Sociologia
- Cidadania e movimentos sociais
- Prova de 2023
- UFPR
- Dificuldade: Muito fácil
- Código da questão: 1894ECB4-9E
Prova
134 questões da prova de 2023 de Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Biologia, História, Física, Sociologia e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.
Sobre o bandeirantismo na formação de São Paulo, o historiador John Monteiro afirma que:
Mais do que em qualquer outra instância da história do Brasil, as campanhas do Norte mostraram o lado cruelmente destrutivo da política indigenista em zonas de franca expansão econômica. Não recebendo a esperada recompensa em cativos – como ocorrera nas campanhas do sertão da Bahia –, os paulistas tiveram que medir seu êxito em outros termos. Com o fim de ressarcir-se dos prejuízos, as expedições de apresamento dos paulistas nestes sertões logo assumiram o triste caráter de massacres impiedosos.
MONTEIRO, John. Negros da Terra. Índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p.95.
Sobre o contexto da exploração indígena no século XVII, é correto afirmar que:
Leia o fragmento abaixo:
Da década de 1930 à década de 1980, os governos latino-americanos implementaram políticas e programas que garantiram às agências estatais um papel fundamental no planejamento e no gerenciamento do crescimento econômico. Na década de 1980, essas políticas e esses programas entraram em seu próprio período de falência e crise. Segundo uma nova geração de economistas e políticos, o crescimento conduzido pelo Estado atingiu seus limites. Ele sobrecarregou as sociedades da região com dívidas pública e privada maciças, burocracias estatais inchadas e empresas estatais, ou subvencionadas pelo Estado, muito ineficientes, o que resultou na estagnação econômica.
ANDREWS, George Reid. América Afro-Latina 1800-2000. São Carlos: Editora da UFSCAR, 2007, p. 227.
Com base na leitura do fragmento, e sobre a implantação das políticas neoliberais nas economias latino-americanas, assinale a alternativa correta.
Leia o trecho a seguir: A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, mestre de corporação e companheiro, em resumo, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. Nas mais remotas épocas da história, verificamos, quase por toda parte, uma completa estruturação da sociedade em classes distintas, uma múltipla gradação das posições sociais. […] Entretanto, a nossa época [...] caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classe. A sociedade divide-se, cada vez mais, em dois campos opostos, em duas grandes classes em confronto direto: a burguesia e o proletariado.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto comunista. São Paulo: Boitempo, 1998. pp. 40-41. A luta de classes opõe contrários numa relação dialética.
O que isso significa? Assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
Na verdade, a política do Ocidente — da URSS às Américas, passando pela Europa — pode ser mais bem entendida não como uma disputa entre Estados, mas como uma guerra civil ideológica internacional. (Como veremos, esta não é a melhor maneira de entender a política da África, da Ásia e do Extremo Oriente, dominados pelo colonialismo — ). E, conforme vimos, as linhas divisórias cruciais nesta guerra civil não foram traçadas entre o capitalismo como tal e a revolução social comunista, mas entre famílias ideológicas: de um lado, os descendentes do Iluminismo do século XVIII e das grandes revoluções, incluindo, claro, a russa; do outro, seus adversários. Em suma, a fronteira passava não entre capitalismo e comunismo, mas entre o que o século XIX teria chamado de "progresso" e a "reação" — só que esses termos já não eram exatamente opostos.
HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995. pp.145-146.
Sobre o contexto analisado pelo autor, assinale a alternativa correta.
Leia o seguinte fragmento:
Afirmou-se várias vezes que a ideologia racial foi uma invenção alemã. Se assim realmente fosse, então o "modo de pensar alemão" teria influenciado uma grande parte do mundo intelectual muito antes que os nazistas se engajassem na malograda tentativa de conquistar o mundo. Pois se o hitlerismo exerceu tão forte atração internacional e intereuropeia durante os anos 30, é porque o racismo, embora promovido a doutrina estatal só na Alemanha, refletia a opinião pública de todos os países. Se a máquina de guerra política dos nazistas já funcionava muito antes de setembro de 1939, quando os tanques alemães iniciaram a sua marcha destruidora invadindo a Polônia, é porque Hitler previa que na guerra política o racismo seria um aliado mais forte na conquista de simpatizantes do que qualquer agente pago ou organização secreta de quinta-colunas.
ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.188.
Sobre o racismo e suas relações com o imperialismo, assinale a alternativa correta.
Segundo o historiador inglês E. P. Thompson:
Se retornarmos ao tema da disciplina do trabalho, ou ao das mudanças nos padrões familiares de conduta e lazer e aos valores comunitários durante a industrialização, o campo para o estudo comparativo parece infindável. Basta nos voltarmos para os estudos de Walter Elkan sobre a adaptação ao trabalho em Uganda, ou para a investigação de Beate Salz a respeito do Equador [...], para que paralelos com os séculos XVII e XVIII na Inglaterra e Irlanda saltem das páginas. A familiaridade com os estudos antropológicos de mercados camponeses e tribais — tal como Markets in Africa, de Bohannan e Dalton — impelemnos a revisitar todo o complexo de mercados e feiras da Inglaterra pré-industrial e a vê-lo não só como um nexo econômico, mas também social.
THOMPSON, E. P. As Peculiaridades dos Ingleses In: NEGRO, A. L.; SILVA, S. (orgs). As Peculiaridades dos Ingleses e outros artigos. Campinas: Ed. Unicamp, 2001, p. 194.
Em relação ao tema, assinale a alternativa correta.
Leia o excerto a seguir:
Organizado de maneira diferente nas zonas rurais e urbanas (como o rosto de Janus) este Estado estava bifurcado. Continha uma dualidade: duas formas de poder sob uma só autoridade hegemônica. O poder urbano falava a língua da sociedade civil e dos direitos civis, o poder rural a da comunidade e da cultura. O poder civil afirmava proteger os direitos, o poder consuetudinário prometia fazer cumprir a tradição. O primeiro organizado sob o princípio de diferenciação para frear a concentração de poder, o segundo em torno ao princípio de fusão para assegurar uma autoridade unitária: Duas caras do mesmo Estado bifurcado.
MAMDANI, M. Ciudadano y Súbdito. África contemporánea y el legado del colonialismo tardío. Ed. Siglo XXI, México, 1996, p. 22.
Considerando o exposto pelo autor e relacionando os conhecimentos que existem sobre a formação do Estado na África, assinale a alternativa correta.
Leia o fragmento a seguir:
A introdução do cafeeiro no Brasil deveu-se a Francisco de Melo Palheta, que em 1727 trouxe para o Pará as primeiras sementes da planta. Utilizado no consumo doméstico, o café chegou ao Rio de Janeiro por volta de 1760, misturando-se aos pequenos cultivos de pomares e hortas dos arredores da capital da Colônia. Foi, porém, no extenso Vale do Rio Paraíba, atravessando uma parte do Rio e de São Paulo, que se reuniram as condições para sua primeira grande expansão em níveis comerciais. A área era conhecida e cortada por alguns caminhos e trilhas que, desde o tempo do apogeu da mineração, se dirigiam a Minas Gerais; aí existiam terra virgem disponível e clima favorável.
FAUSTO, Boris. História do Brasil. 10. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002, p. 186.
A respeito da economia cafeeira no Brasil durante o século XIX, é correto afirmar: