Linguagens
Literatura
- Escolas Literárias
- Prova de 2025
- UNESP
- Dificuldade: Fácil
- Código da questão: B0095DD7-00
Analise o excerto do romance Esaú e Jacó, de Machado de
Assis, publicado originalmente em 1904.
— Mas o que é que há? perguntou Aires.
— A república está proclamada.
— Já há governo?
— Penso que já; mas diga-me V. Ex.a: ouviu alguém
acusar-me jamais de atacar o governo? Ninguém. Entretanto... Uma fatalidade! Venha em meu socorro. Excelentíssimo.
Ajude-me a sair deste embaraço. A tabuleta está pronta, o
nome todo pintado. — “Confeitaria do Império”, a tinta é viva
e bonita. O pintor teima em que lhe pague o trabalho, para
então fazer outro. Eu, se a obra não estivesse acabada, mudava de título, por mais que me custasse, mas hei de perder
o dinheiro que gastei? V. Ex.a crê que, se ficar “Império”, venham quebrar-me as vidraças?
— Isso não sei.
— Realmente, não há motivo; é o nome da casa, nome
de trinta anos, ninguém a conhece de outro modo.
— Mas pode por “Confeitaria da República”...
— Lembrou-me isso, em caminho, mas também me lembrou que, se daqui a um ou dous meses, houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez
o dinheiro.
(Machado de Assis. Obra completa, 1986.)
O excerto mostra um diálogo do proprietário de uma confeita
ria com outro personagem, o Conselheiro Aires. No diálogo, o
dono da confeitaria expressa


