the beer business, as in other businesses, production costs decrease greatly with scale. The bigger the refrigerating unit for making beer, and the longer the assembly line for filling bottles with beer, the lower the cost of manufacturing beer. Those tiny German beer companies are relatively inefficient. There’s no competition; there are just a thousand local monopolies. 
         The local beer loyalties of individual German drinkers are reinforced by German laws that make it hard for foreign beers to compete in the German market. The German government has so-called beer purity laws that specify exactly what can go into beer. Not surprisingly, those government purity specifications are based on what German breweries put into beer, and not what American, French, and Swedish breweries like to put into beer. Because of those laws, not much foreign beer gets exported to Germany, and because of inefficiency and high prices much less of that wonderful German beer than you would otherwise expect gets sold abroad. (Before you object that German Löwenbräu beer is widely available in the United States, please read the label on the next bottle of Löwenbräu that you drink here: it’s not produced in Germany but in North America, under license, in big factories with North American productivities and efficiencies of scale). 
    (Diamond, J. ,2005. Guns, Germs, and Steel. New York: Norton.)  
    According to the text, why does Germany export so little beer to the U.S.?
    Escolha uma alternativa para a questão c03efc1a-b0
  • Ciências da Natureza

    Física

    Um esporte muito popular em paises do Hemisfério Norte é o “curling”, em que pedras de granito polido são lançadas sobre uma pista horizontal de gelo. Esse esporte lembra o nosso popular jogo de bocha. Considere que um jogador tenha arremessado uma dessas pedras de modo que ela percorreu 45 m em linha reta antes de parar, sem a intervenção de nenhum jogador. Considerando que a massa da pedra é igual a 20 kg e o coeficiente de atrito entre o gelo e o granito é de 0,02, assinale a alternativa que dá a estimativa correta para o tempo que a pedra leva para parar.
    Escolha uma alternativa para a questão c0155c98-b0
  • Ciências da Natureza

    Física

    No último campeonato mundial de futebol, ocorrido na África do Sul, a bola utilizada nas partidas, apelidada de Jabulani, foi alvo de críticas por parte de jogadores e comentaristas. Mas como a bola era a mesma em todos os jogos, seus efeitos positivos e negativos afetaram todas as seleções. Com relação ao movimento de bolas de futebol em jogos, considere as seguintes afirmativas:

    1. Durante seu movimento no ar, após um chute para o alto, uma bola está sob a ação de três forças: a força peso, a força de atrito com o ar e a força de impulso devido ao chute.
    2. Em estádios localizados a grandes altitudes em relação ao nível do mar, a atmosfera é mais rarefeita, e uma bola, ao ser chutada, percorrerá uma distância maior em comparação a um mesmo chute no nível do mar.
    3. Em dias chuvosos, ao atingir o gramado encharcado, a bola tem sua velocidade aumentada.
    4. Uma bola de futebol, ao ser chutada obliquamente em relação ao solo, executa um movimento aproximadamente parabólico, porém, caso nessa região haja vácuo, ela descreverá um movimento retilíneo.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão c01281df-b0
  • Ciências da Natureza

    Química

    Este ano ocorreu um terrível acidente ambiental com o vazamento de petróleo no Golfo do México. O vazamento, que durou meses na plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, pode ter derramado 4,5 milhões de barris de petróleo no mar. Considerando que um barril corresponde a 159 litros e que a densidade do petróleo é de 0,88 kg.L-1 , qual é a quantidade de matéria (em mols) aproximada de carbono presentes no petróleo derramado? Assuma que a composição do petróleo é de alcanos de fórmula geral CnH2n+2. (M (g.mol-1): H = 1,008; C = 12,01)

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bfdcc947-b0
  • Ciências Humanas

    Geografia

    Uma reportagem publicada na Revista Veja (ed. 2180, ano 43, n. 35, de 1º set. 2010, p. 76–77) e intitulada “A força das cidades médias” afirma que a cidade paranaense de Londrina é um exemplo do sucesso do interior do país. Segundo a revista, Londrina rompeu a barreira dos 500.000 habitantes em 2009. Deixou de ser, portanto, uma cidade média, para se tornar a irmã caçula das quarenta metrópoles nacionais – aquelas com mais de meio milhão de moradores.

