Sempre que brilha um novo dia, e que nos bate à porta o
jornal, apoderamo-nos com solicitude dessa folha e
avidamente percorremos a sessão das Câmaras do dia
antecedente em procura do assunto que temos escrito no
coração e no espírito - a educação da mulher brasileira -, e
dobramos a folha desconsolados e aguardamos o dia
seguinte, que se escoa na mesma expectativa, no mesmo
desengano!
(...)
Um dia raiará mais propício para nós, em que os
escolhidos da nação brasileira se dignem de achar a
educação da mulher um objeto importante para dele
ocuparem-se, com a circunspecção que merece.
Nísia Floresta. Opúsculo Humanitário.
Sonhando ser mestra, eu não imaginava o descanso, o
repouso ameno que daria à minha mãe como recompensa dos
grandes sacrifícios feitos por ela para meu bem-estar, eu não
pensava em ser útil, em tornar-me necessária, imprescindível.
Eu queria ser mestra para não morar em um cortiço malalumiado, infecto, úmido, nesta terra onde há tantas flores,
tanta luz e tantas alegrias. O caso é que fosse qual fosse a
mão que me escreveu no pensamento a resolução de vir a ser
professora – pertencesse ela à tentação diabólica do luxo ou
à compreensão de um dever –, fosse qual fosse, eu a
abençoo.
Julia Lopes de Almeida. Memórias de Martha.
A partir da leitura dos excertos e das obras citadas, é correto
afirmar: