Português
O trecho a seguir se refere à questão. Ele foi
retirado de um texto de Ailton Krenak publicado em 1992.
Alguns anos atrás, quando vi o quanto a ciência dos brancos estava desenvolvida, com seus aviões, máquinas, computadores, mísseis, fiquei um pouco assustado. Comecei a duvidar que a tradição do meu povo, que a memória ancestral do meu povo, pudesse sobreviver num mundo dominado pela tecnologia. E pensei que nossa cultura, os nossos valores, fossem muito frágeis para subsistir num mundo prático onde os homens organizam seu poder e submetem a natureza, derrubam as montanhas. Onde um homem olha uma montanha e calcula quantos milhões de toneladas de cassiterita, de bauxita, de ouro ela pode ter. Enquanto meu avô, meus primos olham aquela montanha e veem o humor da montanha e veem se ela está triste, feliz ou ameaçadora e fazem cerimônia para ela.
(Adaptado de Ailton Krenak, “Antes o mundo não existia”, em Adauto Novaes (org.), Tempo e
história. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p. 202-203.)
O autor duvidou da sobrevivência das tradições do seu
povo porque



We raise girls to cater to the fragile
egos of men. We teach girls do shrink themselves, to make themselves
smaller. We tell girls ‘You can have
ambition, but not too much’. ‘You
should aim to be successful, but not too successful,
otherwise you will threaten the man’. (…) We teach girls
shame – ‘Close your legs, cover yourself!’. We make them
feel as though by being born female, they’re already guilty
of something. And so, girls grow up to be women who
cannot see they have desire. They grow up to be women
who silence themselves. They grow up to be women who
cannot say what they truly think. And they grow up – and
this is the worst thing we do to girls – to be women who
turn pretense into an art form.