    Considerando o conteúdo tratado na reportagem sob a perspectiva geográfica, considere as seguintes afirmativas:

    1. O crescimento populacional de Londrina na atualidade é explicado pelo elevado fluxo migratório de origem rural e destino urbano, também denominado de êxodo rural.
    2. A definição de uma metrópole se faz por meio do critério populacional. Toda cidade que atinge 500 mil habitantes é automaticamente elevada à categoria de metrópole.
    3. Embora Londrina apareça no texto da reportagem identificada como uma metrópole nacional, ela é posicionada pelo IBGE (2008) no âmbito do REGIC (Região de Influência das Cidades) como uma Capital Regional.
    4. A classificação dos centros urbanos de uma determinada rede urbana em diferentes níveis é denominada de hierarquia urbana.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bfccf9ad-b0
  • Ciências da Natureza

    Biologia

    O esquema ao lado é representativo de um epitélio de revestimento estratificado. Pode-se observar que as camadas superiores, em contato com o meio externo, são compostas por células cada vez mais achatadas. Além disso, essas células achatadas geralmente estão mortas e descamam do tecido. Um exemplo desse tipo de epitélio é encontrado no esôfago de animais carnívoros.
    Imagem da questão de Biologia, UFPR 2010, Moléculas, células e tecidos
    Qual o principal motivo que leva essas células a morrerem e descamarem do epitélio?
    Escolha uma alternativa para a questão bfb293b0-b0
  • Matemática

    Matemática

    Um telhado inclinado reto foi construído sobre três suportes verticais de aço, colocados nos pontos A, B e C, como mostra a figura ao lado. Os suportes nas extremidades A e C medem, respectivamente, 4 metros e 6 metros de altura. A altura do suporte em B é, então, de:

    Imagem da questão de Matemática, UFPR 2010, Geometria Analítica
    Escolha uma alternativa para a questão bf995c09-b0
  • Matemática

    Matemática

    Durante o mês de dezembro, uma loja de cosméticos obteve um total de R$ 900,00 pelas vendas de um certo perfume. Com a chegada do mês de janeiro, a loja decidiu dar um desconto para estimular as vendas, baixando o preço desse perfume em R$ 10,00. Com isso, vendeu em janeiro 5 perfumes a mais do que em dezembro, obtendo um total de R$ 1.000,00 pelas vendas de janeiro. O preço pelo qual esse perfume foi vendido em dezembro era de:
    Escolha uma alternativa para a questão bf9081f3-b0
  • Matemática

    Matemática

    Uma piscina possui duas bombas ligadas a ela. A primeira bomba, funcionando sozinha, esvazia a piscina em 2 horas. A segunda, também funcionando sozinha, esvazia a piscina em 3 horas. Caso as duas bombas sejam ligadas juntas, mantendo o mesmo regime de funcionamento, a piscina será esvaziada em:
    Escolha uma alternativa para a questão bf83f47d-b0
  • Linguagens

    Português

    Leia o texto transcrito abaixo, que pertence ao livro Muitas vozes, de Ferreira Gullar. 

    MEU PAI

    meu pai foi
    ao Rio se tratar de
    um câncer (que
    o mataria) mas
    perdeu os óculos
    na viagem

    quando lhe levei
    os óculos novos
    comprados na Ótica
    Fluminense ele
    examinou o estojo com
    o nome da loja dobrou
    a nota de compra guardou-a
    no bolso e falou:
    quero ver
    agora qual é o
    sacana que vai dizer
    que eu nunca estive
              no Rio de Janeiro 

    Assinale a alternativa correta. 
    Escolha uma alternativa para a questão bf6e919b-b0
  • Linguagens

    Português

    Numere as frases a seguir, indicando a sequência em que devem ser ordenadas para compor um texto coeso e coerente.

    ( ) Embora essa seja uma característica de municípios pequenos e médios, é observada também em duas capitais: Boa Vista (RR) e Rio Branco (AC).
    ( ) Mesmo levando em conta essas vantagens e reconhecendo a importância das motos para a mobilidade das pessoas, especialistas alertam para o aumento das mortes de motociclistas no país, que saltaram de 725 em 1996 para mais de 8 000 em 2009.
    ( ) O índice se limitava a 26% no começo da década.
    ( ) Essa preferência pela moto como principal meio de transporte em um número tão alto de municípios e mesmo em duas capitais da Região Norte pode ser explicada também pelo preço e facilidade de financiamento, com prestações que às vezes se limitam a 100 reais.
    ( ) Office-boys substituídos por motoboys, jegues por motos, táxis por mototáxis, preferência pela moto como um recurso para escapar de engarrafamentos, ônibus caros, lentos e desconfortáveis.
    ( ) O fenômeno, já observado desde os anos 90 está perto de se tornar predominante: quase metade das cidades brasileiras – 46% – já tem mais motocicletas que carros.

    Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
    Escolha uma alternativa para a questão bf686d29-b0
  • Linguagens

    Português

    As expressões assinaladas no parágrafo inicial da entrevista fazem a retomada de informações apresentadas previamente no texto.

    1      No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade
    2 científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira
    3 célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza
    4 parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente
    5 Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que
    6 elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate
    7 ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.

    Assinale a alternativa que NÃO estabelece de forma adequada a relação entre a expressão destacada e a informação que essa expressão retoma. 
    Escolha uma alternativa para a questão bf65a682-b0
  • Linguagens

    Português

    O texto a seguir é parte de uma entrevista publicada pela revista CULT e serve de base para as questão.

         No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.
         Esse exemplo é apenas um entre os tantos avanços recentes da ciência que suscitam acaloradas discussões. O homem está autorizado a criar seres vivos inéditos na natureza? Quais os dilemas éticos envolvidos? Qual o papel da sociedade e dos cientistas diante desses dilemas? Para discutir essas e outras questões, a CULT entrevistou uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, a geneticista Lygia da Veiga Pereira.  

         CULT – Com relação ao genoma sintético, é correto falar em “criação” da vida, como a mídia vem fazendo?
         Lygia da Veiga Pereira – O que esse grupo [pesquisadores norte-americanos liderados pelo doutor Craig Venter] fez foi sintetizar no laboratório um genoma completo de uma bactéria e, ao colocar esse genoma dentro de outra, ele passou a reger a vida dessa bactéria. Então, rigorosamente falando, ele não criou vida, eu diria que ele reprogramou uma vida, pois transformou uma forma de vida A em uma forma de vida B. Trata-se de um grande avanço tecnológico, pois ele mostrou que consegue sintetizar no laboratório um genoma de uma bactéria e que esse genoma funciona quando é posto dentro de outra.   
         Por que eu digo que é um avanço puramente tecnológico? Eles de fato sintetizaram as moléculas de DNA em laboratório, mas a sequência daquele DNA já existia na natureza. O próximo passo, esse sim revolucionário, será criar um genoma inédito, que a natureza não selecionou. Baseados nos milhares de genes já descritos em bancos de dados, os pesquisadores poderão criar um genoma completamente inédito, inseri-lo em uma bactéria e então vão criar um ser vivo inédito. E para que fazer isso? Porque eles acham que vão conseguir desenhar seres vivos que exerçam funções interessantes para nós, como, por exemplo, captar CO2 da atmosfera ou digerir o petróleo no mar. É um enorme desafio. 

         CULT – Que implicações éticas você prevê para isso?
       Lygia – O dilema ético é que não conseguimos prever se esse ser vivo fará somente o que o pesquisador pretende que ele faça. Não sabemos se aquela bactéria que ele desenhou só para digerir o petróleo na água do mar vai, por exemplo, começar a digerir algas ou será tóxica para alguns peixes e então provocar um desastre ecológico. A questão é que os sistemas biológicos são muito complexos e não conhecemos todas as leis que os regem. Então, se propor a construir novos seres vivos, desenhar novos seres vivos talvez seja uma pretensão ainda muito grande, dado o nosso pouco conhecimento dessas leis. Pode-se ter a melhor das intenções, mas, quando esse ser vivo estiver solto no meio ambiente, ele vai se comportar de forma imprevisível e o tiro pode sair pela culatra. É nisso que devemos prestar atenção.
    (CULT, 16 jul. 2010.) 
    Avalie se as afirmativas a seguir correspondem ao ponto de vista expresso por Lygia da Veiga Pereira na entrevista a propósito da criação em laboratório de seres não existentes na natureza:

    1. A criação de seres vivos inéditos pode ser avaliada positivamente, uma vez que esses seres podem ser projetados para exercer funções benéficas para os homens e outros seres vivos.
    2. Antes de criar novos seres vivos, a ciência deve priorizar o estudo e a preservação da diversidade biológica existente.
    3. É necessário ampliar o conhecimento sobre os sistemas biológicos antes de colocar na natureza seres criados em laboratório.
    4. A criação de seres vivos inéditos representa uma ingerência humana injustificável nos processos naturais de evolução biológica.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bf62a1fc-b0
  • Linguagens

    Português

    O texto a seguir é parte de uma entrevista publicada pela revista CULT e serve de base para as questão.

         No final de maio deste ano, a revista Science publicou um trabalho que causou alarde para além dos muros da comunidade científica. Liderado pelo doutor Craig Venter, um grupo de cientistas norte-americanos conseguiu criar em laboratório a primeira célula controlada por um genoma sintético. A descoberta sinaliza para o fato de que a criação de seres vivos inéditos na natureza parece não estar distante, o que despertou a atenção de diversos setores da sociedade. Prova disso foi a atitude do presidente Barack Obama que, após tomar conhecimento do feito, pediu a seus conselheiros especializados em biotecnologia que elaborassem um relatório sobre os possíveis prós e contras da descoberta. O Vaticano, por sua vez, conclamou para o debate ético, ao afirmar que a descoberta “deve ter regras, como tudo o que toca o coração da vida”.
         Esse exemplo é apenas um entre os tantos avanços recentes da ciência que suscitam acaloradas discussões. O homem está autorizado a criar seres vivos inéditos na natureza? Quais os dilemas éticos envolvidos? Qual o papel da sociedade e dos cientistas diante desses dilemas? Para discutir essas e outras questões, a CULT entrevistou uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, a geneticista Lygia da Veiga Pereira.  

         CULT – Com relação ao genoma sintético, é correto falar em “criação” da vida, como a mídia vem fazendo?
         Lygia da Veiga Pereira – O que esse grupo [pesquisadores norte-americanos liderados pelo doutor Craig Venter] fez foi sintetizar no laboratório um genoma completo de uma bactéria e, ao colocar esse genoma dentro de outra, ele passou a reger a vida dessa bactéria. Então, rigorosamente falando, ele não criou vida, eu diria que ele reprogramou uma vida, pois transformou uma forma de vida A em uma forma de vida B. Trata-se de um grande avanço tecnológico, pois ele mostrou que consegue sintetizar no laboratório um genoma de uma bactéria e que esse genoma funciona quando é posto dentro de outra.   
         Por que eu digo que é um avanço puramente tecnológico? Eles de fato sintetizaram as moléculas de DNA em laboratório, mas a sequência daquele DNA já existia na natureza. O próximo passo, esse sim revolucionário, será criar um genoma inédito, que a natureza não selecionou. Baseados nos milhares de genes já descritos em bancos de dados, os pesquisadores poderão criar um genoma completamente inédito, inseri-lo em uma bactéria e então vão criar um ser vivo inédito. E para que fazer isso? Porque eles acham que vão conseguir desenhar seres vivos que exerçam funções interessantes para nós, como, por exemplo, captar CO2 da atmosfera ou digerir o petróleo no mar. É um enorme desafio. 

         CULT – Que implicações éticas você prevê para isso?
       Lygia – O dilema ético é que não conseguimos prever se esse ser vivo fará somente o que o pesquisador pretende que ele faça. Não sabemos se aquela bactéria que ele desenhou só para digerir o petróleo na água do mar vai, por exemplo, começar a digerir algas ou será tóxica para alguns peixes e então provocar um desastre ecológico. A questão é que os sistemas biológicos são muito complexos e não conhecemos todas as leis que os regem. Então, se propor a construir novos seres vivos, desenhar novos seres vivos talvez seja uma pretensão ainda muito grande, dado o nosso pouco conhecimento dessas leis. Pode-se ter a melhor das intenções, mas, quando esse ser vivo estiver solto no meio ambiente, ele vai se comportar de forma imprevisível e o tiro pode sair pela culatra. É nisso que devemos prestar atenção.
    (CULT, 16 jul. 2010.) 
    Segundo o texto, é correto afirmar:
    Escolha uma alternativa para a questão bf5e8374-b0
  • Linguagens

    Português

    Os textos a seguir são referência para a questão.

    Texto 1:
         Apenas poucos séculos atrás, a mera ideia de resistir à agricultura, ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. Como teria progredido a civilização sem a limpeza das florestas, o cultivo do solo e a conversão da paisagem agreste em terra colonizada pelo homem? Os reis e grandes proprietários podiam reservar florestas e parques para caça e extração de madeira, mas na Inglaterra Tudor a preservação artificial dos cumes incultos teria parecido tão absurda como a criação de santuários para pássaros e animais que não podiam ser comidos ou caçados. A tarefa do homem, nas palavras do Gênesis (I, 28), era “encher a terra e submetê-la”, derrubar matas, lavrar o solo, eliminar predadores, matar insetos nocivos, arrancar fetos, drenar pântanos. A agricultura estava para a terra assim como o cozimento para a carne crua. Convertia a natureza em cultura. Terra não cultivada significava homens incultos. E quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de sua argumentação em defesa da ocupação dos territórios indígenas foi que aqueles que por si mesmos não submetiam e cultivavam a terra não tinham direito de impedir que outros o fizessem.

    Fetos: plantas da espécie que inclui samambaias e avencas.
    (THOMAS, Keith. O homem e o mundo natural. S. Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 17-18.)  

    Texto 2:
         Antes dos anos 80, o termo biodiversidade não era conhecido. Esse termo, que une as palavras ‘diversidade’ e ‘biológica’, foi popularizado pelo livro Biodiversidade, de 1988, organizado pelo biólogo norte-americano Edward O. Wilson, um dos pioneiros da ecologia, a partir dos debates do Fórum Nacional de Biodiversidade, realizado dois anos antes em Washington (Estados Unidos). O livro foi publicado no Brasil em 1997. No conceito de biodiversidade estão incluídos todos os seres vivos e as relações que esses organismos têm entre si e com o meio físico, transformando e construindo florestas, lagos e todos os elementos da paisagem que normalmente chamamos de natureza. Assim, plantas, animais e ecossistemas passaram a ser entendidos como um complexo integrado, que dá forma e funcionamento à vida no planeta.
         A biodiversidade, portanto, não se refere exclusivamente aos organismos em si, mas também ao ambiente criado a partir da presença deles. É como um jogo de xadrez. De que valem as peças se não forem realizadas boas jogadas? Precisamos compreender as complexas regras desse jogo, para evitar ou minimizar nossas interferências nefastas. No caso da Amazônia, precisamos apreender a biodiversidade da região em toda a sua complexidade e dinâmica, entender os efeitos dos processos de mudança e buscar as melhores soluções para a manutenção dessa diversidade.
    (A Amazônia está mudando. Ciência Hoje, jul. 2007, p. 40.)
    Relacione os textos 1 e 2 e considere as afirmativas a seguir:

    1. O conceito de biodiversidade, formulado no século XX, reflete uma avaliação das intervenções humanas sobre a natureza diferente da concepção vigente no século XVI.
    2. A busca de preservação da biodiversidade já estava implícita na atitude seiscentista de buscar, através do cultivo da terra, converter a natureza em cultura.
    3. Ambos os textos ressaltam a importância da agricultura para o homem e a natureza.
    4. No século XVI, os reis e grandes proprietários que preservavam áreas incultas em suas terras pretendiam garantir a sobrevivência de espécies vivas ameaçadas.

    Assinale a alternativa correta.
    Escolha uma alternativa para a questão bf51778f-b0
  • Linguagens

    Inglês

         Germans make wonderful beer. Yet the productivity of the German beer industry is only 43 percent that of the U.S. beer industry. Meanwhile, the German metalworking and steel industries are equal in productivity to their American counterparts. Since the Germans are evidently capable of organizing industries well, why can’t they do so when it comes to beer?
         It turns out that the German beer industry suffers from small-scale production. There are a thousand tiny beer companies in Germany, shielded from competition with one another because each German brewery has virtually a local monopoly, and they are also shielded from competition with imports. The United States has 67 major beer breweries, producing 23 billion liters of beer per year. All of Germany’s 1,000 breweries combined produce only half as much. Thus the average U.S. brewery produces 31 times more beer than the average German brewery. 
         This fact results from local tastes and German government policies. German beer drinkers are fiercely loyal to their local brand, so there are no national brands in Germany analogous to our Budweiser, Miller, or Coors. Instead, most German beer is consumed within 30 miles of the factory where it is brewed. Therefore, the German beer industry cannot profit from economies of scale. In the beer business, as in other businesses, production costs decrease greatly with scale. The bigger the refrigerating unit for making beer, and the longer the assembly line for filling bottles with beer, the lower the cost of manufacturing beer. Those tiny German beer companies are relatively inefficient. There’s no competition; there are just a thousand local monopolies. 
         The local beer loyalties of individual German drinkers are reinforced by German laws that make it hard for foreign beers to compete in the German market. The German government has so-called beer purity laws that specify exactly what can go into beer. Not surprisingly, those government purity specifications are based on what German breweries put into beer, and not what American, French, and Swedish breweries like to put into beer. Because of those laws, not much foreign beer gets exported to Germany, and because of inefficiency and high prices much less of that wonderful German beer than you would otherwise expect gets sold abroad. (Before you object that German Löwenbräu beer is widely available in the United States, please read the label on the next bottle of Löwenbräu that you drink here: it’s not produced in Germany but in North America, under license, in big factories with North American productivities and efficiencies of scale). 
    (Diamond, J. ,2005. Guns, Germs, and Steel. New York: Norton.)  
    Are the statements true (T) or false (F), according to the text?

    ( ) The United States produces less beer than Germany.
    ( ) The German steel industry is better organized than the German beer industry.
    ( ) The German metalworking industry is more productive than the American metalworking industry.
    ( ) In Germany there are more factories producing beer than in the United States.
    ( ) 43% of the beer sold in the United States is produced in Germany.

    Mark the alternative which presents the correct sequence, from top to bottom.
    Escolha uma alternativa para a questão c03464b3-b0
  • Ciências da Natureza

    Física

    Ao incidir sobre um prisma de vidro, um feixe de luz branca é decomposto em várias cores. Esse fenômeno acontece porque as ondas eletromagnéticas de diferentes comprimentos de onda se propagam no vidro com diferentes velocidades, de modo que o índice de refração n tem valor diferente para cada comprimento de onda. O estudo das propriedades óticas de um pedaço de vidro forneceu o gráfico ao lado para o índice de refração em função do comprimento de onda λ da luz. Suponha a velocidade da luz no vácuo igual a 3,0 × 108 m/s. Com base nos conceitos de ótica e nas informações do gráfico, assinale a alternativa correta.
    Imagem da questão de Física, UFPR 2010, Ótica
    Escolha uma alternativa para a questão c0259081-b0
  • Ciências da Natureza

    Física

    Capacitores são dispositivos que podem armazenar energia quando há um campo elétrico em seu interior, o qual é produzido por cargas elétricas depositadas em suas placas. O circuito ao lado é formado por um capacitor C de capacitância 2 µF e por duas fontes de fem, consideradas ideais, com ε1 = 10 V e ε2 = 15 V. Assinale a alternativa correta para a energia elétrica armazenada no capacitor C.
    Imagem da questão de Física, UFPR 2010, Eletricidade
    Escolha uma alternativa para a questão c01fe14c-b0