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Prova

Prova de 2025: Ensino Einstein — questões com gabarito

187 questões da prova de 2025 de Ensino Einstein, em Matemática, Português, Biologia, Inglês e mais matérias. Cada uma tem página própria, com enunciado completo, alternativas e gabarito — e dá para responder na própria página.

  • 187 questões
  • 11 matérias

Resultados: 187 questões

Página 1 de 10

  • Linguagens

    Português

    Analise as manchetes publicadas pelo jornal de notícias BBC News Brasil.

    “Parece leite, mas não é”: como crise “empobreceu” a fórmula dos produtos lácteos do Brasil.
    (13.08.2022.)

    Azeite: por que fraudes são tão comuns — e como escolher o mais saudável. (18.09.2022.)

    A verdade sobre o “café fake”: por dentro do “parece, mas não é” que se espalha pelos supermercados.
    (10.02.2025.)

    As manchetes apresentam um processo comum nos últimos anos, em que o desenvolvimento técnico e científico ofereceu alternativas às indústrias, modificando a cadeia produtiva, da indústria ao produto final. No contexto do modelo capitalista de produção, as manchetes apontam para o interesse em
    Escolha uma alternativa para a questão 3a0557d3-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    No primeiro parágrafo do texto, o autor estabelece uma contraposição simbólica entre o feminino e o masculino para
    Escolha uma alternativa para a questão 39d8d80c-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a tirinha de Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram, em 23.05.2025.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Interpretação de Textos
    A tirinha faz uma crítica, sobretudo,
    Escolha uma alternativa para a questão 39d3a526-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia a tirinha de Fernando Gonsales, publicada pelo perfil @niquel.nausea no Instagram, em 23.05.2025.

    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Figuras de Linguagem
    No comentário “Até as árvores ficam ansiosas com tanta propaganda”, foram empregadas duas figuras de linguagem, fundamentais para a construção do efeito de humor da tirinha. São elas:
    Escolha uma alternativa para a questão 39cf21aa-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    No poema, caso entendida como uma metáfora, a palavra “rebanho” descreveria
    Escolha uma alternativa para a questão 14269991-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), para responder à questão.

            Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati1 “pra cortar a friagem”.

            Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava- -se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. [...]

            E o curioso é que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia2 , num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.

    (O cortiço, 2011.)

    1parati: cachaça.
    2cambraia: tecido fino, branco, de algodão.
    Esse trecho do romance focaliza o personagem Jerônimo, um português que viera para o Brasil e que morava no “cortiço” a que se refere o título do livro.

    Na passagem selecionada, o narrador descreve
    Escolha uma alternativa para a questão 141c4fdf-69
  • Ciências da Natureza

    Física

    Leia o texto para responder à questão.


         Uma nova montanha-russa foi inaugurada na cidade de Orlando, nos Estados Unidos. Em uma volta de 2 minutos de duração, o passeio é feito em um trilho de 920 m de comprimento e o carrinho atinge uma velocidade máxima de 72 km/h, aproximadamente.


    (https://floridapolitics.com, 01.07.2024. Adaptado.)

    Considere que o carrinho dessa montanha-russa atinja sua velocidade máxima imediatamente antes de iniciar a subida de uma rampa de 15 m de altura, como mostra figura.



    Imagem da questão de Física, Ensino Einstein 2025, Dinâmica



    Desprezando-se todos os atritos e assumindo-se que a aceleração da gravidade no local seja de 10 m/s2 , a velocidade do carrinho no topo da rampa será igual a

    Escolha uma alternativa para a questão 72f01455-4a
  • Matemática

    Matemática

    Segundo a instrução de um fabricante de produtos para desinfecção de piscinas, a concentração de hipoclorito adequada para manter uma piscina limpa é de cerca de 4 ppm (partes por milhão). Isso representaria 4 gramas de hipoclorito em 1 milhão de gramas de água.


    Considerando a densidade da água igual a 1,0 g/mL, uma piscina contendo 6 mil litros de água precisa ter uma massa de hipoclorito de, aproximadamente,

    Escolha uma alternativa para a questão 72e9eead-4a
  • Ciências da Natureza

    Química

    Anortisito (Cax Aly Siz O8 ) é uma rocha que, apesar de relativamente rara na Terra, é comum na superfície lunar, tendo sido também detectada em Marte, o que justifica o grande interesse científico por essa rocha.


    Aqui na Terra, sabe-se que, em meio levemente ácido, o anortisito sofre intemperismo conforme a equação química balanceada:



    Imagem da questão de Química, Ensino Einstein 2025, Representação das transformações químicas



    De acordo com a equação, a fórmula unitária do anortisito é: 

    Escolha uma alternativa para a questão 72e70eb4-4a
  • Ciências Humanas

    História

        Em 2 de julho de 1824 os revolucionários proclamaram a independência de Pernambuco, e ainda convidaram as demais províncias do Norte e Nordeste a se unirem a eles, formando a Confederação do Equador. [...] Os confederados reivindicavam que o Brasil fosse organizado de maneira análoga “às Luzes do século”, seguindo o “sistema americano” e não o exemplo da “encanecida Europa”.


    (Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018.)



    Politicamente, o movimento citado lutava

    Escolha uma alternativa para a questão 72b52406-4a
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão. 


        In my research recently published in an open access journal, I used a popular language model, GPT-4 by OpenAI, to create simple summaries of scientific papers. These summaries generated by artificial intelligence (AI) used simpler language and more common words, like “job” instead of “occupation”, than summaries written by the researchers who had done the work.

        In one experiment, I found that readers of the AI-generated summaries had a better understanding of the science than readers of the human-written summaries. A second experiment investigated what effects the simpler summaries might have on people’s perceptions of the scientists who performed the research. In this experiment, participants rated the scientists whose work was described in the simpler texts as more credible than the scientists whose work was described in the more complex texts.

        Have you ever read about a scientific discovery and felt like it was written in a foreign language? New scientific information is probably hard to understand — especially if you try to read a science article in a research journal. In an era where understanding science is crucial for informed decision- -making, the abilities to comprehend and communicate complex ideas are more important than ever. Trust in science has been declining for years, and one contributing factor may be the challenge of understanding scientific jargon.

        As AI continues to evolve, its role in science communication may expand, especially if using generative AI becomes more commonplace. Simple science descriptions are preferable to and more beneficial than complex ones, and AI tools can help. But scientists could also achieve the same goals by working harder to minimize jargon and communicate clearly — no AI necessary.



    (David Markowitz. https://theconversation.com, 30.10.2024. Adaptado.) 

    No trecho do último parágrafo “scientists could also achieve the same goals by working harder”, o termo sublinhado indica
    Escolha uma alternativa para a questão 72a9c304-4a
  • Linguagens

    Inglês

    Leia o texto para responder à questão. 


        In my research recently published in an open access journal, I used a popular language model, GPT-4 by OpenAI, to create simple summaries of scientific papers. These summaries generated by artificial intelligence (AI) used simpler language and more common words, like “job” instead of “occupation”, than summaries written by the researchers who had done the work.

        In one experiment, I found that readers of the AI-generated summaries had a better understanding of the science than readers of the human-written summaries. A second experiment investigated what effects the simpler summaries might have on people’s perceptions of the scientists who performed the research. In this experiment, participants rated the scientists whose work was described in the simpler texts as more credible than the scientists whose work was described in the more complex texts.

        Have you ever read about a scientific discovery and felt like it was written in a foreign language? New scientific information is probably hard to understand — especially if you try to read a science article in a research journal. In an era where understanding science is crucial for informed decision- -making, the abilities to comprehend and communicate complex ideas are more important than ever. Trust in science has been declining for years, and one contributing factor may be the challenge of understanding scientific jargon.

        As AI continues to evolve, its role in science communication may expand, especially if using generative AI becomes more commonplace. Simple science descriptions are preferable to and more beneficial than complex ones, and AI tools can help. But scientists could also achieve the same goals by working harder to minimize jargon and communicate clearly — no AI necessary.



    (David Markowitz. https://theconversation.com, 30.10.2024. Adaptado.) 

    De acordo com o terceiro parágrafo, a queda no nível de confiança na ciência por parte do público leigo deve-se, entre outros motivos, à
    Escolha uma alternativa para a questão 72a7048d-4a
  • Linguagens

    Literatura

    Leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão.


    Quem diz que Amor é falso ou enganoso,

    ligeiro, ingrato, vão, desconhecido,

    sem falta1 lhe terá bem merecido

    que lhe seja cruel ou rigoroso.


    Amor é brando2 , é doce e é piadoso3 .

    Quem o contrário diz não seja crido;

    seja por cego e apaixonado tido,

    e aos homens, e inda4 aos deuses, odioso.


    Se males faz Amor, em mim se veem;

    em mim mostrando todo o seu rigor,

    ao mundo quis mostrar quanto podia.


    Mas todas suas iras são de amor;

    todos estes seus males são um bem,

    que eu por todo outro bem não trocaria.



    (Luís de Camões. Sonetos: antologia comentada, 2012.)



    1 sem falta: sem dúvida.

    2 brando: manso, meigo.

    3 piadoso: piedoso.

    4 inda: ainda.

    Rimas ricas são aquelas que ocorrem entre palavras de classes gramaticais diferentes. Constitui um exemplo de rima rica a que ocorre entre:
    Escolha uma alternativa para a questão 729ab9ff-4a
  • Linguagens

    Português

    Examine a tirinha de Rafa Figueiredo, publicada em 27.01.2023, para responder à questão.



    Imagem da questão de Português, Ensino Einstein 2025, Morfologia


    (www.defeitodefabrica.com)

    Mantendo o sentido geral da tirinha, caso a fala estivesse no plural, dirigindo-se a “vocês”, os verbos assumiriam as seguintes formas:
    Escolha uma alternativa para a questão 72860f79-4a
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    Tem valor adjetivo a expressão sublinhada no seguinte trecho:
    Escolha uma alternativa para a questão 39e01761-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    Anacoluto é a mudança de construção sintática no meio do enunciado. Um fenômeno muito comum, especialmente na linguagem falada, que ocorre quando aquele que fala abstrai-se do começo do enunciado e continua a exprimir-se como se iniciasse uma nova frase.

    (Celso Cunha e Luís F. Lindley Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo, 2007. Adaptado.)

    Um trecho do texto em que é possível identificar a presença de anacoluto é:
    Escolha uma alternativa para a questão 39dd95f1-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    No último parágrafo, o autor faz uma analogia que utiliza as imagens da “queda” e do “paraquedas”. Ao propor que fabriquemos paraquedas, Krenak sugere 
    Escolha uma alternativa para a questão 39db250a-69
  • Linguagens

    Português

    Para responder à questão, leia um trecho da obra Ideias para adiar o fim do mundo, uma adaptação de duas palestras e uma entrevista realizadas com o autor Ailton Krenak.

            O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. Parece que todos os artifícios que foram buscados pelos nossos ancestrais e por nós têm a ver com essa sensação. Quando se transfere isso para a mercadoria, para os objetos, para as coisas exteriores, se materializa no que a técnica desenvolveu, no aparato todo que se foi sobrepondo ao corpo da mãe Terra. Todas as histórias antigas chamam a Terra de Mãe, Pacha Mama, Gaia. Uma deusa perfeita e infindável, fluxo de graça, beleza e fartura. Veja-se a imagem grega da deusa da prosperidade, que tem uma cornucópia1 que fica o tempo todo jorrando riqueza sobre o mundo… Noutras tradições, na China e na Índia, nas Américas, em todas as culturas mais antigas, a referência é de uma provedora maternal. Não tem nada a ver com a imagem masculina ou do pai. Todas as vezes que a imagem do pai rompe nessa paisagem é sempre para depredar, detonar e dominar.

            O desconforto que a ciência moderna, as tecnologias, as movimentações que resultaram naquilo que chamamos de “revoluções de massa”, tudo isso não ficou localizado numa região, mas cindiu o planeta a ponto de, no século XX, termos situações como a Guerra Fria, em que você tinha, de um lado do muro, uma parte da humanidade, e a outra, do lado de lá, na maior tensão, pronta para puxar o gatilho para cima dos outros. Não tem fim do mundo mais iminente do que quando você tem um mundo do lado de lá do muro e um do lado de cá, ambos tentando adivinhar o que o outro está fazendo. Isso é um abismo, isso é uma queda. Então a pergunta a fazer seria: “Por que tanto medo assim de uma queda se a gente não fez nada nas outras eras senão cair?”.

            Já caímos em diferentes escalas e em diferentes lugares do mundo. Mas temos muito medo do que vai acontecer quando a gente cair. Sentimos insegurança, uma paranoia da queda porque as outras possibilidades que se abrem exigem implodir essa casa que herdamos, que confortavelmente carregamos em grande estilo, mas passamos o tempo inteiro morrendo de medo. Então, talvez o que a gente tenha de fazer é descobrir um paraquedas. Não eliminar a queda, mas inventar e fabricar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos. Já que aquilo de que realmente gostamos é gozar, viver no prazer aqui na Terra. Então, que a gente pare de despistar essa nossa vocação e, em vez de ficar inventando outras parábolas, que a gente se renda a essa principal e não se deixe iludir com o aparato da técnica.

    (Ideias para adiar o fim do mundo, 2020.) 1   cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância.
    Segundo as ideias do autor, o “fim do mundo” é representado
    Escolha uma alternativa para a questão 39d66c67-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o poema de José Carlos Capinan (1941-) para responder à questão.

    o rebanho e o homem

    O rebanho trafega com tranquilidade o caminho:
    é sempre uma surpresa ao rebanho que ele chegue
    ao campo ou ao matadouro.
    Nenhuma raiva
    nenhuma esperança o rebanho leva,
    pouco importa que a flor sucumba aos cascos
    ou ainda que sobreviva.
    Nenhuma pergunta o rebanho não diz:
    até na sede ele é tranquilo
    até na guerra ele é mudo —
    o rebanho não pronuncia,
    usa a luz mas nunca explica a sua falta
    usa o alimento sem nunca se perguntar.
    Sobre o rebanho o sexo
    que ele nunca explicava
    e as fêmeas cobertas
    recebem a fecundidade sem admiração.
    A morte ele desconhece, e a sua vida,
    no rebanho não há companheiros
    há cada corpo em si sem lucidez alguma.
    O rebanho não vê a cara dos homens
    aceita o caminho e vai escorrendo
    num andar pesado sobre os campos.

    (Heloisa Buarque de Hollanda (org.). 26 poetas hoje: antologia, 2021.)
    Há entre os vocábulos “morte” e “vida” (18° verso) uma relação lógica semelhante à relação existente entre:
    Escolha uma alternativa para a questão 142b9229-69
  • Linguagens

    Português

    Leia o trecho do romance O cortiço, de Aluísio Azevedo (1857-1913), para responder à questão.

            Passaram-se semanas. Jerônimo tomava agora, todas as manhãs, uma xícara de café bem grosso, à moda da Ritinha, e tragava dois dedos de parati1 “pra cortar a friagem”.

            Uma transformação, lenta e profunda, operava-se nele, dia a dia, hora a hora, reviscerando-lhe o corpo e alando-lhe os sentidos, num trabalho misterioso e surdo de crisálida. A sua energia afrouxava lentamente: fazia-se contemplativo e amoroso. A vida americana e a natureza do Brasil patenteavam-lhe agora aspectos imprevistos e sedutores que o comoviam; esquecia-se dos seus primitivos sonhos de ambição; para idealizar felicidades novas, picantes e violentas; tornava- -se liberal, imprevidente e franco, mais amigo de gastar que de guardar; adquiria desejos, tomava gosto aos prazeres, e volvia-se preguiçoso resignando-se, vencido, às imposições do sol e do calor, muralha de fogo com que o espírito eternamente revoltado do último tamoio entrincheirou a pátria contra os conquistadores aventureiros. [...]

            E o curioso é que quanto mais ia ele caindo nos usos e costumes brasileiros, tanto mais os seus sentidos se apuravam, posto que em detrimento das suas forças físicas. Tinha agora o ouvido menos grosseiro para a música, compreendia até as intenções poéticas dos sertanejos, quando cantam à viola os seus amores infelizes; seus olhos, dantes só voltados para a esperança de tornar à terra, agora, como os olhos de um marujo, que se habituaram aos largos horizontes de céu e mar, já se não revoltavam com a turbulenta luz, selvagem e alegre, do Brasil, e abriam-se amplamente defronte dos maravilhosos despenhadeiros ilimitados e das cordilheiras sem fim, donde, de espaço a espaço, surge um monarca gigante, que o sol veste de ouro e ricas pedrarias refulgentes e as nuvens tocam de alvos turbantes de cambraia2 , num luxo oriental de arábicos príncipes voluptuosos.

    (O cortiço, 2011.)

    1parati: cachaça.
    2cambraia: tecido fino, branco, de algodão.
    No primeiro parágrafo, o narrador emprega aspas a fim de
    Escolha uma alternativa para a questão 1423b876-69