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Prova

Prova de 2015: Universidade de São Paulo (USP) — questões com gabarito

71 questões da prova de 2015 de Universidade de São Paulo (USP), em Português, Biologia, História, Matemática e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 71 questões
  • 9 matérias

Resultados: 4 questões

  • Linguagens

    Literatura

                — Pois, Grilo, agora realmente bem podemos dizer que o sr. D. Jacinto está firme.
                  O Grilo arredou os óculos para a testa, e levantando para o ar os cinco dedos em curva como pétalas de uma tulipa:
                — Sua Excelência brotou!
                Profundo sempre o digno preto! Sim! Aquele ressequido galho da Cidade, plantado na Serra, pegara, chupara o húmus do torrão herdado, criara seiva, afundara raízes, engrossara de tronco, atirara ramos, rebentara em flores, forte, sereno, ditoso, benéfico, nobre, dando frutos, derramando sombra. E abrigados pela grande árvore, e por ela nutridos, cem casais* em redor o bendiziam. 

                                                                    Eça de Queirós, A cidade e as serras.

    *casal: pequena propriedade rústica; pequeno povoado
    Tal como se encontra caracterizado no excerto, o destino alcançado pela personagem Jacinto contrasta de modo mais completo com a maneira pela qual culmina a trajetória de vida da personagem
    Escolha uma alternativa para a questão 6033cb1e-97
  • Linguagens

    Literatura

                — Pois, Grilo, agora realmente bem podemos dizer que o sr. D. Jacinto está firme.
                  O Grilo arredou os óculos para a testa, e levantando para o ar os cinco dedos em curva como pétalas de uma tulipa:
                — Sua Excelência brotou!
                Profundo sempre o digno preto! Sim! Aquele ressequido galho da Cidade, plantado na Serra, pegara, chupara o húmus do torrão herdado, criara seiva, afundara raízes, engrossara de tronco, atirara ramos, rebentara em flores, forte, sereno, ditoso, benéfico, nobre, dando frutos, derramando sombra. E abrigados pela grande árvore, e por ela nutridos, cem casais* em redor o bendiziam. 

                                                                    Eça de Queirós, A cidade e as serras.

    *casal: pequena propriedade rústica; pequeno povoado
    O teor das imagens empregadas no texto para caracterizar a mudança pela qual passara Jacinto indica que a causa principal dessa transformação foi
    Escolha uma alternativa para a questão 602df22a-97
  • Linguagens

    Literatura

    Nesse livro, ousadamente, varriam-se de um golpe o sentimentalismo superficial, a fictícia unidade da pessoa humana, as frases piegas, o receio de chocar preconceitos, a concepção do predomínio do amor sobre todas as outras paixões; afirmava se a possibilidade de construir um grande livro sem recorrer à natureza, desdenhava se a cor local; surgiram afinal homens e mulheres, e não brasileiros (no sentido pitoresco) ou gaúchos, ou nortistas, e, finalmente, mas não menos importante, patenteava se a influência inglesa em lugar da francesa.


                               Lúcia Miguel-Pereira, História da Literatura Brasileira -
                                      Prosa de ficção - de 1870 a 1920. Adaptado.
    O livro a que se refere a autora é
    Escolha uma alternativa para a questão 6027e8ba-97
  • Linguagens

    Literatura

          Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança contra a cidade dos ricos. Mas os ricos tinham a vacina, que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das florestas d' África. Um deus dos negros pobres. Que podia saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia que não fora o alastrim que matara. Fora o lazareto*. Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para os ricos latifundiários do sertão. Eles tinham dinheiro, léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os ogãs, as filhas e pais de santo cantam:
         Ele é mesmo nosso pai
         e é quem pode nos ajudar...
         Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros
    não o esqueçam avisa no seu cântico de despedida:
         Ora, adeus, ó meus filhinhos,
         Qu'eu vou e torno a vortá...
         E numa noite que os atabaques batiam nas
    macumbas, numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de Juazeiro. A bexiga foi com ele.

                                                                        Jorge Amado, Capitães da Areia.
    *lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de pessoas atingidas por determinadas doenças.

    Costuma-se reconhecer que Capitães da Areia pertence ao assim chamado "romance de 1930", que registra importantes transformações pelas quais passava o Modernismo no Brasil, à medida que esse movimento se expandia e diversificava. No excerto, considerado no contexto do livro de que faz parte, constitui marca desse pertencimento
    Escolha uma alternativa para a questão 600a9bfa-97